segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Semana de tema livre

Diário De Bordo


O ano de 2009 foi corrido, suado, batalhado, todo atrapalhado.
Ano em que estive focada exclusivamente na minha vida profissional, na faculdade e nas atividades paralelas dentro da universidade. Ano em que não parei em casa, não descansei, fiz mil coisas ao mesmo. Quase enlouqueci, esqueci de mim, esqueci de relaxar, esqueci de cuidar do corpo e da mente. Aliás, por minha mente passou um turbilhão de pensamentos simultâneos. Como toda boa aquariana, penso em tudo ao mesmo tempo, o dia inteiro, todos os dias.
Mas o final de ano de 2009 está sendo revigorante, devolvendo minha energia e levando minha adrenalina ao nível máximo!
Consegui um novo emprego pelo qual batalhei por mais de três anos e que está me trazendo novos desafios e um grande crescimento profissional.
Tive alguns “quase amores”, fiz muita festa com minhas amigas, criei um blog com elas e... Encontrei as Desaforadas!
Iniciei como leitora, curtindo cada linha escrita, sem perder um dia sequer os textos das meninas e do Mario, que deixam sempre um gostinho de quero mais. Até que comecei a escrever como Desaforada X e, em seguida, como Desaforada oficial de segundas-feiras.
Fiquei muito feliz em saber que a maior parte das participantes é de Curitiba, onde tenho familiares por parte de pai, e que havia a possibilidade de, um dia, conhecer a todas pessoalmente.
E esse dia realmente chegou! Na última sexta-feira, dia 4 de dezembro fiz minhas malas com o coração acelerado, ansiosa para conhecer as meninas cujos textos de narrativa bem feita e inteligente eu adoro.
Voei para Curitiba impaciente, querendo que o tempo passasse o mais rápido possível, e que nosso Encontro de Desaforadas no sábado, chegasse logo. E quando ele chegou me senti como uma fã eufórica que passa duas horas jantando com seu ídolo, depois de ganhar uma promoção de final de ano, feita por um canal de televisão.
O local escolhido era charmoso e aconchegante e as meninas foram entrando e dando mais vida a ele. Apresentamos-nos, fizemos brincadeiras umas com as outras e, em um segundo, o papo rolou com tanta sintonia, que parecia que nos conhecíamos há anos. Trocamos idéias, falamos sobre o blog, rimos, queríamos saber ao máximo uma da outra, nos conhecer de verdade. Coitado do Mario, no meio de tantas mulheres falando tanta coisa ao mesmo tempo!
Final de semana perfeito, momentos priceless e mágicos. Tão mágicos que, depois de 35 anos visitando Curitiba sem nunca ter visto o sol, fui honrada com a presença dele no último dia.


Karime Abrão

domingo, 6 de dezembro de 2009

Hoje é dia de estreia em dose dupla no blog. Fernanda e Ana são Desaforadas VIP - para quem não sabe o significado da sigla, ela quer dizer Vim do Interior do Paraná. Ambas nasceram em Guarapuava e vieram morar na capital paranaense para estudar. Fernanda voltou para a cidade natal, Ana ainda mora em Curitiba. Fernanda estuda Direito, Ana estuda cinema e é licenciada em Letras (Literatura) e bacharel em Comunicação Social (Jornalismo). Uma se definide como espírita kardecista, a outra como neopagã viajante espacial. Uma é prática e direta, a outra é sensível e observadora. Uma estreando com um texto de opinião, a outra debutando com um conto infantil no ambiente e adulto na abordagem. E o mais curioso: um complementando o outro sem que as duas combinassem previamente. Aliás, mesmo tendo nascido e crescido na mesma cidade, Fernanda e Ana não se conhecem. Ou melhor, não se conheciam até a publicação deste post. Fernanda, esta é a Ana; Ana esta é a Fernanda. E o prazer é dos leitores. Sejam bem-vindas.


Do Início Ao Fim


A pergunta principal está no ponto, até que ponto um jogo de sedução passa à uma rotina de agressão? Afinal, ninguém é santo de dizer que entre quatro paredes não ocorreu pelo menos uma única vez uma ou outra “palmada”. Porém, existem limites e se eles existem são para ser respeitados, pelo menos é esta a lógica da coisa.
É o jogo da conquista, o homem que vê aquela mulher interessante, se aproxima, papo vai, papo vem, trocam telefones. Ela se faz de pura e ingênua, afinal está matando cachorro a gritos, então vale tudo! Ele é muito cortês, um verdadeiro gentleman, o papo flui, a magia está no ar. Na mesma noite, uma mensagem de agradecimento no celular, prontamente retribuída. Nos dias seguintes ligações e outros encontros marcados. Encontros vão, encontros vêm, o sexo já se torna rotineiro, os sentimentos vão surgindo, e, como diz a canção, “quando a gente gama tudo são flores, amores e blábláblá”. O tempo passa e a intimidade aumenta, compromissos são assumidos, ela tira o pé da lama, ele tem uma companhia, e, como de praxe, as flores os amores e o blábláblá persistem, só que um tanto quanto mais sutis.
E o tempo vai passando, meses, a rotina começa a fazer visita, inclusive na cama. O recurso é inovar, eles se amam, ou pelo menos é disso que tentam se convencer. Um filme aqui, outro brinquedo ali, jogos e fetiches acolá, eles se pertencem.
Pronto, eles se pertencem, eis que chega o perigo numa visita duradoura, a posse, a manipulação, nem tudo mais agrada, o timbre que era lindo agora dói aos ouvidos, a mão suave como rosas agora esfolia, são poucas as carícias, os afagos, vão direto ao assunto, não precisam mais de “frescuras”, afinal estão juntos há tanto tempo. Mas eles se pertencem, e a rotina persiste, o perigo ronda.
Agora ela reclama de tudo, ele acomodou-se, ela se sente desejada lá fora, ele cisca noutros galinheiros. Aonde está aquela moça de família? Aonde anda aquele gentleman? Na realidade eles nunca existiram, a decadência foi recíproca, a sede por cada vez mais, a constante insatisfação, a busca pelo prazer, a rotina, o comodismo, não se sabe ao certo, mas eles decaíram! Ele bate, ela rebate, ele vai, ela vai também, ela desdenha, ele manda ver, e cumpre-se o círculo viciosa.
Uma hora a casa cai, e a partir disso vemos todos os dias enésimas noticias de casais que se espancam, garotas de programa sendo agredidas, donas de casa com olhos roxos, mas também se vêem os casos dos donos de casa, dos namorados passivos, de maridos obedientes e tudo mais que também acabam vítimas das companheiras, sim porque essa história de que mulher é sexo frágil, ah, essa história está ficando no passando, bem ou mal não se sabe... mas é fato! Basta prestarmos atenção no noticiário, verificar casos que a mídia traz acerca dos maridos fragilizados que buscam seus amparos na famosa Lei Maria da Penha.
Todavia a questão principal é saber identificar a partir de que momento as atitudes de sedução tornam-se agressivas, aquele que sofre tal agressão muitas vezes demora a se dar conta do que ocorre, e, quando toma consciência da situação, prefere por vezes abafar o caso por receio ou vergonha. E a situação se agrava cada vez mais, acaba o encanto, acaba a sedução, o amor e, de repente, o jogo sedutor não mais existe, muito menos a surra de amor, e sim, aqueles tapas que são para doer, doem e machucam corpo e alma.


Fernanda Bugai
De pequenino é que se torce o pepino


Para Lucas, era sempre uma festa ir para a escola. Para suas professoras era sempre um sufoco, ainda estava para nascer menino mais incontrolável que aquele. Mas quem sofria sofrido mesmo era Ju, que sentava na frente de Lucas na sala de aula.
O dia inteiro ele ficava chutando sua cadeira. Enquanto ela demorava mais para terminar os exercícios, desenhando minuciosamente sua letra, ele, entediado, dava nós nos seus longos cabelos cacheados, cortava pedaços com a tesourinha de artes e, nos dias mais inspirados, escondia chicletes entre os fios que depois a mãe de Ju demorava horas para conseguir tirar.
Após um tempo, a situação piorou: além dos costumeiros puxões de cabelos (adorava prendê-los na sua mesa, só para ouvir o aiaiaiai de Ju quando tentava se levantar), aumentou as doses e a intensidades dos apertos e beliscões, deixando-lhe hematomas por várias vezes. Não dava um segundo de paz: colocava o pé quando ela passava só para vê-la desabar no chão; roubava sua mochila e a colocava no banheiro dos meninos, onde ela não entraria nunca, e era obrigada a esperar até que alguém fosse até lá e a devolvesse.
Ele esperava o peteleco, dessa vez era certeza, mas ele nunca vinha. A falta de reação de Ju só o deixava mais agitado, e o sermão que ouvia das professoras só o fazia pensar em novas formas de atazanar a menina.
O cúmulo veio no dia em que Lucas pediu para ver a pulseira nova que Ju mostrava para as coleguinhas. Ela esticou o braço rechonchudo, ele olhou... olhou... e não se conteve: pregou os dentes nela, que gritou desesperada e começou a chorar. A professora veio correndo mas já era tarde. Ele sorriu para ela e disse: “olha tia, agora ela tem uma pulseira e um relógio!”. No pulso de Ju a marca de todos os dentes de Lucas (exceto os que já tinham caído) latejava enquanto ia passando do vermelho para o roxo.
Chegando em casa o pai se revoltou. Queria ir na mesma hora achar o bandinho que deixara marcas na tenra carne de sua filha. A mãe, olhando maliciosamente para o marido, disse que, quando os homens gostam, fazem esse tipo de coisa mesmo. E que Ju devia dizer isso para Lucas que ele pararia.
Ela disse. E ele realmente parou no meio do que estava fazendo, prestes a dar-lhe o terceiro beliscão do dia. Ficou pensativo, desconfiado, e não incomodou mais Ju naquele dia. Nem ela nem ninguém.
No outro dia, crente de que Lucas nunca mais a machucaria, foi com surpresa que, antes mesmo de começar a aula, Ju levou um beslicão tão forte que a pele azulou na mesma hora. Foi com olhos cheios de lágrimas que viu, desfocadamente, Lucas, sem jeito, entregar-lhe um embrulho mal feito em papel de pão, amarrado com um nó frouxo de barbante.
Ainda amortecida de dor, pegou o embrulho e no mesmo momento recebeu um abraço tão forte que se pode ouvir um estalo e que a deixou toda dolorida.
Quando finalmente a soltou, Lucas saiu correndo, envergonhado.
Curiosa, Ju enxugou as lágrimas, fungando, e abriu o pacote. Ao deparar-se com apenas uma cabeça descabelada de boneca, não sabia se sorria ou se chorava mais. Só sabia que se o resto da vida ia ser assim, não seria nada fácil, não...




Ana Cordeiro

sábado, 5 de dezembro de 2009

Dia especialíssimo para o blog: vai ter encontro de Desaforadas para debater os rumos para 2010. E também acontece hoje algo inédito: pela primeira vez, estamos publicando três posts na mesma data. Uma veterana e duas estreantes com textos tão bons que a publicação não poderia ser protelada. A veterana é a Elaine Souza, e as estreantes são duas Danis: Daniele Piotrowicz e Daniela M. Braga.

Elaine chega com um conto muito insinuante sobre as possibilidades sensoriais que fundem dor e prazer. Já suas duas colegas de postagem merecem ser primeiramente apresentadas.

Daniele Piotrowicz de Camargo, 31 anos, é solteira, dentista, praiana e garota família que curte boas amizades e... homens ("apesar de todos seus defeitos", complementa). A nova integrante gosta de pessoas inteligentes, bem humoradas e com presença de espírito, por isso se tornou leitora do blog. Não é de levar desaforo para casa: "já engoli muito sapo, por ser da turma do 'deixa disso' a maior parte da minha vida, mas agora virei uma Desaforada!". E é o que se pode confirmar em seu texto de debut, no qual relata suas desventuras balzaquianas. Mas um fato inusitado acabou por fazer com que este post fosse complementado por dois outros textos: a Dani o enviou para duas pessoas que lhe são muito queridas, e o resultado foi que ela recebeu e-mails de ambas com mensagens tão bem costuradas racionalmente, permeadas de bom humor e sensibilidade, que mereceram também figurar na continuidade do post.

Por fim, Daniela M. Braga (ou Funérea, para os íntimos). É jornalista e eterna estudante de cinema, se auto-definindo como "louca de plantão, sempre em mutação". Considera-se uma Desaforada porque xinga e briga, "só ainda não bato... ah, e acho que todo homem é palhaço". É fanática por shows e seu post encontrou inspiração na torturante leitura de revistas de celebridades que se viu obrigada a folhear na sala de espera do consultório médico.

Eis os posts, pela ordem de envio das Desaforadas.


Apanhando Do Amor




Esta semana completei 31 anos... e estranhamente esse número me causou mais impacto do que os 30 no ano passado... Acho que passar dos 30, sem namorado e sem previsão de arranjar um, foi o que mais “pesou”... Todo o resto: cabelos brancos, braço mole pra dar tchau, gordurinhas indesejáveis que já não somem mais depois de uma dieta de uma semana... tudo isso se tornou irrelevante... Mas o tal do namorado...
É óbvio que eu tenho consciência de que não estou tão velha assim, e estou longe de estar encalhada ou desesperada, mas quando você para pra pensar que aqueles seus primos da sua idade, e até os mais novinhos, incluindo os que você pegou no colo, já estão todos casados ou casando... não tem como não ficar no mínimo frustrada... Se eu fosse chata, feia, tivesse chulé ou mau hálito, até entenderia...
Sábado (hoje) casa mais uma... minha prima que é médica, não tem tempo pra nada, vive de plantão, quase não para em casa, mas tá lá... casando. E eu, fazendo mil planos de como vou driblar as concorrentes para pegar esse buquê... E a melhor ou pior parte é saber que as concorrentes em busca do buquê estão cada vez mais escassas... algumas porque já casaram, outras porque ja desistiram da idéia.
Eu me produzir toda para ir a mais um casamento sozinha, reencontrar toda a família e ter que responder repetidamente a frase “não, não estou namorando...” pode não ser a coisa mais divertida para um sábado à noite, mas faz parte dos compromissos familiares. O pior nem sempre é essa pergunta, mas sim os comentários...
“Tadinha, tão bonita, formada, trabalhadeira, sabe cozinhar, adora criança, ela é mulher pra casar, mas ainda não teve sorte...” – será que respondo que a questão não é bem sorte? E mulher pra casar ainda está sendo usado como um elogio ou se tornou algum tipo de doença que os homens têm muito medo de se aproximar de quem tem?
“ Eu achava que você ia casar com aquele seu namorado... Ele ainda tá solteiro?” – você até já imagina o que passa na mente doentia dessas pessoas, que se você não achar mais niguém pra casar, pode tentar reatar aquele seu namoro que já não deu certo no passado. Definitivamente, não estou tão desesperada...
Um dos comentários mais comuns a se ouvir é: “você tá solteira? Então, tem o filho de uma amiga da minha vizinha que tá solteiro (geralmente isso se traduz como separado, divorciado e, muito raramente, viúvo), ele é tão querido, educado, inteligente, simpático (por que as pessoas usam esses adjetivos para mascarar quando a pessoa é muito feia, bem mais velha que você e, provavelmente, muito chata ?).
Sempre fui da opinião do “não faça para os outros o que você não gostaria que fizessem para você” e não lembro de ter, em algum momento, me empenhado em tentar achar marido para minhas amigas, mas parece que hoje em dia isso está se tornando tão normal...
Há alguns anos, uma amiga minha me apresentou um candidato a namorado. De fato, namoramos por um ano e quatro meses... e o final foi muito traumático, porque descobri que o cara era totalmente maluco e conseguiu me enganar por tanto tempo. A amiga nunca mais atendeu as minhas ligações e, depois de um tempo, conversando com uma amiga em comum, ela me confidenciou que ela estava envergonhada por ter me apresentado o pilantra. E quem saiu perdendo fui eu, perdi meu tempo e perdi a amiga, que, com certeza, não tinha culpa nenhuma.
Mas, às vezes, essas coisas podem dar certo. Em agosto fui madrinha de casamento de uma amiga que conheceu o noivo assim, por indicação. Tinham amigos em comum que, por conviver com os dois, perceberam que eles tinham muitas afinidades e resolveram apresentá-los. Os dois estão juntos e felizes. Parece até história de cinema.
E eu já cheguei a dizer que uma das razões de estar solteira até hoje deve ser por causa destas comédias românticas americanas que fazem a gente rir e chorar, e acreditar que um dia aquilo também pode acontecer com a gente.
Ah, claro! Você conhece um cara no mercado ou na rua, e ele é lindo, podre de rico e ótimo na cama... Acho que está na hora de rever os gêneros cinematográficos, porque isso sim deveria ser chamado de ficção. Começo a achar Cocoon e Independece Day mais realistas. Mais possíveis de acontecer do que encontrar o tão sonhado príncipe.
E por falar em príncipe, essa é mais uma questão a se discutir... As mulheres insistem em negar, mas, bem lá no fundo, no subconsciente, todas sonham em encontrar o par ideal, a cara metade, o homem perfeito, o tal príncipe encantado... mesmo sabendo que isso não existe... Por quê?
É tão engraçado saber que hoje em dia uma mulher não precisa de homem pra mais nada, nem pra trocar uma lâmpada, nem pra abrir a tampa do vidro de palmito, e muito menos pra se sustentar, porque a maioria que eu conheço ganha o mesmo ou até mais do que seus maridos, mas ainda assim, elas depositam toda a sua expectativa de felicidade no ser do sexo oposto.
Podem dizer que isso não pode ser generalizado, com certeza não, mas que a grande maioria tem esse sentimento enrustido, isso tem. Faça uma auto-análise, ou pare e pense nas pessoas que estão próximas a você, e vai me dar razão. Ninguém está sonhando em casar com o pobre, o feio, o mau humorado... todas mulheres ainda estão almejando o melhor para elas. E enquanto ele não chega, elas estarão ali, tentando encontrá-lo escondido dentro de qualquer homem, mero mortal, que esteja ao seu alcance.
E o mais interessante é você perceber que, mesmo depois de passar por algumas decepções amorosas ou ter alguns relacionamentos fracassados, você acredita que está curada desse mal, vacinada, imunizada, que não se vai se apaixonar mais, nem se deixar enganar por algum mau caráter. Mas isso não é verdade. O primeiro rostinho bonito que aparece e te dá um mínimo de atenção, percebe seu novo corte de cabelo, elogia sua comida, ou demonstra algum afeto já te convence novamente que o amor existe, e que vocês foram feitos um para o outro.
E você começa tudo de novo...
E o pior de tudo é saber que, depois de escrever tudo isso, mesmo tendo toda certeza de que príncipe encantado só existe em filme da Disney, mesmo sabendo que a felicidade não está em parceiro nenhum no mundo, confesso que eu também estaria disposta a começar tudo de novo, com alguém que aparecesse e me desse atenção, me elogiasse, demonstrasse algum afeto... e, é claro, fosse lindo, podre de rico e bom de cama...


Daniele Camargo


Resposta 1

Minha linda,
justamente por você ter todas as qualidades que tem somadas ao fato de você ter uma cabeça muito boa é que você está solteira... e lhe digo mais: Graças a Deus!!

Quando vou a casamentos, simplesmente me recuso a ir lá na frente brigar pelo buquê, por vários motivos: 1) porque considero a situação degradante, 2) porque é deprimente, 3) porque sou da opinião de uma conhecida minha, muito bem resolvida: se o buquê vier na minha direção eu chuto!!!
É legal estar namorando? Depende do cara, depende do momento que você está vivendo na vida. O legal de você morar fora ou de morar em determinadas cidades onde as pessoas simplesmente não ligam para a vida alheia, como Brasília, é o fato de que você aprende a nào dar bola para o que as pessoas vào pensar se lhe virem sozinha em casa, no cinema, no shopping, no restaurante ou no sex shop. Ah, mas a minha avó cansou de falar que eu estava ficando velha para casar... é, realmente cansou, coitadinha, tanto que morreu sem tocar mais no assunto. A mãe, mesmo, já se conformou que lá em casa parece que eu e a Pati estamos fazendo uma competição: quem é a trouxa que casa primeiro!! ahaha
Uma vez, conversando com uma senhora que trabalha a vida toda para uma prima minha por parte de mãe, perguntei a ela abertamente se ela não sentia falta de não ter casado e de não ter tido filhos. A resposta não poderia ter sido mais crua: filhos...ajudei a criar os 4 da Maria Ignês e agora os netos... marido... ou eles morrem mais cedo que a gente ou nos largam por outra mais nova.
Fiquei estarrecida com a resposta. Nào que seja 100% verdade, mas a verdade, Dani, é que a gente é criado para achar que só seremos felizes e completos com outro ser do nosso lado, quando muitas vezes o que vemos são pessoas que perdem oportunidades e momentos justamente porque colocaram em suas vidas marido e filhos. Canso de ver filhos, que os pais fazem tudo por eles e ao final os pais têm que ouvir do pirralho "você arruinou minha vida!"... ahhh, me poupe. Talvez por ter dado tão pouco trabalho aos meus pais me borro de medo de ter trabalho com os meus, e assim vouprotelando aquilo que não me chama nem um pouco a atenção: a maternidade.
Casar? Talvez, mas tenho minha vida inteira para fazer esta bobagem. Estar curtindo minha vida, meus momentos, ter privacidade, paz, liberdade para viajar, comer sem um porre do meu lado dizendo que vou engordar é agora.
Eu conheço pessoas que planejaram o casamento a vida toda e acho que tudo seria perfeito e depois de meses casada descobriu que o príncipe era um sapo e que tudo aquilo que havia sonhado tinha sido um pesadelo.
A vida é real, nem sempre as coisas saem como gostaríamos, mas o importante é que as coisas boas sejam reconhecidas.
Por isto, minha linda, ouça o que sua prima lhe diz: Deus tem um propósito para todos nós e Ele sabe o melhor para você, que é uma mulher maravilhosa e merece todas as bençãos possíveis. Por isso, agradeça por ser esta mulher incrível, esta filha fantástica, irmã e prima amada, que cozinha, que ama os sobrinhos, que trabalha muito, que é esforçada, que é perfeita, que possui duas mãos que acariciam as pessoas que lhe amam, dois pés que te levam onde você precisa e quer, e estas são bençãos para VOCÊ, para a sua vida, e não armadilha para pegar homem. Você será uma benção para aquele que descobrir esta pessoa incrível que você é, mas se isto não acontecer, relaxe e viva a sua vida sem neuras., Se o corpo já não é o mesmo, se o cabelo começou a ficar branco, se as rugas teimam em aparecer, estas são marcas que só quem já viveu e aprendeu muito tem e mudanças acontecem de um jeito ou de outro, a gente tem que aprender a lidar com o que não pode mudar e tentar melhorar o que ainda dá. Rs
Já vi crianças que desde pequenas são adestradas pela mãe a só pensar que serão felizes se tiverem um homem ao lado delas. Eu fico com pena de ver que serão adultas provavelmente frustradas se continuarem com esta linha de pensamento.
O importante, Dani, é vc se sentir nova, jovem, porque isto emanará de dentro para fora de você. Um grande beijo,


Priscila Piotrowicz


Resposta 2

Dani, li seu texto sobre os 31 anos e o que a Pri te escreveu... minha vez!
Vc está incluída em um panorama mais do que comum nos dias de hoje e com mulheres como nós... A gente sempre se pergunta o que eu tenho de errado, mas a pergunta certa é o que os outros têm de errado? Nós não somos pessoas comuns, e isso assusta muita gente. É muito mais fácil se relacionar com quem é fútil, vazia, burrinha, mas bonitinha, porque a conversa é sempre unilateral e o que há em comum é o interesse, seja este financeiro ou sexual. Eu digo: eu não quero ninguém comigo que me veja como uma bolsa de valores, como se eu precisasse dar um certo lucro para que ele invista na relação.
Certa vez eu perguntei a um amigo muito querido o que havia de errado comigo, já que ele dizia que eu tinha tantas qualidades... Ele disse que eu assustava os homens por me mostrar forte, determinada, decidida, desenvolta e inteligente. Ele falou que muitos homens, e eu digo a maioria, não está preparado psicologicamente para ter ao seu lado uma mulher que esteja a sua altura ou até melhor que ele, tanto no trabalho como em casa, na roda de amigos, etc. É mais fácil dominar e conduzir uma mulher fraquinha, mostrar-se viril frente a um vidro de palmito e a um galão d'água de 20 litros (que me descadeirou sexta-feira!) porque é como eles se sentem úteis, homens, necessários.
Nós fomos ensinadas a ser fortes desde o início, sem depender de ninguém para fazer as coisas difíceis e não esperamos nada em troca quando ajudamos. Somos mulheres inteligentes, decididas, valorosas e se até hoje estamos sozinhas, com certeza não é um problema seu, não é que você não serve pra ninguém, mas porque até hoje não apareceu alguém bom o suficiente para você. E não pense em nível de exigência ensandecida, simplesmente você é maravilhosa demais pra se envolver com qualquer rapapexuga, como dizia a vó Célia, que não vai entender e enxergar a mulher nota 1000 que você é.
Até pouco tempo eu me perguntava a mesma coisa: qual o problema comigo? E eu pensei em muitas coisas... Gorda, geniosa, pedagoga, manicure, aos 28 anos e ainda estudante... quer saber? se não for pra ser, não vai ser. Até quero uma família, um marido que esteja ao meu lado e que possa envelhecer comigo, estando bem velhinho e ainda dizendo a cor da roupa que eu usava quando me conheceu, isso se o Alzheimer deixar... mas não quero um príncipe encantado não... quero um lobo mau, que me enxergue melhor, me cheire melhor e me coma inteirinha!!! Príncipes encantados só existem, no momento em paradas gay, estando mais para princesas, mas mesmo assim, príncipes são chatos... não tem bom humor, cantam com os passarinhos, usam roupas fofas, pegam na espada, e se acham os poderosos para defender a sua dama em perigo... Quer saber? Prefiro uma pessoa normal, cheia de defeitos, como eu, que me queira e me aceite como eu sou. Se ninguém vê em mim o que eu tenho para fazer alguém feliz, não sou eu quem fará enxergar. Tenho certeza de que o que é meu está guardado e destinado a mim na hora certa. Quem sabe a idade nos faz ver as pessoas de forma diferente de quando éramos mais novas e ainda acreditávamos no amorzinho de escola?
Já namorei bastante e tive decepções imensas, cada relacionamento me ensinou coisas diferentes, e não me arrependo de ter namorado por isso, pois o que eu aprendi, por mais que tenha sofrido, valeu-me de alguma coisa, com certeza.
Casamentos se realizam, divórcios se concretizam, porque as pessoas têm medo de viver sozinhas e acabam se envolvendo em qualquer relacionamento pelo medo da solidão. Para a gente ser feliz com o outro, primeiro a gente tem que aprender a viver só.
Eu não nego que tudo o que você escreveu eu sinto sim, a idade chegando, o corpinho que já ganhou outros adjetivos e superlativos, a auto-estima lá no inferno; com certeza você não está sozinha... mesmo assim eu te digo: antes só do que com um fdp qualquer.
Como já dizia Veríssimo, não saia caçando borboletas, arrume seu jardim que elas virão até você. Arrumar o jardim não é estar em forma, sem o braço de tchauzinho, morrendo a cada dieta e deixando de comer aquele maravilhoso pedaço de torta de chocolate com mil calorias por centímetro, mas sendo feliz na sua vida, com o coração em paz, vivendo a cada dia da melhor maneira e com pessoas que te amam. Em casamentos, eu ouço: quando será a sua vez?? pois é, comecei a falar pra essas pessoas que insistem em me derrubar, quando será a sua vez? mas em velórios e divórcios... Por que será que elas nã gostam de ouvir isso???
Bem, verdade, eu te falo uma coisa.: estar sozinha não é facil, principalmente quando você sente que as pessoas te olham como se você fosse a cereja podre do bolo, mas tem coisas que compensam a falta que faz um abraço, um beijo, uma noite de amor. Posso até não ter isso, mas também não tenho cenas de ciúmes, namorado arrotando na minha cara, nem peidando na minha frente, reclamando do que eu como ou do que eu gasto, dando bafão quando fica bêbado e desistindo de sair comigo pra assistir futebol. Acho que eu saio no lucro.
Fácil nunca é, mas você tem tudo a seu favor: é uma profissional exemplar, que tem uma família que te apoia, mãe e pai, sobrinhos, irmãs, Primas!!!, tios, e se ainda não deu pra você, siga seu caminho com serenidade. Muito melhor que acabar grávida para fazer um casamento dar certo, não acha?
Curta a sua vida como você puder, sem exageros e loucuras, mas faça aquilo que te dá prazer e evite o que te aborrece. Olhe para você mesma e veja o quanto você conseguiu na sua vida e tenha a certeza de que você ainda terá muito mais, porém a seu tempo.
Eu abri mão de ter uma família ao escolher medicina, pois sabia que entre profissão e família eu estava escolhendo profissão. Formando aos 34 anos, convenhamos que não vai sobrar espaço pra casamento e filhos. Estou fora da corrida pelo buquê, conscientemente. De repente me sobra um sapo para os fins de semana, sei lá... mas príncipe encantado só se aparecer no meu plantão da madrugada em dia de festa a fantasia...
Desabafos a parte, tenho muito orgulho de você pelo que você é e sempre foi, pelo que você conseguiu e pela pessoa extraordinária que você é. Seja feliz com seus 31 anos.
Daqui a algum tempo você vai ler esse post, já casada ou namorando, e nem vai conseguir lembrar de como era quando você estava sentindo falta de alguém ao seu lado. Espere que as borboletas virão, senão é capaz de você atrair gafanhotos...
Linda, seja feliz e lembre-se de que você não e a única que pensa assim. Deve ser uma característica genética dos Piotrowicz.
Beijos! Te adoro!!



Patrícia Piotrowicz

Surra De Amor Não Dói



Acordo. Abro os olhos como de costume, me espreguiço na cama. Um, dois, três estalos. Dores por todo o corpo. Alguém pode me explicar o que eu estou sentindo? Confusão mental. Algo diferente no ar. Terá sido um sonho ou um pesadelo? Quem sou eu? Disso ainda me lembro: Rodrigo, 26 anos, universitário, boêmio... e charmoso. Meu quarto está diferente: mais cores... mais luzes. Nem parece meu quarto, parece que um furacão passou por aqui. O frescor da manhã arrepia meu corpo e faz as dores quase desaparecerem. Pareço flutuar entre os lençóis. Será que adoeci e mal percebo minha condição?
Que sensações serão essas? Não obstante, pareço estar leve como uma pluma, os batimentos descompassados, uma vontade súbita e engraçada de rir. Ergo-me, de um sobressalto, quero sair correndo, ir pra rua, nu mesmo, cantar, dizer "olá" ao mundo, abraçar as pessoas, rodopiá-las, mudar o mundo... O que está acontecendo? Será que enlouqueci?
Retenho meus pensamentos tentando lembrar do dia anterior, e a única coisa de que me recordo é de um livro, sim um volume muito interessante que adquiri na livraria: o Kama Sutra. Avistei-o em uma das prateleiras. Enquanto folheava-o, divertia-me com as gravuras. Uma moça parou ao meu lado e pareceu interessar-se também pelo tema sexologia. Uma linda morena, cabelos desalinhados negros e compridos, decote ousado. Usava um vestido longo de seda, em tons de amarelo esverdeado, colado no lindo corpo escultural. Lembrou-me uma dessas atrizes de filme pornô, mas ponderei meus olhares. Pensei: "uma mulher muito atraente, com um perfume inebriante, deve esconder segredos insondáveis". Começamos a conversar sobre o livro, e pelo que pude perceber era um de seus livros de cabeceira. Ela me deixou a par de vários trechos e temas, por sinal muito interessantes. O que me chamou mais a atenção foi um dos temas sobre Pancadas de Amor.
O Kama Sutra descreve alguns rituais usados por parceiros para aumentar o prazer durante o ato sexual. Chega a ser hilário, mas os espancamentos podem aumentar e muito a excitação antes e durante a relação. Alguns tipos de pancadas são executados com as costas das mãos, com os dedos levemente contraídos, com os punhos e com as palmas das mãos. As pancadas são mais eficazes nos ombros, na cabeça, entre os seios e nas costas.
Imaginei os casais modernos da atualidade tendo esse tipo de comportamento. Provavelmente as mulheres seriam rejeitadas e os amantes seriam alvo de piadas. Quem aprecia a violência ritualizada é estigmatizado em nossa sociedade. Mas, os dependentes deste vício diriam que uma “pancadinha” com a palma da mão não doeria, mas proporcionaria uma excitante sensação de formigamento, e que se você recebesse pancadas suficientes, seu corpo ficaria muito mais excitado. O ato agressivo poderia ser provocante para despertar emoções e irritar as pessoas a ponto de iniciarem uma “briguinha”. Isso aumentaria os seus níveis de adrenalina e também o prazer.
Confesso que comecei a rir zombeteiramente, imaginando as cenas, mas fiquei sem jeito ao ver aqueles lindos olhos castanhos me encarando fixamente, sérios, enigmáticos, poderosos. Ainda lembro de ela ter pedido uma carona até sua casa, mas depois disso as imagens se confundem em minha mente. Mas de certa forma, posso deduzir o que me ocorreu até o presente momento. Então as lembranças vão reaparecendo, como flashes incontroláveis, deliciosos, empolgantes. Dor e prazer. Essas palavras definem definitivamente minha noite.
Sinto o sol entrando pela janela, aquecendo meu corpo e anestesiando-o, mas que sensação...




Elaine Souza
Entre tapas e beijos no mundo do espetáculo


Não, não é uma análise de letra de música sertaneja. Uma curiosidade perversa que ronda mídia e leitores que acompanham o mundo do espetáculo das celebridades está nas brigas entre famosos. O último ‘‘furo’’ da mídia foi a briga entre o sessentão guitarrista dos Rolling Stones, Ron Wood e sua namorada de 20 anos, Ekaterina Ivanova . Entre várias histórias que estão circulando pela imprensa, consta uma que Wood tentou estrangular a namorada. Outra história que assombra o casal é de que ela tentou o suicídio.

Mas o que leva também as mulheres como Rihanna e Amy Winehouse a cultivarem relações de abuso com seus parceiros? Será que isso é amor? Será que aquela irritante música chiclete sertaneja tem razão? Ódio e desejo andam juntos? E se sim, a intensidade do desejo seria maior entre o casal?

Seria preciso uma pesquisa muito mais ampla entre as não celebridades para ter uma pequena noção dos mitos e verdades do ódio e do amor. Quanto à vida das celebridades, creio que ainda resta uma pergunta: será que a invasão da mídia na vida destes não seria uma violência tão grave quanto a cometida por seus parceiros?

Como eu, caro leitor, não tenho resposta para tudo na vida, só me resta deixar com uma canção bem-humorada, sobre o uso do chicote, Devo – Whip it.

Daniela M. Braga

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Soco Emocional


Que fosse entre tapas e beijos ou tapinhas indolores.
O amor de Teresa ultrapassava as barreiras do imaginável. Se, de início, fora conquistada e amava-o mais do que a si própria, passou a ser consumida por aquele fogo que ardia dentro de si, e, mais ainda, do seu companheiro, Roberto.
Ardia feito chama, invisível mas presente, e ela, de início, derretia-se como cera em vela. Apaixonava-se loucamente por seu dito docinho de coco e honrava-se em ser o seu doce de leite. Todas as noites sonhava com o príncipe encantado que após algumas centenas de beijos, perderia seu encanto para transformar-se em sapo.
Bom seria se o desenrolar e desfecho dessa história fosse tão clichê e meloso quanto o seu início, com Roberto simplesmente a trocando por outra, Teresa deixando-o para mudar de país devido a uma promoção no emprego, ou até mesmo pela desaprovação das famílias. Porém, deu-se o início do fim não por motivos inerentes a ela ou a qualquer uma das duas famílias, e sim por única e exclusiva culpa dele, Roberto, o grande vilão.
Se, de início, Roberto fingia ser o herói, enganando Teresa, a mocinha, e mais umas dezenas de telespectadores que a tudo assistiam de camarote e pipoca na mão, no fim, mostrou-se o carrasco da história. O fato é que a sua mudança repentina não era apenas sua culpa, mas de uma série de atitudes de Teresa que lhe davam certa liberdade para fazer o que quisesse.
A primeira vez que Roberto chateou-se quando Teresa disse que ia sair, ela acatou seu pedido de cabeça baixa e deixou-se estar em casa, ao lado de seu companheiro. Na terceira vez, ele irritou-se, alegando que não havia motivos para ela querer sair a sós com suas amigas, e Teresa novamente não saiu. Nas outras vezes, as coisas mantiveram-se iguais, com ele reclamando, e ela acatando. Porém, ao conversar com uma amiga próxima e contar a ela sua situação, Teresa achou que estava na hora de mudar, pois não estava contente com a relação e, para sua surpresa, a reação de Roberto foi melhor do que o esperado. Agiu como um cavalheiro, pedindo desculpas por suas atitudes e dizendo que não sabia o quanto a estava magoando.
Contente, ela tentou voltar a sua vida normal e sair com tranquilidade, mas as coisas não eram bem como ela imaginava que seriam. Roberto ligava para ela de meia em meia hora, sempre com um tom de voz irritado e arisco, dizendo que ela estava acompanhada de outro homem e ameaçava terminar caso ela não chegasse no horário estipulado. Teresa, inocente que era, chegava quase a acreditar que ele estava certo, afinal era sua namorada e devia-lhe obediência, da mesma forma que ele sempre atendia aos seus pedidos. Pois é, ela nunca pedia nada.
O ciúme só aumentava e as conversas tornavam-se cada vez mais escassas, mas, para Roberto, a relação ia de vento em popa. Enquanto isso, Teresa sonhava com aquele homem que conhecera e que fora se transformando em outra pessoa. Quanto mais o conhecia, mais desconhecido ele se tornava.
O ciúme era tanto que ela sentia que estava sendo totalmente manipulada, e perdera sua personalidade, afinal não estava contente, mas era incapaz de fazer algo para mudar sua situação. Teresa se questionava sobre os sentimentos de Roberto e concluía que, devido a suas atitudes, aquilo estava menos para amor do que para possessão.
Ela sofria, mas não conseguia largá-lo, e a loucura de Roberto ficava cada vez mais insana. Antes fosse uma dor física, da qual poderia curar-se com mais facilidade, mas era a dor psíquica que a sufocava e a consumia infindavelmente. Queria livrar-se dessa vida, mas era incapaz de qualquer coisa.
As brigas constantes levavam vagarosamente à separação, mas ainda faltava uma atitude definitiva. Teresa sabia que precisava dar um basta em tudo, pois não era apenas vítima de Roberto, mas de sua própria covardia. Sem querer, ela criou uma armadilha, e já não sabia mais como escapar dela.
Mas, aos poucos, ela foi acordando para vida e sentindo que o que antes era doce, hoje já estava mais do que azedo. Percebeu que talvez preferisse ter levado uma surra de Roberto e ter deixado-o de uma vez, do que ter aguentado toda a opressão e ainda sentir-se culpada.
Teresa, depois de saborear a delícia de um manjar dos deuses e o amargo de um pão que o diabo amassou, percebeu que doce de leite e doce de coco definitivamente não combinam, mas continuou ruminando os fiapos daquele amor bandido.



Letícia Mueller

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O Cão E O Gato


Você gosta mais do cão ou do gato? Se fosse para escolher entre os dois bichinhos qual te traria mais benesses? Sim, tem que ter um retorno, já que provavelmente a única contribuição com as despesas da casa será a de aumentá-las, ao menos é esperado que surja um tipo de satisfação.
Ah, mas tem o lance do sentimento e quando você se apega, o que poderia ser calculado praticamente se perde. E, levando em consideração que cão é fiel e que gato não tem dono, eu pergunto de novo: com qual você consegue conviver?
Se agradar pode levar uma lambida bem molhada... ou uma arranhada, o que te apetece mais? Pode ser derrubado de quatro ou ser surpreendido com uma carícia nas pernas. O bruto e indefensável, o levemente imprevisível. Um banho de mangueira ou de língua, o calor dos pêlos, a leveza no movimento. Qual deles?
Se tudo o que você quer é ausência de relação escolha o gato. Terá prazer com suas caras e bocas, seu jeito indomável, sua característica em aparecer e desaparecer do nada, seu mistério e sua agressividade. É o prazer do domínio em forma de bicho. Ele fará questão de se meter entre suas coxas pra te pedir comida, mas sairá à caça assim que der na veneta. Ele se enrolará nas suas pernas cada vez que sentir que você pode lhe dar mais... mas, ao tentar pegá-lo, ele vai escorregar e procurar uma janela à luz da Lua pra pular. O gato é um bicho intenso, seguro e meticuloso. Você viverá uma relação doentia, porque vai ter mesmo de volta o olhar com desprezo e a expressão de autonomia. E, ainda assim, você irá amar seu bichinho... porque é com ele que você se identifica. Você apanha e diz: bate que eu gamo.
Quem costuma escolher cães, pensa em satisfação garantida. Eu te dou e você me dá. Vai até onde você mandar, mas vai querer sua recompensa. Muito fiel, não vai te abandonar depois que tiver seus pequenos caprichos atendidos. Será seu parceiro para tudo, terá sintonia com o mínimo movimento que você fizer, saberá quando está agradando e quando precisa melhorar. Ele vai te trazer a sensação de complexão, e você vai se apegar a ele. Vai amá-lo ainda que ele seja meio guapeca e que goste de sair para a rua de vez em quando, porque você sabe que quando ele tiver fome, vai voltar e esperar que você o sirva... porque só você, a “dona” (ou o dono) sabe fazer o que ele gosta. O cão é um bicho sociável, político e carinhoso. Você viverá uma relação de interdependência e provavelmente terá que se acostumar com isso. E, ainda assim, você irá amar seu bichinho... porque é com ele que você se identifica. Você apanha e diz: o amor me basta.
A mim, fica a dúvida sobre que bichinho eu escolheria... acho que, no fim das contas, é você que sai para procurar mas quem acaba achando é mesmo o sortudo que é adotado. Não sei quem é melhor, mas sei que não existe perfeição. Já tive gato e já tive cão. Se se apegar, apanha mesmo, e é daquelas sovas profissionais, que doem mas não deixam marca externa.
Gostoso mesmo é quando você experimenta o prazer das diferenças e aprende com elas. Na dúvida tenha o cão e tenha o gato, aprenda a lidar com sua liberdade, aprecie sua individualidade, se dedique mas não se vincule. Alimente na medida certa, o leve ao sol, ao parque e também ao veterinário. Você irá amar o seu bichinho... porque é com ele que você se identifica. Mas você o faz se identificar com você também. Você apanha e diz: minha vez...

Para pensar: três visões masculinas sobre a “surra de amor”:

- Primeira visão: é masoquismo... porrada pura e um pouco de sado também... não há amor de verdade, e sim humilhação... é psiquiátrico, é falta de respeito;

- Segunda visão: amor não tem que ser bilateral, é autônomo e incondicional. Se você ama, sai ganhando com isso.

- Terceira visão: é preciso pensar, não há opinião formada sobre isso.


Angelica Carvalho

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Palmada Educativa = Surra De Amor


O principal problema em relação a este assunto é que muita gente confunde palmada educativa com espancamento. Palmada educativa é o corretivo dado com a palma da mão somente na região das nádegas. Já espancamento é uma surra violenta que causa sequelas físicas. Portanto um ato é diferente do outro. Debateremos aqui os pontos positivos da palmada educativa, que é uma atitude de amor.

Histórico
Historiadores comprovaram que a famosa palmada educativa usada pelos pais para amansar os filhos é utilizada desde a Idade da Pedra.
No Brasil a palmada educativa foi introduzida na Época do Brasil-Colônia, pelos jesuítas quando eles tentaram introduzir este método nas tribos indígenas. Porém, a maioria índios não aceitou. Os poucos nativos que concordaram com isto foram estudar com os padres. Assim tiveram uma educação rígida e subiram na vida.
Hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente condena a palmada educativa usada como corretivo pelos pais.
O problema é que a partir dos anos 60, com a aplicação da Psicologia Contemporânea e da Teoria da Libertação, este tipo de método educacional passou a ser condenado e, por isso, os pais foram deixando de impor limites pouco a pouco, o que resultou na geração de jovens com muitas atitudes sem noção que vemos hoje. Por exemplo: os casos dos alunos que tiveram relações íntimas dentro dos banheiros das escolas, com certeza, são fruto desta educação liberal.
Recentemente houve uma pesquisa em alguns países que adotaram a lei antipalmada e o resultado foi surpreendente. Exemplo: na Nova Zelândia foi realizado um referendo sobre o assunto que apontou que a maioria dos neozelandeses deseja que os pais possam voltar a dar legalmente palmadas em seus filhos, dois anos depois de uma lei ter proibido este tipo de medida disciplinar. A pergunta do referendo foi esta:
A palmada (nos filhos) como parte de uma punição apropriada por parte dos pais deve ser considerada um crime na Nova Zelândia?
Conforme as autoridades do país, 87,6% dos eleitores votaram no ‘não’, pela extinção da lei, e apenas 11,81% deles votaram no ‘sim’, pela manutenção da legislação que proíbe punições físicas.
Pesquisadores confirmaram que depois da lei antipalmada entrar em vigor na Nova Zelândia, aumentou o número de menores envolvidos em crimes.
Seria isto coincidência?

Discutindo Com uma Psicóloga Evangélica
Em 1993 fui chamada para um debate sobre palmada educativa. Quando, de repente, uma psicóloga começou a falar:
- Os pais não devem dar palmadas nos filhos nem quando eles aprontam. Afinal, isto pode traumatizar a criança e é contra a Bíblia. Eu sou evangélica e sei disso.
Então comentei:
- Neste ponto a senhora se enganou, pois nos Provérbios é aconselhado dar palmadas educativas nos filhos todas as vezes em que eles faltam com o respeito com os pais.
A psicóloga exclamou :
- Isto não é verdade!
Assim indaguei:
- A senhora tem uma Bíblia para me emprestar aí?
A moça pegou o livro sagrado e entregou-me .
Então, li em voz alta :
- "Filho meu, não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da sua repreensão. Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem" (Provérbios 3:11-12). - "O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o castiga" (Provérbios 13:24). - "O filho sábio alegra seu pai, mas o homem insensato despreza a sua mãe" (Provérbios 15:20). - "O que gera um tolo para a sua tristeza o faz; e o pai do insensato não tem alegria. O filho insensato é tristeza para seu pai, e amargura para aquela que o deu a luz" (Provérbios 17:21,25). - "Castiga o teu filho enquanto há esperança, mas não deixes que o teu ânimo se exalte até o matar" (Provérbios 19:18). - "Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela" (Provérbios 22:6,15). - "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno" (Provérbios 23:13-14). - "A vara e a repreensão dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe. Castiga o teu filho, e te dará descanso; e dará delícias à tua alma" (Provérbios 29:15,17).
A psicóloga tentou argumentar:
- O problema é que as palmadas ditas educativas podem formar um adulto com patologias, como o sadomasoquismo, por exemplo.
Eu rebati :
- A senhora vê o sadomasoquismo como uma doença? Desde quando sadomasoquismo é uma doença? Isso me parece uma visão preconceituosa. Afinal, ao olhar de muitos estudiosos, sadomasoquismo é apenas uma forma de sentir prazer. Ora, cada um tem o direito de sentir prazer da maneira que escolheu.
Naquele momento, a psicóloga ergueu a mão para falar algo. Mas, de repente, a monitora da mesa disse:
- Senhores, tempo encerrado. Agora outro assunto entrará em pauta com outros participantes.


Discutindo Com uma Psicóloga na Rua
Neste ano de 2009, num dia ensolarado, eu estava na rua quando, de repente, vi um neto chutando as canelas de seu avô porque ele disse que não tinha dinheiro para comprar um determinado brinquedo. Então o idoso gritou:
- Meu neto, por favor, se comporte... Senão darei umas boas palmadas!
Na esquina, estava passando uma perua, toda enfeitada, que, ao ver a cena, saiu correndo em direção ao ancião e exclamou:
- Se o senhor bater neste garoto, eu chamarei a polícia! Olhe o tamanho dele e olhe o seu!
O velhinho sentiu-se envergonhado, pegou o menino pela mão e continuou o seu caminho.
Naquele instante, fiquei com pena do idoso, fui em direção à mulher brava e perguntei:
- Qual é a profissão da senhora?
Ela respondeu:
- Psicóloga!
Então eu disse:
- Só poderia ser! Se bem que eu tenho nada contra psicólogas... Mas a senhora não ficou com pena daquele ancião?! Sabia que o neto faltou com o respeito com ele e por isto o velhinho quis dar umas boas palmadas educativas?
A psicóloga, dando as costas para mim, gritou:
- Gosta de velhos?! Então leve para casa!
Então eu berrei:
- Continue incentivando pequenos marginais como este, que daqui a pouco a senhora pode ser assaltada ou morta por um!

Conversando Sobre Palmada Educativa Com uma Parteira
Recentemente, conversei com Dona Cida, uma parteira de 97 anos que já fez o parto de mais de 300 crianças no interior do Brasil. Veja trechos da entrevista:
- É verdade que as parteiras dão uma palmadinha no bumbum quando as crianças nascem?
- Sim, isto é real. É como fosse um código de boas-vindas ao novo hóspede, que faz ele despertar para a misteriosa vida. Com palavras este sinal significa: "Nenê , acorde e seja bem-vindo"!
- O que a senhora acha da palmada educativa que os pais dão nos filhos rebeldes?
- Isto é perfeitamente normal.
- Eu , meus irmãos e primos fomos criados a base de surra. Por isto é que na minha família não existem marginais, todos são honestos e trabalham. Contudo, conheci pessoas que foram criadas com total liberdade e hoje encontram-se presas em celas de cadeia. Isto não quer dizer que toda criança que teve uma educação liberal vire um bandido. Conheci pequenos que tiveram este tipo de educação em que podiam fazer de tudo. Não viraram marginais, mas, em compensação, transformaram-se em pessoas fracas de moral. Pois na casa os pais passaram uma imagem da atmosfera exterior, como se fosse um mundo cor-de-rosa. Na hora de assumir as responsabilidades do mundo adulto, estas pessoas entraram em conflito porque não souberam como lidar com as frustrações. Por isso algumas delas partiram para os vícios de drogas e álcool. Já outras tentaram o suicídio. Pois é, a palmada de amor tem o poder de deixar as pessoas espertas.


Entrevistando um Sadomasoquista
Para elaborar este artigo entrevistei um amigo que é adepto do sadomasoquismo, uma maneira de sentir prazer através da surra. Para preservar a identidade dele, vamos chamá-lo aqui de Xenônio:
- É verdade o mito de que os sadomasoquistas aderem a este tipo de prazer porque levaram palmadas educativas quando eram pequenos?
- Eu não sei quanto ao resto do mundo, mas no meu caso e de alguns amigos meus que seguem a linha afetiva do sadomasoquismo, todos nós apanhávamos dos nossos pais ou avós quando fazíamos algo errado.
- Você acha que seus pais estavam certos ao darem as palmadas educativas? Elas seriam uma prova de amor?
- Sim, meus familiares tinham razão ao me oferecerem este tipo de corretivo. Se eu não recebesse este tipo de palmada, talvez hoje eu fosse um marginal. Por isso tenho certeza de que a palmada educativa é uma prova de amor. Tanto que a minha mãe sempre gritava, antes de me dar algumas chineladas: “Isto dói mais em mim do que em você!"
- O que, realmente, levou você a ser um praticante do sadomasoquismo?
- Para ser sincero creio que, realmente, foram as surras educativas que recebi quando era criança dos meus pais. Quando completei 21 anos de idade, as palmadas de amor acabaram. Mas eu sempre sentia falta. Naquela época tive contato com o sadomasoquismo e gostei. Hoje, tenho 40 anos e toda vez que faço algo de errado sinto falta de levar uma palmada.
- Alguns psicólogos acham que o sadomasoquismo é uma doença. Qual sua opinião sobre isto?
- Puro preconceito. Mas quero deixar claro que nem toda criatura que recebe palmadas educativas na infância vira sadomasoquista. Por exemplo, os meus irmãos receberam estas palmadas e não são sadomasoquistas.

Como Criar um Marginal
Este assunto me lembrou de um texto do pastor Johnson (sobrenome omitido para preservar sua identidade) chamado “Como Criar um Marginal":
- Ainda bebê nunca diga “não“ a ele.
- Não compre presentes apenas no Natal ou no aniversário. Satisfaça a vontade do seu filho sempre.
- Nunca dê palmadas educativas quando ele aprontar algo grave.
- Sempre dê razão ao seu filho quando alguma autoridade, como uma professora ou um policial, reclamar dele.
- Nunca ofereça conforto religioso, deixe que ele complete 21 anos para decidir isto.
- Não permita que ele ajude nas tarefas domésticas.
- Ensine seu filho dirigir, ainda menor, e dê as chaves do carro mesmo que ele não tenha carteira de motorista.
- Faça seu rebento experimentar bebidas alcoólicas desde pequeno e diga que não há problemas em beber socialmente.
- Pronto, ao seguir estas instruções você terá um perfeito marginal.


Conclusão
A palmada educativa tem o seu devido valor. Não estamos falando de espancamento, que é algo totalmente diferente. Fazemos referência àquela surrinha apenas nas nádegas, quando a criança apronta algo desagradável mesmo com os pais tendo chamado a atenção para o ato mais de três vezes.
Alguns psicólogos são contra a palmada educativa argumentando que ela só funciona no momento da travessura. Mas eles se esquecem que esta surra de amor gera algo chamado reflexo condicionado. Pavlov estudou este fenômeno com cães. Ele apertava uma campainha toda vez que dava comida para o cachorro. Então, ele notou que, mesmo não tendo alimento no local , o cão salivava toda a vez que escutava a campainha. A mesma coisa acontece com o ser humano, se todo o momento que a criança fizer algo errado levar uma palmada educativa, logo ela saberá que a atitude sapeca que cometeu é reprovada socialmente.
Existe uma única e verdadeira surra de amor: é a palmada educativa de mães e avós.




Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Marcas De Amor


A gente nasce e “leva” surra a vida toda. Cresce apanhando da vida, que sempre nos ensina no final. E não é diferente no amor, não. Quem nunca levou tanto tapa do amor que chegou a dizer “chega, não aguento sofrer mais!”?
É, nós sofremos porque, em algum momento da vida, deixamos de ser alvo deste sentimento em nome do mesmo. Sofremos, choramos, nos entristecemos, temos raiva, tudo por algo bom, que é o amor. E aí, quando ele dá lá um socão na cara da gente, nós levamos, ficamos pior ainda, mas nos levantamos. E sabe o que é mais engraçado? É que todos nós, mesmo que tenhamos marcas destas surras de amor, ainda temos a capacidade de nos regenerar, cicatrizar-nos e curar-nos, aprendendo a amar. É assim que a gente não “leva” mais deste sentimento. É assim que ganhamos marcas de amor.


Bianca Nascimento

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Tema da semana: Surra de Amor

Vai encarar?



- Gostou ?
- Ãããn?
- Gostou do carinha surfistinha ?
- Quêê ?
- Ah, não te faz, Andréia ! Te vi sacando o carinha de terno cinza, com pinta de surfista.
- Como é que é, Alberto ?!
- Aquele ali ó, que tá dançando com tua amiga...
- Mas de onde tu tirou isso, criatura ? Primeiro, que estamos casados, segundo que ele está dançando com a Vivi.
- Ah, não finge, Andréia...
- Olha, Alberto... é a terceira festa de casamento das minhas amigas que tu estraga com esse teu ciúme doentio.
- Se tu não aprontasse...
- Eu ?? Eu não sou tu, Alberto. Não sou tu! E vamos voltar pra mesa! Não quero mais dançar.
- Não! Vamos ficar aqui na pista. Assim tu continua encarando o bonitinho....
- Aaaaaai! Não me puxa!
- Andréia... volta aqui!

....

- Amiga, tenho que ir...
- Ah, Déia... Já?
- Já. O Alberto surtou de novo. Viajou que tô encarando o carinha que tá dançando com a Vivi.
- De novo essa história? É a terceira festa que ele estraga, Déia!
- É, eu sei. Não aguento mais. E pior, que ele bebeu horrores... tô sentindo que a noite vai ser longa. Bom, tenho que ir... Amiga, estou muito feliz por ti! Que Deus abençoe a união de vocês.
- Obrigada. Te cuida. Falamos na volta da nossa lua-de-mel.
- OK... Divirtam-se e aproveitem Bali por mim.

....

- Onde tu pensa que vai?
- Pra casa, Alberto. Aqui não fico mais passando vergonha e sendo agredida por ti.
- Agredida? Só te dei um puxãozinho pelo braço!
- Começa assim... e não me segura. Me deixa ir.
- Vai como? A chave do carro tá comigo.
- É, eu sei. Mas a chave da casa tá comigo e, depois que casamos, aprendi a levar dinheiro na bolsa, no caso de acontecer algum “imprevisto”. Como esse. Táxi! Tchau, Alberto. Boa festa.
- Déia! Volta aqui! Dééiaa....

...

- Aaaai! Sai de cima de mim! Que horas são ?
- Não sei. Tá quase amanhecendo.
- Que nojo! Tu tá cheirando a bebida... sai daqui!! Me deixa dormir.
- Quero transar.
- Transa com a almofada, me deixa em paz, seu ridículo.
- O quê?? Eu sou ridículo mesmo! Te acompanho no casamento da tua amiguinha e faço papel de ridículo enquanto minha mulher encara um surfista.
- Tu surtou, Alberto... surtou! Não sou tu. Agora, me deixa em paz e me largaaaa!
- Quero te comer.
- Aaaai, me larga!
- Tá com medo de ficar de costas pro teu maridinho?
- Sim! Me larga, seu louco!! Aaaaaaaai!
- Desgraçada!
- Aaaaaaai! Alberto pára! Aaaai! Pára, pelo amor de Deus... tu tá me machucando!
- Vagabunda... pra que me chutar ?
- Pra tu parar de me agredir ! Não quero nada contigo, ainda mais à força. Saaai daquiii! Saaai!
- Pára de gritar, sua louca! Cala a boca!
- Aaaai!!! Cachorro... tô sangrando... minha boca tá machucada. Meu corpo dói... Some daquiiiiii!
- Daqui eu não saio. E pára de chorar. Não te faz de coitadinha.
- Tô com dor de cabeça!
- Ah, um clássico! Conta outra...
- Conto. Você também está com dor.
- Eu não!
- Dor de cotovelo!
- Ai! Você me acertou nos bagos!
- Foi sem querer. Tô só tentando me afastar de você.
- Não seja por isso, eu te afasto.
- Grosso! Você me derrubou da cama!
- Hoje tá quente, tá mais geladinho aí no assoalho.
- Quer frio, é? Quer frio? Então me dá essas cobertas!
- É assim? Então aproveita e leva esse travesseiro.
- Ai, não me bate!
- Ué, antes você não gostava de guerra de travesseiro?
- Isso era antes de você ter virado um cavalo. Agora só topo se eu puder colocar um ferro de passar dentro da fronha.
- Vai, pega lá. Eu boto um cactus dentro do meu travesseiro.
- Mais espinhoso que essa sua barba mal feita não vai ser.
- Antes você gostava dela roçando na nuca.
- Antes! Antes! Antes! Antes você não era um porco espinho.
- Antes você não era essa vaca atolada!
- Quer outro chute nos bagos?!
- Experimenta! Experimenta!

...

- Calma, calma, senhores. Vou responder a uma pergunta por vez.
- Doutor, qual a causa mortis?
- Bem, o casal já foi trazido bastante debilitado. Não sabemos quem os espancou, foram encontrados desacordados no quarto.
- Doutor, mas chegaram vivos, não foi?
- Sim, nós mesmos estamos confusos e não sabemos o que de preciso temos para informar a vocês da imprensa, mas foi isso: eles chegaram vivos, sim. Faleceram aqui.
- Qual a suspeita?
- A causa mortis nós sabemos, mas as circunstâncias ainda são confusas. Quando os dois chegaram no hospital, resolvemos deixá-los juntos em um mesmo quarto, pois acreditávamos que se sentiriam melhor ao recobrar a consciência.
- E recobraram?
- Sim, uma enfermeira testemunhou quando abriram os olhos, então ela veio correndo até um de nossos médicos para contar. Quando voltaram ao quarto, os dois estavam mortos.
- Como morreram?
- Foi tirado o respirador do marido. A esposa também morreu asfixiada, só que por um travesseiro. E o mais estranho é que o assassino deixou o corpo dele sobre o dela. Provavelmente foi uma tentativa patética de fazer parecer que o marido matou a esposa com o travesseiro. Também foram encontradas digitais dela no tubo do respirador, ou seja, o assassino com certeza colocou os dedos da mulher no equipamento para parecer que ela é que o tinha tirado do marido.
- O senhor está sabendo que o caso já causou comoção nacional?
- Sim, já. Os familiares e amigos garantem que era um casal excepcional. Ninguém consegue imaginar qual motivo levaria alguém a querer matá-los. Sabemos também que depois da vigília que estão fazendo em nossa capela ecumênica, os fiéis farão uma passeata.
- Reivindicando o que?
- Maior segurança. Como pode um casal que se ama ser atingido assim dentro de casa, e no próprio leito?
- E quem os atingiu?
- Daí os senhores terão de indagar a polícia.
- Mas não há nenhuma suspeita?
- Não há nenhuma pista até agora. Mas ao que parece já há um suspeito preso.
- Quem?
- Terão de perguntar o nome à polícia. Só sei que é um rapaz de terno com jeito de surfista. Próxima pergunta...





Karime Abrão e Mario Lopes

domingo, 29 de novembro de 2009

A verdade nua e crua




Já que o tema da semana é livre, gostaria de aproveitar para fazer algumas reflexões sobre a complexa relação homem e mulher, essa eterna “guerra dos sexos” e o que os filmes podem nos ajudar a entender.

Esse final de semana assisti ao filme “A verdade nua e crua”

http://www.youtube.com/watch?v=emOPbYWC1ms. Adorei, não só pelos atores que eu gosto muito (ênfase para Gerard Butler) como também pelo enredo que nos faz refletir: será que é tão difícil arranjar um namorado? Por que estamos agindo da maneira errada?


Segue algumas das dicas do sedutor Mike Chadway para Abby Ritcher:

Regra nº 1: Os homens são simples
Comentário: Esqueça todos os tipos de livro de auto-ajuda que você conhece sobre o tema, os homens só se importam se você tem um par de seios, uma bunda e se você sabe fazer um boquete gostoso.

Regra nº 2: Os homens são atraídos pelo seu visual
Comentário: Use um sutiã que queira dizer: Olá, eu sou gostoso.

Regra nº 3: Homens gostam de cabelos longos
Comentário: Homens gostam de algo pra agarrar além da sua bunda.

Regra nº 4: Não conte seus problemas para os homens
Comentário: Os homens não escutam e nem se importam. Quando eles perguntam ‘Como você está?’ é só um código para ‘deixa eu meter meu pau na sua bunda’.

Regra nº 4: Você deve ser duas pessoas
Comentário: Seja a mistura de uma bibliotecária e uma stripper.

Regra nº 5: Ria do que ele disser
Comentário: Para os homens a autoconfiança acaba na privada.

Regra nº 6: Satisfaça a você mesma
Comentário: Se nem você mesma faz sexo com você, por que um homem gostaria de fazê-lo ?

Regra nº 7: Não discuta a relação
Comentário: Os homens, assim como os macacos bonobos, usam o sexo para acabar com uma discussão.

No inicio do filme, Abby Ritcher vai ao encontro de um pretendente e enumera uma lista do que procura num homem, faz pesquisa sobre o perfil dele, nunca perde o controle da situação, vem armada, prevenida.
Claro que no filme, isso é mostrado de maneira exagerada, mas o que eu fico realmente pensando, será que a gente, até que inconsciente não faz isso mesmo, idealiza demais esse tal homem que nunca chega?
Valoriza demais o controle, ou auto-controle, quer idealizar, planejar e realizar.
Acho que o filme exagera em algumas partes e no machismo do personagem de Butler, mas no fundo, as entrelinhas confirmam algumas teorias.
Acho que a mensagem principal que o filme deixa é que as mulheres levam tudo muito a sério e acabam sozinhas, enquanto os homens levam tudo mais na esportiva e acabam tendo inúmeros relacionamentos superficiais que não levam a nada, porque eles mesmo barram qualquer tentativa da mulher em concretizar qualquer relacionamento.
O casal chega a um final feliz porque consegue finalmente o equilíbrio entre esses dois opostos.
Está disponível na internet um jogo sobre o filme - http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/#


Emmanuela Minari

Homem É Tudo Palhaço


Será que o velho ditado: “homem é tudo igual” é verdadeiro? Não sou de fazer propaganda, mas não posso deixar de falar sobre o blog “Homem é tudo Palhaço” - http://www.tudopalhaco.blogspot.com/. Criado em 2002 por quatro jornalistas, conta histórias de relações mal sucedidas provocadas por mancadas masculinas. É recorde de acessos e conta com participações vindas de todo o país. Os posts são engraçadíssimos. A mistura de sarcasmo e bom humor é a receita que permite ao leitor se identificar com as situações vividas por eles.
Entre os inúmeros posts, que infelizmente parecem confirmar este ditado, encontrei uma espécie de “dicionário” com definições bem interessantes (e algumas hilárias) sobre os mais variados tipos de palhaços.
E eu, como boa desaforada que sou, achei interessante divulgá-lo aqui para que nós classifiquemos os palhaçinhos à nossa volta. Com certeza você já se deparou com um desses. Divirtam-se!


Dicionário Palhaço

Palhaço Micareta: Toda festa pra ele é como carnaval em Salvador. Não basta ficar com uma. Tem que ficar com uma, duas, três ou quatro. E pode ser em casamento, batizado, roda de samba, velório, festa de fim de ano da firma e até ceia de Natal.

Palhaço Platão: Adora filosofar. É cheio de frases de efeito. É um poço de conhecimento da natureza humana, sobretudo da natureza masculina. Defende suas teses com pérolas como: “um boquete e um joguinho de futebol fazem os homens felizes” ou “mulher não gosta de homem sincero”. Em geral, a profundidade de seus pensamentos, é como água de piscina infantil: só vai até a canela.


Palhaço Alto Falante: É aquele que gosta de se gabar. Seu prazer é falar em alto e bom som que “já pegou fulana, comeu sicrana.” Quanto mais gente por perto pra ouvir o quanto ele é bom, melhor. No geral, ele só come (ou comeu) metade (ou menos) das mulheres que ele diz ter comido (estar comendo).

Palhaço Repetitivo: Versão mais sofisticada do palhaço "Tira o som e deixa a Imagem". Tem a péssima mania de cantar mulheres com a mesma cantada e, ainda pior, mulheres que se conhecem. Além de repetitivo é burro.

Palhaço Biba: Quer ser bicha, mas não assume. Tem muita curiosidade, tem o alvará, mas não coloca a firma em funcionamento. Às vezes, ele é muito amigo do seu namorado e fica falando mal de você por aí. É o pior tipo: bicha enrustida e ciumenta.

Palhaço Blog Star: Aquele que pede para ser citado no picadeiro. Que força palhaçadas para ser reconhecido como palhaço. OK, né...

Palhaço Cagão: É covarde. Tem medo da mãe, da namorada, da irmã, da esposa. Prefere fazer outra palhaça a tentar consertar uma. Sempre acha que vai ganhar uma bronca. Depois de uma boa palhaçada se esconde. Ver também palhaço Pique Esconde.

Palhaço Pique Esconde: Ele marca de sair com você e... não aparece! Ele te liga chamando pra almoçar e... não aparece! E, claro, sempre desliga o telefone depois do sumiço. Aí ele conta até cem, mil ou cinco mil e, como você - óbvio - não o encontra, ele surge, com a maior cara de pau do mundo dizendo: “ih... esqueci”.

Palhaço Pinóquio: Por razões até hoje desconhecidas, não pode mentir. Ou não consegue. É suuuuper sincero, suuuuper verdadeiro a níveis que beiram a joselitice. Algo na linha: "olha, eu fiquei com você, você é legal, mas eu tenho que ir pra casa porque tenho uma filha pequena". Sem comentários!

Palhaço Cristão: Sente culpa, muuuuita culpa. É capaz de trair a namorada, mas repete incessantemente que não se sente bem fazendo aquilo. Quer largar a mulher, mas não abre mão do trio propriedade-religião-família. É uma variação do palhaço Cagão.

Palhaço Auto Estima: Esse é admirável. Porque muitas vezes o bruto é feio, tem barriga, cara de nerd, corpo caído, “pau de 10 cm” (observação made in Mila)... enfim, sex-appeal zero. Mas é capaz de olhar para você e mandar na lata: “olha... você tá meio gordinha, né?”, “olha… que tal pegar um sol?”, ou “você tá meio pálida”. É uma variação do palhaço Pinóquio.

Palhaço Rádio Relógio: Ele sai contigo e puxa os papos mais bizarros possíveis. Algo do tipo: “você sabia que uma mosca come 1450 vezes por dia?” A intenção, na maioria dos casos, é de impressionar. Quase sempre, o tiro sai pela culatra.

Palhaço Discovery Channel: Versão mais sofisticada do palhaço Rádio Relógio. Ele não puxa papos bizarros, mas procura sempre uma explicação "científica" pra tudo. Algo do tipo: "vi num documentário que os esquimós comem gordura para... blá, blá, blá". Chato pra cacete.

Palhaço Eleitoral: Só promete. "vamos casar", "vamos ter filhos". Não é preciso dizer que tudo fica somente na promessa. Geralmente eles fogem na hora que o bicho pega.

Palhaço Fantasminha (ou Gasparzinho): Some. Desaparece. Evapora. Você está na boate, dá uma distraída e... puf!

Palhaço Flanelinha: Ao invés de transar contigo decentemente, fica repetindo: "faz isso, faz aquilo, põe a perna aqui, põe o braço aqui.” É preciso paciência, muuuuita paciência.

Palhaço Sexo Oral: Promete que vai te comer de pé, deitada, sentada, de quatro, flutuando e o escambau a quatro. Narra orgasmos incríveis, diz ser um amante sensacional, mas tudo fica por isso mesmo. Muito papo e nada de sexo. É uma variação do palhaço Eleitoral.

Palhaço Mãe Valéria de Oxossi (ou mãe Diná): Assim como estas famosas mães de santo - que prometiam trazer a pessoa amada em três dias - esse palhaço promete. Ô, como promete! Noites tórridas, sexo inesquecível, drinks luxuosos em lugares exóticos, amor e paixão. Mas não em três dias. Pior: promete na hora. E pior ainda: nem precisa dormir ou ir ao banheiro para não cumprir. Outra variação (horrorosa, diga-se de passagem) do palhaço Eleitoral.


Palhaço Vovô Garoto: Nem todo mundo nasceu para ser Evandro Mesquita, né? Tem homem que não sabe disso e com 40, ainda acha que tem 20. Então, mesmo com 40, ele se veste como alguém de 20, fala como alguém de 20 e, pior, faz coisas que alguém de 20 faria. Quando são grisalhos então... é para sentar e chorar.

Palhaço Vovô Moleque: É uma variação do palhaço Vovô Garoto, só que pior. Ele está na casa dos 40, às vezes já beirando os 50, mas é arteiro como um moleque de 18. Acha que casamento é micareta, faz aquele gênero que quer pegar todas, usa gírias em timing errado e, muitas vezes, mesmo sendo avô de verdade, se acha assim: um baby cheio de amor pra dar.

Palhaço Milhagem: É um aprendiz de palhaço. Apaixonado, dedicado, mas sempre palhaço. Acha que relacionamento é como programa de milhagem: para cada dia de bom comportamento, recebe um vale-palhaçada. São bonzinhos, portanto merecem crédito.

Palhaço Comentarista: É aquele metido a saber e comentar de tudo. "Homem não gosta de mulher tatuada" ou “homem não gosta de mulher que bebe." É metido a ser a pedra filosofal da masculinidade. Pode ser uma variação do palhaço Rádio Relógio.

Palhaço Indeciso: É aquele q não sabe o quer e quando finalmente decide, ainda acha que você tá disponível. E ainda por cima vem com aquele jeito canalha, pegando na sua mão com uma cara de quem diz: "eu sei que você tá querendo".

Palhaço Cachorro: Um clássico da espécie masculina. Praticamente “default”. É aquele palhaço casado, mas que em algum momento precisa sair para dar umas voltinhas, senão enlouquece. Quando digo voltinhas, todo mundo entende que não é ir até esquina, fazer xixi e voltar, né?

Palhaço Cobra no Bolso: Antes fosse o que vocês estão pensando. O palhaço em questão não coça o utensílio da calça porque é pão duro. Muquirana mesmo. Daqueles que te chama para sair e vai logo dizendo que tá sem dinheiro ou que divide a primeira conta até nos centavos ou que come o seu petisco, mas só quer pagar a bebida.

Palhaço Glenn Close: Tipo perigoso. Depois que você termina com ele, o bruto transforma sua vida num inferno. Faz ameaças, liga para sua casa de cinco em cinco minutos, tem crises de ciúme... todos lembram de "Atração Fatal", certo?

Palhaço Janete Clair: Esse é um tipo único na dramaturgia brasileira. Ele olha para você, te azara e logo depois do primeiro beijo já quer casar, ter filhos, comprar uma casa no campo e enchê-la de labradores. Quer sair do bar ou boate direto para o banco e abrir uma conta conjunta. Mas cuidado: esse tipo de palhaço muda depois de uma noite de sono. Contra indicado para meninas de coração fraco.

Palhaço de Monte Cristo: Faz a palhaçada, deixa aquele rastro inacreditável e some. Dias, semanas, meses e até anos depois, reaparece. Às vezes com um novo visual, outras se gabando por estar "disponível" mais uma vez: "ô... se quiser, o bonitão tá aqui." A volta dos que não foram perde, né?

Palhaço Nelson Rodrigues: Tem de dois tipos: aquele que te chama para sair e te convida para “tomar um Chicabon” ou que usa termos como motoca, decalque, serelepe, etc. E também aquele saído diretamente das páginas de “A vida como ela é”. Preserva as instituições familiares: casa com a namoradinha do segundo grau, cumpre suas obrigações como marido, tem uma amante, é funcionário público e acha que sexo com prazer é só com puta. Sair para se divertir com a mulher, nem pensar.

Palhaço Pachecão: Te troca sem culpa, sem remorso e sem arrependimento pelo time de futebol. Em época de Copa do Mundo então… ele se esquece da sua existência e concentra todas as suas forças em outros 22 palhaços correndo atrás de uma bola.

Palhaço Bem de Consumo: Extremamente apegado a bens de consumo duráveis e não-duráveis. No melhor estilo agente do IPEA, presta atenção em quantos DVDs, TVs, ar-condicionados, geladeiras e fogões você tem em casa. E quando ele acha que seu eletrodoméstico está assim... digamos, defasado; não se acanha e critica. Claro, o moço quer estar sempre up-to-date no quesito inovação.

Palhaço Perfil do Consumidor: Não tem assunto. Em geral, acaba de te conhecer e começa com um questionário pseudo-intelectual do tipo: "qual seu escritor preferido?”, “e a sua música?”, “e o seu filme?”. Recomenda-se estar de porre pra aturar palhaços assim.

Palhaço Reprodutor: Este só quer te comer para fins reprodutivos. Quer encher o mundo de palhaçinhos e acha que seu sistema reprodutor merece tal missão. Cuidado: na primeira noite de amor pode interromper o coito com a pérola: “quero um filho seu”. Recomenda-se nesses casos a simulação de uma forte crise renal ou ataque cardíaco.

Palhaço Silvestre: Assim como os animais que habitam as vastas savanas, tundras, cerrados, florestas tropicais e planaltos deste mundão, os palhaços silvestres não gostam de movimentos bruscos. A aproximação é feita aos poucos, com cautela. Uma vez dominado, ou seja, uma vez beijado ou deitado em sua cama, não faça movimentos bruscos ou afoitos. Pegue a sua noz e fique ali... todos os dias alimentando o esquilinho...

Palhaço Cozinheiro: Sua arte é cozinhar... te deixa em banho maria, mas comer que é bom... nada!

Palhaço Mestre Cuca: Primo do palhaço cozinheiro... quase um Chef, exímio na arte de cozinhar... te deixa em banho maria, coloca molho, refoga, assa, frita, mas comer que é bom... nadinha!

Palhaço Professor Pasquale: Também conhecido como palhaço Revisor. Ele está sempre atento ao uso do português correto. Um vigia incessante da crase, concordância e regência. Seu último alvo é o dicionário palhaço. Ele lê atentamente, se identifica, vê os erros, corrige e comenta. E muito.

Palhaço TPM: Seu lema é o mau humor. Reclama das suas roupas, resmunga dos seus posts, acha todas as suas histórias ruins. Reclama do seu cabelo, da sua voz, da cerveja quente no dia do futebol, do calor, do vento, da chuva, de tudo! Costuma encher os blogs de comentários ácidos e azedos. Mas, cuidado: geralmente eles ficam uma gracinha quando zangadinhos. Podem enganar, portanto, fiquem atentas.

Palhaço IBGE: Muito comum em salas de bate-papo e MSN. Suas três primeiras perguntas invariavelmente são: "De onde tecla?", "Como você é?”, "Tem foto?"
- se bem que a moda agora é perguntar: “Você tem cam?”

Palhaço INSS: Conta as palhaçadas por “tempo de serviço”. Geralmente são os palhaços mais velhos, que se gabam de serem mais experientes; e portanto, mais vividos e palhaços que os outros.

Palhaço PSDB: Tal e qual o partido, está sempre em cima do muro. Não sabe se quer, se não quer, quando quer diz que não, quando não quer diz que sim.. não sabe se casa ou se compra uma bicicleta. Resumindo: um chato.

Palhaço Tira o som e deixa a Imagem: Quanto mais tempo calado, melhor.

Haja picadeiro pra tanto palhaço!

E você, caro leitor, acrescentaria mais algum verbete a este dicionário?



Camila Souza

sábado, 28 de novembro de 2009

Reciclar É Viver

Nos dias de hoje ninguém presta atenção, ou pelo menos não a devida atenção, ao que está acontecendo com o nosso mundo. As águas, as plantas, os animais... a natureza como forma completa está perdendo seus pedaços, aos poucos.

O reflexo do comportamento inadequado salta todos os dias aos nossos olhos, cada vez mais, e pior.

Quando eu era criança ninguém falava em aquecimento global ou das consequências desastrosas que a natureza sofreria se não cuidada de uma forma responsável. Mas elas aconteceram, e acontecem. A mídia noticia sem parar o descompasso entre o homem e a natureza. Parte de nós, raça humana, e muitas vezes inconscientes dos atos que cometemos, ajudamos a estragar, ou simplesmente deixamos de colaborar. Mas mal sabemos que com atitudes simples podemos fazer muita coisa pra reverter esse quadro. Um pequeno passo pode ser o início da conscientização da maioria e quem sabe a tempo consigamos deixar um planeta melhor para os que ficarão e virão depois de nós. Vamos reciclar. Separar o lixo que produzimos. Destiná-lo ao lugar certo está ao alcance de muitos e pode, com toda certeza, iniciar uma nova corrente para o futuro.

O assunto está no ar, o acesso à informação e ao conhecimento já é possível a muitos. A notícia tem que ser espalhada e assim ter o valor que merece. Precisamos cuidar de onde vivemos para ter onde viver. A iniciativa existe, tem muitas ideias por aí que envolvem esse assunto, informam, esclarecem, colocam de verdade essa realidade em pauta com o objetivo de conscientizar. É lá do comecinho que se deve entender. Se nos meus tempos de criança houvesse a oportunidade que temos nos tempos de hoje, talvez a humanidade estivesse em melhor situação. Infelizmente não foi assim, mas agora pode ser a hora de mudar a mentalidade das pessoas e melhorar o panorama geral. Basta começar.



Liliana Carvalho