domingo, 11 de outubro de 2009

69 Dicas para ser um bom atleta sexual




Quando o sexo é bom, diz-se ser de “tirar o fôlego”. E não é força de expressão, de fato é de deixar arfante, suado e com o corpo banhado de beta-endorfina, efeitos típicos de quem participou de uma atividade física intensa. E o paralelo com os reflexos da prática esportiva é inevitável. Quando a atividade é levada mais a sério e beira a obsessão em termos de desempenho, se está diante de um desportista sexual. É uma modalidade falsamente não-competitiva, pois, embora não haja o confronto comparativo com rivais de prova, o atleta disputa consigo mesmo, em seus limites e recordes, mas, principalmente, com as manifestações de satisfação da “comissão julgadora” – entenda-se aqui a parceira de peleja. Talvez seja o esporte mais prazeroso e saudável que exista. Inegavelmente queima muitas calorias, exige bom preparo físico e quanto mais se pratica mais se quer praticar. Mas o que é necessário para se dar bem no esporte e ser um atleta sexual realmente digno de pisar no alto do pódio?

Para responder a esta questão foram escaladas cinco garota que praticamente já se tornaram consultoras do blog nos posts de domingo: Carolinni Tauscheck, Ana Paula Silva, Fernanda Lima, Luciana Soares e Ana Linhares – todas alunas de comunicação e, por conseguinte, estudiosas do comportamento humano e seus reflexos. De última hora, houve também participação especialíssima de outras três garotas: Carol Pamplona e Paula Tamo, além da Desaforada X Thainá dos Santos, que colaborou via-msn. O desafio foi o de criar uma lista de pré-requisitos obrigatórios para aqueles que querem fazer bonito nas quatro linhas (da cama, logicamente).

Antes, porém, de entrarmos na lista em si, é bom deixar claro que existem modalidades específicas no desportismo sexual, divididas entre objetivas (tempo de relação, número de orgasmos, número de posições, etc) e subjetivas (satisfação da parceira, satisfação pessoal, criatividade, etc). As dicas levaram em conta a busca pelo êxito do atleta nestas diversas variantes, atingindo o número final de 69 recomendações. Se não entendeu porque se chegou a este par de dígitos, fica aqui o alerta de que você definitivamente não é um atleta sexual. Eis as dicas:

1) Não fumar – se estamos falando de atletas, o motivo desta dica é mais do que óbvio. Cigarro reduz o rendimento físico, dificulta a fluência pulmonar e ainda obstruiu os vasos sanguíneos do pênis, reduzindo a capacidade de irrigação, efeito essencial para mantê-lo ereto.

2) Tem que ter “pegada” – saber chamar, cochichar, segurar e ter o timing da hora certa da conquista. É como o artilheiro que sabe o momento de bater pro gol. E quando o faz, não hesita nem um instante.

3) Ser uma pessoa de bom gosto – no modo de se vestir, na música escolhida para o jantar, no filme pego para ver a dois; mas tem de ser “conciliável”, sabendo que gosto é algo subjetivo e muito pessoal. Estética é de fato fundamental, tanto no esporte, quanto no sexo.

4) Dominar o Kama Sutra e outras artes do prazer – em se tratando de sexo, toda técnica, novidade e conhecimento vale ser experimentado, em especial se envolver algo de exótico. Esportista precisa conhecer o rendimento e as habilidades de outros atletas, venham eles de onde vierem.

5) Não pode ser “ogro” – ou seja, nem pensar em ser mal educado, ranzinza, “sem noção”, grosseiro e rude no trato com uma mulher. Senão, vai faltar parceria para exercitar o atletismo sexual. Está aí um antagonismo na dobradinha esporte e sexo: se no esporte ser truculento pode até ser uma vantagem, o mesmo não se repete quando o certame é na cama.

6) Ser sedutor – saber atrair, usar o perfume certo, tendo a conversa agradável, e sendo uma companhia sempre divertida e bem disposta, alguém que os outros queiram ter sempre por perto. Sedução é como um bom drible: quando você vai ver, já foi. E sob aplausos.

7) Tamanho é documento – se não for suficiente em calibre e bitola, é preciso saber usar. Mais ou menos como carro fraco de scuderia iniciante, o piloto sabe que está em desvantagem com seu equipamento, portanto tem que pisar mais que os outros.

8) Controle da ejaculação – quando mais tempo resistindo, melhor. Caso contrário, depois não adianta chorar sobre o leite derramado. Homem que não tem controle é como nadador que precisa parar para tomar fôlego no meio da piscina. Ou pior, que para a prova antes mesmo de chegar na outra beirada.

9) Entender de vinhos – enogastronomia não é assunto restrito a chefs de cozinha, as mulheres apreciam homens que entendem das boas artes da mesa. Mesmo porque vinhos são bebidas altamente sedutoras, e Baco muito provavelmente é o melhor amigo de Afrodite. Em certo sentido, o vinho assume um certo papel de isotônico no sexo, estimulando e dando mais energia. OK que também pode dar sono, cabe aí o entendimento da reação do próprio organismo à bebida, mas não é porque ela chama Morpheu no caso do homem que ele irá negar uma taça para a companheira.

10) Conhecer as zonas erógenas – saber os pontos de contato na acupuntura, os chakras na medicina ayurvédica e a as áreas de pressão na terapia reichiana fazem entender que as zonas erógenas de uma mulher vão muito além da nuca e do lóbulo da orelha. Ela tem mais de 70 pontos erógenos, e encontrá-los pode ser a parte mais divertida do esporte.

11) Saber de comidas afrodisíacas – há pratos e temperos que despertam o apetite sexual, portanto saber prepará-los e escolher ingredientes e restaurantes de cozinha mais “apimentada” garante sessões de sexo mais ardentes. Mas, claro, como em todo esporte, não se deve comer demais no antes, senão pode render uma congestão.

12) Entender de itens de sex shop – da mesma forma que o nadador vai escolher o óculos mais indicado e o tenista a raquete mais certeira, o atleta sexual também pode contar com equipamentos que melhorem seu rendimento quando na ativa. O único detalhe é o cuidado para não ficar muito dependente do uso de apetrechos, afinal ainda não inventaram brinquedo melhor do que o próprio corpo.

13) Não precisa ser bonito, mas tem de ser atraente – meio Ronaldinho, que pode até ser dentuço e estar fora de forma mas bate um bolão e marca gol. Charme, embora seja subjetivo, ainda é item precioso na conquista romântica.

14) Ter boa aparência – significa saber “usar o uniforme”, ou seja, bem vestido, bem penteado e com jeito de bom moço, por mais que essa impressão se subverta por completo na hora da cama (intencionalmente, é claro).

15) Ter boa conversa – um bom papo não só conquista mas também preserva a relação. Há caras machistas que dizem que querem mulher para transar e não para conversar, mas a recíproca não é verdadeira: homem com quem não se consegue ter diálogo, leva cartão vermelho na certa.

16) Ser um gentleman – os esportes e o sexo tem sua etiqueta. Abrir a porta do carro, deixar a garota passar primeiro pela porta e pagar a conta são alguns dos mandamentos do fair play na área do relacionamento afetivo.

17) Saber dançar – jinga e jogo de corpo não são apenas atributos de centro avante bom de drible, e podem ser aprimorados. Dançar estimula a desinibição, melhora o preparo físico, desenvolve a sintonia e o ritmo, ajuda a entender o papel de condutor e conduzida, e facilita na hora de o conquistador “fazer a corte”.

18) Saber decifrar o que a mulher quer – parece meio aquela premissa do filme “Do Que As Mulheres Gostam”, em que Mel Gibson adquiriu o poder de ler o pensamento feminino, mas, saindo do lado inversossímil da história, é possível deduzir o que a parceira quer. Esporte também é intuição.

19) Adotar a metrossexualidade sem exageros – cuidar-se com cremes para a pele e manter uma aparência sempre jovial e saudável há muito que deixou de ser coisa de boiola (claro, contanto que não haja excessos). David Beckham que o diga.

20) Saber tirar proveito da situação e deixar a parceira à vontade – o ritual tem de ser natural como qualquer disputa que se preze, senão vira marmelada ou jogo de compadre. Nada de formalidades excessivas, o negócio é aproveitar o momento e deixar rolar.

21) Ter um bom repertório de posições – se tem coisa que todo atleta treina até a exaustão é a variação de jogadas para não cair na previsibilidade e ficar manjado pelo adversário. Se ficar só no papai-mamãe, o esquema tático vai cair numa rotina que renderá traços de audiência.

22) Conhecer a anatomia feminina – todo atleta tem de conhecer bem o campo onde irá jogar. Porém, no caso do sexo, não é como investigar a altura do gramado num campo de futebol, mas sim averiguar as condições de uma pista de Fórmula 1: cada qual tem suas peculiaridades, suas curvas, seus mínimos declives e ondulações. É preciso entender o corpo feminino tanto de forma genérica quanto específica.

23) Apreciar literatura erótica – Cyrano de Berjerac conquistava mulheres mesmo com seu narigão enorme por ter grande habilidade com o verbo. Quem domina os signos da linguagem escrita e falada marca pontos valiosos no jogo da sedução e em diversas modalidades, digamos, extra-oficiais, como sexo por telefone, cyber sex e mesmo naquelas frases proibidas ditas bem na intimidade.

24) Saber surpreender – levá-la de última hora para aquele espetáculo que ela tanto queria assistir, dar flores sem nenhum motivo específico ou transformar aquela simples carona de fim de expediente em uma viagem para jantar no litoral são algumas formas de encantar. O jogo do sexo e do relacionamento não se ganha apenas no tempo regulamentar.

25) Buscar informações técnicas – ler desde estudos sérios, como o Relatório Kinsley, até dicas apimentadas de revistas feminina, gomo os guias lacrados da Nova, ensinam formas de melhorar a qualidade do sexo. Se um enxadrista passa a vida toda lendo publicações de um jogo que se resume a um tabuleiro e um punhado de peças, como é que alguém pretende ser expert em sexo baseando-se apenas em empirismo?

26) Gostar de conversar sobre sexo – por mais sábio e pop que tenha sido, Renato Russo deveria repensar seus conceitos antes de ter cantado “sexo verbal não faz meu estilo”. Quem não conversa, não se interessa. Em qualquer modalidade esportiva jogada em dupla, as partes se conversam muito para entrar em consenso. Só que, claro, ficar só de blá-blá-blá também não adianta, é preciso entrar em campo e transformar o papo em ação.

27) Saber falar coisas certas nas horas certas – em momentos românticos, frases doces; nos sacanas, termos picantes. E nunca o contrário. Comunicação é forma, conteúdo e ocasião, qualquer desses quesitos sendo mal usado vira gol contra.

28) Saber ouvir o que a parceira quer – essa dica não é tão óbvia quanto parece. Muitas vezes um “não” de uma mulher significa “persista” e um “desista” quer dizer “convença-me”. Esse dizer uma coisa e querer outra faz parte do jogo. Às vezes o sexo está mais para uma dissimulada partida de truco do que para uma elegante disputa de tênis.

29) Adotar uma alimentação saudável – há alimentos ricos em componente energéticos e estimulantes, bem como os portadores do bom colesterol, que desobstriu artérias, aumentando a vaso-irrigação do pênis (como nozes e o azeite de oliva). Também há os que fazem bem para a pele, para o sangue e para o organismo em geral, lembrando que sexo não se faz só com os quadris, mas sim com todas as partes do corpo. Aliás, uma dieta saudável é condição essencial da vida de qualquer esportista, qualquer que seja sua modalidade.

30) Praticar exercícios físicos regularmente – desnecessário comentar, estamos falando de atletismo e de sexo. Em qualquer dos casos, quem está mais preparado fisicamente tem mais fôlego, mais performance, mais êxtase.

31) Ser carinhoso – o orgasmo pode ser a meta mais ambicionada, mas há outras reações de prazer que também contam, como o bem estar, a proximidade e a satisfação com pequenos gestos. Mesmo no sexo mais voraz, carinho é sempre crucial.

32) Saber dominar e não ter medo de ser dominado – sexo é entrega. Se quer algemar, por exemplo, tem de saber fazê-lo com convencimento adequado e deixar-se algemar também. Todo time exige confiança entre os companheiros de equipe.

33) Ter ritmo – lento quando adequado, rápido quando oportuno. Como um maratonista que sabe seguir o pique dos demais durante a prova até o momento certo de dar o sprint final.

34) Buscar a sintonia perfeita – mas não como num nado sincronizado, onde há coreografias mecânicas; está mais para um jogo de frescobol, onde o bate-bola tem de acontecer com naturalidade e fluência.

35) Ter sensibilidade – isso em vasta aplicação: na forma de falar, no agir, na empatia, no toque, na maneira de estender um simples cafuné a uma experiência sensorial completa. Atleta sexual é uma atividade holística.

36) Saber realizar fantasias – só conhecer os desejos da outra parte não adianta, na medida do possível é preciso buscar realizar as fantasias. “Life is a mind game”, já dizia o título do anúncio de um famoso relógio.

37) Vencer a timidez – homem tímido retrai a mulher, causa inibição e castra atitudes mais audaciosas. Todo mundo tem um grau de timidez maior ou menor, só não pode deixar que ela trave o desempenho sexual. Atleta vai para a arena, e arena não é lugar de retração. Ao contrário, como na cama, é o momento de superexposição.

38) Não ter tabus muito restritivos – por exemplo, sexo anal no caso das mulheres e (segundo as Desaforadas consultadas) fio terra no caso dos homens (há controvérsias). Alguns tabus são necessários e bem justificados, como necrofilia, zoofilia e pedofilia, mas receio de fazer certas práticas porque elas podem acabar com o romantismo e deixar a mulher em posição de “vagabunda” corta as possibilidades sexuais pela metade. Aliás, romper tabus também é outra modalidade interessante no atletismo sexual.

39) Não ser inseguro – já pensou um centro-avante que chega na grande área e pára porque não se decidiu se passa a bola ou toca por cobertura? Ou um ginasta que, no meio de sua exibição de solo, fica de tempos em tempos olhando para a expressão dos jurados querendo conferir se estão gostando ou não de sua apresentação? Então, atleta sexual não fica perguntando o que a parceira quer que ele faça, nem fica observando constantemente suas reações para mudar de posição num mínimo sinal de desconforto (que pode ser apenas um gemido de prazer ao invés de uma manifestação desfavorável). Tem que estar atento e seguro do que está fazendo, senão é bola fora na certa.

40) Saber criar o clima/ambiente – assim como a quadra esportiva tem de estar muito bem preparada para a hora do jogo, o local onde vai rolar o sexo precisa estar devidamente adequado, preferencialmente com aditivos que deixem o ambiente mais acolhedor e insinuante, como aromas, música e (meia) luz. Se não há condições de se criar o ambiente, é preciso criar o clima: aquele encontro no escritório, no acampamento ou na beira do mar pode ser propício se o atleta souber usar de boa lábia, toque e até de bom humor, tornando a ocasião descontraída e com uma sugestão de algo mais pairando no ar.

41) Qualquer hora é hora, qualquer lugar é lugar – do elevador ao caixa eletrônico, do carro na hora do rush ao restaurante na hora do almoço, não há tempo ruim ou local inapropriado para um verdadeiro atleta sexual. Esportista não se exercita apenas durante a partida.

42) Gostar de correr riscos e viver situações inusitadas – complementando o raciocínio anterior, é bom observar que o banheiro da boate, o prédio abandonado e aquele mirante com vista para o mar podem ser o melhor motel do mundo, mesmo (ou principalmente) com o perigo de alguém chegar e flagrar o ato. Claro, não é recomendável brincar naquele almoço de família na casa dos pais da moça, mas também não se pode desperdiçando oportunidades acreditando que o único lugar é a cama e que o único horário é à noite. Mas atleta mesmo gosta de correr riscos, não sendo por acaso que os melhores pilotos são sempre os mais audaciosos.

43) Gostar de experimentar (explorar possibilidades e apetrechos) – não é preciso mergulhar em experiências extremas como entrar num grupo de sadomasoquismo ou praticar modalidades homossexuais (ou até é, se for um praticante de esportes radicais nesta área), mas frequentar sex shops e tentar dicas de gurus do sexo ajudam, e muito, a tirar a relação da rotina e ampliar o leque de experiências e possibilidades. Senão, o sexo pode se restringir a uma disputa de motocross no videogame enquanto bem que poderia ser um Rally dos Sertões.

44) Ser massoterapeuta erótico – saber tocar, apalpar nervos e músculos, deixando o corpo relaxado e ao mesmo tempo em estado de combustão é uma arte. Não há mulher que não goste de uma massagem, principalmente se ela tem segundas intenções, portanto o lance é correr para os livros de shiatsu e de do in, comprar um creme para mãos e corpo, acender um incenso e acionar aquele CD de música new age no stereo. Ao contrário do esporte, atleta sexual não recebe massagem, mas sabe fazê-la muito bem.

45) Saber explorar todos os sentidos – não só de tato vive o sexo, longe disso: ele engloba também paladar, aroma, visão e audição. Brincar com sabores (antes e durante), perfumar o corpo e o ambiente, usar uma roupa interessante de vestir e de despir, e, conforme já colocado, escolher a seleção de músicas certas para criar clima, fazem da experiência mais prazerosa em todos os sentidos, literalmente. Ficar restrito ao contato do falo é o mesmo que um jogador de golfe achar que seu esporte se restringe ao taco.

46) Ser sexy – uma pesquisa realizada na Europa apontou que o maior fetiche masculino é o de mulher vestida de... governanta (?!). O resultado pode causar estranheza, mas o fato é que sensualidade não é a pessoa se rasgando em trajes sumários enquanto faz caras e bocas com o corpo suado, ao contrário, é um jogo de sutilezas, e precisa ser demonstrado na hora certa. Assim como a governanta ilustra o desejo de se ver uma pessoa bem comportada que vira voraz na hora H, o atleta sexual também tem de ser alguém reservado e respeitador mas que sabe fazer a passagem para o seu lado sexy quando apropriado. Todo fisiculturista sabe o momento certo de mostrar seus bíceps, no atletismo sexual a sensualidade tem seu momento, apesar de ele poder ocorrer a qualquer momento.

47) Gostar de filmes, fotos e material erótico – quem estuda precisa de material pedagógico, e o do atleta sexual está presente na web, nas livrarias, nas bancas e nas locadoras de DVDs. Não precisa ser produto pornográfico, mas sim aquele com conteúdo adulto de tom insinuante, estético e didático, algo que se possa usar para aprender ou apreciar. Todo esportista é um constante pesquisador da modalidade que pratica.

48) Ser expressivo (fisionômica e gestualmente) – não é só de palavras que ocorre a comunicação no sexo, aliás, pelo contrário. Durante o ato, e mesmo em toda a insinuação que o precede, os gestos e as expressões faciais e corporais dizem muito, podendo sugerir, afirmar e seduzir. Do poker ao vôlei, todo esportista sabe que uma mera levantada de sobrancelha pode indicar que chegou a hora daquela jogada de mestre.

49) Saber incorporar fetiches – se é para vestir uma roupa de um personagem qualquer, nada de ficar debochando da brincadeira o tempo todo ou de fazer cara feia. Mesmo porque, durante o sexo, apesar de toda a naturalidade que se deve ter, estamos sempre encenando de algum modo: é uma peça da qual já participamos outras vezes, só que procuramos repetir com êxito ascendente junto ao público. Qualquer atleta sabe que se torna também um ator quando pisa na arena.

50) Ser expert em preliminares – Todo gol bonito nasce de uma finta genial, de um drible incrível ou de um passe açucarado, a bola na rede em si não tem a menor graça se não for antecedida por uma bela jogada. O sexo oral e a masturbação podem dar mais satisfação do que a penetração em si, portanto merecem ser devidamente valorizados.

51) Saber tirar a roupa – tanto a dela quanto a dele próprio. Por vezes de forma lenta, botão-a-botão; por outras voraz, quase rasgando (ou rasgando mesmo, oras). “Vestindo fantasias, tirando a roupa” foi a frase de Rita Lee que fez corar a censura dos anos de chumbo e incendiar jovens da década que sucedeu a liberação sexual. Atleta zela pelo seu uniforme, mas sabe jogá-lo para a torcida na excitação da vitória.

52) Saber beijar – básico e essencial. É como saber chutar a bola no futebol, como dar saque no vôlei, como dar tacada no bilhar. É tão pré-requisito que queima etapas: se o beijo não cola, talvez nem seja adequado seguir adiante. Aliás, com toda propriedade, Léo Jaime falou em uma das edições do programa “Amor & Sexo” da Globo que a coisa mais íntima do sexo é o beijo. Na peneira do sexo como esporte, o beijo é a habilidade que separa os vocacionados dos meros aspirantes.

53) Estar consciente do que está fazendo – poucas coisas são tão frustrantes para uma mulher do que um parceiro que, no dia seguinte, fala “eu fiz isso, é? Nem lembro”, isso seja para o bem, seja para o mal. Quem bebe além da conta para ficar descontraído e audacioso, ou usa drogas para tornar a experiência sexual mais extasiante ou lisérgica, acaba praticando o ato de forma quase inconsciente e até inconsequente, podendo o resultado ser um completo desastre ou, literalmente, uma tragédia. Ao contrário do esporte, não existe anti-doping no sexo, mas seus efeitos colaterais são bem perceptíveis.

54) Ser autêntico na excitação – gemeção e caretas de tesão para tentar forçar a sensualidade do momento podem ser um embuste dos mais infelizes. Um semblante sereno muitas vezes é mais sedutor do que morder o lábio inferior e franzir o cenho. Aquele “oh, yeah” falso pode ser tão revoltante quanto aquele fingimento do atleta que simula ter sido vítima de uma falta grave.

55) Ter e saber usar a porção sadomasoquista – sexo é prazer tão extremo que esbarra na dor, fazendo as duas sensações virarem primas-irmãs. Sendo assim, um puxão de cabelo, um tapa (com jeito) e um impulso mais selvagem de penetração na hora certa são atitudes agressivas bem-vindas. Faz parte do jogo, todo atleta se esforça tanto que causa dor no próprio corpo, liberando sobre ele a beta-endorfina que dá a sensação de prazer; no sexo também, há liberação de beta-endorfina e de seratonina, drogas naturais do organismo que só entram em ação quando a dor surge em cena.

56) Saber localizar o Ponto G ou explorar o abecedário inteiro – a ciência ainda não deu conta (embora alguns livros tentem desmentir) de apontar com exatidão (ou mesmo se existe) a localização do famigerado Ponto G. Se o atleta sexual sabe como encontrá-lo, ponto para ele e com louvor; mas se não sabe, que investigue todos os canto recônditos possíveis e imagináveis. Ponto G está para o corpo feminino como a onda perfeita está para o surfista: deve existir em algum lugar, mas, enquanto não se encontra o paradeiro, o lance é se divertir procurando.

57) Saber medir a força, a velocidade e o toque – esse é o tripé da cópula ideal, ou mesmo da preliminar ideal. A pressão da língua, do dedo ou do pênis, bem como seus movimentos e agilidade, nos variados momentos de excitação feminina, determinam o grau de lubrificação e o caminho/meio de se chegar ao orgasmo. Já foi dito que atleta é a soma de técnica com habilidade e talento, ou seja, é ter vigor, sensibilidade e destreza, assim é no esporte, assim é no sexo.

58) Saber deixar excitada/lubrificada e respeitar o tempo de cada mulher – às vezes simples palavras já são suficientes, em outras é necessário um toque íntimo demorado. Cada mulher é um universo à parte, e merece ser estimulada de forma absolutamente única, evitando-se o pensamento de que seguem um padrão e de que todas são excitadas da mesma forma. E penetração sem o devido estado de lubrificação íntima é falta grave (a não ser que essa modalidade mais agressiva seja desejada e solicitada). Antes de entrar em campo, todo atleta faz antes o devido aquecimento.

59) Doar-se mais do que ambicionar a própria satisfação – uma das reclamações mais frequentes das mulheres é a de que os homens só procuram o próprio prazer e depois elas que se virem. É claro que o final essencial do sexo é a satisfação de quem o faz, só que o atleta sexual a coloca em segundo plano, vindo em primeiro lugar a vontade de causar desejo e orgasmos. O maior prazer é causar prazer. Embora o êxtase de todo goleador seja colocar a bola no fundo da rede, sua maior satisfação é o delírio da torcida.

60) Saber administrar o “prazer próprio” – complementando o item anterior, aqui vem uma apologia ao lado egoísta do sexo: quem não sabe ter prazer com o ato sexual acaba ficando enfastiado dele e perde o interesse. Sexo é a busca pela satisfação e, mesmo que não haja o orgasmo, é preciso ficar feliz e realizado com o resultado da transa. Funcionários fazem o que lhes é mandado, atletas “trabalham” porque gostam do que fazem.

61) Estar ciente de que o sexo oral é a maior de todas as preliminares – OK que dedos, palavras e beijos ardentes funcionam que é uma beleza na tarefa de excitar, mas o sexo oral permanece como modalidade favorita, e dificilmente perderá o trono. Atleta que não aprecia a prática (e estamos falando de horas demoradas e não de segundos inexpressivos) sai fora do ranking de favoritos de qualquer mulher. No máximo ficará na terceira ou quarta divisão do campeonato. E no banco de reservas.

62) Saber se portar no pós-transa – por exemplo, nem pensar em deitar de lado e dormir. Tampouco se levantar e vestir-se como quem diz “vambora”. Por mais que seja um simples affair de momento sem maiores consequências, um pouco de carinho e conversa após o ritual é um sinal de respeito e até de elegância. Nenhum esportista acaba o campeonato levando o “caneco” para o vestiário sem dar bola para a torcida.

63) Não ter “nojinho” – seja no sexo oral ou no anal, nada de relutar ou de fugir da raia. Mesmo durante a menstruação é possível ter bom sexo, e sem cara de “ugh” ou fazer que vai desmaiar porque não suporta ver sangue. Não por acaso, observar a forma como o homem come (à mesa) é uma forma de saber como ele se porta no sexo: se fica separando gordurinhas no canto do prazo ou inspecionando as verduras pra ver se estão bem lavadas, torna-se flagrante que se está diante de um fresco que fará vasta inspeção visual antes de cair de boca lá. Esportista mesmo gosta é de suor, carne e prazeres viscerais, pouco se importando com preocupações periféricas. Nojo é reflexo condicionados nos seres humanos, e sexo é nosso lado instintivo absoluto e mais primitivo. Animal.

64) Manter a higiene pessoal – básico e essencial, até dispensável sua presença na lista, mas, como o item anterior pode sugerir que vale tudo na questão de não ter nojo, ficou necessário fazer um alerta quanto à assepsia íntima. Cara que não se cuida na higiene, não está sempre limpo, cheiroso e de banho tomado, vai constantemente correr o risco de expulsão e de ser mandado para o chuveiro (literalmente) antes do final da partida, ou antes mesmo de ela começar.

65) Saber respeitar as predileções e restrições da parceira – claro que não precisa sempre fazer estritamente o que ela quer, mesmo porque pode dizer que não gosta apenas por nunca ter feito antes, e não porque fez e não gostou. As restrições e predileções estarão sempre condicionadas a experiências anteriores, e cada ato e praticante pode trazer uma nova perspectiva. Mas também não se pode partir para o ataque negligenciando alertas ditos previamente. O ideal é combinar o jogo antes da partida, mas apostar no potencial da parceira, sendo mais audacioso assim que se perceber a oportunidade para tanto.

66) Ser atrevido – tanto para conquistar quanto para fazer um sexo menos rotineiro, é preciso ser ousado. A resistência feminina nem sempre é sinal de “de jeito nenhum”, e faz parte do papel da mulher querer se preservar e testar a persistência do macho. Portanto, aquele toque íntimo até então não permitido, aquele cruzamento da fronteira da amizade para o affair, e aquela proposta indecente feita de soslaio durante um encontro formal, podem render muito mais do que um sexo previsível. Os esportistas mais admirados são justamente aqueles que se atrevem a fazer jogadas que outros acreditariam ser inadequadas ou improcedentes.

67) Criar circunstâncias sem saber o resultado – conforme dito, o risco faz parte do jogo. Portanto, uma carona inconsequente que acaba tomando o rumo do motel não é uma ideia pervertida ou desrespeitosa, o máximo que pode acontecer é ter de dar meia-volta. Atleta sexual cria oportunidades, até fura o pneu do carro ou simula uma pane no elevador para terem de passar a noite juntos. O resultado? Bom, quem não arrisca não petisca, e o único arrependimento de um esportista da modalidade é o de não tentar. Todo mundo já ouviu narrador esportivo reclamar que o time não soube criar oportunidades para chegar à vitória, vale o mesmo no campo da sedução.

68) Quando falhar, ter um plano B em mente – brochar não é pecado, mas sim o que se faz diante da situação. Há um ditado gaúcho chulo que diz que “enquanto houver língua, enquanto houver dedo, não há buceta que meta medo”. Então está dado o recado dos gaudérios. Há a história lendária de um karateca que, na semi-final de um campeonato, teve sua mão quebrada e entrou no dilema de desistir ou não de disputar a final por conta de não poder usar uma das mãos, sendo que então sua mãe, nos bastidores da competição, o indagou: “mas karate não se luta também com os pés?”, fazendo o atleta reconsiderar e participar do combate. Detalhe: ele sagrou-se campeão. Sabia mãezinha a dele.

69) Usar preservativo – mais um da série básico & essencial. Portanto, nem nos detenhamos em explicá-lo. Fundamental como a caneleira para o jogador de futebol, a máscara para o jogador de hockey, o capacete para o jogador de rugby.

Houve polêmica em alguns quesitos apontados pelas garotas, por exemplo, masturbar-se foi considerado algo que ajuda no desempenho do atleta sexual, bem como possuir uma boneca inflável para treinar. Também foi colocado que o atleta sexual fuma, sim – aquele clássico tragado depois do ato. Sobre se atleta sexual pratica ou não sexo grupal, não houve consenso. O debate acabou fechando questão no fato de que há diversos tipos de atletas sexuais, sendo assim é possível afirmar que há atletas que praticam modalidades grupais e outros não. Enfim, quer boa performance? Siga a lista acima. No mínimo vai se divertir tentando. E satisfazer também.


Mario Lopes

6 comentários:

Karime disse...

Ótimo e divertido! É impressionante como tem gente que não segue nem metade das dicas...

Anônimo disse...

Olha, Ka, pelo que as garotas estavam comentando, se seguir 1/4 das dicas já estará de bom tamanho. rsrs
Beijo, gauaderinha.

Mario

Anônimo disse...

Parafaseando a Karime, o texto é ótimo, divertido e erudito. Muito bom!
Beijo
Rubia

Anônimo disse...

Valeu, Rubia, na verdade os parabéns têm de ir para as oito garotas que colaboraram na criação do post: Carolinni, Ana Paula, Fernanda, Ana Linhares, Luciana, Carol, Thainá e Paula. Em especial a Fer, que acreditou até o fim ser possível chegar a 69 dicas.
Beijo, garotas; beijo, Rubia.

Mario

Camila disse...

... e complementando os comentários das outras meninas: cada vez me convenço mais de que a maioria dos homens não têm a menor capacidade de seguir 1/3 das dicas postadas, já que para estes, a mulher é só "um buraco para meter e depósito de esperma". Triste realidade...
Beijos!

Anônimo disse...

rsrs Que horror, Mila. Acho que a coisa não tá tão drástica assim, mas tá aí registrado o seu protesto. rs
Beijo.

Mario