segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Semana de tema livre

A Conta, Por Favor



Tenho 35 anos e estou solteira há três. Logo que me separei, tudo ficou muito confuso e não estava preparada para me relacionar com alguém novamente. Estou acostumada a ir e vir sem ter que dar satisfações da minha vida para ninguém, a sair com meus amigos quando bem quero, mas, neste ano, resolvi estar mais disponível e tentar. E, a cada dia que passa, estou mais intolerante à burrice. Principalmente a masculina. Para eu admirar um homem e me relacionar, ele tem que ser superior a mim de alguma forma. Senão, foi-se o respeito (e ele vira texto de blog). Na vida sentimental, de uma forma ou de outra, o homem tem que conduzir a relação, ser inteligente e encantar. Não tenho paciência para desdobres baratos (sou doutorada nisso e farejo um desdobre de longe, embora às vezes me faça de louca). Homens que acham que são malandros, então... Éca!
No início deste ano, conheci um cara e resolvi me dar uma chance. Boa pinta, carrão, 42 anos, bom emprego, não muito inteligente, mas bonzinho. Bonzinho? É... mas tentei mesmo assim.
Saímos para jantar a primeira vez, a fim de nos conhecermos melhor e nossa noite não passou de suco de abacaxi acompanhado de sanduíche aberto. Nada contra, se não fosse o total descaso dele em saber se eu gostaria de beber ou comer mais alguma coisa. Não sou nenhuma “mega bluster” em cultura geral, mas conduzi a conversa a noite inteira. Conta dividida, sem nenhuma menção dele em pagá-la sozinho. Nada contra dividir uma conta, mas sei lá, gentilezas mútuas são bem-vindas em um primeiro encontro. É gentil o cara pagar a conta e é gentil, também, a mulher, em outra ocasião, retribuir a gentileza de alguma maneira. Quis desistir, mas minhas amigas diziam: “Ka, dá mais uma chance, tu tens personalidade forte, atitude, vai ver intimidou o cara”. Então, resolvi acatar a sugestão e dar mais uma chance a ele e a mim mesma, afinal, não se pode ter tudo em uma pessoa só (ou pode?). E o cara era bonzinho.
Saímos uma segunda vez e ele sugeriu um vinho no ap dele. Opa, talvez as coisas melhorassem. No ap, home theater enorme na sala, um PC tela plana enorme com placa de vídeo ultra moderno, som do carro acionado por Bluetooth. Uma balaca só. Mas o papo continuava sendo conduzido por mim, mesmo sob efeito etílico e ele continuava a ser bonzinho. De novo, não se preocupou em saber se eu estava bem ou se queria mais alguma coisa.
Na terceira vez que saímos, fomos comer uma pizza em um lugar descolado daqui, escolhido pelo cara bonzinho, que, quando nos sentamos à mesa, foi logo dizendo que ELE ia tomar cerveja. Não sou muito de cerveja, mas fingi não me importar com a indelicadeza e acompanhei-o. No final, a conta. Aaaah, a conta. Quarenta reais: uma pizza e três cervejas long necks (que quase não bebi). Mexi na bolsa: nada; mexi na carteira: nada. Então, tirei o cartão de crédito e coloquei-o em cima da conta. O sujeito afastou o cartão, olhou o valor, tirou uma nota de vinte reais da carteira e colocou junto. O que? Na hora de pagar a conta no caixa, tive vontade de pagar o valor integral sozinha, mas me contive, porque não queria humilhá-lo. O rapaz do caixa, por três vezes dirigiu-se a ele, pensando ser o proprietário do cartão. Chegou a perguntar incrédulo: “Desconto 20 reais em dinheiro e 20 no cartão?”. Mais uma conta dividida. Entramos no carro e ele sugeriu tomarmos um espumante “no ap”, que, segundo ele, estava na geladeira esperando por nós dois. Aceitei, pensando que um espumante gelado talvez salvasse a noite. No ap, depois de conversarmos um pouco na sala, perguntei: “E o espumante gelado?” Ele responde: “Mas tu queres que eu abra mesmo?” Pronto... caiu a casa. Eu queria me atirar da janela do apartamento, fiquei sem jeito, não sabia o que fazer. Tive vontade de ir embora, mas, de novo, não quis fazer cena. E o espumante estava quente. O que podia restar de chance para que “aquilo” desse certo foi por água abaixo.
Minhas amigas, que passaram a incentivar menos, disseram: “Ka, da próxima vez que ele te convidar para sair, diz que não tem dinheiro. De repente, ele ainda não está sabendo como conduzir e precisa de uma ‘ajuda’”.
Na semana seguinte, ele me ligou para darmos uma volta. Seguindo os conselhos das gurias, argumentei: “Vamos ter que deixar para outro dia, estou sem grana”. Num tom de quem profetiza a melhor frase da semana, ele responde: “Também estou sem dinheiro, mas a gente não precisa gastar muito. Podemos sair e tomar um suco ou um refri”.
Putz! Ninguém é obrigado a ter grana sempre, mas, então, que conduza a situação de outra forma: “Também estou sem grana, mas pensei em tomarmos um vinho aqui em casa e fazermos uma massinha...”. Pô, dá outra “roupagem” (palavrinha fashion do momento) à situação. Mesmo sem grana. Até me ofereceria para fazer a massa, pois cozinho bem...
Algumas horas depois, Gabi, minha amiga que não come rúcula por homem nenhum na vida, me liga e sugere um cinema para as duas naquela noite. Expliquei que ia sair para “tomar um suco ou um refri” com o cara e Gabi não teve dúvida: “Ai, guria... eu acho que sou bem mais divertida que ele.” Não tive dúvida, peguei o telefone, liguei para o sujeito e inventei uma desculpa qualquer. Não poderia sair naquela noite com ele. Bonzinho como sempre, ele disse que tudo bem, voltaria a ligar outro dia. Três semanas depois, era um sábado à noite, estava assistindo a um filme no DVD player, cuidando do meu basset que tinha passado muito mal e ficou uma noite internado em um hospitalzinho, o celular toca. Era o bicho. Não atendi.



Karime Abrão

5 comentários:

Anônimo disse...

Karime, sorte sua não ter levado essa relação adiante, senão, bem provável de o muquirana querer rachar contigo a conta dos preservativos. Ou de, caso você não topasse o rateio, lavá-los para reutilizar depois. rs
Beijo, Desaforada dos pampas.

Mario

Karime disse...

Ui, deus me livre! Ele ressurgiu das trevas meses depois. Mas isso é tema prá outro post.
Bjooos

Anônimo disse...

Que cara mala, ainda bem q vc saiu fora...

Camila disse...

Tá aí um homem que pode se chamar de PALHAÇO. De cara assim eu não tenho um pingo de dó.
Há uma estratégia (quase) infalível para fazer com que o mão de vaca "se toque": sair sem um puto no bolso e só se "lembrar" do fato na hora em que a conta chega. A muquiranice vai por água abaixo. hahaha
Beijos!

Karime disse...

Pessoal, a questão toda não é só a conta dividida, ou o fato do cara ser pão duro, mas a falta de delicadeza em conduzir uma situação de conquista. Cheio da balaca (carrão, PC mega moderno e tal) e não tem feeling. É casca! E insisto na mesma tecla: tem que saber conversar!!! Bjos e obrigada pelos comentários.