sábado, 22 de novembro de 2008

Da casca à polpa

Sirva-se à vontade...

Quem não gosta de uma saladinha de frutas, principalmente próximo a chegada do verão?
Com base na experiência (muito bem sucedida, por sinal) com bebidas publicada no mês passado, eu a Luciane Fernandez (que como eu é Desaforada X) resolvemos realizar uma outra... desta vez relacionando sexo e comida.
Focamos o nosso experimento nos alimentos doces e frutas. Até pensamos em inserir algum item salgado, porém, não encontramos uma alternativa que não nos deixasse... indigestas.
Nesta investigação abordamos apenas os testes realizados com frutas, para não deixar o texto muito longo. Além disso, escolhi este item porque, como todos nós sabemos, as frutas são fundamentais para uma boa alimentação. Além de fonte de inúmeros nutrientes, as frutas possuem efeitos terapêuticos e podem ser um excelente... estímulo ao sexo, por que não?! Basta usar a criatividade.

Uma pesquisa também foi realizada sobre as características e propriedades das frutas, que serão descritas juntamente com os benefícios que cada uma traz com relação ao sexo. E logo abaixo, os comentários após a "degustação" de cada fruta.

A escolha das frutas foi realizada com base nos seguintes critérios:
- Variedade;
- Preço;
- Propriedades nutricionais;
- O "grau" de excitação que cada uma poderia proporcionar (ou não).

Ameixa: É riquíssima em fibras, carboidratos, magnésio, sódio e potássio. Um excelente relaxante.
Comentário: Apesar da cor escura (cores fortes geralmente me excitam) e do sabor exótico, não gostei do gosto que ficou na minha boca depois do beijo.

Ameixa: o residual não agrada, mas a cor...

Banana: Rica em vitamina B e potássio, mineral responsável pela transmissão dos impulsos nervosos e as contrações musculares. Sua falta resulta em cãibras e fraqueza muscular. Recente pesquisa realizada nas Filipinas também comprova que a banana ajuda a combater a depressão e o stress.
Comentário: Uma de-lí-ci-a, ainda mais se for com a banana nanica. A banana prata também é boa, mas não tenho tanta "afinidade com ela".
Com freqüência tenho dores e cãibras nas pernas, principalmente quando estou deitada. Será que preciso comer mais banana? rs

Banana: cãibra, só no maxilar

Cereja: Grande fonte de proteínas, cálcio, ferro e vitaminas A, B e C.
Comentário: A cor e o formato da cereja por si só já são uma tentação. A polpa macia excita ainda mais. E, independentemente do grau de acidez, o seu sabor já deixa aquele gostinho de "quero mais"...


Cereja: tentação redondinha

Laranja: Rica em vitamina C, é uma excelente arma contra o cansaço e garante uma boa circulação sanguínea e irrigação dos órgãos sexuais. Além disso, estimula a produção de hormônios como o estrógeno e a progesterona.
Comentário: Maravilhoso! Tanto a laranja mais azedinha (não lembro o nome) quanto a mais docinha (também não me recordo do nome) são excelentes. No beijo fica ainda mais excitante se estiver um pouco gelada.


Laranja: vitamina C e cama

Maçã: Alto valor em vitaminas B, C e E, potássio e fibras. Previne a fadiga.
Comentário: Delicioso, mas só se for com a maçã argentina! A fuji não me agradou muito...

Maçã: até Branca de Neve sucumbiu

Mamão: Fonte de minerais, potássio, fósforo, sódio e vitamina C. Também tem propriedades calmantes.
Comentário: Ao contrário da manga, quanto mais maduro, melhor! rs

Mamão: sugestivo até no corte transversal

Manga: Alto teor de carboidratos, vitaminas A, B e C, além de ferro, zinco, potássio e magnésio.
Comentário: É gostoso, desde que não esteja muito madura. Caso contrário fica doce demais.

Manga: tentação até o último fiapo

Melancia: Doce e refrescante, é rica em vitaminas B e C, cálcio, fósforo e ferro, além de muuuuuiiiita água.
Comentário: Beijar com um pedacinho de melancia na boca é ó-te-mo! Não quero nem lembrar, senão já fico... (sem comentários). rs

Melância: suculência que começa pelo rubor

Melão: Fonte de fibras, betacaroteno, potássio, cobre e enxofre. É fortificante e calmante ao mesmo tempo, também ativa a circulação sanguínea e alivia o sistema nervoso.
Comentário: Vou comer um pedaço de melão aqui e já volto... rs

Melão: aperta pra sentir se está maduro

Morango: Além de possuir uma enorme quantidade de vitamina C, também possui betacaroteno, potássio, fósforo e silício. Combate a anemia e aumenta a resistência do organismo às infecções.
Comentário: Não é à toa que o morango é a fruta preferida de 9 entre 10 casais. A cor, o sabor e a textura são um verdadeiro convite ao pecado...

Morango: gostoso até o cabinho

Pêssego: Fonte de minerais como fósforo, magnésio, cobre, iodo e ferro, também é rico em fibras e carboidratos, além das vitaminas A, B e C.
Comentário: Não sou chegada a pêssego, portanto, prefiro não me declarar.

Pêssego: macio por fora, suculento por dentro


Uva: Fornece boas doses de minerais como fósforo, cálcio, magnésio, cobre e iodo. Além de equilibrar o sistema nervoso, estimula as funções cardíacas.
Comentário: Aprovado! Tanto a uva roxa quanto a verde, embora tenha preferido a verde. Tirando aquelas sementinhas que vira e mexe acabo engolindo sem querer... ainda mais se o beijo for... quente! rs

Uva: quando Baco se une a Afrodite

Para completar esta salada de frutas, só está faltando o leite condensado... Hummm! Rs

Sala de frutas: vai um leitinho condensado aí?

Camila Souza é estudante de jornalismo e Desaforada X

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Continuo sendo eu



Um homem realmente se torna adulto quando comete uma grande covardia.
Claro, ele só vai reconhecer essa culpa anos mais tarde. É tão raro quanto um mar realmente azul no Sul do Brasil que esse reconhecimento aconteça imediatamente.
Já para a “vítima” da covardia é diferente.
Um processo rápido e violento. Ela é obrigada a crescer em segundos, três dias, uma semana no máximo. Ela cresce tanto que pode, nestes segundos, chegar mesmo a envelhecer, ter rugas e morrer.
A “vítima” ganha a oportunidade de nascer novamente em uma outra vida porque se torna outra pessoa... ou... de cometer a sua grande covardia, recusando a maturidade e impondo-se uma infância ou loucura ou casamento falso que vai roubar sua vitalidade e energia, consumindo-se nessa mentira, fingindo que ainda é livre e que a morte vai demorar a encontrá-la.
Hoje, olhando esta água com meu sangue que escorre pelo chão eu penso nas minhas covardias e sei que neste momento aparentemente simples de existência eu estou crescendo.
Como todas as mulheres, em todos os cantos remotos e escondidos, a natureza se impões sobre mim, domina meu corpo e me obriga a voltar a ela.
Nunca poderemos, como alguns homens, por morar em uma grande cidade ou não tocar uma única árvore em semanas, fingir esquecer o ciclo da vida.
Existem remédios que nos impedem de sangrar, mas ainda assim ovulamos e parecemos em um mês com todas as estações. E qualquer olhar atento que nos acompanhe com amor pode perceber e nos revelar essa verdade dura.
Fechando os olhos hoje, a menos de uma hora, junto com Amir, o personagem de um belo livro, eu tentei lembrar um momento de grande felicidade. Tentei dividir os anos, pensar por cidades onde morei, paisagens, grupos, queria recordar uma grande alegria. E nada foi mais especial, na verdade nada apareceu além das palavras de meu atual companheiro na primeira noite em que ficamos juntos: “fica comigo”. Eu estava deitada sobre ele com o rosto entre seus dedos e aquele pedido foi sincero. Eu me senti livre e com uma oportunidade maravilhosa diante de mim, que era aceitar aquela condição, atender aquele pedido.
Como uma cena tão patética, novelesca, cinematograficamente comum podia ser a minha principal lembrança de felicidade?
Comecei a tentar recordar outras tantas cenas “clichê” que vivi e que pareceram na hora fantásticas e delirantes, e, até agora, escrevendo isso, não recordei nenhuma delas. Nenhum eu te amo, nem olhares ao por do Sol e passeios apaixonados na praia.

Eu me sinto uma MULHER.

Presa a esta condição obvia da qual não tinha me dado conta. Como minha mãe e minha avó, e até atrasada por estar com 26 anos – quando elas tinham no mínimo três filhos criados.

Querer uma vida de amor e família. Eu posso ter tudo isso e ser eu.

Lembrei de um texto:
“Queria lhe escrever uma carta, uma carta verdadeira. Desabando as paredes de rocha e argila que a vida foi sedimentando sobre todas as coisas. Lhe diria que continuo sendo eu e que conservo sonhos.” (Sal, peça do grupo Odin Teatre)

Posso querer todas as coisas simples como filhos, marido e amigos e continuo sendo eu: merecedora de todas as coisas.

(escrevi este texto em dezembro de 2007 em minha agenda. Meu relacionamento durou 11 meses e está acabando agora, depois de termos vivido muitos momentos de alegria).



Sheylli Caleffi é atriz, Preparadora de Elenco e Desaforada X

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Comer, Chupar ,morder


Sexo e comida: combinação histórica. Ave, César!



A relação entre alimentação e sexo na vida do ser humano está presente desde o seu nascimento até a fase de amadurecimento e extinção uma cadeia de descobertas. A história nos mostra essa relação presente em mitos e lendas (como o Mario falou em seu post de segunda).
As uvas, por exemplo, eram frequentemente inseridas aos bacanais e orgias. Baco as colocava, uma por uma, na boca de suas voluptuosas amantes.


Uvas: até a folha de parreira era aproveitada (logo onde...)



Longe dos bacanais e orgias, em pelo século (pitinológico) XXI, a comida ainda é usada como fetiche em muitos atos de “acasalamento”.
A maçã, também é um bom exemplo, símbolo da tentação, lembra uma vulva quando cortada ao meio. Não é limitada a analogia que podemos fazer com alimentos e suas semelhanças ao órgão sexuais, ou talvez não só pela semelhança, mas por sua textura, pêssegos, melões, morangos.



Maçã: cortada ao meio dá pra entender porque tem a fama de fruto proibido


Além das semelhanças de alguns alimentos (comidas) aos canais do sexo, alguns trazem a mesma sensação de êxtase ao ingeri-los, ao “comê-los” - até isso em nosso país faz ligação ao ato lúbrico, aí está o porque das combinações...
Há quem diga que comer gera a mesma sensação que uma relação sexual.

Campanha de motel: brincando com o mimetismo sexual das frutas


Existem alimentos que estimulam a libido e aumentam a capacidade sexual, há, por exemplo, quem coma cogumelos, e lembra-se de mulheres. Ouvi também a confissão de alguém bem próximo que, ao comer melões (caipiras), é acometido por um desejo irreeeeeeeesistíveeeeeeeeeeeeeeel. Confesso que o chocolate me traz sensação semelhante.

Melão: macio, suculento e sugestivo


Há quem substitua um pelo outro e há quem use ao seu favor. Quem nunca se imaginou na pele de Dona Flor, não apenas por seus dois maridos (rs), mas por banhar seu corpo em mel antes de deleitar-se?

Mel: chamando para a polinização


Há quem diga que estará escasso, e que em breve o mundo terá que pagar muito caro para “consumi-lo”, eis aqui a maior paridade de um e outro.
E todos sabem a falta que faz...
Eu não “discurso” pela permuta, e sim a junção, resulta em uma aprazível combinação.

Listinha de supermercado: não vá esquecer do item principal, alguém.




Maria Jaqueline

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sexo, chocolate ou quem sabe os dois?



"Hmmmmmmmmmmmmm...".

Pois é, pessoal, mais uma vez pesquisando para o tema da semana descobri várias coisas, umas bacanas e outras nem tanto. A princípio fiquei chocada quando descobri que uma pesquisa revelou que existem muitas, mas muitas mesmo, mulheres que preferem o chocolate ao sexo. Essa pesquisa, feita por um fabricante de chocolate inglês, revelou que 52% das britânicas têm esta predileção. Galera, é muita coisa. Mas, pensando melhor, eu até entendo algumas dessas mulheres. Vai saber com que tipo de criatura elas estão praticando sexo. Em alguns casos é melhor se garantir com um chocolatezinho mesmo, que segundo uma das entrevistadas, “nunca desaponta”, ou, segundo outras, além dele ser um bom companheiro, acham o máximo o fato de o chocolate possuir substâncias que são antioxidantes, ou seja, que ajudam a prevenir doenças e o envelhecimento.
Tem até listinha com 26 motivos para você preferir o chocolate ao sexo:
O chocolate satisfaz mesmo quando amolece.
Você pode comer chocolate no carro, sem ser interrompido pelo guarda.
Você pode comer chocolate na frente da sua mãe.
Se você morder com força, o chocolate não grita e não reclama.
Duas pessoas do mesmo sexo podem comer chocolate sem ser chamadas por nomes feios.
Chocolate não reclama que você o comeu muito rápido.
Você pode pedir chocolate a alguém sem levar um tapa na cara.
Chocolate lambuza, mas não lhe deixa com nojo.
Você não precisa mentir para o chocolate.
O chocolate não liga se você é virgem ou não.
Você pode comer chocolate quando está menstruada.
Você pode comer chocolate em qualquer dia da semana.
Um bom chocolate é fácil de se encontrar.
Você nunca é muito jovem ou muito velho para comer chocolate.
Quando você come chocolate, os vizinhos não ouvem.
O tamanho do chocolate não importa, apenas o prazer que ele proporciona.
O chocolate cheira bem.
Não é difícil nem dói comer chocolate pela primeira vez.
Você pode levar o chocolate na bolsa, bolso e até mesmo naquela pochete de oncinha que você usa.
Você pode comer chocolate à vontade, que nunca vai engravidar.
Chocolate não transmite doenças.
Você não precisa usar camisinha para comer chocolate.
Se o seu filho lhe vir comendo chocolate, não vai ficar fazendo perguntas constrangedoras.
Ninguém termina um casamento por falta de chocolate.
Você não precisa esperar quase uma hora para comer outro. O chocolate não fica com ciúmes quando você fala sobre aquele maravilhoso chocolate que você comeu em Gramado.

"Dilícia"

Mas meninas, não se enganem e tenham muito cuidado, o chocolate ainda é um alimento altamente calórico. Por isso concordo plenamente com uma matéria que li, onde a sugestão é associá-lo a uma boa noite (ou melhor, um dia inteiro) de amor, porque daí você pode comer seu chocolate e gastar as calorias ao mesmo tempo. Tipo unir o útil ao agradável.


"Nhããmm, nhãããmmm, nhhhããããmmmmmmmm!!!!..."


Estudos realizados por especialistas em gasto calórico e atividades físicas mostraram que a média de gasto por hora é de 350 calorias - ou seja, melhor do que uma hora de esteira e, com certeza, muito melhor, visto que a esteira não nos proporciona prazer de nenhum tipo, muito pelo contrario, só cansa.

Mas pessoal, o melhor deixei para o final, e é por isso que eu adoro esse blog, viu, cada coisa que eu descubro! Desaforadas também é cultura, e, mais que isso, também é terapia sexual, estimulante, cheio de dicas. Pois outras coisas que me chamaram atenção nesta pesquisa foram as maneiras com que as pessoas utilizam o chocolate em suas performances sexuais.

Cada uma, heim... Uma das historinhas mais interessantes que li foi sobre a utilização do Batom, aquele chocolatezinho cilíndrico que comíamos com toda a inocência do mundo quando éramos crianças. Pois então, a galera está usando no ato... mas sabe que depois de ler o conto inteiro percebi que até dá par tirar umas idéias da performance que não é em sua totalidade de todo má...

Existe até tapa sexo de chocolate, imagine se a moda pega...só ia dar escola de samba sendo punida por ter suas madrinhas, rainhas e sei lá mais o que de bateria que ficaram com sua genitália exposta devido ao derretimento do material hahahahah. Mas isso não diz respeito ao tema da semana, o que quero dizer, é que adoro a criatividade do povo, não precisa desembolsar horrores para não cair na rotina, basta ter boas idéias e um pouquinho de chocolate para proporcionar momentos incríveis à outra pessoa.

Então pessoal, quem vai continuar com essa idéia maluca de “substituir” o sexo pelo chocolate??? Tenho certeza que é muito mais prazeroso uni-los... Coloquem a cabeça para funcionar, usem a criatividade, sem frescura e aproveitem o que a vida tem de melhor.


"Querido, só tá faltando o leite condensado..."



Bjks da Lu Oliveira

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Comida: válvula de escape do sexo.





SHE era casada com HE há mais de sete anos. Casaram-se relativamente cedo e tinham verdadeira adoração um pelo outro. Mas nos últimos anos HE, com a desculpa do trabalho estafante, começou a se distanciar do lar. SHE sentindo a falta da presença, dos elogios, do carinho e de uma boa “comida” do marido, começou a preencher esse vazio interior com comida. No início ainda se apercebia da enorme quantidade de alimento que engolia de uma só vez e corria para o banheiro se livrar do ato impensado, criando outro ato impensado e habitual: a bulimia.
Após regurgitar sua ansiedade e baixa auto-estima sentia-se melhor e chegava a procurar seu marido na cama. Quando este cedia, ela se cobria e evitava que ele sentisse seu corpo. Pouco a pouco foi engordando, se sentindo pesada, fugindo de espelhos e de sua essência, e perdeu a capacidade de se soltar sexualmente e consequentemente de ter prazer. Cada vez que deparava consigo mesma, entrava em depressão maior e procurava a comida pra esquecer. “Era incrível como os carboidratos tinham o poder de acalmar. Quase como uma pílula pra dormir”.
Claro que seu casamento com HE não perdurou. SHE não saia de casa, ficava lendo revistas dos famosos e sonhava em ser Alessandra Negrini. As amigas a chamavam pra balada, mas ela evitava. Protelava as saídas pra conhecer pessoas ou a procura “daquele” emprego para quando estivesse mais magra. Sua vida ficou estática durante anos. Sua libido que sempre despertou alegria e vontade de agir, parecia inexistente. Morria SHE lentamente.

Praticamente empurrada por sua prima, SHE foi a um grupo de terapia e lá ouviu o depoimento animado de GI, cujos olhos brilhavam ao relatar que a força pra dar uma guinada na sua vida, veio da descoberta de sua compulsão sexual.
Nessa noite SHE sonhou. Seguia uma vida regrada, mas nas horas mais diversas, se encontrava com o amante, GI, para deliciosas orgias sexuais e gastronômicas. Nessas horas eles se permitiam comer aquele delicioso sorvete de passas escorrendo em seus seios ou aquele chocolate crocante dentro da vulva. Assim, todas as calorias que ingeriam eram automaticamente perdidas e eles riam... riam... riam... e se amavam.
By Mazé Portugal

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tema da semana: Sexo e Comida

Sexo, comida e acetato


Convenhamos, independentemente de se apreciar a mistura de uma coisa com a outra, sexo e comida sempre estiveram intimamente ligados. E isso é muito fácil de se constatar, vai desde os banquetes anababescos e orgiásticos da Roma antiga até os verbos que fazem coincidir o ato de se alimentar com o de copular: comer, chupar, lamber, morder, abocanhar, etc.

A história está repleta de episódios que confirmam a convergência natural entre os dois prazeres: Cleópatra passava, em suas partes íntimas, uma delicada pasta de mel e amêndoas para deliciar seus amantes; para a escritora Isabel Allende (sobrinha do ex-presidente chileno Salvador Allende e autora do livro que originou o filme “A Casa Dos Espíritos”), o prazer carnal mais intenso, “gozado sem pressa numa cama desarrumada e clandestina”, tem gosto de baguette, prosciutto, queijo francês e vinho do Reno; até o termo “prazeres da carne” vale tanto para um quanto para outro. E, de todas as artes, a que mais soube conciliar a gula com a luxúria foi certamente o cinema.

A profusão de imagens convergentes entre os dois pecados capitais pode ser apreciada tanto nos bacanais de “Calígula” quanto nas peripécias do inocente “Ratatouille” (não esqueçamos que o elo entre o par romântico desta animação é a comida). Sendo assim, aqui vai uma seleção de cenas de dez filmes marcantes que trabalharam a junção entre sex appeal e apetite appeal. É o dossiê Sexo, Comida e Acetato.

9 ½ Semanas De Amor
Não vamos contabilizar as bebidas utilizadas na famosa cena em que Mickey Rourke venda os olhos de Kim Basinger em frente ao refrigerador, mas listemos os alimentos utilizados para sensibilizar as papilas gustativas da moça (e algo mais): azeitona preta, cerejas em calda, tomate cereja, morangos, xarope Vicky, macarrão parafuso, gelatina, pimenta e mel. Listando assim parece meio indigesto, mas no filme funciona bem. E por quê? Porque foi uma brincadeira de contraste cromático, visualmente estimulante: a pimenta verde, a gelatina vermelha, o mel dourado, etc. Se a lambança fosse feita desta forma na vida real, privilegiando o senso estético em detrimento do gustativo, provavelmente iria exigir muito bom humor da “vítima”, exatamente como no comportamento apresentado aqui por Kim Basinger.






O Cozinheiro, O Ladrão, Sua mulher E O Amante
O diretor britânico Peter Greenaway se celebrizou por produzir imagens de plasticidade inquietante e vigorosa, herança do apurado gosto estético adquirido em sua carreira como pintor. Este filme é, muito provavelmente, seu mais opulento trabalho na conjunção entre comida e sexo. E ambos os assuntos já foram fartamente expostos em outros filmes seus, como “Afogando Em Números”, onde cópula e naturezas mortas quase que dividem os mesmos quadros. Nesta produção de tripla nacionalidade (Inglaterra, Holanda e França), o amor ente Georgine (a Mulher) e Michael (o Amante) é vivido na surdina da cozinha de um fausto restaurante, com a cumplicidade de uma figura-chave (o Cozinheiro) e a perigosa proximidade do marido (o Ladrão). Uma cena plasticamente rica e metaforicamente precisa é aquela em que o casal consome seus desejos na penumbra da dispensa enquanto os funcionários picam e preparam alimentos com notória habilidade. Aqui está um clip com alguns dos momentos mais apetitosos do filme, sendo que merece atenção o recurso usado para a divisão entre os cenários: o azul da parte externa, o verde da cozinha, o vermelho do restaurante e o branco asséptico do banheiro. Para quem pretende assistir ao filme, o detalhe é que ele não é tão palatável quanto se possa pensar, pelo contrário: o apetite e volúpia dos personagens chegam ao extremo, mais precisamente à antropofagia.






Como Água Para Chocolate
O estado de humor do cozinheiro passa de suas mãos para o alimento e contamina quem o ingere. Eis o raciocínio básico deste filme que faz ponte entre o estômago e o coração. Já de imediato é possível se prever a sina da protagonista, Tita (Lumi Cavazos), nascendo na cozinha do rancho de sua família, justamente quando sua mãe (Regina Torné) corta cebolas. Ela cresce entre talheres, panelas e outros apetrechos, acabando por descobrir segredos culinários que exercem magia sobre seu universo tão limitado. Já adulta, usa a comida para acender a libido de sua irmã, Gertrudis. E o faz sacrificando frágeis codorninhas, assando-as com pétalas de rosas. O efeito pode ser visto na sequência abaixo. Repare na fisionomia de prazer sexual da família ao degustar a especialidade afrodisíaca de Tita.






O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes
Cora (Jessica Lange) é uma bela mulher que cozinha em um restaurante isolado do mundo no início dos anos 30, atravessando uma vida pacata até que o marido contrata um desocupado chamado Frank (Jack Nicholson): é o fim da tranqüilidade do estabelecimento e da história de ambos. Este casal de excepcionais atores faz aqui um jogo inquietante entre compulsão e resistência, com um grau de realismo no confronto físico que pode causar hematomas em quem o assiste. Entre pães e farinha, a mesa se faz leito para a sanha de desejo e perdição desses amantes vitimizados por um impulso irrefreável.






A Comilança
Quatro amigos decidem acabar com o tédio de um jeito diferente: trancam-se num casarão para comer até morrer (no sentido literal e no figurado). Trazendo mulheres para seus aposentos e lotando de comida a dispensa, eles abusam na variedade do cardápio, mas acabar com a própria vida enchendo o bucho e esvaziando os escrotos não se mostra uma tarefa tão fácil ou deliciosa quanto poderiam crer. O diretor Marco Ferreri vai do grotesco à escatologia, em cenas às vezes fellinianas pelo exagero e em outras godardianas pela crueza (termo, aliás, bem apropriado neste caso). O resultado acaba sendo um tanto indigesto para os inimigos do excesso.






Fome De Viver
Um clássico absoluto do vampirismo e da estética gótica. Tony Scott (irmão de Ridley Scott, o brilhante diretor de Blade Runner) conduz David Bowie, Catherine Bisset e Susan Sarandon em uma soturna fábula contemporânea sobre príncipes das trevas e amantes que se devoram mutuamente. A cena a seguir aglutina sedução e apetite em torno do alimento da vida: sangue. O take final resume nossa própria condição como humanos, feito para fazer gancho com a próxima cena, mas também servindo para alimentar nossa reflexão sobre quem somos nós para atirar a primeira estaca.






Naked Lunch
É possível se afirmar, com muito pouca chance de cometer alguma injustiça, que este é o filme que tem a cena mais bizarra envolvendo prazeres da boca e da pélvis. O alimento? Veneno para matar baratas. E isso dado sensualmente, com o dedo besuntado pela insólita iguaria, chupado com avidez pela parceira e culminando com um ménage à trois grotesco. Bill e Joan (respectivamente Peter Weller e Judy Davis) são o Romeu e Julieta da geração beatnik, fazendo aqui uma parceria literária a quatro mãos bem ao gosto do lisérgico autor da trama, William Burroughs.






O Declínio Do Império Americano
Um grupo de homens prepara o jantar, que será servido a mulheres modernas e bem resolvidas, enquanto falam sobre sexo da forma mais aberta, desinibida e liberal possível. O filme não é todo verborragia, pois os relatos são intercalados por cenas que reproduzem os diversos momentos citados pelo quarteto, que é dirigido pela mão precisa do canadense Denys Arcand. Uma obra para quem gosta de sexo verbal e encontra na inteligência uma fonte de excitação. Aqui vai um trecho legendado, tendo no diálogo algumas revelações das agruras pelas quais passam os homens para tentar levar uma mulher para a gama. Compadeçam-se, garotas. O filme todo se passa com o preparo da refeição, as conversas picantes, o jantar propriamente dito e uma sobremesa pouco doce para alguns dos personagens.






Tampopo
Aqui, sexo e comida se juntam a outro ingrediente: a comédia. É considerado por muitos o primeiro western japonês, embora Akira Kurosawa já tenha bebido do gênero em seu “Os Sete Samurais”. O filme mostra a busca da perfeita receita da sopa de macarrão. Mas está longe de ser um besteirol, ele discorre, em pequenas narrativas paralelas, sobre a importância da comida na cultura e na sociedade japonesas. A cena a seguir mostra uma brincadeira oral em que se passa uma gema de ovo entre uma boca e outra sem estourá-la. Logo em seguida, vamos para outro jogo de sedução, desta vez com as insinuantes formas de um marisco recém aberto da cocha, o sangue nos lábios, o fio da saliva e um sugestivo trem entrando no túnel para fechar a sequência...






Invasão De Privacidade
O casal interpretado por William Baldwin e Sharon Stone protagoniza a mais febril e inconsequente cena de restaurante do cinema. Como num jogo, ele vai apostando nas ousadias da moça, que sabe brincar muito bem, surpreendendo a platéia das mesas ao lado, tendo garçons e gerência assistindo a tudo com indisfarçável indignação. A calcinha é jogada sobre o prato do parceiro sedutor como um banquete de última hora. Mais adiante, voltam para o prédio onde moram e cada um entra em seu apartamento. Fica por isso mesmo? Claro que não. A cena que vem depois é de um sexo de urgência em que fica claro ser impossível para ambos dormir sem apreciar a sobremesa. Foi filmado inclusive um nu frontal de Baldwin, que depois pediu para ser retirado da edição do filme.






Outro filme que chama a atenção na mesma levada de “Invasão De Privacidade”, ou seja, que tem uma preliminar em restaurante seguida por atração quase incontrolável entre vizinhos, é “Muito Perto Do Paraíso”, em que Catherine Deneuve tenta controlar seu apetite por William Hurt, chegando a tal grau de desejo que começa a imaginá-lo em todos os lugares por onde passa. Mas a mais contundente cena de sexo pós-restaurante é, sem dúvida nenhuma, a exibida em “Era Uma Vez Na América”, na qual o mafioso vivido por Robert De Niro estupra sua musa dos tempos de infância em seu próprio carro, sem ao menos se importar com a presença do chofer. Isso depois de uma noite de sonhos, num luxuoso restaurante fechado especialmente para os dois, além de um pelotão de violinistas e toda a pompa e circunstância exigidas por um ambiente romanticamente anababesco.

Era Uma Vez Na América: Jennifer Connely como Deborah, a musa de infância devorada na idade adulta

Há filmes que não tem propriamente cenas que conjuguem diretamente sexo e comida mas que mesmo assim merecem menção. Entre estas obras, está um dos maiores cult movies de todos os tempos: “Betty Blue”. Comida pode ser mero adereço, complemento, pano de fundo e, mesmo assim, estabelecer com a cena e a dramaturgia uma relação complementar essencial, e é o que se observa neste filme. Durante o decorrer da trama, a presença de alimentos é apenas coadjuvante, mas não têm a função de apenas encher o campo do vídeo ou dar algo para os atores se ocuparem enquanto dialogam. Quando a “quente” Betty vai até Zorg pedir para que ele a aceite em sua casa, o personagem de Jean-Hugues Anglade está comendo chilli; intercalam goles de café e shots de tequila entre os momentos tensos e os de descontração; mudam-se para a cidade na casa de um amigo culinarista, passam a trabalhar em um restaurante, e por aí vai. Até no momento em que o amante de Betty é atacado por uma amiga ninfomaníaca ele está em uma mercearia comprando comida. Há ainda nas composições cênicas objetos insuflando apetite, sejam as maçãs na mesa da casa de Zorg ou as laranjas na do casal de vizinhos (cuja esposa surge amamentando seu bebê). Até o bolo de aniversário é sugestivo. Importante lembrar que o principal apetite saciado neste filme é o estético: seja pela fotografia poética ou pela eclética trilha sonora de Gabriel Yared.

Betty Blue: Béatrice Dalle devorando tudo, até a si mesma

E existem filmes que não versam sobre sexo e comida mas se notabilizam por uma única situação convergindo os temas. Certamente está em “O Último Tango Em Paris” o ingrediente culinário mais polêmico da sétima arte. E ele não foi usado em nenhuma refeição. O motivo da celeuma está em uma cena na qual Marlon Brando interpreta um americano de 45 anos que sodomiza uma francesa de 20, Maria Schneider, no papel de uma jovem noiva, que é iniciada com o uso de um “segredo de família”: manteiga. A cena foi proibida em diversos países, dentre eles o Brasil. E realmente ela é bastante audaciosa, tanto que talvez seja inadequada para ser exibida “neste horário”. Sendo assim, para evitar o choque de pudicos e veganos, fica a dica para que os interessados a procurem no Youtube.

O Último Tango Em Paris: na casa de Marlon Brando era perigoso chegar perto da geladeira

Em “Psicopata Americano” ocorre outra situação em que a coadjuvância de um alimento acaba ganhando significado e relevo: para distrair uma vítima enquanto escolhe qual arma fará o serviço, o serial killer lhe serve um pote de sorvete, que a pobre garota saboreia enquanto conversa inocentemente sobre o fato de não ter namorado e outras trivialidades de alguém que está aguardando por uma noite sob os lençóis do elegante anfitrião. Uma versão contemporânea e nada infantil de lobo mau e chapeuzinho vermelho.

Psicopata Americano: adivinha qual é a cobertura do sorvete

Ao contrário do terror, o humor é um tempero que pode trazer muita leveza a uma sequência envolvendo sexo e culinária, e isso se prova em uma das melhores cenas de “Sex And The City”, o longa-metragem do famoso seriado americano. A inquieta Samantha, personagem de Kim Cattrall, tenta fazer uma surpresa para o namorado, deitando-se sobre uma mesa e ficando devidamente preparada como sushi woman. Porém, situações imprevistas acontecem e a espera se alonga além do previsto, para desespero da fogosa personagem.

Sex And The City: Samantha ao molho shoyu

Ainda na linha do humor, só que com mais poesia e profundidade, “O Fabuloso Destino De Amélie Poulin” traz uma situação bastante divertida: a personagem-título obtém êxito ao fazer papel de Cupido entre um rabugento cliente e a caixa hipocondríaca no café onde trabalha, porém os dois resolvem aplacar seus desejos nos fundos do estabelecimento, com seus gritos e gemidos disparados sem o menor pudor, só vindo a ser abafados quando Amélie providencialmente aciona o apito da máquina de café (o que na verdade só acentua o clímax atingido na relação). Anos antes, Jean Pierre Jeunet dirigiu “Delicatessen”, no qual há uma antológica cena de sexo sobre um barulhento colchão de molas, sendo que o filme se passa em um prédio localizado sobre um açougue, provando seu apreço por ambientes em que as fomes se conjugam.

O Fabuloso Destino De Amélie Poulain: meter a colher na vida alheia

Em certos filmes, revela-se que o alimento vem do próprio amado, e não se trata de produções sobre vampirismo. Em “Vanila Sky”, Cameron Diaz sinaliza que seu amor por Tom Cruise foi muito significativo ao relembrá-lo que engoliu seu esperma. Antes que você torça o nariz, é bom darmos palavra à ciência: estudos sérios mostram que, na composição do sêmen, não há germes, ele é rico em proteínas e possui cálcio, magnésio, potássio, fosfatos e apenas 35 calorias por porção. Mas, como estamos tratando de ficção e não de documentário sobre nutrição da National Geographic, voltemos a nosso assunto.

Vanila Sky: além de beber, Cameron Diaz usava de gel para cabelo em "Quem Vai Ficar Com Mary" (foto)

Os alimentos podem surgir nos filmes como componentes da relação sexual ou como afrodisíacos. É o caso de “Chocolate”, um folhetim com pouco mais de uma hora e meia, tendo Juilette Binoche no papel de uma maga dos doces que muda toda a vida de um vilarejo com sua boutique de delícias. Uma de suas clientes, que reclama da baixa libido do marido, recebe da sábia proprietária uma porção de chocolate que inflama seu desejo na primeira oportunidade em que a esposa limpa o chão de quatro. No mais, o filme fica patinando no antigo clichê do embate entre a novidade e a tradição, sendo o chocolate (uma materialização adocicada do desejo) o grande bode expiatório.

Chocolate: Juliette Binoche e seus doces para comer a dois

Na lista ainda podem ser adicionados representantes mais recentes, como “Sem Reservas”, protagonizado por Catherine-Zeta Jones e carente de condimentos. Mas, mesmo com as comédias românticas pululando pelas telas do cinema, o que se observa é que não se faz mais cenas de sexo e comida como antigamente. Baixíssimo grau de inventividade e quase nenhum jogo de sutilezas.

Sem Reservas: sem sal e sem açúcar

Para quem acha uma sandice misturar sexo e comida, refutando inclusive a apologia feita pelo cinema a esta combinação, vale informar que a simbiose é defendida pela própria psicanálise. Freud já comentava, em seus estudos sobre a chamada fase oral, que os prazeres da boca e da região pélvica têm grande similaridade. Além do que, nossas primeiras pulsões de excitação ocorreram na zona bucal. O cinema não deve se limitar ao ver e ao ouvir, ele pode sim transmitir sabores para a audiência, como também aromas e até sensações táteis.

Freud: um charuto antes, um cigarro depois, um petisco durante

Já para quem acha vulgar, é bom lembrar que até mesmo Shakespeare fazia a associação entre alimentos suculentos e o ato de fazer amor: Mercurio comenta com Romeu que ele é uma pêra madura e sua amada Julieta uma nêspera macia, fruto que, quando cortado ao meio, lembra uma vulva. Se o maior dramaturgo de todos os tempos dá sua bênção, não há motivos para o cinema não absorver a sensorialidade dessa soma de prazeres.

Shakespeare: por isso ele usava babador

Mas é claro que não dá para fechar o assunto sem falar do cinema brasileiro. Três filmes podem representar com enorme orgulho essa categoria, e, ironicamente, não pelo grau de malícia tão característico em nossa personalidade de povo quente e sedutor.

O primeiro deles é “Pixote”, que arrebata qualquer coração com a cena mais cortante já criada sobre infância perdida: o menor de rua sendo amamentado no seio pela meretriz. O impressionante aqui é não haver qualquer conotação sexual nesta situação, mesmo em se tratando de uma mulher da vida e um menino na faixa etária em que normalmente os hormônios encontram-se em ebulição. O alimento (leite) é imaginário, mas o significado e peso desta imagem são muito reais.

Pixote: a falta de tudo, exceto da compaixão.

Outro filme que ocupa lugar de honra nesta galeria é “O Cheiro Do Ralo”, onde ocorre a última aparição no cinema do excepcional ator paranaense Mario Schoemberger, falecido em 14 de maio do presente ano. Nesta produção, Selton Mello é um personagem perturbado e perturbador, acostumado a “coisificar” e precificar tudo, inclusive as relações humanas. Na lanchonete onde costuma fazer suas refeições diárias, o real alvo de seu apetite é a bunda de uma balconista de nome impronunciável. A história é baseada no livro de Lourenço Mutarelli, adaptada para as telas com a mão talentosíssima do roteirista Marçal Aquino.

O Cheiro Do Ralo: Selton Mello querendo fazer um pedido fora do cardápio

E, completando a lista, temos um representante local ilustríssimo: “Estômago”, dirigido por Marcos Jorge e ganhador de uma enormidade de prêmios nacionais e internacionais. Aliás, o próprio Marcos Jorge (admirador de Peter Greenaway) revelou ser seu filme uma homenagem às produções cinematográficas que incursionaram no tema da gastronomia. O filme conta a história de Raimundo Nonato (João Miguel), um migrante que vai para a cidade grande na esperança de ter uma vida melhor, descobrindo nela seus dotes para a culinária e apaixonando-se pela prostituta Iria (Fabiula Nascimento, em performance exacerbadamente elogiada pela crítica). Então, para fechar este texto, e em homenagem ao casal formado pelo profissional da mesa e pela profissional da cama, eis o trailler de “Estômago”.




Sexo, comida e uma sala escura não são sinônimo de pipoca em cinema pornô. Há um vasto número de filmes de bom gosto que exploram a combinação e que, muitas vezes, acabam servindo de inspiração para amantes que apreciam novidades e querem aditivar o sexo oral. É a melhor forma de unir a lista de DVDs com a do supermercado. A propósito, existe aquele velho ditado de que se conquista um homem pelo estômago, apesar de muito marmanjo garantir que não é bem este o órgão que deve ser mimado. Na dúvida, fique com os dois.



Mario Lopes

domingo, 16 de novembro de 2008

Sete pitis masculinos



Piti é reconhecido como um fenômeno tipicamente feminino, caracterizado pela histeria descontrolada em uma situação limite. Afinal, mulher não tem pudores de exteriorizar os sentimentos, e todos sabemos que homem não chora, não é mesmo?
Essa predisposição feminina para chutar o pau da barraca sempre foi flagrante na arte e na vida. O exemplo mais atual é o recém-estreado, delicioso e absolutamente imperdível “Vicky Cristina Barcelona”, tendo Javier Bardem como pivô e vítima dos mais histriônicos pitis da filmografia de Woody Allen. Já a manifestação mais remota pode ser conferida com Eva no Genesis. Ela não deu piti? É, mas se Adão não tivesse aceitado o tal fruto proibido, certamente o Livro Sagrado seria um tanto mais volumoso do que já é...
Porém, macho também tem seus momentos Amy Winehouse. Aqui vão incríveis pitis masculinos em cada uma das sete artes. Você vai começar a achar que homem também tem TPM.

Cinema
“Um Dia De Fúria” é um filme-piti. E hardcore. Na verdade, o cidadão indignado que vai à forra com o mundo, vivido por Michael Douglas, é um paladino contemporâneo, que vinga a audiência em suas dores de Procon cotidianas. Trânsito, violência, neuroses urbanas e outras obrigatoriedades da vida em sociedade fazem fila para aporrinhar o protagonista, que as repele na base do golpe de taco de baseball. Na cena que você verá a seguir, ele aborda um fast-food fazendo de refém a plácida e omissa freguesia, que é tão gado quando o próprio hambúrguer que mastiga. E faz indagações extremamente pertinentes ao robótico casal de atendentes. Incrível o quanto uma metralhadora israelense pode incrementar a qualidade de atendimento.




Dança
O primeiro piti do clip da música “Black Or White” de Michael Jackson é do pai do Macaulin Calkin, que aqui faz um fedelho metido a performer de air guitar. Mas não é este o que interessa, mesmo porque o referido trecho é um descarado plágio de um clip do Twisted Sisters. Pupilas bem dilatadas para o que se passa depois do minuto sete (a partir do qual está editado o trecho a seguir), quando nosso herói desbotado se transforma de pantera em vândalo de ferro-velho. Não se sabe ao certo o motivo do chilique, mas, ao que tudo indica, o gatilho foi uma suástica pichada no vidro de um carro. Daí em diante, o bólido é vítima de todo tipo de porretada. E o Jacka não perdoa nem mesmo as casas e estabelecimentos comerciais ao redor, quebrando janelas, vitrines e até letreiros luminosos que não tinham nada a ver com a ira do deus pop. Este clip, que é considerado um dos dez mais inovadores de todos os tempos pela MTV, chegou a ser censurado pela violência toda, e Michael Jackson teve de escrever uma carta de retratação pública, pedindo desculpas pelos excessos. Agora é tarde, coisa braba.




Música
Uma garota encantadora que está “sempre me olhando, oh não”. A letra da música “Charmer” do Kings of Leon praticamente só tem isso a dizer. Mas mesmo com um texto assim tão, digamos, minimalista, a banda consegue dar à canção uma pegada pungente e nervosa, surtando à medida que a orquestração cresce em vigor. Se bem que quem surta mesmo é o vocalista, Caleb Followill, que emite um gritinho histérico pontuando cada frase, parecendo avisar que está ficando fora de controle. Existem vários pitis no mundo musical (Britney Spears que o diga), como as performances de Jimi Hendrix macetando sua guitarra contra o chão do palco, mas, musicalmente falando, e esquecendo o lado cenográfico da coisa, “Charmer” é uma canção-piti por excelência. Encha o carro de amigos, pegue a estrada, ligue o som no máximo volume e brinquem de quem grita melhor que Caleb, é terapêutico.




Pintura
Esse é hors-concours. “O Grito”, de Edvard Munch, parece berrar “não aguento mais” para quem passa por frente da tela. A fonte de inspiração pode ser encontrada na própria vida de Munch, criado por um pai austero, e que, ainda pequeno, assistiu à morte de sua mãe e de uma irmã. Quando adulto, ele se complicou envolvendo-se com uma mulher casada que só lhe trouxe mágoa e desespero. Enfim, passou a vida com motivos para ter piti. E cristalizou toda a sua revolta em um quadro singular. Que serviu até de inspiração para vinheta da MTV e máscara para personage de filme de terror. Abaixo, você pode conferir um clip com peças de Munch e obras que representam o movimento expressionista alemão. A trilha sonora é “The Great Gig In The Sky”, composição fenomenal executada pelo Pink Floyd, sendo que o autor, o tecladista Richard Wright, infelizmente veio a falecer no presente ano. A voz de Clare Torry entra no exato momento em que surge a obra-prima de Munch. Nada mais adequado, pois seu solo vocal é um longo, alucinado e soberbo grito.




Escultura
O mictório de Marcel Duchamp é uma mistura de piti de artista excêntrico com desaforo público. O pai do dadaísmo queria mesmo escrachar com a crítica estabelecida, definindo a peça de banheiro como objeto de arte. O pai do dadaísmo teve ainda outros rompantes de “criatividade”, ao transforar, por exemplo, uma roda de bicicleta em peça de exposição. Mas nada superou seu singelo mictório. Abaixo, um video com obras de Duchamp e de outros dadaístas célebres, sendo que nele você poderá ver a inusitada obra-prima. Mais ousado que isso, só mesmo se ele levasse para a exposição a peça abastecida.




Literatura
Quando Édipo descobre que fez amor com a mãe e matou o pai, ele não se contenta em dar um piti: fura os próprios olhos. Talvez não seja apenas o maior piti da literatura, mas sim o maior piti masculino da dramaturgia. “Édipo Rei” de Sófocles é considerado o primeiro romance policial do Ocidente, e, como toda boa tragédia grega, não é nada sutil em suas labaredas emocionais. Mais tarde, Freud lançou a definição do chamado “complexo de Édipo”, afirmando que todos nós temos a esquisita sina de querer um incesto básico misturado com um homicídio culposo de nosso progenitor, coisinha light. Mas, convenhamos, levar isso às vias de fato é para fazer qualquer um surtar e querer comer os próprios olhos depois de fritos. Os deuses devem estar loucos. Aqui está um quadro do Fantástico, apresentado por Viviane Mosé, que se propunha a discutir filosofia com linguagem popular e que aqui discorre sobre as tragédias gregas, dentre elas “Édipo Rei”, que chegou a virar adaptação para novela da Globo. Neste caso, quem deve ter tido um piti foi o Sófocles.




Teatro
Aqui não é o artista quem tem o piti, mas sim a platéia. O grupo catalão La Fura Dels Baus exibe, em seus espetáculos, experiências radicais que quebram a chamada “quarta parede”: aquela imaginária que separa os atores do público. São famosos por aterrorizar a audiência com apresentações surpreendentes em galpões minuciosamente preparados do ponto de vista técnico. Os atores, dirigidos por Jürgen Müller (que pode ser visto em entrevista na reportagem abaixo), utilizam serras elétricas, pedaços crus de animais e até contatos físicos um tanto hostis com os espectadores, tudo em clima nervoso, hiperbólico. Havia um espetáculo em que apontavam para o público escolhendo quem teria suas roupas arrancadas do próprio corpo para ser crucificado nu – na verdade o faziam com atores da companhia disfarçados de platéia, mas, como ninguém sabia disso, o pânico era geral. Em seus trabalhos, a realidade atual é jogada no rosto da platéia de forma explícita e com generosas doses de violência, sexualidade e energia. As cenas exibidas na matéria são da montagem “S'estrena Imperium”. Pena estar em espanhol, mas conforme-se: poderia ser falada em catalão.




Homem dá piti, sim. E chora também. A única diferença é que não tem maquiagem para borrar.



Mario Lopes

sábado, 15 de novembro de 2008

Pitis em Hollywood

Eu e minha amiga canadense vivíamos muito bem. Até que eu tive uma idéia...

Um piti que resultou num despejo relâmpago. Eu dividia um apartamento de um quarto e um sala com uma canadense que até então era minha "best friend" há oito meses. Estávamos em Hollywood e eu já havia cometido a besteira de fazer vários amigos brasileiros no restaurantezinho que eu trabalhava. Sim, era um restaurante chamado "Bossa Nova", o povo de lá era muito louco, tinha de tudo, paulistas, gaúchos, baianos, gays, lésbicas e simpatizantes. Eu e Mara (a canadense) vivemos em santa harmonia por seis lindos meses. Após este período eu tive a infeliz idéia de chamar minha "best friend" do Brasil pra ir passar uns tempos comigo em Hollywood. Sem consultar Mara Marini, vim ao Brasil para as festas de final de ano e voltei com Alice a tiracolo. Apresentei minha querida amiga e ex-colega de faculdade de jornalismo para minha colega atriz canadense. Não foi amor à primeira vista entre as duas.

Mara e Alice eram assim, digamos, um pouco divergentes, sabe...

Porém, Mara era muito ambiciosa e adorava comprar roupas e maquiagens. Quando falei que Alice dividiria o sofá da sala comigo e que, por conseguinte, faria o mesmo com todas as despesas do apê, a cachinhos-dourados-SOS-Malibu Mara adorou, afinal, ia sobrar mais uma graninha pra ela. Nos dias que se passaram, Mara nos entregou uma listinha com regras da casa, revezamento de limpeza, enfim, colocou o nome dela nas coisas da geladeira e senha no telefone sem fio. Aos poucos foi se mostrando uma face megera que eu nunca antes havia conhecido.Para piorar as coisas, ela começou a namorar um menino superinsolente chamado Brad. Imaginem que Brad havia estado na mesma clínica de reabilitação que Steve Tyler (Aerosmith). Ele dizia que Steve era muito louco, mas gente fina. Ficaram amigos na clínica.

Steve Tyler: "Crazy, eu?!".

Já no apê, nossa amizade linda e encantadora agora estava ameaçada por uma terceira e por uma quarta pessoa, Mara tinha um namorado e eu tinha Alice. Um mar de pequenos rancores começava a nos separar. Mara saía de casa às sextas-feiras, ia para a casa de Brad e só voltava no domingo.Numa certa sexta-feira após Mara nos desejar um "have a nice weekend!" e sair com sua típica malinha de final de semana, Alice e eu resolvemos que íamos chamar o pessoalzinho brazuca do Bossa Nova pra uma festinha no apê. Cada um ficou encarregado de trazer um item. Tinha de tudo, era um "esquenta”. Dali, partiríamos para uma boate famosíssima que estava a poucas quadras de distância.Cocaína, ecstasy, maconha, cerveja, vinho e muita loucura, mais de vinte pessoas foram na festinha e o apê (quarto e sala) ficou detonado. No carpete branco, um mar de garrafas de cerveja.

Sex, drugs and beer. Não necessariamente nesta ordem.

Fechamos a porta com tranquilidade e fomos para a balada.Na volta, Alice voltou acompanhada e eu também.No começo, nos jogamos os quatro no chão da sala, mas depois, Alice, muito recatada, resolveu convidar seu par para ir no quarto de Mara. Eles não só dormiram na cama da Mara como também Alice vestiu uma camisola da perua canadense. E eu na sala, muito louca, dormi com meu querido amigo Pietro e nem vi nada.

Eu e Pietro: ô, soninho bom!

Tudo era só felicidade até o momento em que um raio de sol cruzou com meus olhos pela larga e escancarada persiana da janela da sala. E por entre os fios de lã do cobertor avistei um movimento na maçaneta da porta...Mara Marini, naquele final de semana, ia até a Disney (cerca de duas horas de viagem) com seu namoradinho drogado. E logo cedo, naquele sábado, antes de partirem, ela lembrou que havia esquecido da máquina fotográfica. Quando os olhos de Mara percorreram a sala e num rompante de raiva ela foi até o quarto... Foi como um leão faminto fugindo da jaula em meio a um zoológico. Mara ligou para o seu pai, que ligou para a síndica do prédio, que meia hora depois já estava com a ordem de despejo na minha cara.

"Eu vou chamar o síndico! Tim Maia! Tim Maia!"

E eu, que já era fichada na polícia de Los Angeles, ouvi a sonora ameaça: "se vocês (Alice e eu) não se retirarem em, no máximo, oito horas, a polícia virá...".

"Se vocês não sair, os hóme come here!".

Oh Deus, foi o fim. Juntamos toda bagunça, e nossos camaradas, que só queriam uma noite de prazer, tiveram que ajudar a tirar todas as nossas coisas de lá. Em sacos de lixo preto de 100 litros.O piti foi horrendo, o dia foi desastroso, o céu era cinza, e acabamos num hostel de quinta categoria, sem dinheiro e recebendo cartas de amor de mendigos que ali moravam também.

"Dá licença, colega paparazzo, que quero fragá essa tal Fabiola Flores aí".

O pesadelo só acabou duas semanas depois... Quando achamos uma nova sala pra dividir.


Fabíola Flores

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Faniquitos e Pitis musicais




Eu tenho umas doidices com música.
Se eu ouço alguma e gosto, fico maluca até descobrir qual é e quem canta. Ou eu até sei qual é a música, mas nunca tinha baixado.
E corro pra baixar. E tenho pitis musicais, cantando a música alto e dançando sozinha. E o dia fica feliz por eu estar ouvindo algo tão bom.

Essa semana o fenômeno aconteceu com duas delas: Passando pelo corredor pra ir tomar água ouvi em algum programa na TV da sala "City of blinding lights" do U2. PQP, essa música é tão linda! Devidamente baixada e ouvida zilhões de vezes.


U2 - "I can't live with or without pitis"

Agora há pouco eu estava zapeando canais na TV. E no American Idol a menina estava cantando "If you leave me now" do Chicago. E eu lembrei tanto do meu pai tocando no violão. E lembrei de um episódio lindo de Sex and the City com essa música. E lembrei que o namorado tava ouvindo um CD bregão de românticas e essa música tocou. E eu fiz um puta escândalo gritando a letra da música dentro do carro, de tanto que adoro.




Chicago - "If you leave me know I'll have a piti"



Devidamente baixada também. Aliás, nesse exato momento em que escrevo este texto eu estou gritando "Ohhhh no, baby please don't go...".




KC & Sunshine Band - "Oh, piti, don't go, don't gooo, don't go away"



Pitis são Pitis, sejam eles por causa de atraso no atendimento da empresa telefônica, da unha quebrada ou da prancha que vence no momento exato que um pingo de chuva encosta em um maldito fio do cabelo. Mulheres e pitis têm essa ligação íntima e pessoal.

Agora, pitis musicais, desses que a gente escuta uma música e sai gritando, no meio do supermercado, no trânsito, com o ouvido grudado no I-pod, esses são fantásticos. Ninguém entende nada e você fica ali, com aquela cara de satisfeita, tanto pelo piti quanto por se notada (porque sim, amamos ser notadas).

E assim caminha a humanidade, mulheres e seu pitis fantásticos, andando na mais perfeita cumplicidade, felizes e calmas, até o próximo piti, que é sempre o melhor!!


Juliana Zattoni

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vamos estar te ferrando



Pelo amor de Deus, quem nunca teve um piti ligando para as companhias telefônicas disponíveis em nosso amado país?
Não existe coisa pior no mundo do que ouvir a maldita frase “senhora, o seu problema não pode ser resolvido nesta célula, VOU ESTAR transferindo a sua ligação para outro atendente que pode lhe ajudar”. Por favor, tenha bom senso, minha filha, “vou estar” é o fim, não há Maracujina no mundo que acalme os nervos de quem liga para essas infelizes.
Certa vez eu trabalhava num determinado escritório político, e, como vocês devem imaginar, em época de campanha eleitoral o número de pessoas contratadas aumenta e, em conseqüência, o número de linhas telefônicas também. Pois bem, passada a campanha eu fui colaborar com a prestação de contas e cancelamento de serviços. Meu Deus, que arrependimento.
Cancelados quase todos os serviços com sucesso, chegou a hora de ligar para certa companhia telefônica visando efetuar o cancelamento permanente das linhas. Lá vou eu né...

Gravação maldita:
- Empresa fulana de tal, para sua segurança essa ligação esta sendo gravada...
Atendente 1:
- Boa tarde, senhora. Em que posso ajudar?
Eu:
- Olá, boa tarde, eu gostaria de efetuar o cancelamento de cinco linhas telefônicas contratadas para a campanha eleitoral do fulano de tal, no período de junho a dezembro de 2002.
Atendente 1:
- Vou estar transferindo para o setor responsável.
Depois de uns cinco minutos esperando, eis que uma voz surge ao telefone.
Atendente 2:
- Boa tarde, senhora, em que posso ajudar?
Eu:
- Olá boa tarde, eu gostaria de efetuar o cancelamento de cinco linhas telefônicas contratadas para a campanha eleitoral do fulano de tal, no período de junho a dezembro de 2002.
Atendente 2:
- Aguarde um minuto, por favor.
Mais três minutos.
Atendente 2:
- Senhora, obrigada por aguardar. Qual o número dos contratos?
Passados os números dos cinco contratos...
Atendente 2:
- Mais um minuto, por favor.
Cinco minutos depois...
Atendente 2:
- Senhora, obrigada por aguardar. Estava verificando em nosso sistema e esses contratos são de pessoa jurídica e o meu setor é de pessoa física. Vou estar transferindo para o outro setor.
Musiquinha do gás tocando repetidamente.
Atendente 3:
- Boa tarde, senhora. Em que posso ajudar?
Um minuto respirando bem fundo para me acalmar.
Eu:
- Eu quero efetuar o cancelamento de cinco linhas telefônicas contratadas para a campanha eleitoral do fulano de tal.
Atendente 3:
- Pois não, a senhora pode me passar o numero dos contratos, por favor?
Eu:
- Moça, eu já passei para a atendente anterior, será que não fica gravado no sistema? São cinco linhas e 15 dígitos para cada contrato.
Atendente 3:
- Senhora, nossos sistemas não possuem ligação, preciso que a senhora repita os números para mim, por favor.
Eu:
- Eu não posso enviar essa solicitação por e-mail?
Atendente 3:
- Não senhora, o cancelamento somente é feito pelo callcenter.
Eu:
- Ok, anote os números por favor.
Atendente 3:
- Senhora, aguarde um minuto, por favor, que vou verificar no sistema.
(Zzzzzzzzzzzz muitos minutos...).
Atendente 3:
- Obrigada por aguardar. Senhora verifiquei no sistema e suas contas são de pessoa jurídica, mas com contrato de campanha eleitoral, e somente podem ser cancelados em outra célula. Vou estar transferindo para o setor competente.
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz mais muitos minutos...
Atendente 4:
- Boa tarde, em que posso ajudar?
Eu:
- Moça, pelo amor de Deus, eu preciso cancelar cinco linhas telefônicas, em nome de Eleições 2002 candidato fulano de tal, pessoa jurídica, contrato de campanha eleitoral. Será que você resolve, ou vai me transferir para a quinta atendente depois que eu lhe passar os 75 dígitos dos cinco contratos que tenho? Não posso passar por e-mail?
Atendente 4:
- Por favor, senhora, mantenha a calma que nós iremos resolver a sua situação. Me passe os números dos contratos a serem cancelados. Não podemos, neste caso, receber por e-mail a sua solicitação.
Eu:
- Não sei por que ainda estou insistindo, sei que você não vai resolver, mas tudo bem, anota aí...
Atendente 4:
- Aguarde um minuto. por favor.
Nesse um minuto eu atendi meu celular, conversei com a minha mãe, desliguei, atendi novamente, era uma amiga querendo fofocar. Nossa e como fofocamos. Algum tempo depois...
Atendente 4:
- Obrigada por aguardar. Senhora estava verificando os dados no sistema, mas infelizmente ele ficou temporariamente fora do ar. Para agilizar o serviço, a senhora teria como me passar a sua solicitação no e-mail suaimbecil@empresapegatrouxa.com.br?
Eu:
- ..............................................................................
- ..............................................................................
- Nossa, agora eu posso passar por e-mail?
Atendente 4:
- Sim, senhora, visando agilizar o atendimento, temos esse e-mail disponível.
Eu:
- Visando agilizar o que? Sabe Deus quanto tempo estou aqui, passando de atendente em atendente, implorando a porra de um simples cancelamento. Pedi inúmeras vezes para enviar um e-mail com a solicitação e vocês me disseram que só poderia ser feito por essa merda de callcenter e agora você vem me dizer que, para agilizar o cacete do atendimento, você tem um bosta de um e-mail????? Puta que pariu, por que ninguém me falou antes, quando eu perguntei?
Atendente 4:
- Senhora, se acalme, essa ligação esta sendo gravada.
Eu:
- Foda-se, é bom mesmo que esteja. Assim vocês ouvem quantas vezes forem necessárias, para quem sabe um dia atender com agilidade. Eu vou passar a porcaria do e-mail e quero uma resposta em no máximo 24h, uma resposta não, quero essas linhas canceladas em no máximo 24h.
Atendente 4:
- Faremos o melhor possível para atender a sua solicitação.
Eu:
- O melhor?? Hahahah você só pode estar brincando comigo, né? Não me interessa se vai ser o melhor ou o pior, eu só quero que a minha solicitação seja atendida dentro deste prazo e ponto final.
Atendente 4:
- Tudo bem senhora. Assim que recebermos o seu e-mail, resolveremos o seu problema. Posso ajudá-la em mais alguma coisa?
Eu:
- ................................................................
- Não, não queridinha, se ninguém me ajudou em nada até agora, Deus me livre se eu passar outra situação para vocês.
Atendente 4:
- A companhia pega trouxa agradece e tenha uma boa noite. Ao terminar o atendimento não desligue, avalie o nosso atendimento, para que sempre possamos estar fazendo o melhor por você.
Voz maldita da mulher biônica:
- Atribua uma nota de 0 a 10 ao nosso atendimento, sendo que 0 significa totalmente insatisfeito e 10 totalmente satisfeito. Obrigada.
Eu:
- Filha da puta! Tem nota “menos 1000“? Vacas, aposto que estão rindo da minha cara em seus MSN, todas comentando: uhuuu, mais uma trouxa que perdeu a tarde como nós, pendurada ao telefone.
- Tututututututtutututu...



E vocês acreditam que depois de enviado o e-mail, conversado com mais cinco milhões de atendentes, muitas contas ainda chegaram devido a falta de cancelamento?
Vocês devem estar curiosos para saber quanto tempo demorou para ser resolvida a situação né? Estão sentadas? Demorou dois anos. É isso mesmo, até toda a situação ser 100% resolvida, passaram-se dois anos, meus amores. Portanto, pensem duas vezes antes de contratar qualquer coisa ligada a telefonia.



Bjks, xuxus, e até semana que vem...
Lu Oliveira

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dou piti, pago mico, mas não abro mão!


A Rê é quem tem pitis bons pra contar, mas hoje é minha vez!


O bom de pesquisar o tema do blog desta semana foi que descobri que esse predicado não compete apenas às mulheres contemporâneas...e que tão pouco os pitis pertecencem apenas a celebridades estadunidensense ou a ex-artistas televisivos que elegem-se deputado. Ops...
Tentei descobrir a estirpe da palavra piti, vamos lá.
Chilique, escândalo ou barraco. Alguém dá um piti quando responde exageradamente à alguém ou a algo.
Ataque histérico.
Estado de nervos mostrado por uma pessoa em razão de pequenos aborrecimentos que não mereciam tal conduta.
O curioso é que a origem dessa gíria é bem mais "erudita" do que eu pensava. Vejam só o que o Aurélio registra em "pitiatismo":Quote:pitiatismo
[De pit(o)-1 + -iat(o)- + -ismo.]
Substantivo masculino. 1.Psiq. Designação dada por Joseph Babinski (1857-1932) aos distúrbios secundários da histeria, rigorosamente subordinados aos ditos primários. [Cf. histeria.] Crise histérica diante de algum fato inusitado.
Mesmo fazendo de tudo para escapar do rótulo de que mulher fica histérica por qualquer coisa, qual mulher não dá pitis?
Claro que não é todo dia que saímos batendo o pé, dando “bafão”, gritando ou coisas ainda piores, ou ainda fazendo tudo de uma vez de forma descontrolada. Eu fico puta de vergonha, porque minha aspiração é ser, para sempre, fleuma, ordeira, inabalável e fina, falar como quem profere notas musicais quando alguém me tira do sério, mas não tem jeito: uma hora ou outra essa força tão comum entre nós fala mais alto...
Embora eu saiba que já dei muitos, eu me recordo de uma vez específica em que tive que descer do salto e rodar a baiana. E, como pitis geralmente andam de mãos dadas com micos, me lembro de uma vez, quando eu tinha, sei lá, uns 15 anos, que eu e duas amigas combinamos de sair no fim de semana (aliás, nossa única diversão eram esses passeios). Pois bem, ficávamos a semana toda esperando chegar o bendito do sábado. Então combinávamos tudo, tudo!!! Exatamente tudo era pensado com antecedência, inclusive a roupa que usaríamos e, como de costume, eu não via a hora de chegar o dia, ainda mais que eu tinha um “lindo” (na época era) vestido xadrez para desfilar no único point que existia na city para a galera se reunir. Chegado o dia, eu passei numa das amigas e lá fomos nós na casa da terceira. Lá chegando, quando minha amiga abriu a porta, eu mal pude acreditar no que meus olhos viam, a minha amiga... estava com o vestido xadrez exatamente igual ao meu...igualzinhoooooooooo ao meu! A principio eu ri, e imediatamente pensei “claro que ela vai trocar”, e foi onde eu me enganei. Tentei argumentar de todas as maneiras, dizendo a ela que eu estava mais longe de minha casa e que para ela seria mais fácil trocar, enfim... usei de todos os artifícios. Quando vi que não tinha jeito, depois de quase implorar, praticamente ordenei a ela que tirasse aquele vestido. Falei horrores e dei o maior piti na casa dela - inclusive a gente se esqueceu disso, aliás se esquece de qualquer outra coisa. Se está na rua, se alguém está vendo, eu iria lá lembrar que estava na casa dela? Claro que não!!!
Mas nesse dia não teve jeito, ficamos de “bico” uma com a outra, mas fomos, e íamos abrir mão do passeio e ter que esperar a semana toda???!!! (Tínhamos 15 anos né...)
E lá fomos nós, parecendo dupla caipira, uma de cada lado de nossa outra amiga (e a coitada junto) separando a nossa “combinação”...

Eu e minha amiga? Não, Miley Cyrus e sua dublê nas gravações de "Hannah Montana"

(mas até que ficaram parecidinhas com a gente...).



Ah, em tempo: quem dá show de piti mesmo é minha amiga Rê. Rê Bordosa? Não, a Renata... Uma hora ela mesma conta aqui no blog (se não for considerado baixaria demais hehe).
E, para fechar, eis novos flagrantes (pra variar) da rainha do piti. Amy Winehouse em momento de fúria contra os paparazzi, isso há menos de uma semana – justamente quando o marido saiu da prisão (dá pra entender?!).



Para quem quiser saber mais sobre as definições de piti, segue o link:
http://www.dicionarioinformal.com.br/definicao.php?palavra=piti&id=5003




Maria Jaqueline