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terça-feira, 9 de setembro de 2008

DE AMIZADE COLORIDA PARA ATRAÇÃO FATAL


Vivian, 31anos, engenheira civil, estava sentada numa cadeira do quarto, toda vestida de noiva, segurando o buquê e perdida em seus pensamentos.
Lá fora os convidados chegavam felizes para o tão esperado casamento com Lucas, 32 anos, professor de educação física, com quem Vivian estava namorando há 4 anos. Dos quais no total, 3 anos e pouco à distância. Ela morava em Curitiba e ele em Santos.
Vivian era a típica patricinha curitibana, sempre teve as coisas que quis, os homens que desejou, um emprego que a destaca-se e agora se preparava para o casamento que havia planejado desde menina. Mas naquele instante pensava no quanto desejou jogar esse casamento pra cima e correr atrás de uma paixão.
Há um ano Vivian conheceu através de uma amiga, Marcus, 37 anos, arquiteto. Separado há vários anos e após essa mal sucedida experiência ou má escolha de companheira, ele colocou como meta pra si mesmo não ter mais nenhuma relação séria. Apesar de saber admirar uma mulher e ser atraído por quase todas elas, satisfazia-se com suas conquistas. Gostava de digeri-las e quanto mais diversas uma da outra, melhor para ampliar seu conhecimento sexual e pessoal do universo feminino. E sempre deixava claro para suas conquistas suas intenções e o limite do envolvimento. Não foi diferente com Vivian. Apesar dele não ser alto e o tipo atlético que sempre a impressionou, Marcus era inteligente, extremamente criativo e cativante. Logo se tornaram amigos. Saíam nas baladas, conversavam sobre projetos, a companhia dele lhe dava estímulo e energia. Ele a envolvia em todos os seus projetos. Eles pareciam se complementar.
Com Lucas morando longe, Vivian se sentia carente e logo se viu envolvida por Marcus. A primeira noite após um jantar japonês, Marcus a levou para sua casa onde acendeu velas e incensos. E ao som de Oasis vendou-a e a fez gozar como nunca.
Eles continuaram saindo socialmente sempre como amigos. Não era só uma questão das pessoas que poderiam ficar magoadas, mas esse segredo parecia ser ainda mais excitante. Os encontros foram se repetindo e intensificando. E quando se deu conta Vivian estava totalmente apaixonada por Marcus. Suas noites de amor eram perfeitas, ela se preparava sempre com uma novidade erótica para estimulá-lo. Tinha certeza que ele era louco por ela.
Até que um dia ela resolveu desabafar o quanto estava envolvida e queria terminar seu noivado por causa dele. Marcus se assustou, disse que eram apenas amigos, ela deveria saber disso. E que ela não deveria abandonar aquele casamento, já ele nunca se casaria de novo e não estava envolvido por ela. Vivian viu isso como uma derrota inadmissível, como ele não poderia estar envolvido por uma mulher bonita, inteligente, boa de cama e vencedora como ela.
Primeiro fingiu compreender e começou a convidá-lo pra sair. No final da noite sempre aparecia com uma fantasia de enfermeira ou diabinha para seduzi-lo. Marcus andava tão cansado e já acostumado com Vivian, que virava pro lado e dormia, deixando-a dançando sozinha. Ela começou a ficar mais nervosa, “como algum homem não poderia ficar excitado com ela naquela performance?!”
Vivian então, ao mesmo tempo em que repetia pra si mesma que ele não tinha nada em especial, que era cheio de defeitos ainda mais comparado a seu noivo, começou a fazer loucuras. Seguiu-o até um restaurante, onde ele tinha um encontro com um cliente e quando voltou ele tinha um convite erótico escrito com batom na janela de seu carro; depois ela resolveu roubar o mailing list dele e começou a escrever inventando mentiras para algumas mulheres suspeitas de serem ou terem sido amantes dele. E da última vez, trancou-o em sua própria casa e ligou pro chefe dizendo que ele estava doente. A sua intenção era chegar à casa de Marcus e o surpreender com um jantar maravilhoso e dizer que eles teriam dois dias inteiros só pra eles, onde ele iria ver e admitir que não poderia viver sem ela. Mas antes de chegar à porta de Marcus, ela recebe uma ligação de Lucas: - Oh, minha princesa, estou morrendo de saudades. Olha to chegando amanhã cedo pra gente fazer a festa de noivado aí. Aposto que você preparou uma festa linda, né meu amor? E daqui a 2 meses você vem pra cá ser minha rainha pra sempre!
É só nesse instante que Vivian se tocou da loucura que estava fazendo. Não que ela fosse desistir de Marcus, mas como diz o ditado: Melhor um pássaro na mão que dois voando.

Vivian se levanta da cadeira, coloca um sorriso brilhante no rosto, sai do quarto e desfila linda com seu vestido perolado até o altar onde seu deus grego a espera.
By Mazé Portugal

sexta-feira, 28 de março de 2008

Teoria errada

A teoria de que os opostos se atraem é correta na lei da física. Na lei da atração humana ela peca. Nós, humanos, somos todos iguais e gostamos de coisas novas, do diferente. A diferença sempre foi mais atrativa. A mulher toda certinha um dia já beijou um homem com perfil totalmente ao contrário, quem é rico já teve interesse pelo mundo dos pobres (nem que seja só para saber como é) e quem nunca teve fetiche por alguém comprometido? Quem nunca quis saber como seria ousar, aprontar, fazer algo fora do comum para a sua sociedade? Quem nunca quis fazer amor em locais diferentes? Com pessoas que não podia? Quem nunca teve tara por um professor(a)?
No relacionamento afetivo isso fica muito evidente. Depois de um tempo de relacionamento todo casal precisa criar maneiras e métodos diferentes para quebrar a rotina e mudar. Pois tudo que fica muito comum fica chato. Não é? Claro que todos gostamos de algo seguro, principalmente no relacionamento, mas podemos mudar em alguns sentidos.
Ano passado assisti uma peça que abordava diversos relacionamentos. Em um deles a história era mais ou menos assim: A mulher, uma secretária, era toda certinha e apaixonada pelo marido, que também era todo certinho. Ela só usava roupas comportadas, nada de decotes! Ele era muito tímido e quase não falava com outras pessoas. Todo dia eles tomavam café, banho, escovavam os dentes e pegavam o ônibus no mesmo horário. Depois do trabalho chegavam em casa no mesmo horário, assistiam televisão e iam dormir. E assim a rotina se repetia... e se repetiu durante anos. Num certo dia a mulher foi numa despedida de solteira. As amigas, não tão certinhas assim, deram um porrete na moça que depois de beber todas revelou que tinha fetiche por homens de atitude, que agarram a mulher, tiram a roupa e a jogam na cama. Bem ao contrário do seu amado marido.
No outro dia, quando a pobre chega em casa o marido está enfurecido pois uma “amiga” de sua mulher contou a ele sobre o modelo de homem ideal para ela. Ele brigou, não a deixou falar e saiu de casa. Depois de dias sumido e de choro constante da sua esposa um homem abre a porta de casa, a pega no colo, tira sua roupa e a joga na cama. Este homem era o seu marido! O casal inovou... que mulher nunca comprou uma lingerie para estrear com o parceiro? Quem nunca tentou posições novas na cama? Acessórios? Fantasias? Locais incomuns? O diferente sempre atrai mais!!!
Mas voltando ao assunto... muitas pessoas acham que o casal não combina por ser diferente e um gostar de algo que o outro não gosta. Neste caso pode apostar que alguma coisa os dois gostam ou fazem igual. Eu, por exemplo, morro de medo de altura. Tenho tanto medo que a minha primeira viagem de avião foi trágica. Vou contar só para vocês terem noção de como sou medrosa.
Tinha combinado com uma amiga de irmos de ônibus para Porto Alegre e de voltarmos de avião. Na volta, já com as passagens compradas, minha amiga teve que ficar por lá.. e eu estava sozinha. Fiquei branca de pavor e para ajudar o avião estava com turbulência. O piloto disse: senhores passageiros a turbulência está ocorrendo por causa de algumas nuvens. A besta aqui comprou na janela (ai ai ai) e resolveu olhar para ver as nuvens. Quando olhei para cima não tinha nuvem nenhuma no céu, daí resolvi olhar para baixo. Entrei em pânico!! Nunca mais andei de avião!
Imagine só que eu namoro um paraquedista! Meu namorado ama estar no ar e pular do avião... Claro que eu acho isso maravilhoso. A coragem dele em gostar destas coisas que tenho tanto medo. Quando nos conhecemos isso foi uma coisa que me atraiu.
E tem várias outras coisas que somos diferentes. Sou jornalista e ele engenheiro, eu gosto de português e ele de matemática, prefiro ficar em locais confortáveis e ele gosta de ir para o mato conhecer cachoeiras, eu prefiro carro e ele moto, e assim vai. Mas também temos muito em comum. Adoramos churrasco, sair com os amigos, ficar em casa deitado sem fazer nada, comer nachos, etc..
Ou seja, temos semelhanças e diferenças, como qualquer ser humano. Está aí a graça!
Na quinta-feira fui a um bar no aniversário de um amigo. As mulheres na mesa estavam conversando sobre relacionamentos e uma delas disse que quando amar de verdade vai pegar um pote de cera e passar na casa toda (ela odeia tarefas domésticas), que vai fazer chapinha no cabelo só para encontrar a pessoa, não importa nem o clima (ela também nunca faz isso), entre outras coisas. Isso mostra que quando a gente ama acaba fazendo coisas que nunca fez ou gostou de fazer por companheirismo, para ficar ao lado da pessoa e para manter o interesse dele em nós (e isso deve ser recíproco). Então, se os opostos realmente se atraírem o casal vai ficar junto por muito tempo. Se isto não ocorrer foi uma faísca momentânea. Independente do caso o que vale é aproveitar o momento, mesmo que seja só para ter alguma história para contar.


Josiany Vieira