sábado, 31 de outubro de 2009

poema pro amorzim


quero dizer que te amo
que gosto muito de você
que erramos
que devemos seguir juntos
que podemos nos ajudar, nos conduzir
que temos que rir de nós mesmos
que não precisamos andar na contra-mão
que podemos ceder
que precisamos entender
que somos, o que somos

somos pessoas fortes
somos bons
somos teimosos
somos engraçados
somos parceiros
somos indivíduos
somos dois
somos interessantes
somos geniosos
somos, queremos, estamos

estamos juntos
estamos no mesmo barco
estamos apaixonados
estamos vivendo
estamos crescendo
estamos querendo
estamos caminhando
estamos aqui
estamos ali
estamos, mas vamos

vamos olhar
vamos entender
vamos vibrar
vamos rir
vamos nos divertir
vamos respeitar
vamos beber
vamos transar
vamos criar
vamos além

mas vamos juntos!




Liliana Darolt
Três Perguntas Que Eu Odeio


Sei que vão dizer que sempre sou “do contra” - chata, arrogante, encrenqueira e outros elogios mais; mas na boa, se você não tem intimidade comigo, não ouse fazer uma das três perguntas mais idiotas, indiscretas e sem nexo do planeta.

A primeira (por sinal é super-hiper-mega-ultra clássica) é aquela feita por um "amigo" com quem você não tinha contato há um tempão. Abraço pra lá, beijinho pra cá, papo-furado e aquelas conversinhas manjadas de sempre. O indivíduo não resiste à tentação e profere a maldita: “VOCÊ ESTÁ TRABALHANDO?”. Porra, pra que o cidadão quer saber se você está trabalhando? Será que não sou gente, não sou mais tão amiga, ou não tenho mais moral se eu estiver desempregada? Será que ele vai pedir dinheiro emprestado ou me ajudar a conseguir um emprego? Bom... horrível essa pergunta.

A segunda é aquela manjada, repetitiva e mais requentada do que pizza amanhecida. O elemento, que por sinal anda muito preocupado com a sua vida afetiva, solta um: “E AÍ, VAI CASAR QUANDO?”. Meu, qual é o intuito de saber quando (e se) você vai casar? Existe na lei tal obrigação? Se houver, por favor, me avisem que eu estou por fora disso.

A terceira é aquela indiscreta, típica de fofoqueiro. Você responde onde trabalha, qual função exerce, o horário de trabalho e o escambau a quatro e, após minutos preciosos de enrolação, o mané termina com um: “QUANTO VOCÊ GANHA?”

Caro “amigo”, pelamor né... tenha bom senso, pergunte sobre coisas interessantes e pare de ser curioso.


Camila Souza - mais desaforada do que nunca! rs

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Rei Leão



O ser humano é o único animal que chamam de racional, mas isso realmente não faz nenhuma diferença. Chega de egocentrismo! Chega de impor tirania às coisas que julgamos inferiores, porque essa mania primitiva de comparação é só um meio de nos auto-afirmarmos na natureza.
Também não vejo provas concretas de nossa soberania, pois se somos realmente tão dotados de razão, por que insistimos em viver de modo ilusório? Não me refiro a nenhum aspecto filosófico, mas sim a todos os aspectos cotidianos que não nos fazem ver a vida com outros olhos, mas com olho nenhum.
Sim, somos os cegos que não querem ver. O verdadeiro ciclo da vida é nascer, crescer e morrer, de olhos fechados. Viemos ao mundo chorando feito covardes... como que já pressentindo os fardos inevitáveis de qualquer existência. (Nascemos de olhos fechados). Crescemos um pouco, e o velho hábito da cegueira funcional já nos está incrustado. Qualquer emoção exige a ausência da luz e da imagem.
Se choramos, ou se nosso paladar se delicia com uma iguaria... olhos fechados.
Se sentimos uma grande dor ou se nos deparamos com um bel-prazer... olhos fechados.
Se sonhamos, se rimos, se nos assustamos! AAA!
Até no amor, quando o desejo atinge seu ápice depois de saciado. Os olhos? Sempre fechados.
De nada adianta um gigante que nada vê. Melhor abdicarmos do trono e ceder nosso lugar ao Leão. Esse sim, o verdadeiro rei.



Letícia Mueller

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Meu Sol



Suspira logo de manhã e lança teu olhar
Olhar que não escolhe, só experimenta
Luminosa pedra incandescente
Sinto como se fosse o primeiro dia
O canto em que me encostei pra te espiar
Lá tão perto, parecia sempre estar
Soube desde o início, outros olhos não amar
O que te traz à minha sombra
Lascívia ou ternura?
Sabe bem o que me move
O intenso prazer de viver
Longe mesmo sinto teu calor
Sonho com tua cor
Ouço teu sussurro
Lembro teu sabor
Senti um dia teu sopro indeciso
Outras terras você foi visitar
Lamentável a morte do olhar
Sem que eu pudesse pensar
O último momento
Lúgubre, negro...
Sempre te espero voltar
Onipotente em teu significado
Levanta minha vida
Segue adiante
Opinioso
Luzido...
Segue adiante
Ocluso
Lúcido
Sabes bem
O que quer...
Liberdade
Sigo daqui sem você
O meu caminho
Levo-te ainda assim comigo.



Angélica Carvalho

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fases Bíblicas Do Lula



Há alguns dias, o presidente Lula chocou o país ao dizer que “até Jesus faria acordo com Judas para governar“, como desculpa para estranhas alianças políticas. Após receber muitas críticas por causa desta frase, o presidente deu uma de Maria Madalena arrependida para as pessoas que levantaram pedras.
O problema é que Lula, inconscientemente, passou por várias fases bíblicas. Vamos analisar cada uma delas:

1 – Fase Arca de Noé: antes de pensar que era Jesus e de tentar aproximar-se de Judas, Lula, ao assumir o poder, ficou com medo de um grande naufrágio. Por isto recolheu a animais como: raposas, aranhas, cobras e escorpiões, e colocou estes bichos em sua arca, sem saber que eles eram perigosos. Assim, aventurou-se com sua embarcação pelo mar da política.

2 – Fase Lula Adão e Evo Morales: Num paraíso chamado América do Sul, Lula pensou que era Adão e por isto resolveu apoiar Evo, que ofereceu-lhe uma maçã muito suspeita, roubada da bruxa da Branca -de-Neve.

3 – Fase Moisés às avessas: Em vez de guiar os sem-terra para o deserto de terras improdutivas, Lula teve os sonhos errados e deixou os sem-terra invadirem patrimônios úteis e causarem vandalismos.

4 – Fase do Sermão da Montanha: Bem0-aventurados os pobres de baixa renda porque tem bolsa-família... Bem-aventuradas as famílias com crianças porque tem bolsa-escola... Bem-aventurados os ignorantes porque terão bolsa-cultura...

Hoje Lula passa pela fase de Maria Madalena arrependida, mas não devemos julgá-lo, afinal todos os outros políticos têm telhado de vidro. A política brasileira é repleta de pecados nas capitais e no interior. Só resta ao povo brasileiro rezar e pagar impostos. Pois é como diz na Bíblia: “Dai a César o que é de César e dai a Deus o que é de Deus".



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Desabafo



Hoje pela manhã era pra ser apenas mais um dia como aqueles tantos que reclamo. Movida pelo trabalho que tinha que fazer para a faculdade com algumas colegas, fui até lá já pensando em todos os problemas que iria enfrentar no dia (minha noite já havia sido péssima, com tantos sonhos ruins de gente morrendo, perseguições). Chegava a dizer a mim mesma e a Deus, meu amigo das minhas noites acordadas e confidentes de meus pensamentos, que não iria mais dormir. Subi as escadas para ir ao encontro das colegas. Quem me vê, aquela menina nos corredores e nas ruas, não imagina quantos pensamentos, sentimentos, sofrimentos aquele peito já carregou. “Mais uma semana, mais um dia”, eu pensava a cada passo. Seguimos ao lugar marcado para fazer as entrevistas. Chegando lá, segui com elas pelos corredores brancos e chão creme, pessoas normais e anjos de branco. Fui até a sala de nosso destino para falar com o responsável pelo assunto de nosso trabalho: voluntariado. Conversamos, entrevistamos até que uma das voluntárias se propôs a nos levar até seu local de ‘trabalho”, pois precisava dar comida ao seu paciente (sem ela, ele não comia!). E ela nos levou com aquele sorriso branco e vestida de branco, sim, como verdadeiros anjos.
Cheguei ao local prometido: a cena era tudo que pensava como seria, mas a vivenciando tinha um poder a mais. Aqueles senhores, com exceção de um jovem jornalista também enfermo, mexeram comigo. Quantas histórias havia ali, afogadas, doentes, esmagadas pelo tempo. Era impossível não perceber tamanho sofrimento. Mas aquele olhar azul anil olhando o azul anil do céu me chamou a atenção. Um olhar de um senhor grisalho que estava com uma máscara de oxigênio e um cano que ia até uma máquina de onde saia sua vida, sua sobrevivência. Ele tentava olhar para nós, mas nem isso conseguia, nem olhar o que acontecia ao seu próprio redor. Então só lhe restou olhar para o céu. O que pensava naquele momento? Será que estava apreciando? Será que a dor era tão grande que não via a hora de ir embora? Ninguém pode saber, nem falar ele pode.
Nós, jovens, adultos, adolescentes, não importa, realmente não sabemos viver. Arranjamos um monte de motivos para não fazer as coisas ou queremos tudo de uma vez só, sempre metendo os pés pelas mãos. Esquecemos às vezes de nossas famílias, nossos pais, irmãos e amigos. Confesso que hoje fui um exemplo de alguém que acordou reclamando, mas mudou o pensamento, pois as vezes podemos resolver nossos problemas e já outros só por um milagre de Deus. Não conseguimos mais nem amar o próximo, pois quando vemos alguém caído no chão na rua achamos ser apenas mais um bêbado vagabundo. Pensamos tanto no futuro que esquecemos que a vida é hoje, por mais que tenhamos nossas responsabilidades. Vamos nos permitir viver aquilo que queremos e quando não dá nos planejar, continuar lutando. Trabalhar e estudar sim, mas também ser um homem e uma mulher que se permite assistir desenho, dançar na frente do espelho, rir do nada, fazer uma farra, comer doces, aproveitar o papo com os amigos, comprar algo que queremos muito ter. E podemos mais: amar mais o próximo, fazendo o que está ao nosso alcance pelos outros. Aqueles que estão nos hospitais não podemos tirá-los de lá, mas podemos tentar melhorar suas vidas, seja doando sangue, tempo e amor. Às vezes queremos as coisas e quando não as conseguimos ficamos achando que o mundo está contra nós. Mas nós podemos ir lá tentar novamente, ter outra saída. E aqueles que nem isso podem? Que muitas vezes dependem do sangue e do tempo de pessoas que só pensam em si mesmas? Alguma atitude nossa, por menor que seja, pode ajudar o outro a conseguir o que precisa. Nós temos alternativas, eles não, a alternativa deles somos nós. Então por que não tentamos realizar o desejo do outro já que não conseguimos o nosso? Sabe qual é o desejo do outro? Viver, apenas viver. Pensem nisto porque amanhã ou depois pode ser eu ou você naquela cama olhando para o céu e não podendo respirar o ar lá de fora nem poder falar! Fale e viva hoje, nas pequenas até nas grandes coisas. E é por este senhor que estou aqui falando hoje.

Está é a mesma janela que aquele senhor comtemplava. Aproveite enquanto você pode respirar o ar puro lá de fora.Aproveite enquanto você pode viver o que tem de melhor lá fora. Mas ajude também a quem não pode nem esta vista comtemplar.

Bianca Nascimento

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Semana de tema livre

Arriscar É Preciso. Sempre.




Tem gente que arrisca sempre e gente que não arrisca nunca.
Tem gente que arrisca tudo e tem gente que não arrisca nada.
Não sou nenhuma estudiosa do comportamento humano, mas arriscar faz as pessoas amadurecerem e fortalecerem-se diante das dificuldades que surgem ao longo da vida (parece frase de vídeo de auto-ajuda).
E mudar profissionalmente também é uma forma de arriscar. Para uns, representa o ápice da dificuldade, traz noites insones, falta de apetite, ou excesso de... Para outros, é fácil, como trocar de camisa.
É muito bom trabalhar cinco dias por semana, ter estabilidade financeira, saber quanto vamos receber no final do mês e fazer planos com este valor; iniciar e terminar a jornada de trabalho todos os dias no mesmo horário ou saber o que vai acontecer durante o dia, todos os dias. Isso nos traz segurança e tranquilidade, mas, de certa forma, nos limita, pois permanecer nesta zona de conforto faz com que esqueçamos o quanto é importante para nossa realização pessoal aprender mais e encarar novos desafios.
E assim, deixamos nossos sonhos e objetivos escondidos lá no fundinho da gaveta junto com o grampeador ou com o rolinho de durex.
Arriscar-se profissionalmente é testar a si mesmo, é ultrapassar seus próprios limites, colocar a prova sua capacidade de enfrentar novas situações, mesmo com medo. E é neste momento que nossa determinação deve ser maior que tudo, inclusive que o medo.
Desempenhar com excelência a profissão é ótimo, mas melhor ainda é encarar um novo desafio.
Conhecer melhor a si mesmo traz maturidade, desenvolver novas habilidades fortalece a autoconfiança e o bônus de tudo isso é a recompensa pessoal e financeira.
Outro dia li um texto que dizia que a maior dificuldade em programar mudanças (de qualquer ordem) está em não amar verdadeiramente o que se faz; porque quando amamos o que fazemos, mudar passa a ser uma necessidade para eternizar o que amamos.
Viver é arriscado e perigoso, e escolher novos caminhos nos traz insegurança, ansiedade e taquicardia, mas é vivendo e arriscando que aprendemos mais, que crescemos, que nos tornamos livres. Pior do que arriscar e não dar certo, é não arriscar de forma alguma, porque podemos deixar de realizar um grande sonho, simplesmente porque não tentamos. E, de novo, vale o clichê: melhor arrepender-se de ter feito algo, do que arrepender-se de não ter feito nada.
Arriscar é como saltar de um penhasco sem pára-quedas, acreditando que no meio da queda vamos aprender a voar.
E é isso que vou fazer. Quem sabe no meio do caminho eu não aprenda a voar?




Karime Abrão

domingo, 25 de outubro de 2009

Guia Do Orgasmo Múltiplo Masculino



Uma das revelações mais curiosas (e polêmicas) de Freud é a de que a mulher sente inveja do homem por ele ter pênis. Em compensação, outra revelação dele deixa os sexos quites na disputa: o homem inveja a capacidade que a mulher tem de parir. Mas, para desequilibrar a peleja entre invejosos, talvez tenha faltado um outro quesito na tabelinha do pai da psicanálise: homem tem inveja de orgasmo múltiplo.
Atribuído como um privilégio exclusivamente feminino, ele desperta curiosidade e até certo desdém dos inconformados. Alegam ser exagero o que se comenta a respeito, esquecendo-se que já é da natureza da mulher reverter sua sensibilidade aguçada em prazer: mesmo um orgasmo feminino simples tem maior intensidade e duração do que um masculino. Além disso, uma mulher pode gozar várias e várias vezes em uma mesma relação, enquanto que o homem já tem seu rendimento comprometido depois do primeiro orgasmo, sendo muito difícil se recompor para um terceiro ou quarto round. E mais, enquanto um homem só tem um tipo de orgasmo, a mulher pode ter dois: vaginal e clitoriano. Como se não bastasse, a mulher não precisa obrigatoriamente gozar para achar o sexo bom, enquanto que o homem geralmente considera a transa frustrante se ele não chegou lá. Isso sem falar no mitológico ponto G, no número de zonas erógenas superior ao do homem, nas diversas áreas sensíveis do aparelho sexual (que se mapeadas fazem a genitália feminina parecer o Playcenter e o pênis um playground de condomínio), entre outros privilégios em excitação e orgasmo. Com tanta tecnologia sexual, é incrível como o orgasmo feminino só se tornou um “direito” a partir da segunda metade do século passado. A bem da verdade, o homem sempre teve medo do potencial de prazer da mulher. Ele o deixa em condição desfavorável e limitada, não sendo por acaso que em alguns países extremistas da África e Ásia mutila-se o clitóris da mulher quando ela chega à fase da adolescência. Aliás, o clitóris sempre foi tão ameaçador que sua primeira menção “científica” ocorreu na Santa Inquisição, quando um sacerdote, ao torturar e explorar a fisiologia de uma suposta bruxa, descreveu-o como “a ponta do bico do seio de Satanás”. O homem e a religião nunca se conformaram com Deus ter criado um ser tão high-tech no potencial sexual. E é aí que a ciência de Freud se encontra com a arte de Shakespeare, quando os dois entram em consenso na afirmativa de que homens se esmeram obsessivamente na criação de obras-primas na mesma proporção em que se mostram talentosos em gerar guerras - é acúmulo atávico de frustração reprimida, tentando compensá-la através de feitos extraordinários, seja para o bem ou para o mal. Muito se fala da ala das mal-comidas mas nada se comenta da ala dos maus-comedores, a qual é muitíssimo mais deprimente e perigosa. Basta dar uma rápida olhada na galeria dos líderes de maior apetite sexual para se perceber que foram muito mais competentes e construtivos do que a dos assexuados: compare John Kennedy e Bill Clinton com Hitler e Stalin, por exemplo. Claro que os dois primeiros pagaram caro por sua fama de comedores, mas o único "erro" público que cometeram foi o de gostar demais da fruta, porque de resto foram estadistas exemplares. Já os outros dois, assim como uma infinidade de líderes nefastos, sempre tentaram suplantar uma possível falta de sexo (ou de bom sexo) com o uso da baioneta. Fizeram de seus bigodes falsos ícones fálicos para sugerir virilidade, porque seu comportamento público e humanitário demonstrava justamente o contrário. Também temos nosso similar local: na disputa presidencial de alguns anos atrás, o candidato Enéas Carneiro (sim, aquele do "meu nome é Enéas!") havia dito que, se eleito, daria condições ao Brasil de produzir artefatos nucleares, pois, segundo ele, só assim os americanos parariam de nos apontar dizendo: "olha ali um índio de tacape na mão" - em resposta, o então presidente do Partido Verde (e também candidato à presidência da república), Alfredo Sirkis, respondeu em seu horário eleitoral que: "a bomba atômica é o Viagra dos energúmenos". Coloque as fotos de Enéas e de Sirkis lado a lado e tire suas próprias conclusões de quem tinha vida sexual mais sadia e satisfatória.
Como a ciência adora fazer uma descoberta inusitada e causar celeuma, já ventilou-se a capacidade de o homem ter orgasmo múltiplo. Que mulher pode ejacular, isso é uma verdade comprovada; mas quanto a homem sentir orgasmo múltiplo é mais ou menos como afirmar que macho também tem ponto G. Pode até ter, mas a privilegiada criatura que o possua será uma enorme exceção à regra, quase uma atração circense. Os motivos pelos quais o orgasmo múltiplo masculino é uma enorme bobagem (não se necessitando nem ao menos ser urologista para desmascarar tal embuste pseudo-científico) residem em algumas constatações muito simples. O orgasmo masculino está diretamente ligado à eliminação de sêmen pelo pênis. Mesmo homens que passam por vasectomia expelem esperma, pois a maior parte do líquido não é composta por espermatozóides e sim por secreções que facilitam a condução dos gametas até o óvulo. Contudo, há sim adeptos do gozo “a seco”: monges praticantes do sexo tântrico de altíssimo grau de concentração meditativa conseguem gozar sem ejacular, mas essa habilidade é destinada a uma meia dúzia de gatos chineses pingados de um templo shaolin que passam a maior parte da vida aprendendo a transar com o vento e a plantar bananeira se equilibrando no dedo mindinho, portanto não dá para inserir nas estatísticas. Levando em conta que cada gota de sêmen equivale a uma perda de 30 gotas de sangue, e que não se pode gozar sem ejacular, um sujeito que tivesse orgasmo múltiplo equivalente, digamos, a um minuto de duração, não teria um clímax sexual e sim uma hemorragia. Cada vez que o mancebo fosse transar, teria de deixar os bancos de sangue de sobreaviso. Além do que, nenhum par de testículos do mundo seria capaz de produzir tal quantidade de sêmen. Como também nenhuma camisinha teria reservatório de elasticidade suficiente para armazenar tanto líquido sem arrebentar. Considerando que a bolsa escrotal produz mais em baixa temperatura (procurando sempre estar de 2 a 3 graus Celsius abaixo da temperatura do corpo humano), talvez o abominável homem das neves fosse capaz de ter uma indústria de gametas tão fértil assim. E provavelmente esse ser apto ao orgasmo múltiplo seria mesmo uma aberração, pois para gerar um gozo tão poderoso seria preciso ter uma quantidade sobre-humana de células de Leydig nos testículos (as células intersticiais responsáveis pela produção de testosterona). O problema é que a testosterona em excesso não gera apenas mais esperma e virilidade, mas sim uma quantidade colapsar de efeitos colaterais, começando pelo fato de que nosso personagem hipotético seria tão peludo que faria o Tony Ramos parecer Espiridião Amin. E seus escrotos precisariam ter um epidídimo, que é a estrutura que armazena os espermatozóides até serem liberados no ato sexual, de proporções nababescas, em outras palavras, um saco que faria inveja a quem pegou friagem enquanto estava de caxumba (fenômeno que, aliás, deve ser tão lendário quanto o orgasmo múltiplo masculino). Pensando bem, talvez realmente o abominável homem das neves, o pé grande ou o sasquati possam ter orgasmo múltiplo.
Mas há uma constatação ainda mais aterradora na qual podemos chegar: se formos somar os danos que tal gozo colossal causaria no canal uretral, na próstata e no corpo cavernoso do pênis, chegaríamos à conclusão de que o “abençoado” teria uma vida útil sexual bastante reduzida e de qualidade comprometida. E mais: ao contrário do que se poderia pensar em um primeiro momento, esse tempo todo de jato seminal acabaria causando mais dor do que prazer, já que o esforço de tamanha ejaculação geraria lesões internas no aparelho genital devido ao atrito do esperma expelido somado a toda a energia física acionada no processo do gozo. Os movimentos peristálticos feitos por tempo tão prolongado teriam consequências difíceis de se prever. Aliás, o excesso de terminações nervosas que seriam arranhadas pelo jato de esperma em profusão poderia resultar em dores lancinantes, haja vista a soma de relatos pavorosos de homens que foram vítimas do Candiru: o peixe que entra na uretra dos desavisados que gostam de tomar banho sem roupa em rios da bacia amazônica. O esguicho de tanto esperma causaria micro-lesões em toda a extensão do duto uretral. Se isso resultaria em inflamações ou ferimentos mais graves, só um especialista poderia afirmar. Mas que doeria, doeria. Qualquer homem sente um tanto de ardência interna proporcionada por uma ejaculação de poucos segundos. Imagine o que seria essa ardência num gozo de minuto...
Sendo assim, orgasmo múltiplo masculino é inviável, e mesmo que fosse possível seu resultado poderia ser muito mais uma maldição do que um superpoder invejável. Fisiologicamente, o homem não foi concebido para ter orgasmo múltiplo. O que é uma benção para as mulheres, pois se já existem tantos apressadinhos por conta de um orgasmo ralinho que dura poucos segundos, imagine o que seria se essa legião do fast fuck tivesse a sensação do orgasmo múltiplo similar ao da mulher. As penetrações durariam menos que uma prova de cem metros rasos. Ganhariam do Usain Bolt.
Então, não há esperança? Não existe orgasmo múltiplo masculino nem nunca existirá? Na verdade, existe. Mas é resultado da sublimação, ou seja, da canalização da energia sexual para outras atividades que possam suplantar a carência de estímulos da libido. E ela pode ser praticada tanto por homens quanto por mulheres. Claro, ainda não inventaram nenhuma sensação melhor do que um orgasmo sexual legítimo. Este prazer pode ser superado pelo oferecido por certas drogas, mas não há nenhuma sensação saudável, natural e sem contra-indicações que seja comparável a um orgasmo. Nosso mestre do templo shaolin diz que tal nível de êxtase pode ser ultrapassado através de técnicas meditativas, mas vamos considerar que somos meros mortais e que tal prática ainda se encontra distante de nossas capacidades. Então, continua o orgasmo no alto do pódio. O orgasmo da sublimação ocorre quando se consegue conquistas e prazeres capazes de competir (mesmo que com certa distância) com o delírio de um gozo. E o orgasmo múltiplo da sublimação é quando algo muito, muito, muito fantástico resulta em um prazer indescritível. Corresponde a uma conjunção de fatos muito raros e extasiantes. Vamos a algumas possibilidades coadunadas com o universo masculino.
Seu time marca um gol aos 45 do segundo tempo e sagra-se campeão = orgasmo.
Seu time marca um gol aos 45 do segundo tempo e sagra-se campeão enquanto o time rival é rebaixado para a segunda divisão = orgasmo múltiplo.
Outro exemplo:
Milhares de latas de cerveja se espalham pelo asfalto por conta de um acidente do caminhão de entrega = orgasmo.
Milhares de latas de cerveja se espalham pelo asfalto por conta de um acidente do caminhão de entrega contra o carro da sua sogra = orgasmo múltiplo.
Mais um:
O avião presidencial tem uma pane e cai = orgasmo.
O avião presidencial tem uma pane e cai sobre o congresso nacional = orgasmo múltiplo.
OK que são situações que não dependem de você, o que torna o orgasmo múltiplo da sublimação algo muito difícil de ser atingido. Então, supondo que você queira um orgasmo múltiplo de sublimação voluntário, o que fazer? Simples, é quando se apela para prazeres radicais. O salto de para-quedas, a onda perfeita, a vitória no tatame sobre um oponente dito invencível, a viagem dos sonhos, o megashow de rock.
E assim acaba este guia do orgasmo múltiplo masculino. Convenhamos, um tanto quanto sem graça. Como tudo que é masculino.


Mario Lopes
Devido a um excesso de ótimos textos desenvolvidos pelas Desaforadas X, a partir de hoje não só o sábado mas também o domingo terá espaço no blog reservado para elas. E hoje tem nova estreia: Emanuella Minari (ou simplesmente Manu) é uma paulistana de 26 anos que estuda jornalismo e já é colunista da revista Chiques e Famosos. Baixinha invocada e chocólatra assumida, a Manu já faz seu debut com um texto muito esclarecedor sobre o tema da semana, cheio de referências e pesquisa consistente. Vamos ao post...


Guia Do Orgasmo Múltiplo





Esse tema realmente é bem complexo de abordar, porque há quem diga que isso não existe, há aqueles que se vangloriam dizendo que tem não somente um orgasmo, mas múltiplos... enfim, acho que o mais importante a dizer é que, pelo sim ou pelo não, acho importante conhecer as duas opiniões e tentar desvendar você mesma , se é ou não possível ter orgasmos múltiplos.

Eu , como ainda sou aprendiz do assunto, não tenho vergonha de dizer que não fui “bem aventurada” pelos múltiplos orgasmos, então pesquisei sobre o tema e, especialmente para você se identifica com a minha situação e que saber mais sobre como “chegar lá”, selecionei alguns trechos do livro “ Desperte a Deusa do sexo que existe em você” – Olivia St. Claire. Também pincei trechos do livro “Guia dos Curiosos – Sexo” de Marcelo Duarte e Jairo Bouer, e ainda informações do “Kamasutra – o livro do amor” e do “Kama Sutra XXX- as práticas de sexo mais inconfessáveis” - Alicia Gallotti.

Mas o que eu acho mais relevante deixar claro nesse texto é que o mais importante não é fazer disso uma “caça ao tesouro”, creio que você tem de curtir o sexo como um todo, um conjunto, como disse a minha colega Karime (Desaforada das segundas-feiras). Não dá parar ficar pensando coisas mirabolantes: “ Será que eu to fazendo certo, será que eu tenho que fazer isso ou aquilo...”. O segredo é não controlar e deixar as coisas acontecerem como tem que acontecer. Afinal , quem foi que disse que sexo só é bom se você tiver múltiplos orgasmos?

“E então, aconteceu como que um milagre, essa pulsação de prazer inigualada pelos mais exaltados músicos, os ápices de perfeição na arte, na ciência ou na guerra, inigualada pelas mais suntuosas belezas da natureza, esse prazer que transforma o corpo numa grandiosa torre de fogos de artifício, gradualmente explodindo em fontes de deleite através dos sentidos.” – Anais Nin

Pesquisas da dupla de estudiosos Masters e Johnson indicam que quanto mais exercitarmos essa habilidade, mais sensíveis e suscetíveis aos estímulos nos tornaremos, alcançando ápices ainda mais elevados de êxtase, capacidade e habilidade orgásticos.

Não muito distantes desse estado de bem-estar natural e sexualmente vibrante estão os nativos da ilha de Mangaia, na Polinésia Central. Tidos como a sociedade mais orgasticamente evoluída no mundo, eles consideram o orgasmo feminino não como uma indulgência, mas uma necessidade. Na puberdade, os homens de Mangaia aprendem a estimular as mulheres ao prazer sexual ao máximo, e aqueles que não conseguem dar à sua companheira pelo menos dois orgasmos cada vez em que fazem amor perdem seu status na sociedade insular. Infelizmente, nossa cultura não é tão avançada assim.

Na realidade é muito melhor deter o controle do seu próprio corpo e de seus prazeres e conscientizar-se de que ninguém lhe dá um orgasmo. É você mesma quem o cria, aprendendo como seu corpo chega ao ápice e então direcionando seus sentimentos e gestos de forma a permitir que o orgasmo ocorra. Esse comando de controle e abandono simultâneos é o talento e o dom especiais da Deusa do Sexo que há em você e das muitas Deusas do Sexo, antigas e modernas, que descobriram os segredos do primeiro orgasmo e daqueles frequentes, estremecedores e múltiplos, e aguçaram suas habilidades, transformando-as numa arte refinada.

Segredo nº 1 – Conheça e ame seu eu sexual – regularmente
Contou uma mulher: “Eu nunca havia tido um orgasmo até que reuni coragem suficiente para examinar minha vagina; conclui que ela era bonita e digna de amor, e finalmente me senti à vontade tocando meu corpo e perdendo um pouco o controle. Foi então que conheci o paraíso.” Outra mulher conta: “ Quando me conscientizei de que sou eu, e não um homem, que traz a sexualidade para minha vida, senti-me como se tivesse renascido. Meu corpo, agora verdadeiramente meu, pareceu-me muito precioso e poderoso. Ele me mostrou como ter orgasmos de verdade”.

Segredo nº 2 – Entregue-se
A verdadeira essência do orgasmo é a atitude de soltar-se, renunciar ao controle, perder-se no momento, submeter-se ao imperativo do seu corpo.

Segredo nº 3 – Concentre-se
Toda mulher orgástica que eu conheço diz que se inebria até o orgasmo, expulsando tudo de sua mente e concentrando-se apenas em seu corpo e em seus sentimentos alucinantes de prazer.

Segredo nº4 – Faça o tipo certo de estimulação clitoridiana - e o faça em abundância
Quer você prefira a estimulação direta ou indireta, rápida ou lenta, forte ou suave, com água , com sua mão ou um vibrador, descubra o que enlouquece o seu clitóris – e insista até seu corpo não aguentar mais o agonizante prazer e precisar aliviar a tensão através do clímax.

Segredo nº 5 – Experimente seu ponto gostoso
Onde quer que se localize, seu ponto G é sua área de sensibilidade especial, portanto tire partido dele.

Segredo nº 6 – Flexione seu músculo pubococcígeo
Contrair o pubococcígeo intensifica imensamente a sensação e adiciona a estimulação extra em quantidade suficiente para levar muitas mulheres ao limiar do orgasmo.

Segredo nº 7 – Use um vibrador
Esse segredo é útil principalmente se você nunca teve um orgasmo. Porém, mesmo que não seja sua primeira vez, novos picos sensuais a aguardam porque, com ele, você pode direcionar os movimentos de intensa pulsação exatamente para onde você queria e pode mante-lo ali por muito tempo.

Segredo nº 8 – Fantasie
O órgão mais erótico do seu corpo é o cérebro. Ele é o centro de seus terremotos sexuais. Assim sendo, faça como 80% das mulheres orgásticas: acenda sua imaginação para provocar orgasmos estremecedores.

Segredo nº 9 – Represente um personagem
As vezes despertar o papel de uma gatinha sexy, uma dominatrix ou uma jovenzinha inocente pode liberar seu eu selvagemente orgástico das correntes que o reprimem. Incorpore o personagem e o represente com convicção.

Segredo nº 10 – Mantenha o ritmo e a pressão constantes
Quase todas as mulheres que conheço dizem que o problema em se tentar ter um orgasmo com um homem é que este tende a mudar o que está fazendo e que está muito bom , exatamente quando você chega a um nível de tensão sexual insuportável. Nesse ponto, é crucial que nada seja modificado.

Segredo nº 11 – Excite-se
É possível intensificar e prolongar seu orgasmo elevando-se a tensão a um ápice, mas parando antes de chegar ao clímax. Suavize o toque ou passe para um área diferente, enquanto cai o nível de excitação e em seguida torne a elevá-lo. Quanto mais vezes você fizer isso, maior será o alivio que experimentará no final.

Segredo nº 12 – Eleve seu estado de espírito além do orgasmo
Uma mulher contou: “Para mim, o orgasmo é como uma descarga elétrica que se recebe quando se põe o dedo na tomada – uma sensação excitante, porém, um pouco rústica. Percebi que, se deixar de fora a cabeça e me sentir completamente segura e me livrar de todas as inibições e de todos os medos, posso ir além dessa descarga violenta, entrando num delicioso estado de bem-aventurança que pode se prolongar por bastante tempo. Quando estou em total contato com minha Deusa do Sexo, ela sabe o que fazer com meu corpo e lidera o caminho. Mas é preciso estar disposta a unir-se completamente, não com um parceiro, mas consigo mesma.”

Os mestres taoístas também sempre consideraram o sentimento de unidade alcançado durante e logo em seguida ao êxtase orgástico como a experiência mística mais facilmente acessível. Assim, se você vir o prazer sexual e o orgasmo não só como um alívio físico, mas também como uma aventura espiritual, poderá descobrir que existe um lugar místico e delicioso, ainda além do orgasmo, ao alcance de seu auto-prazer.

Como saber se uma mulher está fingindo um orgasmo?
Muitas vezes é bem difícil. Até porque algumas mulheres sabem representar muito bem um orgasmo. Existem alguns marcadores físicos: aumento da transpiração, elevação da pulsação, contração rítmica dos músculos da vagina e intensa lubrificação; No entanto, a própria relação sexual pode levar a muitos desses sinais. Se a sua parceira quiser fingir – e for uma boa atriz – vai ser bem difícil saber o que está acontecendo.

Seja receptiva
Ponha as mãos nos ombros dele, cruze os pés por trás das costas dele e faça movimentos para cima e para baixo em resposta aos do parceiro. Um dos grandes benefícios para a mulher é que, ao manter as pernas abertas, ela pode imaginar que a vagina é uma flor. Então, quando estiver estimulada, poderá imaginar a flor se abrindo até atingir o clímax. Esse tipo de imagem mental pode ajudar muitas mulheres a atingir o orgasmo.



Estimulação do Clitóris
O clitóris é provavelmente a parte mais sensível do corpo de uma mulher, e reage melhor à estimulação suave dos lábios e da língua. Posicione-se de modo a poder golpear para cima sobre o corpo e a glande do clitóris. Sua parceira pode estar de pé, sentada ou deitada de costas; se for uma das muitas mulheres que pode ter uma série de orgasmos com um estímulo prolongado do clitóris, em geral se sentirá mais confortável deitada. Estimule cada lado do clitóris sucessivamente, sempre a partir de baixo, usando golpes leves na glande e chicoteando a parte inferior do seu corpo de um lado a outro com a ponta da língua.

O Ponto G
Uma área supersensível na parede vaginal da frente, o ponto G, se localiza a meio (ou dois terços) do caminho de entrada. Se pressionado firmemente (pelo pênis ou por um dedo), proporciona uma sensação muito erótica. As pesquisas indicam que nem todas as mulheres possuem ponto G, mas muitas das que o possuem sabem que é capaz de provocar orgasmos.





A adrenalina é uma substância que o corpo produz para se pôr em estado de alerta máximo quando há ameaças externas; ele se concentra nesse risco e prepara todos os sentidos para a decisão: defender-se ou fugir. A reação é o medo. Essa substância também é um dos principais responsáveis pelo entrelaçamento da dor com o prazer. Embora a referência química pareça pouco excitante, a verdade é que as sensações se confundem quando disparam os estímulos que produzem a liberação de adrenalina no corpo. Na realidade, o orgasmo não sabe se é o caso de um jogo ou de um perigo real, mas reage da mesma maneira: excitando-se.

No jogo sexual, onde se incluem mordidas, palmadas na bunda ou beliscões que acarretam uma pequena dor, o corpo entende que deve ficar alerta, porque esses estímulos assim o pedem, gerando um estado de forte emoção e tensão. Encarregada de discernir entre o danoso e o agradável, a mente transforma a sensação de medo, que é ligeiramente dolorosa, em satisfação e prazer.



Emanuella Minari

sábado, 24 de outubro de 2009

Consecutivos e coloridos



Tantos compromissos, horários, responsabilidades, vaidades. Tudo tem que estar em ordem, em casa, no trabalho, no íntimo.
Jornadas intermináveis, cuidar do corpo, cuidar da mente. Pôr na balança, andar na corda bamba.
Mulheres por natureza são atarefadas, preocupadas, ligadas, energizadas. Cada qual com sua atividade, ocupação ou preocupação.

No dia em que aquele sutiã foi queimado tudo começou. É como se dissessem: agora toma!
E desde então estamos tomando... mas tomamos atitudes. Não dá pra parar. Se parar, nos atropelam.
De várias características associadas às mulheres, uma naturalmente pode ser o orgulho. Imagina que agora que nos deram o que pedimos vamos fraquejar. Jamé.
Então, orgulhosas do espaço que conquistamos, seguimos. Correndo... tentando dar conta.

E por falar em dar, lembro do tema colocado em pauta essa semana. A recompensa.
Os momentos leves são extremamente necessários para equilibrar tanta pressão que sofremos no dia-a-dia.
Algumas fazem ioga, pilates, alongamento. Há quem curta desestressar num barzinho, num cinema ou até em casa,
Abraçada ao balde de pipoca. Tanto faz. Só talvez não encontremos uma mulher que negue o melhor dos prazeres, aquele descomprometido ou não, mas que te leva a lugares onde não existem reuniões, filhos, trânsito, atraso, nada.
Nada além do orgasmo. Ele basta. Mas não vem sozinho.

No exato instante em que ele está lá, fazendo com que mais nada seja importante na sua vida, você pensa:
será que eu não devia proporcionar um pouco mais, já que está sendo tão bom comigo?
Não! Não agora... já me esmerei no papel mulher e mereço. E como eu dizia, ele não vem sozinho...
Vem acompanhado de vários outros como ele, todos de mãos dadas e num ritmo frenético.
Alucinando, te colocando a pensar 'que raios é isso que está acontecendo'. É ele, o orgasmo múltiplo.
Depois da saga diária que vivemos, a recompensa vem radiante, renovando as energias do corpo saciado.

Os homens que me desculpem, merecem atenção e muita dedicação, mas o múltiplo é só nosso.


Liliana Darolt

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Sem sal e sem gozo



Frígida. Assim a chamavam, qualquer um que a conhecesse. Homem ou mulher, tendo ou não mantido algum tipo de relação, sabiam pelo seu jeito o quanto era frígida. O olhar, o falar, o modo de andar. Tudo nela cheirava a frigidez. Se esbarrava com alguém na rua? Frígida. Sem explicação. Mas era assim, sem mais nem menos.
Talvez sua frigidez se devesse ao fato de pensar demais. De tanto pensar, se tornava alheia ao mundo que a rodeava, pois só o que lhe importava era ou o seu mundo interno, ou o mundo que ninguém era capaz de ver, apesar de ser tão visível quanto um elefante em uma avenida.
Mas o fato é que não deixaria de ser mulher, mesmo parecendo um anjo assexuado e desinteressado. É claro que era um tanto quanto anti-social também, devido ao seu extremo interesse interno, sendo dela ou não, mas ainda assim tinha um par de amigas-colegas. Tinha pouquíssima paciência com elas, e elas também. Vida de Frígida não é fácil.
Ela era formada em um curso qualquer, chamado Filosofia, do qual ela pouco se vangloriava. Se arrependia ao extremo de ter passado quatro anos ao lado de burros e sendo ensinada por burros ensinados por burros. No mundo de frígida, todos eram assim, menos ela: Frígida.
Terminado o curso, ela dedicou-se ao que mais gostava e passou a refletir sobre as coisas mais banais. Adorava achar erros nas atitudes e pensamento dos outros, e, baseando-se nessas reflexões, criou sua própria ideologia social/política/filosófica. No fim de todas as suas linhas de raciocínio, lá estava ela, frígida, posando no topo como primeiro-motor e dando pontapés em Aristóteles.
Com as teses formadas, bastava arranjar um jeito de provar aos outros que era o que sabia que era. Não que se importasse com o que os outros pensavam, mas sabia que isso era necessário para desmascarar os falsos sábios. Assim, ela iniciou uma série de vivências leigas, cujo intuito era experimentar as sensações e emoções que seus ignorantes viviam.
Na primeira experiência, ela esforçou-se para criar uma relação mais afetuosa com uma de suas amigas-colegas - agora suas cobaias - e no momento em que achava ter alcançado seu intuito, bolou uma série de atitudes que, desencadeando uma decepção na amiga, ocasionaria seu arrependimento. A primeira parte do plano correu bem, mas a segunda, como já era de se esperar, fracassou.
Frígida decepcionava, mas não se arrependia.
Aproveitou a situação para tentar sentir saudades da ex-cobaia, mas ela considerava esse sentimento tão ridículo que nem sua vontade de entendê-lo ajudou. Resultado: Saudade? Só dela mesma, enquanto dormia.
Ainda lhe restavam outras duas cobaias. Aproveitou uma delas para conhecê-la melhor, mas só o que conseguia sentir era repulsa, pois ela era, além de humanamente clichê, cheia de histórias de vida repletas de derrotas e perdas, das quais ela pouco se importava. Frígida sempre considerou a solidão como o maior tesouro que alguém poderia ter, mas que ninguém sabia dar valor.
Tristeza ou compaixão? Zero, por nada nem ninguém. Absolutamente.
Com sua última cobaia ela quis ser mais cautelosa. Até poderia seguir em frente realizando vivências com outras pessoas, mas isso lhe gastaria um tempo e esforço desnecessários. Por isso dedicou-se à “amiga” com tanta determinação que quem as olhasse caminhando pela calçada, pensaria que Frígida, finalmente, tinha uma amiga.
Ela vivia e esforçava-se para isso, e por pouco, quase engana a si mesma acreditando ter realmente criado um relacionamento. Nessas horas de cumplicidade, ela se dava ao prazer de ter a companhia solitária de si só, e lembrava que experiências como aquela só poderiam ser provadas caso saísse ilesa. E realmente, quase saiu. Quase.
Levando uma vida comum, pelo bem da experiência, ela se entregou aos prazeres efêmeros de uma vida normal. Passou a sair à noite, a beber até perder a sanidade, a conhecer outras possíveis cobaias, enfim... apenas atitudes, sem sentimentos, tristezas, emoções... nada. Apenas agia.
E, noite vai, noite vem, conversando bobagens com a “amiga”, entraram em um assunto que pouquíssimo a interessava, mas que faria parte do seu projeto “ignorância humana”.
É claro que Frígida já havia transado antes, mas o fato é que, como o ato pouco lhe agradava, não pensava nisso. Admitia que era até bom, mas lhe custava um tempo que ela preferia perder em algo mais útil. E lá estava ela, conversando sob um dos assuntos mais adorados pela humanidade. Tratou de guardar cada informação e lamentou não ter tido um gravador naquele instante. Tudo era valiosíssimo. Achava incrível como os outros seres aparentemente semelhantes a ela pudessem gostar tanto de algo que lhe dava um prazer de no máximo dez segundos.
Ela ria por dentro.
Quanto mais ouvia a “amiga” falar, mais tinha certeza de que o mundo perfeito teria apenas um habitante. Ela.
Admirava o entusiasmo daquela mulher, gabando-se por ter atingido o ápice do ápice, o tal do orgasmo múltiplo. Não é o fato de ter aumentado em 50 segundos que faz da explosão um deus a ser venerado. Um prazer tão efêmero, tão rápido, tão dependente de outra pessoa, não deveria ser um dos cinco assuntos mais discutidos pela humanidade. Chegava a ser animalesco, irracional.
Bem, ainda bem que ela era exceção, e pelo bem de sua tese, provaria isso.
Dentre as cobaias que conheceu recentemente, escolheu a dedo aquele que mais se encaixava na execução prática de sua última experiência.
Ligou, marcou, chegou, deitou...
E, deitada nos braços do escolhido, conjeturou os três segundos de sempre. O que era realidade? Os seus três segundos, ou o tal do orgasmo múltiplo?
Olhando pela janela, Frígida chegou à conclusão de que orgasmo múltiplo era só mesmo o que ela conseguia imaginar: milhões de pessoas gozando ao mesmo tempo, em todos os cantos do mundo.
E Frígida era assim, frígida... até gozando.


Letícia Mueller

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Em Brasília, 19 Horas


Gente, já vou chegar chegando, sem enrolação, fincando a agulha na veia mesmo. Assunto amplamente discutido pela controvérsia que gera é o tal do orgasmo múltiplo. Vocês não imaginam o pano que deu pra manga assuntar por aí, perguntar se existe, se não existe, se as pessoas sabiam o que era, se já tinham vivido a experiência ou não. Olha, dá até pra fazer uma planilha no Excel com estatística, mas estou sem tempo, então bora pros fatos.

Parta-se do princípio de que o orgasmo múltiplo ocorre quando os picos de prazer acontecem um imediatamente após o outro sem interrupção alguma, não sendo algo frequente nas mulheres. E, nos homens, devido a um impedimento fisiológico, não ocorrem, segundo um de vários estudos científicos. Reparem que eu disse científico. Não quer dizer que seja exatamente assim, então precisamos ir atrás da verdade... nua e crua. Vamos iniciar uma análise partindo da famosa pesquisa de campo.

Quinta-feira. Reunião pra tomar um café na casa da Sara, que trabalhou com as meninas na empresa mas saiu depois que resolveu casar. Sara é uma mineira que chegou na cidade não faz muito tempo com seu jeitinho doce, simples e contador de causos. Típica de “Beozonte”, até que é jeitozinha a moça. De fala mansa, muito calma, não tem o que essa menina não tenha conhecido ou feito na vida. Não que alguém acredite que tenha feito, mas seu jeito meio dissimulado de falar é tão insosso que fica difícil não convencer. Manja meninas certinhas, bonitinhas, educadinhas, fresquinhas, sem noçãozinha, inha, inha?

Eu estava num dia em que nem meu chefe se atreveria a me pedir alguma coisa sem ser muuuuuito diplomático. Eu nem ia, mas a curiosidade mata e reunião só com mulher é ótima pesquisa de campo. Eu tava mais interessada no rádio, que tava tocando um rockzinho quando, de repente, começou:

- Gente, eu não sei o que é mais difícil... Achar alguém que te entenda ou entender alguém que te ache. Quando eu gosto do cara, ele nem imagina minha existência, quando o cara gosta de mim tenho vontade de vomitar.

Diz a... como é mesmo o nome? Ah, uma guria lá. Nessa hora eu já vi que seria uma noite no mínimo longa. Já virei os olhos, enquanto veio a resposta eloquente (argh) da Sara:

- Ô, “bem”, essas suas dúvidas são falta de uma paixão arrebatadora, de alguém que te faça ir ao céu. Presta atençããão. Veja meu caso, por exemplo. Tenho tudo o que sempre desejei com o Marcos e sou tão plena hoje e tão espiritualizada que orgasmo múltiplo é uma constante na minha vida.~

Todas se olharam. Até eu me estiquei pra ouvir mais. A garota diz que tem orgasmos múltiplos cons-tan-te-men-te. Verdade que existem algumas técnicas interessantes... Eu, e acredito que a maioria das mulheres bem situadas já tiveram seus dias de “Better Sex”, mas... Meu, tá de mentirinha pra se gabar? Não... o lance todo da questão foi o “constantemente”.

Ok. pra eu não parecer cética tentei um contato com Sara, a deusa do amor para obter um posicionamento fundamentado. Tive que perguntar a ela, então, como conseguia a façanha com esse adestramento todo.

- Então, tudo é uma questão simples...

- Tá, Sara, vai direto no ponto (G) da questão...

- É...

Interrompeu com a grave voz no rádio que bradava: “Em Brasília, 19 horas...”.

- Nossa, meninas, já passamos da hora do nosso café. Vamos, vamos, senão os pães de queijo esfriam.

Maldita Hora do Brasil. Tá, não adianta chorar pelo leite derramado (que neste caso nem pra ser derramado). O lance é partir pra outras fontes. Internet. Ótimo, nada melhor que sites diversos pra fuçar sobre o assunto. Li sites de medicina, terapia, sexologia, psicologia, herbologia, poesia... tudo. Além de opiniões anônimas em blogs por aí... claro. Entre múltiplas considerações (alguma coisa tem que ser múltipla nesse texto), eis o resumo:

“... os múltiplos orgasmos não tem uma definição única...”

“... não se sabe se há predisposição biológica ou emocional...”

“... não há nenhuma evidência que comprove tal teoria...”

“... é preciso ter disciplina técnica para se chegar ao êxtase...”

“... cada pessoa tem uma forma de resposta sexual...”

“... foi indescritível a sensação que tive...”

“... a forma de manifestação dessas sensações é extremamente variável...”

“... meu clímax é uma explosão intensa e imediata, difícil de descrever...”

Última tentativa: o bom e velho dicionário, meu amigo para todas as horas. Talvez desmembrando as palavras possamos entender finalmente o grande sentido da vida. Vamos ver o que o Silveira diz:

Orgasmo: s.m. Gozo; Prazer sexual; or-gas-mo.
Múltiplo: adj. Que abrange muitas coisas, que não é simples nem único...

Nem precisa me dizer mais nada. A única parte útil de ter ido ao dicionário foi poder aperfeiçoar a arte de separar as sílabas: or-gas-mo. Inclusive porque, até no dicionário, “o que não é simples nem único” vem antes do orgasmo.

Conclusão: Orgasmos múltiplos são indefinidos, indecifráveis, imprevisíveis e indescritíveis. Logo, quem não os teve continua a não saber o que é e quem os teve... depois me conte.


Angélica Carvalho

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Piadas Sobre Orgasmo Múltiplo




O dicionário define orgasmo como o clímax no ato sexual. Na Inglaterra, uma rede de sex-shops criou o Dia do Orgasmo, que é em 31 de julho. Hoje em dia fala-se muito em orgasmo múltiplo, que é definido, cientificamente, como uma sequência de orgasmos consecutivos. Cientistas americanos afirmaram que a energia de uma mulher com este tipo de excitação é capaz de acender uma lâmpada de dez watts por cinco minutos. Porém, melhor do que estas informações são as piadas sobre orgasmo múltiplo, da autoria do gênio Ary Toledo, sendo que tomei a liberdade de fazer algumas adaptações:

1. Orgasmo Múltiplo da Maria Gasolina:
- Arranca!
- Vrumm!
- Brumm!
- Acelera!
- Abastece!
- Para no sinal!
- Avança!
- Freia!
- Pé na tábua!
- Hi...
- O motor fundiu!

2. Orgasmo Múltiplo da Fã de Filme de Terror :
- Entra no meu cemitério!
- Arrasta a corrente!
- Acende uma vela!
- Chupa meu sangue!
- Buuu!
- Voa pelo ar!
- Volta para o caixão.

3. Conversa de jovens saindo da escola:
Rapazes, que costumam mentir sobre as suas conquistas amorosas, estavam conversado quando Zezinho falou para Manoel:
- Tive caso com a professora de Geografia e ela me mostrou o mapa do seu corpo!
Manuel respondeu para Zezinho:
- Eu namorei a professora de Português e com ela descobri várias línguas!
Georginho intrometeu-se:
- Eu fiquei com a professora de Química e não houve química melhor!
Juarez exclamou:
- Com a professora de Física descobri que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
Joãozinho encerrou a conversa explicando:
- É, mas o orgasmo múltiplo só é possível com a professora de Matemática.


Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Divã Sexual



Clara queria novas aventuras, não só apenas viajar, fazer cursos e conhecer pessoas diferentes. Ela queria tudo. E isso incluía conhecer tudo mesmo, no mundo afora e no mundo adentro de seu corpo. Com Carlos há dois anos, sentia sempre as mesmas emoções, mas não que ela achasse isso ruim, só queria “algo novo”. Percebeu então que deveria procurar alguma sexóloga para explorar mais seus conhecimento e seu corpo.

“Na verdade, doutora, está tudo bem. Mas, ultimamente, o “bem” não é só o que quero. Quero o melhor, o sensacional, o maravilhoso, o alfa... entende?” - disse Clara entusiasmada.

“Claro, Clara. E o que você já fez para tentar atingir tudo isso que deseja?” - perguntou a sexóloga Virgília.

“Ah, sim... quer dizer... acho que sim. Já inventamos algumas posições novas, feitiches que cada um tinha... mas no final... acaba sendo tudo como sempre. O mesmo prazer, o mesmo orgasmo. Não que isso não seja bom mas... por que não ser melhor?” - indagou Clara.

“Clara... na verdade, você afirma tanto que está tudo bem (o que para muitas mulheres já seria o essencial)... mas, você tem certeza que está tudo bem mesmo?” - perguntou Virgília.

“Ah... sim... eu só queria algo novo mesmo, o que há de errado? - indagou Clara.

“Certeza?” - questionou Virgília.

“Hum.... afirmar assim é meio... sei lá...” - respondeu Clara, mais pensativa desta vez.

“Percebe que tem algo aí nessa história?” - perguntou Virgília, mas como se já soubesse a resposta. “E o amor?” - indagou novamente.

“Nós amamos. Quando um precisa do outro, sempre estamos lá” - respondeu Clara meio confusa.
“E o amor no sentido paixão e tesão?” - perguntou Virgília.

“Então... como disse, está tudo bem, é a mesma coisa!” - responde Clara, agora pensando mais ainda sobre esse tão repetido “tudo bem”.

“Porque ao invés de tentar algo como fantasias e apelos corporais, você não apela para a conversa, o diálogo, o romantismo, a paixão? Quem sabe ai você não descobre algo novo?” – aconselhou Virgília,

“É, tem razão... talvez essa minha pressa de algo novo acabe dificultando mais as coisas. Vou deixar rolar. Obrigada!” - disse um pouco mais animada Clara.

Clara saiu do consultório pensando no que ouvira. Chegou em casa e leu no Google alguns artigos do tipo “como sentir mais prazer” e “o que fazer para inovar na relação”, mas daquilo tudo ou já tinha feito ou achava estranho demais (tinha coisas que consideava apelativas). Até Viagra feminino pensara em tomar para ver se ficava mais “loucona”, mas na verdade nem ela sabia como iria conseguir o que queria. Mas... o que queria? Diante desta questão, Clara resolveu então na mesma noite fazer um jantar romântico para Carlos e conversarem. Mas não só sobre o assunto e sim sobre tudo, saber mais ainda o que cada um pensa e sente, mesmo depois de dois anos juntos. Queria conhecer o que pensava e sentia Carlos e se, no fundo, ele também não gostaria de algo novo também.

“Amor, adorei este jantar assim.... do nada. Não esperava”- disse Carlos fitando os olhos de Clara e pegando suas mãos.

“Às vezes temos que nos 'permitir', não é?” - disse Clara. sorrindo levemente.

“Sabe, amor, às vezes gosto dessas coisas diferentes assim, do nada, sem compromisso, sem hora... por mais que já tivessemos muitos jantares, hoje foi inesperado como no começo do nosso relacionamento, quando nós tínhamos tantos sonhos, tantas vontades, cada desejo...” - dizia Carlos a Clara, que observava a empolgação no discurso de seu homem e a expressão surpresa e feliz no rosto dele. E, naquele discurso, ouvia as mesmas coisas que seus pensamentos antes lhe diziam. “Por que não teria feito isso antes?” - indagou Clara para si mesma.

Naquele momento de conversa como dois adolescentes que acabaram de se conhecer, de carinho, de troca, da mesma paixão, da mesma química, todos reacendidos, tiveram a noite mais incrível. Não criaram personagens: ali, os dois eram o maior feitiche de cada um. Não propuseram joguinhos ou inovações... depois de tantos momentos puseram em prática todo conhecimento que cada um tinha do outro em relação a seus corpos, pensamentos e desejos que se coincidiram como nunca antes.


“É doutora, você estava certa!Procurar algo novo é válido...mas é preciso saber como.” disse Clara na sessão marcada com Virgília ás pressas para contar as novidades;

“Que bom Virgília, mas, o que fez?”

“Apenas propus conhecer não só os meus desejos, gostos, vontade, mas também os de meu parceiro e descobri que são os mesmos. Juntos pudemos ter sensações novas. Conversamos, nos permitimos, nos amamos, como dois adolescentes que acabaram de conhecer mas que já se conheciam há dois anos. Depois de toda essa troca, junto com carinhos, prazer e paixão, tive aquela tal do orgasmo múltiplo!E ele sentiu prazer comigo como nunca antes...foi como tivesse sentido por ele e por mim!”

“Parabéns, não é raro, mas só algumas mulheres têm esse privilégio e você entendeu bem o que eu quis dizer. Pra ele acontecer não há fórmulas. O que faz acontecer é essa mistura: nem só o toque, nem só o tesão, nem só o carinho mas sim tudo isso de uma forma harmoniosamente e prazerosamente combinada” - disse Virgília satisfeita por ver Clara realmente realizada.

Dali em diante Clara entendera que não é só preciso estar “tudo bem”. O melhor é o amor, a paixão, o tesão que devem ser somados e renovados a cada dia, a cada hora descobrindo assim uma nova sensação e emoção ao fazerem amor.

Posso não ser a pessoa apta a falar disso, mas tenho certeza de que esse tal de orgasmo múltiplo só acontece com a mistura ideal de paixão, tesão e sentimento.


Bianca Nascimento

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tema da semana: Esse tal de orgasmo múltiplo


Responsa



Nossa, é uma responsa do pincel começar a semana falando de um assunto que é puro tabu.
Há quem já tenha tido, há quem sonhe em ter, há quem minta já ter tido e há quem sonhe proporcionar orgasmos múltiplos, e, para cada uma destas opções, teríamos um texto diferente para o blog.
Dei meu primeiro beijo selinho aos 11 anos e, no final da década de 80, quando tinha 15, transei a primeira vez com meu namorado. Não foi legal, foi com medo, cheia de dúvidas, de atrapalhação.
E, ao contrário do que as revistas femininas publicam, algumas coisas da vida (na realidade, a maior parte delas) a gente só aprende com a maturidade. Ter e dar prazer, com certeza é uma delas e não há manual de instrução para isso.
Tabu ou não, o certo é que toda mulher pode ter esta experiência desde que não se sinta pressionada e se liberte de preconceitos. Porém não conseguir ter uma série de orgasmos consecutivos durante a transa não deve, de forma alguma, ser motivo de frustração.
Na minha opinião, sexo é curtição. E curtir a si mesma, antes de qualquer coisa, já é meio caminho andado. Se não estamos contentes com o próprio corpo, é preciso cuidar dele. Se não estamos felizes, é preciso resolver o que está nos incomodando. Se não nos sentimos à vontade com nós mesmas, é impossível nos sentirmos à vontade em uma relação e tudo vira motivo de “grilo”. Conhecendo o próprio corpo, a mulher pode mostrar ao parceiro onde e como gosta de ser tocada, afinal, o mais importante “naquele momento” é a sintonia, a intimidade e o prazer mútuo. E o homem tem papel essencial: atenção, cavalheirismo, preliminares com qualidade e uma boa pegada são essenciais.
Estes dias, estava na faculdade “dando um tempo” em uma banca e vi uma revista feminina com mais ou menos a seguinte manchete: “Lições para ter orgasmos múltiplos com seu parceiro”. Não sei quantas lições eram realmente, mas sei que comecei a rir sozinha, peguei a revista e fui dar uma espiada na reportagem. Quem sabe não aprenderia alguma coisa de interessante para compartilhar com vocês aqui no blog ?
Uma das lições era sobre a respiração: “relaxe, inspire profundamente pelo nariz e expire vagarosamente pela boca, repita o exercício dez vezes.”
Fiquei imaginando a cena: “Tu me dá licença um minutinho que antes de subir as paredes gozando eu preciso respirar profundamente dez vezes?”
“Não transe sem vontade”. Todos temos nossas preocupações e atividades diárias, emprego, família, amigos, cachorro, gato e papagaio e nem sempre estamos fisicamente ou emocionalmente dispostos a sermos máquinas do sexo. Há também quem opte por fazer seu debut um pouco mais tarde. Mas de qualquer maneira, não consigo imaginar nos dias de hoje, alguém que se permita este tipo de agressão emocional e que transe sem vontade.
“Faça caras e bocas demonstrando excitação”. Eu cairia na gargalhada, sentaria na cama em posição de índio, abriria a boca com os dois dedos indicadores e faria: “la-la-la-laaaa!”.
Havia outras dicas também, como fazer uma boa massagem a dois com óleos afrodisíacos, criar um clima sensual com velas, aromas, preaprar um jantar, inventar fantasias e brincadeiras eróticas, mas, a última dica da lista na reportagem era: “Entregue-se ao momento, curta a transa”. Cena: mulher deitada, o cara por cima, ela olha para o teto e diz: “Amarelo! Quero pintar o teto de amarelo, amor!”
Larguei a revista na prateleira e desisti de ser uma expert no assunto.


Karime Abrão

domingo, 18 de outubro de 2009

Breve História De Amor Eterno



Conheceram-se no baile e, poucos sábados depois, já agendavam a fuga. O pai de Loretta, homem metódico, rígido e disciplinado, jamais admitiria que a filha desposasse um profissional da noite. Não importava que fosse um músico pouco dado aos hedonismos da boemia, Herculano era de fato persona non grata aos olhos daquele contador turrão e autoritário.
Na noite que antecedeu a fuga, trocaram olhares no baile, ele no palco, ela na mesa com parentes. Tiveram por único elemento de contato a rosa beijada e posta sobre a mesa num momento de distração familiar. Ela jurou que estaria no coreto da praça pontualmente às oito da manhã, nem um minuto a mais, nem a menos. Que ao chegar em casa naquela madrugada, nem dormiria, ficando alerta ao horário contando as badaladas do carrilhão que o próprio pai cuidava com extraordinário zelo, envernizando-o semanalmente para exibi-lo garboso na sala de jantar.
Herculano, às oito em ponto, estava lá. Nem um minuto a mais, nem a menos. Mas Loretta não havia chegado ainda. Cinco minutos depois e ele já estava intrigado com a promessa quebrada. Dez minutos e ele já não entendia aquele aparente desleixo com um compromisso crucial para suas vidas, principalmente por sua amada o avisar que ninguém a impediria de estar na praça naquele horário. Meia hora depois e a desilusão o apunhalava nos pensamentos esperançosos, convencendo-o daqueles temores mais íntimos e cruéis: de que Loretta não abandonaria a vida confortável e segura de seu lar para seguir sem rumo com um homem que o pai afirmava ser um desajustado.
Pegou sua mochila e tomou um taxi rumo à cidade onde morava o primo, primeiro ponto de parada programado em sua fuga. Lá chegando, pôs-se a chorar sem dizer palavra. Como uma criança, apenas balbuciou a frustração de seu plano e pediu uma cama na qual pudesse repousar. E assim o fez, mas não por um dia, demorou-se lá por semanas. Dois meses. Apenas caía em prantos e lançava suas economias nas mãos do primo para que lhe comprasse bebida. Queria matar-se com álcool, ócio e choro. Sobreviveu. Mudou-se então para uma cidade distante, conseguindo emprego facilmente pelos seus talentos com a partitura. Desligou-se completamente de seus familiares e amigos, abrindo mão de todo e qualquer elo direto ou indireto com Loretta. E assim passaram-se os anos, ele distante, esquecendo-a cada vez mais, mesmo tendo um dia acreditado ser isso impossível.
Correram mais de 50 anos, os dois se encontraram casualmente em um novo baile. Só que desta vez em homenagem às bodas de Loretta. Ele tocando seu instrumento no palco, ela celebrando com o marido, os filhos e os netos no salão de baile. Ambos constrangidos com tamanha coincidência infeliz.
Em dado momento, conseguiram se encontrar a sós em um dos corredores do clube. Ele a parabenizou e, em meio ao embaraço do momento, não teve como não indagar sobre o que havia acontecido naquela manhã do (des)encontro. A resposta o perturbou ainda mais, pois ela afirmou ter ido, sim, até a praça, e que ficara lá por cinco, dez minutos, continuando esperançosa até vencer meia hora de aguardo obstinado. Ambos não entenderam como puderam estar no mesmo local, no mesmo horário e não ter se encontrado. A praça era pequena, o coreto minúsculo, fazia dia claro e descobriram que ambos haviam até se sentado na mesma banqueta. Como dois corpos ansiosos um pelo outro não puderam se ver e se tocar estando exatamente no mesmo espaço físico e, de acordo com o relógio, ao mesmo tempo?... Foi então que se deram conta dos estragos que podem ser causados pelo início do horário de verão.


Mario Lopes

sábado, 17 de outubro de 2009

Mais uma estreia de Desaforada X. Liliana Darolt (a Ruiva) é designer e tem 31 anos. Uma baixinha inquieta, observadora constante, ligada em 220v, que aprecia os momentos de paz com muita satisfação. É curiosa, ansiosa, abusada, bem-amada, falante (na mesa do bar, então...) e, a partir de agora, é também Desaforada X. O debut dela é com um post muito inspirador, fechando muito bem uma semana de textos bastante edificantes. Bem-vinda ao time, Ruiveca.

Cada um tem o seu



O ser humano é um eterno insatisfeito. Se não trabalha, não aguenta mais ficar em casa. Se trabalha, acha que está cansado e quer férias. Se tem arroz e feijão, quer macarrão. No dia do macarrão, resolve entrar em dieta. Se mora em casa, quer a segurança do apartamento. Se mora em apartamento, quer a liberdade de um quintal.

A grama do vizinho é sempre mais verde.

Por que raios colocamos tantos obstáculos na nossa frente, dificultando assim, o nosso próprio progresso? Uma coisa é questionar algumas posturas, certas verdades. Não temos que engolir tudo que nos aparece. E outra é reclamar simplesmente disso ou daquilo sem fazer nada aparentemente para melhorar o que acontece a nossa volta.

O que queres para sua vida? Creio ter respondido saúde, amor, paz, dinheiro, uma família, uma casa com quintal e um cachorro. Bah, isso é o que desejamos para as pessoas no Ano-Novo e nos dias de aniversário. Mas, gente, não dá pra ter tudo...

Nunca será completo, só que devemos fazer nossa parte indo em busca dos dias melhores.

O que te incomoda? O que te faz feliz? O que compõe sua vida no dia de hoje?
O saldo é positivo ou negativo? O que faz a diferença?

Sabemos que somos responsáveis por boa parte do que nos acontece. A energia que colocamos em cada história que vivemos é o reflexo do que somos e o que teremos disso. Qual é o olhar que devemos lançar às dificuldades que se apresentam? E às novidades agradáveis? Acredito que nos dois casos, da melhor maneira possível, de uma forma leve e corajosa.

O que vem pela frente a partir da nossa reação é a mais pura consequência. Pois então basta agirmos com serenidade e o resultado pode se apresentar a nosso favor.

Ai que fácil! Não, não é fácil. É penoso, tem que ter muita paciência, esperança, calma. Olha em volta. Quantos estão melhor do que você? E pior?

Certa vez, uma senhora chamada Regina Brett com seu vasto tempo de vivência disse:
"se todos jogássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos os de todo mundo, pegaríamos os nossos de volta".

Boto fé. Cada um sabe onde seu calo aperta, mas problema, cada um tem o seu... e o seu jeito de ver, de lidar, de resolver. Uns transformam na pior coisa que existe, outros usam de toda força que ainda resta pra vencer e virar a página com tranquilidade. Ainda tem pessoas que não fazem nada, e aquilo vira numa bola de neve que, com o tempo, arrasta você levando muitas coisas boas e que, depois do susto, vão fazer falta.

Hoje está sendo assim, amanhã ou depois, semana que vem, daqui a dois meses, as coisas podem ter um panorama completamente diferente. É inevitável. Vamos pensar em como viver essas surpresas, em como receber as grandes mudanças!

Estamos aqui pra isso, somos crescimento, evolução. Escolhemos como levar, como passar e o que deixar. O que queremos por perto, o que podemos evitar.

Não precisamos ter sangue de barata, temos que ser fortes. Mas não temos que nos aproximar do mal. Nossa atitude fala muito do que somos, o que queremos e se realmente merecemos.

Cada um tem o seu problema pra enfrentar, o seu jeito de lidar e o seu resultado para colher.
Cada um tem o seu momento...


Liliana Darolt

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sexta-feira com Desaforadas em dobro. Rubia Carneiro fazendo uma homenagem ao menestrel da geração pós-punk no Brasil, e Letícia Mueller mostrando que tem talento com as palavras até debaixo d'água. Eis os posts.

És parte ainda do que me faz forte



No dia 11 de outubro de 1996, eu tinha 19 anos. Estava indo para o trabalho quando um amigo me disse, com cara de quem iria contar uma tragédia: Você viu o jornal? Sabe quem morreu? O Renato.
Capaz! Você ouviu errado, argumentei.
Eu era apenas mais uma adolescente apaixonada pela Legião. Daquelas que faziam do Renato um mito a ser idolatrado, ouvido, celebrado, devotado. Nem sei quando e como tudo isso começou. Aliás, um montão de gente, de várias faixas etárias, agia exatamente como eu. A primeira coisa que fiz, quando comecei a trabalhar, foi comprar todos os CDs lançados até então. Ouvia todo dia. Sabia todas as letras de cor. Todas. Comecei organizar uma pasta com uns recortes – claro, do que eu tinha acesso em cidade de interior. Sentia-me meio menininha colecionando coisas, mas não me importava muito. Tenho a pasta até hoje, guardada num cantinho especial. Meu tesouro da adolescência. Daria até para colocar numa cápsula do tempo...
Eu era telefonista em uma empresa. Seria cômico, se não fosse trágico (pra mim, claro): chorei a tarde inteira – é bem verdade que sou daquelas piscianas que choram até com comercial de margarina, mas naquele dia as lágrimas não paravam de verter. E meus amigos e conhecidos ligaram, a tarde inteira, como se um parente muito próximo meu tivesse falecido.
- Oi... Você já soube? Tá tudo bem?
E a cada ligação, mais lágrimas, incontidas e sinceras. Não sei como não fui demitida naquele dia. Mas tudo bem, eu sei que meus colegas se divertiram com a choradeira.
Na adolescência, tudo é muito intenso. A cada fase me recordo de uma música, de uma estrofe. Fez e faz parte do que sou. Peço desculpas se estou sendo piegas, mas me dei conta de que o tempo passa muito rápido. A vida humana é um cisco no olho da eternidade. E como disse Renato: “É tão estranho, os bons morrem jovens. Assim parece ser, quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais.” Suas músicas são sempre atuais, mesmo as da época do Aborto Elétrico: “Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro na Nação.”
Depois da morte do Renato, eu fiquei um tempão sem ouvir música. Sem me importar com o que eu estava ouvindo. Sem ouvir Legião. Os CDs ficaram lá, guardados num canto triste. Mas “tudo passa, tudo sempre passará”...
Abaixo, selecionei alguns trechos de músicas do Manfredini. Como toda seleção, esta é muito subjetiva. Espero que gostem, embora muitas músicas tenham ficado de fora – como, por exemplo, Faroeste Caboclo, (aquela supercomprida que todo mundo canta em acampamento). Senti um ímpeto de colocar um pouco de cada música. Mas me contive...
- Não vou me deixar embrutecer, eu acredito nos meus ideais. Podem até maltratar meu coração, que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar.
- É a verdade o que assombra, o descaso o que condena, a estupidez o que destrói.
- O sândalo perfuma o machado que o feriu.
- Se a sorte foi um dia alheia a meu sustento não houve harmonia entre ação e pensamento.
- É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar pra pensar, na verdade não há.
- São só palavras: teço, ensaio e cena.
- Quem me dera ao menos uma vez, como a mais bela tribo dos mais belos índios, não ser atacado por ser inocente.
- Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho.
- Hoje a tristeza não é passageira.
- Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade.
- Só nos sobrou do amor a falta que ficou.
- Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado.
- E ao transformar em dor o que é vaidade e ao ter amor, se este é só orgulho – eu faço da mentira, liberdade.
- Se você quiser alguém para ser só seu é só não se esquecer: estarei aqui.
- Quero ouvir uma canção de amor, que fale da minha situação, de quem deixou a segurança do seu mundo, por amor.
- Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse, contra mim. - Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante e a primeira vez é sempre a última chance.
- Sou um animal sentimental: me apego facilmente ao que desperta o meu desejo.
- A ignorância é vizinha da maldade.
- Vamos celebrar Eros e Thanatos, Persephone e Hades.Vamos celebrar nossa tristeza. Vamos celebrar nossa vaidade.
- Aonde está você agora além de aqui, dentro de mim?
- Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só.
- Somos os filhos da revolução. Somos burgueses sem religião. Nós somos o futuro da Nação. Geração Coca-Cola.
- Não basta o compromisso, vale mais o coração. Já que não me entendes, não me julgue, não me tente.
- Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber. Afinal, amar ao próximo é tão démodé.
- Mas nada vai conseguir mudar o que ficou. Quando penso em alguém, só penso em você.
- Quando você deixou de me amar aprendi a perdoar e a pedir perdão.
- Vamos festejar a violência e esquecer a nossa gente que trabalhou honestamente a vida inteira e agora não tem mais direito a nada.
- Só por hoje eu espero conseguir aceitar o que passou e o que virá.
- Quando não estás aqui, sinto falta de mim mesmo.
- Veja o sol dessa manhã tão cinza: a tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
- Deve haver algum lugar onde o mais forte não consegue escravizar quem não tem chance.
- Será que eu sou capaz de enfrentar o teu amor que me traz insegurança e verdade demais?
- Há tempos nem os santos tem ao certo a medida da maldade.
- E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?


Rubia Carneiro
Nave(diva)gando



Eu andava pela calçada, vagueando. Até já tinha planejado o caminho em minha mente e estava com a rota devidamente marcada. Sabia os locais exatos em que deveria parar pra checar o semáforo, em que altura da rua eu teria que enfrentar o cardume motorizado e abrir caminho por entre as águas de gasolina. Já tinha até medido os esforços e calculado os instantes em que deveria guardar energia para uma já não súbita subida.
Por ter a rota toda mapeada em minha mente, eu podia simplesmente vaguear sem me preocupar com o caminho por onde meus pés me levavam. E eles tinham vida própria. Viviam por si só, mas de um jeito inerente ao mapa que reluzia no lado inconsciente de minha mente. Tudo que sobrou do lado consciente eu usava para, com a minha íris, fotografar a paisagem cimentada que comprimia meus olhos com suas toneladas e toneladas de material inorgânico. Tanta falta de vida reunida não só preenche toda a visão, como aperta a alma com a mesma pressão que a matéria comprime a matéria. Um pseudo combate corpo a corpo.
E como em uma batalha de titãs, só para que tudo ficasse com cara de contraste em fúria, as nuvens desfizeram-se sob o petit-pavê. Tirei rapidamente o guarda-chuva da bolsa, mas não a tempo de não ter minhas lentes preenchidas com o que caía do céu. Aliás, nem saberia dar nome àquilo. Primeiramente, chamaria de água, mas ao tentar a clássica experiência lúdica de erguer o rosto o máximo possível – não sem antes tirar os óculos – e dar uma longa bocejada, frustrei-me. Bocejei forçosamente em busca de refrescância e o que consegui foi uma maravilhosa mistura de sei lá o que. Créditos ao homem urbano.
Engolir aquilo seria como tomar cicuta, e como não me achava no direito de morrer como Sócrates, fui obrigada a colocar “tudo” para fora. Rezei para que o conteúdo restante fosse relativamente inofensivo.
Vai saber, continuo ainda um pouco viva.
O fato é que ainda caía tragicamente água do céu, molhando protegidos e desprotegidos, sem pudor algum. Os que foram pegos de surpresa já correm para os braços protetores dos pais-marquises, sempre dispostos a te acolher, desde que você tenha lábia para conquistar seu lugar nesse “coração” de pai.
Os prevenidos desfilam nas passarelas cimentadas bem à frente dos seus subordinados, gloriando-se com a liberdade concebida pelos artefatos anti-água. Esses sim são capazes de prosseguir em sua rotina, que só é quebrada durante uma chuva pois um braço deve permanecer erguido até o fim do trajeto. Um braço, nada mais. Nada de duas pernas paradas, ponteiros correndo mais depressa que o normal. Um braço erguido.
Mas, nem tudo são flores para os espertos conhecedores do clima Curitibano. Quando eles pensam que já venceram o Inimigo Maior, surge, no fundo escuro do túnel, um Monstrinho pequeninho, de aparência inofensiva, mas que se reproduz com tal velocidade que acaba se tornando uma praga urbana. Sim, sãos os carregadores de guarda-chuva, artefatos anti-água, instrumento dos prevenidos, não-instrumento dos desprevenidos. São eles próprios, os prevenidos, os seus maiores inimigos. A maré de guarda-chuvas carrega tudo que vê pela frente em um quiproquó de empurrões, pés e cotovelos, em um fluxo tão instável que às vezes, se assemelham a um grupo de águas-vivas dançando ballet, e em outras, mais parecem um cardume de peixes tentando fisgar uma isca. Uma loucura.
No meio de tanto caos, basta aguçar o olhar para ver a beleza em meio à calamidade. O verde original, apesar de desbotado, ainda desponta em meio à paisagem urbana, mas poucos são aqueles que ainda notam isso, tão entretidos estão em reparar na estampa do guarda-chuva alheio, o pai-marquise livre, o sinaleiro que está para abrir, o espaço que abriu entre as águas vivas.
Mas as águas... continuam vivas.


Letícia Mueller

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Atitude


Tem uma frase do Winston Churchill que pra mim resume tudo:
"Atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença".

Acho que o cerne da questão é não deixarmos que as grandes decisões da nossa vida sejam feitas por outras pessoas. Exemplo: não estou feliz no trabalho, com certeza minha performance vai cair então, por que esperar que meu chefe me mande embora se eu posso ter a atitude de mudar? Se não estou feliz no relacionamento, por que esperar que o outro tome a atitude de mudar, de melhorar, do que for, se eu posso ter atitude e mudar?
É uma visão meio fria, mas...

O que você está disposto a fazer para ter algo? O que você está disposto a não fazer para ter algo? De quem você tem que se desvincular para ter algo? Quem você quer ao seu lado para ter algo? O que você quer ter? Quem você tem com você? Onde você está buscando o que quer ter? Em quanto tempo você irá conseguir o que quer ter? Como fará para ter o que quer? Onde buscará inspiração para ter forças para seguir em frente? Quem você renunciará para ter o que quer? Valerá a pena você ter o que deseja?

Se você pensou em responder a uma ou mais perguntas, reflita e refaça seu pensamento. Se sua prioridade é ter... começou errado! Para ter é primeiro preciso aprender a ser. Seja doce, seja criativo, seja alegre, seja solidário, seja um amante da natureza, dos livros, da música, seja envolvido com as pessoas, seja franco, seja honesto, seja sincero. Seja humilde, seja tranquilo, seja um motivador de pessoas, seja camarada consigo mesmo e se dê uma chance de mudar, de experimentar, de viver pequenas loucuras, de amar, de fazer a felicidade momentânea de alguém. Seja parceiro, seja maduro, seja um orgulho, seja alguém e não somente mais um.

A única coisa que você precisa ter para conseguir algo é atitude. Pode sim ser uma visão meio fria... mas acho mesmo é que pode ser reveladora depois que você consegue se doar a seu próprio favor.

Palavra de quem aprende todos os dias que as coisas não são como você quer, mas podem ser...





Angélica Carvalho

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Não Há Como Separar A Vida Profissional Da Vida Pessoal



Uma das utopias que existem em nossa sociedade é pensar que há separação entre vida pessoal e profissional. Este pensamento é uma fantasia traiçoeira.
Há um mês, uma professora baiana foi flagrada num show bêbada e dançando a música "Tudo Enfiado", onde o cantor ergueu o seu vestido e enfiou sua calcinha para dentro. A coreografia foi filmada e colocada na Internet. No dia seguinte, todos os alunos da mestra estavam sabendo do ocorrido e ela foi despedida.
Alguns dias depois uma policial militar que estava fazendo a segurança do espetáculo do cantor Daniel foi intimada por ele a subir no palco, a dançar com e a fazer coreografias com algemas. O show também foi filmado e colocado na Internet. No dia seguinte, a policial teve problemas na corporação.
Nos anos 70, na Europa, havia um advogado sensato e competente que, de noite, fazia espetáculos como transformista. Mas a sua identidade era mantida em segredo graças à maquiagem bem feita. Um certo dia, sua ex-esposa, desconfiando que estava acontecendo algo diferente com o seu ex-companheiro, seguiu o antigo marido e descobriu seus shows. A moça fotografou o advogado se maquiando no camarim e dançando vestido de mulher. Então o caso estourou nos jornais. Como, naquela época, havia bastante preconceito, o advogado acabou perdendo muitos clientes.
Estes casos provam que não é possível separar a vida pessoal da profissional. No caso da professora, ela possui uma profissão “vocacionada”, sendo exemplo para jovens e crianças. Lembro-me que, nos anos 80, encontrei um professor meu bêbado e rebolando ao som da música da cantora Gretchen numa festa. A notícia se espalhou e, no dia seguinte, a classe toda perdeu o respeito pelo mestre. Já na situação da policial, ela é inocente, pois, através das filmagens, é possível ver que o cantor Daniel pegou a moça desprevenida e ela não soube como reagir. Mesmo assim, este ato trouxe transtornos na profissão dela, pois ela não estava a paisana e sim a serviço.
A vida pessoal e a vida profissional estão tão ligadas uma a outra que, no ano de 2007, quando fui chamada para trabalhar em uma rede de lojas famosas, no primeiro dia de treinamento mandaram as novas funcionárias tomar cuidado com a vida particular. Além disso, as orientadoras disseram que era proibido usar o uniforme fora da hora do trabalho. Pois já houve casos de funcionárias irem para a balada com o uniforme da empresa, o que gerou muitos transtornos.
Não há como separar a vida profissional da vida pessoal, afinal não é possível cortar o ser humano ao meio sem tirar-lhe a própria existência.


Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O que buscamos?



Baseada nesta pergunta, refleti por alguns momentos. O que nós, mulheres e homens, realmente buscamos em nossos parceiros? Riqueza, status, sexo, aventura, paixão ou amor?
Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Iwoa, os requisitos buscados pelos dois sexos são os seguintes:

Para eles:

Qualidades essenciais - Atração mútua, caráter confiável, estabilidade emocional.

Qualidades importantes - Educação e inteligência, beleza, ambição.

Qualidades desejáveis - Estabilidade financeira e saber cozinhar.

Para elas:

Qualidades essenciais - Atração mútua, caráter confiável, estabilidade emocional.

Qualidades importantes: Educação e inteligência desejo de casar e ter filhos, ambição.

Qualidades desejáveis: Ter boa aparência, ser uma pessoa refinada.

Porém, apesar das diversas características que buscamos em um parceiro como as apontadas acima, muitas delas se mesclam. Mas então, por que há uma guerra entre opiniões e visões diferentes de homens e mulheres? Fiz a mesma pergunta a duas pessoas: O que você busca no seu parceiro?

“Busco alguém que tenha idéias parecidas comigo, que além de compreensão e fidelidade também goste de mim da mesma maneira que eu goste dele, que me faça rir. Ah, e ter caráter também!” responde a estudante Camila Ribas que tem dezenove anos.“Busco companheirismo, carinho e conforto”, afirma o estudante Gerharddt (nome completo não divulgado para preservar a identidade do entrevistado) que tem hoje vinte e três anos.

Em relação à pesquisa, afirmam:

“Busco bem o que tem no item um: Atração mútua, caráter confiável, estabilidade emocional. Nem tem o que comentar, é bem isso mesmo”, diz Camila.
“Em relação à pesquisa, os itens atração mútua, caráter confiável, educação, inteligência e beleza são os que busco”, diz Gerharddt.

Homens e mulheres podem ser diferentes fisicamente e até mentalmente, no sentido de amadurecimento ou de visões de mundo, apesar de que generalizar seria um erro, visto que cada ser humano não deve ser avaliado pelo seu sexo. Porém, apesar das diferenças, há semelhanças significativas. Homens podem até tentar mostrar que são mais fortes, mais destemidos e mulheres mais sonhadoras e mais românticas, o que hoje não é mais assim pois várias delas cada vez mais mudarem sua imagem, sendo mais independentes, e vários homens valorizarem o romantismo, por exemplo. A questão é que ambos procuram, querendo ou não, ou pelo menos esperam encontrar em seus parceiros aspectos semelhantes. Mesmo que haja as exceções como aqueles homens que só querem transar e se divertir, e aquelas mulheres que não querem casar e preferem ser solteiras aproveitando o máximo em baladas, ainda há o grupo, somando a maioria, que acaba por querer em seu parceiro um amor e uma paixão, com tesão, com companherismo com carinho, com tudo. Quem não iria gostar de ter tudo isso? Então se ambos desejam no fundo a mesma coisa ou coisas parecidas, para que ficar nessa de qual sexo é mais forte e qual é mais frágil? Façamos o seguinte: homens, sejam para as mulheres aquilo que vocês buscam nelas e o que elas buscam em vocês. Mulheres, sejam o que vocês buscam em um homem e o que os homens buscam em vocês. Seja hoje o que você quer que alguém seja para você!


Bianca Nascimento

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Semana de tema livre

A Conta, Por Favor



Tenho 35 anos e estou solteira há três. Logo que me separei, tudo ficou muito confuso e não estava preparada para me relacionar com alguém novamente. Estou acostumada a ir e vir sem ter que dar satisfações da minha vida para ninguém, a sair com meus amigos quando bem quero, mas, neste ano, resolvi estar mais disponível e tentar. E, a cada dia que passa, estou mais intolerante à burrice. Principalmente a masculina. Para eu admirar um homem e me relacionar, ele tem que ser superior a mim de alguma forma. Senão, foi-se o respeito (e ele vira texto de blog). Na vida sentimental, de uma forma ou de outra, o homem tem que conduzir a relação, ser inteligente e encantar. Não tenho paciência para desdobres baratos (sou doutorada nisso e farejo um desdobre de longe, embora às vezes me faça de louca). Homens que acham que são malandros, então... Éca!
No início deste ano, conheci um cara e resolvi me dar uma chance. Boa pinta, carrão, 42 anos, bom emprego, não muito inteligente, mas bonzinho. Bonzinho? É... mas tentei mesmo assim.
Saímos para jantar a primeira vez, a fim de nos conhecermos melhor e nossa noite não passou de suco de abacaxi acompanhado de sanduíche aberto. Nada contra, se não fosse o total descaso dele em saber se eu gostaria de beber ou comer mais alguma coisa. Não sou nenhuma “mega bluster” em cultura geral, mas conduzi a conversa a noite inteira. Conta dividida, sem nenhuma menção dele em pagá-la sozinho. Nada contra dividir uma conta, mas sei lá, gentilezas mútuas são bem-vindas em um primeiro encontro. É gentil o cara pagar a conta e é gentil, também, a mulher, em outra ocasião, retribuir a gentileza de alguma maneira. Quis desistir, mas minhas amigas diziam: “Ka, dá mais uma chance, tu tens personalidade forte, atitude, vai ver intimidou o cara”. Então, resolvi acatar a sugestão e dar mais uma chance a ele e a mim mesma, afinal, não se pode ter tudo em uma pessoa só (ou pode?). E o cara era bonzinho.
Saímos uma segunda vez e ele sugeriu um vinho no ap dele. Opa, talvez as coisas melhorassem. No ap, home theater enorme na sala, um PC tela plana enorme com placa de vídeo ultra moderno, som do carro acionado por Bluetooth. Uma balaca só. Mas o papo continuava sendo conduzido por mim, mesmo sob efeito etílico e ele continuava a ser bonzinho. De novo, não se preocupou em saber se eu estava bem ou se queria mais alguma coisa.
Na terceira vez que saímos, fomos comer uma pizza em um lugar descolado daqui, escolhido pelo cara bonzinho, que, quando nos sentamos à mesa, foi logo dizendo que ELE ia tomar cerveja. Não sou muito de cerveja, mas fingi não me importar com a indelicadeza e acompanhei-o. No final, a conta. Aaaah, a conta. Quarenta reais: uma pizza e três cervejas long necks (que quase não bebi). Mexi na bolsa: nada; mexi na carteira: nada. Então, tirei o cartão de crédito e coloquei-o em cima da conta. O sujeito afastou o cartão, olhou o valor, tirou uma nota de vinte reais da carteira e colocou junto. O que? Na hora de pagar a conta no caixa, tive vontade de pagar o valor integral sozinha, mas me contive, porque não queria humilhá-lo. O rapaz do caixa, por três vezes dirigiu-se a ele, pensando ser o proprietário do cartão. Chegou a perguntar incrédulo: “Desconto 20 reais em dinheiro e 20 no cartão?”. Mais uma conta dividida. Entramos no carro e ele sugeriu tomarmos um espumante “no ap”, que, segundo ele, estava na geladeira esperando por nós dois. Aceitei, pensando que um espumante gelado talvez salvasse a noite. No ap, depois de conversarmos um pouco na sala, perguntei: “E o espumante gelado?” Ele responde: “Mas tu queres que eu abra mesmo?” Pronto... caiu a casa. Eu queria me atirar da janela do apartamento, fiquei sem jeito, não sabia o que fazer. Tive vontade de ir embora, mas, de novo, não quis fazer cena. E o espumante estava quente. O que podia restar de chance para que “aquilo” desse certo foi por água abaixo.
Minhas amigas, que passaram a incentivar menos, disseram: “Ka, da próxima vez que ele te convidar para sair, diz que não tem dinheiro. De repente, ele ainda não está sabendo como conduzir e precisa de uma ‘ajuda’”.
Na semana seguinte, ele me ligou para darmos uma volta. Seguindo os conselhos das gurias, argumentei: “Vamos ter que deixar para outro dia, estou sem grana”. Num tom de quem profetiza a melhor frase da semana, ele responde: “Também estou sem dinheiro, mas a gente não precisa gastar muito. Podemos sair e tomar um suco ou um refri”.
Putz! Ninguém é obrigado a ter grana sempre, mas, então, que conduza a situação de outra forma: “Também estou sem grana, mas pensei em tomarmos um vinho aqui em casa e fazermos uma massinha...”. Pô, dá outra “roupagem” (palavrinha fashion do momento) à situação. Mesmo sem grana. Até me ofereceria para fazer a massa, pois cozinho bem...
Algumas horas depois, Gabi, minha amiga que não come rúcula por homem nenhum na vida, me liga e sugere um cinema para as duas naquela noite. Expliquei que ia sair para “tomar um suco ou um refri” com o cara e Gabi não teve dúvida: “Ai, guria... eu acho que sou bem mais divertida que ele.” Não tive dúvida, peguei o telefone, liguei para o sujeito e inventei uma desculpa qualquer. Não poderia sair naquela noite com ele. Bonzinho como sempre, ele disse que tudo bem, voltaria a ligar outro dia. Três semanas depois, era um sábado à noite, estava assistindo a um filme no DVD player, cuidando do meu basset que tinha passado muito mal e ficou uma noite internado em um hospitalzinho, o celular toca. Era o bicho. Não atendi.



Karime Abrão