quinta-feira, 14 de maio de 2009

Futebol,era coisa para mim!


Quando lembro do meu passado uma as coisas que ele me traz é o futebol. Sim, só no passado porque hoje em dia eu detesto futebol (eu digo, o futebol estrela, as torcidas, o sistema) e não o esporte em si, que, pelo contrário, é muito legal e divertido. Mas vou explicar o porquê.

Tudo começou entre 2003, 2004 e 2005 quando estava na época de escola. Em 2004, eu já participava de campeonatos no colégio e era sempre a goleira. E na sala de aula então? EU PARECIA UM MACHO MESMO, brigava por futebol defendia meu ex-time (Atlético – Pr) com unhas e dentes e, se deixassem, muitos chutes. O Atlético perdia e eu já ficava ensaiando o discurso que falaria no outro dia para me defender da coxarada (principalmente!). Depois, quando mudei de instituição, quis ser atacante, mas sempre tive problemas para instituir o futebol naquele colégio (Positivo, imaginem, as meninas só queriam jogar Handbol e Vôley , blé!!!!!!!). E , por estas e outras, um dia almoçando na escola para a aula de teatro a tarde, percebi um grupo de meninas na quadra fazendo alguns passes com a bola, mansamente, como se estivessem se aquecendo. Achei inusitado aquilo ali naquele lugar em que as meninas não faziam muito isso. Logo, vi o treinador daquele grupo chegando e começando o treino com as gurias. Aquilo me brilhava os olhos, eu adorava futebol e ver que podia fazer futsal me brilhou os olhos novamente. Na outra semana, eu tive jogo de futebol (obrigatório pelo currículo pelo menos uma vez) e acabei jogando com as meninas e umas delas, da minha sala, pareceu bem interessada no esporte também. E, para minha sorte, percebi que, depois que jogamos, o treinador estava no outro lado da quadra treinando o time de futebol masculino. Comentei com minha amiga da minha vontade e fomos conversar com ele e perguntar preços e horários. Ele nos falou do preço e realmente disse a ele que para mim não daria. Mas, inesperadamente, ele disse que havia visto eu e minha amiga jogarmos e que nós fomos muito bem e que daria para gente um mês de graça de treino! Nossa, na hora parecia coisa de filme.

Cheguei a comentar com minha família na época da minha paixão pelo esporte, mas alguns foram totalmente contrários eu treinar o esporte. O único que aceitou, claro, foi meu pai. Lembro-me que saímos para comprar uma chuteira feminina escondido da minha mãe para fazer o treino. E lá ia eu, todas as terças-feiras, 13:30, treinar. Escondia a chuteira na mala par disfarçar e não ir com o sapato direto nos pés. E quando tinha futebol com meninos, eu e minha amiga jogávamos com eles. Mas, um dia, minha mãe abriu a mala e ficou brava, afirmava que aquele esporte era coisa para homem, que eu podia me machucar, cair, quebras os dentes e então tive que parar de fazer (mesmo que eu quisesse não daria pela situação).

Mas, mudando de colégio novamente para um público, foi onde tudo mudou (e para melhor). Lá, aprendi, na simplicidade em relação ao outro colégio que eu estudava, o que era o futebol. Uma vez, na aula de educação física, eu e uma amiga minha, a Janaina que também adorava o esporte, pedimos para jogar com os meninos. Lembro-me que, naquela tarde ensolarada na quadra do colégio Estadual do Paraná, os meninos riam da gente com o que acabamos de pedir (até porque eles eram trinta vezes mais altos que nós duas juntas!). Mas, até que um lá do meio, gritou: - “Deixem que elas joguem, se forem boas, ficam!". Os outros, mesmo que rindo, concordaram. E jogando, minha amiga fez um gol. E no outro tempo, eu fiz um. Os guris vieram falando que só tínhamos feito gols porque os goleiros deixaram (sabe né, aquela coisa de macho com o ego ferido, né!?). Mas, alguns pro outro lado, reconheceram nossa agilidade. Na outra semana, achei até engraçado pois eu e Janaína sempre ficávamos queitinhas na sala, só observando quando eles papeavam sobre o time de futebol e qual seria o time do dia. E, naquela semana, eles discutiam e um deles olhou para nós e soltou um espontâneo e desajeitado “Éééé, vocês vão jogar também?!”. Caramba, engraçado mesmo ver aqueles meninos semanas antes sempre concentrados e naquela dando atenção a duas novas possíveis integrantes. Respondemos que sim e alguns ficaram “meio assim” pois levavam a sério mesmo e achavam, por algum motivo, que com nós, seria um jogo de divertimento apenas.

Na quadra, nós duas já de top por baixo da blusa , cabelos presos, tênis apertados, observávamos os meninos e esperávamos chamarem. Até que o mesmo menino da sala, que nos chamou, falou: - “ Galera, que vocês acham, então de cada uma delas escolher seu próprio time?!”. Nossa! Alguns olharam para ele com cara de “calaabocacara!” . Mas, quando olharam para nós duas ali, impostas, decididas e como se tudo indicasse para fazermos um time para cada uma, eles concordaram. E eu, pela primeira vez, escolhendo meu time de jogadores HOMENS!

Jogamos assim durante muito tempo nas tardes ensolaradas do CEP. Uma vez, eu e Jana fomos jogar com as meninas (quando elas concordaram em jogar futebol!), e eu quase acertei o joelho de uma (sim, eu chutei a bola para o gol fraquinho e foi no joelho da guria que chegou a chorar!). Na mesma época, eu por sempre estar por dentro do futebol, vendo com meu pai, seguindo o atlético, acabei conhecendo o ex- jogador Shumacker que na época estava sendo um fenômeno no time . Mas, conversando com ele, ele me mostrou um outro lado do futebol (o lado em que os jogadores ganham milhões e as vezes não estão nem aí para o time que jogam e sim só para o dinheiro que ganham, que os fãs pagam seus salários e torcem, brigam por seus times para nada!). Aquilo, me revoltava e eu comecei a me desencantar do futebol. Ainda jogava, mas comecei aos poucos a me desligar e tomei outros rumos.

Meu sonho de ser jogadora foi findando ali mas o possível para deixar um depoimento a vocês como hoje e dizer que futebol pode ser coisa para mulher SIM! Só não me peçam pra jogar hoje em dia porque não lembro nem como fazer uma embaixadinha!




Bianca Silva

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Futebol feminino em imagens




Uma seleção de cenas divertidas e reveladoras do esporte rei, ops, ou melhor, do esporte rainha.




Uniforme oficial da juíza: por isso não provoque.




Uma tirinha que corrobora com a pesquisa reveladora de que a (imensa) maioria dos homens prefere futebol a sexo.




Não dá pra ver direito nessa sequência de imagens de muvuca, mas a torcedora de branco ao centro está tirando a blusa pra torcida - se a moda pega...




O símbolo do sexo feminino numa releitura do mundo da bola.




Marta, num passo que lembra ballet, mas que é de artilheira que bate em gols o score de muito macho das quatro linhas.




Antigamente era assim: o homem fazia a mulher perder a cabeça por causa de uma gorduchinha.




Hoje, as mulheres aderiram, só não se sabe ao certo com que interesse...




Time das penosas x Time das peruas




Comemoração típica masculina: o bolo humano, uma das raras ocasiões em que homem se agarrando não é sinônimo de boiolagem. Pra mulher, que vive se abraçando mesmo, a brincadeira não gera a menor celeuma.




Anúncio bem-humorado, mostrando que agora não é mais pecado jogar de salto alto.




Uma tirinha portuguesa com certeza, mas cuja moral pode valer pra além-mares, oh pah!




Pra ser fashion no tema, eis um modelo Louis Vouiton de capotão.




Também tem esse que promete fazer sucesso nas versões com e sem alça.




A bola absorvente: provavelmente para ser utilizada em jogos debaixo de chuva.




A voz do povo...




Exercício em que homens nunca serão páreo: alongamento.




Essa falta, se feita por um homem em outro, gera cartão vermelho para quem a pratica e direito a eutanásia para quem a recebe.

Mario Lopes

terça-feira, 12 de maio de 2009

A era da mulher no futebol

Estamos na era em que quase nada tem o seu titulo de para mulher, ou para homem. Falando de futebol então, as coisas realmente mudaram, as mulheres entraram com tudo, hoje temos melhor jogadora do mundo, temos varias comentaristas, e muitas, muitas mesmo, torcedoras. Eu não sou uma expert em futebol, imagino que muitas mulheres sejam como eu, o que não impede de torcermos fanaticamente por um time. Lembo até hoje de quando eu era criança e chorei por alguns dias por o São Paulo não ter sido campeão, nada me consolava, e eu só parei de chorar por imaginar que eu atrapalharia com tantas lagrimas.Observe um estadio em um dia de classicos. Acabou o tempo que apenas os homens torciam, ou até mesmo jogavam, as mulheres não ficam em nada pra tras, nós temos a melhor, nós sabemos sobre, nada mais nos impede de dizer que esta é com certeza a era da mulher no futebol.


Ingrid Moraes

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tema da semana: Futebol é coisa de mulher


Mulheres e Futebol


O dicionário denomina futebol como : jogo de bola com os pés . Mas sabemos que esta definição vai muito além disto .
Ao ligar o rádio , hoje pela manhã , escutei aquela música da banda Skank cujo o refrão é :
“ Bola na rede para fazer o gol ...
Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol ? “
Logo refleti :
Todas as pessoas um dia sonharam em ser jogadoras de futebol : homens e mulheres também .
Assim minha cabeça foi até o ano de 1987 , numa aula de História da sétima série , onde a professora disse :
- O futebol começou na Antiga China .
- Os chineses criaram a bola de couro .
- Naquela época existiam as grandes competições , onde até mulheres jogavam futebol .
Deste jeito levantei a mão e resolvi tirar uma dúvida :
- Professora , eu pensei que foram os ingleses que inventaram o futebol .
A mestra explicou :
- Não foram os ingleses .
- Por incrível que pareça foram os chineses como já expliquei .
- Os ingleses apenas popularizaram este esporte e criaram as regras que conhecemos até os dias de hoje .
- O futebol tem a história parecida com a do macarrão . Muita gente pensa que o macarrão foi criado pelos italianos . Porém , na realidade , este alimento é uma invenção oriental dos japoneses e chineses . Marco Polo foi quem trouxe o macarrão para a Europa .
Após esta cena de “flashback” minha mente foi até o ano de 2008 , quando eu estava passeando numa praça com um amigo . Então , sentamos num banco ao lado de uma anciã , em frente a um campo de futebol , onde havia uma menina jogando bola . De repente , a senhora gritou :
- Vanessa , pare de jogar futebol .
- Pois este jogo é coisa de menino !
- Prefiro ver uma neta modelo a jogadora de futebol ...
Desta maneira olhei para aquela anciã e comentei :
- Futebol não é coisa só de homem ...
- Pois existem mulheres se destacando neste esporte .
Deste jeito meu amigo se meteu na conversa :
- A primeira esposa do Ronaldinho foi uma jogadora de futebol : Milena ...
- Ah , se ela posasse na revista Playboy ...
- Atualmente , no Brasil , temos a jogadora Marta .
- Esta morena bate um bolão ...
- Com o corpo que ela tem bem que ela poderia posar para uma revista masculina também ...
- Sabiam que o comercial de cerveja que mais deu IBOPE foi aquele em que belas modelos jogavam uma partida de futebol ?
- Isto me fez lembrar de umas bandeirinhas gatas que posaram para uma revista ...
Naquele minuto eu decidi cortar a empolgação do meu amigo e exclamei :
- Com licença , você está atrapalhando a minha conversa com esta senhora !
Então voltei meus olhos para a idosa e notei que ela estava dando muitas gargalhadas . Depois das risadas ela falou :
- Tudo bem ...
- Seu amigo me convenceu ...
- Deixarei minha neta jogar futebol à vontade .
- Afinal futebol , também , é coisa de mulher ...
- E nenhum esporte deve aceitar discriminação .
Após estas lembranças minha cabeça voltou a o momento atual e recordei – me de novo do refrão da música da banda Skank :
“ – Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol ? “


Luciana do Rocio Mallon

domingo, 10 de maio de 2009

Ensaio de realidade


Helena hesitou muito em aceitar participar daquela terapia da qual nunca ouvira falar.

- Vou explicar mais uma vez. Quando uma pessoa fica sem dormir por um longo período de tempo, passa a entrar em um estágio de conflito entre percepção e mundo tangível. Ao ficar carente de sono, você terá alucinações e passará a confundir sonho e realidade. Helena, nós deixaremos você sem dormir até atingir este estado de transição entre o universo real e o onírico. Então, trataremos seus demônios interiores. Neste lusco-fusco de consciência, você terá então a rara oportunidade de abrir o portal de seu universo mais íntimo, aquele no qual habitam seus maiores temores e inimigos ocultos. São seus medos, bloqueios e recalques que virão encará-la. É quando você deverá abordá-los e extirpá-los. Não se conhece forma mais imediata e direta de afrontar seus rivais interiores. Seu ego vai enfrentar seu id. Seu consciente irá sobrepujar seu inconsciente. Só precisaremos cuidar para que não ocorra o contrário.

Mesmo não tendo entendido bem a sistemática, Helena aceitou a proposta de seu novo terapeuta. Não queria passar por anos de divã, preferia encarar o próximo feriado prolongado em um spa, no qual a equipe de três psicoterapeutas a acompanharia naquela jornada de destino obscuro. No primeiro dia tudo correu sem incidentes. Fez suas refeições, leu bastante, nadou na piscina e participou de sessões de massagem – tudo com a exigência de permanecer com os olhos sempre abertos. Virou bem a primeira noite, tomando muito café e assistindo a DVDs de block-busters de terror e sci-fi para permanecer atenta. Os psicanalistas se revezavam em três turnos, sempre vigiando-a. Suas idas ao banheiro não podiam passar de dez minutos, mesmo para tomar banho.

O dia seguinte foi de atividades de exercícios aeróbicos, passeios pelos jardins e banho de sol à beira da piscina, só incomodando-a o fato de não poder usar óculos escuros. Após o almoço é que começaram a surgir as primeiras reações advindas da exaustão e da noite em claro. Sentia mesmo uma forte vontade de pegar no sono e as conversas superficiais com o terapeuta do turno da tarde pouco a ajudavam na tarefa de se manter alerta. Era despertada com tapinhas no rosto, nunca conseguindo fechar os olhos por mais de cinco segundos. À noite já se sentia fraca e debilitada no raciocínio, falando frases desconexas e demonstrando coordenação motora desastrada, quase uma disléxica. Passou a madrugada vendo mais filmes, desta vez sentada porque certamente sucumbiria ao sono se ficasse na horizontal.

O terceiro dia foi de absoluto aborrecimento e mau humor. Já não sentia direito os sabores dos alimentos no café-da-manhã e era impossível ler qualquer meia página que fosse sem que sua cabeça despencasse sobre o livro. Almoçou e resolveu caminhar ao redor da sede do spa, porque agora bastava se sentar para pegar no sono. Não suportava mais a presença constante de um dos terapeutas e percebia que falava bobagens o tempo todo, só que se esquecia delas cinco minutos depois (ou menos, pois o tempo cronológico já traía sua percepção). Anoiteceu e continuou andando pelo quarto para não adormecer. Quando fechava os olhos, mesmo que em pé, levava um tapinha na face que agora já parecia um misto de tortura, deboche e provocação. Cogitava revidar.

Amanheceu no quarto dia pronta a desistir. Queria apenas o direito de repousar e nem se importava se não seria ressarcida com os valores pagos. Pensou em pedir o cancelamento da terapia. Não lembrava de ter discutido anteriormente sobre o que poderia ser feito se ela se encontrasse em situação limite como aquela e quisesse desistir. Mas também agora já não sabia se não haviam discutido essa possibilidade ou se a falta de sono deletou essa informação da sua memória. Até então, o máximo que havia passado acordada era uma noite inteira, dando conta de trabalhos escolares. Já não falava coisa com coisa, levava tapas com intervalos cada vez menores, sentia que iria surtar a qualquer momento. Parecia estar à beira de entrar numa crise de pânico. Teve de ir até a janela do quarto respirar um pouco de ar puro para se recuperar e oxigenar o cérebro. Quando virou-se, viu o terapeuta falando ao celular. Parecia apreensivo, pediu “um minuto” e saiu da sala. Pela primeira vez naqueles quatro dias, Helena se via sozinha. Poderia até tirar um breve cochilo. Mas aquela atitude nada convencional do terapeuta lhe tirou o sono. Ficou apreensiva, esperando em pé, até que ouviu passos vindos do corredor. De súbito, a porta se abre, adentrando por ela, afoitos e sem cerimônia, sua mãe, seu pai e seu marido.
- Minha filha, rápido. Arrume as malas que precisamos sair dessa arapuca.
- Eu quase me peguei no braço com aquele pessoal da recepção!
- Meu amor, por que você não me contou nada e veio assim, sem mais nem menos pra uma cilada dessas, só por que nosso casamento estava em crise?!
Sem entender, Helena pediu explicações rápidas e convincentes. Dona Judith, sua mãe, pôs-se a fazer os esclarecimentos sem parar de arrumar as malas, enquanto seu Antero olhava pela janela vigilante e Maurício inspecionava os móveis, como que atrás de câmeras e microfones.
- Você sabe que eu sempre tento te poupar, não é, minha filha? Mas sou sua mãe e você precisa saber: essa terapia da insônia é tudo uma ilusão, uma mentira. São uns picaretas e a TV já está vindo pra cá fazer uma matéria.
- A casa caiu pra eles, filha. Houve dois casos de mulheres que perderam a razão com essa experiência maluca. A polícia já foi avisada e fizeram flagrante. Eles nem têm formação em psiquiatria nem nada.
- De onde você teve essa ideia, meu amor?! Quem te convenceu de que isso era sério?!
Arrumadas as malas, não esperaram um só minuto: pai e marido foram na frente com as malas, mãe e filha logo atrás, com dona Judith amparando Helena, exausta pela falta de sono de dias.


Entraram no carro e partiram, deixando para trás o belo spa solitário. Enquanto olhava pelo retrovisor, Helena ouvia as vozes da mãe recomendando atenção e reclamando de o quanto ela fora desligada a vida toda; protesto avalizado pelo pai, que não entendia como uma mulher adulta e estudada era capaz de se iludir daquela forma; raciocínio este complementado por Maurício, ao volante, que não se conformava com sua mulher ter esses rompantes de infantilidade, chegando a ser mais ingênua que a filha pequena. E foi em meio a estas acusações de negligência, ilusão e infantilidade, que Helena se recordou das palavras do terapeuta antes de vir para o spa: “(...) carente de sono, você terá alucinações e passará a confundir sonho e realidade (...) terá então a rara oportunidade de abrir o portal (...) libertará seus maiores temores e inimigos ocultos (...) são seus medos, bloqueios e recalques que virão encará-la (...) você deverá abordá-los e extirpá-los (...) Só precisaremos cuidar para que não ocorra o contrário”. Foi então que, vendo que passavam pelo desfiladeiro, precipitou-se de súbito sobre o volante e girou-o bruscamente na direção do penhasco.


Mario Lopes

sábado, 9 de maio de 2009

Canção da Insônia

Samba e Amor
Composição: Chico Buarque
Eu faço samba e amor até mais tardeE tenho muito sono de manhãEscuto a correria da cidade que ardeE apressa o dia de amanhãDe madrugada a gente 'inda se amaE a fábrica começa a buzinarO trânsito contorna, a nossa cama reclamaDo nosso eterno espreguiçarNo colo da bem vinda companheiraNo corpo do bendito violãoEu faço samba e amor a noite inteiraNão tenho a quem prestar satisfaçãoEu faço samba e amor até mais tardeE tenho muito mais o que fazerEscuto a correria da cidade. Que alarde!Será que é tão difícil amanhecer?Não sei se preguiçoso ou se covardeDebaixo do meu cobertor de lãEu faço samba e amor até mais tardeE tenho muito sono de manhã.

Insônia?
O chico já disse, só com samba e amor.
A insonia fica muito mais produtiva.
E então, amanhã será outro dia.
Quem sabe com?
Quem sabe sem!


Day Araújo

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dormir é inevitável



Dona Rosa estava internada há três meses na ala semi-intensiva do Hospital Vita. Desde que diagnosticaram seu tumor maligno, sua vida se passava em um quarto de 3 m². Acordava às sete, com uma bandeja de café da manhã no colo e duas enfermeiras conferindo os equipamentos e anotando coisas em uma prancheta.
Comer assim na cama até que não era tão ruim, apesar da comida sem sal que exigia sua dieta. O pior era quando tinha vontade de fazer xixi. Apertava um botão e em alguns minutos alguém lhe trazia a comadre. Como ela odiava fazer suas necessidades deitada, sempre falava que o que queria era fazer o número dois. Passava pelo ritual da retirada dos tubos e entrava sozinha no banheiro com uma sensação de liberdade. Ficava lá por cinco, dez minutos, até que ouvisse uma voz de fora lhe perguntando se estava tudo bem.
De volta à cama, esperava o tempo passar. Lia alguma revista, chegava o almoço. Comia, ligava a TV. Recebia a visita do médico, respondia-lhe às perguntas de praxe, dando sempre as mesmas respostas:
- Como vai, Dona Rosa?
- Bem, indo.
- E a comida? Estava boa? Como anda seu apetite?
- Boa a comida, doutor. Ando com fome.
- Isso é bom. E como passou a noite?
Dona Rosa sempre hesitava nessa pergunta. Achava que o médico a testava. Como ainda ninguém percebera que não engolia os remédios?
- Passei bem.
O médico a elogiava, mas ela sabia que estava com os dias contados. Não aceitava o fato de estar morrendo e, como não queria ser pega de surpresa, evitava dormir.
Quando chegava o seu coquetel noturno, selecionava os remédios, deixando o sonífero por último. Tomava um por um, em grandes goles, sob o olhar atento do enfermeiro, e na hora de tomar o sonífero, com o comprimido escondido no canto da boca, simulava uma talagada.
O enfermeiro fazia suas anotações, perguntava-lhe se queria alguma coisa e ia embora. Começava a rotina noturna de Dona Rosa, que só se diferia da diurna por ser menos perturbada pelos médicos e atendentes. Todos pensavam que ela dormia.
Mas não. Com medo do sono eterno, ela evitava o sono reparador usando de mil e uma artimanhas para atrair e manter a insônia. Chegava a ler por três horas seguidas, pois não tinha paciência de ver TV por mais de meia hora. Se, por acaso, algum médico entrava no quarto, ela dizia que tinha acordado com vontade de ir ao banheiro. Depois disso, o jeito era, discretamente, manter a mente ocupada para que o sono não viesse. Ficava deitada, de olhos abertos, relembrando sua infância e adolescência. Lembrava do marido, de como se conheceram, do casamento... Do dia em que ele morreu. Batia uma saudade, uma vontade imensa de revê-lo, mas logo pensava na morte e o desejo passava.
A noite seguia assim, e quando menos esperava, mais um dia havia se passado, e lá estava seu café da manhã. Às vezes sentia um certo cansaço, mas Dona Rosa, conhecendo o poder da mente, logo espantava o sono imaginando-se morrendo.
Assim seguiam seus dias. Quanto mais Dona Rosa evitava o sono, temendo a morte, mais a atraía. Ela definhava, enfraquecia, e nada de dormir.
Até que um dia, sem saber ao certo se acordada sonhava ou se sonhava acordada, Dona Rosa recebeu uma repentina visita. A Sra. Morte, aproximando-se da cama, inclinou-se para perto dela, exalando um cheiro de séculos, e toda dengosa, perguntou:
- E aí, bobinha... Achou que estava me enganando?
Dona Rosa, pela primeira vez desde que se mudara pr’aquele quarto, fechou os olhos e implorou o sono.


Letícia Mueller

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Há tempos



Há tempos tenho noites nada dormidas, logo falar de insonia não é nada difícil para mim. Creio que a insonia tenha vários motivos, e que a minha seja por ficar repassando o dia, mês, o ano e tudo mas que existe para ser lembrado durante a noite. Não é o caso de todos, mas o meu em especial.
Não se enganem, eu não tenho muitos problemas, ou fico pensando em coisas super importantes! Esses dias mesmo me peguei pensando em como seria bom estar comendo pizza, ou em como tive coragem de entrar naquele ônibus lotado 3 dias atrás. Parece loucura, mas eu sinceramente gosto da minha insonia, é algo que já faz parte da minha vida.
Já arrumei meu guarda-roupa, separei coisas para doar, li vários livros, tomei longos banhos, pintei as unhas e tive conversas sérias por msn e pelo telefone. Graças a minha insonia.
Não reclamo dela, não fico triste e com sono e muito menos procuro um médico. Como já disse, ela faz parte da minha vida. Creio até não conseguir mais me ver sem ela.


Ingrid Moraes

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A Insônia Na Poesia



O dicionário define insônia como : falta de sono e dificuldade para dormir devido a problemas neurológicos . Porém para médicos e poetas o significado desta palavra vai muito além disto .

Os doutores dizem que a falta de sono é causada por uma anormalidade neuroquímica , que os poetas souberam descrever muito bem .

Dias atrás eu estava conversando com uma escritora virtual , Patrícia Oliveira , que afirmou sofrer de insônia . Então perguntei a ela :

- Por que você não aproveita a falta de sono da madrugada para estudar ou fazer algumas espécie de serviço ?

Ela explicou :

- Porque a insônia nunca é produtiva . Pois quando ela chega e tento fazer algo , surge uma angústia que impede tudo . É como aquela poesia de Fernando Pessoa , encarnando o pseudônimo de Álvaro Campos :

“ ...Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!
Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo —;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo —;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
Não tenho força para ter energia para acender um cigarro.
Fito a parede fronteira do quarto como se fosse o universo.
Lá fora há o silêncio dessa coisa toda.
Um grande silêncio apavorante noutra ocasião qualquer,
Noutra ocasião qualquer em que eu pudesse sentir ... “
Este texto acima mostra a dificuldade do eu – lírico em aproveitar o tempo que a insônia oferece .
Hoje em dia todos sabem que a insônia é um problema neurológico . Porém até há alguns anos atrás esta enfermidade estava ligada à idéia do pecado .
No ano de 1980 , eu tinha seis anos de idade e perguntei a uma freira :
- Por que têm pessoas que não conseguem dormir de noite ?
Deste jeito ela respondeu :
- São pessoas que têm muito pecado , daí quando apagam as luzes e deitam - se no travesseiro , a consciência pesada e os demônios ficam falando nos ouvidos delas .
- É como diz esta poesia da Idade Média de autor desconhecido :
- “ Quem peca muito não consegue dormir de noite ...
Pois a consciência suja vira o açoite ,
Que chicoteia este triste pecador ...
Com sangue e muita dor !
Os demônios viram bruxas e fantasmas ...
Sufocando o pecador em mil asmas ! “
Depois desta lembrança , minha mente voltou aos dias atuais e lembrei – me de uma poesia do autor Éderson Peka :
“Insônia

Quantas meia- noites de insônias e fantasmas!
As sombras que me assustam não são as piores,
Mas as que convidam a duelos de horrores
Nas madrugadas tortas de silêncio e calma...

São discussões infindas entre perdedores
Que habitam todos uma só pequena alma;
Que se iludem, tolos, co'a verdade que plasmam:
São oleiros de barro, auto-deformadores...

São meus interiores que roubam-me o sono
Com disputas gritantes que perdem sentido
No silêncio da imensidão da indiferença...

E, monarca deposto, sem cetro, sem trono,
Eu ordeno que parem! Mas não sou ouvido:
De tão acordado, nem noto-me a presença...

Éderson Peka

Na poesia acima o poeta vê a insônia como um castigo , que faz com que ele enfrente os seus problemas mais tortuosos em vez de dormir .
Porém nem todo o poeta vê o lado negativo da insônia , como é o caso de Cazuza :
“Pro Dia Nascer Feliz

Cazuza

Composição: Cazuza / Frejat

Todo dia a insônia me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão é pretensão de quem fica
Escondido fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora 'vão bora'
Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz (2x)
O mundo acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Todo dia é dia e tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis
Procurando vaga uma hora aqui, a outra ali
No vai-e-vem dos teus quadris
Nadando contra a corrente só pra exercitar
Todo o músculo que sente
Me dê de presente o teu bis
Pro dia nascer feliz (2x)
O mundo inteiro acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz (2x)
O mundo inteiro acordar e a gente dormir “

No caso de Cazuza , ele aproveitou a insônia positivamente , assistindo filmes e ficando ao lado da pessoa amada .

Bem , a melhor solução para uma pessoa que sofre de insônia é procurar um neurologista , seguir seus conselhos e tomar os remédios receitados , sem esquecer que desabafar sobre a insônia através da poesia , também , ajuda .

Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 5 de maio de 2009

Que nem vampiro



Um carnerinho, dois carnerinhos, três carnerinhos. Esse é o pensamento antes de tentar dormir de quem sofre de insônia e precisar contar carnerinhos, gatinhos, bodinhos, enfim, qualquer coisa para poder dormir. Sabendo que insônia é a ausência de sono no horário habitual para se dormir, algumas pessoas até levam na esportiva a situação ou encaram quem tem insônia como alguém que não gosta de dormir cedo. Porém, a situação é muito mais séria. Essa doença prejudica e muito algumas pessoas que mesmo contando milhões de carnerinhos, não conseguem dormir, trocam a noite pelo dia, desregulam seus horários e acabam sentindo no corpo. “Eu fico cansado o dia todo e tento tirar um cochilo de 5 minutinhos.Faço tudo que tenho que fazer, mas cansado”, conta o diretor de fotografia e cineasta, André Wormsbecker, que chega ao trabalho as 7:30 mesmo depois de uma noite de insônia. Mas, quando a insônia o ataca, ele tem alguns rituais para tentar dormir. “Tento desligar todos os aparelhos eletrônicos de perto e fazer silêncio total. Aperto os olhos e finjo que estou saindo do corpo, sabe? Viagem astral.”, diz. “Tem um ditado do Dalai Lama que diz “permita-se dar pelo menos 5 minutos por dia sozinho”, ou seja, meditando mesmo sem falar com ninguém. Insônia é um reflexo do seu dia-a-dia e principalmente do que você passou principalmente o stress que a principal causa por isso digo, a estas pessoas: Olhe para dentro de você pelo menos uma vez por dia!Para de olhar para o mundo para o cotidiano e olha para a sua alma. O que você fez de bom para ela hoje?Talvez isso se resuma naqueles 5 minutos de meditação”, desabafa. Mas há pessoas que, em alguns casos, sofrem tanto com a doença que só conseguem relaxar com medicamentos.



“Eu tive épocas de ficar um mês quase sem dormir”, conta uma fonte que não quis ser identificada. Realmente nos deparamos com casos de pessoas que sofrem muito com a insônia e outros que conseguem driblar os impactos que ela pode causar. Há pessoas, por exemplo, que não se importam em ter insônia, pois rendem mais a noite e conseguem fazer trabalhos e etc. Há outros que precisam fazer tratamentos, pois quase não rendem de dia por causa da noite mal dormida. Eu por exemplo, tenho um pouco, mas gosto de sou noturna mesmo e gosto assim (a noite penso melhor, viajo mais, to em paz comigo mesma, converso com a lua e as estrelas).Mas acho que, se você tem essa doença e uma mente boa consegue controla - lá. Os vampiros, por exemplo, trocam a noite pelo dia numa boa.



Beijos de ressaca da noite mal dormida de

Bianca Silva
;)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Tema da semana: Insônia

Da insônia ao sono profundo



5:30 da manhã. Enquanto o dia amanhece, ela vira mais uma vez na cama, tentando dormir, em vão. Está no limite. Não agüentava mais tanta dor, a angústia e a tristeza que tomavam conta de sua alma. Ansiava por paz e tranqüilidade. Havia perdido tudo. Não tinha perspectivas de um futuro melhor. Havia perdido a vontade de viver. A apatia e o desgosto pela vida fizeram-na entregar os pontos.
Chegou a pedir ajuda, mas todos recusaram-lhe a estender a mão. Seus pensamentos voltaram-se para o plano que havia elaborado durante noites a fio com o objetivo de dar um fim a todo este sofrimento. Decidiu que aquele era o momento de colocá-lo em prática.
Durante essas mesmas noites em que o sono não permitia-lhe descansar, fez uma extensa pesquisa na Internet e conseguiu obter uma lista de remédios que, tomados em conjunto, resultavam em morte certa. E era o que mais queria naquele instante.
Quase sem forças, levanta-se da cama. Em passos lentos, caminha até o banheiro e vai direto ao espelho. Na imagem refletida, os olhos castanhos, sem vida; inchados e as olheiras visivelmente aparentes depois de várias noites seguidas de insônia.
Com as mãos trêmulas, pega o frasco contendo os mesmos comprimidos que sua psiquiatra havia receitado para a insônia. Engole todos, um a um, lentamente. Depois, os comprimidos de um outro frasco contendo outros medicamentos. Sabe que aquele será o seu último momento.
Após alguns minutos, os efeitos da superdosagem aparecem. Sono repentino, tontura, tremores, boca turva, sudorese. Em seguida bate um desespero avassalador. O medo sombrio da morte. Absolutamente sozinha. Queria chorar, mas não tinha forças para isso. Só então percebe que cometeu uma grande idiotice. Mas é tarde demais. Aos poucos perde a consciência. Sente que está mergulhando na escuridão, nas profundezas do sono e do descanso eterno, quando sente algo (ou alguém) segurando em sua mão e puxando-a com força para cima.
Algumas horas depois, abre lentamente os olhos. Ao acordar, vê-se em uma cama de hospital. Olha para a janela e contempla o céu, o sol que brilha com força, as nuvens brancas e fofas como algodão... Vira o rosto para o outro lado e vê a sua família. Posteriormente, os seus verdadeiros amigos. Pessoas que até então desconhecidas para ela deixaram suas mensagens de apoio e carinho. Pessoas que a amam, apesar de todos os defeitos e dos problemas que enfrenta. Pessoas dispostas a dar-lhe as mãos para ajudá-la a enfrentar esta batalha contra um inimigo astuto, devastador, que costuma atacar quando menos se espera.
Ela então se dá conta de que o "puxão" que sentiu em seu braço nada mais era do que DEUS trazendo-a de volta a vida. Havia recebido uma segunda chance de tentar ser feliz, embora tenha pago um preço alto por isso.

03 de maio de 2009, 23:30 da noite. Hoje ela está aqui, firme e forte, escrevendo para este blog. Às vezes, passa algumas noites em claro, mas sabe que não está sozinha (agora mesmo está sem um pingo de sono). Apesar disso, sabe que pode deitar-se em sua cama tendo a certeza de que a sua presença no mundo faz diferença e que não é por acaso.


Camila Souza

domingo, 3 de maio de 2009

TPM e TOC de uma bipolar geminiana com ascendente em escorpião


O filme acaba, ele desliga o DVD player e olha para a esposa esperando aprovação.
- E aí, gostou?
- Que idéia foi essa de me passar um filme de uma mulher que luta contra a balança?
- Nada, eu escolhi o filme porque é uma comédia romântica, não sabia quase nada da história.
- E é filme antigo ainda por cima.
- Você não tinha visto, você nunca tem tempo...
- Disse tudo, eu nunca tenho tempo. Por isso mesmo não posso perder duas horas da minha vida com essas alfinetadas.
- Tá bom, vamos fazer outra coisa então.
- Acho bom, alguma sugestão?
- Vamos sair para jantar.
- Mas você é muito abusado mesmo. Seu sarcasmo não tem limites?
- O que?! Não, querida, você não está entendendo...
- Ah, agora você está subestimando minha capacidade de discernimento!
- Não, eu só quis dizer que está havendo um ruído de comunicação entre nós.
- “Está havendo”? Com que frequência, você pode me dizer?
- Como assim “com que frequência”?
- É que pelo seu tom de voz eu deduzi que você quer dizer que isso é recorrente.
- Você não está entendendo.
- Não me desafie! Não me desafie! Quem não está entendendo é você!
- Eu não estou entendendo o que?
- Há, se você não sabe, não serei eu quem vai dizer, não é mesmo?
- O que?! Olha, vamos fazer algo para relaxar, eu proponho...
- Relaxar?! Você está insinuando que eu estou tensa? Não, não, acho que está sugerindo que eu sou uma desequilibrada.
- Meu bem: mim, amigo.
- Ah, perfeito. Agora vai me tratar como se você fosse o cacique da tribo!
- Não, meu amor, todo mundo sabe que o cacique é você. Lembra que você já deixou claro isso para todos naquele jantar de final de ano aqui em casa?
- Falei mesmo, devia ter noticiado na imprensa. Porque como é que eu vou dar a liderança para um homem que nem ao menos sabe escolher um bom filme para assistirmos juntos?!...
- Isso é subjetivo.
- Tudo é subjetivo, ouviu bem, tudo. Inclusive a felicidade da nossa relação.
- Você não está feliz?
- Responda você!
- Eu?!
- Não me desafie! Não me desafie!
- Não vai chorar agora...
- Você sabe que tenho alergia a essas lentes de contato.
- Claro, sei sim.
- Ah bom. E você sabe que eu só cheguei aonde cheguei porque sou assim, exigente com tudo e com todos. Inclusive com você.
- Principalmente comigo, você quer dizer.
- Ah, vai se rebelar agora? Só porque eu sou mais respeitada que você?
- O que!? Desde quando isso entrou em pauta?
- Desde o momento em que você escolheu um filme para baixar minha auto-estima!
- Mas só porque tem uma cena em que a personagem disse que não poderia comer um manjar?
- Sim. Porque foi uma indireta sua. Diga o que você pensa com sua própria boca, não através de um filminho de quinta.
- Eu quero paz!
- Então vá na ONU, meu filho. Una-se àquele bando de frouxos que só querem saber de paz no mundo como você.
- Vou mesmo! Vou numa assembléia alertar o mundo do risco que corremos com um ser humano assim habitando o planeta.
- Não me desafie! Não me desafie!
- Desculpe, mas eu cansei, você é mesmo uma mandona. É a maior mandona do mundo!
- Sou mesmo! Sou mesmo!
- Então faça bom proveito do seu mundo, sua maluca!
- Se você sair por esta porta, vai haver choro e ranger de dentes em proporções inimagináveis.
- Ah, sim. Passar bem, senhora do apocalipse!
Blam!
Nisso, toca o telefone e ela atende ríspida.
- Que foi?!...
- Sra. Presidente, o líder da liga de países árabes disse que os Estados Unidos não são de nada.


Mario Lopes

sábado, 2 de maio de 2009

TPM - Trabalhadores e o Primeiro de Maio


Ontem foi primeiro de maio ...
Trouxe flores dentro de um balaio ...
Para todos os trabalhadores ,
Que sentiram as dores ...

De um salário insuficiente ,
De stress e pressão na mente !
Trago flores para um trabalhador ,
Que trabalha com ardor e dor ...

Para não perder o seu emprego ,
Que garante parte do seu sossego !
Atualmente querem impedir o seu sucesso ...
Querem votar uma ementa no congresso ...

Para tirar os seus direitos ,
Que são quase perfeitos !
Querem tirar o seu décimo terceiro ...
De um jeito muito traiçoeiro !

Querem tirar seu seguro desemprego ...
Que trará dor de cabeça e desapego !
Trago flores ao trabalhador ...
Neste dia cheio de furor !

Que este delicado amor - perfeito ,
Traga a sorte de uma esperança ,
Que ele não deixe a política tirar o seu direito ,
E que a justiça não fique só na lembrança !

Ontem foi primeiro de maio ...
Trouxe flores dentro de um balaio ...
Para todos os trabalhadores ,
Que sentiram as dores .



Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Tudo ou quase tudo


Sério pessoal, eu tenho medo de mim mesma quando estou na TPM. Fui sorteada com todos os sintomas e ainda levei mais alguns de brinde. Tenho todas as variações de humor possíveis e imagináveis. Já sou uma pessoa instável por natureza, (como disse no post da semana passada, tenho Transtorno Afetivo Bipolar, caracterizada por oscilações fortes e constantes de humor e que intercala episódios eufóricos, depressivos e períodos de “normalidade”). Na TPM, então... TUDO ME IRRITA (ou quase)! Algumas coisas ainda se salvam...

Registro de um típico dia de TPM

8:00 horas da manhã. O despertador toca e eu, caindo de sono, tateio a cadeira ao lado da cama mesinha tentando encontrá-lo. Nada. Logo me dou conta de que o deixei em uma mesinha do outro lado do quarto. PQP! A contragosto, deixo os meus edredons quentinhos e cambaleando, me levanto para desligá-lo. Mas a vontade que me dá é de tacar o despertador com força na parede para descontar toda a minha raiva. Como o sono ainda continua e eu não tenho nada de muito importante para fazer (no momento não estou trabalhando, por motivos de força maior), deito e durmo novamente. E só acordo por volta do meio dia, assustada, com o meu celular tocando. Quando atendo, um operador de telemarketing chato pra cacete tentando me “empurrar” um produto qualquer. Me seguro para não xingá-lo, afinal de contas ele não tem culpa, está fazendo apenas o seu trabalho. Argh!

Durante o almoço, vem aquele enjôo desgraçado. Não agüento sequer olhar ou sentir o cheiro de carne, por exemplo, que já sinto uma vontade tremenda de vomitar. Aliás, fico parecendo mulher grávida, que enjoa com determinados alimentos e com um desejo insaciável de outros.
Aí vem a maldita cólica. Caralho! Isso é para acabar com a paciência de qualquer uma. E lá vai eu tomar um remédio para ver se melhora (fora os outros três que eu tomo todo santo dia). Isso sem falar no inchaço que toma conta do meu corpo.

Telefone tocando a toda hora (meu, tem dias que a minha casa parece empresa)!, o vizinho FDP da frente tocando pagode, funk e sertaNOJO no maior volume (como se todos fossem obrigados a ouvir); encheção de saco por todos os lados... é muito para a minha cabecinha...
E assim passa o dia. Tento estudar, mas não consigo. Tento fazer alguma coisa em casa, mas não rende. Entre uma dificuldade tremenda para me concentrar, dor de cabeça, moleza, pressão baixa, palidez; vou levando como posso. Um porre só. No final da tarde (horário de pico), para completar, tenho que pegar ônibus e metrô (e às vezes o trem) à faculdade, fica 2 horas presa no trânsito CA-Ó-TI-CO de SP (moro de um lado da cidade e estudo de outro) e ainda ser obrigada a fazer “cara de paisagem”, como se estivesse tudo lindo e maravilhoso. No meio do caminho, não agüento a pressão e começo a chorar compulsivamente. E não estou nem aí para quem estiver olhando. O foda é ter que ouvir as perguntas cretinas do tipo “você está bem”? Esses dão vontade de socar ou mandar tomar naquele lugar. Assistir a aula então, é um tormento. Fico perdidinha, tentando compreender o conteúdo. Graças a Deus minhas amigas me ajudam. E graças ao bom Deus que dificilmente brigo com as pessoas, mas nem sempre dá para segurar.
O engraçado é que nesse período, apesar de passar por estes sintomas, meu interesse por sexo aumenta. Gente, é sério, fico com um tesão louco, que só Deus sabe de onde vem. Bom, acho melhor não entrar em detalhes nesta parte... rs

Quase meia noite, chego em casa cansada e capotando de tanto sono. Abro o Outlook e me deparo com um e-mail com a seguinte frase: “A diferença entre uma mulher na TPM e um seqüestrador, é que com o seqüestrador ainda existe uma possibilidade de negociação.” É foda...
Quanta “felicidade” em um só dia... ninguém merece.
Apesar de tudo, até que consigo enfrentar este período sem maiores problemas. Sei que dali a uma semana passa. A única coisa que me deixa realmente puta da vida é a incompreensão de algumas pessoas. Vêem que a gente não está bem e então vem neguinho dizer que é frescura... putz, é de lascar.

Deito na cama me perguntando o por que de nós mulheres sofremos tanto. E antes de dormir, faço uma oração: “Meu Deus, só te peço uma coisa: se esse negócio de vidas passadas e futuras realmente existir, me faça nascer homem na próxima reencarnação!"
Obs.: Estou em plena TPM e, portanto, não estou com o menor saco para escrever “bonito”.


Camila Souza