sexta-feira, 5 de março de 2010

Borin Chine

Trabalhando em seu imenso laboratório, repleto de entulhos, objetos estranhos, livros milenares carcomidos por traças e milhares de papéis rabiscados com esquemas incompreensíveis, Túlio praticamente se camuflava em meio a tanta bugiganga. Ele próprio parecia pertencer àquela miscelânea de coisas bizarras, algumas gigantescas a ponto de tocarem o teto, e outras, tão minúsculas quanto uma caixinha de fósforo.
Ele estava há horas debruçado sobre sua longa mesa, franzindo os olhos pequenos, mesmo usando lentes grossíssimas para corrigir sua presbiopia, e quase regendo um concerto com as peças. Seus movimentos alternavam em momentos de euforia e calma, mas sempre eram precisos e previamente calculados. O cabelo branco amarelado, comprido e encardido, pendia sobre seus olhos de minuto a minuto, e grudava na testa, misturando-se com o suor.
Túlio trabalhava no que considerava não apenas a sua mais genial invenção, mas a melhor e mais genuína invenção de todo o mundo e de todos os séculos. Trabalhava no que considerava fenomenal, de extrema utilidade e relevância para todos, desde o bebê recém nascido até o senhor de bengala. Amava aquele projeto como o filho que não teve e desejava seu sucesso acima de qualquer coisa. Não que tivesse alguma dúvida quanto à eficácia de sua própria criação e muito menos da reação do público diante de sua geringonça, mas como qualquer cientista que se preze, sabia que um pouco de ceticismo era sempre fundamental.
Enquanto suas mãos mexiam-se velozmente com placas de ferro, parafusos, botões e molas, a mente de Túlio imaginava como seria o mundo após a descoberta da máquina, quando a notícia já tivesse sido espalhada e as pessoas já estivessem usando-a diariamente. Imaginava os homens engravatados conversando sobre política, quando de repente alguém toca no assunto e a movimentação é geral:
- Não sei como conseguimos viver tantos anos sem isso. É a cura de todos os males!
Donas de casa e domésticas, em fila de mercado e padaria:
-Você viu esse negócio que saiu agora pra vender? Gente, depois que a minha patroa comprou um desses, ela não fala em outra coisa.
- A minha também. Até chegou a me falar que eu tinha que comprar um também, mas aí eu ri né. Falei que com meu salário eu nunca ia conseguir guardar dinheiro suficiente. Aí sabe o que ela me respondeu? “Deixa comigo então, vou providenciar um aumento”.
-É, então é sinal que a máquina funciona mesmo heim?
Crianças na escola, porteiros, dentistas, celebridades, policiais... todos, impreterivelmente, falariam da máquina como a um fenômeno. As autoridades mundiais e locais, vendo a repercussão da invenção, bem como os benefícios que estava trazendo para a população, cogitou a possibilidade de criar uma lei garantindo o direito de toda a família de ter um exemplar em sua casa, melhorando a qualidade de vida e saúde mental e física de todos. A lei foi imediatamente aprovada e apoiada pelos cidadãos, contentes com as mudanças políticas que estavam ocorrendo.
A máquina tornava a todas pessoas humanamente melhores.
O mundo estava mais feliz e vivia em paz, porém, não importa quão boa esteja a realidade, sempre há um grupo de pessoas dispostas a estragar a harmonia, alegando motivos que mais se auto afirmam do que justificam a causa. Pessoas assim provavelmente nasceram com apenas uma missão: sempre discordar e se mostrar eternamente insatisfeitos.
O grupo foi surgindo discretamente a partir de boatos. Alguém disse que alguém odiou a invenção, que disse que deu briga no vizinho porque um dia o pai da família se negou a ligar a máquina, etc... O grupo revolucionário estava formado.
Era impossível identificar um rebelde apenas pela aparência. Geralmente, eles se entregavam através do comportamento, da fala e dos trejeitos. Não faziam parte de nenhuma classe social, não usavam nenhum uniforme ou criaram um símbolo que os identificasse. Eram tiranos, altivos e verdadeiros carrascos por natureza, porém o perfil de cada um variava imensamente. Dentre a imensa gama de revolucionários espalhados pelo mundo todo, existiam os que torturavam os ouvidos alheios com asneiras e sons mortíferos, ou os que assassinavam o tempo do ouvinte por horas e horas, sem concluir absolutamente nada; os que não admitiam ver o sucesso de outros e faziam críticas, mais por proteção própria do que conhecimento de causa; os que se deliciavam em apenas provocar e fazer graça com qualquer um que julgasse dar uma boa piada, fosse ele amigo ou não, e centenas de outros perfis que além de irritantes e perturbadores, tentavam causar o caos e tirar o encanto daquela máquina encantadora.
Quais eram os argumentos desses malfeitores? Eles alegavam que o mau humor, a piada sem graça, a “enxeção” de saco, a petulância, a voz alta, a intromissão e a dor de cotovelo deveriam ser defendidos incessantemente, ou seja, defendiam a si mesmos como verdadeiros chatos em potencial, esquecendo que afetavam a todos a sua volta e ninguém era obrigado a aguentar sua chatice.
Egoístas, defendiam apenas a própria identidade e não eram capazes de aceitar seus defeitos, diferente dos ex chatos, que notando a melhora de sua vida e das pessoas ao redor, não se rebelaram contra a máquina e uniram-se ao grupo dos simpáticos e divertidos.
Mas nada podia mudar a cabeça dos rebeldes intransigentes e teimosos. Além de se negarem a usar a máquina diariamente, eles almejavam destruí-las e proibir sua fabricação no mundo todo. Uma guerra fora lançada.
Passou a ser comum ver alguma discussão séria acontecendo em uma rua, loja, mercado, ou qualquer outro lugar. Chatos e não chatos, que antes da invenção já não se aturavam, passaram a sentir ódio mortal uns pelos outros e até as coisas mais insignificantes se tornavam motivo de brigas.
Chefes rebeldes demitiram seus melhores funcionários, e melhores funcionários rebeldes foram demitidos por seus chefes simpáticos. Famílias brigavam e se separavam, amigos de infância discutiam entre si e rompiam amizades, vizinhos eram linchados e expulsos de suas próprias casas pela vizinhança...
O caos estava instalado e nenhum lado ousava se render, porém as máquinas continuavam seguras em casa, salvo uma grande quantidade que fora destruída durante as batalhas. A guerra tomou tal proporção que alguns nem mais sabiam porque brigavam, discutiam, esbofeteavam, chutavam, xingavam e odiavam.
Túlio assistia a tudo de seu laboratório. Não ousava sair à rua, um porque sabia que os rebeldes o agrediriam, e dois porque não tinha tempo para descansar. Mesmo com toda a confusão, pedidos do mundo todo não paravam de chegar, juntamente com máquinas e mais máquinas estraçalhadas necessitando de conserto.
O cientista não conseguia aceitar aquela guerra sem fundamento, originada por sua criação que de início fora tão benéfica e fizera tão bem a todos. Não seria um criador de monstros.
A sua máquina descambou para um caminho totalmente oposto à proposta. Ao invés de acabar com o mau humor e a chatice das pessoas, tornaram-nas todas semelhantes e ainda piores. Os não-chatos mal sabiam, mas não diferiam em mais nada dos seus inimigos.
Irritado com tanta hipocrisia, Túlio olhou para aquela imensidão de máquinas espalhadas pelo seu laboratório, e decidido, ligou para um caminhão de reciclagem. Nunca mais tocaria em uma coisa daquela, fosse para arrumá-la, construí-la ou usá-la.
Sabia que seria odiado pelo resto da vida por cada habitante do planeta, mas não estava mais nem aí para ninguém... para todos os chatos do mundo.



Letícia Mueller

quinta-feira, 4 de março de 2010

De Chatos E Loucos Todos Temos Um Pouco


Fumaça de cigarro é chata. Ex fumante também.
O filho dos outros é chato. O seu só está com sono.
A pessoa que não consegue se expressar é chata.
Entrevista com pergunta idiota é chata.
A política é chata. O eleitor, tacanha.
Aula é chato. Aula no sábado de manhã é que é.
Burocracia, fila, dente doendo enjoa.
O amigo invejoso é chato. E você se preocupando com isso, também.
A esposa sabe ser chata. O marido não sabe o quanto é.
Mau hálito é chato. Boca cheia de batom, idem.
O bêbado fica chato. O sóbrio é chato.
Sexo demais, um dia, fica chato. Mas fica, heim... bem capaz !!
Falar demais é chato. Não falar é câncer.
Tem música, livro e filme chatos. E tem os piores, aqueles sem nada pra dizer.
Zíper aberto, cravos e espinhas são chatos. Mas que saudade da adolescência.
Quem não entende a piada é um chato. Porque nos fez ficar com cara de idiotas, claro.
O cara chato é do contra, te entrega, te faz respirar fundo e perder a paciência. E você continua falando com ele, ainda que de vez em quando.
Remédio ou creme que você paga uma fortuna e depois descobre que não resolve é chato.
A dúvida é chata. Cuidado com a resposta.
Segunda-feira é chata. E o resto da semana?
Cutucão é chato, briga de trânsito é chata, falta de respeito é chata.
Tudo o que é demais é chato. O de menos, também.
Comentário impertinente é chato, opinião alheia é chata, mas se fechar pro mundo é chato.
Nós somos todos chatos porque sempre tem alguma coisa pra nos chatear. Mas isso, só se quisermos, e quando quisermos. E como diz Mário Quintana: “Há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... os nossos amigos, que são nossos chatos prediletos”.
Bora todo mundo sifu junto, então !!!


Angelica Carvalho

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ângela E Os Chatos


Ângela era uma jovem órfã pobre, que era obesa e tinha os cabelos enrolados. Ela morava com sua tia Janice, que era muito rígida com os serviços domésticos. Toda a vez que a sobrinha limpava algo, a tia não ficava satisfeita e mandava a garota repetir. A pobre achava tudo isto muito chato. Mesmo assim ela executava as ordens calada e não reclamava, apenas pensava consigo mesma:
- Tia Janice, sua chata, dane-se!
Ao completar dezoito anos Ângela arrumou o seu primeiro emprego numa loja de roupas onde suas outras colegas tinham mais de quarenta anos de idade. Já na primeira semana de serviço as demais funcionárias passaram a fazer perguntas pessoais para a nova contratada, que dava as informações de boa vontade. Ângela era uma empregada dedicada, esforçada e pontual. Mesmo assim quinze dias depois, de sua contratação, as colegas de Ângela passaram a perturbar a pobre. Pois sempre perto da moça, elas davam as seguintes indiretas:
- Tem gente que é solteira aqui e tem a vida boa. Pois quando chega em casa não tem marido chato para perturbar.
- Há pessoas que sempre vestem a mesma roupa para trabalhar.
- Existem garotas que não sabem que já inventaram a escova progressiva e remédios para emagrecer.
Ângela sempre sofria com as implicâncias das suas colegas de trabalho. Sem falar, que quando a jovem saía, as outras mulheres aproveitavam para falar mal dela ao dono da loja, com a intenção de que ele despedisse a garota. Uma vez Ângela chegou do almoço e pegou as outras funcionárias tendo esta atitude. A pobre achava toda esta situação muito chata. Porém ela agüentava tudo calada e dentro de si mesma ela dizia:
- Colegas de trabalho chatas, danem-se!
Um ano se passou e, finalmente, Ângela ganhou férias. Para aproveitar a sua folga ela alugou uma casa na praia, mas antes contou a novidade para todos os seus parentes. Assim a donzela chegou ao imóvel de veraneio. Porém quando ela estava colocando a casa em ordem a sua prima Charlote passou, no local, para fazer uma visita. Como ela ficou até tarde da noite, Ângela convidou a moça para pousar no local. Charlote não só aceitou o convite como afirmou que desejava permanecer naquela casa do litoral junto com Ângela que, por educação, aceitou a proposta. Porém, dia após dia, ela passou a conhecer o lado chato de sua prima. Pois a intrusa pegava seus biquínis, toalhas e cosméticos emprestados sem pedir licença. Além disto, Charlote saía todas as noites para as baladas, chegava de madrugada bêbada sempre acompanhada por um homem diferente e fazendo muito escândalo. Ângela achava tudo isto muito chato e por isto não via o momento das suas férias acabarem. A única frase que a donzela falava para ela mesma era:
- Prima Charlote, sua chata, dane-se!
Quando seu período de folga cessou, a jovem voltou para a cidade. Mas percebeu que algo estava estranho com o seu corpo, pois sentia muita coceira nos pêlos pubianos. Por isto ela resolveu consultar uma ginecologista. Esta médica constatou que a donzela estava com uma infestação causada por um inseto da família do piolho chamado Phtirus Púbis, mais conhecido na linguagem popular como Bicho-Chato, ou, Pediculose Pubiana. A doutora, também, afirmou que isto aconteceu porque ela dividiu toalhas e biquínis com sua prima. Então para curar este problema, a médica receitou um remédio e pomadas para Ângela, que achou esta situação muito chata. Assim toda a vez que ela usava os remédios receitados pela ginecologista, a moça pensava:
- Phtirus Púbis, seu chato, dane-se!
Alguns dias depois, quando Ângela saía para seu trabalho, um pássaro atacou a pobre, bicando seu corpo violentamente e no final da briga a ave caiu morta no chão. Mas, Ângela apenas desmaiou. Os vizinhos, que viram tudo, chamaram a ambulância e quando a donzela acordou no hospital, o médico afirmou que ela foi atacada por uma ave chamada bicho-chato-de-orelha-preta. Desta vez ela não agüentou e exclamou:
- Bicho-chato-de-orelha-preta, dane-se!
Até hoje Ângela convive com chatos de todas as espécies: tia rígida, colegas de trabalho, primas intrometidas, Phtirus Púbis e até com o bicho-chato-de-orelha-preta que fez um ninho numa árvore no pomar de sua residência.





Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 2 de março de 2010

Chatices Da Vida


Tantas coisas que temos que ouvir. Tem chatos que já começam desde a gestação das nossas mães. Ficam importunando-as e claro, isso reflete até em nós:
“É menino ou menina?Aposto que vai ser um machinho do pinto roxo”
“Ué, esse bebe não chuta quando eu ponho o ouvido na barriga”
“Não coma doces!Você devia comer coisas mais saudáveis se não tua criança vai nascer raquítica e desnutrida”
“Tua vagina nunca será mais como antes”
“Nossa, você vai ver quando ele nascer..tudo fica diferente, tanto na vida como nos seus seios”
“Ah, legal saber que está grávida. Nossa, eu não posso mais com isso!Criança é um inferno..digo pelos meus”
Tadinhas de nossas mamães! E nós, ouvíamos tudo isso e não sabíamos que era só o começo. Na infância , a mesma coisa: Chatices a se ouvir...de mães, tias, tios, vô, vó entre outros
“Essa menina(o) tá crescendo rápido demais”, como se nós tomássemos um remédio escondido para crescimento sem que nossos pais descubrissem
“Coma mais verdura menino. Quer morre desnutrido?”
Pré - adolescência
“ E aí menina, como está na escola?Olha os gavião, viu?To com minha espingarda lá em casa”, daquele tio solteirão que não tem nada pra fazer muito menos falar
“Ela virou mocinha ontem!”, sua vó falando pra família inteira da sua primeira menstruação
“E ai, o Chico já te visitou então?hehe”, aquele tio mais puto da família com aquela risada mais puta e sarcástica te dedurando perto dos outros

Adolescente
“E aí, já decidiu o que vai fazer da vida?”, daqueles colegas que já decidiram qual curso vão fazer no vestibular ou daqueles familiares bem sucedidos e que deram certo na sua família
“Olha lá de você se chegar tarde em casa, viu?E se cuida nessa festa. Se você morrer lá, eu te mato”, por aquela mãe que não deixa fazer quase porra nenhuma
“Que porra é essa?”, quando você mostra o teu projeto de ciências para o seu irmão

Entrando na fase adulta

"E aí, não vai trabalhar não?daqui a poco vai casar e aí?vai viver de quê?"

"E os namorados, como vão?", daquela sua tia pentelha que acha que você deve namorar a faculdade toda

"Cade os pretendentes então?" , dessa sua mesma tia

"E aí, quando sai o casório?", daquela amiga chata quando você mal começo a namorar

"E aí, quando vão vir os bebezinhos?", daquela mesma tia chata que não espera quase nem você ter sua lua de mel

"E ai, quando vai ter o segundo filho", depois de você ter acabado de parir o primeiro e assim por diante

"E o emprego lá, tá rendendo em?", quando você acaba apenas de ter trocado de carro, afinal , você trabalhou que nem um camelo pra isso

"Tá ficando rico em?", só porquevocê comprou uma TV que queria desde a época que foi lançada e esperou o preço abaixar

E assim continua,

no casamento

na aposentadoria

na velhice.

Segue a vida e os chatos existentes nela. Não sei como será daqui pra frente na minha , só sei que ainda terei que ouvir cada coisa!

"E aí, valeu a pena você não ter feito aquelas coisas que você queria?", você ouvindo aos 80 anos de idade, quando mal pode andar, daquele seu amigo que envelheceu junto e você reencontrou numa mesa de xadrez no parque, lhe jogando na cara tudo o que você não fez ou deixou de fazer.

Este tipo de chatice, faça de tudo pra não ter que ouvir lá na frente!





Bianca Nascimento

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tema da semana: Chatos do mundo todo, fodam-se!

Urubulinos Do Mundo, Fodam-se!


Não tem coisa mais chata que uma pessoa chata do teu lado.
Aquela pessoa “erva daninha”, que põe defeito em tudo, que só vê o lado ruim das situações, que quando entra no ambiente, o clima pesa e para quem sempre tem alguma coisa de ruim acontecendo na vida.
Existem pessoas assim, por toda parte: no trabalho, no convívio familiar, no happy hour no boteco depois do trabalho, na turma de amigos. Aquele pinta meio vampiro, cujo convívio é um perigo para tua sanidade mental e física, porque ele te rouba toda a energia vital. Eu tive uma colega de trabalho assim... Ela me abraçava e eu quase desmaiava de tão fraca que ficava. Me sentia nauseada, meio tonta. Impressionante.
De pessoas assim, temos que manter distância. Se tivermos obrigatoriamente, que conviver com elas, pelo menos, temos que tentar evitá-las o máximo possível.
Pessoas urubulinas são normalmente invejosas e frustradas, cuja vida e existência não satisfazem suas necessidades e que não tomam nenhuma atitude para mudar esta situação, porque é mais fácil minar a vida alheia.
Ter critério na hora de escolher nossas companhias é importante. Temos que nos cercar de pessoas que agreguem valor à nossa vida, que dêem brilho aos nossos dias; e descartar o convívio com pessoas que impedem nosso crescimento pessoal e profissional, que não ficam felizes com nosso sucesso e nossas conquistas, por menores que sejam.
Eis aqui, algumas técnicas práticas para gerenciar o convívio com este tipo de criatura:
Técnica da Bruxa: faça uma simpatia para “amaciar” esta pessoa. Na primeira lua minguante do ano, pegue uma fotografia recente dessa pessoa, passe mel por toda foto, depois a dobre, de forma que a estampa e o mel fiquem para dentro. Amarre com uma fita branca, formando uma cruz. Jogue no telhado de sua casa e deixe lá. Essa pessoa se tornará um mel, de tão doce que irá ficar. Utilize sempre para o bem.
Técnica do espelho: faça com a pessoa chata a mesma coisa que ela faz contigo. Se ela é uma pessoa negativa, comece a minar tudo o que ela disser. Num dado momento, ela vai te perguntar: “o que é isso?”; aí tu explicas para o sujeito que tu só estás fazendo com ele exatamente o que ele faz com os outros.
Técnica da redoma de vidro: quando esta pessoa começar a falar coisas negativas ou reclamar de alguma coisa, imagine que tu estás envolvido por uma redoma de vidro e que nada do que ela disser ou fizer, vai te atingir. Parece meio idiota, mas com a prática, funciona.
Técnica da tranqüilidade: devolva os comentários maldosos e negativos, com perguntas em tom de voz tranqüilo, que façam com que a pessoa pense a respeito do que está falando. O melhor de tudo é fazer perguntas simples e objetivas, em tom de voz baixo, fazendo com que a criatura fique cada vez mais sem argumentos.
Técnica da Cordialidade: normalmente pessoas negativas assim refletem sua insegurança interior e falta de amor próprio. Devolva os comentários com frases positivas e cordiais.
Técnica da Intolerância: quando a seção carniça começar, fique de frente para a criatura, junte o dedo polegar com o dedo indicador de suas duas mãos, respire fundo, olhe nos olhos do urubu e ao expirar lentamente, diga: “ah, vai te fuder...!” Vire de costas e saia caminhando tranquilamente.




Karime Abrão

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Outono-Inverno


Todos os anos nessa época já começam as preocupações na cabeça da maioria das mulheres com as tendências do inverno, ainda mais nestes últimos dias que o inverno veio nos visitar e dar um “oizinho” antecipado. Por isso, resolvi dar uma espiada pela internet mesmo no que se promete para a próxima estação, pela internet porque não tenho tempo e nem paciência de comprar revistas de moda e freqüentar desfiles e toda essa coisa do mundo fashion.
Descobri por exemplo que neste outono-inverno os anos 80 retornam com tudo! Que tal lembramos a Maddona em seus tempos de Like a Virgin ?
Com essa volta do punk futurista roqueiro misturado com um estilo totalmente urbano e bem humorado, teremos muitas cores, ombros salientes, couro e mais couro, as estampas e grafites continuam em voga, e mais cores, muitas cores, inclusive os tons neon que prometem arrasar!
O símbolo máximo mesmo são os ombros quadrados e super marcados. Os babados e volumes localizados, as cores vibrantes, as meias semitransparentes e os micro comprimentos tudo isso acompanhado (é claro) de couro! Sim porque o couro desta vez terá novamente seu reinado um dia perdido!
Também estarão em alta os tons e materiais metálicos. Casacos coma cintura bem marcada, a preferência é na altura do joelho ou do quadril, os cintos finos na altura da cintura mesmo, calças justas ao corpo e para aquelas que podem a boca larga da pantalona num estilo de alfaiataria. Nos pés as botinhas reinam absolutas, em todos seus estilos com atenção principal para aquelas de cano longo com salto mais grosso.
No panteão de cores, imaginem, é claro que o nosso bom velho e guerreiro pretinho básico estará aqui, muito a cara do inverno. Além dele, teremos marrom, verde, cinza, e a aposta principal será nas cores de preferência vibrantes como azul turquesa, verde jade, amarelo canário, laranja fluorescente, berinjela, púrpura e pink, e para reinar com o preto as apostas estão no vermelho de tons fechado! Também há espaço para o rosa claro, tons pastel e branco. Ou seja, tem para todos os gostos apostando num inverno com uma carinha mais alegre!
Agora meninas, o negócio é fuçar o armário antigo, visitar as tias mais velhas, pedir coisas da adolescência da mamãe, ou mesmo correr para o shopping para aquelas que não querem ficar por fora de nada, com muito estilo e bom humor.

Fontes (sites de moda e mulher):
http://www.portaisdamoda.com.br/noticiaInt~id~17827~n~tendencias+de+moda+feminina+outono+inverno+2010.htm http://www.blogdamulher.com/tendencias-cores-para-outono-inverno-20092010-europa/


Fernanda Bugai

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Dia Em Que Confundi Carneiro Lobo Com Leão Lobo



No ano de 2000 , eu trabalhava como contínua em uma loja . Um certo dia , me pediram para entregar uma encomenda para uma tal de Patrícia , no seguinte endereço : Rua Leão Lobo , número 69 , apartamento 24 . Então saí para cumprir esta minha nova missão . Mas havia um problema :

- Onde ficava a Rua Leão Lobo ? Logo perguntei a um guarda , que respondeu que não existia esta rua em Curitiba e que , provavelmente , eu estaria procurando a Rua Carneiro Lobo que ficava no Batel .

Deste jeito , o moço me explicou como chegar até a este lugar . Seguindo as informações do guarda , cheguei até a Rua Carneiro Lobo , número 69 . Lá , apertei o botão número 24 no interfone e perguntei se ali morava uma moça chamada Patrícia . Esta pessoa desceu do prédio para buscar o pacote e fui embora com a missão cumprida . Cheguei na loja e exclamei :

- Encomenda entregue !

Então as pessoas deram risadas e uma delas falou :

- Tem certeza que você entregou o pacote no endereço certo ? - Você , realmente , achou a Rua Leão Lobo ?

Desta maneira expliquei :

- Um guarda falou que a Rua Leão Lobo não existe , mas a Rua Carneiro Lobo , sim . - Fui na Rua Carneiro Lobo , número 69 , apartamento 24 entreguei o pacote para a Dona Patrícia .

Após eu falar isto , todo mundo caiu na gargalhada e um funcionário disse :

- Isto era para ser uma brincadeira ! - Você não conhece o Leão Lobo ?! - Você não conhece este apresentador de TV ?!

No meio daquela confusão , a dona da loja chegou e chamou a atenção destes funcionários travessos . É por isto que hoje em dia eu digo : nunca confunda Leão Lobo com Carneiro Lobo . Luciana do





Rocio Mallon

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cordelizando as Eleições



Eleições obrigatórias

país democrático

coisa contraditória

metodo prático

Qual escolher

quem será o melhor

qual vai se eleger

tomara seja o menos pior

Tira

Bota

Deixa

Ficar

O Assalariado vota

esperança ainda tem

mas já gastou sua cota

que chance ele tem

Democratização fajuta

dinheiro no bolso deles

nós é que vamos pra labuta

e quem enriquece são eles





Letícia Mueller

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Pedidos



Toda semana vejo brilhar os tópicos sobre sexo nos blogs. Preferência nº 1 de dez entre dez seres humanamente honestos, entre muitas pessoas com as quais converso e inclusive eu. Sim eu gosto de sexo, por que? Você não?

Estou na semana “não ser” dentre as opções do meu nível pessoal de consciência “ser” ou “não ser”. Portanto, acho que não preciso medir palavras, não preciso me fazer de santa, não preciso parecer casta, mas posso precisar suportar julgamentos falso-moralistas, com todo respeito à intelectualidade destas pessoas que pensam que mães não transam, né, são seres assexuados. Eu também sei ser intelectual e filosófica quando quero, mas não esqueçam que eu estou na semana do “não ser”, cuja extensão é o “não fazer”. E não vou escrever um conto com personagens fictícios. Está mais do que na hora de uma opinião pessoal e talvez um pouco desaforada e para isso nada melhor do que a vivência “in loco”.

Então, esta semana resolvi não dizer não e experimentei a sensação de não fazer amor e sim, fazer sexo. Pelo simples prazer do ato. Pela simples atração carnal, pelo momento, pela intensidade do calor dos corpos, pela proximidade com o pecado e pela bela narrativa que poderia render. Pouco ético, mas, afinal, o que estamos querendo constatar é por que as pessoas preferem o sexo como tema de conversas, contos, filmes, enfim, então me dou ao direito da prática pela prática. Escolhi alguém que eu sabia que só esperava por um sim e me joguei em aproximadamente duas horas de tentação. Deliciosas poucas duas muitas horas de entrega e total despreocupação com o que esperava lá fora. A vida estava sendo vivida e eu e ele agradecendo por estarmos tão vivos. Confesso que esqueci completamente minhas constatações e com certeza o fiz esquecer algumas coisas também, que não vem ao caso.

Entendi algumas coisas sobre o que leva uma pessoa a se relacionar com outra, independente de sentimento, o que pode responder porque muitas pessoas adoram falar ou ler sobre sexo. Entre alguns pontos:

- O que você não pode fazer, você deseja;
- O que você não pode ser, você deseja;
- O que você deseja, nem sempre você pode ter;
- O que você pode ter, nem sempre é o que você deseja;
- O que você pode ser, nem sempre é o que o outro deseja;
- O que você pode ter, talvez seja o que outro deseja;
- O que você não pode ter, nem ser, nem fazer, ninguém quer e aí não tem nada a ver com sexo e sim com frustração.

Portanto, o sexo é tema preferencial tanto para quem o entende como a quem não o conhece. Ou porque sabe o que quer ou porque gostaria de saber. E se sexo é bom - porque todos sabemos que saudavelmente é bom – pra que tanto tabu pra falar sobre isso? Será que as questões religiosas ou sociais nos impedirão também de transar? Será que um desejo deve ser reprimido porque alguém totalmente alheio à tua vida disse que tem que ser assim? Sexo é a única coisa que te despe, literalmente, de todo e qualquer preconceito, então pra que tanta frescura? Adultos podem e devem falar sobre o que lhes faz falta, sobre o que lhes faz feliz, sobre seus desejos. Isso é relacionamento. Simples assim, taí minha modesta opinião. Eu, inclusive, descreveria por horas todos os prazeres do sexo, mas meu telefone está tocando e eu acho que o experimento merecerá uma segunda análise.

Ah, sim. Um esclarecimento: isso não é apologia à liberação sexual, não é outdoor para sexo casual e nem muito menos incitação às práticas sexuais irresponsáveis e descabidas. Não tenho como intenção condenar a igreja ou a sociedade, mas acho que nos meus pensamentos ainda mando eu. E nos teus?



Angelica Carvalho

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Primeiro Beijo


Sempre tive dificuldade para lidar com as criaturas do sexo masculino . Desde os meus oito anos de idade , eu sonhava com o meu primeiro beijo . Eu queria que ele fosse com uma pessoa especial num cenário mágico , quase de conto de fadas . Só que o tempo foi passando ... Os meus quinze anos chegaram . As minhas amigas foram arranjando namorados , menos eu ... Então , elas vinham com aquela pergunta : - Você já beijou ? - Como foi o seu primeiro beijo ? Assim , muito sincera , eu respondia : - Eu nunca beijei ! Após , estas perguntas delas e estas respostas minhas sempre vinham os deboches e os sarcasmos por parte destas garotas . Então o tempo passou e vieram os meus dezesseis , dezessete ... E nada de primeiro beijo ! Com dezoito anos fiz cursinho e com dezenove passei no vestibular . Mas , nada de primeiro beijo . Assim , vieram os meus : vinte , vinte e um , vinte dois ... Até que eu pensei : - Poxa , eu já tenho vinte e três anos e nunca beijei Também , nunca namorei e nunca fiquei . Naquela época eu tinha um amigo muito afável . Para preservar a identidade dele , chamarei este garoto de : Dom X . Tendo aquele amigo sempre ao meu lado , pensei : - E se eu beijasse o Dom X ??? !!!! - Bem , é uma possibilidade já que ele é a única criatura do sexo masculino , que conversa comigo . - Mas , como beijarei o Dom X ? Após , pensar isto , vi que aconteceria uma festa perto do prédio onde eu estudava . Então , convidei este meu amigo para me acompanhar . Durante esta festa incentivei meu amigo a beber muito . Pois , me lembrei daquele ditado que diz que quando um homem bebe , as mulheres ao seu redor ficam bonitas . Este rapaz bebeu tanto , que no meio da festa , ele já estava me chamando de Daniela , a menina pela qual ele nutria uma certa paixão . Então , raciocinei : - Está na hora de atacar ! Não pensei duas vezes e beijei o garoto no meio da pista de dança . Foi uma sensação diferente , parecia que as pessoas que estavam ao nosso redor , dançavam em câmera lenta e que as cores se misturavam no salão . Confesso que foi meio nojento , pois me deu a impressão que as nossas babas se misturavam . Adivinhe que música estava tocando ? Sim , era aquela em que a letra diz : “ Não existe mulher feia , foi você que não bebeu demais ... “ Bem , depois daquela noite , voltei para casa com uma sensação de missão cumprida . Realmente , meu primeiro beijo , não foi do jeito que eu esperava , mas a minha alma não agüentava mais de tanta angústia , pois os meus lábios tinham esperado demais por um carinho deste . E você , leitor , como foi o seu primeiro beijo ? Luciana do Rocio Mallon .



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cuspindo Na Própria Língua



Esses dias um senhor no ponto de ônibus, daqueles que gostam de falar sobre política, religião, cultura e problemas sociais, começou a conversar com a “jovem”, como ele mesmo me chamou. Ele tinha opinião prá tudo : odiava os políticos, tinha pavor de religiosos, principalmente “aqueles pastores fanáticos com a bíblia de baixo dos braços” como dizia. Artista mesmo então para ele eram aqueles que prezavam um material mais popular, como teatros que debatessem nosso espaço social e as diferentes culturas. Adorava a socialização entre os povos, a mistura de cores e etnias diferentes.

Três ônibus se passaram, e ele apontava cada defeito e problema das linhas de ônibus, preço das passagens, o desemprego, a fome, os coitados e pobres que passavam na rua sem ter onde trabalhar. De repente, uma mulher meio “louca” vinha passando e gritando, com os dedos nos

ouvidos, como se não quisesse ouvir o que a sociedade queria lhe dizer e sim, só falar. Gritava, dizendo entre os gritos que nós eramos culpados por tudo, que odiava os cidadãos, que ninguém dava atenção para pessoas como ela, pobre e sem emprego.“Tá vendo?A pessoa passa tanta prova que fica assim! Tá certa ela, tem mesmo que reivindicar com a população!”, disse aquele senhor . “Grita mesmo senhora”, falou quase gritando também do seu lugar.

Neste exato momento, ela começou literalmente a cuspir nos carros que passavam e nas pessoas ao redor. É claro que aquilo era injusto, mesmo diante de sua injustiça. Ninguém tinha culpa. A expressão daquele senhor então mudara, de alguém que entendia a situação para alguém que agora repugnava a mulher. E num momento súbito de raiva, ele disse: “Acho uma pouca vergonha essas pessoas que saem na rua reivindicando seus direitos quando não respeita os dos outros. Como pode isso?Por isso estão aí, desempregados. Bando de mal educados!Vai limpar banheiro, encerar chão. Ah, se fosse comigo a história seria diferente!”.”




Bianca Nascimento

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Semana de Tema Livre

Durma Com Um Barulho Desses

Dizem que a traição só existe se contarmos para alguém. Caso contrário, não é traição, e sim, somente um segredo.
Tenho uma teoria sobre traição, teoria sem pretensão nenhuma de ser dona da verdade, mas uma teoria: existem vários níveis de traição.
Olhar para o lado e achar uma mulher mega gostosa, é traiçãozinha; ficar de frescura no MSN com o colega gatézimo da faculdade, também é traiçãozinha, trocar torpedos picantes com amigas coloridas, sim, também é traição. Claro que não são traições dignas de um barraco ou término de um relacionamento, mas acabam com a confiança que depositamos no outro.
Ficar numa festa com outra pessoa já está num nível mais elevado de traição. Não, o sexo não é o grau maior de traição. Sabe qual é ? O envolvimento emocional. É. Quando ele acontece, pronto, ferrou e aí não tem mais volta mesmo.
Mas por que raios a gente trai ? Não sei, mas é genético e inevitável. Um dia isso acontece conosco, de uma forma ou de outra.
Ah, não venha me dizer que tu nunca traístes ou fostes traído ... Quem está na chuva é prá se molhar e não podemos dizer que nunca faremos algo ou que determinada situação não aconteceria conosco, até sermos efetivamente testados pela vida.
Trair um amigo, a família, o namorado ou o marido é um dos maiores erros que o ser humano comete. Quem trai não mata, não rouba, não violenta, mas arranca do outro o que ele tem de mais precioso, a alma; e acaba com o único estímulo que a pessoa tem para conquistar seus sonhos, a auto-estima.
Este final de semana estava conversando com minha manicure sobre isso e disse para ela que hoje, depois de passar por vários relacionamentos e um casamento de 7 anos, onde fui patológica e alfabeticamente traída, não mudo por mais ninguém. Inclusive, não sei se teria o mesmo empenho que tive anteriormente em manter-me fiel à pessoa com quem eu estiver, caso o momento valesse a pena.

Moça vinda do interior de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, gordota, do estilo meio desleixada, casada com um homem 16 anos mais velho que ela e mãe de uma menina de quatro anos, minha manicure declara firme:
- Só estou casada ainda com meu marido e consigo manter meu casamento em paz, porque traio ele.
- Como assim ? – eu pergunto. Sou a pessoa mais aberta que pode existir para as coisas da vida, mas confesso, me choquei com a declaração.
- Sempre traí meu marido, não com amantes diversos, mas já tive três amantes.
- E ele nunca desconfiou ?
- Uma vez só, mas aí o cara faleceu e o assunto morreu, não tinha motivo para dar continuidade na desconfiança.
- E agora ?
- Agora estou com uma pessoa há três anos. Prá mim é fácil trair, atendo as clientes em casa, então, meu marido pode me ligar e eu posso dizer que estou em uma cliente, quando na verdade, estou com “ele”.
- E tu não te envolve com a pessoa ?
- Sim, mas quando começo a me envolver, fico um ou dois meses sem ver ele. Já disse que não me separo do meu marido por nada no mundo.
- Meu deus, e eu achando que os meus princípios eram maquiavélicos. E como tu consegues ?
- Conseguindo. Sou feliz assim e mantenho meu casamento na paz.

Que fique claro aqui, que não estou fazendo nenhuma apologia à traição; muito pelo contrário, porque já fui traída e sei quanto isso dói e deixa seqüelas. Só estou colocando no papel um assunto sobre o qual até este final de semana, eu achava que já tinha ouvido de tudo.
Dorme com um barulho desses, hã ?



Karime Abrão

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carnaval Tântrico


Deitados na cama, Clara e Pedro discutem seus planos para o feriado de Carnaval.
- Deveríamos viajar para alguma praia de Santa Catarina.
- Só.
- Cê tem idéia se rola alguma festa de música eletrônica por lá? Estou afim de fugir desta merda de axé e sertanejo universitário.
- Nem. Num tô afim de viajar. Tava mais afim de curtir um tempo em casa.
- Então porque disse que tava afim de viajar porra. Eu não quero ficar em casa. Faz 3 anos que todo feriado ficamos em casa.
- Pois é, pensei em fazer algo diferente. Tava lendo aquele livro que cê deixou na sala.
Clara não contém a gargalhada. Nos 5 anos de namoro e nos 3 anos vivendo junto, Clara nunca imagina Pedro com um livro na mão, ainda mais lendo.
- Livro? Quê livro? Cê leu o livro inteiro?
- Num zoa. Aquele livro do Jesus mucho loco. O que é escrito pelo amigo dele.
- O Cordeiro? O amigo era o Biff, certo? Cê leu aquilo inteiro? Aquele livro nem é meu. Tenho que devolver ao Inácio que me ficou me torrando dizendo que o livro era muito engraçado.
- Só, este mesmo. Tive algumas idéias para comemorar um carnaval diferente à dois.
- Idéias? Do livro? Lá vem merda. Vou me arrepender, mas quero ouvir as
suas idéias para um carnaval diferente.
- Sexo tântrico
Clara cai na gargalhada e desta vez quase mija de tanto rir.
- Deixa eu tomar fôlego. Quase fiz de tanto dar risada. E você lá sabe o que é sexo tântrico?
- Num sabia, mas fui olhar na internet.
- Cê tem idéia que nós já praticamos isso? Porque para mim toda vez chegar a qualquer lugar, fica viajando, explorando e nunca chegamos a lugar nenhum.
- Porra meu. Cê tá zoando di novo. Sempre reclama que não fazemos nada de diferente.
- Ah tá. Então vamos fazer sexo tântrico sem você puxar alguma erva nova vinda da Holanda. 

- Num é bem assim.
- Eu sabia. Isso é desculpa para ficarmos trancados 7 dias da semana com você experimentando aquelas merdas que seu amigo trouxe plantar da Holanda. Não acredito que estou ouvindo isso.
- Pô, mas isso seria bem massa.
- Quer saber? Vou achar pra onde ir neste feriado sozinha. Vá tomar no cú.
- Boa noite pra cê também.
No dia seguinte Clara faz as malas e vai passar o feriado com amigos num turismo de aventura. Enquanto isso Pedro resolve inventar uma nova modalidade de masturbação tântrica com ele e as ervas novas deixadas pelo amigo. E assim passam o feriado prolongado até segunda-feira, quando eles voltam a trabalhar.




Daniela M. Braga

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ah Essas Páginas...


Tudo começou com o e-mail em 1900 e minha avó era virgem... Hoje temos Messenger, Facebook, Blog, Fotolog, Formspring, Orkut, Twitter, Badoo… São tantos! Qual escolher? Para não ficar perdida resolvemos escolher a todos, sim, criamos contas em todos eles, temos nosso nickname e senha em todos, diariamente fazemos nosso loggin naquelas páginas de relacionamento, que possuem o intuito de facilitar/melhorar a comunicação e interatividade entre as pessoas.
Ah essa páginas... Acho bacana até certo ponto, mesmo porque sou favorável e tenho alguns em minhas listas, e também no mundo atual dificilmente uma pessoa consiga estudar, trabalhar, sobreviver sem a internet, parece hipocrisia, mas nos tornamos dependentes disso tudo. No entanto por vezes me pego pensando aonde é que as pessoas encontram tempo para tanta coisa? Tanta informação não tão útil?
E acham. Passamos boa parte do nosso tempo em frente da telinha do computador fuxicando a vida alheia, conhecendo gente nova que nem temos noção de quem são e de onde vêm, mesmo porque não temos como conferir, por exemplo, se o gato lá de Bangladesh não é nosso vizinho do andar de baixo, no entanto estamos lá, diariamente nos sites de relacionamento fazendo nosso login, esperando que tenha recado novo, adição pendente, fotos atualizadas, seja lá o que for.
Então eu penso para que tanta coisa? Se é justamente por conta dessa máquina que se torna a cada dia mais inovadora que nós acabamos nos limitando cada vez mais, nos tornamos solitários, e o relacionamento que é aquela promessa inicial na verdade nem existe pois acabamos mesmo é criticando as fotos daquela bonitona, colocamos defeito na namorada daquele amigo lá do maternal que não vemos há pelo menos 12 anos, rimos das fotos produzidas e solitárias da maioria, e se relacionar de maneira saudável que é bom, nada! A bondade, a caridade, o amor ao próximo são deixados cada vez mais de lado, sem contar as multidões de adolescentes interligados pela internet mandando scraps de “eu ♥ vc” para uma pessoa que nunca viram na vida e provavelmente nem verão...
Acredito que tem casos nesse tipo de página que de fato sejam uma forma mais rápida e fácil de encontrar pessoas e se comunicar, e sim, existem as páginas que cumprem sua função social afinal olha a gente aqui no desaforadas rsrs. Mas sinceramente, me preocupo com as pessoas que vejo hoje em dia vivendo em função deste, daquele e de aquele outro site da web, vejo essas pessoas cada vez mais solitárias, os parques, teatros, banquinhos de praça, bibliotecas, cinemas cada vez mais vazios, as lan houses cada vez mais cheias. Tudo bem estaremos aqui online para verificar aonde isso tudo vai parar.




Fernanda Bugai