terça-feira, 10 de junho de 2008

Quatro por todas. Todas por quatro.



Quatro mulheres tagarelas, instáveis, complicadas, consumistas destronaram os maiores heróis da história do cinema. Nada de Indiana Jones, O Homem de Ferro e O Amigo Da Noiva. A verdade mesmo é que a nossa realidade, de nós, super mulheres, aguça cada vez mais a curiosidade de todos. Podem se sentir poderosas, minhas caras.

Por que, uma década depois de criada, Sex and the City ainda é um fenômeno? Provavelmente por ter sido a primeira, e ainda a única, série que mostra como as mulheres são – ou pelo menos como elas se vêem e gostariam de ser. Milhares de mulheres no mundo reconheciam a si mesmas ou a alguma amiga, prima ou vizinha. Que mulher desta geração não se viu, em alguma fase da vida, questionadora como Carrie, romântica como Charlotte, sarcástica como Miranda ou caçadora como Samantha?

Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha viraram ícones num momento em que as mulheres buscavam novas referências, passada a época da dedicação à família e a revolução dos sutiãs queimados. Nem tanto o fogão, nem tanto a selva do mercado. Daí a paixão sem fim por personagens que, ao mesmo tempo, pagam as próprias contas, correm atrás do amor e não sentem culpa por gastar uma fortuna num par de sapatos. Essa é uma geração de mulheres que querem viver suas próprias fantasias. Solteiras, namorando ou casadas, querem ser donas de suas próprias vidas. Querem amar os homens que escolherem e comprar as roupas que quiserem.

As protagonistas de Sex and the City são ícones de um pós-feminismo que acreditam que os direitos da mulher

já estão garantidos e que é hora de ir atrás dos sonhos individuais. E vamos todas atrás disso, com pressa e sem medo de ser muito feliz!

Juliana Zattoni é uma publicitária superfashion, mora em São Paulo e é Desaforada X

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sabadão algumas desaforadas foram ao cinema assistir o filme fashion mais esperado do ano..
O tema da semana é: Sex and the city.

Simplesmente amei o filme, ouvi muitas críticas ao filme blockbuster, império do consumo, futilidades... enfim o filme é show!
Já era fã da série que mostrou ao mundo, o mundo das mulheres do século XXI, dei altas risadas e com direito até lágrimas... sim gente, borrei meu rímel!
Mesmo quem não acompanhou a série dá para entender tuuuudo!

O filme é um desfile de figurino, sapatos e marcas...
Completamente o império do consumo, o sonho de milhões de mulheres rsss
O filme continuou com o clima da série... para quem não conhece vá na locadora e veja a série toda. São 6 temporadas os capítulos são curtinhos apenas 30 minutos.

Elas são as poderosas:

É a versão da segmentação do mundo feminino... 4 mulheres diferentes em tudo, estilo, trabalho, gostos, relacionamentos, sonhos, sexo...
Lembrei do desenho animado as Super Poderosas, Três espiãs demais que também exploram esta segmentação onde o público se identifica com um dos personagens.

“As poderosas” na série mostraram ao mundo o que as mulheres pensam, fazem e fofocam quando estão juntas. Discutiram diversos temas indo muito mais além do sexo na cidade, como o câncer de mama, crises existências, moda, trabalho, filhos, casamento, livros, desfiles, vibradores, tamanho é documento sim rssss

Resumex do filme:
Carrie agora está mais poderosa, ganhando seu dinheiro, contratou até uma assistente pessoal, mas na mesma novela com Mr. Big.
Miranda continua a mesma workholic total, crises no casamento e a novela com o Steve.
Charlotte a romântica dona de casa feliz com sua nova filha e Samantha continua poderosa aos 50 anos vivendo sua estória de amor com seu gato Smith, mas sempre querendo algo...
Bemmmmm, um algo a mais como o seu vizinho Dante(Gilles Marini o mocinho da foto ao lado) eu também ia querer rsss
Que bundinha linda!!!!!
Vale a pena conferir as cenas mega caliente do moço e o seu banho ahhh que banho!!!!
Eu procurei algumas foto deste banho, mas infelizmente não achei.

hahahah não vou contar mais...

O filme tá show e moral da estória não é o mundo fashion, o casamento, o príncipe encantado, sexo.... e sim a amizade delas que é contagiante!

Quatro amigas inseparáveis! Para todos os momentos!

E vc com qual personagem se identifica mais?
Carrie, Charlotte, Miranda ou Samantha.

Bem, eu sou um mix de todas depende do dia, do humor, da situação... e vc?

Bjks Ale

domingo, 8 de junho de 2008

A Bolsa e a Vida
Hamid limpava o fuzil com um pedaço de estopa sem dar muita atenção ao que Ahmad e Karim conversavam em pé nos dois lados da mesa. Ficou ali, sentado no canto da sala, fazendo-se de desinteressado, esfregando o aço e tentando avistar o brilho de seu trabalho sob a frágil luz de 40 watts: detestava aquele ambiente soturno, mas Ahmad garantiu ser melhor para oprimir rebeldes e estrangeiros impafiosos. Só gostava de seu trabalho por causa do opulento traje ocre (embora preferisse o antigo verde-oliva) e de poder ficar sentado por muito tempo sem ser incomodado. Preferia também o turbante ao quepe de lona, que se desequilibrava de sua cabeça suada pelos 35 graus à sombra daqueles dias. Pensava em como seria capturar um passageiro que fugisse com uma mala cheia de drogas: uma mão no quepe, outra no fuzil. Não daria certo. Mas poucas vezes capturaram um traficante nos vôos, porque a pena era dura no Azberiquinistão: uma mão decepada. Nunca viu a sentença ser executada à sua frente, porque só era levada a cabo nos porões da fortaleza de Cabulid, que no passado foi reduto de resistência às forças opressoras do Ashmed, grupo financiado pelo ocidente e ativo opositor ao regime. Hamid não entendia bem o que Ahmad e Karim conversavam, então preferiu abaixar a cabeça e concentrar toda a sua atenção e carinho em seu AR-15. Não levantou-a nem quando Ahmad socou forte a mesa.
- Estou avisando, Karim, é um batom.
- A mulher apontou e disse “manteiga de cacau”. O que é isso?
- Não importa.
- E é branco.
- Karim, lembra de quando aquela norueguesa desembarcou aqui com um batom verde? Ele não era material de desenho, Karim! Não! Ao passar na boca não ficava verde, e sim vermelho!
- Tem certeza?
- Sim.
- E se passarmos este nos lábios para testar?...
Ahmad olhou o colega com desconfiança. Karim se sentiu ameaçado e constrangido.
- Foi só uma idéia.
- Este artefato não deve ser o único. Abra a bolsa.
Karim relutou por meio segundo, tempo suficiente para Ahmad se impacientar com sua hesitação.
- É nossa função, homem. Acostume-se logo com isso.
Apesar de novato, Karim sabia o que custava a insubordinação desde que o regime deixou de ser laico, como também tinha noção de que a operação padrão não pressupunha qualquer discrição ou preservação da privacidade alheia. Deslizou o zíper abrindo um vão misterioso e desafiador na bolsa preta. Colocou a mão lentamente em seu interior, parecendo temer tocar o que não devia, apesar de não ter nem idéia do que poderia encontrar. Tirou um estojo plástico retangular, de cor rosa. Ahmad o interpelou com os olhos, parecendo dizer “abra-o!”. Karim obedeceu em silêncio. Ahmad esticou o pescoço para ver o que havia em seu interior: um sabonete, também de cor rosa.
- Aproxime do nariz.
Karim cheirou-o, fazendo ar de aprovação, o que irritou ainda mais Ahmad.
- As mulheres do ocidente costumam se masturbar com este objeto.
- Mas é só um sabonete.
- É o que parece! Mas elas o usam de outro jeito em duchas e banheiras de motel.
- O que é motel?
- Um lugar com camas, só que as pessoas não dormem.
Karim continuou a apreciar o sabonete em sua mão, parecendo ainda não entender. Ahmad então virou-se, abriu uma gaveta no enferrujado armário de ferro e retirou de dentro dela uma pasta preta, fechada por elásticos. Jogou-a ao lado da bolsa e abriu para o colega, tirando um envelope de seu interior.
- Veja.
Karim deixou o sabonete sobre a mesa, abriu o envelope manchado de gordura e passou a ver fotos de sabonetes em formato de pênis.
- De onde conseguiu isso, Ahmad?
- Temos nossos informantes. Dizem que vendem pela Internet.
- Elas... se lavam com isso no ocidente?
- Não! Elas “usam” isso. É diferente.
- E se tivesse algum propósito de higiene íntima?
Ahmad arrancou com força as fotos das mãos de Karim.
- Karim, elas chegam a fazer chocolates nesses formatos.
- Chocolate é aquele doce marrom?...
- Sim, aquele com substâncias que incitam as mulheres.
- Eu encontrei na bolsa de uma holandesa.
- Confiscou?
- Não. Ela o comeu antes que eu pudesse tomar de suas mãos.
- Pervertida!
- Mas o chocolate tinha formato de palito. Esses que parecem pênis devem ser feitos por prostitutas.
- Não! Sabemos que mulheres normais fazem isso.
- Mulheres que cuidam da casa?
- Sim. Fazem em família. E vendem para pessoas de família.
Karim arregalou os olhos surpreso pela revelação. Ahmad então fez um aceno de cabeça para que continuasse a exploração na bolsa. O colega tirou dela uma caixa de lenços de papel. Pensou em pegar um para enxugar a testa suada, mas temeu ser outro artefato demoníaco.
- Lenços?
- É o que parece. Mas cheire-os.
Mesmo temeroso, Karim aproximou o rosto lentamente e sorveu o aroma. Sentiu a lavanda impregnar suas narinas. Deu de ombros como que sem entender o que poderia haver ali de perigoso.
- São lenços umedecidos. Úmidos. Entendeu?
Karim temia dizer que “não”, mas também não se sentia à vontade para dizer que “sim”.
- São usados na cópula para limpar o sêmen.
- Não seria para assoar o nariz?
Ahmad se impacientou e tomou a caixa das mãos de Karim.
- Faremos um exame de laboratório e você verá. Karim, somos o controle, o filtro do aeroporto de Pakshir. Não nos cabe ser ingênuos. Lembra da vez em que um homossexual quase entrou em nosso país?
Karim balançou a cabeça admitindo recordar.
- Jamais desconfiaríamos, se um dos fiscais não tivesse reparado que ele usava brinco. Continuemos a investigação.
Novamente a mão de Karim se infiltrou na bolsa, retirando dela uma escova de dentes.
- Uma escova de dentes.
- É o que parece.
Karim a olhou de novo, tentando localizar qual componente de sua estrutura poderia ser danoso. Antes que pudesse levar o objeto até o nariz para cheirá-lo, Ahmad o pegou para si, virando-o com as cerdas para baixo e deixando o corpo em riste.
- Entendeu agora?
Karim procurou por Hamid para trocar um olhar de cumplicidade em sua ignorância, mas o colega desviou a atenção para seu AR-15 sem querer se comprometer.
- Karim, é um objeto fálico. Há relatos de mulheres no ocidente flagradas fazendo uso de colheres, garrafas de refrigerante e até de cabos de vassoura. Entendeu agora?
Karim fez que sim com a cabeça.
- Andei sabendo que há até mesmo escovas elétricas. Vibrantes, entendeu?
Ahmad tremeu seu corpo e sacudiu a escova para explicar com maior didatismo ao colega.
- Continue.
Novamente a mão de Karim mergulhou na bolsa, tirando agora um tubo de desodorante.
- Está vendo, Karim? As revelações não param.
Curioso, Karim fez uma inspeção visual no tubo.
- Cuidado! Não aperte.
Karim resolveu manter o silêncio para encobrir sua completa falta de malícia sobre aquele produto.
- Elas se perfumam e nos seduzem com isso. Se você borrifar teremos problemas. Tem uma substância chamada... fedormônico! Isso, fedormônico. Entra por nossas narinas e nos torna tolos, querendo sexo. E nós três aqui, com esse cheiro... não sei, melhor garantir.
Ahmad desviou o olhar do colega, querendo evitar embaraços. Sem esperar nova ordem, Karim voltou a vasculhar o fundo da bolsa com a mão. Tirou desta vez um pacote de absorventes. Ahmad suava sem se saber se era de calor ou de ira.
- Olhe. Parece a cartola do demônio.
- O que é?
- Elas usam para estancar seus sangramentos.
- Os mensais?
- Esses.
- Mas por que não usam panos como nossas mulheres? Isso parece papel.
- Porque esses têm cheiros, e têm florzinhas desenhadas, pegue um.
Karim tirou uma unidade de dentro do pacote. Observou novamente sem entender, segurando o leve artigo de higiene íntima com as pontas dos dedos. O modess balançou como um pêndulo obsceno, apontado pelo dedo delator de Ahmad.
- Elas ficam mais limpas para facilitar o ato. Não se cansam de copular nem nos dias em que a natureza pede trégua.
Para não contrariar, Karim acenou positivamente com a cabeça. Voltou a contemplar o interior da bolsa. Agora, tirou de uma só vez um punhado de objetos: escova de cabelo, colírio, comprimidos para enjôo, embalagem de isopor com metade de um sanduíche, balas e um tubo de creme para as mãos. Ahmad contemplou o conjunto com ar de repulsa.
- Está vendo, Karim? Está vendo?
Karim não tinha como dizer que não. Só não sabia se estava vendo o mesmo que Ahmad.
- Karim, precisamos estar muito atentos. Temos à nossa frente um arsenal, Karim. Um arsenal. Se você soubesse o que elas fazem no ocidente...
- O que fazem?
- Elas vestem botas pretas longas para atiçar a sanha de seus maridos; nadam com as pernas para fora da água, abrindo e fechando, abrindo e fechando, e chamam isso de esporte; passam tanto tempo na Internet que até viram doutoras no assunto.
- Lá a Internet não é proibida para civis?
- Não, Karim. E é liberada até mesmo para mulheres.
Karim ficou tão atento à explanação do colega que quase não se deu conta de que já estava abrindo uma bala tirada da bolsa.
- E não é só, Karim, muitas dizem que são românticas, meigas, carinhosas, amorosas mas não se preservam e quando se casam já estão violadas!
- Mas os maridos as devolvem?
- Não! Não! Elas mandam em tudo. Tem até países com mulheres no poder.
- Quais?
- Na América do Sul. O Chipre. Faz fronteira com o Brasil.
Karim volta a vasculhar a bolsa.
- Ainda tem muito por aqui.
- A mulher tem uma conexão?
- Conexão de vôo?
- Sim.
- Não. Ficará em Pakshir mesmo.
- Então que espere.
- Certo.
- Ei, você me disse que ela veste uma burca.
- Sim, mas não completa. O rosto fica aparecendo.
- Então tem tudo para ser uma pervertida mesmo. Pode até ser uma espiã disfarçando-se como uma de nossas mulheres.
- Pode sim.
- Vamos a nossa missão. Alguém tem de fazer o trabalho sujo.
- Eu vi essa frase em um filme.
- Você anda vendo filmes?!
A dupla se encara e silencia, decidindo cessar diplomaticamente a conversa, já que ambos dispararam sentenças comprometedoras. Voltam-se então à bolsa feminina, continuando a operação que já invadia o horário de almoço de Hamid. Conformado, encostou o fuzil na parede e foi até a caixa de munições, pegar algumas pistolas para lubrificar e assim disfarçar a rebeldia do estômago.
Uma hora depois, Hamid levava a bolsa até sua dona, sentada impaciente no saguão do terminal aeroviário de Pakshir. Depositou o objeto em seu colo e lhe deu as costas para não ter de explicar nada. Mas a mulher queria que lhe dessem alguma satisfação.
- Ei, falo sua língua. Minha bolsa está vazia!
Ahmid parou e virou-se, já a uma distância que lhe exigia falar alto para se fazer entender.
- Não totalmente. Há algo que não confiscamos.
Hamid olhou ao redor para se garantir de que não estava sendo observado.
- Nós não sabemos a língua de seu país, mas eu expliquei a eles que você é uma religiosa.
Irmã Catarina então tirou surpresa de dentro da bolsa seu pequeno livro de capa preta e letras douradas em baixo relevo. Hamid concluiu.
- Então, deduzi que esta é a sua Bíblia.
Sensibilizada, a irmã acariciou a capa dura, parecendo incrédula com o ato. O oficial lhe deu um sorriso, retribuído por outro carinhoso da religiosa. Ao fazer um discreto aceno de despedida, a freira agradecida o fitou e beijou sua edição de bolso com contos do Marquês de Sade.



Mario Lopes

sábado, 7 de junho de 2008

Nem tudo se empresta




















Uma relação de amizade é quase como um casamento, requer confiança e cumplicidade. Ana e Paula eram assim. Amigas inseparáveis! Até que um dia elas resolveram sair juntas e a bolsa de Ana fez a amizade de anos acabar.

Paula telefona para Ana: Oi Ana tudo bem? Estou indo para sua casa me arrumar.
Ana: Venha Paula. Estou a sua espera. Já faz dois dias que não nos falamos. Quero saber da viagem
Paula: É verdade. Tenho muita coisa para contar..chego em um minuto
(minutos depois...)
Toca a campainha do apartamento de Ana. Ela abre a porta e dá um abraço caloroso na amiga como se não a visse há anos.
Ana: Que saudade de você! Que bom que terminou o evento de trabalho. Dois dias sem fofocar é muito,rs..
Paula: Amiga tenho tanto pra te contar. Eu conheci um carinha muito lindo. O nome dele é Pedro. Ele é moreno, alto, lindo (me empresa seu batom?)
Ana: Sim..pega na minha bolsa. E onde você o conheceu?
Paula: No jantar com os clientes. Conversamos durante horas (posso pegar aqui na sua bolsa do rímel? Nossa que bolsa linda é de coro? Você me empresta?)
Ana: Sim é de coro. Hoje não porque vou usar. E daí..conta mais sobre o carinha
Paula: Ele é advogado da matriz de São Paulo. Não vi aliança no dedo dele então parti pra cima (xi borrei.. vou pegar o lencinho umedecido aqui na sua bolsa).
Ana: Pegue!
Paula: Enquanto limpava o rímel borrada continuava: depois de algumas horas convidei ele para terminar a conversa no meu quarto do hotel. Ele me olhou com olhar fulminante, como se estivesse lendo a minha mente. O resto de conto no bar..vamos!
Ana: morta de curiosidade pegou as chaves do carro e foi o mais rápido possível para o bar. Ficou na entrada esperando sua amiga que foi procurar um lugar para estacionar
Dentro do bar elas pegam uma bebida e Paula continua... ele não respondeu nada e foi comigo ao quarto. Chegando lá ele entrou, sentou no sofá e quando fui beijá-lo. PQP derrabei bebida no meu colo. Ana você tem algo para limpar? Ana irritada, querendo saber o fim da história, abre sua bolsa e pega um lenço para a amiga.
(Paula limpa a calça).. e volta a falar. Então onde eu estava mesmo?
Ana: Na hora que foi beijá-lo
Paula: a é.. quando fui beijá-lo ele se afastou e disse: Querida você é muito linda, simpática, inteligente mas eu só vim até aqui para te dizer que sou gay e que quero a sua amizade.
Ana fica estática sem saber se ri ou chora. Até que ouve: - É amiga estou precisando de um homem. Será que você tem um na sua bolsa?
Ana indignada solta: O meu vibrador não empresto pra ninguém. Sua folgada!! E irritada parte pra cima da ex-amiga

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Bolsa de Mulher é sagrada....


— Alou...
— Oi, AMIGA. Que bom que você me ligou! Tou num congestionamento horrível, tava louca pra conversar com alguém.
— Pois é, menina. Muitas coisas pra contar. Na verdade tou meio pau da cara, sabe?!.
— Aff! Conta, amiga. Que aconteceu?
— Ontem quando sai do banho peguei o Zé Roberto no flagra... Mexendo na minha bolsa. Acredita? Quando entrei no quarto ele tava com a bolsa aberta no colo, as minhas coisas esparramadas pela cama e o meu celular na mão...
— Jura? O Zé? Não acredito... “Desquite” na certa, menina. Imperdoável. Fuçar na bolsa já é grave, agora, tirar as coisas dela e bisbilhotar no celular, nossa, não tem perdão. Cadeira elétrica.
— Pois é, amiga. Fiquei pasma, sabe? Poxa, sempre achei que o Zé era diferente, seguro de si, que confiava em mim... Tou arrasada. Sabe quando o príncipe vira sapo?
— Sei. Putz. Não sei nem o que te falar. Essa situação é como velório, nada que eu te fale irá resolver. E agora, amiga, o que você vai fazer?
— Não sei. Então, eu queria conversar, tomar alguma coisa, não quero ir cedo pra casa hoje. E... fiquei sabendo que está tendo uma super liquidação de bolsas no shopping... Já que o assunto é bolsa... Que tal, menina?
— Liquidação de bolsa? Aonde nos encontramos? Estou precisando de uma bolsa fúcsia, menina. Você acredita que me dei conta que não tenho uma bolsa fúcsia? Uma cor básica para bolsa e, eu não tenho.
— Fechado então. Te encontro no primeiro piso, ali na frente da Zara. Passeamos, compramos umas 3 bolsas cada uma e depois vamos pro boteco pra eu afogar as mágoas no teu ombro. Afinal, com as bolsas novas, tudo ficará mais fácil.
— Daqui 15 minutos chego lá. Beijo, queri...
— Beijo. Té já!


Mônica W.

quinta-feira, 5 de junho de 2008


O inseparável

Pedrinho estava ansioso para ir ao recreio, mas as tarefas no colégio teimavam em não acabar. A professora Ana, mais conhecida como tia Ana, explanava sua próxima lição para insatisfação de Pedrinho.
- Agora todos terão que dizer um objeto que viram na bolsa da mamãe.
Na hora Pedrinho começou a lembrar de uma ocasião que presenciou com sua genitora no banco.
Celular, chaves de casa, MP4, relógio, porta cartões, espelho, caneta, sombrinha, porta moedas e tudo mais que poderia conter algum metal que a impedisse de passar pela porta rotatória do banco, foi colocado na sextinha. Faltava apenas dez minutos para acabar o expediente bancário e nada de atravessar pela maldita rotatória. Era difícil de saber qual dos dois estava mais irritado, se o guarda ou Débora.
- Sombrinha, celular, chaves. - Sombrinha, celular, chaves. Era repetido infinitamente pelo guarda, tentando fazer Débora lembrar do que faltava tirar, daquele mundo, envolto por um coro de jacaré esverdeado chiquérrimo.
Contas a vencer naquele dia deixavam Débora sem pensar, provocando o tão conhecido branco que afugenta qualquer tentativa de raciocínio lógico. Até que, depois de muitas tentativas, ao apalpar a bolsa pela vigésima vez, eis que a mãe de Pedrinho encontra o objeto que não a deixava entrar no estabelecimento bancário. E ela sem nada para escondê-lo, nem um lencinho tinha na bolsa, para poder disfarçar seu constrangimento (erro gravíssimo - sete pontos na carteira). Ela tinha recém curado uma gripe daquelas, mas isso não justificava a falta de lenço na bolsa.
Para que o guarda a liberasse uns segundinhos depois das 16h ela deixou Pedrinho com ele dizendo que iria buscar um documento importante no carro antes de adentrar por lá.
- Filho, fica quietinho aqui com o guarda, pois a mamãe tem que tirar uma coisa que ninguém pode ver da bolsa antes de entrar.
Enquanto isso:
- Augusto sua vez.
-Carteira, tia.
- Samanta.
-Escova de cabelo.
- Lisandro.
- Escova de dente amarela, professora.
- Paulo.
- Presilha de cabelo, estilo rabicó.
- Samuel.
- Livro pequeno.
- Jaqueline.
- Um terço dourado bem bonito, profe.
- Evandro.
- O.B.
- Jussara.
- Remédio para dor de cabeça.
- Adriana.
- Uma figa.
- Tatiana.
- Um anel.
- Cláudio.
- Óculos de sol.
- Leandro.
- Um hidratante de camomila para as mãos.
- Cíntia.
- Um bloco de notas.
- Camila.
- A frente do rádio do carro.
- Marco.
- Uma necessaire.
- Sibila.
- Anticoncepcional.
- Diogo.
- Dinheiro.
- Anelise.
- Camisinha.
- Luiz.
- Baton vermelho, estilo gloss.
E assim eles foram sucessivamente relatando os objetos mais comuns aos mais bizarros que se pode imaginar. Até que Ana chama Pedrinho e ele já rosado diz não poder relatar o que tinha na bolsa de sua mãe. A professora insiste uma, duas, três vezes e Pedrinho fala:
- Profe. Eu não posso falar, pois o que tinha na bolsa da minha mãe era algo perigoso que ela não podia mostrar ao guarda.
A professora insiste: - Fale Pedrinho, nada que tenha na bolsa da sua mãe pode ser perigoso. Pode dizer.
Muito inseguro Pedrinho relata a história e no final comenta que para sua mãe querer esconder o objeto de metal do guarda só poderia ser uma arma. Mal sabia ele que era uma arma sim, mas a arma do prazer. O inseparável vibrador de Débora.
Situação constrangedora essa heim? Relembra a mãe de Pedrinho ao apalpar firmemente seu p.a. (pinto amigo).

Verônica Pacheco


terça-feira, 3 de junho de 2008

Conteúdo indispensável


Kit Maquiagem:
Corretivo, base, pó compacto, blush, sombra, rímel (incolor e preto); delineador para olhos, lápis, batom, gloss...

Necessaire:
Escova e pente de cabelo, escova e pasta de dente, creme hidratante (para rosto, mãos e corpo); filtro solar, reparador de pontas, amostras de perfume, absorvente, lixa de unha, pinça, grampos, presilhas...

Itens adicionais:
Celular, óculos de grau e de sol, carteira, documentos, cartões, chaves, guarda-chuva, remédios (se bem que há gente que carrega uma mini-farmácia), papéis, caneta, agenda, balas, chicletes... ufa!

Esta lista poderia ir ainda mais longe, mas resolvi parar por aqui... rs

Confesso que às vezes fico abismada com a capacidade de nós mulheres de carregarmos tantos cacarecos. O que é pior: não usamos sequer a metade deles. E me pergunto o motivo disso. Fatores psicológicos? Culturais? Enfim, tá certo de que a bolsa reflete a identidade de cada mulher, mas será que não há um certo exagero nesta “reflexão”?!
Pessoalmente, não curto a atual moda do “bolsão”. Por ser extremamente prática, sou adepta do “quanto menos, melhor” (diferente de muitas mulheres Brasil afora), rs...
Claro que respeito quem pensa de forma contrária a minha, mas não vejo o menor sentido em abarrotar minha bolsa apenas para fazer volume.
Já vi mulheres sofrerem com dores nos ombros e na coluna devido ao excesso de peso, mas não tiram as quinquilharias de dentro dela. E ainda dizem que “andam apenas com o necessário”.
Outro dia, na faculdade, um colega comparou a bolsa feminina com um “salva-vidas”.
Contudo, nem sempre o nosso “kit sobrevivência” (outra denominação dada por este meu colega) anda completo. Há situações em que, infelizmente, nem ele nos salva de pagar um tremendo mico ou de evitar constrangimentos.
Um exemplo (real) que reforça aquele clichezão de que qualidade é mais importante que quantidade:

Kátia e Leandro haviam se conhecido há algumas horas atrás em uma festa da faculdade. A atração entre os dois surgiu instantaneamente, e depois de uma conversa repleta de malícia, beijos quentes e inúmeros amassos, se encaminharam ao apartamento dele.
Não agüentavam mais de tanto tesão. Depois de concluído todo o ritual das preliminares, no momento em que ia penetrá-la, ele se dá conta não ter nenhuma camisinha consigo.
Em seguida, diz:
- Kátia, por favor, me desculpe, mas é que... não tenho nenhuma camisinha aqui comigo.
Kátia mal ouve a frase de Leandro. Impaciente, joga sua bolsa sobre a cama, balançando-a no ar. Retira todos os objetos e acessórios que estão dentro dela e deposita-os sobre o colchão. Nada encontrou. Mexe, revira-a de cima a baixo, e sem conseguir esconder a decepção, se dá conta de também não ter. Em seguida lembrou-se de que, ao arrumar a bolsa, havia esquecido a camisinha e o anticoncepcional na mesinha de cabeceira do seu quarto.
Leandro, então, para não perder a viagem (ou melhor, dizendo, a trepada), apela para o velho golpe que a maioria das mulheres já conhece. Diz:
- Kátia querida, esqueci de pegar na farmácia, mas olha, vamos fazer sem mesmo, não há perigo. Deixa, vai...
Sem olhar para Leandro, enquanto guardava todas as quinquilharias dentro da bolsa, Kátia, irritada, rebate:
- Sem camisinha, sem transa. No máximo posso lhe dar um “apoio moral”... pode ser?

Moral da história: Bolsa feminina tem de tudo um pouco. Tudo que precisamos e principalmente, o que NÃO PRECISAMOS.


O texto abaixo não é de minha autoria. Mas como tem tudo a ver com o tema, resolvi adicioná-lo ao post (e ainda joguei nele alguns complementos meus que achei interessantes).

O que as mulheres carregam nas bolsas em cada fase da vida...

Vejamos:

0 a 6 meses:
A bolsa é da loja infantil, todinha rosa, e custa por volta de R$ 200,00. Sua mãe ou babá é quem carrega, pois nesta idade a única coisa que a mulher faz é cagar nas fraldas.
O que tem dentro:
- 1 pacote de fraldas descartáveis
- Creminhos e lencinhos, tudo rosa
- 2 chupetas rosa
- 3 mudas extras de roupinhas rosas
- 1 mamadeira com leite com a tampa rosa
- Uma infinidade de paninhos rosas
- Uma pequena farmácia

10 anos:
Nesta fase, a criança escolhe a bolsa de acordo com a moda própria para sua idade. Geralmente tem a Barbie ou a Hello Kitty estampada na frente, e custa por volta de R$ 50,00.
O que tem dentro:
- Prendedores e fivelinhas coloridas
- Chicletes
- Diário íntimo da Barbie
- Pente (ROSA) fluorescente com cheirinho de morango
- Foto do Kaká
- 5 Reais
- Telefone Celular da Xuxa
- Caderneta com o grupo RBD na capa
- Carteirinha do Colégio
- Chave do diário da Barbie
- Um bichinho de pelúcia

20 anos:
Para economizar, a bolsa geralmente é do camelô ou da feirinha, e não custou mais de R$ 15,00 (quando muito).
O que tem dentro:
- Óculos com lentes coloridas
- Agenda
- Escova, lápis de olho, rímel (transparente e preto), batom e gloss (algumas já carregam o Kit completo de maquiagem)
- Foto do namorado
- Flyers para diversas festas
- Dinheiro trocado
- Telefone celular que troca a frente e toca musiquinha
- Chaves de casa
- 1 MP3 Player
- Absorvente, anticoncepcionais e camisinha (será que todas carregam)?!

30 anos:
Mais sofisticada, sua bolsa é da Victor Hugo ou Lui Vuiton, não custou menos de R$ 2.000,00.
O que tem dentro:
- Óculos de sol
- Adoçante em saquinho
- Agenda eletrônica
- Absorvente higiênico
- Necessaire (combinando com a bolsa, claro)
- Foto do seu bebê
- Cartão do banco
- Telefone celular pequeno e moderno. Toca fazendo “trim” (nada de toques excêntricos)!
- Chaves de casa e do carro
- Chupeta esquecido do último passeio com seu bebê
- Uma calcinha limpa

40 anos:
Ainda usa a mesma bolsa dos 30, afinal foi caríssima.
O que tem dentro:
- Óculos de sol e de grau
- Lexotan
- Tampax tamanho Extra Grande
- Telefone celular desligado ou sem bateria
- Pinça de depilação e algumas lixas de unha
- A mesma foto de sempre do seu bebê
- Uma barra de cerais amassada
- Cartão de crédito e débito
- Chaves de casa, do carro e do escritório
- Um par de meias sobressalente
- Uma calcinha usada

50 anos:
A bolsa é emprestada da filha de 20 anos, para parecer mais jovem (e ainda economizou)!
O que tem dentro:
- 2 pares de óculos (1 para perto e 1 para longe)
- Lexotan e Prozac
- Livro de auto-ajuda
- Perfume
- 3 fotos 3×4 velhas
- (Esqueceu o telefone celular em casa)
- Cartão do banco, de crédito e talão de cheques
- Chaves de casa, do carro e do sítio
- 1 barra de chocolate

60 anos ou mais:
Sua bolsa é um saco de crochê com alcinhas finas, um saco plástico e uma sacola de papel de loja de roupas, tudo junto. Não irei comentar sobre preços.
O que tem dentro:
- 2 pares de bifocais (1 deles com a haste quebrada)
- Uma GRANDE farmácia
- Carteirinha de gratuidade do ônibus (se for de SP, bilhete único), hehehe
- Cartão telefônico para orelhão
- Carteirinha de desconto da Drogaria Onofre ou Ultrafarma
- Carteirinha do convênio (não pode faltar)!
- Agenda telefônica ensebada com as folhas caindo (e completamente riscadas)!
- Guarda-chuva de camelô
- Fotos dos netinhos
- Porta-moedas
- Chave de casa e da casa dos filhos
- Um saquinho plástico (só quem tem 60 ou mais sabe pra que serve isso)

E VOCÊS, O QUE CARREGAM ?


Camila Souza é paulistana, estudante de jornalismo e Desaforada X

O Valor da Bolsa Feminina

Após um período de separação no namoro, Mark e Ashley resolveram se reconciliar e pra comemorar, foram para a Bolívia.
Foi nessa viagem que Mark teve certeza que Ashley seria a mulher da sua vida.
Ao passar pra pegá-la em direção ao aeroporto, ela desce com uma mochila entulhada de coisas, pesadíssima. Ele, tenso, fala:
- Amor, nós estamos indo pra Bolívia, fazer trilhas, um monte de ladrão e pedinte. Você não acha que exagerou na bagagem?
- Sweet heart, estou levando apenas o indispensável pra nossa viagem. Além do mais temos dinheiro pra pagar um carregador. Um euro vale 12 bolivianos e eles vivem disso, tadinhos.

E assim foi. Em cada situação difícil, como falta de banheiro nos ônibus e nas paragens, Ashley tirava de sua mochila uma bolsinha menor da onde surgiam lenços higiênicos ou gel pra desinfetar as mãos. No passeio de 3 dias no deserto do Salar, ficavam hospedados de maneira totalmente improvisada, onde não havia luz nem chuveiros, apenas baldes de água; onde o sol esquentava o crânio no meio do dia e o frio congelava os pés à noite. Sempre, sempre, Ashley tirava de sua mochila alguma bolsinha com algo pra amenizar: headlamps pra leitura, toalhinhas higiênicas, mini-ventilador, garrafinhas de água, tabletes de cereais, comprimidos pra dor de cabeça, filtro solar, creme pra queimadura, manteiga de cacau, etc...

Mark começou a amar essas bolsinhas femininas e no fim da viagem, ele desabafa:
- Ashley, eu sempre achei a maior besteira vocês mulheres andarem com essas bolsas carregadas de cacarecos, mas agora eu começo a entender.
- É, só quando precisamos desses cacarecos que eles começam a ter valor. Nas bolsas femininas também guardamos coisas muito preciosas.
- Ai, amor, você pensa em tudo, né? Eu quero ter um filho com você e ser feliz pro resto das nossas vidas, juntinhos.
- Mark, sweet heart, isso eu já tenho guardado nesta bolsa aqui: a Bolsa Uterina. Uma bolsa estritamente feminina e que os homens mias invejam. Mas você terá de esperar uns 7 ou 8 meses. Tudo bem?

Mark olhou surpreso pra Ashley. Ele a beijou apaixonadamente e viveram felizes pra sempre...

Não!!! Nada disso. Ele entrou em estado choque, começou a tremer e a tossir convulsivamente. Ashley começou a bater em suas costas, tirou da bolsa seu celular já com o número da ambulância. Levaram-no pro hospital. Ashley ficou na recepção dando todos os detalhes e quando finalmente correu até a emergência médica, Mark tinha desaparecido. Ashley nunca mais o viu, desistiu dos homens e resolveu criar seu filho sozinha com suas bolsinhas. rsrs

By Mazé Portugal

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Não vivemos sem ela...

Tema da semana: bolsa feminina

Para a nossa sorte a moda da maxibolsa continua. Claro que tem umas maxi meeeeega exageradas que são mais para bolsa de viagem do que bolsa para o dia-a-dia.
O problema: mulheres que não se ligam nos grandes detalhes... o seu tamanho e o tamanho da bolsa... tá na moda bolsa grande e nessa onda compram a bolsa maior que o seu tamanho - isso é muito bregaaaaa.

Mas enfim, bom senso não é para todas...

E o mistério: o que levamos na nossa bolsa?
Muito homens são curiosos rsss e vamos lá nós mulheres também!
Então vou revalar alguns segredinhos da minha bolsa do dia a dia:


- O básico que não pode faltar: a necessaire com maquiagem (batom, lápis, rímel, corretivo, pó com filtro solar, pinça, espelho, pentinho (aqueles de motel ou hotel rss) é ótima para repartir o cabelo e também o pente de madeira para domar os cabelinho rebeldes rsss
- Básico kit escova de dente, fio dental e pasta de dente (não vivo sem - depois de usar aparelho por 6 anos sou completamente neurótica com a limpeza dos meus dentinhos... retinhos e bonitinhos rs).
- Agenda (não vivo sem a minha) com tanta tecnologia não dispenso a minha agenda tamanho P com o meu dia a dia, reuniões, cartões...
- Meu óculos de sol, não vivo sem ele e sem o meu de grau - de longe só enxergo embaçado...
- Porta moeda básico, rosinha, bem menininha rsss - Creminho para as mãos;
- Elástico preto básico para domar o cabelo naqueles dias de stresssss. Nada que um rabo de cavalo não resolva o problema.
- Pacotinho de lenço descartável.
- Minha carteira Bety Boop;
- 2 celulares: o meu e o do trabalho.
- E, se está frio, uma blusinha básica;
- Minha câmera fotográfica - inseparável para registrar os momentos legais...
Cabe tudo isso e mais docinhos, balinhas, chocolate, bolachinhas...

A minha Bolsa da "Balada" resume-se em:



Não dá para sair na noite com uma meeeega bolsa...

- Meus documentos do GYO (meu carro), cartão de crédito, R$ e cartão de visita (contatos são importantes na night);
- Kit compacto de maquiagem - batom, lápis e rímel.
- Celular insperável.
- Chaves do Gyo e de casa.

É isso!!! Uma mulher não vive sem uma bolsa!

bjks Aletéia Ferreira (ALE)

domingo, 1 de junho de 2008


“De novo, destrancada”, constatou ao girar a maçaneta. Irritou-se mas relevou o ocorrido, conformada por ser a negligência um típico sintoma de hospital público, cuja profilaxia era por ela desconhecida. Permaneceria em seu consultório por um tempo breve, não fosse observar em sua mesa um pequeno estojo de veludo vermelho, semelhante a um porta-alianças. Aproximou-se, a princípio com desconfiança, mas deixou-se vencer por sua curiosidade feminina incorrigível. Abriu o pequeno estojo esperando por um par de alianças, culpou-se pela ingenuidade. No forro acolchoado, restava acomodado um objeto que nunca havia visto antes: uma espécie de pequeno grampo com microventosas na parte interna e um berço metálico no qual estava acoplada uma bateria de relógio. Pegou-o na ponta dos dedos, levando o estranho artefato para bem perto dos olhos. Um envelope branco sobre a mesa desviou sua atenção. Cintia abriu, tirou de dentro um pequeno bilhete em papel lilás, leu e não entendeu. Mas seguiu as instruções.
No banheiro, abaixou a calça branca e depois a calcinha de algodão, num misto de curiosidade e sensação de ridículo. Com os dedos médio e indicador da mão esquerda pressionou em forma de arco os lábios vaginais e observou entre eles seu clitóris. Estimulou-se com o indicador da outra mão por alguns instantes até sentir-se mais lubrificada. Relembrou a fantasia que alimentava de ser penetrada por Aliandro na mesa de cirurgia. Não tardou a ter o clitóris mais proeminente e entumecido, tal qual pedia o bilhete que retirara do envelope. Pegou de cima da pia o misterioso presente e apertou suas hastes, fazendo-as abrir e fechar como as quelíceras de uma aranha. Permaneceu ainda um pouco relutante em usá-lo conforme as recomendações, mas novamente sua curiosidade feminina incorrigível não a permitiu voltar atrás. Respirou fundo, aproveitou o excitante da ocasião e prendeu o objeto ao clitóris. Ao contrário do que havia imaginado, ficou bem fixo. Sentiu falta de um espelho de corpo todo para se observar. Não parecia ser um piercing e não aumentou seu tesão, tampouco a machucou, mas as recomendações da carta acabavam por aí. O resto era mistério. Subiu a calcinha e a calça. Lavou as mãos. Olhou-se no espelho da pia. Levou os dedos ao sexo para conferir se ainda estava ali. Estava.
Na sala dos médicos, tirou da máquina um café preto bem forte, dispensando os sachês de açúcar para o amargor lhe restituir a atenção. Foi quando veio o primeiro estímulo. Uma espécie de formigamento instantâneo na haste do clitóris que a fez tremer. Parecia um pequeno eletro-choque, como a ponta de uma língua nervosa tocando-a de súbito. Uma massagem de instantes com precisão cirúrgica. Não derrubou a xícara mas transbordou o café no pires e no chão. Atrapalhada e sob o olhar indiferente dos colegas de hospital, apressou-se em juntar um maço de guardanapos de papel para limpar o piso branco. Foi quando ouviu o toque discreto de seu celular. Apanhou-o e, ainda agachada, viu a mensagem na tela do aparelho: “foi só um aviso”.
Ao caminhar pelo corredor que conduzia até a geriatria, conversava com Pamela sobre problemas de falta de leitos na UTI, quando cruzou pela primeira vez com Aliandro naquela manhã, seu “médico particular” como o tratava na intimidade. Cumprimentaram-se com um aceno de cabeça, mas ela não conseguiu conter o sorriso maroto, ao qual ele respondeu com um olhar pouco discreto, não percebido por Pamela por conta de sua preocupação profissional do dia. Cintia então recebeu o segundo estímulo. Desconcentrou-se do assunto, pediu para Pamela repetir do começo.
Em seu consultório, passou a receber as senhoras e senhores que atenderia naquela manhã. Entre reumatismos e reclamações de insônia e falta de apetite, Cintia recebia um pequeno tremor no clitóris que a fazia corar. Enquanto discriminava receitas, ouvindo relatos doloridos e apalpando músculos flácidos e miúdos, era atingida de tempos em tempos por aquele impulso que, aos poucos, foi deixando-a lubrificada. Começava a se sentir culpada por não conseguir concentrar toda a atenção em seus pacientes. Mas não queria interromper abruptamente aquela experiência que estava num crescendo sem limites. No meio da manhã, foi ao banheiro inspecionar-se. Conferiu o forro da calcinha e ficou com medo de o líquido atravessar a calça branca, já que se formara uma poça de lubrificação. Novamente observou o pequeno objeto, agora com certo assombro e rindo de si mesma pela situação sem precedentes. Drenou o excesso de muco com um pedaço de papel. Depois, colocou um absorvente e voltou a clinicar.
Observou que o estímulo vinha de cinco em cinco minutos, o que passou a aumentar sua ansiedade pela próxima vez, e a próxima e a próxima. Logo, o quinto minuto seguinte parecia uma eternidade para chegar. Agora, eram os pacientes que começavam a perceber sua ansiedade. Cintia iniciava assim uma batalha interna para manter o controle. Por duas vezes, tentou levar a mão discretamente entre as pernas para se masturbar por cima da calça enquanto preenchia receitas para seus pacientes. Mas teve medo de desencaixar o artefato ou ser flagrada. Resignou-se em friccionar uma coxa contra a outra. Sentia o suor percorrendo sua nuca, a boca úmida e os mamilos empinados. Porém, voltava a clinicar com a persona de médica séria que sempre encarnou com desenvoltura. “Todos de visão fraca e mais concentrados nas próprias dores”, pensou, sabendo que aqueles idosos no máximo deduziriam que ela estava com algum tipo de indisposição.
Próximo ao meio-dia, percebeu que os estímulos agora eram mais demorados. Se antes se limitavam a cinco segundos, agora chegavam a dez ou mais. Era o último paciente da manhã e ela já não conseguia ouvi-lo direito. Decidiu que teria de almoçar, tomar aquele hipotético controle remoto das mãos de Aliandro e arrastá-lo até seu apartamento, que afinal ficava a apenas cinco quadras do hospital. Caiu em si e voltou suas atenções novamente a seu consultório, pedindo ao paciente que repetisse tudo desde o princípio. Alegou enxaqueca.
No refeitório, pegou sua bandeja e serviu-se de comidas leves para não estragar o sexo. Observou Aliandro de longe, sentado numa mesa com outros cirurgiões. Trocaram novamente aquele olhar cúmplice. Enquanto pedia um refrigerante, abanou-se com a mão, querendo comunicá-lo de que sua brincadeira tecnológica havia surtido efeito. Aliandro riu e virou-se para seus colegas novamente. Há mais de sete minutos que Cintia não sentia o estímulo, o que para ela estava sendo até um alívio, um intervalo naquela manhã nada convencional. Procurou uma mesa para se sentar. A de Aliandro estava cheia, e mesmo que não estivesse ela não se arriscaria a se aproximar e levantar suspeitas do affair entre os dois. Foi até a mesa que estava bem no canto, próxima a uma janela na qual batia o sol a pino. Era incômodo, mas preferia isso a sentar-se na cadeira vaga do pessoal da obstetrícia.
Mal começou a saborear o bife bem magrinho que sempre pedia a Dona Solange, quando sentiu novo estímulo. Uma sombra parou à sua frente. Olhou para cima e observou Franco, enfermeiro da ala de queimados, com sua bandeja e parecendo pedir para sentar, mas sem abrir a boca. Ficou embaraçada, pois, embora acreditasse ter sido discreta, sempre lhe acometia a sensação de que o estímulo poderia ser de algum modo percebido pelos outros.
- Quer sentar?
Sentiu novo estímulo, e desta vez não teve como não dar um pequeno sobressalto pela surpresa.
- Soluço (disfarçou ruborizada).
Franco continuava a olhá-la. Cíntia resolveu reforçar o convite.
- Você não quer sen...
Com o terceiro estímulo seguido em menos de um minuto e sob o sorriso cínico de Franco, Cintia então se deu conta do real autor da proeza. Boquiaberta, viu o enfermeiro sentar à sua frente, tirando de baixo da bandeja metálica um pequeno controle remoto de botão único, que parecia poder ser pressionado para cima e para baixo, ativando e desativando o estímulo. Tinha cor alaranjada, e era do tamanho de um chaveiro, discreto e ao mesmo tempo curioso por seu formato divertido, como uma pêra achatada e sinuosa. Possuía também uma pequena tela de cristal líquido, que, pelos números, Cíntia deduziu se tratar de um temporizador para a marcação de intervalos entre um estímulo e outro, o qual certamente poderia ser substituído pelo comando manual, com simples pressões no botão quando o usuário bem quisesse e com a duração que melhor lhe apetecesse. Incrédula, a médica voltou a procurar Aliandro no refeitório. Viu-o levantando-se com os demais cirurgiões e sumindo para fora do salão numa conversa amistosa, sem sequer buscá-la com o olhar para uma despedida. Franco acompanhou a cena olhando por cima do ombro esquerdo.
- Não, não foi ele.
- Que idéia é essa?!
- Por que achou que era ele?
- Porque...
- Relaxe, todo mundo sabe que vocês estão... “ficando”.
Novamente aquele sorriso cínico. Parecendo sem fome (de comida), Franco apenas brincava de cutucar suas almôndegas com a ponta do garfo. Aquele mínimo gesto inofensivo parecia provocação para Cíntia.
- Você me enganou!
- De jeito nenhum. Não assinei o bilhete, assinei?
Cintia então se deu conta.
- Por isso não apareceu o nome dele no meu celular...
- Mas e aí, gostou?
Cintia parecia sem reação. Novo estímulo.
- Pare com isso!
- Então me dê atenção.
Num impulso, tentou pegar o controle da mão de Franco, que puxou-o para si rindo da falta de habilidade da médica. Falou, já iniciando sua refeição.
- Deixo você apertar o botão, quer?
Cintia agora não mais se alimentava, não sabia como reagir à situação e ao abuso daquele enfermeiro que mal conhecia.
- Nós nunca tivemos nada! Eu não sei de onde você achou que poderia ter uma liberdade dessas comigo!
Enquanto ela falava, Franco empurrava até Cintia o controle remoto sobre a mesa com a ponta do indicador. Ela olhou-o curiosa, aturdida pelo inusitado da situação.
- Parece um tamagoshi.
- É um brinquedinho mesmo.
Ela observou e observou, meio que hipnotizada. Franco aproveitou-se daquele vácuo de resistência.
- Aperte o botão.
De súbito, sentiu o pé descalço de Franco percorrer a parte interna de sua panturrilha. De ato-reflexo, fechou o cenho e o olhou com fúria. Ele sabia que a expressão facial não correspondia ao real sentimento de Cintia. Pegou a mão da médica, já quase desarmada perante o excesso de confiança daquele semi-desconhecido. Ela pensou em se levantar, mas foi impedida por sua costumeira e incorrigível curiosidade feminina. Enquanto Franco sorvia seu suco de morango pelo canudinho, afagava os dedos de Cintia com sua mão, e percorria a parte interna de suas coxas com o pé. Cintia olhava para os lados com medo de ser flagrada. Franco aos poucos aproximava o indicador da médica daquele botão saliente no pequeno aparelho. A unha vermelha e bem feita se encaminhava para o êxtase. Ela já não mais resistia, apenas se debatia internamente transferindo sua reação para breves e insignificantes impulsos de relutância. A ponta do indicador chegando no botão. A ponta do pé de Franco seguindo por suas coxas. As pontas dos dedos. Dois botões.
O aperto de botão, o sobressalto, o alto-falante – tudo ocorreu simultaneamente:
- Dra. Cintia, compareça com urgência à sala de cirurgia cinco. Dra. Cintia, cirurgia cinco.
Enquanto lavava as mãos com povidine degermante, ainda tentando esquecer a surpresa do refeitório, ouvia Édna explicando que o Dr. Henrique não poderia operar aquela emergência no momento (sem dar maiores explicações), por isso Cintia foi convocada às pressas. Vestiram avental, touca, luvas e máscara, tudo tão rápido que a médica não teve tempo de ir ao banheiro desgrudar o apetrecho eletrônico de sua genitália. Entrando na sala de cirurgia, encontraram um paciente jovem se esvaindo em sangue, vítima de acidente automobilístico. A perna dilacerada deixava à mostra um sulco profundo nos músculos da virilha. Como uma fiel escudeira, lá estava Eliane, a instrumentadora cirúrgica, pronta com o material aberto sobre a mesa auxiliar. Dr. Amauri, o anestesista, informou que um pedaço do painel do automóvel havia se rompido e cortado a artéria femural do paciente. Iniciaram o procedimento de emergência tentando estancar o sangue, antes que o rapaz entrasse em choque hipovolêmico. Entre surpresa e indignada, Cintia sentiu o estímulo clitoriano voltar a ser acionado. Édna perguntou se houve algum problema, a médica disfarçou, pedindo a cuba com povidine tópico e uma pinça com gaze. Limpou rapidamente a região e solicitou o bisturi para ampliar o orifício do corte. Sentiu novo estímulo clitoriano e se degladiou internamente para controlar seus efeitos. Imediatamente, e já irritada, pediu as pinças hemostáticas, para buscar o segmento proximal da artéria que estava sangrando. Perguntou sobre a respiração do paciente, novo estímulo e desta vez muito forte, não teve como não sentir a excitação, mesmo que diante de um corpo desfalecendo à sua frente. Mal conseguiu ouvir que a vítima tinha sua pressão declinada a níveis abissais, quando sentiu nova pulsão no clitóris. Precisava agir, suturando os segmentos com grande urgência, depois pensaria naquele grampo demoníaco em seu sexo. Pediu fio Prolene vascular e Eliane passou a montá-lo no porta agulhas, com olhos desconfiados de que algo não estava bem com a médica. As mãos de Cíntia passaram então a percorrer carne, veias e sangue num balé de brancas luvas agitadas, enquanto seu clitóris era acometido por três impulsos seguidos. Sentiu raiva de si mesma. Foi alertada de que o paciente estava com sua taquicardia no limite. Pediu que preparassem o desfibrilador para o caso de uma parada súbita. Gaguejou ao sentir um, dois, três, quatro estímulos clitorianos, sendo o último muito intenso, quase enturvando sua visão, que buscava os indicadores do monitor cardíaco. Sentiu-se culpada por sentir prazer enquanto procurava em meio a músculos e sangue a ponta da outra artéria. Mais dois estímulos, só que o segundo não parou mais. Prosseguiu até ela soltar intensamente o gozo protelado por toda uma manhã, enquanto a busca desesperada pela ponta rompida da artéria fez esguichar sangue sobre luvas e punhos de sua roupa cirúrgica. Ficou tão suada que teve medo de pingar no paciente. Interpretou errado quando ouviu “você conseguiu, doutora”, de Édna referindo-se ao êxito em interromper o sangramento.
Enquanto isso, Franco procurava também desesperadamente, só que pelo controle do estimulador clitoriano. Foi quando se deu conta de tê-lo esquecido junto com seu crachá, na ala de pediatria.



Mario Lopes

sábado, 31 de maio de 2008

Cada um vibra como quer...

Homens e mulheres são diferentes em quase tudo.. o grau de importância das atitudes e conquistas varia de acordo com o sexo. Para o homem ver o time ganhar o campeonato de futebol o faz vibrar muito, já para a mulher... outras coisas são mais importantes que futebol!
Segue uma listinha básica destas diferenças. Se quiser você pode incluir mais alguma coisa

O que te faz vibrar?

Homens X Mulheres

Partida de futebol compras no shopping
Carrão antigo carro zero
Mulher gostosa quilinhos a menos
Jogos de vídeo game escova progressiva
Churrasco com amigos jantar naquele restaurante famoso
Muita cerveja o marido lembrar de comprar smirnoff ice e caipirinha
Ver cenas de sexo assistir filmes românticos
Ser rico e ter uma mulher gostosa ser gostosa e ter um homem rico
Transar em qualquer lugar fazer amor em qualquer lugar
Ganhar uma aposta ganhar uma viagem

Mas todos tem uma coisa em comum! Todos adoram VIBRAR com suas conquistas!

Josiany Vieira

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Histeria tem cura...

"Histérica, histérica
Talvez por devoção ou psicose ou piração
Histérica, histérica
Talvez por caos urbano, Frank Zappa, Caetano
Histérica, histérica, histérica
Acendo um cigarro pelo filtro e depois
Sorrio de nervoso procurando um algoz
E ando como quem tivesse um compromisso
Mas eu não tenho e vou correndo
E berro, e fumo, e grito e tal (...)”


Quando escuto algo sobre histeria automaticamente lembro dessa canção do Oswaldo Montenegro, que sempre tocava no toca-fitas do carro do meu pai. Não sei porque, mas, eu adorava a letra (aff!). Para os psicólogos (ou psicanalistas?) a histeria é uma doença causada pela recusa do desejo sexual. Ou seja, todo desejo sexual que você reprime pode virar um trauma e se manifestar de diversas formas, que vão de alterações motoras a crises epilépticas e alucinações.

Acredite ou não, o vibrador foi inventado por causa da histeria há mais de um século atrás por um doutor chamado Joseph Mortimer Granville. E você sabe por quê?

Imagine um cenário bucólico. Fim do século XIX. Donzelas procuravam médicos para se queixar de insônia, ansiedade, irritabilidade, nervosismo e fantasias eróticas, ou seja, histeria. Os doutores da época, depois de inúmeras tentativas de tratamento, descobriram que a estimulação do clitóris, com os dedos das mãos, fazia com que as pacientes apresentassem uma melhora considerável. Assim, as pacientes voltavam regularmente para dar continuidade ao tratamento. O problema foi que os médicos estavam ficando com os dedos gastos e cansados (há-há-há) de massagear tanto clitóris, e perceberam que precisavam de substitutos mecânicos para os seus dedinhos mágicos. Inúmeros objetos foram criados sem sucesso, até que o doutor britânico Joseph Mortimer Granville conseguiu a proeza (para alegria das histéricas).

Com o acesso aos aparelhos elétricos os médicos começaram a perder suas pacientes que preferiam se auto medicar em casa. Dá pra acreditar? Médicos masturbando pacientes?

O vibrador perdeu popularidade na década de 1920, com a chegada de alguns filmes pornográficos que usavam o “remedinho” para a prática de sacanagem.

Se alguém aí quiser se aprofundar na história do vibrador, seguem algumas sugestões que usei como fonte de pesquisa:

http://deusario.com/2008/02/histeria-feminina-e-o-surgimento-do-vibrador.html
http://www.seattleweekly.com/2002-11-27/news/sex-techs.php
http://www.tbd.com/content/article/basic_article.article:::love_life_history_vibrators

Confira também algumas imagens dos primeiros vibradores e de anúncios da época no link: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=1544




Mônica Wojciechowski

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A vida vibra...



O despertador vibra interrompendo um sonho picante;
O avião vibra quando passa por uma nuvem densa, causando turbulência;
O liquidificador vibra todos os dias pela manhã, quando prepara o shake;
Muito marmanjo vibra em frente a outros onze, digo, vinte dois homens e uma bola;
Um professor vibra ao dar dez para alunos dedicados;
Um casal vibra ao abrir o exame positivo de que agora são três e não mais apenas dois;
Um político vibra quando ganha uma eleição;
Um doente vibra quando ganha alta;
Uma criança vibra quando conhece o Papai Noel;
Uma mulher vibra fazendo compras pelo shopping;
Um empregado vibra quando ganha uma promoção;
Uma mãe vibra quando revê um filho distante;
Um cachorro vibra com um suculento osso;
Uma sulista vibra com o tempo aberto dos cariocas;
Um casal de namorados vibra apaixonados a cada dia;
A cadeira de massagem vibra;
Um surfista vibra com uma bela onda;
Um empresário vibra quando ganha uma nova conta;
Um país vibra quando acaba uma guerra;
Um chef de cozinha vibra quando percebe pessoas salivando seus pratos;
Um rapaz vibra quando compra seu primeiro carro;
Um cientista vibra quando vê sua invenção concluída;
Um atleta vibra ao subir no podium;

E... Você leitor vibra quando lê “As Desaforadas”?

Verônica Pacheco

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ladies first



Acumularam suas bagagens dentro da voadeira, bem próximas ao motor de 40 hp. Fabiano, o caiçara da Ilha que os conduziria na viagem, deu a mão para que entrassem um a um na embarcação. Só os dois rapazes recusaram a gentileza, saltando do trapiche para o barco. Ficaram assim posicionados: Cícero e Cecília na proa, Eric e Rita no meio, e Fabiano conduzindo o braço de leme na popa, equilibrando assim a distribuição de peso na lancha de nove metros. Partiram com o sol matutino já dando sinais de bom humor, o vento robusto soprando forte e o barulho do motor dificultando as conversas animadas entre o grupo de amigos. Pediram rindo para que Fabiano brincasse de gôndola cantando uma canção romântica, mas o condutor não ouviu direito (se ouvisse também não adiantaria, pois não sabia o que era uma gôndola e só conhecia alguns poucos fandangos que nada tinham de românticos). De todo modo, o comandante sem brevê sorriu para ser simpático, mesmo porque o quarteto estava pagando bem. Cícero e Cecília beijavam-se e contemplavam a proximidade cada vez maior da Ilha do Mel, enquanto os irmãos Eric e Rita trocavam ralas palavras, já que tinham pouco a dizer devido à convivência diária. Em alguns minutos estavam atracando em Brasília – houve impasse, pois Cícero e Cecília queriam ficar em Encantadas, mas foram alertados de que seria mais difícil achar vaga em pousada naquele outro lado da Ilha.
Em pouco tempo de caminhada e pedidos de informação, sentiram que de fato seria complicado conseguir pouso naquele feriado de Corpus Christ. Não fizeram reserva e contaram com a sorte, que parecia não lhes favorecer. A grande movimentação de embarcações que chegavam a todo tempo indicava que a tarefa de encontrar alojamento tinha tudo para ser exaustiva. Fabiano havia falado de uma desistência na Pousada das Meninas, mas esta não se confirmou quando chegaram ao local. Voltaram a caminhar arrastando as chinelas pela areia fina das estradinhas capinadas, indagando de tempos em tempos a turistas e moradores sobre um par de quartos vagos, depois um quarto único e, por fim, quando emanaram os primeiros sinais de cansaço e desespero, qualquer quartinho modesto que desse para um quarteto repousar com um mínimo de conforto. Encontraram. Era uma pousada pouco conhecida, no final da Praia Grande, só que havia disponível apenas uma suíte com dois beliches. Aceitaram sem pestanejar, pois a hora do almoço se aproximava e todos mal tinham feito o café-da-manhã. Acomodaram-se, deixando as mochilas e saindo em seguida para uma caminhada na areia, seguida por um almoço próximo à pousada Grajagan (esta sim, nos sonhos de Cecília, que ainda recordava da última vez que ficara por lá com duas colegas de faculdade).
Comeram peixe ao molho de camarão, bebericaram três caipiras, Eric fumou um cigarro de cravo na saída, Cícero e Cecília foram conferir colares e pulseiras de conchas na banca de um bicho grilo, e Rita buscou informações turísticas num quiosque da secretaria de turismo. Voltaram para a pousada, já um pouco exaustos pela peregrinação da manhã. Eric fez menção de ir ao banheiro simultaneamente a Cecília. “Ladies first”, disse cedendo a vez gentilmente. Cecília sorriu e entrou naquele sanitário rústico, de encanamentos à vista e reboco ainda fazendo rude relevo nas paredes. Olhou-se no espelho aborrecida: esperava por um quarto apenas para ela e Cícero, bem avisou que seria difícil conseguirem algo indo assim de última hora. Mas a empolgação em mesa de bar no dia anterior foi mais forte do que o medo de dormir na areia. Ela sabia que não teriam sexo, por estarem em quarto único, em beliches e, entrave dos entraves, numa situação de casal bem comportado, sendo Cícero bom rapaz o suficiente para não querer nenhuma aventura no meio do mato ou na praia em meio ao breu noturno. Cecília irritou-se. Agora ansiava por uma vingancinha inconseqüente. Observou então a presença da nécessaire bege de Eric em cima da pia. Decidiu homenageá-lo. Mas, para maior realismo em seu imaginário, resolveu buscar nos objetos de higiene pessoal do rapaz algo que o lembrasse com maior nitidez. Abriu o zíper e vasculhou em busca de algum perfume, mas sabia que seria difícil encontrar ali um frasco do Paco Rabanne que ele exalava vaidoso nas baladas. Encontrou tubos de shampoo e condicionador, enxágüe bucal, lenço de papel, preservativos, sabonete, pente e um desodorante que lembrava seu ex-namorado, pelo qual agora sustentava enorme repulsa. Seu aborrecimento por lembrar-se do traste logo se dissipou: encontrou uma escova de dentes elétrica. Apertou o botão e a sentiu tremer em sua mão. Passou a ponta dos dedos pelas cerdas macias e, depois, roçou o corpo todo da escova pelas costas da mão e entre seus dedos finos. Maravilhou-se com a idéia. Não teve dúvidas.
Minutos depois, abria a porta de correr com olhar discretamente extasiado, dando espaço para o inocente Eric entrar. Foi para a varanda e deitou-se na rede, balançando-se enquanto recebia a brisa do mar em seu rosto, puxando o cabelo para trás da orelha a fim de observar melhor o namorado conversando com Rita sobre uma possível programação para aquela tarde (embora Cecília não estivesse assimilando conteúdo nenhum do diálogo). Dentro do banheiro, Eric tinha a melhor higiene bucal de sua vida. Admirava-se com o prazer que extraía de sua escova elétrica, demorando-se com ela em seus sisos, caninos e molares, saboreando-a e transitando por língua, gengiva e mucosas. Sentia seu aroma e queria entender qual a familiaridade que percebia agora no aparelho. O abrasivo do gel atenuava as lembranças, mas Eric mesmo assim teve a escovação mais demorada que podia lembrar.
Passaram a tarde caminhando pelas pedras altas que margeavam o mar entre Brasília e Encantadas, sentando ao final do dia em uma das mais altas para apreciar o pôr-do-sol. Não foram os únicos, já que outro grupo resolveu acender um baseado a poucos metros do quarteto, rindo alto e cantando o repertório do Dazaranha.
Voltaram para a pousada quando já anoitecia. Jantaram por lá mesmo. Cecília foi mais rápida que os demais, devorando sua tainha sob o olhar de surpresa de Cícero, que não imaginava a namorada estar com tanta fome. Não estava. Terminada sua refeição, pediu licença aos demais e foi para o quarto, alegando querer tirar uma espinha presa à gengiva. Rita sugeriu um bochecho com guaraná, Cecília declinou da idéia. No banheiro, o zíper da nécessaire era abaixado quase que como num gesto ensaiado de strip tease. Minutos depois ela voltava à mesa, onde a conversa dos amigos já chegava a um desfecho pelo sono que vinha com o marulho acalentador e pela exaustão daquele primeiro dia de Ilha. Todos se levantaram, sem perceber os olhos perdidos e o sorriso bobo de Cecília. Agora, era Cícero quem se apressava para ir ao banheiro. Desta vez só deixou para aplicar o gel muito tempo depois de saborear a escova ao natural. Aspirava seu aroma, degustava-a. Demorava-se a contemplar sensorialmente o objeto que até então só tinha a função de lhe proteger das cáries.
Todos dormiram comportados, cada qual em seu leito. Rita ainda demorou-se um pouco, lendo seu Tom Wolfe com uma lanterna, enquanto Cícero respirava alto em sono profundo, e Cecília e Eric ainda se debatiam para pregar os olhos, apesar de exaustos.
Dia seguinte, repete-se o ritual logo cedo. Mamão, pão com manteiga e café preto bem forte. Sol ardendo leve já nas primeiras horas. Corrida para o banheiro. Cecília saindo extasiada. Eric entrando em seguida. Felicidade quase indisfarçável ao abrir a porta de correr. Um ritual que voltara a se repetir outras duas vezes naquele dia. A excitação de Cecília com o objeto não era nem superada pela sessão de massagem com bloqueador solar feita por Cícero na areia da praia. Rita tentava convencer Eric a passearem um pouco para deixar o casal de amigos a sós por ao menos alguns momentos, mas ele, por sua vez, a dissuadia da idéia argumentando que os dois não pareciam querer dispensar companhia. O quarteto ficou assim, junto o tempo todo, em conversas animadas sobre músicas, filmes, viagens, vida e lendas da Ilha. Caminharam à tarde até o farol e fizeram dezenas de poses para fotos que certamente recheariam seus álbuns no Orkut.
À noite, o baile de forró e fandango permitiu uma aproximação animada, mas tímida e inconseqüente, entre Eric e Cecília, que dançaram duas modas rodeados por nativos empolgados com suas violas e rabecas, e jovens visitantes enchendo a cara de xiboquinha. Os quatro voltaram para a pousada às gargalhadas, recordando da dificuldade de Rita em dançar com um senhor de idade muito avançada que queria lhe ensinar o tamanqueado do fandango. Cícero andava quase que se escorando na namorada, por ter exagerado nas cervejas. Cecília não conseguia trocar olhares com Eric pelo escuro denso que se fazia naquelas picadas sem qualquer iluminação. Chegaram à pousada, lavando os pés na torneirinha lateral da casa, a fim de tirar o excesso de areia. Contiveram risadas e conversas para não despertar os demais hóspedes e foram direto ao modesto alojamento conseguido a duras penas. Cícero caiu na cama com os pés para fora e dormiu naquela mesma posição, sob um cafuné preguiçoso da namorada, que tinha seus olhos voltados para o lado de fora do quarto, no qual observava Eric a se balançar naquela rede já úmida pelo orvalho da noite. Mas ele olhava em direção ao mar encoberto pelo véu da noite, possivelmente também adormecido. Após Rita sair do banheiro, já com seu Tom Wolfe embaixo do braço, Cecília tirou a cabeça de Cícero de seu colo e a acomodou em um travesseiro. Fechada a porta, foi até a nécessaire com uma compulsão que mais parecia vício. Demorou-se mais do que de costume. Ansiava por aquele momento desde que começou a dançar com Eric no baile do centrinho de Brasília. Recordava os breves instantes de roçar de coxas e seus seios miúdos tocando de quando em quando o tórax do amigo. Cuidou para não gemer, pois seria entregue pelo silêncio da noite. Quando Cecília saiu do banheiro, Rita já não tinha mais sua lanterna acesa no alto do beliche. Caminhou até a porta do quarto e observou que Eric dormia na varanda, embalado pelo leve vai-e-vem da rede e, com certeza, também pela seqüência de xiboquinhas e cataias. Ficou enfurecida por ele a trair no ritual. Pensou em acordá-lo para que fosse ao banheiro cumprir com sua parte. Temeu ser flagrada ali a observá-lo. Virou-se e viu o namorado já no alto do sono, escancarando a boca aberta e soprando um leve ronco que ela temia aumentar naquele resto de noite que tinham pela frente. Resolveu deixar a porta aberta e foi dormir. Acomodou-se na parte alta de seu beliche, acima de Cícero, e sentiu vontade de quebrar a escova elétrica em sinal de retaliação. Achou melhor não, sentiria falta no dia seguinte.
Não disfarçou seu aborrecimento no café-da-manhã, deixando Cícero confuso e jogando a culpa na TPM. Eric sentia uma vergonha que não conseguia explicar para si mesmo, e que lhe dificultava ingerir o farelento pão d'água. Rita era indiferente à situação, servindo-se de três fatias de melancia que alegava hidratarem, recomendando a todos para que fizessem o mesmo e se recuperassem melhor dos excessos da noite anterior.
As pazes foram feitas naquela manhã com a retomada do ritual. Desta vez Cecília usou gel: logicamente não gel dental, mas sim KY para ousar mais em suas brincadeiras íntimas. O produto acabou prejudicando o prazer de Eric, mas ele estava encantado demais para se deixar aborrecer por aquele pormenor.
O grupo não quis caminhar naquela manhã, preferindo tomar sol e banho de mar em frente à pousada. Cícero deu continuidade ao entretenimento etílico do baile, aproveitando-se do filho adolescente dos donos da pousada, que já querendo mostrar serviço levava de tempos em tempos uma garrafa de cerveja até ele. O excesso acabou impedindo que fossem passear até o forte naquela tarde. Mas nada que estragasse o programa, já que cada qual tinha com que se entreter por ali mesmo: Rita paquerando os surfistas que agora craudiavam o mar de meio metrinho da Praia Grande, Cícero se abraçando com uma garrafa de xiboquinha e as Skol que surgiam a seu lado de tempos em tempos, e Cecília e Eric tendo a chance de se aproximar melhor. Mesmo com a presença do namorado, ela puxava conversa e engatava um assunto a outro com Eric. Quase convidou-o para entrar no mar com ela. Acabou indo sozinha, sabendo estar sendo observada ao caminhar em direção à água, mesmo porque tinha certeza que seu biquíni cavadíssimo a tornava irresistível aos olhares masculinos. No meio da tarde, Eric ainda tinha aquele gosto memorável na boca. E Cecília, em meio às ondas, ainda sentia os espasmos e contrações promovidos por aquele inusitado e tecnológico objeto do desejo. Pela primeira vez, ela não se preocupava com o grau alcoólico elevado de Cícero.
Noite de lual na frente da pousada. Dois violões, um grupo que veio de excursão do Mato Grosso. Maconha, fogueira, goles de cataia, risos altos e o quarteto participando mesmo sem ser convidado, o que não o impediu de ser muito bem recebido. Em pouco tempo pareciam todos ter vindo juntos para a Ilha. Mais tarde, os quatro jantavam anchova na pousada, Rita e Cícero famintos pela larica. Eric deu apenas uma bola e Cecília usou do método Bill Clinton. Foram para o quarto ainda ao som alto dos violões e do set list que ia de Adoniram Barbosa a Zeca Baleiro. Bastante risonha, Cecília encaminhou-se ao banheiro, mas quase teve sua passagem obstruída por Eric, que parecia ter se esquecido por um momento da seqüência do ritual. Desculpou-se, “ladies first”. Ela sorriu, piscou e entrou ansiosa. Eric sentou-se no beliche ao lado de Rita para esperar. Com quase indisfarçável expectativa, acompanhou pouco interessado o jogo de cartas entre a irmã e Cícero, todo empolgado com as belas trincas formadas por números e naipes que Eric praticamente desconhecia. Dentro do banheiro, Cecília se atormentava na busca por uma solução: o excesso de uso do aparelho consumira por completo com a pilha palito que o alimentava. Se houvesse espaço no recinto, ela caminharia de um lado para o outro. Como não havia, ficava apenas a esfregar seus cabelos, como que tentando tirar alguma idéia em meio aos fios. Abriu a porta do banheiro e Eric fez menção de levantar. Com a mão e o olhar, Cecília sinalizou que ainda não era tempo. Sem entender, Eric voltou a se sentar na cama. Rita e Cícero, entretidos com o jogo, não repararam quando ela remexeu a mochila do namorado à procura de algo que nem ela sabia o que era. Depois de algum tempo encontrou uma provável salvação: um MP3 Player. Fechou a mochila e entrou no banheiro apressada. Eric voltou sua atenção novamente ao jogo de cartas, sem entender o ocorrido. Dentro do banheiro, Cecília trocava as pilhas com mãos aflitas como as de um viciado ateando fogo à pedra de crack. Torceu para a escova ligar. Não ligou. Abriu de novo o aparelho e percebeu que, na pressa, havia invertido os pólos. Mudou o lado da pilha, fechou, acionou o botão e quase gargalhou em êxtase ao sentir o equipamento reviver em suas mãos. Tempos depois, novo revezamento no banheiro: sai Cecília, entra Eric. Sabendo ser aquela a última noite, ele saboreou seu apetrecho de higiene bucal como que já se despedindo. Apegara-se de tal modo àqueles momentos que só saiu de seu transe quando Cícero bateu à porta dizendo que não agüentava mais esperar. Naquela noite, o sono relutou demais em chegar.
O café-da-manhã do dia seguinte foi amargo. O mamão parecia ser só sementes. O leite dava sensação de azedo. O açúcar não adoçava. Até o carinhoso dautchaund que tomava conta da pousada parecia antipático com seus grunhidos pedindo sobras ao pé da mesa. Como que em acordo premeditado, Cecília e Eric praticamente não se alimentaram e nem foram ao banheiro em seguida. A poucos metros um do outro, acomodaram-se sonâmbulos com o corpo apoiado ao para-peito de madeira crua que adornava a varanda. A manhã estava um tanto nublada e permitiu apenas um último passeio ao centrinho da Ilha para a compra de souvenirs. Almoçaram por lá mesmo. E tiveram de voltar às pressas, pois foram avisados de que se avizinhava mar ruim. Quando chegaram na pousada, Fabiano já os esperava aflito. Tiveram de arrumar as coisas em questão de poucos minutos, jogando tudo para dentro das mochilas como dava.
De fato, atravessaram um mar crespo e rebelde, que rendeu alguns momentos de apreensão, em especial para Rita, que não sabia nadar, além de banhos coletivos pelo impacto da embarcação quando seu casco espancava as ondas maiores. Mas chegaram a salvo em Pontal do Sul, apenas molhados e doloridos pelo embalo agressivo.
Subiram a serra ouvindo muito Moby no carro e conversando sobre os melhores momentos do passeio, fazendo um flash-back verbal para sedimentar o feriado na memória. Eric dirigia voltando-se vez ou outra ao retrovisor para fazer seus olhos cruzarem com os de Cecília. O segredo que ambos sustentaram naqueles dias fora confirmado quando ele, antes de sair da pousada, percebeu a Ray-O-Vac de sua escova ter sido substituída por uma Duracell.
Ao chegar em seu apartamento, Eric ficou imaginando qual seria a reação de Cecília ao encontrar em sua mochila a escova elétrica. Nada mais adequado, já que Cecília deixara na mochila de Eric seu fio dental.


Mario Lopes