segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Semana de tema livre

A Conta, Por Favor



Tenho 35 anos e estou solteira há três. Logo que me separei, tudo ficou muito confuso e não estava preparada para me relacionar com alguém novamente. Estou acostumada a ir e vir sem ter que dar satisfações da minha vida para ninguém, a sair com meus amigos quando bem quero, mas, neste ano, resolvi estar mais disponível e tentar. E, a cada dia que passa, estou mais intolerante à burrice. Principalmente a masculina. Para eu admirar um homem e me relacionar, ele tem que ser superior a mim de alguma forma. Senão, foi-se o respeito (e ele vira texto de blog). Na vida sentimental, de uma forma ou de outra, o homem tem que conduzir a relação, ser inteligente e encantar. Não tenho paciência para desdobres baratos (sou doutorada nisso e farejo um desdobre de longe, embora às vezes me faça de louca). Homens que acham que são malandros, então... Éca!
No início deste ano, conheci um cara e resolvi me dar uma chance. Boa pinta, carrão, 42 anos, bom emprego, não muito inteligente, mas bonzinho. Bonzinho? É... mas tentei mesmo assim.
Saímos para jantar a primeira vez, a fim de nos conhecermos melhor e nossa noite não passou de suco de abacaxi acompanhado de sanduíche aberto. Nada contra, se não fosse o total descaso dele em saber se eu gostaria de beber ou comer mais alguma coisa. Não sou nenhuma “mega bluster” em cultura geral, mas conduzi a conversa a noite inteira. Conta dividida, sem nenhuma menção dele em pagá-la sozinho. Nada contra dividir uma conta, mas sei lá, gentilezas mútuas são bem-vindas em um primeiro encontro. É gentil o cara pagar a conta e é gentil, também, a mulher, em outra ocasião, retribuir a gentileza de alguma maneira. Quis desistir, mas minhas amigas diziam: “Ka, dá mais uma chance, tu tens personalidade forte, atitude, vai ver intimidou o cara”. Então, resolvi acatar a sugestão e dar mais uma chance a ele e a mim mesma, afinal, não se pode ter tudo em uma pessoa só (ou pode?). E o cara era bonzinho.
Saímos uma segunda vez e ele sugeriu um vinho no ap dele. Opa, talvez as coisas melhorassem. No ap, home theater enorme na sala, um PC tela plana enorme com placa de vídeo ultra moderno, som do carro acionado por Bluetooth. Uma balaca só. Mas o papo continuava sendo conduzido por mim, mesmo sob efeito etílico e ele continuava a ser bonzinho. De novo, não se preocupou em saber se eu estava bem ou se queria mais alguma coisa.
Na terceira vez que saímos, fomos comer uma pizza em um lugar descolado daqui, escolhido pelo cara bonzinho, que, quando nos sentamos à mesa, foi logo dizendo que ELE ia tomar cerveja. Não sou muito de cerveja, mas fingi não me importar com a indelicadeza e acompanhei-o. No final, a conta. Aaaah, a conta. Quarenta reais: uma pizza e três cervejas long necks (que quase não bebi). Mexi na bolsa: nada; mexi na carteira: nada. Então, tirei o cartão de crédito e coloquei-o em cima da conta. O sujeito afastou o cartão, olhou o valor, tirou uma nota de vinte reais da carteira e colocou junto. O que? Na hora de pagar a conta no caixa, tive vontade de pagar o valor integral sozinha, mas me contive, porque não queria humilhá-lo. O rapaz do caixa, por três vezes dirigiu-se a ele, pensando ser o proprietário do cartão. Chegou a perguntar incrédulo: “Desconto 20 reais em dinheiro e 20 no cartão?”. Mais uma conta dividida. Entramos no carro e ele sugeriu tomarmos um espumante “no ap”, que, segundo ele, estava na geladeira esperando por nós dois. Aceitei, pensando que um espumante gelado talvez salvasse a noite. No ap, depois de conversarmos um pouco na sala, perguntei: “E o espumante gelado?” Ele responde: “Mas tu queres que eu abra mesmo?” Pronto... caiu a casa. Eu queria me atirar da janela do apartamento, fiquei sem jeito, não sabia o que fazer. Tive vontade de ir embora, mas, de novo, não quis fazer cena. E o espumante estava quente. O que podia restar de chance para que “aquilo” desse certo foi por água abaixo.
Minhas amigas, que passaram a incentivar menos, disseram: “Ka, da próxima vez que ele te convidar para sair, diz que não tem dinheiro. De repente, ele ainda não está sabendo como conduzir e precisa de uma ‘ajuda’”.
Na semana seguinte, ele me ligou para darmos uma volta. Seguindo os conselhos das gurias, argumentei: “Vamos ter que deixar para outro dia, estou sem grana”. Num tom de quem profetiza a melhor frase da semana, ele responde: “Também estou sem dinheiro, mas a gente não precisa gastar muito. Podemos sair e tomar um suco ou um refri”.
Putz! Ninguém é obrigado a ter grana sempre, mas, então, que conduza a situação de outra forma: “Também estou sem grana, mas pensei em tomarmos um vinho aqui em casa e fazermos uma massinha...”. Pô, dá outra “roupagem” (palavrinha fashion do momento) à situação. Mesmo sem grana. Até me ofereceria para fazer a massa, pois cozinho bem...
Algumas horas depois, Gabi, minha amiga que não come rúcula por homem nenhum na vida, me liga e sugere um cinema para as duas naquela noite. Expliquei que ia sair para “tomar um suco ou um refri” com o cara e Gabi não teve dúvida: “Ai, guria... eu acho que sou bem mais divertida que ele.” Não tive dúvida, peguei o telefone, liguei para o sujeito e inventei uma desculpa qualquer. Não poderia sair naquela noite com ele. Bonzinho como sempre, ele disse que tudo bem, voltaria a ligar outro dia. Três semanas depois, era um sábado à noite, estava assistindo a um filme no DVD player, cuidando do meu basset que tinha passado muito mal e ficou uma noite internado em um hospitalzinho, o celular toca. Era o bicho. Não atendi.



Karime Abrão

domingo, 11 de outubro de 2009

69 Dicas para ser um bom atleta sexual




Quando o sexo é bom, diz-se ser de “tirar o fôlego”. E não é força de expressão, de fato é de deixar arfante, suado e com o corpo banhado de beta-endorfina, efeitos típicos de quem participou de uma atividade física intensa. E o paralelo com os reflexos da prática esportiva é inevitável. Quando a atividade é levada mais a sério e beira a obsessão em termos de desempenho, se está diante de um desportista sexual. É uma modalidade falsamente não-competitiva, pois, embora não haja o confronto comparativo com rivais de prova, o atleta disputa consigo mesmo, em seus limites e recordes, mas, principalmente, com as manifestações de satisfação da “comissão julgadora” – entenda-se aqui a parceira de peleja. Talvez seja o esporte mais prazeroso e saudável que exista. Inegavelmente queima muitas calorias, exige bom preparo físico e quanto mais se pratica mais se quer praticar. Mas o que é necessário para se dar bem no esporte e ser um atleta sexual realmente digno de pisar no alto do pódio?

Para responder a esta questão foram escaladas cinco garota que praticamente já se tornaram consultoras do blog nos posts de domingo: Carolinni Tauscheck, Ana Paula Silva, Fernanda Lima, Luciana Soares e Ana Linhares – todas alunas de comunicação e, por conseguinte, estudiosas do comportamento humano e seus reflexos. De última hora, houve também participação especialíssima de outras três garotas: Carol Pamplona e Paula Tamo, além da Desaforada X Thainá dos Santos, que colaborou via-msn. O desafio foi o de criar uma lista de pré-requisitos obrigatórios para aqueles que querem fazer bonito nas quatro linhas (da cama, logicamente).

Antes, porém, de entrarmos na lista em si, é bom deixar claro que existem modalidades específicas no desportismo sexual, divididas entre objetivas (tempo de relação, número de orgasmos, número de posições, etc) e subjetivas (satisfação da parceira, satisfação pessoal, criatividade, etc). As dicas levaram em conta a busca pelo êxito do atleta nestas diversas variantes, atingindo o número final de 69 recomendações. Se não entendeu porque se chegou a este par de dígitos, fica aqui o alerta de que você definitivamente não é um atleta sexual. Eis as dicas:

1) Não fumar – se estamos falando de atletas, o motivo desta dica é mais do que óbvio. Cigarro reduz o rendimento físico, dificulta a fluência pulmonar e ainda obstruiu os vasos sanguíneos do pênis, reduzindo a capacidade de irrigação, efeito essencial para mantê-lo ereto.

2) Tem que ter “pegada” – saber chamar, cochichar, segurar e ter o timing da hora certa da conquista. É como o artilheiro que sabe o momento de bater pro gol. E quando o faz, não hesita nem um instante.

3) Ser uma pessoa de bom gosto – no modo de se vestir, na música escolhida para o jantar, no filme pego para ver a dois; mas tem de ser “conciliável”, sabendo que gosto é algo subjetivo e muito pessoal. Estética é de fato fundamental, tanto no esporte, quanto no sexo.

4) Dominar o Kama Sutra e outras artes do prazer – em se tratando de sexo, toda técnica, novidade e conhecimento vale ser experimentado, em especial se envolver algo de exótico. Esportista precisa conhecer o rendimento e as habilidades de outros atletas, venham eles de onde vierem.

5) Não pode ser “ogro” – ou seja, nem pensar em ser mal educado, ranzinza, “sem noção”, grosseiro e rude no trato com uma mulher. Senão, vai faltar parceria para exercitar o atletismo sexual. Está aí um antagonismo na dobradinha esporte e sexo: se no esporte ser truculento pode até ser uma vantagem, o mesmo não se repete quando o certame é na cama.

6) Ser sedutor – saber atrair, usar o perfume certo, tendo a conversa agradável, e sendo uma companhia sempre divertida e bem disposta, alguém que os outros queiram ter sempre por perto. Sedução é como um bom drible: quando você vai ver, já foi. E sob aplausos.

7) Tamanho é documento – se não for suficiente em calibre e bitola, é preciso saber usar. Mais ou menos como carro fraco de scuderia iniciante, o piloto sabe que está em desvantagem com seu equipamento, portanto tem que pisar mais que os outros.

8) Controle da ejaculação – quando mais tempo resistindo, melhor. Caso contrário, depois não adianta chorar sobre o leite derramado. Homem que não tem controle é como nadador que precisa parar para tomar fôlego no meio da piscina. Ou pior, que para a prova antes mesmo de chegar na outra beirada.

9) Entender de vinhos – enogastronomia não é assunto restrito a chefs de cozinha, as mulheres apreciam homens que entendem das boas artes da mesa. Mesmo porque vinhos são bebidas altamente sedutoras, e Baco muito provavelmente é o melhor amigo de Afrodite. Em certo sentido, o vinho assume um certo papel de isotônico no sexo, estimulando e dando mais energia. OK que também pode dar sono, cabe aí o entendimento da reação do próprio organismo à bebida, mas não é porque ela chama Morpheu no caso do homem que ele irá negar uma taça para a companheira.

10) Conhecer as zonas erógenas – saber os pontos de contato na acupuntura, os chakras na medicina ayurvédica e a as áreas de pressão na terapia reichiana fazem entender que as zonas erógenas de uma mulher vão muito além da nuca e do lóbulo da orelha. Ela tem mais de 70 pontos erógenos, e encontrá-los pode ser a parte mais divertida do esporte.

11) Saber de comidas afrodisíacas – há pratos e temperos que despertam o apetite sexual, portanto saber prepará-los e escolher ingredientes e restaurantes de cozinha mais “apimentada” garante sessões de sexo mais ardentes. Mas, claro, como em todo esporte, não se deve comer demais no antes, senão pode render uma congestão.

12) Entender de itens de sex shop – da mesma forma que o nadador vai escolher o óculos mais indicado e o tenista a raquete mais certeira, o atleta sexual também pode contar com equipamentos que melhorem seu rendimento quando na ativa. O único detalhe é o cuidado para não ficar muito dependente do uso de apetrechos, afinal ainda não inventaram brinquedo melhor do que o próprio corpo.

13) Não precisa ser bonito, mas tem de ser atraente – meio Ronaldinho, que pode até ser dentuço e estar fora de forma mas bate um bolão e marca gol. Charme, embora seja subjetivo, ainda é item precioso na conquista romântica.

14) Ter boa aparência – significa saber “usar o uniforme”, ou seja, bem vestido, bem penteado e com jeito de bom moço, por mais que essa impressão se subverta por completo na hora da cama (intencionalmente, é claro).

15) Ter boa conversa – um bom papo não só conquista mas também preserva a relação. Há caras machistas que dizem que querem mulher para transar e não para conversar, mas a recíproca não é verdadeira: homem com quem não se consegue ter diálogo, leva cartão vermelho na certa.

16) Ser um gentleman – os esportes e o sexo tem sua etiqueta. Abrir a porta do carro, deixar a garota passar primeiro pela porta e pagar a conta são alguns dos mandamentos do fair play na área do relacionamento afetivo.

17) Saber dançar – jinga e jogo de corpo não são apenas atributos de centro avante bom de drible, e podem ser aprimorados. Dançar estimula a desinibição, melhora o preparo físico, desenvolve a sintonia e o ritmo, ajuda a entender o papel de condutor e conduzida, e facilita na hora de o conquistador “fazer a corte”.

18) Saber decifrar o que a mulher quer – parece meio aquela premissa do filme “Do Que As Mulheres Gostam”, em que Mel Gibson adquiriu o poder de ler o pensamento feminino, mas, saindo do lado inversossímil da história, é possível deduzir o que a parceira quer. Esporte também é intuição.

19) Adotar a metrossexualidade sem exageros – cuidar-se com cremes para a pele e manter uma aparência sempre jovial e saudável há muito que deixou de ser coisa de boiola (claro, contanto que não haja excessos). David Beckham que o diga.

20) Saber tirar proveito da situação e deixar a parceira à vontade – o ritual tem de ser natural como qualquer disputa que se preze, senão vira marmelada ou jogo de compadre. Nada de formalidades excessivas, o negócio é aproveitar o momento e deixar rolar.

21) Ter um bom repertório de posições – se tem coisa que todo atleta treina até a exaustão é a variação de jogadas para não cair na previsibilidade e ficar manjado pelo adversário. Se ficar só no papai-mamãe, o esquema tático vai cair numa rotina que renderá traços de audiência.

22) Conhecer a anatomia feminina – todo atleta tem de conhecer bem o campo onde irá jogar. Porém, no caso do sexo, não é como investigar a altura do gramado num campo de futebol, mas sim averiguar as condições de uma pista de Fórmula 1: cada qual tem suas peculiaridades, suas curvas, seus mínimos declives e ondulações. É preciso entender o corpo feminino tanto de forma genérica quanto específica.

23) Apreciar literatura erótica – Cyrano de Berjerac conquistava mulheres mesmo com seu narigão enorme por ter grande habilidade com o verbo. Quem domina os signos da linguagem escrita e falada marca pontos valiosos no jogo da sedução e em diversas modalidades, digamos, extra-oficiais, como sexo por telefone, cyber sex e mesmo naquelas frases proibidas ditas bem na intimidade.

24) Saber surpreender – levá-la de última hora para aquele espetáculo que ela tanto queria assistir, dar flores sem nenhum motivo específico ou transformar aquela simples carona de fim de expediente em uma viagem para jantar no litoral são algumas formas de encantar. O jogo do sexo e do relacionamento não se ganha apenas no tempo regulamentar.

25) Buscar informações técnicas – ler desde estudos sérios, como o Relatório Kinsley, até dicas apimentadas de revistas feminina, gomo os guias lacrados da Nova, ensinam formas de melhorar a qualidade do sexo. Se um enxadrista passa a vida toda lendo publicações de um jogo que se resume a um tabuleiro e um punhado de peças, como é que alguém pretende ser expert em sexo baseando-se apenas em empirismo?

26) Gostar de conversar sobre sexo – por mais sábio e pop que tenha sido, Renato Russo deveria repensar seus conceitos antes de ter cantado “sexo verbal não faz meu estilo”. Quem não conversa, não se interessa. Em qualquer modalidade esportiva jogada em dupla, as partes se conversam muito para entrar em consenso. Só que, claro, ficar só de blá-blá-blá também não adianta, é preciso entrar em campo e transformar o papo em ação.

27) Saber falar coisas certas nas horas certas – em momentos românticos, frases doces; nos sacanas, termos picantes. E nunca o contrário. Comunicação é forma, conteúdo e ocasião, qualquer desses quesitos sendo mal usado vira gol contra.

28) Saber ouvir o que a parceira quer – essa dica não é tão óbvia quanto parece. Muitas vezes um “não” de uma mulher significa “persista” e um “desista” quer dizer “convença-me”. Esse dizer uma coisa e querer outra faz parte do jogo. Às vezes o sexo está mais para uma dissimulada partida de truco do que para uma elegante disputa de tênis.

29) Adotar uma alimentação saudável – há alimentos ricos em componente energéticos e estimulantes, bem como os portadores do bom colesterol, que desobstriu artérias, aumentando a vaso-irrigação do pênis (como nozes e o azeite de oliva). Também há os que fazem bem para a pele, para o sangue e para o organismo em geral, lembrando que sexo não se faz só com os quadris, mas sim com todas as partes do corpo. Aliás, uma dieta saudável é condição essencial da vida de qualquer esportista, qualquer que seja sua modalidade.

30) Praticar exercícios físicos regularmente – desnecessário comentar, estamos falando de atletismo e de sexo. Em qualquer dos casos, quem está mais preparado fisicamente tem mais fôlego, mais performance, mais êxtase.

31) Ser carinhoso – o orgasmo pode ser a meta mais ambicionada, mas há outras reações de prazer que também contam, como o bem estar, a proximidade e a satisfação com pequenos gestos. Mesmo no sexo mais voraz, carinho é sempre crucial.

32) Saber dominar e não ter medo de ser dominado – sexo é entrega. Se quer algemar, por exemplo, tem de saber fazê-lo com convencimento adequado e deixar-se algemar também. Todo time exige confiança entre os companheiros de equipe.

33) Ter ritmo – lento quando adequado, rápido quando oportuno. Como um maratonista que sabe seguir o pique dos demais durante a prova até o momento certo de dar o sprint final.

34) Buscar a sintonia perfeita – mas não como num nado sincronizado, onde há coreografias mecânicas; está mais para um jogo de frescobol, onde o bate-bola tem de acontecer com naturalidade e fluência.

35) Ter sensibilidade – isso em vasta aplicação: na forma de falar, no agir, na empatia, no toque, na maneira de estender um simples cafuné a uma experiência sensorial completa. Atleta sexual é uma atividade holística.

36) Saber realizar fantasias – só conhecer os desejos da outra parte não adianta, na medida do possível é preciso buscar realizar as fantasias. “Life is a mind game”, já dizia o título do anúncio de um famoso relógio.

37) Vencer a timidez – homem tímido retrai a mulher, causa inibição e castra atitudes mais audaciosas. Todo mundo tem um grau de timidez maior ou menor, só não pode deixar que ela trave o desempenho sexual. Atleta vai para a arena, e arena não é lugar de retração. Ao contrário, como na cama, é o momento de superexposição.

38) Não ter tabus muito restritivos – por exemplo, sexo anal no caso das mulheres e (segundo as Desaforadas consultadas) fio terra no caso dos homens (há controvérsias). Alguns tabus são necessários e bem justificados, como necrofilia, zoofilia e pedofilia, mas receio de fazer certas práticas porque elas podem acabar com o romantismo e deixar a mulher em posição de “vagabunda” corta as possibilidades sexuais pela metade. Aliás, romper tabus também é outra modalidade interessante no atletismo sexual.

39) Não ser inseguro – já pensou um centro-avante que chega na grande área e pára porque não se decidiu se passa a bola ou toca por cobertura? Ou um ginasta que, no meio de sua exibição de solo, fica de tempos em tempos olhando para a expressão dos jurados querendo conferir se estão gostando ou não de sua apresentação? Então, atleta sexual não fica perguntando o que a parceira quer que ele faça, nem fica observando constantemente suas reações para mudar de posição num mínimo sinal de desconforto (que pode ser apenas um gemido de prazer ao invés de uma manifestação desfavorável). Tem que estar atento e seguro do que está fazendo, senão é bola fora na certa.

40) Saber criar o clima/ambiente – assim como a quadra esportiva tem de estar muito bem preparada para a hora do jogo, o local onde vai rolar o sexo precisa estar devidamente adequado, preferencialmente com aditivos que deixem o ambiente mais acolhedor e insinuante, como aromas, música e (meia) luz. Se não há condições de se criar o ambiente, é preciso criar o clima: aquele encontro no escritório, no acampamento ou na beira do mar pode ser propício se o atleta souber usar de boa lábia, toque e até de bom humor, tornando a ocasião descontraída e com uma sugestão de algo mais pairando no ar.

41) Qualquer hora é hora, qualquer lugar é lugar – do elevador ao caixa eletrônico, do carro na hora do rush ao restaurante na hora do almoço, não há tempo ruim ou local inapropriado para um verdadeiro atleta sexual. Esportista não se exercita apenas durante a partida.

42) Gostar de correr riscos e viver situações inusitadas – complementando o raciocínio anterior, é bom observar que o banheiro da boate, o prédio abandonado e aquele mirante com vista para o mar podem ser o melhor motel do mundo, mesmo (ou principalmente) com o perigo de alguém chegar e flagrar o ato. Claro, não é recomendável brincar naquele almoço de família na casa dos pais da moça, mas também não se pode desperdiçando oportunidades acreditando que o único lugar é a cama e que o único horário é à noite. Mas atleta mesmo gosta de correr riscos, não sendo por acaso que os melhores pilotos são sempre os mais audaciosos.

43) Gostar de experimentar (explorar possibilidades e apetrechos) – não é preciso mergulhar em experiências extremas como entrar num grupo de sadomasoquismo ou praticar modalidades homossexuais (ou até é, se for um praticante de esportes radicais nesta área), mas frequentar sex shops e tentar dicas de gurus do sexo ajudam, e muito, a tirar a relação da rotina e ampliar o leque de experiências e possibilidades. Senão, o sexo pode se restringir a uma disputa de motocross no videogame enquanto bem que poderia ser um Rally dos Sertões.

44) Ser massoterapeuta erótico – saber tocar, apalpar nervos e músculos, deixando o corpo relaxado e ao mesmo tempo em estado de combustão é uma arte. Não há mulher que não goste de uma massagem, principalmente se ela tem segundas intenções, portanto o lance é correr para os livros de shiatsu e de do in, comprar um creme para mãos e corpo, acender um incenso e acionar aquele CD de música new age no stereo. Ao contrário do esporte, atleta sexual não recebe massagem, mas sabe fazê-la muito bem.

45) Saber explorar todos os sentidos – não só de tato vive o sexo, longe disso: ele engloba também paladar, aroma, visão e audição. Brincar com sabores (antes e durante), perfumar o corpo e o ambiente, usar uma roupa interessante de vestir e de despir, e, conforme já colocado, escolher a seleção de músicas certas para criar clima, fazem da experiência mais prazerosa em todos os sentidos, literalmente. Ficar restrito ao contato do falo é o mesmo que um jogador de golfe achar que seu esporte se restringe ao taco.

46) Ser sexy – uma pesquisa realizada na Europa apontou que o maior fetiche masculino é o de mulher vestida de... governanta (?!). O resultado pode causar estranheza, mas o fato é que sensualidade não é a pessoa se rasgando em trajes sumários enquanto faz caras e bocas com o corpo suado, ao contrário, é um jogo de sutilezas, e precisa ser demonstrado na hora certa. Assim como a governanta ilustra o desejo de se ver uma pessoa bem comportada que vira voraz na hora H, o atleta sexual também tem de ser alguém reservado e respeitador mas que sabe fazer a passagem para o seu lado sexy quando apropriado. Todo fisiculturista sabe o momento certo de mostrar seus bíceps, no atletismo sexual a sensualidade tem seu momento, apesar de ele poder ocorrer a qualquer momento.

47) Gostar de filmes, fotos e material erótico – quem estuda precisa de material pedagógico, e o do atleta sexual está presente na web, nas livrarias, nas bancas e nas locadoras de DVDs. Não precisa ser produto pornográfico, mas sim aquele com conteúdo adulto de tom insinuante, estético e didático, algo que se possa usar para aprender ou apreciar. Todo esportista é um constante pesquisador da modalidade que pratica.

48) Ser expressivo (fisionômica e gestualmente) – não é só de palavras que ocorre a comunicação no sexo, aliás, pelo contrário. Durante o ato, e mesmo em toda a insinuação que o precede, os gestos e as expressões faciais e corporais dizem muito, podendo sugerir, afirmar e seduzir. Do poker ao vôlei, todo esportista sabe que uma mera levantada de sobrancelha pode indicar que chegou a hora daquela jogada de mestre.

49) Saber incorporar fetiches – se é para vestir uma roupa de um personagem qualquer, nada de ficar debochando da brincadeira o tempo todo ou de fazer cara feia. Mesmo porque, durante o sexo, apesar de toda a naturalidade que se deve ter, estamos sempre encenando de algum modo: é uma peça da qual já participamos outras vezes, só que procuramos repetir com êxito ascendente junto ao público. Qualquer atleta sabe que se torna também um ator quando pisa na arena.

50) Ser expert em preliminares – Todo gol bonito nasce de uma finta genial, de um drible incrível ou de um passe açucarado, a bola na rede em si não tem a menor graça se não for antecedida por uma bela jogada. O sexo oral e a masturbação podem dar mais satisfação do que a penetração em si, portanto merecem ser devidamente valorizados.

51) Saber tirar a roupa – tanto a dela quanto a dele próprio. Por vezes de forma lenta, botão-a-botão; por outras voraz, quase rasgando (ou rasgando mesmo, oras). “Vestindo fantasias, tirando a roupa” foi a frase de Rita Lee que fez corar a censura dos anos de chumbo e incendiar jovens da década que sucedeu a liberação sexual. Atleta zela pelo seu uniforme, mas sabe jogá-lo para a torcida na excitação da vitória.

52) Saber beijar – básico e essencial. É como saber chutar a bola no futebol, como dar saque no vôlei, como dar tacada no bilhar. É tão pré-requisito que queima etapas: se o beijo não cola, talvez nem seja adequado seguir adiante. Aliás, com toda propriedade, Léo Jaime falou em uma das edições do programa “Amor & Sexo” da Globo que a coisa mais íntima do sexo é o beijo. Na peneira do sexo como esporte, o beijo é a habilidade que separa os vocacionados dos meros aspirantes.

53) Estar consciente do que está fazendo – poucas coisas são tão frustrantes para uma mulher do que um parceiro que, no dia seguinte, fala “eu fiz isso, é? Nem lembro”, isso seja para o bem, seja para o mal. Quem bebe além da conta para ficar descontraído e audacioso, ou usa drogas para tornar a experiência sexual mais extasiante ou lisérgica, acaba praticando o ato de forma quase inconsciente e até inconsequente, podendo o resultado ser um completo desastre ou, literalmente, uma tragédia. Ao contrário do esporte, não existe anti-doping no sexo, mas seus efeitos colaterais são bem perceptíveis.

54) Ser autêntico na excitação – gemeção e caretas de tesão para tentar forçar a sensualidade do momento podem ser um embuste dos mais infelizes. Um semblante sereno muitas vezes é mais sedutor do que morder o lábio inferior e franzir o cenho. Aquele “oh, yeah” falso pode ser tão revoltante quanto aquele fingimento do atleta que simula ter sido vítima de uma falta grave.

55) Ter e saber usar a porção sadomasoquista – sexo é prazer tão extremo que esbarra na dor, fazendo as duas sensações virarem primas-irmãs. Sendo assim, um puxão de cabelo, um tapa (com jeito) e um impulso mais selvagem de penetração na hora certa são atitudes agressivas bem-vindas. Faz parte do jogo, todo atleta se esforça tanto que causa dor no próprio corpo, liberando sobre ele a beta-endorfina que dá a sensação de prazer; no sexo também, há liberação de beta-endorfina e de seratonina, drogas naturais do organismo que só entram em ação quando a dor surge em cena.

56) Saber localizar o Ponto G ou explorar o abecedário inteiro – a ciência ainda não deu conta (embora alguns livros tentem desmentir) de apontar com exatidão (ou mesmo se existe) a localização do famigerado Ponto G. Se o atleta sexual sabe como encontrá-lo, ponto para ele e com louvor; mas se não sabe, que investigue todos os canto recônditos possíveis e imagináveis. Ponto G está para o corpo feminino como a onda perfeita está para o surfista: deve existir em algum lugar, mas, enquanto não se encontra o paradeiro, o lance é se divertir procurando.

57) Saber medir a força, a velocidade e o toque – esse é o tripé da cópula ideal, ou mesmo da preliminar ideal. A pressão da língua, do dedo ou do pênis, bem como seus movimentos e agilidade, nos variados momentos de excitação feminina, determinam o grau de lubrificação e o caminho/meio de se chegar ao orgasmo. Já foi dito que atleta é a soma de técnica com habilidade e talento, ou seja, é ter vigor, sensibilidade e destreza, assim é no esporte, assim é no sexo.

58) Saber deixar excitada/lubrificada e respeitar o tempo de cada mulher – às vezes simples palavras já são suficientes, em outras é necessário um toque íntimo demorado. Cada mulher é um universo à parte, e merece ser estimulada de forma absolutamente única, evitando-se o pensamento de que seguem um padrão e de que todas são excitadas da mesma forma. E penetração sem o devido estado de lubrificação íntima é falta grave (a não ser que essa modalidade mais agressiva seja desejada e solicitada). Antes de entrar em campo, todo atleta faz antes o devido aquecimento.

59) Doar-se mais do que ambicionar a própria satisfação – uma das reclamações mais frequentes das mulheres é a de que os homens só procuram o próprio prazer e depois elas que se virem. É claro que o final essencial do sexo é a satisfação de quem o faz, só que o atleta sexual a coloca em segundo plano, vindo em primeiro lugar a vontade de causar desejo e orgasmos. O maior prazer é causar prazer. Embora o êxtase de todo goleador seja colocar a bola no fundo da rede, sua maior satisfação é o delírio da torcida.

60) Saber administrar o “prazer próprio” – complementando o item anterior, aqui vem uma apologia ao lado egoísta do sexo: quem não sabe ter prazer com o ato sexual acaba ficando enfastiado dele e perde o interesse. Sexo é a busca pela satisfação e, mesmo que não haja o orgasmo, é preciso ficar feliz e realizado com o resultado da transa. Funcionários fazem o que lhes é mandado, atletas “trabalham” porque gostam do que fazem.

61) Estar ciente de que o sexo oral é a maior de todas as preliminares – OK que dedos, palavras e beijos ardentes funcionam que é uma beleza na tarefa de excitar, mas o sexo oral permanece como modalidade favorita, e dificilmente perderá o trono. Atleta que não aprecia a prática (e estamos falando de horas demoradas e não de segundos inexpressivos) sai fora do ranking de favoritos de qualquer mulher. No máximo ficará na terceira ou quarta divisão do campeonato. E no banco de reservas.

62) Saber se portar no pós-transa – por exemplo, nem pensar em deitar de lado e dormir. Tampouco se levantar e vestir-se como quem diz “vambora”. Por mais que seja um simples affair de momento sem maiores consequências, um pouco de carinho e conversa após o ritual é um sinal de respeito e até de elegância. Nenhum esportista acaba o campeonato levando o “caneco” para o vestiário sem dar bola para a torcida.

63) Não ter “nojinho” – seja no sexo oral ou no anal, nada de relutar ou de fugir da raia. Mesmo durante a menstruação é possível ter bom sexo, e sem cara de “ugh” ou fazer que vai desmaiar porque não suporta ver sangue. Não por acaso, observar a forma como o homem come (à mesa) é uma forma de saber como ele se porta no sexo: se fica separando gordurinhas no canto do prazo ou inspecionando as verduras pra ver se estão bem lavadas, torna-se flagrante que se está diante de um fresco que fará vasta inspeção visual antes de cair de boca lá. Esportista mesmo gosta é de suor, carne e prazeres viscerais, pouco se importando com preocupações periféricas. Nojo é reflexo condicionados nos seres humanos, e sexo é nosso lado instintivo absoluto e mais primitivo. Animal.

64) Manter a higiene pessoal – básico e essencial, até dispensável sua presença na lista, mas, como o item anterior pode sugerir que vale tudo na questão de não ter nojo, ficou necessário fazer um alerta quanto à assepsia íntima. Cara que não se cuida na higiene, não está sempre limpo, cheiroso e de banho tomado, vai constantemente correr o risco de expulsão e de ser mandado para o chuveiro (literalmente) antes do final da partida, ou antes mesmo de ela começar.

65) Saber respeitar as predileções e restrições da parceira – claro que não precisa sempre fazer estritamente o que ela quer, mesmo porque pode dizer que não gosta apenas por nunca ter feito antes, e não porque fez e não gostou. As restrições e predileções estarão sempre condicionadas a experiências anteriores, e cada ato e praticante pode trazer uma nova perspectiva. Mas também não se pode partir para o ataque negligenciando alertas ditos previamente. O ideal é combinar o jogo antes da partida, mas apostar no potencial da parceira, sendo mais audacioso assim que se perceber a oportunidade para tanto.

66) Ser atrevido – tanto para conquistar quanto para fazer um sexo menos rotineiro, é preciso ser ousado. A resistência feminina nem sempre é sinal de “de jeito nenhum”, e faz parte do papel da mulher querer se preservar e testar a persistência do macho. Portanto, aquele toque íntimo até então não permitido, aquele cruzamento da fronteira da amizade para o affair, e aquela proposta indecente feita de soslaio durante um encontro formal, podem render muito mais do que um sexo previsível. Os esportistas mais admirados são justamente aqueles que se atrevem a fazer jogadas que outros acreditariam ser inadequadas ou improcedentes.

67) Criar circunstâncias sem saber o resultado – conforme dito, o risco faz parte do jogo. Portanto, uma carona inconsequente que acaba tomando o rumo do motel não é uma ideia pervertida ou desrespeitosa, o máximo que pode acontecer é ter de dar meia-volta. Atleta sexual cria oportunidades, até fura o pneu do carro ou simula uma pane no elevador para terem de passar a noite juntos. O resultado? Bom, quem não arrisca não petisca, e o único arrependimento de um esportista da modalidade é o de não tentar. Todo mundo já ouviu narrador esportivo reclamar que o time não soube criar oportunidades para chegar à vitória, vale o mesmo no campo da sedução.

68) Quando falhar, ter um plano B em mente – brochar não é pecado, mas sim o que se faz diante da situação. Há um ditado gaúcho chulo que diz que “enquanto houver língua, enquanto houver dedo, não há buceta que meta medo”. Então está dado o recado dos gaudérios. Há a história lendária de um karateca que, na semi-final de um campeonato, teve sua mão quebrada e entrou no dilema de desistir ou não de disputar a final por conta de não poder usar uma das mãos, sendo que então sua mãe, nos bastidores da competição, o indagou: “mas karate não se luta também com os pés?”, fazendo o atleta reconsiderar e participar do combate. Detalhe: ele sagrou-se campeão. Sabia mãezinha a dele.

69) Usar preservativo – mais um da série básico & essencial. Portanto, nem nos detenhamos em explicá-lo. Fundamental como a caneleira para o jogador de futebol, a máscara para o jogador de hockey, o capacete para o jogador de rugby.

Houve polêmica em alguns quesitos apontados pelas garotas, por exemplo, masturbar-se foi considerado algo que ajuda no desempenho do atleta sexual, bem como possuir uma boneca inflável para treinar. Também foi colocado que o atleta sexual fuma, sim – aquele clássico tragado depois do ato. Sobre se atleta sexual pratica ou não sexo grupal, não houve consenso. O debate acabou fechando questão no fato de que há diversos tipos de atletas sexuais, sendo assim é possível afirmar que há atletas que praticam modalidades grupais e outros não. Enfim, quer boa performance? Siga a lista acima. No mínimo vai se divertir tentando. E satisfazer também.


Mario Lopes

sábado, 10 de outubro de 2009

Parque de diversões


Três e meia da tarde. O dia arrasta-se, num calor modorrento. Olhando pela janela, Amanda nada vê. Focaliza, sem querer, o toldo vermelho vivo da padaria, do outro lado da rua. Vermelho. Como se esperasse apenas esse comando visual, o pensamento correu solto, dispersando-se. De repente, já não está mais em casa, no quarto solitário e úmido, debruçada sobre os livros que deve ler até o fim do mês – tinha que esforçar-se, afinal, ralava o dia todo vendendo brinquedos (justo ela, que detestava crianças), correndo para cima e para baixo, aguentando manha e chutes na canela, com o mais puro e compassivo sorriso angelical...
Desde que saíra do interior, a menina tímida e recatada sentia-se uma deslocada. Se fosse utilizar uma única palavra para descrever-se, em meio à metrópole, seria alienígena. Sentia-se um ser estranho. Anacrônica. Obsoleta. Os poucos amigos que fizera, deixara-os todos na cidadezinha onde passara a vida toda. Agora estava só. Não acostumara com o ritmo apressado de quem corre atrás do tempo. Não saía na balada, não ouvia música, não sabia dançar. E, para piorar, era tímida de dar pena. Quase sofria ataques epiléticos cada vez que tinha que apresentar trabalho. No auge da situação, tremia, gaguejava, ficava avermelhada.
Vermelho. Tão vivo como o toldo da padaria. Tão quente quanto suas carícias. Ainda não conseguia acreditar que ela – elazinha - tivesse despertado o seu interesse. Não que fosse feia: brasileira típica, pequena, tipo “mignon”, cabelos negros e lisos, pele tostada do sol. Mas que estava longe dos padrões capitalistas de beleza, ah, isso estava!
Porém, era inteligente. Isso era inegável. Discursava com qualquer um sobre literatura brasileira, física ou matemática (suas paixões). Mas em se tratando de preferências masculinas, a inteligência não ocupava, digamos, os primeiros lugares...
Mesmo assim, conseguiu romper com os próprios grilhões quando foi morar na capital, cursar faculdade. Abandonou a família, alugou um quartinho, conseguiu um emprego para poder se manter. Trabalhava o dia todo, estudava a noite. Nos finais de semana, ficava trancada no quarto embolorado, estudando, estudando, estudando. Quase não saía, salvo para fazer caminhadas. Levava uma vida medíocre, bem sabia, mas estava feliz daquela forma.
Isso até conhecer Fernando. Era entardecer de uma quarta-feira nublada e ela andava distraída pelo parque, fazendo sua caminhada solitária, acompanhada do inseparável Machado de Assis (estava relendo, pela terceira vez, Memórias Póstumas de Brás Cubas), quando foi atropelada por um ciclista de capacete vermelho. Esparramada no chão, atordoada, não sabia se ria, chorava ou se escondia num buraco. Como nenhuma das três opções lhe parecera muito coerente, decidiu aceitar a ajuda do causador de sua tribulação, que lhe estendeu a mão e um sorriso de desculpas.
Quando fitou os olhos negros do seu agressor casual, sentiu corar e teve que se controlar para não pedir desculpas por ter sido seu alvo. Nunca gostou de história, mas se gostasse, aquele seria seu deus grego. A personificação do belo. E olhe que ela não estava exagerando.
- Machucou?
- Na - não... – conseguiu articular, abobalhada.
Fernando era alto, corpo minuciosamente trabalhado com exercícios físicos, boca carnuda – altamente desejável. Olhos negros penetrantes e insondáveis. Sorriso franco, docilmente agressivo. O conjunto todo era – enfim – muito harmonioso. Harmonioso demais para ser perfeito.
Ao anoitecer, depois de sair de uma longa ducha quente, Amanda ficou se perguntando onde tinha deixado o juízo ao sair de casa. Recordara, num misto de assombro e excitação, de cada detalhe, de cada sussurro, de cada gemido. Quando se dera conta, a boca desejável buscava a sua sem pudor. E ela, contrariando todos os seus princípios, correspondia. Insana. Meu Deus! Será que alguém percebeu? Ah, dane-se – exclamou, derrotada.
Mãos quentes que sabiam exatamente o que tatear, numa ânsia frenética que a enlouquecia – só pode ser isso, ando estudando muito, acho que endoideci... ! – Bocas, salivas, cheiros, suores, prazeres. – Pelo menos sou uma louca satisfeita, conclui.
E como a vida é cheia de encontros e desencontros, passaram-se dias depois daquele encontro e Amanda seguiu com sua vida medíocre. Mas agora não lhe bastava o trabalho e os estudos. Acordava sufocada, durante a madrugada. Sonhava. Delirava. O comum, o mínimo que estava acostumada a exigir da vida, já não lhe bastava. Os amigos estranhavam-lhe as olheiras, a irritação, a ansiedade. Deve ser TPM, diziam uns. Com certeza, aprovavam outros – é por isso que ela anda fazendo tanto exercício físico! Ela não sai mais do parque!
E estavam certos. Amanda desejava loucamente praticar exercícios físicos... E já que dizem que quem procura acha... Um dia ela achou. Ou melhor, reencontrou. Dessa vez, ele estava correndo. Sem camisa. Ela não pensou duas vezes, se interpôs no caminho. Olhos negros. Boca desejável. Sussurros. Gemidos. Prazeres.
Mas Amanda não sabia nada de Fernando. Nem sabia se ele realmente se chamava Fernando. Angustiava-se, debatia-se com suas dúvidas. Tão abruptos como eram seus reencontros, eram também as partidas. Ele sumia, terminava sua corrida, como se nada tivesse acontecido. E ela saía arrumando-se, olhando para os lados, rezando para que ninguém tivesse percebido.
E, como toda mulher, não teve dúvidas: “confessou-se” com uma amiga. No início, acanhada e reticente, mas, à medida que a descrição se alongava, empolgara-se a ponto de a amiga ter que pedir para falar mais baixo. Quando concluiu, olhava entre temerosa e desafiante para a amiga, implorando-lhe informações, já que vivia na cidade há mais tempo.
Ihh, boba! Não vá me dizer que você está apaixonada pelo Fernando do parque! Tá, eu sei que o cara é muuuiiitttoooo bom, mas não dá para levar a sério e... – Peraí!!!! Você o conhece? – interrompe Amanda, quase desfalecendo.
Queridinha, metade da população feminina da cidade conhece. Alto, sarado, olhos negros, esportista? Cada dia da semana ele frequenta um parque diferente. No sábado faz natação. Vive esbarrando “sem querer” nas suas vítimas, digo, nas mulheres que ele acha, digamos, interessantes. Foi assim com você, não foi?
Boquiaberta, sentindo-se uma otária, Amanda concorda, lentamente, com a amiga. Como fui tão estúpida? E eu que achei que podia ser especial...
Ah, não pensa assim. Aproveita a vida, mulher. Se quiser, eu passo o cronograma dele para você. Ele nunca muda, nunca falha.
A família estranhou quando ela disse, ao telefone, que não iria para o interior no final de semana, porque estava praticando natação e que também não poderia ir no feriado prolongado porque tinha que correr no parque... Minha filha vai virar atleta, dizia a mãe orgulhosa, para as comadres, entre um chimarrão e outro, enquanto a filha gemia, nos braços de Fernando.


Rubia Carneiro

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Atleta Sexual em dose dupla. Hoje, temos textos de duas Desaforadas X, para fechar uma semana de posts muito interessantes (o tema rendeu, hein...). Logo abaixo, as percepções da Camila Souza e da Thainá dos Santos, ambas colunistas de São Paulo. As garotas se esmeraram.

Pra que tanta preocupação?




Quando o assunto é sexo, parece que o homem é um bicho neurótico. Já repararam? Sim, porque até hoje, não conheço um animal que se preocupe tanto com o desempenho na hora H quanto o bicho homem.
Engraçado é ver como tem cara que faz a avaliação da sua própria performance através da contagem numérica das transas e da quantidade de gozadas. E não importa onde, se é dentro ou se é fora, nada disso. Vale aquela máxima: quanto mais, melhor.
O homem quer sempre ser o tal. Quer ser o único. Quer ser o melhor de todos.
Cheguei a conhecer uns caras tão neuróticos que tinham uma obsessão de sempre superar os próprios recordes (e ultrapassar os dos amigos). Aí eu fico me perguntando: Por que tudo isso? Por insegurança? Pra se auto afirmar? Pra contar vantagem pros amigos? Não faço a menor ideia. Tem outros que pensam que, quanto mais tempo manter a barraca armada, maior será sua reputação perante a mulherada.
Homens, entendam de uma vez por todas: de nada adianta querer ‘dar várias’ numa noite se você não tiver um mínimo de capacidade de satisfazer a sua parceira.
Eu me lembrei de um ex-paciente da clínica onde trabalho que uma vez resolveu desabafar sobre os tempos em que era um super atleta - segundo ele:
- Antes eu dava pelo menos cinco toda noite sem tirar de dentro e não me cansava de jeito nenhum, sempre queria mais. Agora, mal dou umazinha, já fico acabado...
E eu pensando: Nada que uma pílula azul não resolva...
Como homem mente! Tive de rir pra não chorar.



Thainá Costa dos Santos
Sexo X Futebol


Uma roda de amigos no bar, em plena quarta feira à noite, depois de uma aula cabulada na faculdade. Na TV, o Chatão Bueno narra a partida entre Coritiba X Corinthians. Entre uma e outra bebida, conversa vai, conversa vem, descobrimos que, ao contrário do que nós mulheres pensamos, sexo e futebol podem combinar perfeitamente. Sério, se ainda não acredita? Veja só a comparação que rolou entre este esporte e os principais campeonatos de futebol. A partir daí, veja em qual categoria o seu homem se enquadra.

- Olimpíadas e Copa do Mundo: Aquele que trepa maravilhosamente bem de quatro em quatro anos; mas dificilmente consegue ganhar uma medalha. Bronze, quando muito. A de ouro então... sem comentários.

- Libertadores: Aquele que, uma vez ao ano, resolve transar com mulheres de times (tipos) variados, principalmente quando viaja. Não consegue ficar sem uma mulher por onde passa.

- Copa das Confederações: Segue a mesma linha do anterior, porém, este atleta costuma ser mais seletivo e exigente nas suas escolhas.

- Amistosos: É aquele que transa uma vez ou outra. A partida costuma ser morna, sem atrativos. Quase sempre termina em empate ou no 0 X 0 (ou no 5 X 1, como preferir).

- Campeonato Brasileiro: Faz sexo regularmente. Cada rodada consiste de 2 ou 3 trepadas por semana, o que dá uma média de 100 partidas por ano. Detalhe: o jogo do domingão não pode faltar.

Os “clássicos”, tipo Corinthians X São Paulo ou Fla X Flu, são os jogos mais esperados - talvez pela necessidade de mostrar quem marca mais gols. E a qualidade dos jogos? Bom, isso varia de acordo com a divisão.
Na Série A ou 1ª divisão, o sexo costuma ser de boa qualidade (ou no mínimo razoável). Há variedade nas posições, na marcação, nas jogadas, nas finalizações, além de muitos, mas muitos gols.
Por outro lado, na Série B - mais conhecida como 2ª divisão - as partidas são de péssima qualidade (no mínimo duvidosa). O sexo é monótono, sem graça. Os resultados são previsíveis, todo mundo já sabe qual time vai ganhar. É aquele jogo que depois de um tempo, fica tão chato que ninguém mais quer participar e tampouco assistir, exceto os masoquistas fanáticos por seus respectivos times (parceiros/as).

Viajamos na maionese? Ôooooo, se viajamos! “Mardita” manguaça... hehe


Camila Souza - recuse imitações! rs

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Novamente um dia de semana em que estreia uma nova Desaforada X. Angelica Carvalho, 35, é divorciada, mãe de dois filhos (lindos), formada em Publicidade, amante ardente do cinema e esposa da TV ( entenda-se TV como o marido chato, feio e gordo... mas rico!). Atualmente bancária no Banco do Brasil, aquele que tem 200 anos, mas que está em greve, deixando grande parte da população fula por ter que enfrentar filas intensas nas lotéricas. Mas ela avisa: "Isso é só um toque, tá? Não me processem". Bem-vinda, Angélica.

Histórias Que As Amigas Contam



Eu tenho que aproveitar esse tema: Atleta Sexual. Olha que bonito, dá até um ar de que as coisas vão ser ótimas, né? Não, não né.
Pra começar, tenho que dizer que nossa colega Luciana Mallon foi delicada à beça na sua matéria. Não a conheço pessoalmente, mas deve ser uma pessoa de bom coração... Segundo, esta é uma opinião bem feminina sobre o assunto, por isso, garotões, não me xinguem. E terceiro, aspas e parênteses são amplamente utilizados no decorrer do assunto. Os interpretem como acharem melhor, ok?
Pois é... mas como toda mulher moderna que gosta de uma happy hour, é fato que naquelas conversas de boteco, sempre surgem as histórias mais absurdas. Sim, porque as conversas casuais depois do terceiro chopp viram verdadeiras consultas psicanalíticas, mas essa é uma outra história. Não há de ver que num dia desses estava eu com mais duas amigas que me narraram justamente as experiências vividas tendo como base este tema? Ahannn, só que uma com uma visão diferente da outra.
Antes de contar, quero deixar bem claro que essas coisas só acontecem com as amigas da gente... claro!
A primeira estava num início de relação. Um cineminha, telefonemas carinhosos, um chopp na saída do trabalho... O cara não é lá essas coisas, deve ter uns 40 anos, corpo normal, loiro, olhos claros, bem ajeitado. Mas é bem colocado profissionalmente, parece que quer um lance sério e melhor: a-do-rou te conhecer, né amiga. Ela se empolgou, claro, se disser que não, está mentindo, e resolveu dar uma chance pro moço, depois de passar numa lojinha erótica e comprar aquela lingerie carésima (e abusadíssima).
O cineminha virou um jantarzinho regado a vinho, que virou uma esticadinha no ap do meliante, e depois de uns amassos pra lá e outros pra cá, o bicho larga um: “Vamos ficar mais a vontade?”. Ah, mas pedindo assim com jeitinho tem que ir né... Vão para o quarto, tudo muito delicado, beijinhos e carícias, até que... o cara deita na cama já todo pelado, olha pra guria e fala: “Arranca esse troço!”. Começou o fim do que era pra ser a noite dos sonhos... Depreciou a lingerie já de cara, mal sinal... Mas, deixa rolar, já está ali mesmo... O “amor” vira um sexo selvagem. O cara só não joga a menina pra cima porque arrisca causar um acidente na queda, vira pra lá, vira pra cá, sobe, desce, amassa, chupa, morde... e o bicho ali, firrrrrme, forrrrrte, não tem o que abata a espécie. Se depender do cabra, a humanidade procria o dobro do que já tem, e a menina ali, suando, sacudindo, se perguntando “peloamordedeusssss, será que eu reclamo ou agradeçooooo ??!!!”
Pois é... foi uma noite e tanto... ela teve uns três orgasmos e ele... bem, ele... nenhum. É, reparem. Nenhum... e ainda acorda no dia seguinte com tudo em cima, nem no tapa desce. Viril... né? Baita homão... pô... Te contei que ele falou pra um amigo em comum (pro azar dele) que toma Viagra ? Nãoooo?? Poxa, mas que gafe.
A segunda é o que há de mais comum. Manja aquelas pessoas viciadas em academia? Pois é, eu tenho uma amiga assim. Aliás, novamente tenho que dizer que só minhas amigas são assim... desastradas. Vai fazer caminhada, acorda cedo para um belo “jump”, é super ativa, adora um corpo sarado. Lógico, afinal malha pra isso. E literalmente malha, porque esses tempos atrás aí se engatou com um desses belos tipos específicos de academia: BBB, de bom, bonito e bem-apanhado. Músculos desenhados, aquela tatuagem que começa no dorso e vai terminar no curso, um rosto pintado a mão, bronzeado perfeito, olhos cor de esmeralda e uma boca.., ai, aquela boca... Bem, o moço é um rapaz que sutilmente chama a atenção, devo confessar. Não me pergunte sobre as capacidades intelectuais do moço, nunca conversei com ele... quer dizer, ela diz que ele sabe fazer palavras cruzadas mas... sei lá.
Enfim, pois quem não quer um “tempinho” com uma criatura divina como essa? Han? Que atire a primeira pedra quem nunca pensou num filminho pornô depois de olhar pra todo aquele “conhecimento muscular”. Foi lá a moça, interagir com o belo espécime, tão perfeito quanto um pedaço de bolo de chocolate em época de dieta. Tanto fez que ele caiu em sua performance e acabou convidando-a pra um... café... na casa dele!!! Uhuhuh...
Foi a garota, prontinha, maravilhosa, cheirosa, cheia de dúvidas, morrendo de medo de não agradar. Imagina, aquilo tudo só pra ela! Mas no ponto mais alto de sua criação, não bastasse todo colírio para os olhos, Deus lhe deu um dom a mais: o de maravilhoso cavalheiro. Ele a deixou a vontade, lhe trouxe biscoitos com café, pediu licença para ir até o lavabo e voltou com o sorriso mais brilhante e enxaguado. Ela, após o café, fez o mesmo. Foi ao lavabo, e dois minutos após, voltou à sala sorridente e com uma face espirituosa.
Ele não perdeu mais tempo. Tratou de levá-la pra conhecer seu quarto e ali mesmo iniciou um ritual de preliminar daqueles. Tá, não vou ficar detalhando aqui, porque daqui a pouco vira aqueles livrinhos da Julia ou Sabrina (eca). Tudo muito lindo, muito maravilhoso até que, dez minutos depois de iniciado o processo: “Espera, fica quietinha, não se mexe, não se mexe... ahhhhh !!!” (pausa para três segundos de silêncio).
Lembram daquela brincadeira: Estátua !! Pois é... Tudo bem, sabemos que isso acontece, só que aconteceu de novo na segunda vez e na terceira (reparem, ela tentou um terceira vez), ela teve que falar delicadamente: “Mas vamos com calma desta vez, né?” Ele foi com tanta calma que quando lembrou que não podia gozar, brochou !! Sim, pasmem!
Moral das duas histórias: Atleta sexual é o carvalho. Tudo história pra boi dormir. O garanhão da primeira história de “40 anos, corpo normal, loiro, olhos claros, bem ajeitado” virou “velho, barrigudo, polaco e careca”. O segundo de “BBB, bom, bonito e bem-apanhado” encontrou-se melhor com o “BBB, besta, bombado e brocha”.
Depois, mulher é exigente demais, dona da razão demais. Essa é apenas uma visão de uma situação, meu bem. Não estou dizendo que todos os homens são iguais (graças a Deus). Estou dizendo que para cada mulher inteligente tem um homem que a agrade. Não aceite imitações, não se deprecie com “mentirinhas”. Homem de verdade é aquele que sabe o que pode fazer e até onde ir com uma mulher. O homem que vai te dominar, bela, é aquele por quem você menos criou expectativa. E não, amores, não sou má... sou só um pouquinho desaforada !
Aliás... “Atleta” e “Sexual”, segundo as novas regras da Ortografia Brasileira nem deveriam estar na mesma frase, salvo em exceções: Beckham, Podolski, Canavarro, Figo...


Angélica Carvalho

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Luciana Mallon foi entrevistada em uma matéria do Domingo Espetacular, programa de variedades da TV Record. É uma ótima oportunidade para se conhecer melhor a Desaforada das terças-feiras, saber o que ela pensa e como ela é. Acesse o link abaixo.

http://videos.r7.com/assexuados-/idmedia/d62ac60ee3468080f72b76b3f8fe679a-1.html

O Sonho de Ser Atleta Sexual



Desde a Idade da Pedra, o homem preocupa-se com o seu desempenho sexual, como se isso fosse o fator mais importante de uma relação. Antigamente, ele pedia ajuda aos remédios naturais como: catuaba, ovo de codorna e amendoim. Porém, no final dos anos noventa, surgiu o Viagra, uma pílula que prometia aumentar o desempenho sexual dos machos de plantão. Era comum ver homens falando expressões como:
- Agora com o Viagra transarei duas horas sem sair de cima!
Sim, eles diziam isso e ainda dizem, como se o tempo de uma relação fosse sinônimo de qualidade. Porém, essa pílula trouxe muitos aspectos negativos: homens de todas as idades começaram a abusar deste remédio e alguns chegaram a falecer por causa disso.
Um destes casos ocorreu há cinco anos, no centro da cidade de Curitiba: um idoso chegou na farmácia, com a devida receita, e pediu este estimulante sexual. A balconista entregou Viagra ao cliente. Alguns minutos depois este senhor entrou num “cine prive”. Ao sair da sessão, ele desmaiou na rua, teve uma espécie de ataque epilético e morreu ali mesmo.
Há alguns dias, o presidente da França passou mal durante uma corrida. Então surgiu na imprensa o boato de que este fato poderia ter relação com o uso indevido de Viagra. Por isso, no dia em que aconteceu esta história, era comum ler em sites e ver pessoas na rua fazendo os seguintes comentários:
- Só poderia ser o Viagra mesmo!
- Afinal Sarkozy já tem idade e é casado com uma ex-modelo bonita e jovem...
Em muitos casos, homens abusam do famoso estimulante sexual com o objetivo de manter a relação sexual por mais tempo, porém, se esquecem que nestas horas o que realmente conta é a qualidade e não a quantidade de horas. Para as mulheres o tempo é o que menos importa. Afinal, o que interessa, realmente, são as carícias. Muitas mulheres definem um cara ruim de cama como sendo aquele que não se interessa pelas preliminares, vai direto para a penetração e muitas vezes fica horas “sem querer sair de cima“. Quando isso acontece, várias mulheres sentem-se como um objeto sexual e não como um ser humano. Sem falar que a falta de carinhos na hora “H” tem o poder de destruir aventuras, namoros e casamentos.
O ideal seria que os homens não buscassem estimulantes sexuais artificiais para fazer a parceira feliz na cama, e sim caprichassem nos carinhos das preliminares, pois muitas mulheres chegam ao orgasmo somente com esta atitude delicada.



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Desejo animal


Desculpem minha ignorância em certos aspectos no quesito sexualidade, mas alguns homens, a meu ver, precisam rever seus conceitos sobre a prática sexual. Não vou generalizar (aliás, estou aprendendo a não fazer isso), pois nem todos são como vou dizer, mas a maioria dos homens acha o cara “foda” quando ele “come todas”, como os próprios dizem, ou seja, esse seria então o atleta sexual no reino animal masculino. E sempre a imagem associada a este é do cara fortão, sarado, viril. Tudo bem, um cara assim tem tudo para praticar um bom exercício sexual, mas não necessariamente. O que alguns homens não vêem é o que a mulher entende por um atleta sexual. E mais uma vez, me desculpem mulheres se eu estiver errada, mas meu conceito para um bom atleta sexual não está no corpo e na capacidade de quantas mulheres ele transa: está em como ele busca e como ele faz isso. Tem homens que se tornam verdadeira referências sexuais ou mesmo atraentes não por serem sarados, mas por saber, a partir do jeito que são, seduzir uma mulher através de seu charme, de suas formas de conquista, coisa às vezes que um “gostosão” não sabe fazer a metade. O verdadeiro atleta sexual é aquele que cativa, misterioso, que instiga e aguça e que usa como arma de sua conquista não sua essência carnal: usa a essência certa de suas palavras. O homem que, atrelado ao charme corporal e ao poder desta sedução e jogo de palavras, se dá bem melhor do que simplesmente usar como palavras ao seu favor apenas “comi todas”.

Quer saber dois tipos de machos que são “fodões” mesmo?


Um deles é o Leão! Sim, ele sim é foda.! Em média transa 50 vezes em um dia de sexo. Mas outros dos maiores atleta sexuais do reino animal são alguns roedores do deserto que podem copular com uma fêmea 224 vezes em duas horas. E olha que os bichinhos podem até ser feinhos, mas são umas fofuras e possuem seu charme.


Por isso alguns homens devem pensar bem antes de se acharem os fodões ou rotularem assim alguém que “pega todas”, pois estes não chegam nem aos pés de um roedor que nem falar pode. Mas os homens sim, portanto, fica a dica: use as palavras e o jogo da sedução a ser favor.
Beijos


Bianca Nascimento

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tema da semana: atleta sexual

O Maratonista Libidinoso



Tenho um amigo que mora no Rio de Janeiro e que é o perfeito estereótipo de um carioca malandro. Moreno, bonito, corpo escultural, festeiro, simpático, divertido, de fala arrastada caprichando nos “xxx” e “rrr”, usando muitas gírias e cheio, mas cheio de amor para dar. Seduz com o olhar e com a risada gostosa concordando quando digo: “Fa, tu não vale o que come”.
Ao mesmo tempo que faz o estilo “família”, participando de programas junto com os pais e irmã, e cuidando da filha linda que tem, fruto de um relacionamento anterior, é totalmente devasso. Topa todas... realmente todas.
Tenho um carinho muito grande por ele porque nos sentimos à vontade para conversar sobre qualquer assunto e damos muitas risadas juntos. Torcemos pelo sucesso e felicidade um do outro.
Toda segunda-feira conversamos pelo MSN e nos perguntamos como foi o final de semana. E ele sempre tem uma nova aventura para me contar. Não sei se realmente todas as aventuras são colocadas em prática 111% como ele mesmo diz, mas o certo é que acredito que pelo menos 50% delas são.
“Horrorosa (algo como linda, maravilhosa, perfeita e idolatrada amiga), tu não sabe o que eu fiz... Dias atrás, entrei em um chat e conversei com um casal por horas. No final da conversa combinamos um ménage na casa deles para terça-feira”.
“Em plena terça? E tu foi, criatura?” – sempre pergunto incrédula.
“Lógico, sua horrorosa! E tu acha que eu ia perder?”
Não, não acho. Vindo dele, não tenho a menor dúvida de que ele não iria perder absolutamente nenhuma chance de participar do evento a três.
“E como foi?” – pergunto querendo saber os detalhes.
“Ótimo... shoooow!”
Ele sempre faz questão de me contar tudo, incluindo os detalhes sórdidos, que sempre me deixam chocada por mais moderninha que eu pareça ser.
A segunda maratona sexual dele foi com uma guria que morava com mais três amigas. Ele a conheceu em um barzinho na beira da praia (lógico, onde mais iria ser?) e foram juntos para o apartamento dela. Conversaram, blábláblá e foram para o quarto. Lá pelas tantas, uma segunda amiga bateu na porta do quarto e quis participar da competição de salto com vara. Diz ele que saiu de lá acabado.
Nesta semana me contou que domingo participou de um verdadeiro triatlo do swing à beira da piscina. Dia ensolarado, comida e bebida à vontade, uma cobertura, uma piscina enorme e dez pessoas completamente nuas aproveitando a dolce vita.
“Sério, Fa... tu participou desse revezamento 5 x 5 ?”
“Mas tu é bem horrorosa, merrmo hein, cabeça? Lógico...” – ele trata tudo com uma naturalidade quase que ingênua.
“E aí? Quero saber dos detalhes sórdidos!”
“Linda, te conto outra hora, ok? Tenho uma reunião agora. Beijo, sua horrorosa!”
E segui meu trabalho frustrada (e curiosa), na frente do computador envolvida com planilhas de custos aduaneiros de importações e e-mails para o exterior.
Mas ele me prometeu que nesta semana me conta TUDO.



Karime Abrão

domingo, 4 de outubro de 2009

In Utero



Cada integrante do blog recebe sempre a recomendação de ter um ou mais textos já prontos de reserva, para postar no caso de não haver tempo de escrever durante a semana - e é o que acontece neste domingo, em que a energia frenética do relógio e o volume na agenda de compromissos fazem pular para fora do HD alguma criação perdida nos back ups da vida. O texto abaixo não é novo, é um roteiro de filme escrito há cinco anos e que ficou "na gaveta" pelo fato de o autor ter ficado insatisfeito com o final. Mas, dando uma de Mario Prata (que escreveu "Os Anjos De Badaró" publicando trechos em seu blog e coletando opiniões dos internautas), a obra está aqui à disposição de quem quiser dar pitacos e contribuir (se um dia for viabilizado o filme, o nome de quem contribuir irá nos créditos como agradecimento). É a primeira vez que um roteiro é publicado no blog, o que é bastante válido, já que os posts aqui são livres das amarras de gênero, estilo ou formato. Nota: int. significa interna; VO é Voice Over (voz do personagem narrando o que se vê no vídeo); FADE OUT é a imagem escurecendo; e a formatação está longe do padrão ideal (Master Scenes, lay-out mundialmente aceito) devido às dificuldades com os recursos disponibilizados pelas ferramentas do blog.

int. sala/cozinha/quarto de nena – dia
NENA, gestante de poucos meses, surge com ar entediado em ambientes diversos de sua casa, fazendo atividades rotineiras: assistindo TV, comendo alguma guloseima pouco nutritiva, lendo revista feminina de conteúdo pouco construtivo, passando roupa, tomando banho, olhando barriga no espelho, sempre com ar de apatia. A casa é de classe média baixa, um tanto desarrumada, pintura descascada nas paredes e com decoração de mau gosto. Nena tem aparência de ser bastante jovem (entre 18 e 20 anos) e uma certa indiferença no ar quanto à sua situação de gestante.
nena (vo)
Sabe lá o que são nove meses assim?! Enjôo, vômito, mal estar, essas coisas. E todo esse tempo sem balada, sem uma cerva, um trago... um pico. De vantagem, só fila preferencial de banco ou de supermercado. Porque de resto, de resto é isso, esse peso a mais dentro da gente. E sexo? Dá pra pelo menos trepar de vez em quando? Eu não sei. Nove meses é muito. Vou deixar de viver nove meses. Sabe lá o que é isso?! Não sabe, não. Você é homem.

int. bar – noite
Em um bar semi-vazio, Nena sentada no balcão fala girando um copo de whisky.
nena
Por isso, se não quer que eu tire, paga.
Nena vai levar o copo à boca, mas uma mão – de CIRO – entra em cena e puxa o copo.
ciro
Quanto você quer?
Ciro a observa com um misto de temor e impotência, tem um semblante cansado. É bem mais velho do que Nena – entre 45 e 50 anos.
nena
Faça uma proposta. Para passar mais sete meses desse jeito, e com você pegando no meu pé, não vou topar por pouca coisa, fique sabendo.
Ciro bebe do copo que tirou de Nena, virando a bebida em gole único.
ciro
Depois ele fica comigo.
nena
Todo seu.
Nena sorri cinicamente.

int. maternidade – dia
Por um aparelho de TV no apartamento onde Nena está internada após o parto, vemos o bebê no berçário. Nena está deitada na cama. Ciro em pé a seu lado. Nena, ignorando o ambiente e sua situação, acende um cigarro. Dá uma baforada longa e fecha os olhos, num sorriso de quem diz “há quanto tempo!”.
nena
Todo seu. Ou melhor, só uma coisa antes: fez o depósito?
ciro
Se eu paguei o resgate, você quer dizer. Sim, tá lá.
Nena dá mais uma tragada. Ciro resta estático, em pé à sua frente, parecendo já não ter mais o que dizer.
nena
E a criança, vai fazer o que com ela? Dar pro vagabundo do seu filho cuidar?
ciro
Não. Como você mesma disse, ele... é um vagabundo. Então comprei a parte dele também.
Nena balança a cabeça com sorriso irônico no rosto.
nena
Hmmmmm... isso sim é um business man.
Ciro abaixa a cabeça e se dirige para a porta do quarto. Nena interrompe sua saída falando alto.
nena
Mas eu não estou arrependida, se você quer saber. Nem um pouquinho.
Ciro se detém com a mão na maçaneta.
ciro
Disse bem: não está.
Ciro abre a porta e sai do quarto. Nena, solitária, olha para a porta, dá a última tragada no cigarro e o atira pela janela. Depois, joga os cabelos para trás e recosta o corpo no travesseiro atrás de si. De súbito, volta sua atenção para o monitor de TV no qual vê o bebê que pariu recentemente. Vemos a imagem do monitor chegando cada vez mais perto, tornando cada vez mais nítido o pequeno bebê mexendo a cabeça solitário. Os olhos de Nena vão ficando hipnotizados pela cena. A imagem do monitor vai crescendo na tela assim como A TRILHA e o teor de sutil magnetismo que acomete o olhar de Nena. Quando já vemos o campo do monitor bem próximo, surge um braço de enfermeira que toma a criança do berço e a tira de cena. Os olhos de Nena saem de transe instantaneamente, e se arregalam um pouco mais como que querendo dizer algo.



FADE OUT
FIM


Mario Lopes

sábado, 3 de outubro de 2009

Estreia de nova Desaforada X. Elaine Souza, na definição de sua amiga Rubia Carneiro (também Desaforada X), é uma solteira discreta, formada em Letras (Português/Inglês), e que gosta muito de ler e escrever, bom para ela e para quem lê o blog. Elaine já começa com um texto que atesta sua paixão rasgada, assumida e incondicional pelo ofício da palavra. Bem-vinda ao time, Elaine.

A inspiração provém do espírito

Meu cérebro é uma cripta obscura, onde pairam adormecidos e perdidos nas trevas, minhas memórias e pensamentos, aguardando ser libertados.
Abri com cuidado a porta rangedora e fui despertar, reviver e acordar a mente para que ela pudesse acionar meu corpo. Ressuscitar , dar movimento repentino às conexões neurais, bombear sangue e oxigênio para o pulsar da vida , descalcificar os ossos das mãos, para que elas pudessem comunicar-se com o mundo real.
Foi assim que renasceu do íntimo de meu ser, das profundezas da alma e logo então, algo subiu pela garganta, veio incontrolável e subitamente uma vontade pertinente de voltar a escrever.
Para mim, hoje já é tarde. Eu me pergunto porque demorei tanto tempo para voltar a descobrir o quanto amo escrever. Sim, já faz muito tempo que não escrevo. Ainda estou tentando lembrar de como era bom e revigorante. Sinto que morri por alguns anos, minhas percepções da vida, meus conceitos, minha sede de vivenciar a escrita, submeter as palavras ao meu domínio. Estive em coma profundo, lutando contra o receio de evidenciar meus sonhos, meus questionamentos. Comecei a acordar aos poucos... os pensamentos bocejantes, lutando para emergir da escuridão, as ideias ressuscitando devagar, de repente meus olhos se abriram... a primeira letra, em seguida a primeira palavra, a suavidade do teclado, meus dedos movendo-se com insegurança... e um despertar consciente de alegria, uma explosão de sequências de frases nítidas, agora não mais aprisionadas...
Quero estar viva, ser livre para me expressar, dar ouvidos ao conhecimento e sabedoria que correm em minhas veias, quero romper as portas fechadas e folhear as linhas de meu “coração caixão”, libertar a alma e o sentido das minhas frases, até então falecidas.
Ter sede de novos pensamentos, novas ideias, pensar unicamente, inovar. Esses, são artifícios e qualidades fundamentais que o homem precisa ter no mundo de hoje e que são interessantes para o futuro, onde o importante mesmo é ser “escritor tecnológico” de sua própria existência, ser capaz de acessar e utilizar com frequência os fluxos mentais armazenados em sua memória e não deletar seus dados como arquivos velhos em um computador neural danificado. O que nos motiva a escrever?
Talvez o desejo de confrontar o espírito controlador que cada vez mais nos ameaça internamente, esse anjo da morte que está trancafiando nossos pensamentos em prisões, retendo nosso ímpeto artístico. Já não bastam os limites que a sociedade impõe às nossas atitudes? Nossos corpos impedidos de “estar”, nosso “eu” impedido de “ser”. Quantas publicações, livros, propagandas, retirados de circulação. Difícil encontrarmos um estímulo para escrever e para sermos nós mesmos em meio a tantos nãos, proibições e censuras. Escrita é o ato de transcrever nossas próprias emoções. Há um pouco de nós em cada palavra, podemos ser, agir e sonhar qualquer coisa, de qualquer jeito, tudo é possível, tudo é real. Quem escreve é um deus e as palavras são a sua criação. Como um ser divinal, o escritor nunca deve morrer, suas palavras nunca devem ser silenciadas nem rotuladas, mas compartilhadas com todos. É por essa razão que acreditamos no poder e na invenção de cada nova palavra, cada nova frase.
São as pessoas diferentes que ganham o mundo: os que tem a coragem de se manifestar, os que não tem medo de sobreviver às criticidades alheias e dizer o que pensam. Aos que dizem que escritores são loucos, psicóticos, exagerados, são eles mesmos que o são, por não perceberem a beleza, a sensação confortante e a estranheza libertadora que se tem ao final de um texto bem formado, uma tese bem escrita, até mesmo uma carta de amor fantástica.
Como diria a música de Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.
Eu poderia explicitar múltiplas e ótimas razões para justificar e admirar esse hábito, o que não me desagradaria nem um pouco. Uma vez que iniciamos o processo, este pode vir a tornar-se viciante como doces doses de morfina. O ato da escrita é um vício não somente dos grandes escritores e poetas, mas de quem transpassa amor incondicional em suas criações. São por essas razões incompreensíveis e indecifráveis que escrevo minhas opiniões variáveis e insólitas, principalmente pela emoção, pelo desejo, pela satisfação e pela paixão.
E escrevo... e escreverei sempre.

Elaine Souza

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Túnel do Meu Tempo



De repente, tudo desabou. Senti uma falta de ar e dentro de mim abriu-se um vazio sem fim. Em meu peito formou-se um precipício infinito, em que nem mesmo havia um chão que pudesse, no mínimo, amortecer a minha queda.
Vi-me em pleno declínio emocional e físico.
Percebi que estava presa em um buraco escuro, totalmente fechado e sem saída. De nada adiantaram os meus gritos, pois por mais que eu esgotasse cada uma das minhas cordas vocais, o som que saía de mim era abafado.
O mundo não me ouvia, ele não me ouvia.
Tentei me acostumar com a sensação de queda livre, mas meu corpo insistia em tornar-se mais pesado e, como nunca antes em minha vida, desejei que tudo aquilo chegasse ao fim. Não ansiava por um chão, mas que fosse um raio de luz, um ruído qualquer ou o som da minha própria voz. Qualquer coisa bastava.
E quando eu menos esperava, por um ato divino ou obra do acaso, meus sentidos encontraram algo em que eu pude me segurar. Algo que eu sabia que apesar de frágil, me seguraria por um bom tempo... até que minha mente se esgotasse.
Agarrei-me às lembranças com tal voracidade, que tudo em mim sangrava de saudades. Doía ver o passado, mas doía ainda mais imaginar um futuro sem ele.
Foi assim que resolvi transformar aquele mísero vácuo em um túnel do tempo. Preenchi o meu vazio com memórias nossas, quer elas fossem boas ou ruins.
E aqui segue minha lista de salvação:

Sinto falta de...
Sinto falta...
Sinto...
SSS...


Letícia Mueller

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Apesar de hoje não ser dia de Desaforada X (é sábado, quando colunistas eventuais publicam no blog), temos a estreia de uma. É a Karime, nome que em árabe significa "generosa". Profissional da área de Comércio Exterior, ela mora sozinha, tem três cachorros e é bem-humorada, pavio curto, intolerante, esperta, inteligente, decidida, sincera, espontânea, fiel e transgressora (gosta de assuntos do "submundo"). Ah, e é gaúcha, como bem o leitor poderá observar quando ela fala sobre a "Padre Chagas" (?). Bem-vinda ao time, Karime, você está publicando o post de número 600 do blog.

Eu odeio a Beth Friedman



Por causa de Beth Friedman qualquer atividade como comer, tomar um café com os amigos, ir na manicure, cortar o cabelo, pagar contas, levar os filhos na escola (e buscá-los, lógico), ler um livro para a faculdade, é verdadeiramente uma movimentação de guerra.

Por causa de Beth, sua repulsa por seus sutiãs desbotados e suas idéias libertárias (?), hoje temos que ser independentes, modernas, inteligentes, constituir família e cuidar dela, e ao mesmo tempo ser lindas, magras e loiras (ou ruivas, ou morenas ou ter luzes californianas perfeitas).

Imaginem poder acordar calmamente às 8h, tomar um café da manhã igual àquele das novelas, ir para a yoga após um banho quentinho beeeeeeem demorado, depois almoçar calmamente com seu marido (noivo, namorado) ou amigos e ocupar a tarde com passeios culturais, programas estéticos, academia e comprinhas básicas curtindo o sol maravilhoso que está brilhando lá fora ou tomando um café na Padre Chagas? À noite, ter tempo para ler um livro, ir calmamente à faculdade, jantar com alguém legal, olhar um filme, ou simplesmente: dormir cedo.

Tudo isso enquanto um outro ser pensa e decide todo o resto da vida por nós. Aaaaah, só por um tempinho eu queria essa vida!

Gente, se ela estava descontente com os sutiãs desbotados e puídos bastava ir na loja de departamento mais próxima e renovar o guarda-roupa em 5 x sem entrada e sem acréscimo. Para que fazer bafão, meu Deus ?


Karime Abrão

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sobre a Morte de Patrick Swayze



Dia 14 de setembro de 2009 o ator Patrick Swayze faleceu de câncer no pâncreas. Foi uma perda lastimável porque ele era um artista polivalente: ator, cantor, compositor, poeta e dançarino. Além de ser uma pessoa persistente. Pois, até o ano passado, mesmo doente, ele insistiu em participar do seriado policial The Beast.
Patrick Swayze atuou em três filmes que marcaram a minha adolescência: Dirty Dance, Gosth e Matador de Aluguel.
Em Dirty Dance ele fez papel de professor de dança, em uma colônia de férias, que se envolve com uma sócia, a qual ele transforma em excelente bailarina. Este filme me marcou porque toda adolescente sonha em viver um amor de verão recheado de glamour. No final, o personagem de Patrick não fica com a garota da colônia de férias, fato que dá razão para o ditado que afirma que romance de férias não tem futuro, mas deixa marcas para a vida inteira. Sem falar que, nesta película, um dos temas é a música She ‘s Like The Wind, cantada pelo próprio Swayze. A letra desta canção compara a amada com o vento, que seduz ao mesmo tempo que faz estragos.
Em Ghost seu personagem é assassinado e seu fantasma volta para proteger a esposa. Nesta obra foi trabalhada uma forma diferente de divulgar o Espiritismo, com criatividade e humor. Ora, a questão espiritual mexe com qualquer adolescente e por isso este filme marcou a minha juventude e até hoje é um dos meus prediletos.
Já no filme Matador de Aluguel, há uma cena em que o personagem de Swayze costura a própria pele sem sentir dor. Isso nos faz lembrar da situação do ator antes de morrer. Pois foi como se ele costurasse a própria pele tentando lutar contra a doença através da força de vontade para trabalhar.
Soube através da imprensa que o corpo dele foi cremado. Bem, Patricik Swayze já foi para outra dimensão, mas o seu trabalho e persistência ficarão para sempre na memória das pessoas que admiram a verdadeira arte.

Luciana do Rocio Mallon