sábado, 31 de maio de 2008

Cada um vibra como quer...

Homens e mulheres são diferentes em quase tudo.. o grau de importância das atitudes e conquistas varia de acordo com o sexo. Para o homem ver o time ganhar o campeonato de futebol o faz vibrar muito, já para a mulher... outras coisas são mais importantes que futebol!
Segue uma listinha básica destas diferenças. Se quiser você pode incluir mais alguma coisa

O que te faz vibrar?

Homens X Mulheres

Partida de futebol compras no shopping
Carrão antigo carro zero
Mulher gostosa quilinhos a menos
Jogos de vídeo game escova progressiva
Churrasco com amigos jantar naquele restaurante famoso
Muita cerveja o marido lembrar de comprar smirnoff ice e caipirinha
Ver cenas de sexo assistir filmes românticos
Ser rico e ter uma mulher gostosa ser gostosa e ter um homem rico
Transar em qualquer lugar fazer amor em qualquer lugar
Ganhar uma aposta ganhar uma viagem

Mas todos tem uma coisa em comum! Todos adoram VIBRAR com suas conquistas!

Josiany Vieira

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Histeria tem cura...

"Histérica, histérica
Talvez por devoção ou psicose ou piração
Histérica, histérica
Talvez por caos urbano, Frank Zappa, Caetano
Histérica, histérica, histérica
Acendo um cigarro pelo filtro e depois
Sorrio de nervoso procurando um algoz
E ando como quem tivesse um compromisso
Mas eu não tenho e vou correndo
E berro, e fumo, e grito e tal (...)”


Quando escuto algo sobre histeria automaticamente lembro dessa canção do Oswaldo Montenegro, que sempre tocava no toca-fitas do carro do meu pai. Não sei porque, mas, eu adorava a letra (aff!). Para os psicólogos (ou psicanalistas?) a histeria é uma doença causada pela recusa do desejo sexual. Ou seja, todo desejo sexual que você reprime pode virar um trauma e se manifestar de diversas formas, que vão de alterações motoras a crises epilépticas e alucinações.

Acredite ou não, o vibrador foi inventado por causa da histeria há mais de um século atrás por um doutor chamado Joseph Mortimer Granville. E você sabe por quê?

Imagine um cenário bucólico. Fim do século XIX. Donzelas procuravam médicos para se queixar de insônia, ansiedade, irritabilidade, nervosismo e fantasias eróticas, ou seja, histeria. Os doutores da época, depois de inúmeras tentativas de tratamento, descobriram que a estimulação do clitóris, com os dedos das mãos, fazia com que as pacientes apresentassem uma melhora considerável. Assim, as pacientes voltavam regularmente para dar continuidade ao tratamento. O problema foi que os médicos estavam ficando com os dedos gastos e cansados (há-há-há) de massagear tanto clitóris, e perceberam que precisavam de substitutos mecânicos para os seus dedinhos mágicos. Inúmeros objetos foram criados sem sucesso, até que o doutor britânico Joseph Mortimer Granville conseguiu a proeza (para alegria das histéricas).

Com o acesso aos aparelhos elétricos os médicos começaram a perder suas pacientes que preferiam se auto medicar em casa. Dá pra acreditar? Médicos masturbando pacientes?

O vibrador perdeu popularidade na década de 1920, com a chegada de alguns filmes pornográficos que usavam o “remedinho” para a prática de sacanagem.

Se alguém aí quiser se aprofundar na história do vibrador, seguem algumas sugestões que usei como fonte de pesquisa:

http://deusario.com/2008/02/histeria-feminina-e-o-surgimento-do-vibrador.html
http://www.seattleweekly.com/2002-11-27/news/sex-techs.php
http://www.tbd.com/content/article/basic_article.article:::love_life_history_vibrators

Confira também algumas imagens dos primeiros vibradores e de anúncios da época no link: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=1544




Mônica Wojciechowski

quinta-feira, 29 de maio de 2008

A vida vibra...



O despertador vibra interrompendo um sonho picante;
O avião vibra quando passa por uma nuvem densa, causando turbulência;
O liquidificador vibra todos os dias pela manhã, quando prepara o shake;
Muito marmanjo vibra em frente a outros onze, digo, vinte dois homens e uma bola;
Um professor vibra ao dar dez para alunos dedicados;
Um casal vibra ao abrir o exame positivo de que agora são três e não mais apenas dois;
Um político vibra quando ganha uma eleição;
Um doente vibra quando ganha alta;
Uma criança vibra quando conhece o Papai Noel;
Uma mulher vibra fazendo compras pelo shopping;
Um empregado vibra quando ganha uma promoção;
Uma mãe vibra quando revê um filho distante;
Um cachorro vibra com um suculento osso;
Uma sulista vibra com o tempo aberto dos cariocas;
Um casal de namorados vibra apaixonados a cada dia;
A cadeira de massagem vibra;
Um surfista vibra com uma bela onda;
Um empresário vibra quando ganha uma nova conta;
Um país vibra quando acaba uma guerra;
Um chef de cozinha vibra quando percebe pessoas salivando seus pratos;
Um rapaz vibra quando compra seu primeiro carro;
Um cientista vibra quando vê sua invenção concluída;
Um atleta vibra ao subir no podium;

E... Você leitor vibra quando lê “As Desaforadas”?

Verônica Pacheco

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Ladies first



Acumularam suas bagagens dentro da voadeira, bem próximas ao motor de 40 hp. Fabiano, o caiçara da Ilha que os conduziria na viagem, deu a mão para que entrassem um a um na embarcação. Só os dois rapazes recusaram a gentileza, saltando do trapiche para o barco. Ficaram assim posicionados: Cícero e Cecília na proa, Eric e Rita no meio, e Fabiano conduzindo o braço de leme na popa, equilibrando assim a distribuição de peso na lancha de nove metros. Partiram com o sol matutino já dando sinais de bom humor, o vento robusto soprando forte e o barulho do motor dificultando as conversas animadas entre o grupo de amigos. Pediram rindo para que Fabiano brincasse de gôndola cantando uma canção romântica, mas o condutor não ouviu direito (se ouvisse também não adiantaria, pois não sabia o que era uma gôndola e só conhecia alguns poucos fandangos que nada tinham de românticos). De todo modo, o comandante sem brevê sorriu para ser simpático, mesmo porque o quarteto estava pagando bem. Cícero e Cecília beijavam-se e contemplavam a proximidade cada vez maior da Ilha do Mel, enquanto os irmãos Eric e Rita trocavam ralas palavras, já que tinham pouco a dizer devido à convivência diária. Em alguns minutos estavam atracando em Brasília – houve impasse, pois Cícero e Cecília queriam ficar em Encantadas, mas foram alertados de que seria mais difícil achar vaga em pousada naquele outro lado da Ilha.
Em pouco tempo de caminhada e pedidos de informação, sentiram que de fato seria complicado conseguir pouso naquele feriado de Corpus Christ. Não fizeram reserva e contaram com a sorte, que parecia não lhes favorecer. A grande movimentação de embarcações que chegavam a todo tempo indicava que a tarefa de encontrar alojamento tinha tudo para ser exaustiva. Fabiano havia falado de uma desistência na Pousada das Meninas, mas esta não se confirmou quando chegaram ao local. Voltaram a caminhar arrastando as chinelas pela areia fina das estradinhas capinadas, indagando de tempos em tempos a turistas e moradores sobre um par de quartos vagos, depois um quarto único e, por fim, quando emanaram os primeiros sinais de cansaço e desespero, qualquer quartinho modesto que desse para um quarteto repousar com um mínimo de conforto. Encontraram. Era uma pousada pouco conhecida, no final da Praia Grande, só que havia disponível apenas uma suíte com dois beliches. Aceitaram sem pestanejar, pois a hora do almoço se aproximava e todos mal tinham feito o café-da-manhã. Acomodaram-se, deixando as mochilas e saindo em seguida para uma caminhada na areia, seguida por um almoço próximo à pousada Grajagan (esta sim, nos sonhos de Cecília, que ainda recordava da última vez que ficara por lá com duas colegas de faculdade).
Comeram peixe ao molho de camarão, bebericaram três caipiras, Eric fumou um cigarro de cravo na saída, Cícero e Cecília foram conferir colares e pulseiras de conchas na banca de um bicho grilo, e Rita buscou informações turísticas num quiosque da secretaria de turismo. Voltaram para a pousada, já um pouco exaustos pela peregrinação da manhã. Eric fez menção de ir ao banheiro simultaneamente a Cecília. “Ladies first”, disse cedendo a vez gentilmente. Cecília sorriu e entrou naquele sanitário rústico, de encanamentos à vista e reboco ainda fazendo rude relevo nas paredes. Olhou-se no espelho aborrecida: esperava por um quarto apenas para ela e Cícero, bem avisou que seria difícil conseguirem algo indo assim de última hora. Mas a empolgação em mesa de bar no dia anterior foi mais forte do que o medo de dormir na areia. Ela sabia que não teriam sexo, por estarem em quarto único, em beliches e, entrave dos entraves, numa situação de casal bem comportado, sendo Cícero bom rapaz o suficiente para não querer nenhuma aventura no meio do mato ou na praia em meio ao breu noturno. Cecília irritou-se. Agora ansiava por uma vingancinha inconseqüente. Observou então a presença da nécessaire bege de Eric em cima da pia. Decidiu homenageá-lo. Mas, para maior realismo em seu imaginário, resolveu buscar nos objetos de higiene pessoal do rapaz algo que o lembrasse com maior nitidez. Abriu o zíper e vasculhou em busca de algum perfume, mas sabia que seria difícil encontrar ali um frasco do Paco Rabanne que ele exalava vaidoso nas baladas. Encontrou tubos de shampoo e condicionador, enxágüe bucal, lenço de papel, preservativos, sabonete, pente e um desodorante que lembrava seu ex-namorado, pelo qual agora sustentava enorme repulsa. Seu aborrecimento por lembrar-se do traste logo se dissipou: encontrou uma escova de dentes elétrica. Apertou o botão e a sentiu tremer em sua mão. Passou a ponta dos dedos pelas cerdas macias e, depois, roçou o corpo todo da escova pelas costas da mão e entre seus dedos finos. Maravilhou-se com a idéia. Não teve dúvidas.
Minutos depois, abria a porta de correr com olhar discretamente extasiado, dando espaço para o inocente Eric entrar. Foi para a varanda e deitou-se na rede, balançando-se enquanto recebia a brisa do mar em seu rosto, puxando o cabelo para trás da orelha a fim de observar melhor o namorado conversando com Rita sobre uma possível programação para aquela tarde (embora Cecília não estivesse assimilando conteúdo nenhum do diálogo). Dentro do banheiro, Eric tinha a melhor higiene bucal de sua vida. Admirava-se com o prazer que extraía de sua escova elétrica, demorando-se com ela em seus sisos, caninos e molares, saboreando-a e transitando por língua, gengiva e mucosas. Sentia seu aroma e queria entender qual a familiaridade que percebia agora no aparelho. O abrasivo do gel atenuava as lembranças, mas Eric mesmo assim teve a escovação mais demorada que podia lembrar.
Passaram a tarde caminhando pelas pedras altas que margeavam o mar entre Brasília e Encantadas, sentando ao final do dia em uma das mais altas para apreciar o pôr-do-sol. Não foram os únicos, já que outro grupo resolveu acender um baseado a poucos metros do quarteto, rindo alto e cantando o repertório do Dazaranha.
Voltaram para a pousada quando já anoitecia. Jantaram por lá mesmo. Cecília foi mais rápida que os demais, devorando sua tainha sob o olhar de surpresa de Cícero, que não imaginava a namorada estar com tanta fome. Não estava. Terminada sua refeição, pediu licença aos demais e foi para o quarto, alegando querer tirar uma espinha presa à gengiva. Rita sugeriu um bochecho com guaraná, Cecília declinou da idéia. No banheiro, o zíper da nécessaire era abaixado quase que como num gesto ensaiado de strip tease. Minutos depois ela voltava à mesa, onde a conversa dos amigos já chegava a um desfecho pelo sono que vinha com o marulho acalentador e pela exaustão daquele primeiro dia de Ilha. Todos se levantaram, sem perceber os olhos perdidos e o sorriso bobo de Cecília. Agora, era Cícero quem se apressava para ir ao banheiro. Desta vez só deixou para aplicar o gel muito tempo depois de saborear a escova ao natural. Aspirava seu aroma, degustava-a. Demorava-se a contemplar sensorialmente o objeto que até então só tinha a função de lhe proteger das cáries.
Todos dormiram comportados, cada qual em seu leito. Rita ainda demorou-se um pouco, lendo seu Tom Wolfe com uma lanterna, enquanto Cícero respirava alto em sono profundo, e Cecília e Eric ainda se debatiam para pregar os olhos, apesar de exaustos.
Dia seguinte, repete-se o ritual logo cedo. Mamão, pão com manteiga e café preto bem forte. Sol ardendo leve já nas primeiras horas. Corrida para o banheiro. Cecília saindo extasiada. Eric entrando em seguida. Felicidade quase indisfarçável ao abrir a porta de correr. Um ritual que voltara a se repetir outras duas vezes naquele dia. A excitação de Cecília com o objeto não era nem superada pela sessão de massagem com bloqueador solar feita por Cícero na areia da praia. Rita tentava convencer Eric a passearem um pouco para deixar o casal de amigos a sós por ao menos alguns momentos, mas ele, por sua vez, a dissuadia da idéia argumentando que os dois não pareciam querer dispensar companhia. O quarteto ficou assim, junto o tempo todo, em conversas animadas sobre músicas, filmes, viagens, vida e lendas da Ilha. Caminharam à tarde até o farol e fizeram dezenas de poses para fotos que certamente recheariam seus álbuns no Orkut.
À noite, o baile de forró e fandango permitiu uma aproximação animada, mas tímida e inconseqüente, entre Eric e Cecília, que dançaram duas modas rodeados por nativos empolgados com suas violas e rabecas, e jovens visitantes enchendo a cara de xiboquinha. Os quatro voltaram para a pousada às gargalhadas, recordando da dificuldade de Rita em dançar com um senhor de idade muito avançada que queria lhe ensinar o tamanqueado do fandango. Cícero andava quase que se escorando na namorada, por ter exagerado nas cervejas. Cecília não conseguia trocar olhares com Eric pelo escuro denso que se fazia naquelas picadas sem qualquer iluminação. Chegaram à pousada, lavando os pés na torneirinha lateral da casa, a fim de tirar o excesso de areia. Contiveram risadas e conversas para não despertar os demais hóspedes e foram direto ao modesto alojamento conseguido a duras penas. Cícero caiu na cama com os pés para fora e dormiu naquela mesma posição, sob um cafuné preguiçoso da namorada, que tinha seus olhos voltados para o lado de fora do quarto, no qual observava Eric a se balançar naquela rede já úmida pelo orvalho da noite. Mas ele olhava em direção ao mar encoberto pelo véu da noite, possivelmente também adormecido. Após Rita sair do banheiro, já com seu Tom Wolfe embaixo do braço, Cecília tirou a cabeça de Cícero de seu colo e a acomodou em um travesseiro. Fechada a porta, foi até a nécessaire com uma compulsão que mais parecia vício. Demorou-se mais do que de costume. Ansiava por aquele momento desde que começou a dançar com Eric no baile do centrinho de Brasília. Recordava os breves instantes de roçar de coxas e seus seios miúdos tocando de quando em quando o tórax do amigo. Cuidou para não gemer, pois seria entregue pelo silêncio da noite. Quando Cecília saiu do banheiro, Rita já não tinha mais sua lanterna acesa no alto do beliche. Caminhou até a porta do quarto e observou que Eric dormia na varanda, embalado pelo leve vai-e-vem da rede e, com certeza, também pela seqüência de xiboquinhas e cataias. Ficou enfurecida por ele a trair no ritual. Pensou em acordá-lo para que fosse ao banheiro cumprir com sua parte. Temeu ser flagrada ali a observá-lo. Virou-se e viu o namorado já no alto do sono, escancarando a boca aberta e soprando um leve ronco que ela temia aumentar naquele resto de noite que tinham pela frente. Resolveu deixar a porta aberta e foi dormir. Acomodou-se na parte alta de seu beliche, acima de Cícero, e sentiu vontade de quebrar a escova elétrica em sinal de retaliação. Achou melhor não, sentiria falta no dia seguinte.
Não disfarçou seu aborrecimento no café-da-manhã, deixando Cícero confuso e jogando a culpa na TPM. Eric sentia uma vergonha que não conseguia explicar para si mesmo, e que lhe dificultava ingerir o farelento pão d'água. Rita era indiferente à situação, servindo-se de três fatias de melancia que alegava hidratarem, recomendando a todos para que fizessem o mesmo e se recuperassem melhor dos excessos da noite anterior.
As pazes foram feitas naquela manhã com a retomada do ritual. Desta vez Cecília usou gel: logicamente não gel dental, mas sim KY para ousar mais em suas brincadeiras íntimas. O produto acabou prejudicando o prazer de Eric, mas ele estava encantado demais para se deixar aborrecer por aquele pormenor.
O grupo não quis caminhar naquela manhã, preferindo tomar sol e banho de mar em frente à pousada. Cícero deu continuidade ao entretenimento etílico do baile, aproveitando-se do filho adolescente dos donos da pousada, que já querendo mostrar serviço levava de tempos em tempos uma garrafa de cerveja até ele. O excesso acabou impedindo que fossem passear até o forte naquela tarde. Mas nada que estragasse o programa, já que cada qual tinha com que se entreter por ali mesmo: Rita paquerando os surfistas que agora craudiavam o mar de meio metrinho da Praia Grande, Cícero se abraçando com uma garrafa de xiboquinha e as Skol que surgiam a seu lado de tempos em tempos, e Cecília e Eric tendo a chance de se aproximar melhor. Mesmo com a presença do namorado, ela puxava conversa e engatava um assunto a outro com Eric. Quase convidou-o para entrar no mar com ela. Acabou indo sozinha, sabendo estar sendo observada ao caminhar em direção à água, mesmo porque tinha certeza que seu biquíni cavadíssimo a tornava irresistível aos olhares masculinos. No meio da tarde, Eric ainda tinha aquele gosto memorável na boca. E Cecília, em meio às ondas, ainda sentia os espasmos e contrações promovidos por aquele inusitado e tecnológico objeto do desejo. Pela primeira vez, ela não se preocupava com o grau alcoólico elevado de Cícero.
Noite de lual na frente da pousada. Dois violões, um grupo que veio de excursão do Mato Grosso. Maconha, fogueira, goles de cataia, risos altos e o quarteto participando mesmo sem ser convidado, o que não o impediu de ser muito bem recebido. Em pouco tempo pareciam todos ter vindo juntos para a Ilha. Mais tarde, os quatro jantavam anchova na pousada, Rita e Cícero famintos pela larica. Eric deu apenas uma bola e Cecília usou do método Bill Clinton. Foram para o quarto ainda ao som alto dos violões e do set list que ia de Adoniram Barbosa a Zeca Baleiro. Bastante risonha, Cecília encaminhou-se ao banheiro, mas quase teve sua passagem obstruída por Eric, que parecia ter se esquecido por um momento da seqüência do ritual. Desculpou-se, “ladies first”. Ela sorriu, piscou e entrou ansiosa. Eric sentou-se no beliche ao lado de Rita para esperar. Com quase indisfarçável expectativa, acompanhou pouco interessado o jogo de cartas entre a irmã e Cícero, todo empolgado com as belas trincas formadas por números e naipes que Eric praticamente desconhecia. Dentro do banheiro, Cecília se atormentava na busca por uma solução: o excesso de uso do aparelho consumira por completo com a pilha palito que o alimentava. Se houvesse espaço no recinto, ela caminharia de um lado para o outro. Como não havia, ficava apenas a esfregar seus cabelos, como que tentando tirar alguma idéia em meio aos fios. Abriu a porta do banheiro e Eric fez menção de levantar. Com a mão e o olhar, Cecília sinalizou que ainda não era tempo. Sem entender, Eric voltou a se sentar na cama. Rita e Cícero, entretidos com o jogo, não repararam quando ela remexeu a mochila do namorado à procura de algo que nem ela sabia o que era. Depois de algum tempo encontrou uma provável salvação: um MP3 Player. Fechou a mochila e entrou no banheiro apressada. Eric voltou sua atenção novamente ao jogo de cartas, sem entender o ocorrido. Dentro do banheiro, Cecília trocava as pilhas com mãos aflitas como as de um viciado ateando fogo à pedra de crack. Torceu para a escova ligar. Não ligou. Abriu de novo o aparelho e percebeu que, na pressa, havia invertido os pólos. Mudou o lado da pilha, fechou, acionou o botão e quase gargalhou em êxtase ao sentir o equipamento reviver em suas mãos. Tempos depois, novo revezamento no banheiro: sai Cecília, entra Eric. Sabendo ser aquela a última noite, ele saboreou seu apetrecho de higiene bucal como que já se despedindo. Apegara-se de tal modo àqueles momentos que só saiu de seu transe quando Cícero bateu à porta dizendo que não agüentava mais esperar. Naquela noite, o sono relutou demais em chegar.
O café-da-manhã do dia seguinte foi amargo. O mamão parecia ser só sementes. O leite dava sensação de azedo. O açúcar não adoçava. Até o carinhoso dautchaund que tomava conta da pousada parecia antipático com seus grunhidos pedindo sobras ao pé da mesa. Como que em acordo premeditado, Cecília e Eric praticamente não se alimentaram e nem foram ao banheiro em seguida. A poucos metros um do outro, acomodaram-se sonâmbulos com o corpo apoiado ao para-peito de madeira crua que adornava a varanda. A manhã estava um tanto nublada e permitiu apenas um último passeio ao centrinho da Ilha para a compra de souvenirs. Almoçaram por lá mesmo. E tiveram de voltar às pressas, pois foram avisados de que se avizinhava mar ruim. Quando chegaram na pousada, Fabiano já os esperava aflito. Tiveram de arrumar as coisas em questão de poucos minutos, jogando tudo para dentro das mochilas como dava.
De fato, atravessaram um mar crespo e rebelde, que rendeu alguns momentos de apreensão, em especial para Rita, que não sabia nadar, além de banhos coletivos pelo impacto da embarcação quando seu casco espancava as ondas maiores. Mas chegaram a salvo em Pontal do Sul, apenas molhados e doloridos pelo embalo agressivo.
Subiram a serra ouvindo muito Moby no carro e conversando sobre os melhores momentos do passeio, fazendo um flash-back verbal para sedimentar o feriado na memória. Eric dirigia voltando-se vez ou outra ao retrovisor para fazer seus olhos cruzarem com os de Cecília. O segredo que ambos sustentaram naqueles dias fora confirmado quando ele, antes de sair da pousada, percebeu a Ray-O-Vac de sua escova ter sido substituída por uma Duracell.
Ao chegar em seu apartamento, Eric ficou imaginando qual seria a reação de Cecília ao encontrar em sua mochila a escova elétrica. Nada mais adequado, já que Cecília deixara na mochila de Eric seu fio dental.


Mario Lopes

terça-feira, 27 de maio de 2008

Amigas solidárias

Minhas queridas amigas,

Pra você que está se sentindo solitária, sem dinheiro pra sair ou pra comprar brinquedinhos no estilo do Roger Rabbit (indicado pela desaforada Aletéia) e ainda suuuuper necessitada.
Seus problemas acabaram. Faça como eu, inspire-se nesse vídeo aí abaixo que um simpático criativo e essas lindas meninas tiveram a cara-de-pau de gravar.
Afinal, hoje quem não tem um celular, não é? Apenas ligue do seu fixo ou empreste o celular do seu filho ou amiguinha. Eu recomendo, dá certo.
E não esqueçam de me ligar, sempre, em qualquer horário.

Com carinho,
A amiga solidária




video



By Mazé Portugal

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O Famoso Coelho e não é o Pernalonga...

Tema da Semana: Como Vibra...
Vibra lembra, é claro, vibrador.
O básico vibrador de celular... que quando entra em ação dá alguns sustos rss
Mas lembrei de um episódio em Sex and The City.
heheheh Contagem regressiva dia 06 de junho estréia o tão esperado filme!

Jack Rabbit - o "coelhinho" companheiro.
Essa é a Charlotte a romântica das 4 amigas, da série.
"coelho" é o vibrador mais popular do mundo.
O Jack Rabbit foi a estrela na série de TV americana 'Sex and the city ' da HBO.
Quando o assunto era sexo, elas foram sempre didáticas, deram muitas aulas na tv. Tem as mulheres (a maioria) que a ama a série, mas tem a minoria que odeia... não é possível agradara a todos e principalmente as mulheres! Enfim eu faço parte da maioria que adora a série que durou 6 temporadas.
Elas ensinaram os prazeres de usar um vibrador, observando, é claro, as indicações do Ministério da Saúde: use com moderação ou o "brinquedinho" vicia, como foi o caso de Charlotte, que não conseguia se livrar do vibrador conhecido como rabbit, no episódio A Tartaruga e o Coelho.
Este já se tornou um clássico entre os vibradores, depois que a personagem Charlotte (a mais púdica das 4 amigas), de Sex and The City, ficou viciadíssima no aparelhinho, fazia caras e bocas e deixou de sair algumas vezes com as amigas para ficar em casa brincando com o seu amiguinho o "coelhinho" querido.
Além de vibrar e penetrar, as duas orelhinhas na ponta da haste menor do vibrador são ideais para estimular o clitóris. A haste menor pode também ser usada para sexo anal nas ocasiões de dupla penetração. O coelho fez sucesso!
Muitas mulheres amam, idolatram e não vivem sem seus amiguinhos... que dá para montar um bom zoológico com esses personagens do "país das maravilhas" coelhos, borboletas... com diversas cores, formatos e apetrechos...
:-)
bjks Aletéia Ferreira (Ale)

domingo, 25 de maio de 2008

Teste seus tabus

Responda sinceramente, marcando quais modalidades abaixo encontram-se na sua lista de tabus, ou seja, assinale aquilo que não faz, nunca fez e/ou não gostaria de fazer. Dica: copie e cole no word, ficará mais fácil sinalizar do que escrever à mão. Depois, é só descer pela barra de rolagem e conferir o resultado. Se tiver alguma dúvida, pergunte nos comentários.

Sexo:
( ) Convencional
( ) Oral
( ) Verbal
( ) Anal
( ) Grupal

Figurinos:
( ) Fetiches (colegial, enfermeira, policial, etc)
( ) Personagens (de filmes, HQs, desenhos animados, etc)
( ) Dominatrix
( ) Striper
( ) Prostituta

Exibicionismo:
( ) Praia de naturismo
( ) Caminhar à vontade pela casa com janelas abertas
( ) Expor-se na webcam
( ) Fazer strip tease
( ) Usar trajes de banho mínimos ou praticar topless

Voyeurismo:
( ) Ver gente se exibindo pela web
( ) Espiar vizinhança
( ) Ver o cônjuge transar com outra pessoa
( ) Xeretar gavetas alheias em busca de peças íntimas
( ) Apreciar bem de perto o órgão sexual alheio

Local:
( ) Natureza (praia, mato, cachoeira, etc)
( ) Local público (banheiro de boate, elevador, parque, etc)
( ) Local de trabalho
( ) Carro
( ) Igreja

Experiências:
( ) Drogas e sexo
( ) Jantar com comidas afrodisíacas
( ) Sentir o próprio gosto
( ) Assistir a filmes pornô a dois
( ) Praticar técnicas de livros sobre sexo

Variações:
( ) Ménage à trois
( ) Dar escapadinhas virtuais
( ) Transar com pessoa do mesmo sexo
( ) Swing
( ) Freqüentar casa de sexo grupal

Suplentes:
( ) Receber massagem erótica
( ) Fazer sexo por telefone
( ) Praticar cyber sex
( ) Escrever poesia ou conto erótico
( ) Exercitar pompoarismo

Masturbação (só):
( ) Imaginando-se com outras pessoas que não quem você ama
( ) Vendo fotos e filmes de sacanagem
( ) Lendo contos eróticos
( ) Em público (ex.: por baixo da mesa, em restaurante)
( ) Usando objetos

Masturbação (a dois):
( ) Masturbar o cônjuge
( ) Masturbar-se para o outro ver
( ) Um se masturbando para o outro simultaneamente
( ) Um masturbando o outro simultaneamente
( ) Masturbar-se em conversa picante

Provocações:
( ) Sair sem roupa de baixo para excitar na hora certa
( ) Deixar seu cheiro em objetos pessoais do amado
( ) Mandar mensagens sexys (celular, e-mail, msn, etc)
( ) Deixar-se fotografar ou filmar nua ou transando
( ) Combinar uma transa com alguém que conheceu na web

Hardcore:
( ) Sadomasoquismo
( ) Levar e/ou dar tapas
( ) Levar lapadas
( ) Simular estupro
( ) Bondage

Verborragia:
( ) Falar e ouvir sacanagem durante o sexo
( ) Gemer alto
( ) Gritar
( ) Ser xingada ou xingar
( ) Escrever textos eróticos

Escatologia:
( ) Chuva dourada
( ) Chuva negra
( ) Troca de saliva
( ) Engolir esperma
( ) Transar durante o período da menstruação

Boca:
( ) Oral na vagina
( ) Beijo grego
( ) Chupadas e lambidas nos testículos
( ) Pênis crescendo na boca
( ) Língua sendo chupada

Dedos:
( ) Fio terra
( ) Dupla penetração de dedos
( ) Penetrar-se para o parceiro ver
( ) Penetração de vários dedos
( ) Dar o dedo molhado para o cônjuge chupar

Ejaculação:
( ) Na barriga
( ) Na boca
( ) No rosto
( ) Nos seios
( ) No ânus

Aditivos:
( ) Comidas
( ) Vibrador
( ) Bolinhas chinesas
( ) Bolinhas de pompoarismo
( ) Virgin Again

Perversões:
( ) Zoofilia
( ) Necrofilia
( ) Pedofilia
( ) Gerontofilia
( ) Panfilia

Ousadias:
( ) Dar presentes íntimos (ex.: calcinha usada)
( ) Fazer depilação total da região pubiana
( ) Criar historinhas (ex.: parceiro vem como entregador de pizza)
( ) Transar com alguém que acabou de conhecer
( ) Transar com mais de uma pessoa de cada vez na mesma noite

Bizarrices:
( ) Penetrações inusitadas (ex.: com os dedos dos pés)
( ) Sexo com parceiro inflável
( ) Brincar de sushi woman
( ) Incesto
( ) Sexo durante a gestação

Exotismos:
( ) Kama sutra
( ) Sexo tântrico
( ) Sexo inter-racial
( ) Massagem de esperma
( ) Terapia sexual

Posições:
( ) De quatro
( ) 69
( ) Espanhola
( ) Em pé
( ) Gangorrinha
( ) Candelabro suspenso
( ) De bruços
( ) No colo
( ) De ladinho
( ) Por cima

Extras:
( ) Posições submissas (ex.: amarrada e amordaçada de joelhos)
( ) Rebolar durante o sexo
( ) Ser cheirada ou cheirar intimamente
( ) Ser lavada ou lavar
( ) Sentar no rosto do parceiro
( ) Dupla penetração com parceiro e vibrador
( ) Cabelo puxado com força durante penetração
( ) Despir e despir-se rasgando a roupa
( ) Discar para tele-sexo
( ) Pagar por sexo


Resultado parcial:

Sexo
Caso você seja do time do Renato Russo, então marcou a opção três, muito provavelmente com o discurso de que prefere sexo carnal. Uma coisa não dispensa a outra, mas tudo bem, diga apenas que é tabu e pronto, economiza horas de argumentação sem sentido. Das opções à disposição, a que não tem nexo é a de sexo convencional: caso esteja em sua lista de tabus, então significa que você provavelmente só o aceita para a perpetuação da espécie, ou seja, seu problema só não é grave aos olhos de Bento XVI. E se marcou a opção de sexo anal, a reposta mais convencional será a de que “lá” não foi feito para o sexo. Boca também não, portanto tire a sua de lá e não deixe que façam o mesmo contigo. Aliás, segundo a liga das senhoras católicas, mãos também não foram feitas para o sexo e seios têm a função de amamentar. A liga reza ainda que olhos não foram feitos para ler blog de safadeza!

Figurinos
Se você assinalou as opções um e dois é porque tem medo de passar ridículo. A três se refere a não gostar de coisas mais agressivas. E a penúltima e última são para mulheres que têm medo de ser confundidas com vagabundas. Claro, seu parceiro pode achar que você é uma meretriz disfarçada de mulher descente, né?

Exibicionismo
Compreensível que você não goste de se expor em público. Mas a dois ou entre quatro paredes, pode ser um pouco de exagero. Tem um episódio dos Simpsons em que o Homer faz sua oração antes de ir para a cama (e transar) e diz a Deus que ele pode ficar observando e se divertindo “como sempre”. Enfim, privacidade é artigo de luxo, principalmente para quem tem algum tipo de crença metafísica (e não brigue com seu anjo da guarda, ele só está cumprindo ordens).

Voyeurismo
Aquele que nunca deu uma espiadela pelo buraco da fechadura que jogue o primeiro binóculo. Os reality shows da vida são a prova de que todo mundo tem seu lado voyeur. E entre as 50 manias inconfessáveis das mulheres, segundo a Revista VIP, está a de revirar as gavetas do amado assim que ele sai de casa (especialmente se é um amado novo). Dizem que depois da publicação da matéria quadruplicaram as vendas de ratoeiras.

Local
Sai de retro, igreja é meio demais mesmo. Quanto aos outros locais, não têm nada de tão problemático ou absurdo. É só tomar cuidado nessas áreas perigosas para não passar por situações vexatórias. Vai ser difícil convencer seu chefe de que você estava organizando a papelada ao passar por um flagra, de quatro, em pleno ato, justo na mesa dele.

Experiências
Se você respondeu que não curte drogas e sexo mas costuma tomar um vinhozinho para relaxar antes da transa, trate de desmarcar esta opção. Droga é tudo aquilo que vicia ou muda seu estado de consciência. As demais opções são de foro íntimo e pessoal, aliás bastante inconseqüentes. Se você se escandalizou com alguma, é recomendável aumentar a dose do vinho.

Variações
Se você é do tipo que acha que mais de duas pessoas não é sexo e sim formação de quadrilha, normal que tenha assinalado todas as opções deste tópico. Ao que tudo indica, quanto mais hetero, mais difícil gostar de modalidades grupais, principalmente para homens, pois já é constrangedor tomar banho em conjunto depois do jogo de futebol, quanto mais ter seus pares caminhando pelados ao redor e armados. Já a escapadinha virtual, bem, isso entra na linha do relativo. Sexo sem contato físico é traição? Se sim, então ingressa na mesma classificação dada pela revista Sexy há alguns anos: “se você pensou em trair, já traiu”.

Suplentes
Difícil acreditar que alguém possa ter algum dos itens deste bloco como tabu. Principalmente porque tabus envolvem invasão da moral, nojo ou desconforto, reações que não ocorrem em nenhum dos casos (talvez só no último). Mas, enfim, se você apontou algum deles é porque é uma pessoa bastante convencional, gosta de sexo como se praticava antigamente. A propósito: sexo por telefone não é botar o celular no vibra-call e sentar em cima, OK?

Masturbação (só)
Depois que foram descobertas propriedades preventivas do câncer de próstata na masturbação, muito marmanjo passou a assinar a Playboy com desculpa de recomendação médica. Não se sabe se há algum benefício fisiológico para as mulheres, mas a masturbação como tabu, para qualquer um dos sexo, é algo comum apenas em conventos e mosteiros onde se pratica auto-flagelação. Já masturbar-se pensando em outra pessoa que não a que você ama, bem, daí voltamos ao impasse: pensar é o mesmo que trair? Se você acha que sim, então saiba que a sua imaginação é o mais eficaz cúmplice para o adultério.

Masturbação (a dois)
A melhor forma de prazer solitário é a dois. Se há algum tabu aqui, a culpa é da inibição. E inibição no sexo tem tanto sentido quanto fazer uma refeição com vergonha de a outra pessoa ver você se alimentando.

Provocações
Aqui vai muito do seu espírito de aventura. Dependendo da situação, pode render chantagem ou até desenlaces frustrantes e perigosos. Às vezes tabu é entrave sem explicação racional, em outras é puro bom senso. Mas atingido o patamar da confiança plena, estas provocações podem virar um jogo excitante. E de ganha-ganha.

Hardcore
Dizem que tapa de amor não dói. Para complementar, Nelson Rodrigues afirmava que “nem todas as mulheres gostam de apanhar, apenas as normais”. Claro, isso é muito diferente de o cara tirar um soco inglês da gaveta do criado mudo. É possível violência com respeito? E com prazer? Respostas muito íntimas e pessoais essas.

Verborragia
Assim como tem gente que prefere sexo no escuro, tem quem goste de fazer no mais absoluto silêncio. Quem responde que não gosta de abrir a boca nessas horas alega que não quer se expor. O recado é: hello-ooo, você está fazendo sexo, existe alguma forma de se expor maior do que essa?

Escatologia
Tem um ditado do interior meio estranho que diz que “o que é do gosto, regalo da vida”. Em outras palavras: quem gosta, que aproveite. Não vamos entrar mais aprofundadamente neste assunto, porque ele é muito pouco palatável para a grande maioria das pessoas. Sobre transar no período menstrual, não há nada de mau nisso, a não ser que o mancebo queira brincar de Conde Drácula. E a respeito do esperma, há vários estudos (sérios) que o apontam como nutritivo e saudável para a pele. O grande ponto fraco mesmo é o sabor não lembrar nem de longe leite condensado.

Boca
Os tabus referentes a estas opções só existem por uma suposta questão de higiene. Então, aqui vai um interessante quadro apresentado no Casseta & Planeta de alguns anos atrás: havia um milionário que não fazia sexo, pagava para outro fazer com sua esposa – isso porque, segundo ele, “sexo é muito anti-higiênico”. Difícil contestar sua afirmativa. Como também é difícil apoiar sua iniciativa.

Dedos
O fio terra, assim como o exame de próstata, é o grande tabuzão masculino. Já para as mulheres o método Eliana não causa grande escândalo, mas há resistências. Para o homem, resta intuir se está ou não metendo o dedo onde não é chamado.

Ejaculação
Não é champanhe, mas você sacode e ele estoura desordenadamente. Há toalhinhas especiais para você estancar o jorro antes que ele respingue naquele lençol que você acabou de comprar na Havan. Ou lencinhos, toalhas de papel, papel higiênico, enfim, outras opções para o caso de você ter tabu pela substância fértil e melecosa. Só, por favor, não faça cara de nojo. Todo homem, involuntariamente, pena muito para produzir o sêmen derramado: cada gota de esperma equivale à perda de 30 gotas de sangue. Entendeu agora porque sexo é proibido aos atletas antes de competições?

Aditivos
Talvez você prefira que o sexo seja restrito a um corpo e outro corpo. Mas daí a ter aversão a algum elemento extra no meio da relação pode ser indício de que seu grau de purismo está um tanto exacerbado. Claro, se de repente o coadjuvante passa a protagonista, daí é grave. Nenhum homem ficaria muito feliz em dar um vibrador à esposa e depois perceber que ela se diverte mais com o brinquedo do que com ele.

Perversões
Se você marcou qualquer uma das opções deste bloco, deixe seu nome e endereço nos comentários para que possamos mandar uma ambulância com paramédicos e camisa de força urgentemente à sua casa.

Ousadias
Nem são lá tãããão ousadas assim essas opções, foram classificadas deste modo pela falta de título melhor. Só uma observação: a primeira opção não é nojenta, não. Em todas as espécies animais o cheiro é elemento principal de atração, e nós somos, sim, animais. Se você acha nojento, recomendo que traga o Dr. Bactéria, do Fantástico, para fazer uma inspeção na sua relação sexual: garanto que o laudo da investigação vai ser um tremendo choque.

Bizarrices
O último item só chega a ser problema quando a gestação está avançada, ou quando a gestante não é a esposa. O penúltimo é claro que é bastante abjeto, mas transar com um parente distante não é nenhuma anomalia: um primo de quarto grau de Botucatu que você só viu quando era pequeno no enterro da sua tia-avó não representa problema nenhum. Já os outros são mais esquisitos mesmo, mas bem conversado tudo dá certo (exceto com o boneco inflável, claro).

Exotismos
O mundo está cheio de novas possibilidades sexuais, e absorver outras culturas, técnicas e parceiros é absolutamente natural. Leve o tal “mundo globalizado” para a cama. E tabu por sexo inter-racial não é tabu, é preconceito. Quanto à terapia sexual, é preciso tomar cuidado, porque tem diversas modalidades, das mais sérias às mais tabajaras. Preste atenção para não acabar passando da classe de paciente para a de cobaia sexual.

Posições
Foram colocadas aqui as dez posições que podem gerar algum tipo de tabu, portanto ficaram de fora as muito convencionais (ex.: papai-mamãe) e as variantes (ex.: em pé de frente e em pé de costas). Mas, por favor, ter tabu com posições é o cúmulo. Embora haja quem não goste de ficar de quatro porque acha que se expõe demais, ou quem não suporte 69 por ficar em dúvida a respeito de onde deve canalizar sua concentração, ou ainda quem não curta espanhola por achar anti-natural. Enfim, de todo modo é bom você rever suas posições quanto ao assunto.

Extras
Essa é a raspa do tacho: dez extras que podem ser tabu para alguém. Claro que as listas poderiam continuar indefinidamente, mas deixemos por aqui para não encucar demais, já que o sexo começa a ficar parecido com um jogo burocrático de carimbadas “tabu” e “não tabu”. Mas dessa lista derradeira é importante salientar o último item, que não se trata de tabu mas sim de atentado ao bom senso (mesmo que socialmente tolerado): quando sexo envolve cifras, fica difícil de se saber se é mais humilhante para quem paga ou para quem recebe. Sexo como comércio não é tabu, é aberração mesmo.


Resultado final:

Até 05 tabus: Roman Polanski
Você não só não tem tabus, como sofre de alguma anomalia grave. Corra ao terapeuta mais próximo, mas pedindo antes para que ele se prepare para fazer a consulta atrás de grades de proteção.

De 06 a 10 tabus: Michael Douglas
Você tem um pezinho no lado selvagem e doentio do sexo. É uma daquelas pessoas que no teste de borrão dos psicólogos sempre consegue ver um órgão sexual azul, vermelho ou preto (dependendo da cor da tinta). Tente praticar a sublimação, que consiste em canalizar a energia sexual para outras atividades, como canto, tricô ou pintura (pensando bem pintura não, porque lá tem borrões...).

De 11 a 15 tabus: Angelina Jolie
Pessoa normal mas liberal, não se trava e está pronta para novas experiências, dentro de um grau de ousadia considerado aceitável ou minimamente seguro. Costuma ver sexo em tudo. Mas tudo bem, Freud classificaria isso como normalidade. E Nelson Rodrigues, paradoxalmente, complementaria: “de perto, ninguém é normal”.

De 16 a 20 tabus: Woody Allen
Você tem lá seus tabus por ser uma pessoa criteriosa. Quando o sexo é ousado, gosta de calcular os riscos. Provavelmente tem sempre camisinhas na carteira, na bolsa e/ou no criado mudo. Está beirando a caretice sexual, o que não chega a ser motivo de preocupação, já que você prefere ser careta com KY do que liberal com Hipoglós.

Mais de 21 tabus: Doris Day
Desculpe, entrou no blog errado, minha senhora.


Mario Lopes

sábado, 24 de maio de 2008

O grande Tabu

Ao longo da semana lemos relatos de vários tabus (homossexualismo, virgindade, traição, etc) mas o principal tabu do mundo feminino não foi mencionado – o trabalho! Primeiro as mulheres eram consideradas seres insignificantes. Uma formiga e uma planta tinham mais serventia pois a formiga carrega a comida e a planta ajuda a purificar o ar..e as mulheres eram só mulheres! O mundo mudou.. as mulheres queimaram sutiãs e conquistaram o direito de votar. Mas ainda hoje este tabu existe. Não com a mesma força mas existe. Hoje as mulheres votam, trabalham fora, são independentes, tem filhos quando querem, casam se quiserem, etc.. mas continuam a ganhar menos que os homens no trabalho! São poucas, e raras as mulheres que conseguem atingir altos postos no mercado profissional. Isso, a cada ano diminui e as mulheres crescem profissionalmente..mas vai demorar muito até esse tabu acabar.
Agora perguntou eu, o que ajudou toda essa revolução? Hoje somos “independentes” e por causa disso temos que dividir as contas, pagar motel, saber cozinhar, costurar, ser uma boa esposa, boa mãe e amiga. Ou seja, as tarefas só aumentam e o reconhecimento não!


Josiany Vieira

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Padre tem TABU?


Tabu nada mais é do que uma orientação à sociedade. Os tabus são utilizados com o objetivo de fixar limites e orientar comportamentos, inibindo ações indesejáveis para determinado grupo. Pra mim, os maiores impositores de “limites” são os padres, pastores, enfim, aqueles que pregam “em nome do senhor”. O próprio conceito diz que tabu pode ser algo “sagrado”, que “protege” o grupo. Protege do quê? Da esbórnia? Usar saia comprida, cabelos longos, descansar sábado, não usar métodos contraceptivos... Isso é sagrado? Protege? Será que o tamanho do meu cabelo, ou a minha aparência pode refletir o tamanho da minha fé? Será que isso é doutrina de Jesus ou do homem? Não foi Jesus quem disse “amai-vos uns aos outros”? Então, quem foi que disse que mulher não pode amar mulher?


“Os tabus têm o relevante papel de orientar o comportamento dos
membros da organização, demarcando áreas de proibições e colocando em evidência
o aspecto disciplinar da cultura, com ênfase no não-permitido.

As organizações zelosas de suas culturas costumam não reconhecer a existência de
tabus, elemento importante para preservar aquilo que realmente é tido como zona
proibida, salienta Freitas (1999). O fato de não serem reconhecidos não
significa que não existem. Se for certo que as organizações têm valores
considerados positivos, também é certo que elas têm uma definição, ainda que
implícita daquilo que deve ser excluído, que não pode nelas encontrar abrigo,
que não deve ser falado.”

(NASCIMENTO, Angela Aparecida do; VIANA DIAS,
Bernadete Oliveira Sidney. Elemetos da Cultura Organizacional: Um estudo de caso.)


Não quero concluir a idéia... Só queria mesmo polemizar a respeito. Fazer pensar... Fazer com que cada um se questione e perceba a montoeira de tabus implícitos nos ditos livros sagrados e em tantas outras relações diárias que temos. Enfim, acredito que o que vale, a lei universal, é o amor... Seguindo isso, nada mais importa. Principalmente esse monte de regras impostas.



Mônica W. - gerando polêmica na sexta pós feriado


quinta-feira, 22 de maio de 2008

A origem



Século 21, mundo efêmero e descartável. Corremos tanto que não temos tempo de parar para pensar na vida e nas coisas que nos cercam. Que dirá pensar na origem dos costumes e dos hábitos que já temos como inatos.
Você já imaginou de onde nasceu a virgindade e a lealdade? Tabus meio sem espaço na sociedade atual, mas que ainda são conceitos de extrema importância tanto para homens como para mulheres nos dias atuais. Acredito que se ambos soubessem a procedência destes hábitos não os levariam tão a sério.
Nos idos da Sociedade Feudal, a hierarquia social era dividida entre os que oravam, os que guerreavam e os que plantavam. O maior esforço ficava aos de menor poder, os camponeses. Mesmo assim, pela metodologia do trabalho em feudos, era difícil o controle e um maior desenvolvimento do negócio, já que a hierarquia piramidal dependia da boa vontade da sua base.
Assim as outras duas castas, as que guerreavam e as que oravam, uniram-se em prol de mudar este quadro. Ou seja, na Sociedade Tripartida não existia ciência, como há atualmente: tudo era analisado pelo empirismo e pelos ditos divinos, pois todos acreditavam no que os religiosos falavam, já que esta era a voz de Deus. O que os dava um belo gancho para modificar a situação econômica do contexto.
Relógios, cartões-ponto e chefes controladores não existiam nos afazeres daquele tempo. Assim sendo, como fazer para conseguir que os camponeses produzissem mais?
As terras eram repartidas em feudos e os camponeses dividiam sua produção com o senhor feudal. Como a exploração era grande não havia motivos, incentivos e muito menos possibilidades de ascensão social, portanto não existia interesse dos camponeses em trabalhar muito. Apenas para a sua subsistência. Sem televisão, livros, quadras de futebol, cinemas, o que é que este povo todo deveria fazer para passar o tempo, se trabalhar não lhes era tão interessante assim? Ora, não é necessário pensar muito: sexo é a resposta correta.
Aquele ditado popular: “namorar atrás da moita” deve ter vindo desta época. Como realmente não existia uma forma de controlar o laboro, o jeito foi apelar para os ditos divinos. Se não houvesse mulheres aptas para tal enlace, os camponeses não tendo nada melhor para fazer quem sabe trabalhassem mais. Com este propósito INVENTARAM a tal da virgindade e sucessivamente a lealdade.
Primeiramente a virgindade, pois assim as moças deveriam guardar a sua pureza para o dia do matrimonio. E após este ensejo deveriam ser fiéis ao marido. Desta forma nem as moças puras, nem as vividas poderiam deleitar-se com camponês algum nas moitas dos feudos. Eliminado as mulheres não haveria como namorar para passar o tempo ao invés de trabalhem.
As horas, os dias, os meses, os anos e os séculos passaram e nada mudou. Gerações e gerações viveram sobre estes estigmas que hoje a história nos mostra sua procedência deste hábito que infelizmente não tem nada de puro ou romântico, como vemos agora, mas sim uma origem baseada no capitalismo selvagem. Pode?


Verônica Pacheco

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Entabulando


Quanto mais passava o pano úmido, mais o tom vermelho se dissipava para o rosa, espalhando-se pelo bege. Mas Joelmir não desistia, permanecia no esfrega, alastrando o degradée e fazendo tanto atrito que esquentava a gola do blazer. Até que sua tenacidade começou a desgastar o tecido. Joelmir bufou, segurou-se para não gritar um palavrão em sua sala cercada de finas paredes de eucatex. Até que Murilo entrou evitando olhar Joelmir de frente.
- Não vai na reunião?
- Que reunião, Murilo?! Você acha que eu tô com cabeça pra reunião?! Foi você, não foi, seu babaca?!
- Eu o que?
- Meu, você nem tá conseguindo segurar o riso.
Murilo cai numa gargalhada reveladora.
- Tá bom, eu tô envolvido, mas não fui eu, não. A gente pediu pra Milene.
- Que Milene?
- A do bocão.
- Da convenção no Rio? Do biquini vermelho?
- Essa mesma.
- Então eu tive sorte que ela não engoliu meu blazer. Ei, mas você falou “a gente”. A gente quem?
- Ah, não sou dedão.
- Ué, já entregou a Milene mesmo.
- Pô, Joelmir, mas você quer que eu entregue meu brother?!...
- Tá, manda esse porra desse Eliseu subir aqui pra tirar essa mancha.
- Pára com isso, Joelmir. Manda na tintureira, eu pago.
- Se eu chegar em casa sem o blazer, a Cinara vai desconfiar.
- Desconfiar do que, se não aconteceu nada?
- Murilo, se liga! Você sabe que ela é uma ciumenta obsessiva. Vai exigir que eu dê o nome da tinturaria pra investigar pessoalmente. Só o fato de eu chegar em casa sem o blazer já será motivo pra ela me acusar.
- Então fala a verdade: que a gente te sacaneou.
- Ah, boa! Murilo, acorda, ela vai dizer que “é, vocês são todos uns borra-botas, ficam se protegendo uns aos outros, nhé-nhé-nhé”.
- Tá, diz que esqueceu o blazer no escritório, daí eu levo pra lavar...
- Murilo... Murilo... é igual ao caso da tinturaria... a Cinara daí vai querer vir pro escritório buscar essa porra, bosta, cu, caralho, merda de blazer. Será que você tá se ligando no que vocês me meteram?
- Mas que josta, Joelmir. Se ela desconfia tanto assim da tua conduta, por que se casou contigo?
- Isso não é hora de discutir a relação.
Nisso, Eliseu entra na sala.
- Oi, Murilo, tão te esperando pra reunião.
- Eliseu, o Joelmir já descobriu que foi você. Não sei como. O cara é um gênio.
- Como assim “que foi você”?! Foi tudo idéia sua!
- Ei, vocês dois! Eu quero uma solução, só isso.
- Simples, eu levo na tinturaria...
- Eliseu, a gente já discutiu isso. Todas as alternativas que envolvam confessar a verdade ou lavar o maldito blazer estão fora.
- Ué, qual a solução então?
- É isso que eu quero saber, seus jumentos! A Cinara é neurótica e vocês me foderam.
- Calma, Joelmir, o Eliseu vai ter uma idéia, né, Eliseu?
- Hmmm...
- Aliás, Joelmir, quem manda você usar blazer bege. Se fosse um chumbo ou azul marinho não tinha dado essa merda.
- Animal, quem você acha que me manda vestir só camisa branca e blazer claro? A Cinara! Pra ficar mais fácil de achar mancha de batom.
- Mas então ela é burra, porque daí é só você pedir pra garota não usar batom.
- E não usar perfume, né, porque senão a Cinara fareja.
- Ela te cheira quando você chega em casa?
- Como um perdigueiro. Os caras da alfândega deviam contratar essa devassa.
- Então, vê se não deixa mais esse blazer dando sopa aí pendurado.
- Claro, vou andar com ele por aí no calor. Só falta você me arrumar um cachecol.
- Bege, claro.
- Joelmir, Murilo, esperem aí que eu já volto, tive a tal idéia.
Eliseu sai da sala e Joelmir encara Murilo raivoso.
- Esse idiota tendo uma idéia, haha. Mais fácil a Cínara me deixar chegar em casa atrasado.
- Por que ela ficou desse jeito? Você deu motivo?
- Nunca. Na verdade, o motivo é um tabu.
- Que tabu?
- O mais antigo do mundo.
- Diz logo.
- O de que todo homem é polígamo por natureza.
- De onde ela tirou isso?
- Ela viu num documentário. Dizia que a gente foi criado pra sair por aí procriando, espalhando nosso sêmen, provendo o mundo de novas crias...
- Sei... Ei, já sei.
- Diga, Einstein.
- Você diz que foi assaltado e roubaram seu blazer.
- Ela vai dar queixa na Furtos e Roubos, eu vou me enrolar todo pra preencher o BO, daí fodeu.
- Pô, mas mente cara.
- Murilo, ela tem um livro intitulado “Psicologia da Mentira Masculina, Como pegá-lo de calça curta”. Sabe lá o que é isso?!
- Caracas!
- Já sei! Cara, você vai sair agora e me comprar um blazer idêntico a este aqui.
- Tá louco. Quanto custa essa merda?
- Mais barato do que o colete de coluna cervical que você vai ter de usar se não solucionar meu problema.
- Tá bom, tá bom... vou pedir um vale.
- Ah, e não esquece de desfiar essa costurinha aqui no punho, senão ela vai perceber.
- Porra, Eliseu!
- Putz, não dá. Olha aqui no forro. Ela mandou bordar minhas iniciais.
- Puta que pariu. Tem certeza que ela não botou um satélite te vigiando também?
- Não sei, cara. Falou em me implantar um chip.
- O que você tá procurando embaixo da mesa, Eliseu?
- Satélite, acho difícil. Mas microfone escondido não dá pra descartar.
- Cara, que se foda. Deixa ela descobrir. Vai ser uma benção porque daí você já aproveita e pede divórcio dessa louca.
- Não posso, Murilo. Ela tem um primo distante, um tal de Simeão, que é matador de aluguel. Só vi o cara por foto. É uma montanha de músculo, Murilo, maior que essa porta aí atrás.
- Ah, esse cara nem deve existir, ela inventou isso pra te assustar.
- Não vou facilitar com essa maluca.
- Cara, derrama café, daí mistura tudo.
- Murilo! Como que você quer que ela acredite que eu derramei café na gola do blazer, bem do lado do pescoço?! Só se eu bebesse pelo ouvido.
- Ah, tipo você foi se espreguiçar e tal.
- Faça-me o favor, Murilo. Ela vai sacar tudo. Vai dizer que eu camuflei a mancha de batom com café. Que alguma vadia borrou a gola em algum motel da Rodovia dos Minérios.
- Os motéis lá tão dando almoço executivo de brinde.
- Todo motel dá isso, sua anta.
- Sério?! Pensei que só os da Rodovia do Minérios é que ofere...
- Murilo! Volta pro nosso assunto, porra!
- OK, OK. Tive uma idéia.
- Qual?
- Não é nada pessoal, Joelmir, mas por que você não se mata?
Nisso, Eliseu volta à sala segurando o telefone sem fio em uma das mãos.
- Tudo certo. Os paramédicos já estão chegando.
- Que paramédicos?! Alguém se machucou?
- Não, Joelmir. É pra você.
- Como é que é?!
- Minha nossa, o tal do Simeão tá vindo!
- Vocês querem deixar eu explicar?! Olha, eu acabei de falar com o meu cunhado, que é socorrista. Bom, na verdade é motorista, mas tá valendo do mesmo jeito porque ele...
- Fala, caralho!
- Tá bom. Ele dirige uma ambulância dessas de socorro 24 horas. E eu falei pra ele o teu drama, Joelmir, daí disse a minha idéia: a gente finge que você caiu e bateu a cabeça. Ele até conseguiu uma bolsa de sangue pra jogar no seu blazer.
- Tem de ser tipo A positivo.
- Que é isso, Joelmir?! Você acha que ela iria desconfiar e fazer uma perícia numa situação dessas?!?!
- Vocês não conhecem a Cinara...
Eliseu volta a falar ao telefone.
- Jojoba, tem sangue tipo A?... Positivo... Não, retardado, eu quis dizer positivo o sangue, não no sentido de “positivo, câmbio”... Tá... OK...
- E aí?
- Ele disse que eles arranjam, Joelmir.
- Beleza!
- Já tem um médico sabendo da história. Vão deixar você enfaixado na cabeça, daí é só se fazer de desacordado. Até pega uns dias de dispensa. Ô, vidão...
- Parece um bom plano. Ei, mas eu não vou saber fingir que caí.
- Faz de conta que caiu aqui mesmo, tropeçou no pé da mesa. Daí a gente já sai da sala com você arrastado.
- Tá, mas e como que eu vou sair sangrando daqui!?
- A gente faz um cortezinho em você.
- O que?!?!
- Calma, Joelmir. Cortezinho de nada. Uma incisãozinha do lado do pescoço.
- Caaaaaaaaaaara...
- Fica frio. Até trouxe o estilete.
- Tem que desinfetar esse troço.
- Joelmir, não é hora pra esses luxos.
- Ai, ai, ai, não sei não.
- Jojoba, venha rápido que eu vou preparar o terreno.
Eliseu desliga o telefone. Certifica-se de que a porta está fechada, tira o estilete do bolso e sobe a lâmina.
- Joelmir, não vou nem sujar a lâmina.
Pouco tempo depois, Cinara fala ao celular em seu carro.
- Cortou a jugular?! E como alguém pode cortar a jugular tropeçando no pé da mesa?!... Hmmm... Estranho, hein, Ângela. E perdeu muito sangue?... Ah, amiga, muita coincidência isso de ter uma bolsa de sangue do tipo dele na ambulância, hein!... Quem acudiu o Joelmir?... Aqueles dois idiotas, sei... Saíram da sala desesperados?... Como assim?... O Joelmir tentou esganar o Eliseu?!... Ué, mas por que se foi o Eliseu quem socorreu ele?!... Ui, que cena de horror... Correu sangrando atrás do Eliseu até cair desacordado?!?!... Não tô entendendo nada, só sei de uma coisa, Ângela: tem mulher no meio. E você, como minha informante contratada, tem de descobrir quem é. Vou mandar grampear os telefones de novo. Tenho certeza que é aquela tal de Milene... Ééééé, aquela do bocão. Você mesma me disse que ela chamou atenção naquele congresso que teve no Rio. Fica atenta, Ângela. Alguma pista?... Hãããnnn, ele deixou o blazer. Então, vai lá e vê se não tem nada nos bolsos, bilhete, fio de cabelo... Melhor: manda já o blazer lá pra casa pelo motoboy... Ei, como secretária da diretoria, bem que você pode pedir uma licença e dizer que vai pro hospital ajudar o Joelmir... Alô... Alô, Ângela... Caiu... Ô, merda, vou ligar lá de casa. O celular não pega direito aqui na Rodovia dos Minérios, Simeão.



Mario Lopes

terça-feira, 20 de maio de 2008

Moralidade e tabus

O tema desta semana me faz divagar...
Os Tabus foram criados pelos indivíduos dentro de uma Moral, marcada pelo bom senso e que regem a humanidade. E de tempos em tempos vai se modificando.

Citando Nietzsche: - Preferir um bem pequeno a um altamente valorizado é tido como imoral, tanto quanto preferir a boa vida à liberdade. Mas a hierarquia dos bens não é fixa e igual em todos os tempos; quando alguém prefere a vingança à justiça, ele é moral segundo a medida de uma cultura passada, imoral segundo a atual. “Imoral” designa, portanto, que um indivíduo ainda não sente com força bastante os motivos mais elevados, mais sutis e mais espirituais trazidos pela nova cultura: designa um ser atrasado, mas apenas numa diferença de grau. – A própria hierarquia dos bens não é estabelecida ou alterada segundo pontos de vista morais, mas com base na sua determinação vigente é decidido se uma ação é moral ou imoral.

Na Idade média, o homem que se masturbava era considerado louco e internado num sanatório. Há décadas a homossexualidade era o grande tabu, embora na Grécia antiga fosse prática comum assim como as relações incestuosas.
Hoje, ao contrário, a masturbação é considerada necessária e saudável e a homossexualidade é uma realidade cada vez mais comum nas ruas. As velhas gerações estão aprendendo a aceitar e as novas, parecem já acreditar ser parte da natureza humana. Os hippies, metaleiros, punks, new wave pariram a crescente onda: os Emos. Adolescentes que se dizem mais sensíveis, acreditam no amor e na bissexualidade.

Já o incesto ainda é considerado tabu. Se considerarmos como motivo pra isso, que o principal objetivo do sexo seria a procriação e 50% dos frutos de incesto nascem com algum problema genético, então, a homossexualidade obviamente também jamais poderia ser aceita, certo? Ou talvez o avanço na tecnologia de bebês de laboratório seja diretamente proporcional ao número de homossexuais se assumindo...rs

Sem considerar o caso atual do austríaco que estuprou e prendeu a filha por 24 anos, pois ele sim, com certeza deve ser um atrasado como diz Nietzsche, mas em vários graus... Temos o exemplo do casal de irmãos alemães, Patrick e Susan, que se conheceram na adolescência, se apaixonaram, tiveram 4 filhos e lutam judicialmente por essa família. Seriam eles também atrasados espiritualmente ou um dia a relação de amor incestuoso pode se tornar prática comum e aceitável?

Neste fim de semana um espanhol me disse que em Madrid, um homem não querer pelo menos experimentar outro homem, já é visto com preconceito.
Será que a militância homossexual pode se tornar tão radical e com cada vez mais força, que um dia ser heterossexual será tabu?

Parece que até o velho tabu “Política e Religião não se discute” está caindo, pelo menos no aspecto política... Já estava na hora, não?
Mazé Portugal

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Tabus servem para serem exterminados...

Tema da semana: Tabu
O termo “tabu” tem um significado muito extenso, mas, em geral, significa que uma coisa é proibida. O significado de tabu ramifica-se em duas direcções opostas: por um lado significa consagrado, sagrado, por outro, significa misterioso, perigoso, proibido e imundo
Vivemos um mundo cheio de Tabus!
Tabus femininos, masculinos, sexuais, primeiro beijo, primeira mestruação, moda, maquiagem...
Rsss é muito tabu rsss

lembrei de alguns...

Manga X Leite
Comer manga e beber leite - não dá dor de barriga... dá um suco de manga bem gostoso... rss

Moda
Usar sandália com meia calça no inverno - fica super fashion
Misturar bolinhas com listrado - fica muito legal, precisa de um pouco de personalidade rs

Maquiagem
Usar lápis preto por dentro e por fora dos olhos, usar um super delineador com uma “perninha” fica muito sexy...

Gatinho
Ficar com um gatinho na mesma noite e aproveitar muiiito...
Ligar, mandar msn para o gatinho que conheceu na noite anterior...
Encostar o gatinho na parede... ou vai ou racha... rsss

Participar de um blog coletivo com várias desaforadas rss
Os tabus estão aí para serem quebrados por mulheres desaforadas!
Ahhh lembrei de uma estorinha do casal Johny e Mary que namoravam a algum tempo e queriam quebrar alguns tabus na relação... os dois gostavam de dançar e em uma viagem para outra cidade onde não conheciam ninguém foram explorar uma boate GLS indicada pelo excelente som de um DJ famoso. Acharam o ambiente super bacana, na boate tinha de tudo... gays, lésbicas, simpatizantes... pessoal novinho, velhinhos de tudoooooo... certa hora da noite depois de algumas bebidas... Johny e Mary estavam a vontade no novo ambiente... e aí a estorinha começa: Johny e Mary estavam sentando em uma mesa apreciando a balada quando de repente um garçom se aproxima e começa a falar com Mary "minha amiga ali achou vc muito linda... e quer conversar contigo no banheiro... ela vai te esperar lá..."
Mary achou tudo muito estranho, mas Johny quebrando alguns tabus incentivou Mary a ir ao banheiro... Mary foi dar um Oi na nova "amiga" que a puxou para o dentro do banheiro e alí Mary ganhou sua primeira cantanda de outra mulher e mais alguns beijos, apertos e amassos...

Mary voltou para a mesa sem entender muita coisa, mas gostou da nova experiência e contou tudo para Johny que ficou com um pouco de ciúme da situação... como todo homem rss ele queria ter visto a cena, mas digeriu o ciúme e curtiu a novidade.
Johny e Mary dançaram a noite toda... mas a quebra de tabus não acabou!
Mary se empolgou e foi dar a sua primeira cantanda... avistou uma deusa, alta, poderosa, uma linda mulher de 1,80 de altura.
Mary chegou toda simpática elogiando o cabelo da deusa loira que tinha uma linda voz rouca.
A deusa agradeceu os elogios e foi logo dando um fora com muita classe em Mary... dizendo que ela era muito linda também, mas que ela gostava de homem e que era uma TRAVESTI...
Mary também a elogiou com classe dizendo que era uma travesti muita linda e que com certeza ficaria com qualquer homem que ela quisesse... desejou boa sorte e voltou para a mesa e contou a estória para Johny que deu muita risada da situação. E quem não daria rss
Voltaram para o hotel e transaram a noite inteira.


Resumex: Essa travesti com certeza não é nenhuma das "amiguinhas" do Fenômeno.
Os tabus estão aí para serem quebrados e virarem estorias para serem contadas!

By Aletéia Ferreira (ALE)

domingo, 18 de maio de 2008

A inicial


“Começa com T”.
Leonice cantarolava Altemar Dutra enquanto areava as panelas com a palha de aço que desgastava suas unhas já carcomidas pelos saponáceos. O menor lhe puxava pelos chinelos. Às vésperas de completar dois anos, Janilson ainda engatinhava e tinha por distração brincar aos pés da mãe, quando não com os pés da mãe. Leonice temia pisá-lo distraída, tanto quanto o cãozinho que o mais velho trouxe da rua há pouco menos de duas semanas: Caxias fora tratado de suas sarnas pelo próprio Armindo, garoto de lábios leporinos que já ameaçava reprovar de novo a terceira série. Sem ter em que pensar, voltava à memória de Leonice as palavras de Dona Jandira depois do culto do último sábado.
“Vocês sabem: começa com T”.
Sabia que tinha mais com que se preocupar. A casa por limpar. A novela nos últimos capítulos. As fezes que Caxias acabara de expelir tão próximas aos pinos do boliche plástico de Janilson. Toda essa distração por certo a faria esquecer aquelas palavras ditas em sussurro na ocasião, pelo medo da ofensa ao sacro recinto. Afastou o tapete, recolheu os brinquedos, colocou Janilson no sofá, abraçou com as mãos as fezes moles num pedaço de papel higiênico e depois derramou Q-Boa pelo piso. Higienizado o local, sentiu que o cheiro ainda perdurava: agora era Janilson, com os cueiros recheados e exalando a leite azedo. Nova operação de assepsia, e Leonice voltava em seguida para suas funções de lavar, secar e guardar a louça, não sem antes tirar Caxias para fora pela porta que dava para o quintal. Colocou também seu menino para brincar dentro do chiqueirinho, que, pela altura de Janilson, já não conseguia confiná-lo com a devida segurança.
“Não preciso dizer o nome. Vocês sabem: começa com T”.
Leonice liga a TV. Perdeu o início da novela, quando Estevan certamente convenceu Eleonora de que a ama, mesmo sendo um completo canalha (ou justamente por isso). Inconformava-se com as mulheres de seus folhetins favoritos não conseguirem ver aquilo que para ela era tão evidente. Dava graças a Deus por ter desposado um marido atencioso, crente e fiel. Desde que começou a freqüentar o AA, Altair correspondeu a todas as expectativas que ela depositava num parceiro próximo ao caráter de Marco: o galã de “Eterna Serenata”. Ela sabia que o esposo não se equiparava ao herói em beleza ou elegância, mas chegava a se divertir com aquele umbigo em triste meia-lua se embrenhando para fora da camisa, empurrado entre os botões pela saliência bojuda do ventre. Leonice via que as amigas também não tinham um Marco dentro de casa. E sabia que seu corpo de mulher faceira em breve sofreria as transformações embotadas sem dó pela idade. Seu cabelo castanho claro fino e sedoso perderia o viço, suas coxas já davam sinal de flacidez, os seios não tinham a mesma firmeza e até seus lábios começavam a apresentar um rachado que não se podia garantir ser apenas do frio daquele ano. Nessas horas agradecia por morar longe do mar, onde não precisava exibir seu corpo; e da cidade grande, onde teria rivais e tentações para seu virtuoso marido. Mas essas reflexões que corriam em paralelo com os planos ardilosos de Estevan acabaram simultaneamente àquele capítulo morno, assistido no aparelho novo a controle remoto que substituíra a velha Telefunken. Retornava então a voz sussurrada de Dona Jandira.
“Devemos estar sempre atentas a ele. Não preciso dizer o nome. Vocês sabem: começa com T”.
TV desligada. Janilson dormindo com a bochecha quadriculando pela tela do chiqueirinho. Caxias ladrando lá fora para algum gato da vizinhança. Armindo só chegaria da escola às cinco e meia. Altair sairia da olaria às seis. Leonice poderia voltar a ligar a TV para assistir “Momento de Adoração”, ou tirar as roupas do varal, ou costurar o velho pulôver cujo conserto Altair reclamara a semana toda. Mas como não havia urgências, ateve-se a relembrar as palavras daquela anciã que se auto-intitulava guardiã das ovelhas da Serra do Apoitão. Leonice precisava decifrar aquela última frase. Temia ser ridicularizada se soubessem de sua ignorância. Ou de ser de algum modo vitimizada por aquela charada: pega de surpresa e só então, entre choro e ranger de dentes, descobrir o significado do misterioso T. Agora, deitada no sofá a observar o filho, questionava as formas de chegar a uma resposta. Suzana e Lismara, as vizinhas que a ladeavam, poderiam se sentir desconfortáveis com a indagação, afinal eram evangélicas como ela e, se a tal palavra era tão obscena a ponto de não dever ser pronunciada, poderia ser de mau tom até mesmo suscitar a lembrança na mente das colegas de oração. Perguntar a um homem estava totalmente fora dos planos porque seria de extremo desmazelo uma mãe de família tentar saber, por alguém do sexo oposto, o significado de uma palavra proibida. Seu marido também poderia interpretar mal a indagação, acreditando que a esposa está alimentando pensamentos impuros na cabeça. Sua única fonte de informação era a TV ligada à parabólica que o marido instalara há um mês, mesmo que recriminado por alguns fiéis pelos canais pecaminosos que o aparelho passaria a captar. Altair garantiu aos irmãos que a grande antena teria apenas a função de melhorar a imagem, e que nenhum canal pagão invadiria seu lar. Assistiam apenas aos sinais permitidos pelo bispo, e estes certamente não teriam o T em sua programação. Sem encontrar solução, saiu para fora da casa a fim de se distrair com o movimento no portão da frente.
“É quem mais nos provoca. Devemos estar sempre atentas a ele. Não preciso dizer o nome. Vocês sabem: começa com T”.
Um dos lambrequins continuava pendurado no teto da varanda, como uma gota pendendo da folha e pronta para se estatelar no solo. Sabia que Altair não a consertaria, nem chamaria outro para fazê-lo, pois não iria arriscar seu orgulho de provedor absoluto daquele lar. Leonice caminhou pelo meio da pequena horta, da qual saltavam altivos ramos de cebolinha verde e vistosas cabeças de alface, e chegou até o portão de madeira. Viu que a mola para mantê-lo fechado começava a alaranjar pelos traços de ferrugem, e que seria mais um serviço para o marido não cumprir. Ficou a observar o próprio vestido, indagando-se se não estava trajada de forma muito simplória para ir ao portão. Não que fosse muito vaidosa, mas tinha seus trajes para vestir apenas e tão somente em casa, aqueles com transparência ou comprimento inadequados, ou manchados ou até com pequenas costuras mal resolvidas. Percebeu que a estrada de chão à frente de sua residência estava tão pacata que dificilmente ela e seu vestido viriam a ser observados por alguém. Sempre foi bem comportada nas atitudes sociais e, principalmente, nas vestimentas. Lembrava de uma única vez em que havia chegado até o portão de forma inadequada para uma senhora crente como ela: quando Armindo, ainda bebê, foi pego pela mãe comendo terra da hortinha. Leonice tomara banho rapidamente para não deixar o menino sozinho, na época com um ano e meio, e saíra enrolada em sua toalha rosa às pressas, chamando por seu nome mas sem encontrá-lo em parte alguma da casa. Só foi localizá-lo na horta, com a boca lambuzada do preto da terra úmida. Lembrando da caveira vermelha de ossos cruzados que ilustrava a embalagem de sementes, Leonice correu até o filho enrolada na toalha. Pegou-o no colo e, ao voltar para a casa, um galho seco da pequena laranjeira enroscou-se com o felpudo tecido, puxando-o e deixando Leonice nua. Correu porta adentro, ofegante e assustada com o ocorrido. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo nu. Ainda despida, limpou a boca de Armindo na pia da cozinha e depois deixou o menino em segurança dentro do chiqueirinho, preparando-se então para resgatar sua peça de banho. Porém, ao invés de vestir-se para buscar a toalha, resolveu cometer uma ousadia. Saiu pela porta nua, com olhar atento e mãos lhe cobrindo os seios e o sexo. Caminhou sorrateira e alerta aos sons da vizinhança. Nunca havia tido a sensação do vento soprando seu corpo inteiro nu. Não sabia se estava excitada pelo medo de ser flagrada ou pela vontade de ser flagrada. Continuou caminhando, sentindo os pés no chão frio e o vento eriçando seus mamilos. Pegou a toalha, ainda engatada no galho da laranjeira e deu meia-volta. Mas apreciou tanto a sensação de liberdade que resolveu aproveitá-la mais um pouco. Passou a desfilar nua pela horta, balançando a toalha com uma das mãos como uma criança. Tomou confiança de que estava realmente sozinha e assim permaneceria por um bom tempo. Respirou fundo, sorriu, abriu braços e pernas, jogando o cabelo para trás e balançando-o para sentir o roçar dos fios em suas próprias costas. Ousada como nunca, fechou os olhos por alguns segundos, entregando-se à sensação de vulnerabilidade. Abusou: resolveu caminhar até o velho pessegueiro, já bem próximo do portão de madeira. Tomou para si um dos frutos e começou a comê-lo ali mesmo, sentindo o suco escorrer pelo canto da boca, descendo por seu queixo e pescoço, até alcançar o alto dos seios. Segurou o fruto entre os dentes e esticou a toalha no chão para sentar-se. Resolveu não deitar pelo medo de perder a visão ao redor. Olhou bem para o matagal à frente de sua casa, temendo haver alguém escondido. Ficou desconfiada até da copa do velho jatobá. Mas só o vento balançando as folhas testemunhava seu despudor. Sentiu o sol no rosto e pescoço, limpou a boca com as costas da mão. Nem se importava de estar sujando a toalha, queria apenas continuar apreciando a suculência e o perfume do pêssego enquanto deixava o corpo ser lambido pelo sol vespertino. Sentada ali sobre a toalha lhe ocorreu uma dúvida que considerou infantil e incômoda: se as formigas e pequenos insetos da horta poderiam penetrar seus orifícios íntimos. Ficou mais atenta e passou a mão por todo o tecido da toalha, tateando na busca de algum indesejado e minúsculo visitante. Sentia-se entre a menina do jardim e a Eva que conhecera no Gênesis. Nem da primeira vez que tirou a roupa para Altair havia gozado de tamanha satisfação sensorial – ao contrário, com ele sentira uma culpa que não a permitia encarar seu corpo e o do homem que recém-desposara. Mas ali, próxima ao portão de sua casa, olhava o próprio corpo como se fosse a primeira vez. E se admirava, sabia que um homem apreciaria muito aquela visão, o que a preocupava e estimulava ao mesmo tempo. Mas aquela atmosfera de puberdade foi de súbito interrompida, quando Leonice ouviu o som de uma bicicleta pedalada certamente a poucos metros de sua casa. Teve tempo apenas de levantar-se, puxando a toalha para si, jogando o fruto no chão e saindo correndo para dentro da casa, sem coragem de olhar para trás. Nunca conseguiu descobrir quem era o ciclista e se ele a havia visto nua ou não. Ficou envergonhada com a possibilidade. Não imaginava ser capaz daquela inconseqüência. Riu ruborizada. Sentiu-se culpada por não sentir culpa alguma.
“Ele é o próprio pecado. É quem mais nos provoca. Devemos estar sempre atentas a ele. Não preciso dizer o nome. Vocês sabem: começa com T”.
As palavras de Dona Jandira a provocavam, elas sim eram a própria tentação. Leonice observou então um rapaz pedalando sua bicicleta com uma vara de pescar, revelando que estava indo em direção ao areão aproveitar uma tarde de lazer. Sentiu vontade de perguntar a ele o que era o misterioso T. E também de pedir para que a levasse na garupa até o areão para pescar e nadar. Sabia que jamais tomaria tal iniciativa. Sentiu medo de que fosse ele o rapaz que a viu nua anos atrás. Como também sentiu vontade que fosse ele. Desviou seus olhos da camisa desabotoada na altura do peito e o deixou passar. Foi acometida por uma leve angústia de há tanto tempo não entrar na água do rio ou do areão, diversões de quando era menina e nunca mais. O som da bicicleta se afastando ao longe deixou espaço para os latidos de cachorros e cantos minguados dos pássaros. A solidão e a quietude a fizeram refletir em que um T poderia afetar sua vida. Sempre fora uma mulher zelosa e comportada. Não falhava com seus afazeres domésticos e sabia que o marido e a família a tinham em muito bom conceito. Todos os dias cumpria com suas obrigações, sem deixar faltar a limpeza da casa e a comida pronta na mesa. Não tinha com que se sentir culpada ou ameaçada. Sua vida era aquela casa, aqueles três homens, aquele cão, aquela horta e aquela rua de chão batido. Suas saídas se restringiam aos encontros de adoração e ao supermercado. Seu lazer eram as novelas, o tricô e as comidas que ela própria preparava. Quando muito comparecia à escola do filho ou à casa dos pais e sogros para as festas de final de ano. Era assim desde muito e haveria de continuar assim. Não entendia o motivo daquelas frases ditas de forma tão ameaçadora. Mas o que mais a incomodava era não saber o que significava aquela última palavra, a tal que começava com a letra T. Leonice então se deu conta de uma chave para seu enigma: a pequena coleção de livros deixada na casinha dos fundos, em meio a um amontoado de objetos que ninguém mais queria.
“Domina nossa vida e nos escraviza. Ele é o próprio pecado. É quem mais nos provoca. Devemos estar sempre atentas a ele. Não preciso dizer o nome. Vocês sabem: começa com T”.
A porta rangeu melancólica ao ser aberta. O quartinho semi-escuro se apresentava repleto de tábuas úmidas empilhadas e um cheiro de mofo e bolor que denunciava a presença de insetos peçonhentos, camuflados entre frestas e à espera de um incauto que os tirasse do repouso. Caxias, aos pés de sua dona, cheirou aquele ambiente ainda inexplorado e resolveu voltar a roer a madeira da porta de sua casinha. Leonice ficou com receio de entrar com suas sandálias de borracha comidas no calcanhar, por poder pisar em algum prego que lhe desse tétano ou mesmo numa aranha ou sapo. Mas pegou coragem ao ver a caixa de livros já sujos e ilegíveis na capa pelo desleixo. Entrou naquele repulsivo recinto, pegou a caixa com as pontas dos dedos e fez força para levantá-la de uma única vez, mas o fundo de papelão já apodrecido se abriu e deixou todos os maltratados exemplares se esparramarem pelo chão. Leonice então observou revistinhas de bang-bang, livros didáticos e até posters de mulheres nuas formando um tapete de papel a seus pés. Identificou a presença do dicionário Caldas Aulete, de capa azul marinho e letras impressas em dourado. Ficou de cócoras e separou a publicação do monte de outras revistas e cadernos que se empilhavam. Rapidamente passou a folheá-lo. Ainda havia quase uma hora para o filho chegar da escola, mas Leonice temia ser flagrada. Parecia uma adolescente fazendo algo muito errado. E teve certeza de estar cometendo uma infração à medida que folheava o dicionário: as várias páginas rasgadas certamente continham algum termo considerado pecaminoso pelo marido. Desde que viraram evangélicos, ele adotou o hábito de rasgar, em partes ou no todo, páginas de livros e revistas que contivessem algum termo considerado obsceno. Mais tarde, Altair resolveu jogar tudo que fosse papel escrito no quartinho, assegurando que quem tem a Bíblia em casa não precisa de nenhum outro livro. Leonice olhou para trás querendo certificar-se de não estar sendo observada. Voltou a folhear o dicionário até chegar à letra T. Seu coração batia mais acelerado. Sentia-se quase como naquela tarde em que saíra de casa envolta na toalha. Acessando aquela seção do dicionário, deparou-se com a porta de entrada de seu enigma: um imenso T ocupando toda a página. Resolveu então fazer do mesmo modo que procedia com a Bíblia: fechava os olhos e a abria aleatoriamente, confiando que cairia na página que realmente deveria ler.
“Nós não conseguimos perceber, até que ele chega e comanda nossos pensamentos. Domina nossa vida e nos escraviza. Ele é o próprio pecado. É quem mais nos provoca. Devemos estar sempre atentas a ele. Não preciso dizer o nome. Vocês sabem: começa com T”.
Na verdade, Dona Jandiira, por falar cochichado no interior do templo, e também por força da gripe que a maltratava há dias, causou um mal entendido: ela havia dito “começa com D”, o que seria suficiente para Leonice se dar conta de que ela se referia ao grande inimigo da fé. Mesmo assim, ao abrir o dicionário naquela tarde, ela encontrou significado para o que entendera da frase de Dona Jandira. Ao repousar com seu dedo indicador na palavra suspeita, Leonice conseguira compreender plenamente o sentido daquela sentença, e como se aplicava em sua vida. Foi naquele momento que ela tomou contato com a definição da palavra “Tédio”.



Mario Lopes

sábado, 17 de maio de 2008

O que dá tesão?

Tem pessoas que sentem tesão fazendo compras, outras com esportes radicais, cantando, dançando etc.. mas a única forma universal de ter tesão é o amor! Todo mundo já sentiu ou sente arrepios, calafrios e uma vontade imensa de beijar a pessoa amada e de ficar ao lado dela a vida toda.
Quando surgiu esse tema inúmeros filmes passaram pela minha cabeça.. um deles foi "O amor é cego". A comédia romântica demonstra muito bem o que é o amor e o tesão por quem se ama. Quando ele existe mesmo, não importa a aparência, a classe social, dinheiro, religião, partido político e nem time de futebol...simplesmente a gente ama aquela pessoa e sente o maior tesão de ficar ao lado dela. Seja numa balada ou em casa comendo pipoca!
Tem um poema que acho que explica exatamente isso. O nome dele é A maciez do seu tesão, o autor é o Alex

A maciez do seu tesão...
Deseja-me com tanto carinho,
Que o tesão é transmutado, tão sensível,
Como se o mais importante fosse o toque,
A suavidade da pele, o perfume que seduz...
Ah, as sensações se sucedem,
Exaurem o instinto animal,
Dando origem ao desejo ardente
Sedento, sutil...
De colocar a boca na sua,
Percorrer com a língua,
Desvendar cada reentrância
Com um prazer insano,
Repleto do desejo louco
Da fúria em erupção
Que precisa dar vazão à paixão
Aos impulsos e às sensações...
Até que, em êxtase, nos seus braços,
Todo o tesão seja satisfeito...

Josiany Vieira

sexta-feira, 16 de maio de 2008

QUE TESÃO...


Tem mil coisas do tipo ‘muito tesão’. Mas, estou numa fase (pré-balzaquiana) da vida que está me fazendo ter olhos mais preocupados com as questões qualitativas... Hoje em dia acho que estou atrás daqueles ‘tesões’ que duram mais do que alguns poucos minutos, daquelas sensações tão boas e pequenas e infantis e que me fazem enxergar como eu sou ridícula e imperfeita e feliz e como eu me aceito cada vez mais e como isso me deixa feliz e enfim... Resolvi listar aqui coisas que me deixam com uma ultra-felicidade-tesuda-do-caralho. Sim, vou me expor, pra você rir ou chorar da minha cara e conhecer um pouco mais dessa humilde moça que tem como ofício escrever às sextas-feiras neste delicioso-blog-desaforado-divertido. Então vamos lá...


É muito tesão:


1. Escutar Mutantes no último volume com o sub-woofer estourando de tão alto. E claro, cantando bem louca: “No fim das contas... Estamos dando voltas... Num círculo vicioso... Perigoso para o sistema nervoso... Abalado, sempre disfarçado... Atrás de um sorriso... De Narciso afogado... Ai, que nervosa estou... Sou neurastênica... Preciso me casar... Senão, eu vou pra Jacarepaguá!”

2. Ir num show do Pato Fu e pular e gritar e pogar e me descabelar e cantar.

3. Fotografar coisas que a maioria não vê, como por exemplo, uma formiga carregando uma folha e caindo o tempo todo por causa do vento forte e perceber que, eu só a vi, por que estava deitada de barriga pra baixo cheirando a grama do quintal.

4. Tomar um delicioso vinho com o meu amor, em um jantarzinho romântico no quintal de casa, em cima do tapete rosa e com muitas velas acesas.

5. Cuidar da minha horta e ‘conversar’ com os tomates, as ervilhas e as rúculas.

6. Dormir até tarde e ao acordar perceber a Filomena (minha gata) deitada em meu travesseiro esquentando as minhas orelhas.

7. Viajar de férias com as amigas para fazer um ritual de bruxa no meio da praia, com direito a fogueira, chás exóticos e limpeza de aura.

8. Sentar em baixo da pitangueira aqui do quintal e comer pitanga até enjoar.

9. Acordar com o meu amor me chamando baixinho por algum novo apelido.

10. Perdoar e dar um abraço bem forte e não guardar mágoa de nada e nem de ninguém.

11. Ir numa montanha russa bem alta e ficar morrendo de medo e depois adorar o frio na barriga na hora da descida.

12. Não me culpar (já fiz isso demais...) pelos erros que cometi no passado e perceber que sem eles eu não seria a metade do que sou hoje.

13. Correr com os meus cachorros até cair na grama e eles me lamberem toda e me deixarem toda suja de barro.

14. Trabalhar com o que amo e lembrar que eu tive coragem de não me submeter mais a empregos que odeio só para ganhar uma montoeira de dinheiro e de estresse.

15. Aprender a ter controle e arcar com as minhas escolhas, por piores que elas sejam.

16. Rir muito até doer a barriga e perceber que quanto mais eu rio mais leve e fácil a vida fica.

17. Alugar uma cama elástica para passar a madrugada pulando e vendo as estrelas.

18. Perceber deus na natureza ao meu redor quando vou para o meio do mato ou para uma linda praia.

19. Ser feliz e honesta comigo, sempre...



Mônica W.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O amor também pode mudar de Serra




Uma história de amor pode muito bem começar com um encontro casual, um esbarrão na rua ou uma paquera que nasce no escritório ou na faculdade. Muita gente tem dificuldades em encontrar um parceiro, uma companheira, alguém com quem dividir sonhos e planos. De acordo com pesquisas da área comportamental, 5% dos encontros acontecem ao acaso, 3% com o auxílio da Internet, 1% na noite e 32% a partir da apresentação de amigos ou da intermediação de uma agência de relacionamentos.
Hoje vamos contar sobre o esbarrão e o dia “D” de grande TESÃO do caso João e Maria.
João fazia apenas um ano que tinha terminado seu namoro de 14 anos. Sua ex não se tornou sua esposa, pois dava mais valor ao cachorro do que a qualquer coisa. Acredito que ele até tentou bastante, mas... Já Maria beirava os 30 e desde os 18 patinava no campo amoroso sem muito sucesso.
Ambos no carnaval de 2007 resolveram “chutar o balde”. Ela mesmo devendo oito condomínios pegou seu pagamento e se convidou para ir à praia com a turma de uma colega de trabalho. Também para quem não tirava férias há anos ouvir a frase “dez dias na praia do Rosa” foi mágico. Ele, quase aos 40, com a grande maioria dos seus amigos já casados e com filhos, não tinha muita escolha. Colocou uma mochila nas costas e viajou sozinho.
O lugar era paradisíaco. Muito verde e praias lindas. Mas São Pedro não ajudou muito, pois choveu e ventou até a quarta feira de cinzas.
A Pousada Nativa ficou transbordando de “Bolachinhas”, apelido dado para os típicos cariocas, que inundaram Santa Catarina, por terem todos o mesmo padrão, como as bolachas, feitas em série. Todos tinham barriga de tanquinho, sorriso estampado no rosto 24h, pele dourada e uma alegria sem fim. Isso ajudou João, carioca da gema, a se enturmar rapidinho, já que passou a se sentir praticamente em casa. Já Maria não teve tanta sorte. Sentia-se no BBB, pois estava trancada (chovia muito) em uma casa com pessoas que não conhecia. Jogavam baralho e tomavam cerveja a tal ponto de ela se sentir a própria garrafa. Como bons curitibanos que eram não se misturavam com ninguém e não podiam colocar o nariz para fora de casa, pois acreditavam ser de açúcar e, como chovia muito, poderiam derreter.
João disse que viu Maria no dia de sua chegada, mas que depois ela hibernou trancafiada na torre, que achou até que tinha ido embora.
Maria já à beira de um ataque de nervos ouviu a menina do tempo dizer na terça-feira que na quarta iria ter mormaço pela manhã. Mesmo após ter voltado às 6h da última noite de carnaval, ela despertou às 10h louca para colocar seus pezinhos na areia. Acorda um, chama o outro, tenta mais uma vez e nada. Todos de ressaca querendo dormir. Nem dando bola para sua euforia e vontade de ver o mar. Até que uma luz lhe veio à mente por meio de um vestígio de algo vivo vindo de fora. Clarooooooooo, os cariocas devem ser surfistas. Todo surfista acorda cedo pra pegar onda. Pensou Maria. Posso ter companhia. Saiu correndo pra ver de onde vinha o barulho e avista um dos bolachinhas. – Hei você! Quer ir à praia comigo? Ele, medindo-a dos pés à cabeça, fez cara de Fernando Henrique Cardoso, com o dedinho ao lado do rosto e parou uns segundos a pensar e disse que sim. Belo F.D.P. pensou ainda o desgraçado. Tudo bem, ela queria apenas uma companhia para ir à praia, pois lá tudo era muito no meio do mato e uma moça andando sozinha não ia dar em boa coisa.
Como toda boa mulher, ela encheu-se de roupa, pois estava frio e na beira da praia ventava bastante. Não queria impressionar, queria penas curtir o litoral, que, ao contrário de João, não tem tanto à mão.
Papo vai, papo vem, anda daqui, anda ali, passa por eles um grupo de surfistas que emagrecem uns 20 quilos Maria de tanto que olham. No mesmo instante João fica puto e pega seu braço dizendo: - Mulher minha homem não olha. No mesmo instante Maria vira-se para João e diz: mulher minha? Como quem diz: deve estar havendo algum engano. Afinal ela apenas queria companhia para saborear o litoral enquanto São Pedro dava uma tregüinha. O clima ficou tenso e em questão de segundos, como bom carioca, João rebolou e saiu bem na foto: - Não importa, tá comigo não quero ver marmanjo secando. Os caras olharam muito você não percebeu? Muitas risadas no ar e tudo voltou a sua normalidade, fora os grandes pingos que começaram a cair do céu. - Vamos ali no boteco, já que sei que és de açúcar e não podes pegar chuva, comenta João. Maria até tentou por birra, para não dar o braço a torcer, andar mais uma pouco com João, mas o frio era tanto que teve que se render.
Choveu, mas choveu muito até por volta das 17h. Ou melhor, choveu até o João dar o primeiro beijo em Maria. Ficaram juntos até sábado quando João teve que ir para casa. Morrendo de ciúmes dos Bolachinhas, ligou mais de quatro vezes para Maria no domingo até saber que ela já estava em casa. Durante a semana se falaram todos os dias ao telefone. E no próximo final de semana tinha um churrasco intitulado “Ressaca de Carnaval”, onde todos da Morada Nativa iriam se re-encontrar. Mostrar fotos e fazer um grande balanço do feriado. Você acha que Maria ia perder? Mesmo a 800 quilômetros, churrasco com os Bolachinhas, na Barra no Rio de Janeiro, não tinha como não ir. Oportunidade de manter o bronzeado e ainda de rever seu amado. Sem titubear Maria pegou 13 horas de estrada em um ônibus convencional para prolongar seu carnaval. Foi a prova de amor que João precisava para oficializar o namoro dos dois.
Maria chegou no sábado por volta de 11h. Foram direto a praia. Ficaram lá até umas 15h, tomaram banho lá mesmo e foram ao encontro de seus colegas de folia. Chegando lá estavam todos de roupas de banho à beira de uma piscina com uma mega vista para a Cidade Maravilhosa. “Frousen” na cabeça, ou seja, uma bebida do momento, gelo e Tang com vodka batido no liqüidificador. Acompanhados de um telão onde a cada instante passava uma foto mais bizarra do que a outra do feriado que todos tinham compartilhado.
O dia foi passando e Maria não sabia o que fazer. Estava louca para ir para casa, pra ficar entre quatro paredes com seu João e matar a saudade, mas também queria aproveitar aquela comemoração com seus amigos Bolachinhas. Oh, duvida cruel. Mas seu desejo falou mais alto e lá pelas 20h na primeira iniciativa que João teve de ir embora: - Quando você quiser poderemos ir. – Podemos ir já, disse Maria, se você não se importar. À luz da lua, aos pés do belo Rio de Janeiro, já na escada para irem embora, Maria jogou João na parede e ali mesmo começaram a matar a saudade de uma semana longe. Barulhos denunciaram que pessoas passavam por ali, era hora de ir embora. Mas a excitação um pelo outro com a ajuda do Frousen na cabeça fazia com que a cada curvinha eles recomeçassem tudo novamente. Chupadas e lambidas do lado de fora do carro, bundas brancas e bronzeadas pra cima e para baixo dançavam harmonicamente dentro do veículo, mas sempre eram interrompidos por algum passante. Ou um morador do condomínio que chegava ou o guarda que fazia sua ronda de rotina.
O desejo de João e Maria era tanto que saíram os dois nus em direção à casa de João. Mão aqui, mão ali, passeavam pelos corpos ardentes iluminados pelos faróis dos automóveis que vinham em sua direção. Não havia pudores nem limites, preocupação com policiais e nem com um possível atentado ao pudor, lhes passou pela cabeça. Apenas a ânsia de desfrutar um do outro naquele momento quente que estavam vivendo era a única coisa que pensavam, digo, sentiam. Até que no sobe e desce de morros da antiga capital do Brasil o carro breca por falta de gasolina e João, com a maior naturalidade, vira para Maria e fala: - Me passa meu shorts, por favor?


Verônica Pacheco