terça-feira, 17 de junho de 2008

PULANDO NOSSAS CERCAS
Uma das técnicas pra adormecer que aprendemos quando crianças, era: Contar os carneirinhos pulando a cerca.
Gosto de me imaginar como um carneirinho e me ver pulando várias cercas, cada qual representando um limite ou uma dificuldade que preciso ultrapassar na minha vida.

CERCAS INTERNAS QUE FORAM FEITAS PRA PULAR:
A Cerca do MEDO que te impede de ir além, de ter novas experiências, de aprender mesmo sofrendo, de crescer, de amar, de viver.
A Cerca do PRECONCEITO que te impede de conhecer outras realidades, de entender visões distintas, de aceitar e amar o diferente.
A Cerca da TEIMOSIA e RADICALISMO
A Cerca da PREPOTÊNCIA
A Cerca do MATERIALISMO
A Cerca da PREGUIÇA e COMODISMO
A Cerca da INDIFERENÇA
A Cerca da BAIXA AUTO-ESTIMA

E tantas outras...E todas estão interligadas, impedem o crescimento espiritual, como humano consciente. É muito difícil, mas acho que vale tentar, mesmo tropeçando ou se machucando, pois a sensação após ter conseguido pular essas cercas é inigualável.
E cuidado, porque sem querer, podemos estar construindo novas cercas em nosso caminho.

Mazé Portugal

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Tema da semana: Cerca foi feita para pular


Eu sempre amei pular uma cerca....


Quando era criança...
Hoje trago muitas lembranças...
Meu joelho é todo “estourado” traduzindo rss repleto de cicatrizes inesquecíveis...
Acidentes acontecem... erros na projeção, na altura, tamanho rss
Aiii que saudades daquela época...
Cerca de arame farpado, madeira, de chuchu, fazia muito malabarismo, contorcionismo para pular rsss
Motivo básico: “pegar emprestado” algumas maças, milho, mexirica, ameixas, amora rss
Tudo no vizinho era mais gostoso! E que viziiiiinho! Tudo era com muito mais emoção!
Para pular uma cerca ou várias é precisa ter muiiiito cuidado.
Calcular tudo muiiiiito bem, para evitar estress, dor de cabeça e algumas cicatrizes.
Onde esta a emoção?
É a emoção do proibido...
É a excitação do escondido...
É a sedução do perigo...


By Aletéia

domingo, 15 de junho de 2008

Sex Or The City



O repórter espanhol do CQC (a franquia mundial de telejornalismo irreverente capitaneada no Brasil pelo Marcelo Tas), ao cobrir a avant-première do filme Sex And The City, acompanha as estrelas da superprodução que desfilam pelo tapete vermelho e dispara no melhor sotaque spanenglish: “what do you prefer: sex or city?”. Por trás da pergunta infame (e de resposta óbvia) há uma constatação inquietante: o filme e a série não têm por tema nem sex nem city, mas sim love. Aliás, love em tudo, do cachorrinho ao chaveiro. Alguns diriam que seria amizade o tema, mas ninguém agüentaria ver episódios de quatro amigas discutindo apenas sobre bolsas e botox, portanto é o amor que sempre esteve em foco. Mas então, por que “sex and the city”? Estranho indagar isso depois de tanto tempo de série e um longa-metragem badalado, mas vale refletir. Bom, por city podemos encarar o estilo urbano das garotas de Manhattan. Ponto. E sex, bem, sex é sex, sex e mais sex. Ou seja, enquanto o amor não chega e a cidade ferve, aproveite a vida adoidada. E aí a pergunta do CQC espanhol conduz a outra: qual das integrantes do quarteto de Sex And The City é que mais incorpora o espírito da série na vida real?
Todo mundo tem uma certa compulsão em identificar traços da obra que se relacionem com seu autor ou intérprete. Parece que torna o trabalho mais legítimo, mais real e, de certa forma, mais “confiável”. Courtney Love, Janis Joplin, Madonna, Vera Fischer e outras musas conquistaram notoriedade por satisfazerem essa nossa obsessão em encaixar o personagem na moldura do ser humano que o encarna. Voltando às musas da série feminina de maior frisson de todos os tempos, qual seria a sua aposta de quem é a garota mais Sex And The City? Pois a resposta está documentada, publicada e distribuída pelo mundo todo: Kim Cattrall, a Samantha Jones. A afirmativa pode revoltar as fãs de Sarah Jessica Parker, que interpreta a carismática Carrie (protagonista da série), mas fica difícil competir com sua colega loira e voluptuosa, senão vejamos...
De largada, Kim perde pontos perante as colegas de série: nasceu na Inglaterra (só se tornou cidadã novaiorquina aos 16), mas essa é a única “mancha” no currículo da moça, que acumulou ao longo da carreira duas indicações ao Globo de Ouro e uma ao EMI. Kim pode não ser na vida real a ninfomaníaca voraz da série americana, mas é sem sombra de dúvida a que mais entende de sexo. Tanto que escreveu um livro ricamente ilustrado sobre o assunto e com o emblemático título de “Satisfação – A Arte Do Orgasmo Feminino”. Convenhamos que é preciso muita personalidade para uma figura pública escancarar aos quatro ventos a forma de sexo oral que mais aprecia ou a massagem anal que mais recomenda. Kim não parece muito incomodada em ter sua privacidade jogada às favas, pelo contrário, ela mesma se abre (literalmente) com suas leitoras para dar dicas de como chegar ao nirvana sem escalas. Acompanhe agora as informações privilegiadas (e nada confidenciais) mais curiosas de Kim:
• Até 1997, Kim levava uma vida sexual insatisfatória, ou, nas palavras da própria atriz, ela se convenceu “de que simplesmente não era uma mulher tesuda”. Uma declaração que seria por certo contestada por inúmeros admiradores ao redor do mundo. Essa situação era, logicamente, incompatível com a personagem que passou a interpretar a partir de 1998, ou seja, Kim teve de trazer Samantha Jones para sua vida e não o contrário. Aliás, a personagem a inspirou tanto que Kim tornou-se escritora especialista no assunto.
• Botar a boca no trombone (sem duplo sentido, OK?) é essencial: “se você está sexualmente insatisfeita, diga alguma coisa. Se não o fizer, sua decepção vai se agravar e trazer mais problemas”. Em suma: fingir que está tudo bem em um relacionamento sexual morno ou frio é dar de comer à própria frustração. E ela só cresce.
• Segundo Kim, “a técnica sexual é como a musical (...) Toque música com seu amor. Toque a canção preferida dele, ou dela, e ela se tornará também a sua favorita”. Apesar de ser um conselho um tanto vago, não se pode negar que sexo exige ritmo.
• O estímulo da língua no clitóris varia de mulher para mulher quanto ao sentido do movimento: algumas preferem mais o sentido horário, outras o anti-horário. Kim não explica o motivo. Talvez isso tenha a ver com o local onde acontece o sexo ou o país natal dos parceiros. Confuso? O fato é que no hemisfério sul a água desce pelo ralo no sentido horário, e no norte no anti-horário. Como mulheres, fluídos e marés têm muito a ver, essa é uma especulação que pode não ser tão estapafúrdia quanto parece.
• Kim sugere um método de estimulação oral que batizou de Turbolíngua: ele tem por principal orientação o passeio estratégico do músculo mais poderoso do corpo (sim, a língua) pelo clitóris, com variações de pressão, velocidade e trajetos. O principal movimento é o do desenho de um “8” sobre o clitóris, permanecendo a ressalva de que há mulheres que o preferem em sentido horário e outras em sentido anti-horário. Na verdade, não é tão simples de movimentar a língua tracejando um “8” em terreno liso, de revelo irregular e em constante movimento. Bom, pelo menos a Kim poupou a macharada de um trajeto com o desenho da pista do circuito de Monza.
• Kim sugere que se faça, nas palavras dela, uma “conversa” com o clitóris: “... esperar que o clitóris se agite, fazer um círculo (com a língua) em torno dele, esperar por outro repuxão, fazer outro círculo e assim por diante”. E quem foi que disse que homem não gosta de discutir a relação?
• Sim, o Ponto G existe, Kim garante, só esqueceu de dar o endereço. Tem ilustrações com um ícone em sugestivo formato de sorriso sinalizando a região aproximada de localização, mas sem muita precisão e ficando com cara de “é mais ou menos ali”. Porém, a escritora deu uma pista: ele é “a área mais sensível dentro dela (vagina)”. Valeu, hein, Kim.
• Multi-estimulação é o canal. Kim propõe penetrações de três dedos na vagina, um no ânus e a língua no clitóris, tudo ao mesmo tempo e com movimentos simultâneos. E ainda que o mancebo faça perguntas (talvez por mímica, já que a boca estará ocupada) para saber se está tudo bem, do tipo “está legal?”. Uma resposta interessante poderia ser: “olha, o dedo mínimo deveria penetrar mais, o anular precisa de mais movimentos de vai-e-vem, o médio pode se mexer para os lados, o indicador bem que poderia tocar o meu Ponto G e a língua faria mais sucesso descrevendo um “8” em sentido anti-horário”. E caberia ainda um arremate: “ah, e esse polegar aí, tá fazendo o que parado?”.
• Kim contra o nojinho: “Instantes antes da ejaculação, ele pode retirar o pênis e subir-lhe até a boca: ela perceberá e o estará esperando”. Sim, é isso mesmo que você entendeu, Kim garante que mulheres “adoram essa manobra e a querem bem rápida, para receberem na boca os jatos de esperma – assim como ele, em outro momento, absorveu parte de seus líquidos vaginais”. Parece uma troca justa. Mas as fãs da série que se identificam com a Charlotte York devem ter corrido para o banheiro ao ler isso.
O único ponto em que Kim fica devendo é justo na penetração. Tudo bem explicadinho, com desenhos elucidativos, só que carecendo de novidades ou técnicas que não se tenha ouvido falar antes. Mas tudo bem, isso não tira os méritos de Kim, que se mostra realmente uma grande praticante da arte (aliás, o mote do livro é de que você pode ser um “artista”). Ela faz jus ao seriado e ao filme de ostentarem o título de Sex And... Sex And... Sex And O Que Mesmo?...


Mario Lopes

sábado, 14 de junho de 2008

EU VIVO NO SEX AND THE CITY
É engraçado como cada mulher um dia já se identificou com uma das personagens do Sex and the City. O quarteto que ficou famoso por mostrar um pouco do mundinho feminino e assumir que mulher gosta de sexo, sente falta de sexo e conversa sobre sexo é bem quisto pelos olhos femininos e, geralmente, assusta os homens. Acho engraçado os homens acharem que mulher não pode demonstrar que gosta de sexo e quando demonstra eles a tacham de vagabunda. Lógico depois de usufruírem do libido da moça. Estamos em pleno século XXI e todas as mulheres já tiveram, ou ainda estão, na fase Samantha Jones (Kim Cattrall). Que mulher, não importa a idade, nunca questionou seu relacionamento e se encantou por algum homem (mas este encanto não é sentimental e sim carnal)? A diferença que as mulheres se encantam mas, na maioria das vezes, são sérias e terminam o relacionamento antes de desfrutar do encantamento e os homens se preocupam em ficar com as duas. Isso foi apresentado na parte de Miranda Hobbes (Cynthia Nixon). O marido dela, depois de meses sem usufruir dos prazeres carnais com sua esposa (por culpa dela que só pensa em trabalhar) entra em crise e tem uma noite com outra mulher. Isso é bem comum e qual de nós já não deixou o namorado, noivo e marido na mão (com o perdão do trocadilho) por estar cansada ou preocupada com a vida profissional?
E a Charlotte York (Kristin Davis) que representa nosso quinhão romântico. Quem de nós nunca sonhou na vida perfeita? No homem perfeito? Está certo que acho ela muito chatinha mas eu também sonho com o marido e casamento perfeito!
Para terminar o quarteto, Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker) que é uma mulher independente, bem resolvida profissionalmente mas que é burra e gosta do Mr. Big (Chris Noth). É por causa dela que homens propagam que “mulher gosta é dos cafajestes”. Durante um período da minha vida me identifiquei muito com essa personagem. Ela ficou anos com o Big e ele acabou terminando com ela por outra mulher (que mulher nunca passou por isso?). A minha identificação por ela acaba aí.. depois de 10 anos de idas e vindas e de dois casamentos frustrados o Big descobre que gosta dela e acabam ficando juntos. NESSA HORA JÁ TIVE VONTADE DE MORRER! QUE MULHER BURRA!! Para piorar ela acaba marcando casamento com ele que a deixa no altar. AI É PRA NUNCA MAIS! Depois de um tempo ela dá outra chance e eles casam no cartório e para acabar com um vestido bem simples. É O FIM! Depois que assisti esse filme muita coisa mudou em minha vida..como se tivessem me contado que Papai Noel não existe! Pensem comigo.. ela casa com um homem que já a abandonou por milhares de vezes, que largou ela para ficar com outras, é deixada no altar e ainda abre mão do casamento dos sonhos para casar num cartório. Foi chocante! Que bom que é um filme e não o retrato da minha vida, rs...
Enfim, cada uma de nós tem um pouco ou já teve de cada uma destas personagens! Por isso devemos viver ao máximo cada momento de nossas vidas. Principalmente para saber criticar os momentos de burrice, rir deles e saber avaliar as sábias decisões!
Josiany Vieira

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sem essa...








Sem essa. No princípio era Eva, hoje é a Carrie do Sex and the City. O que vem a seguir? Mulheres sendo vendidas em uma prateleira de supermercado? Com etiquetas de “Informações Nutricionais: cada porção de 50 quilos do produto contém...”?






O protótipo da mulher ideal ou doutrinas de comportamentos exemplares vêem sendo pregados há tempos: a primeira da lista - Eva aparece na Bíblia como um ser inferior ao homem. Segundo a narrativa bíblica, foi Eva quem levou Adão a sucumbir à tentação e perder o paraíso; mais tarde, através da imagem da virgem Maria, a Bíblia também configurou a mulher ideal. Foi a partir dela que se gerou toda a estrutura do sexo feminino considerada correta e que de certa forma se mantém inalterada até os dias de hoje. Mãe, companheira e boa esposa, ela é o molde perfeito para qualquer mulher, para todos os tempos... “Disse, então, Maria. A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque atentou na humanidade de sua serva; pois eis que, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada.” (Lc 1, 46-48); outra personagem bíblica com forte relevância é Maria Madalena, a santa prostituta. Tratada sempre pelos escritos bíblicos como uma mulher dotada de “espírito maligno”, nela se faz explícita toda a cultura patriarcal dominante - Madalena é a mulher que precisa ser silenciada, ainda que seja a custa de pedras que a soterram no episódio da lapidação. Depois da bíblia vieram outros livros, de história ou literatura; depois os jornais em 1800 e bolinha que veiculavam matérias que nada mais eram que projetos civilizadores divulgando normas de condutas elitistas; hoje é a revista Nova com os conselhos voltados à mulher moderna... “Siga nosso incendiário roteiro e atinja ao orgasmo em 12 minutos”. Tenha santa paciência. Será que isso não terá fim? C-h-e-g-a!!!






Dentre a lista do ideário feminista, além das questões de direito civil, estava à questão da opressão pela cultura masculina, a intenção de revelar os mecanismos psicológicos dessa marginalização e de projetar estratégias capazes de proporcionar às mulheres uma liberação integral, além do corpo e dos desejos. Tudo muito nobre, mas, será mesmo que a mulher, que viveu no auge do movimento feminista, entrou no mercado de trabalho puramente pelos ideais ou talvez este fato se devesse à pobreza, à preferência dos patrões por operárias, por essas serem mais baratas e mais ‘boazinhas’ ou então, simplesmente por causa dos apavorantes massacres de homens nas grandes guerras? Difícil dizer os reais motivos, fato é que as mulheres invadiram o mercado desde esta época e, hoje, estão aí, ocupando diversos cargos e atuando em tantas profissões. Mas, e toda a questão da opressão foi esquecida? Todos os dias revistas estampam falsa liberdade, ditam condutas e valores. A mídia mostra a forma ‘certa’ de se vestir, diz quantos quilos a mulher deve pesar, ensina como se maquiar, como transar, como conquistar o homem perfeito etc. Igualzinho aos jornais de 1800 e bolinha. Simone de Beauvoir, coitada, deve se revirar no caixão quando as revistas femininas chegam às bancas.






Enfim, pro inferno com todas estas classificações e estereótipos e ideais da imagem da mulher. Morte a todos aqueles que acham que a mulher deve ser feminista ou deve ser dona-de-casa e mãe de família, que ela deve ser isso ou aquilo. Morte as fórmulas e aos modelos (inclusive ao meu modelo – que, de certa forma, estou defendendo aqui neste texto).






E... Viva la Revolución!!! A revolução verdadeira, aquela onde todos os padrões são derrubados, principalmente os internos e os do ego. Que as verdade e mentiras sucumbam diante dos olhos e que você, só você, seja capaz de ditar suas próprias regras. Sem máscaras, sem pudores, sem medos e sem hipocrisia. Alguns dirão que tudo isso não passa de utopia. Quem sabe?! ... Mas, como diria Mario Quintana...






"Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo..."







Mônica Wojciechowski

quinta-feira, 12 de junho de 2008


Saia da caixinha

No filme Sex and the City muitos sentimentos foram vividos e sofridos. Sofridos desnecessariamente se as personagens tivessem uma ótica diferenciada. Ou seja, a visão do outro. O mais conhecido, “fora da caixinha”.
Amor/Casamento/Lealdade/ Traição
Na vida e, acredito que muito mais no casamento as coisas devem ser vistas, ou ao menos tentar ser analisadas pela ótica dos dois lados. Já que agora além de você ter a sua vida que nunca deve ser deixada de lado, tem a vida da outra pessoa que deve ser levada da mesma maneira e ainda tem uma terceira vida que é a vida do casal. É importante ressaltar que cada um tem a sua história, cada um teve a sua educação e que por isso em alguns aspectos o casal pode pensar de maneira distinta.
O necessário é sair da caixinha para se viver bem. Nada na vida é unilateral, então não temos que pensar que a opinião e a visão de um dos lados corresponde à verdade absoluta.
No filme Sex and the City exemplifica isso bem em duas partes:
O enredo do longa-metragem gira em torno do casamento de Carrie, personagem de Sara Jéssica Parker. Matrimônio unilateral, pois Big seu namorado a ama, mas acredita ser um ritual desnecessário, talvez por ele já ter passado por alguns casamentos e não ter alcançado o sucesso. O fato é que ela quer casar e esse sentimento é tão forte que a cega, deixando-a dentro da caixinha e assim ela não consegue percebe o sentimento e a vontade de seu parceiro em relação a isso. E assim o trama da película se desenrola e a sua frustração é patente, até que ao ler sua reportagem na revista ela percebe que o casamento não ocorreu, pois ela estava casando sozinha, sem dar a devida atenção a opinião do seu amor sobre aquele acontecimento.
Outro bom exemplo da fita sobre viver dentro da caixinha e não enxergar nem um palmo a frente do nariz é o de Miranda, Cynthia Nixon.
Mulher casada que só vê o filho, o trabalho, a casa e tudo o que tiver de responsabilidade a seu redor, menos o pinto do marido, digo, o sentimento do seu conjuge. Depois de meses sem dar-lhe atenção entre quatro paredes, ele passa uma noite com outra mulher e claramente arrependido confessa seu ato, dizendo que agora tem a certeza do quanto a ama e do quanto ela é importante para ele.
Dentro da caixinha Miranda não consegue perceber que a responsabilidade deste ato de seu esposo é sua, já que o abandonou. Usando calcinhas e roupas sem graça em casa para ele. Agindo como se o amor dos dois não tivesse que ser vivido. Como se não existisse, sem dar-lhe o devido valor.
Por isso acredito que sempre devemos tentar ao menos tirar o foco do probelam do nosso umbigo e colocar no umbigo do outro, pois quem sabe assim a visão do ângulo mude e você possa ter uma solução para o que te apetece.
Claro se tudo isso fosse seguido ao pé da letra não teríamos uma história tão interessante no filme Sex and the City, mas, e você já percebeu, fazendo uma retrospectiva, que errou em alguma situação por estar dentro da caixinha?


Faça o teste de Quem é você no Sex and The City:
http://editora.globo.com/pesquisas/quiz_marieclaire_030608.htm

Verônica Pacheco

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Sex and the City e o imaginário feminino

Fiquei algumas semanas "por fora" do Desaforadas por motivos completamente involuntários, mas, finalmente retomei o ânimo e cá estou pra comentar Sex and the City - The Movie. Vi o filme no domingo com a sessão absolutamente lotada no Artplex. Casaizinhos, muitas mulheres e bees. É impressionante o poder de identificação que um ícone da cultura pop é capaz de produzir. Eu nem deveria me impressionar com isso, afinal, a série foi um fenômeno de audiência mas não achei que além dos fãs da série a coisa fosse atingir esse patamar. O seriado tinha bons momentos, apesar de o final ter sido muito "cinderela" para o meu gosto.

Aliás uma amiga minha, Márcia Messa defendeu uma excelente dissertação de mestrado sobre SATC (vocês podem ler a dissertação aqui) analisando justamente as reconfigurações da imagem feminina na recepção das fãs/espectadoras do seriado. Mas voltando às vacas frias acho que no filme houve um exagero em algumas características que acabaram no meu entendimento causando uma certo "surto" nas personagens que me soaram mais histéricas do que durante todas as temporadas. Então, vou fazer meu papel de advogada do diabo e dizer que apesar de ter gostado, achei o filme fraco em relação ao que ele poderia ser caso durasse menos tempo e expandisse as temáticas da série e não as concentrassem, achei que passaram um tanto no tempo. Pensei em alguns prós e contras.

Alguns pontos negativos:

1) a trilha sonora: como obcecada por música, achei a trilha muito ruim, sério mesmo,as músicas não foram bem escolhidas, não há canções marcantes;
2) o exagero do casório de Carrie: tudo bem que é só um filme ficcional, mas sinceramente se eu fosse o Mr. Big tb sairia correndo daquele casamento, achei que até para Carrie estava um tanto over aquela cerimônia, apesar do magnífico vestido da Vivienne Westwood. Mas isso não justifica o que Big fez. De qualquer forma era o plot do filme... rs
3) Charlotte: eu nunca simpatizei muito com a personagem, mas achei que no filme ela estava especialmente chata e maniática.
4) A falta de amigos hetero: O que sempre me incomodou um tanto na série e no filme eles extenderam isso é o fato das quatro não terem nenhum amigo heterossexual. Acho isso um erro impecável, pois mostra um conflito de gêneros um tanto quanto desnececessário. Eu por exemplo tenho uma série de amigos heteros que sempre estão lá quando eu preciso de conselho, bater papo, etc. não gosto da supervalorização da amizade feminina em detrimento à masculina.

Os pontos positivos:
1) Amizade: esse pra mim é o ponto central da série e do filme. Ao ver o filme, lembrei muito do meu melhor amigo que tantas vezes me acolheu em casa quando eu ia choramingar devido a algum namoro desfeito e ficávamos horas vendo vídeos do ABBA, Madonna e outros tantos. Também lembrei muito das minhas amigas lá de Poa que estão há tanto tempo em minha vida. Já passamos poucas e boas juntas e sei que posso contar com elas forever and ever. A amizade é sim uma forma de amor e das mais nobres. Amigos estão lá pra te dar a real, pra sofrer e amar, torcer e xingar contigo. Sem dúvida as personagens de SATC prezam a amizade.
2) NYC: que NYC é tudibom isso creio que não há um ser no planeta que discorde (rs, brincadeira)
3) Os modelitos: mesmo com o megaover excesso de merchandising ainda achei as combinações e tudo mais uma excelente amostragem. Ok, que poucas pessoas conseguem andar tão "montadas" o tempo todo, mas tem coisas muito legais para serem vistas ainda mais considerando que o filme é entretenimento e não "cabecice" do Glauber Rocha e nesse ponto ele cumpre sua função. E até eu que não tenho a menor intenção de usar vestido de casamento adorei o Vivienne Westwood - que caso money eu tivesse p/ comprá-lo de preto tingiria hahahahah (eu não gosto de vestidos brancos). Assim como o teórico Collin Campbell também não consigo "engolir" a análise marxista do consumo, prefiro a idéia da subjetividade e das apropriações românticas, em certa medida mas menos "policialescas" e vigilantes dos atos de consumo. Mas é melhor eu parar com a digressão teórica... rs
4) O Escapismo: como falei anteriormente, se há algo que SATC consegue é proporcionar muito bem um "escapismo" do cotidiano ao mesmo tempo em que gera relações de identificação. E é óbvio que todo mundo vê que as quatro amigas são estereótipos e não modelos de conduta, mas a partir desses estereótipos se estabelecem as relações de interpretação. O interessante mesmo é o somatório das quatro como uma perceção de um determinado tipo de figura feminina no processo histórico, ou seja, não que elas sejam o exato retrato de uma geração, mas sim possuem alguns elementos que remetem determinadas mulheres à sua relação consigo mesmo e com a sociedade da qual fazem parte. Eu por exemplo, não me vejo em nenhuma das quatro, mas consigo ver alguns elementos de cada uma em alguns períodos da minha vida e da vida das minhas amigas, talvez essa coisa meio fluida e tênue é que gere maiores ou menores identificações ou mesmo aceitações ou resistências por parte das consumidoras de SATC. Só por isso ele ja se apresenta como um interessante produto midiático que está além da superficialidade que muitos críticos lhe atribuem é também nisso que reside seu valor social.

Para encerrar, eu me diverti no filme mas como falei antes alguns plots ficaram um tanto furados.

LadyA.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Quatro por todas. Todas por quatro.



Quatro mulheres tagarelas, instáveis, complicadas, consumistas destronaram os maiores heróis da história do cinema. Nada de Indiana Jones, O Homem de Ferro e O Amigo Da Noiva. A verdade mesmo é que a nossa realidade, de nós, super mulheres, aguça cada vez mais a curiosidade de todos. Podem se sentir poderosas, minhas caras.

Por que, uma década depois de criada, Sex and the City ainda é um fenômeno? Provavelmente por ter sido a primeira, e ainda a única, série que mostra como as mulheres são – ou pelo menos como elas se vêem e gostariam de ser. Milhares de mulheres no mundo reconheciam a si mesmas ou a alguma amiga, prima ou vizinha. Que mulher desta geração não se viu, em alguma fase da vida, questionadora como Carrie, romântica como Charlotte, sarcástica como Miranda ou caçadora como Samantha?

Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha viraram ícones num momento em que as mulheres buscavam novas referências, passada a época da dedicação à família e a revolução dos sutiãs queimados. Nem tanto o fogão, nem tanto a selva do mercado. Daí a paixão sem fim por personagens que, ao mesmo tempo, pagam as próprias contas, correm atrás do amor e não sentem culpa por gastar uma fortuna num par de sapatos. Essa é uma geração de mulheres que querem viver suas próprias fantasias. Solteiras, namorando ou casadas, querem ser donas de suas próprias vidas. Querem amar os homens que escolherem e comprar as roupas que quiserem.

As protagonistas de Sex and the City são ícones de um pós-feminismo que acreditam que os direitos da mulher

já estão garantidos e que é hora de ir atrás dos sonhos individuais. E vamos todas atrás disso, com pressa e sem medo de ser muito feliz!

Juliana Zattoni é uma publicitária superfashion, mora em São Paulo e é Desaforada X

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Sabadão algumas desaforadas foram ao cinema assistir o filme fashion mais esperado do ano..
O tema da semana é: Sex and the city.

Simplesmente amei o filme, ouvi muitas críticas ao filme blockbuster, império do consumo, futilidades... enfim o filme é show!
Já era fã da série que mostrou ao mundo, o mundo das mulheres do século XXI, dei altas risadas e com direito até lágrimas... sim gente, borrei meu rímel!
Mesmo quem não acompanhou a série dá para entender tuuuudo!

O filme é um desfile de figurino, sapatos e marcas...
Completamente o império do consumo, o sonho de milhões de mulheres rsss
O filme continuou com o clima da série... para quem não conhece vá na locadora e veja a série toda. São 6 temporadas os capítulos são curtinhos apenas 30 minutos.

Elas são as poderosas:

É a versão da segmentação do mundo feminino... 4 mulheres diferentes em tudo, estilo, trabalho, gostos, relacionamentos, sonhos, sexo...
Lembrei do desenho animado as Super Poderosas, Três espiãs demais que também exploram esta segmentação onde o público se identifica com um dos personagens.

“As poderosas” na série mostraram ao mundo o que as mulheres pensam, fazem e fofocam quando estão juntas. Discutiram diversos temas indo muito mais além do sexo na cidade, como o câncer de mama, crises existências, moda, trabalho, filhos, casamento, livros, desfiles, vibradores, tamanho é documento sim rssss

Resumex do filme:
Carrie agora está mais poderosa, ganhando seu dinheiro, contratou até uma assistente pessoal, mas na mesma novela com Mr. Big.
Miranda continua a mesma workholic total, crises no casamento e a novela com o Steve.
Charlotte a romântica dona de casa feliz com sua nova filha e Samantha continua poderosa aos 50 anos vivendo sua estória de amor com seu gato Smith, mas sempre querendo algo...
Bemmmmm, um algo a mais como o seu vizinho Dante(Gilles Marini o mocinho da foto ao lado) eu também ia querer rsss
Que bundinha linda!!!!!
Vale a pena conferir as cenas mega caliente do moço e o seu banho ahhh que banho!!!!
Eu procurei algumas foto deste banho, mas infelizmente não achei.

hahahah não vou contar mais...

O filme tá show e moral da estória não é o mundo fashion, o casamento, o príncipe encantado, sexo.... e sim a amizade delas que é contagiante!

Quatro amigas inseparáveis! Para todos os momentos!

E vc com qual personagem se identifica mais?
Carrie, Charlotte, Miranda ou Samantha.

Bem, eu sou um mix de todas depende do dia, do humor, da situação... e vc?

Bjks Ale

domingo, 8 de junho de 2008

A Bolsa e a Vida
Hamid limpava o fuzil com um pedaço de estopa sem dar muita atenção ao que Ahmad e Karim conversavam em pé nos dois lados da mesa. Ficou ali, sentado no canto da sala, fazendo-se de desinteressado, esfregando o aço e tentando avistar o brilho de seu trabalho sob a frágil luz de 40 watts: detestava aquele ambiente soturno, mas Ahmad garantiu ser melhor para oprimir rebeldes e estrangeiros impafiosos. Só gostava de seu trabalho por causa do opulento traje ocre (embora preferisse o antigo verde-oliva) e de poder ficar sentado por muito tempo sem ser incomodado. Preferia também o turbante ao quepe de lona, que se desequilibrava de sua cabeça suada pelos 35 graus à sombra daqueles dias. Pensava em como seria capturar um passageiro que fugisse com uma mala cheia de drogas: uma mão no quepe, outra no fuzil. Não daria certo. Mas poucas vezes capturaram um traficante nos vôos, porque a pena era dura no Azberiquinistão: uma mão decepada. Nunca viu a sentença ser executada à sua frente, porque só era levada a cabo nos porões da fortaleza de Cabulid, que no passado foi reduto de resistência às forças opressoras do Ashmed, grupo financiado pelo ocidente e ativo opositor ao regime. Hamid não entendia bem o que Ahmad e Karim conversavam, então preferiu abaixar a cabeça e concentrar toda a sua atenção e carinho em seu AR-15. Não levantou-a nem quando Ahmad socou forte a mesa.
- Estou avisando, Karim, é um batom.
- A mulher apontou e disse “manteiga de cacau”. O que é isso?
- Não importa.
- E é branco.
- Karim, lembra de quando aquela norueguesa desembarcou aqui com um batom verde? Ele não era material de desenho, Karim! Não! Ao passar na boca não ficava verde, e sim vermelho!
- Tem certeza?
- Sim.
- E se passarmos este nos lábios para testar?...
Ahmad olhou o colega com desconfiança. Karim se sentiu ameaçado e constrangido.
- Foi só uma idéia.
- Este artefato não deve ser o único. Abra a bolsa.
Karim relutou por meio segundo, tempo suficiente para Ahmad se impacientar com sua hesitação.
- É nossa função, homem. Acostume-se logo com isso.
Apesar de novato, Karim sabia o que custava a insubordinação desde que o regime deixou de ser laico, como também tinha noção de que a operação padrão não pressupunha qualquer discrição ou preservação da privacidade alheia. Deslizou o zíper abrindo um vão misterioso e desafiador na bolsa preta. Colocou a mão lentamente em seu interior, parecendo temer tocar o que não devia, apesar de não ter nem idéia do que poderia encontrar. Tirou um estojo plástico retangular, de cor rosa. Ahmad o interpelou com os olhos, parecendo dizer “abra-o!”. Karim obedeceu em silêncio. Ahmad esticou o pescoço para ver o que havia em seu interior: um sabonete, também de cor rosa.
- Aproxime do nariz.
Karim cheirou-o, fazendo ar de aprovação, o que irritou ainda mais Ahmad.
- As mulheres do ocidente costumam se masturbar com este objeto.
- Mas é só um sabonete.
- É o que parece! Mas elas o usam de outro jeito em duchas e banheiras de motel.
- O que é motel?
- Um lugar com camas, só que as pessoas não dormem.
Karim continuou a apreciar o sabonete em sua mão, parecendo ainda não entender. Ahmad então virou-se, abriu uma gaveta no enferrujado armário de ferro e retirou de dentro dela uma pasta preta, fechada por elásticos. Jogou-a ao lado da bolsa e abriu para o colega, tirando um envelope de seu interior.
- Veja.
Karim deixou o sabonete sobre a mesa, abriu o envelope manchado de gordura e passou a ver fotos de sabonetes em formato de pênis.
- De onde conseguiu isso, Ahmad?
- Temos nossos informantes. Dizem que vendem pela Internet.
- Elas... se lavam com isso no ocidente?
- Não! Elas “usam” isso. É diferente.
- E se tivesse algum propósito de higiene íntima?
Ahmad arrancou com força as fotos das mãos de Karim.
- Karim, elas chegam a fazer chocolates nesses formatos.
- Chocolate é aquele doce marrom?...
- Sim, aquele com substâncias que incitam as mulheres.
- Eu encontrei na bolsa de uma holandesa.
- Confiscou?
- Não. Ela o comeu antes que eu pudesse tomar de suas mãos.
- Pervertida!
- Mas o chocolate tinha formato de palito. Esses que parecem pênis devem ser feitos por prostitutas.
- Não! Sabemos que mulheres normais fazem isso.
- Mulheres que cuidam da casa?
- Sim. Fazem em família. E vendem para pessoas de família.
Karim arregalou os olhos surpreso pela revelação. Ahmad então fez um aceno de cabeça para que continuasse a exploração na bolsa. O colega tirou dela uma caixa de lenços de papel. Pensou em pegar um para enxugar a testa suada, mas temeu ser outro artefato demoníaco.
- Lenços?
- É o que parece. Mas cheire-os.
Mesmo temeroso, Karim aproximou o rosto lentamente e sorveu o aroma. Sentiu a lavanda impregnar suas narinas. Deu de ombros como que sem entender o que poderia haver ali de perigoso.
- São lenços umedecidos. Úmidos. Entendeu?
Karim temia dizer que “não”, mas também não se sentia à vontade para dizer que “sim”.
- São usados na cópula para limpar o sêmen.
- Não seria para assoar o nariz?
Ahmad se impacientou e tomou a caixa das mãos de Karim.
- Faremos um exame de laboratório e você verá. Karim, somos o controle, o filtro do aeroporto de Pakshir. Não nos cabe ser ingênuos. Lembra da vez em que um homossexual quase entrou em nosso país?
Karim balançou a cabeça admitindo recordar.
- Jamais desconfiaríamos, se um dos fiscais não tivesse reparado que ele usava brinco. Continuemos a investigação.
Novamente a mão de Karim se infiltrou na bolsa, retirando dela uma escova de dentes.
- Uma escova de dentes.
- É o que parece.
Karim a olhou de novo, tentando localizar qual componente de sua estrutura poderia ser danoso. Antes que pudesse levar o objeto até o nariz para cheirá-lo, Ahmad o pegou para si, virando-o com as cerdas para baixo e deixando o corpo em riste.
- Entendeu agora?
Karim procurou por Hamid para trocar um olhar de cumplicidade em sua ignorância, mas o colega desviou a atenção para seu AR-15 sem querer se comprometer.
- Karim, é um objeto fálico. Há relatos de mulheres no ocidente flagradas fazendo uso de colheres, garrafas de refrigerante e até de cabos de vassoura. Entendeu agora?
Karim fez que sim com a cabeça.
- Andei sabendo que há até mesmo escovas elétricas. Vibrantes, entendeu?
Ahmad tremeu seu corpo e sacudiu a escova para explicar com maior didatismo ao colega.
- Continue.
Novamente a mão de Karim mergulhou na bolsa, tirando agora um tubo de desodorante.
- Está vendo, Karim? As revelações não param.
Curioso, Karim fez uma inspeção visual no tubo.
- Cuidado! Não aperte.
Karim resolveu manter o silêncio para encobrir sua completa falta de malícia sobre aquele produto.
- Elas se perfumam e nos seduzem com isso. Se você borrifar teremos problemas. Tem uma substância chamada... fedormônico! Isso, fedormônico. Entra por nossas narinas e nos torna tolos, querendo sexo. E nós três aqui, com esse cheiro... não sei, melhor garantir.
Ahmad desviou o olhar do colega, querendo evitar embaraços. Sem esperar nova ordem, Karim voltou a vasculhar o fundo da bolsa com a mão. Tirou desta vez um pacote de absorventes. Ahmad suava sem se saber se era de calor ou de ira.
- Olhe. Parece a cartola do demônio.
- O que é?
- Elas usam para estancar seus sangramentos.
- Os mensais?
- Esses.
- Mas por que não usam panos como nossas mulheres? Isso parece papel.
- Porque esses têm cheiros, e têm florzinhas desenhadas, pegue um.
Karim tirou uma unidade de dentro do pacote. Observou novamente sem entender, segurando o leve artigo de higiene íntima com as pontas dos dedos. O modess balançou como um pêndulo obsceno, apontado pelo dedo delator de Ahmad.
- Elas ficam mais limpas para facilitar o ato. Não se cansam de copular nem nos dias em que a natureza pede trégua.
Para não contrariar, Karim acenou positivamente com a cabeça. Voltou a contemplar o interior da bolsa. Agora, tirou de uma só vez um punhado de objetos: escova de cabelo, colírio, comprimidos para enjôo, embalagem de isopor com metade de um sanduíche, balas e um tubo de creme para as mãos. Ahmad contemplou o conjunto com ar de repulsa.
- Está vendo, Karim? Está vendo?
Karim não tinha como dizer que não. Só não sabia se estava vendo o mesmo que Ahmad.
- Karim, precisamos estar muito atentos. Temos à nossa frente um arsenal, Karim. Um arsenal. Se você soubesse o que elas fazem no ocidente...
- O que fazem?
- Elas vestem botas pretas longas para atiçar a sanha de seus maridos; nadam com as pernas para fora da água, abrindo e fechando, abrindo e fechando, e chamam isso de esporte; passam tanto tempo na Internet que até viram doutoras no assunto.
- Lá a Internet não é proibida para civis?
- Não, Karim. E é liberada até mesmo para mulheres.
Karim ficou tão atento à explanação do colega que quase não se deu conta de que já estava abrindo uma bala tirada da bolsa.
- E não é só, Karim, muitas dizem que são românticas, meigas, carinhosas, amorosas mas não se preservam e quando se casam já estão violadas!
- Mas os maridos as devolvem?
- Não! Não! Elas mandam em tudo. Tem até países com mulheres no poder.
- Quais?
- Na América do Sul. O Chipre. Faz fronteira com o Brasil.
Karim volta a vasculhar a bolsa.
- Ainda tem muito por aqui.
- A mulher tem uma conexão?
- Conexão de vôo?
- Sim.
- Não. Ficará em Pakshir mesmo.
- Então que espere.
- Certo.
- Ei, você me disse que ela veste uma burca.
- Sim, mas não completa. O rosto fica aparecendo.
- Então tem tudo para ser uma pervertida mesmo. Pode até ser uma espiã disfarçando-se como uma de nossas mulheres.
- Pode sim.
- Vamos a nossa missão. Alguém tem de fazer o trabalho sujo.
- Eu vi essa frase em um filme.
- Você anda vendo filmes?!
A dupla se encara e silencia, decidindo cessar diplomaticamente a conversa, já que ambos dispararam sentenças comprometedoras. Voltam-se então à bolsa feminina, continuando a operação que já invadia o horário de almoço de Hamid. Conformado, encostou o fuzil na parede e foi até a caixa de munições, pegar algumas pistolas para lubrificar e assim disfarçar a rebeldia do estômago.
Uma hora depois, Hamid levava a bolsa até sua dona, sentada impaciente no saguão do terminal aeroviário de Pakshir. Depositou o objeto em seu colo e lhe deu as costas para não ter de explicar nada. Mas a mulher queria que lhe dessem alguma satisfação.
- Ei, falo sua língua. Minha bolsa está vazia!
Ahmid parou e virou-se, já a uma distância que lhe exigia falar alto para se fazer entender.
- Não totalmente. Há algo que não confiscamos.
Hamid olhou ao redor para se garantir de que não estava sendo observado.
- Nós não sabemos a língua de seu país, mas eu expliquei a eles que você é uma religiosa.
Irmã Catarina então tirou surpresa de dentro da bolsa seu pequeno livro de capa preta e letras douradas em baixo relevo. Hamid concluiu.
- Então, deduzi que esta é a sua Bíblia.
Sensibilizada, a irmã acariciou a capa dura, parecendo incrédula com o ato. O oficial lhe deu um sorriso, retribuído por outro carinhoso da religiosa. Ao fazer um discreto aceno de despedida, a freira agradecida o fitou e beijou sua edição de bolso com contos do Marquês de Sade.



Mario Lopes

sábado, 7 de junho de 2008

Nem tudo se empresta




















Uma relação de amizade é quase como um casamento, requer confiança e cumplicidade. Ana e Paula eram assim. Amigas inseparáveis! Até que um dia elas resolveram sair juntas e a bolsa de Ana fez a amizade de anos acabar.

Paula telefona para Ana: Oi Ana tudo bem? Estou indo para sua casa me arrumar.
Ana: Venha Paula. Estou a sua espera. Já faz dois dias que não nos falamos. Quero saber da viagem
Paula: É verdade. Tenho muita coisa para contar..chego em um minuto
(minutos depois...)
Toca a campainha do apartamento de Ana. Ela abre a porta e dá um abraço caloroso na amiga como se não a visse há anos.
Ana: Que saudade de você! Que bom que terminou o evento de trabalho. Dois dias sem fofocar é muito,rs..
Paula: Amiga tenho tanto pra te contar. Eu conheci um carinha muito lindo. O nome dele é Pedro. Ele é moreno, alto, lindo (me empresa seu batom?)
Ana: Sim..pega na minha bolsa. E onde você o conheceu?
Paula: No jantar com os clientes. Conversamos durante horas (posso pegar aqui na sua bolsa do rímel? Nossa que bolsa linda é de coro? Você me empresta?)
Ana: Sim é de coro. Hoje não porque vou usar. E daí..conta mais sobre o carinha
Paula: Ele é advogado da matriz de São Paulo. Não vi aliança no dedo dele então parti pra cima (xi borrei.. vou pegar o lencinho umedecido aqui na sua bolsa).
Ana: Pegue!
Paula: Enquanto limpava o rímel borrada continuava: depois de algumas horas convidei ele para terminar a conversa no meu quarto do hotel. Ele me olhou com olhar fulminante, como se estivesse lendo a minha mente. O resto de conto no bar..vamos!
Ana: morta de curiosidade pegou as chaves do carro e foi o mais rápido possível para o bar. Ficou na entrada esperando sua amiga que foi procurar um lugar para estacionar
Dentro do bar elas pegam uma bebida e Paula continua... ele não respondeu nada e foi comigo ao quarto. Chegando lá ele entrou, sentou no sofá e quando fui beijá-lo. PQP derrabei bebida no meu colo. Ana você tem algo para limpar? Ana irritada, querendo saber o fim da história, abre sua bolsa e pega um lenço para a amiga.
(Paula limpa a calça).. e volta a falar. Então onde eu estava mesmo?
Ana: Na hora que foi beijá-lo
Paula: a é.. quando fui beijá-lo ele se afastou e disse: Querida você é muito linda, simpática, inteligente mas eu só vim até aqui para te dizer que sou gay e que quero a sua amizade.
Ana fica estática sem saber se ri ou chora. Até que ouve: - É amiga estou precisando de um homem. Será que você tem um na sua bolsa?
Ana indignada solta: O meu vibrador não empresto pra ninguém. Sua folgada!! E irritada parte pra cima da ex-amiga

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Bolsa de Mulher é sagrada....


— Alou...
— Oi, AMIGA. Que bom que você me ligou! Tou num congestionamento horrível, tava louca pra conversar com alguém.
— Pois é, menina. Muitas coisas pra contar. Na verdade tou meio pau da cara, sabe?!.
— Aff! Conta, amiga. Que aconteceu?
— Ontem quando sai do banho peguei o Zé Roberto no flagra... Mexendo na minha bolsa. Acredita? Quando entrei no quarto ele tava com a bolsa aberta no colo, as minhas coisas esparramadas pela cama e o meu celular na mão...
— Jura? O Zé? Não acredito... “Desquite” na certa, menina. Imperdoável. Fuçar na bolsa já é grave, agora, tirar as coisas dela e bisbilhotar no celular, nossa, não tem perdão. Cadeira elétrica.
— Pois é, amiga. Fiquei pasma, sabe? Poxa, sempre achei que o Zé era diferente, seguro de si, que confiava em mim... Tou arrasada. Sabe quando o príncipe vira sapo?
— Sei. Putz. Não sei nem o que te falar. Essa situação é como velório, nada que eu te fale irá resolver. E agora, amiga, o que você vai fazer?
— Não sei. Então, eu queria conversar, tomar alguma coisa, não quero ir cedo pra casa hoje. E... fiquei sabendo que está tendo uma super liquidação de bolsas no shopping... Já que o assunto é bolsa... Que tal, menina?
— Liquidação de bolsa? Aonde nos encontramos? Estou precisando de uma bolsa fúcsia, menina. Você acredita que me dei conta que não tenho uma bolsa fúcsia? Uma cor básica para bolsa e, eu não tenho.
— Fechado então. Te encontro no primeiro piso, ali na frente da Zara. Passeamos, compramos umas 3 bolsas cada uma e depois vamos pro boteco pra eu afogar as mágoas no teu ombro. Afinal, com as bolsas novas, tudo ficará mais fácil.
— Daqui 15 minutos chego lá. Beijo, queri...
— Beijo. Té já!


Mônica W.

quinta-feira, 5 de junho de 2008


O inseparável

Pedrinho estava ansioso para ir ao recreio, mas as tarefas no colégio teimavam em não acabar. A professora Ana, mais conhecida como tia Ana, explanava sua próxima lição para insatisfação de Pedrinho.
- Agora todos terão que dizer um objeto que viram na bolsa da mamãe.
Na hora Pedrinho começou a lembrar de uma ocasião que presenciou com sua genitora no banco.
Celular, chaves de casa, MP4, relógio, porta cartões, espelho, caneta, sombrinha, porta moedas e tudo mais que poderia conter algum metal que a impedisse de passar pela porta rotatória do banco, foi colocado na sextinha. Faltava apenas dez minutos para acabar o expediente bancário e nada de atravessar pela maldita rotatória. Era difícil de saber qual dos dois estava mais irritado, se o guarda ou Débora.
- Sombrinha, celular, chaves. - Sombrinha, celular, chaves. Era repetido infinitamente pelo guarda, tentando fazer Débora lembrar do que faltava tirar, daquele mundo, envolto por um coro de jacaré esverdeado chiquérrimo.
Contas a vencer naquele dia deixavam Débora sem pensar, provocando o tão conhecido branco que afugenta qualquer tentativa de raciocínio lógico. Até que, depois de muitas tentativas, ao apalpar a bolsa pela vigésima vez, eis que a mãe de Pedrinho encontra o objeto que não a deixava entrar no estabelecimento bancário. E ela sem nada para escondê-lo, nem um lencinho tinha na bolsa, para poder disfarçar seu constrangimento (erro gravíssimo - sete pontos na carteira). Ela tinha recém curado uma gripe daquelas, mas isso não justificava a falta de lenço na bolsa.
Para que o guarda a liberasse uns segundinhos depois das 16h ela deixou Pedrinho com ele dizendo que iria buscar um documento importante no carro antes de adentrar por lá.
- Filho, fica quietinho aqui com o guarda, pois a mamãe tem que tirar uma coisa que ninguém pode ver da bolsa antes de entrar.
Enquanto isso:
- Augusto sua vez.
-Carteira, tia.
- Samanta.
-Escova de cabelo.
- Lisandro.
- Escova de dente amarela, professora.
- Paulo.
- Presilha de cabelo, estilo rabicó.
- Samuel.
- Livro pequeno.
- Jaqueline.
- Um terço dourado bem bonito, profe.
- Evandro.
- O.B.
- Jussara.
- Remédio para dor de cabeça.
- Adriana.
- Uma figa.
- Tatiana.
- Um anel.
- Cláudio.
- Óculos de sol.
- Leandro.
- Um hidratante de camomila para as mãos.
- Cíntia.
- Um bloco de notas.
- Camila.
- A frente do rádio do carro.
- Marco.
- Uma necessaire.
- Sibila.
- Anticoncepcional.
- Diogo.
- Dinheiro.
- Anelise.
- Camisinha.
- Luiz.
- Baton vermelho, estilo gloss.
E assim eles foram sucessivamente relatando os objetos mais comuns aos mais bizarros que se pode imaginar. Até que Ana chama Pedrinho e ele já rosado diz não poder relatar o que tinha na bolsa de sua mãe. A professora insiste uma, duas, três vezes e Pedrinho fala:
- Profe. Eu não posso falar, pois o que tinha na bolsa da minha mãe era algo perigoso que ela não podia mostrar ao guarda.
A professora insiste: - Fale Pedrinho, nada que tenha na bolsa da sua mãe pode ser perigoso. Pode dizer.
Muito inseguro Pedrinho relata a história e no final comenta que para sua mãe querer esconder o objeto de metal do guarda só poderia ser uma arma. Mal sabia ele que era uma arma sim, mas a arma do prazer. O inseparável vibrador de Débora.
Situação constrangedora essa heim? Relembra a mãe de Pedrinho ao apalpar firmemente seu p.a. (pinto amigo).

Verônica Pacheco


terça-feira, 3 de junho de 2008

Conteúdo indispensável


Kit Maquiagem:
Corretivo, base, pó compacto, blush, sombra, rímel (incolor e preto); delineador para olhos, lápis, batom, gloss...

Necessaire:
Escova e pente de cabelo, escova e pasta de dente, creme hidratante (para rosto, mãos e corpo); filtro solar, reparador de pontas, amostras de perfume, absorvente, lixa de unha, pinça, grampos, presilhas...

Itens adicionais:
Celular, óculos de grau e de sol, carteira, documentos, cartões, chaves, guarda-chuva, remédios (se bem que há gente que carrega uma mini-farmácia), papéis, caneta, agenda, balas, chicletes... ufa!

Esta lista poderia ir ainda mais longe, mas resolvi parar por aqui... rs

Confesso que às vezes fico abismada com a capacidade de nós mulheres de carregarmos tantos cacarecos. O que é pior: não usamos sequer a metade deles. E me pergunto o motivo disso. Fatores psicológicos? Culturais? Enfim, tá certo de que a bolsa reflete a identidade de cada mulher, mas será que não há um certo exagero nesta “reflexão”?!
Pessoalmente, não curto a atual moda do “bolsão”. Por ser extremamente prática, sou adepta do “quanto menos, melhor” (diferente de muitas mulheres Brasil afora), rs...
Claro que respeito quem pensa de forma contrária a minha, mas não vejo o menor sentido em abarrotar minha bolsa apenas para fazer volume.
Já vi mulheres sofrerem com dores nos ombros e na coluna devido ao excesso de peso, mas não tiram as quinquilharias de dentro dela. E ainda dizem que “andam apenas com o necessário”.
Outro dia, na faculdade, um colega comparou a bolsa feminina com um “salva-vidas”.
Contudo, nem sempre o nosso “kit sobrevivência” (outra denominação dada por este meu colega) anda completo. Há situações em que, infelizmente, nem ele nos salva de pagar um tremendo mico ou de evitar constrangimentos.
Um exemplo (real) que reforça aquele clichezão de que qualidade é mais importante que quantidade:

Kátia e Leandro haviam se conhecido há algumas horas atrás em uma festa da faculdade. A atração entre os dois surgiu instantaneamente, e depois de uma conversa repleta de malícia, beijos quentes e inúmeros amassos, se encaminharam ao apartamento dele.
Não agüentavam mais de tanto tesão. Depois de concluído todo o ritual das preliminares, no momento em que ia penetrá-la, ele se dá conta não ter nenhuma camisinha consigo.
Em seguida, diz:
- Kátia, por favor, me desculpe, mas é que... não tenho nenhuma camisinha aqui comigo.
Kátia mal ouve a frase de Leandro. Impaciente, joga sua bolsa sobre a cama, balançando-a no ar. Retira todos os objetos e acessórios que estão dentro dela e deposita-os sobre o colchão. Nada encontrou. Mexe, revira-a de cima a baixo, e sem conseguir esconder a decepção, se dá conta de também não ter. Em seguida lembrou-se de que, ao arrumar a bolsa, havia esquecido a camisinha e o anticoncepcional na mesinha de cabeceira do seu quarto.
Leandro, então, para não perder a viagem (ou melhor, dizendo, a trepada), apela para o velho golpe que a maioria das mulheres já conhece. Diz:
- Kátia querida, esqueci de pegar na farmácia, mas olha, vamos fazer sem mesmo, não há perigo. Deixa, vai...
Sem olhar para Leandro, enquanto guardava todas as quinquilharias dentro da bolsa, Kátia, irritada, rebate:
- Sem camisinha, sem transa. No máximo posso lhe dar um “apoio moral”... pode ser?

Moral da história: Bolsa feminina tem de tudo um pouco. Tudo que precisamos e principalmente, o que NÃO PRECISAMOS.


O texto abaixo não é de minha autoria. Mas como tem tudo a ver com o tema, resolvi adicioná-lo ao post (e ainda joguei nele alguns complementos meus que achei interessantes).

O que as mulheres carregam nas bolsas em cada fase da vida...

Vejamos:

0 a 6 meses:
A bolsa é da loja infantil, todinha rosa, e custa por volta de R$ 200,00. Sua mãe ou babá é quem carrega, pois nesta idade a única coisa que a mulher faz é cagar nas fraldas.
O que tem dentro:
- 1 pacote de fraldas descartáveis
- Creminhos e lencinhos, tudo rosa
- 2 chupetas rosa
- 3 mudas extras de roupinhas rosas
- 1 mamadeira com leite com a tampa rosa
- Uma infinidade de paninhos rosas
- Uma pequena farmácia

10 anos:
Nesta fase, a criança escolhe a bolsa de acordo com a moda própria para sua idade. Geralmente tem a Barbie ou a Hello Kitty estampada na frente, e custa por volta de R$ 50,00.
O que tem dentro:
- Prendedores e fivelinhas coloridas
- Chicletes
- Diário íntimo da Barbie
- Pente (ROSA) fluorescente com cheirinho de morango
- Foto do Kaká
- 5 Reais
- Telefone Celular da Xuxa
- Caderneta com o grupo RBD na capa
- Carteirinha do Colégio
- Chave do diário da Barbie
- Um bichinho de pelúcia

20 anos:
Para economizar, a bolsa geralmente é do camelô ou da feirinha, e não custou mais de R$ 15,00 (quando muito).
O que tem dentro:
- Óculos com lentes coloridas
- Agenda
- Escova, lápis de olho, rímel (transparente e preto), batom e gloss (algumas já carregam o Kit completo de maquiagem)
- Foto do namorado
- Flyers para diversas festas
- Dinheiro trocado
- Telefone celular que troca a frente e toca musiquinha
- Chaves de casa
- 1 MP3 Player
- Absorvente, anticoncepcionais e camisinha (será que todas carregam)?!

30 anos:
Mais sofisticada, sua bolsa é da Victor Hugo ou Lui Vuiton, não custou menos de R$ 2.000,00.
O que tem dentro:
- Óculos de sol
- Adoçante em saquinho
- Agenda eletrônica
- Absorvente higiênico
- Necessaire (combinando com a bolsa, claro)
- Foto do seu bebê
- Cartão do banco
- Telefone celular pequeno e moderno. Toca fazendo “trim” (nada de toques excêntricos)!
- Chaves de casa e do carro
- Chupeta esquecido do último passeio com seu bebê
- Uma calcinha limpa

40 anos:
Ainda usa a mesma bolsa dos 30, afinal foi caríssima.
O que tem dentro:
- Óculos de sol e de grau
- Lexotan
- Tampax tamanho Extra Grande
- Telefone celular desligado ou sem bateria
- Pinça de depilação e algumas lixas de unha
- A mesma foto de sempre do seu bebê
- Uma barra de cerais amassada
- Cartão de crédito e débito
- Chaves de casa, do carro e do escritório
- Um par de meias sobressalente
- Uma calcinha usada

50 anos:
A bolsa é emprestada da filha de 20 anos, para parecer mais jovem (e ainda economizou)!
O que tem dentro:
- 2 pares de óculos (1 para perto e 1 para longe)
- Lexotan e Prozac
- Livro de auto-ajuda
- Perfume
- 3 fotos 3×4 velhas
- (Esqueceu o telefone celular em casa)
- Cartão do banco, de crédito e talão de cheques
- Chaves de casa, do carro e do sítio
- 1 barra de chocolate

60 anos ou mais:
Sua bolsa é um saco de crochê com alcinhas finas, um saco plástico e uma sacola de papel de loja de roupas, tudo junto. Não irei comentar sobre preços.
O que tem dentro:
- 2 pares de bifocais (1 deles com a haste quebrada)
- Uma GRANDE farmácia
- Carteirinha de gratuidade do ônibus (se for de SP, bilhete único), hehehe
- Cartão telefônico para orelhão
- Carteirinha de desconto da Drogaria Onofre ou Ultrafarma
- Carteirinha do convênio (não pode faltar)!
- Agenda telefônica ensebada com as folhas caindo (e completamente riscadas)!
- Guarda-chuva de camelô
- Fotos dos netinhos
- Porta-moedas
- Chave de casa e da casa dos filhos
- Um saquinho plástico (só quem tem 60 ou mais sabe pra que serve isso)

E VOCÊS, O QUE CARREGAM ?


Camila Souza é paulistana, estudante de jornalismo e Desaforada X