domingo, 28 de fevereiro de 2010

Outono-Inverno


Todos os anos nessa época já começam as preocupações na cabeça da maioria das mulheres com as tendências do inverno, ainda mais nestes últimos dias que o inverno veio nos visitar e dar um “oizinho” antecipado. Por isso, resolvi dar uma espiada pela internet mesmo no que se promete para a próxima estação, pela internet porque não tenho tempo e nem paciência de comprar revistas de moda e freqüentar desfiles e toda essa coisa do mundo fashion.
Descobri por exemplo que neste outono-inverno os anos 80 retornam com tudo! Que tal lembramos a Maddona em seus tempos de Like a Virgin ?
Com essa volta do punk futurista roqueiro misturado com um estilo totalmente urbano e bem humorado, teremos muitas cores, ombros salientes, couro e mais couro, as estampas e grafites continuam em voga, e mais cores, muitas cores, inclusive os tons neon que prometem arrasar!
O símbolo máximo mesmo são os ombros quadrados e super marcados. Os babados e volumes localizados, as cores vibrantes, as meias semitransparentes e os micro comprimentos tudo isso acompanhado (é claro) de couro! Sim porque o couro desta vez terá novamente seu reinado um dia perdido!
Também estarão em alta os tons e materiais metálicos. Casacos coma cintura bem marcada, a preferência é na altura do joelho ou do quadril, os cintos finos na altura da cintura mesmo, calças justas ao corpo e para aquelas que podem a boca larga da pantalona num estilo de alfaiataria. Nos pés as botinhas reinam absolutas, em todos seus estilos com atenção principal para aquelas de cano longo com salto mais grosso.
No panteão de cores, imaginem, é claro que o nosso bom velho e guerreiro pretinho básico estará aqui, muito a cara do inverno. Além dele, teremos marrom, verde, cinza, e a aposta principal será nas cores de preferência vibrantes como azul turquesa, verde jade, amarelo canário, laranja fluorescente, berinjela, púrpura e pink, e para reinar com o preto as apostas estão no vermelho de tons fechado! Também há espaço para o rosa claro, tons pastel e branco. Ou seja, tem para todos os gostos apostando num inverno com uma carinha mais alegre!
Agora meninas, o negócio é fuçar o armário antigo, visitar as tias mais velhas, pedir coisas da adolescência da mamãe, ou mesmo correr para o shopping para aquelas que não querem ficar por fora de nada, com muito estilo e bom humor.

Fontes (sites de moda e mulher):
http://www.portaisdamoda.com.br/noticiaInt~id~17827~n~tendencias+de+moda+feminina+outono+inverno+2010.htm http://www.blogdamulher.com/tendencias-cores-para-outono-inverno-20092010-europa/


Fernanda Bugai

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O Dia Em Que Confundi Carneiro Lobo Com Leão Lobo



No ano de 2000 , eu trabalhava como contínua em uma loja . Um certo dia , me pediram para entregar uma encomenda para uma tal de Patrícia , no seguinte endereço : Rua Leão Lobo , número 69 , apartamento 24 . Então saí para cumprir esta minha nova missão . Mas havia um problema :

- Onde ficava a Rua Leão Lobo ? Logo perguntei a um guarda , que respondeu que não existia esta rua em Curitiba e que , provavelmente , eu estaria procurando a Rua Carneiro Lobo que ficava no Batel .

Deste jeito , o moço me explicou como chegar até a este lugar . Seguindo as informações do guarda , cheguei até a Rua Carneiro Lobo , número 69 . Lá , apertei o botão número 24 no interfone e perguntei se ali morava uma moça chamada Patrícia . Esta pessoa desceu do prédio para buscar o pacote e fui embora com a missão cumprida . Cheguei na loja e exclamei :

- Encomenda entregue !

Então as pessoas deram risadas e uma delas falou :

- Tem certeza que você entregou o pacote no endereço certo ? - Você , realmente , achou a Rua Leão Lobo ?

Desta maneira expliquei :

- Um guarda falou que a Rua Leão Lobo não existe , mas a Rua Carneiro Lobo , sim . - Fui na Rua Carneiro Lobo , número 69 , apartamento 24 entreguei o pacote para a Dona Patrícia .

Após eu falar isto , todo mundo caiu na gargalhada e um funcionário disse :

- Isto era para ser uma brincadeira ! - Você não conhece o Leão Lobo ?! - Você não conhece este apresentador de TV ?!

No meio daquela confusão , a dona da loja chegou e chamou a atenção destes funcionários travessos . É por isto que hoje em dia eu digo : nunca confunda Leão Lobo com Carneiro Lobo . Luciana do





Rocio Mallon

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Cordelizando as Eleições



Eleições obrigatórias

país democrático

coisa contraditória

metodo prático

Qual escolher

quem será o melhor

qual vai se eleger

tomara seja o menos pior

Tira

Bota

Deixa

Ficar

O Assalariado vota

esperança ainda tem

mas já gastou sua cota

que chance ele tem

Democratização fajuta

dinheiro no bolso deles

nós é que vamos pra labuta

e quem enriquece são eles





Letícia Mueller

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A Pedidos



Toda semana vejo brilhar os tópicos sobre sexo nos blogs. Preferência nº 1 de dez entre dez seres humanamente honestos, entre muitas pessoas com as quais converso e inclusive eu. Sim eu gosto de sexo, por que? Você não?

Estou na semana “não ser” dentre as opções do meu nível pessoal de consciência “ser” ou “não ser”. Portanto, acho que não preciso medir palavras, não preciso me fazer de santa, não preciso parecer casta, mas posso precisar suportar julgamentos falso-moralistas, com todo respeito à intelectualidade destas pessoas que pensam que mães não transam, né, são seres assexuados. Eu também sei ser intelectual e filosófica quando quero, mas não esqueçam que eu estou na semana do “não ser”, cuja extensão é o “não fazer”. E não vou escrever um conto com personagens fictícios. Está mais do que na hora de uma opinião pessoal e talvez um pouco desaforada e para isso nada melhor do que a vivência “in loco”.

Então, esta semana resolvi não dizer não e experimentei a sensação de não fazer amor e sim, fazer sexo. Pelo simples prazer do ato. Pela simples atração carnal, pelo momento, pela intensidade do calor dos corpos, pela proximidade com o pecado e pela bela narrativa que poderia render. Pouco ético, mas, afinal, o que estamos querendo constatar é por que as pessoas preferem o sexo como tema de conversas, contos, filmes, enfim, então me dou ao direito da prática pela prática. Escolhi alguém que eu sabia que só esperava por um sim e me joguei em aproximadamente duas horas de tentação. Deliciosas poucas duas muitas horas de entrega e total despreocupação com o que esperava lá fora. A vida estava sendo vivida e eu e ele agradecendo por estarmos tão vivos. Confesso que esqueci completamente minhas constatações e com certeza o fiz esquecer algumas coisas também, que não vem ao caso.

Entendi algumas coisas sobre o que leva uma pessoa a se relacionar com outra, independente de sentimento, o que pode responder porque muitas pessoas adoram falar ou ler sobre sexo. Entre alguns pontos:

- O que você não pode fazer, você deseja;
- O que você não pode ser, você deseja;
- O que você deseja, nem sempre você pode ter;
- O que você pode ter, nem sempre é o que você deseja;
- O que você pode ser, nem sempre é o que o outro deseja;
- O que você pode ter, talvez seja o que outro deseja;
- O que você não pode ter, nem ser, nem fazer, ninguém quer e aí não tem nada a ver com sexo e sim com frustração.

Portanto, o sexo é tema preferencial tanto para quem o entende como a quem não o conhece. Ou porque sabe o que quer ou porque gostaria de saber. E se sexo é bom - porque todos sabemos que saudavelmente é bom – pra que tanto tabu pra falar sobre isso? Será que as questões religiosas ou sociais nos impedirão também de transar? Será que um desejo deve ser reprimido porque alguém totalmente alheio à tua vida disse que tem que ser assim? Sexo é a única coisa que te despe, literalmente, de todo e qualquer preconceito, então pra que tanta frescura? Adultos podem e devem falar sobre o que lhes faz falta, sobre o que lhes faz feliz, sobre seus desejos. Isso é relacionamento. Simples assim, taí minha modesta opinião. Eu, inclusive, descreveria por horas todos os prazeres do sexo, mas meu telefone está tocando e eu acho que o experimento merecerá uma segunda análise.

Ah, sim. Um esclarecimento: isso não é apologia à liberação sexual, não é outdoor para sexo casual e nem muito menos incitação às práticas sexuais irresponsáveis e descabidas. Não tenho como intenção condenar a igreja ou a sociedade, mas acho que nos meus pensamentos ainda mando eu. E nos teus?



Angelica Carvalho

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Primeiro Beijo


Sempre tive dificuldade para lidar com as criaturas do sexo masculino . Desde os meus oito anos de idade , eu sonhava com o meu primeiro beijo . Eu queria que ele fosse com uma pessoa especial num cenário mágico , quase de conto de fadas . Só que o tempo foi passando ... Os meus quinze anos chegaram . As minhas amigas foram arranjando namorados , menos eu ... Então , elas vinham com aquela pergunta : - Você já beijou ? - Como foi o seu primeiro beijo ? Assim , muito sincera , eu respondia : - Eu nunca beijei ! Após , estas perguntas delas e estas respostas minhas sempre vinham os deboches e os sarcasmos por parte destas garotas . Então o tempo passou e vieram os meus dezesseis , dezessete ... E nada de primeiro beijo ! Com dezoito anos fiz cursinho e com dezenove passei no vestibular . Mas , nada de primeiro beijo . Assim , vieram os meus : vinte , vinte e um , vinte dois ... Até que eu pensei : - Poxa , eu já tenho vinte e três anos e nunca beijei Também , nunca namorei e nunca fiquei . Naquela época eu tinha um amigo muito afável . Para preservar a identidade dele , chamarei este garoto de : Dom X . Tendo aquele amigo sempre ao meu lado , pensei : - E se eu beijasse o Dom X ??? !!!! - Bem , é uma possibilidade já que ele é a única criatura do sexo masculino , que conversa comigo . - Mas , como beijarei o Dom X ? Após , pensar isto , vi que aconteceria uma festa perto do prédio onde eu estudava . Então , convidei este meu amigo para me acompanhar . Durante esta festa incentivei meu amigo a beber muito . Pois , me lembrei daquele ditado que diz que quando um homem bebe , as mulheres ao seu redor ficam bonitas . Este rapaz bebeu tanto , que no meio da festa , ele já estava me chamando de Daniela , a menina pela qual ele nutria uma certa paixão . Então , raciocinei : - Está na hora de atacar ! Não pensei duas vezes e beijei o garoto no meio da pista de dança . Foi uma sensação diferente , parecia que as pessoas que estavam ao nosso redor , dançavam em câmera lenta e que as cores se misturavam no salão . Confesso que foi meio nojento , pois me deu a impressão que as nossas babas se misturavam . Adivinhe que música estava tocando ? Sim , era aquela em que a letra diz : “ Não existe mulher feia , foi você que não bebeu demais ... “ Bem , depois daquela noite , voltei para casa com uma sensação de missão cumprida . Realmente , meu primeiro beijo , não foi do jeito que eu esperava , mas a minha alma não agüentava mais de tanta angústia , pois os meus lábios tinham esperado demais por um carinho deste . E você , leitor , como foi o seu primeiro beijo ? Luciana do Rocio Mallon .



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Cuspindo Na Própria Língua



Esses dias um senhor no ponto de ônibus, daqueles que gostam de falar sobre política, religião, cultura e problemas sociais, começou a conversar com a “jovem”, como ele mesmo me chamou. Ele tinha opinião prá tudo : odiava os políticos, tinha pavor de religiosos, principalmente “aqueles pastores fanáticos com a bíblia de baixo dos braços” como dizia. Artista mesmo então para ele eram aqueles que prezavam um material mais popular, como teatros que debatessem nosso espaço social e as diferentes culturas. Adorava a socialização entre os povos, a mistura de cores e etnias diferentes.

Três ônibus se passaram, e ele apontava cada defeito e problema das linhas de ônibus, preço das passagens, o desemprego, a fome, os coitados e pobres que passavam na rua sem ter onde trabalhar. De repente, uma mulher meio “louca” vinha passando e gritando, com os dedos nos

ouvidos, como se não quisesse ouvir o que a sociedade queria lhe dizer e sim, só falar. Gritava, dizendo entre os gritos que nós eramos culpados por tudo, que odiava os cidadãos, que ninguém dava atenção para pessoas como ela, pobre e sem emprego.“Tá vendo?A pessoa passa tanta prova que fica assim! Tá certa ela, tem mesmo que reivindicar com a população!”, disse aquele senhor . “Grita mesmo senhora”, falou quase gritando também do seu lugar.

Neste exato momento, ela começou literalmente a cuspir nos carros que passavam e nas pessoas ao redor. É claro que aquilo era injusto, mesmo diante de sua injustiça. Ninguém tinha culpa. A expressão daquele senhor então mudara, de alguém que entendia a situação para alguém que agora repugnava a mulher. E num momento súbito de raiva, ele disse: “Acho uma pouca vergonha essas pessoas que saem na rua reivindicando seus direitos quando não respeita os dos outros. Como pode isso?Por isso estão aí, desempregados. Bando de mal educados!Vai limpar banheiro, encerar chão. Ah, se fosse comigo a história seria diferente!”.”




Bianca Nascimento

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Semana de Tema Livre

Durma Com Um Barulho Desses

Dizem que a traição só existe se contarmos para alguém. Caso contrário, não é traição, e sim, somente um segredo.
Tenho uma teoria sobre traição, teoria sem pretensão nenhuma de ser dona da verdade, mas uma teoria: existem vários níveis de traição.
Olhar para o lado e achar uma mulher mega gostosa, é traiçãozinha; ficar de frescura no MSN com o colega gatézimo da faculdade, também é traiçãozinha, trocar torpedos picantes com amigas coloridas, sim, também é traição. Claro que não são traições dignas de um barraco ou término de um relacionamento, mas acabam com a confiança que depositamos no outro.
Ficar numa festa com outra pessoa já está num nível mais elevado de traição. Não, o sexo não é o grau maior de traição. Sabe qual é ? O envolvimento emocional. É. Quando ele acontece, pronto, ferrou e aí não tem mais volta mesmo.
Mas por que raios a gente trai ? Não sei, mas é genético e inevitável. Um dia isso acontece conosco, de uma forma ou de outra.
Ah, não venha me dizer que tu nunca traístes ou fostes traído ... Quem está na chuva é prá se molhar e não podemos dizer que nunca faremos algo ou que determinada situação não aconteceria conosco, até sermos efetivamente testados pela vida.
Trair um amigo, a família, o namorado ou o marido é um dos maiores erros que o ser humano comete. Quem trai não mata, não rouba, não violenta, mas arranca do outro o que ele tem de mais precioso, a alma; e acaba com o único estímulo que a pessoa tem para conquistar seus sonhos, a auto-estima.
Este final de semana estava conversando com minha manicure sobre isso e disse para ela que hoje, depois de passar por vários relacionamentos e um casamento de 7 anos, onde fui patológica e alfabeticamente traída, não mudo por mais ninguém. Inclusive, não sei se teria o mesmo empenho que tive anteriormente em manter-me fiel à pessoa com quem eu estiver, caso o momento valesse a pena.

Moça vinda do interior de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, gordota, do estilo meio desleixada, casada com um homem 16 anos mais velho que ela e mãe de uma menina de quatro anos, minha manicure declara firme:
- Só estou casada ainda com meu marido e consigo manter meu casamento em paz, porque traio ele.
- Como assim ? – eu pergunto. Sou a pessoa mais aberta que pode existir para as coisas da vida, mas confesso, me choquei com a declaração.
- Sempre traí meu marido, não com amantes diversos, mas já tive três amantes.
- E ele nunca desconfiou ?
- Uma vez só, mas aí o cara faleceu e o assunto morreu, não tinha motivo para dar continuidade na desconfiança.
- E agora ?
- Agora estou com uma pessoa há três anos. Prá mim é fácil trair, atendo as clientes em casa, então, meu marido pode me ligar e eu posso dizer que estou em uma cliente, quando na verdade, estou com “ele”.
- E tu não te envolve com a pessoa ?
- Sim, mas quando começo a me envolver, fico um ou dois meses sem ver ele. Já disse que não me separo do meu marido por nada no mundo.
- Meu deus, e eu achando que os meus princípios eram maquiavélicos. E como tu consegues ?
- Conseguindo. Sou feliz assim e mantenho meu casamento na paz.

Que fique claro aqui, que não estou fazendo nenhuma apologia à traição; muito pelo contrário, porque já fui traída e sei quanto isso dói e deixa seqüelas. Só estou colocando no papel um assunto sobre o qual até este final de semana, eu achava que já tinha ouvido de tudo.
Dorme com um barulho desses, hã ?



Karime Abrão

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Carnaval Tântrico


Deitados na cama, Clara e Pedro discutem seus planos para o feriado de Carnaval.
- Deveríamos viajar para alguma praia de Santa Catarina.
- Só.
- Cê tem idéia se rola alguma festa de música eletrônica por lá? Estou afim de fugir desta merda de axé e sertanejo universitário.
- Nem. Num tô afim de viajar. Tava mais afim de curtir um tempo em casa.
- Então porque disse que tava afim de viajar porra. Eu não quero ficar em casa. Faz 3 anos que todo feriado ficamos em casa.
- Pois é, pensei em fazer algo diferente. Tava lendo aquele livro que cê deixou na sala.
Clara não contém a gargalhada. Nos 5 anos de namoro e nos 3 anos vivendo junto, Clara nunca imagina Pedro com um livro na mão, ainda mais lendo.
- Livro? Quê livro? Cê leu o livro inteiro?
- Num zoa. Aquele livro do Jesus mucho loco. O que é escrito pelo amigo dele.
- O Cordeiro? O amigo era o Biff, certo? Cê leu aquilo inteiro? Aquele livro nem é meu. Tenho que devolver ao Inácio que me ficou me torrando dizendo que o livro era muito engraçado.
- Só, este mesmo. Tive algumas idéias para comemorar um carnaval diferente à dois.
- Idéias? Do livro? Lá vem merda. Vou me arrepender, mas quero ouvir as
suas idéias para um carnaval diferente.
- Sexo tântrico
Clara cai na gargalhada e desta vez quase mija de tanto rir.
- Deixa eu tomar fôlego. Quase fiz de tanto dar risada. E você lá sabe o que é sexo tântrico?
- Num sabia, mas fui olhar na internet.
- Cê tem idéia que nós já praticamos isso? Porque para mim toda vez chegar a qualquer lugar, fica viajando, explorando e nunca chegamos a lugar nenhum.
- Porra meu. Cê tá zoando di novo. Sempre reclama que não fazemos nada de diferente.
- Ah tá. Então vamos fazer sexo tântrico sem você puxar alguma erva nova vinda da Holanda. 

- Num é bem assim.
- Eu sabia. Isso é desculpa para ficarmos trancados 7 dias da semana com você experimentando aquelas merdas que seu amigo trouxe plantar da Holanda. Não acredito que estou ouvindo isso.
- Pô, mas isso seria bem massa.
- Quer saber? Vou achar pra onde ir neste feriado sozinha. Vá tomar no cú.
- Boa noite pra cê também.
No dia seguinte Clara faz as malas e vai passar o feriado com amigos num turismo de aventura. Enquanto isso Pedro resolve inventar uma nova modalidade de masturbação tântrica com ele e as ervas novas deixadas pelo amigo. E assim passam o feriado prolongado até segunda-feira, quando eles voltam a trabalhar.




Daniela M. Braga

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ah Essas Páginas...


Tudo começou com o e-mail em 1900 e minha avó era virgem... Hoje temos Messenger, Facebook, Blog, Fotolog, Formspring, Orkut, Twitter, Badoo… São tantos! Qual escolher? Para não ficar perdida resolvemos escolher a todos, sim, criamos contas em todos eles, temos nosso nickname e senha em todos, diariamente fazemos nosso loggin naquelas páginas de relacionamento, que possuem o intuito de facilitar/melhorar a comunicação e interatividade entre as pessoas.
Ah essa páginas... Acho bacana até certo ponto, mesmo porque sou favorável e tenho alguns em minhas listas, e também no mundo atual dificilmente uma pessoa consiga estudar, trabalhar, sobreviver sem a internet, parece hipocrisia, mas nos tornamos dependentes disso tudo. No entanto por vezes me pego pensando aonde é que as pessoas encontram tempo para tanta coisa? Tanta informação não tão útil?
E acham. Passamos boa parte do nosso tempo em frente da telinha do computador fuxicando a vida alheia, conhecendo gente nova que nem temos noção de quem são e de onde vêm, mesmo porque não temos como conferir, por exemplo, se o gato lá de Bangladesh não é nosso vizinho do andar de baixo, no entanto estamos lá, diariamente nos sites de relacionamento fazendo nosso login, esperando que tenha recado novo, adição pendente, fotos atualizadas, seja lá o que for.
Então eu penso para que tanta coisa? Se é justamente por conta dessa máquina que se torna a cada dia mais inovadora que nós acabamos nos limitando cada vez mais, nos tornamos solitários, e o relacionamento que é aquela promessa inicial na verdade nem existe pois acabamos mesmo é criticando as fotos daquela bonitona, colocamos defeito na namorada daquele amigo lá do maternal que não vemos há pelo menos 12 anos, rimos das fotos produzidas e solitárias da maioria, e se relacionar de maneira saudável que é bom, nada! A bondade, a caridade, o amor ao próximo são deixados cada vez mais de lado, sem contar as multidões de adolescentes interligados pela internet mandando scraps de “eu ♥ vc” para uma pessoa que nunca viram na vida e provavelmente nem verão...
Acredito que tem casos nesse tipo de página que de fato sejam uma forma mais rápida e fácil de encontrar pessoas e se comunicar, e sim, existem as páginas que cumprem sua função social afinal olha a gente aqui no desaforadas rsrs. Mas sinceramente, me preocupo com as pessoas que vejo hoje em dia vivendo em função deste, daquele e de aquele outro site da web, vejo essas pessoas cada vez mais solitárias, os parques, teatros, banquinhos de praça, bibliotecas, cinemas cada vez mais vazios, as lan houses cada vez mais cheias. Tudo bem estaremos aqui online para verificar aonde isso tudo vai parar.




Fernanda Bugai

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nosso Bendito Carnaval


- Ah amor, mas essas viagens têm todo mês! Vai me deixar sozinho aqui justo no carnaval?
- AI Durval, deixa de ser dramático. Se eu não fosse viajar, quem ia ficar sozinha o carnaval inteiro era eu.
- Mas eu não tenho culpa de ter que ir trabalhar.
- Não tem, mas isso não muda nada. E tem outra Durval, eu estou pra fazer esse retiro há muito tempo, e não vou desperdiçar a primeira oportunidade que tenho para ficar presa em casa, esperando você chegar, por 5 dias seguidos. Já tá resolvido, eu vou e pronto.
Durval não tentou relutar. Já conhecia a mulher que tinha, e sabia que com ela, não havia discussão. Só o que lhe restou foi baixar a cabeça e acatar com o que não concordava. Não que ele quisesse que Fátima ficasse trancafiada em casa durante o carnaval, mas que pelo menos aparecesse um dia ou outro para o jantar. Mas já não fazia diferença, estava resolvido e pronto.
No outro dia, no início da manhã, o casal despediu-se em frente de casa. Um amigo viera buscar Fátima para irem juntos ao retiro, e espera dentro do carro, parado na rua.
- Fátima, quem é esse cara hem?
- Que cara Durval? Ele é um pastor, não um cara. Aliás, você devia ir ali agradecer por ele estar me dando carona.
Fátima cruza os braços, impositória.
- Ah faça-me o favor. Ou você acha que eu vou agradecer o homem que tira minha mulher de mim por 5 dias, em pleno carnaval? Nem ele sendo pastor.
- Meu deus que sacrilégio! Durval... as vezes sinto que não te conheço.
Ela pega as malas no chão, com dificuldade, e carrega-as cambaleando para o carro. O pastor, sentado em frente ao volante, observa com tranqüilidade Fátima tropeçando por entre as pernas, e assim que Durval entra em casa e fecha a porta, depois de uma caminhada sem nenhuma olhada para trás, ele acende um cigarro.
- Você é louco Rubinho? A onde já se viu um pastor que fuma? O Durval é trouxa, mas nem tanto.
- Ah baby, o que a gente menos conhece nesse mundo é pastor. Aliás, falando nessa gente, já dá pra eu tirar essa roupinha ridícula, não dá?
Mal Fátima lhe responde, Rubinho freia bruscamente e faz uma manobra perigosa para parar o carro e tirar a camisa e o paletó. Fátima responde, meio sem jeito:- Tá, mas você fica muito gato com esse terninho.
-Que é isso baby, gato eu fico assim ó, sem camisa.
Fátima sente um calor subir-lhe pelas pernas. A viagem começou.
Depois de algumas horas de engarrafamento, afobamento, entrosamento e afins, o recém casal chega ao seu destino e saem do carro. Fátima ergue as mãos para o céu e sente seus cabelos sendo jogados por uma leve brisa.
- Nossa, que delícia isso daqui. Olha que paz, que tranqüilidade.
Rubinho dá uma leve risada e responde, sacudindo o cabelo para trás.
- Baby, paz pra mim é vodka com limão. Vamo atrás de umas birita.
Fátima sai correndo, tentando alcançar Rubinho, deixando tudo dentro do carro.
Algumas horas depois, em frente à casa onde estavam hospedados, o casal chega cambaleando. Rubinho fala com a língua enrolada, tropeçando e girando sobre os próprios pés, enquanto tenta segurar uma garrafa de cachaça em suas mãos:
- Viu Fafá, que deliciaaaaa! Isso sim é paz, é tranqüilidade. Agora, só falta uma coisa. Uma coisa pra tudo ficar perfeito.
Fátima, apesar de estar também muito alterada, sorri ao pensar nos músculos vibrantes de Rubinho tocando-a ensandecida.
- Sei sim RuRu, pode vir quente, que eu tô fervendo.
Ela sai correndo para dentro de casa, aos berros e risadas, e joga-se na cama, quando nota que Rubinho não a estava seguindo. Espera um pouco, até achando um pouco de graça pela brincadeira, mas ao perceber a demora, irrita-se e vai atrás dele. Ao chegar em frente a casa, Fátima vê primeiro a camisa de Rubinho, depois, um pouco adiante, o cinto de Rubinho. Ela sai correndo, seguindo os rastros vestuários deixados, temendo o que encontraria quando não restasse mais nada que pudesse ter sido tirado do corpo do “pastor”.
Afinal, lá estava ele, molhando os pés na beira do mar, nu em pêlo, rindo para quem quisesse e deixando as mulheres loucas com tanta protuberância.
Fátima, cheia de cólera, volta para casa para planejar uma grande vingança, mas esquece de tudo e capota na cama assim que entra no quarto.
Acorda no outro dia pela manhã bem cedo, assustada. Percebe que seu celular está tocando e treme só de pensar em quem seria ligando a essa hora. Depois de criar coragem, atende.
- Alô?
A voz de Durval faz Fátima estremecer.
- Oi Durval. Porque ligar tão cedo, aconteceu alguma coisa?
- Eu só queria saber como você está. E aí, que que aprontou ontem?
- Bem, eu... Ai Durval, eu passei o dia orando. Esqueceu que eu estou no retiro?
Ao lado de Fátima, Rubinho boceja e murmura algo inaudível.
- É aquele retiro na praia né?
Fátima respira aliviada, pensando que estava a salva.
- Isso Durvalzinho, na praia. Você devia experimentar um dia.
- Pois é. Sabe, eu estava vendo TV ontem de madrugada, e vi aquele pastor que te deu uma carona.
- Ah é? Em algum programa, documentário, em uma entrevista... sei lá?
- Não não, aí na praia mesmo. Ele tava tomando banho de mar, pelado.
- Credo Durval, você tá ficando maluco. Aonde já se viu pastor aparecendo nú em público? É lógico que não era ele.
Fátima transpira de nervosismo.
- É né... mas então quem é esse deitado do seu lado?
Durval, em frente a janela do quarto da casa, olha impassível para Fátima, estática com o celular na mão.
Vira as costas e pensa: "Bendito Carnaval".


Letícia Mueller

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Maple Tree


A estrada estava vazia naquele feriado de Carnaval. Quem morava na Capital fechou suas portas mais cedo e foi ao litoral para as festas pagãs. Marta dirigia seu carro rumo a uma pequena cidade do interior chamada Maple Tree. A cidadezinha, colonizada por imigrantes europeus, ficou famosa por seus imensos e densos bosques de árvores que levam o mesmo nome e que, dizem as lendas, iniciaram de uma única árvore plantada por uma família canadense com uma história sombria. A Família Mrunswick, que teve a mãe e a filha recém-nascida mortas pelo pai, o qual em seguida atirou-se nas cascatas. Hoje, atrai muitos turistas, que acreditam que a lenda é somente para este propósito.
Marta é uma jovem jornalista, que escolheu sua profissão porque sempre achou que não vive no seu tempo. Adora escrever sobre a história dos lugares e pessoas. Seu ofício é escolher e reproduzir a vida de quem conhece pouco, nunca se atendo aos fatos, mas sempre, aos relatos. Histórias bem pouco éticas, mas bastante lucrativas. Saiu de casa muito cedo, para casar, mas não se adaptou. O marido era impositor demais e ela não se permitia ser mandada por ninguém, tinha problemas com hierarquia. Resolveu enfiar-se, então, em uma jornada por várias pequenas cidades a fim de explorar a história de cada uma.
Parou em uma pequena loja de chocolates e comprou algumas unidades. Na primeira mordida, sentiu um gosto apimentado e perguntou ao vendedor do que era composto o doce. Ele explicou, em um tom grave e pausado, que era um chocolate com pimenta, feito de forma artesanal e que se inspirava na mescla de alegrias e dores da alma.

- Nada é tão doce que não esconda o mal que pode causar - falou o velho, tocando a mão de Marta.
- Quanto, custa o chocolate, senhor? Apressou-se Marta, arrogante.
- Qual o preço da sua alma, menina?

Marta deixou uma nota de dez, virou os olhos numa expressão de repugnância e rapidamente saiu do local, não sem antes pegar uma água para refrescar a boca que ardia.
Continuou pela estrada deserta, cerceada por hortências e acácias negras. À direita, o Lago Negro envolto por uma neblina baixa, uma paisagem lindíssima, ao som de Enya. Marta freia bruscamente e grita. Um corvo passa num vôo rasante, quase atingindo o pára-brisa e a assusta, fazendo-a proferir algumas palavras de ódio. Retoma a calma, olha para os lados, ninguém na estrada. Parecia uma cidade fantasma. Olha para o alto e vê a ponta da Igreja de Pedra, seu destino. Direciona o carro para a estrada de terra batida e começa a subida, rumo ao que ela descobriria mais tarde ser a resposta para toda sua vida. Chegando, avista uma estátua, em bronze, de uma mulher com um bebê no colo, erguida nos jardins da Igreja em homenagem à Marion Mrunswick e sua filha Meryl.
Marta entra na Igreja, escura e um tanto macabra. “As imagens de cerâmica e os vitrais são próprios de filmes de terror”, pensa e julga consigo mesma. Vai até o altar, onde está um servente limpando os objetos de ouro e pergunta onde está Padre Mathias. O servente acena com a cabeça e pede que ela o acompanhe. Leva Marta até os aposentos do padre, que está enfermo e quase morrendo. Provavelmente seriam suas últimas palavras e então Marta amolece seu até então, coração de pedra, tão racional. Ele lhe estende a mão, olhando-a fixamente e pede para que se sente.

- Padre Mathias, por que mandou me chamar?
- Preciso te revelar algumas coisas, minha filha.
- Não nos víamos há muitos anos, não é Padre. Desde que...
- A tua ansiedade em viver... sempre tão descompassada. Me lembra sua mãe.
- Desculpe Padre – diz Marta, acanhada. Eu não perco a mania de me
adiantar ao futuro. Mas me diga, por favor, ainda tenho outras cidades a visitar.
- Está preparada para ouvir o que tenho a dizer?
- Sim, Padre.

Marta estava voltando para sua cidade natal. Ali nasceu e viveu até os
treze anos de idade, quando foi adotada por um casal do sudeste do país.

- Lembra-se de seu pai, Marta?
- Claro, como não lembraria. Estive com ele...
- Não falo de seu pai adotivo, minha filha. Falo de seu pai de sangue.
- Eu não poderia Padre. Ele morreu, os dois morreram. Num acidente de
carro quando eu era ainda bebê.
- Seu pai não morreu naquele acidente. É sobre isso que preciso lhe falar.
- Padre, o que está dizendo? Eu fui a única sobrevivente, ainda bebê, esta
foi a história que me contaram até meus treze anos quando saí daqui.
- Acalme-se e ouça. É importante que saiba de tudo, pois minha missão
está por findar e é necessário que eu aja depressa ou não haverá mais volta.

Marta estava atônita, mas sentou-se e prestou atenção ao que Padre
Mathias dizia. Ele lhe explicou que realmente houve um acidente, mas que apenas sua mãe havia morrido. Seu marido, um homem violento e inseguro, causara o acidente, após uma discussão entre o casal. Sua mãe assumiu amor por outro homem e admitiu não ter certeza da paternidade da criança. Marion queria sair da Mansão Madrygal, onde morava o casal. Dizia que não se sentia bem ali, que nunca gostou do lugar e que era infeliz ao seu lado. Em um surto, o marido colocou-a no carro a força e dirigiu para o precipício. O carro capotou diversas vezes até pegar fogo e carbonizar o casal.

- Mas e quanto a mim? – disse Marta, aterrorizada.
- O caseiro da Mansão amava muito sua mãe. Ao ouvir a discussão, foi até
seu quarto, Marta, e pegou-a no colo para que não chorasse. Viu o acidente da janela do quarto.
- Como o senhor sabe de tudo isso, Padre? Como pode ter tanta certeza?
- Sei porque eu era o caseiro. Eu sou seu pai, Marta.

Marta sentiu como se sua história inteira passasse pela memória. Flashes de sua adolescência, infância e nascimento vieram como um filme. Era como se tudo o que havia aprendido até aquele dia se esfarelasse e tivesse que começar outra vida, sem passado, sem referência. Seus planos, sua vontade de descobrir histórias a havia levado até aquela situação e agora não acreditava fazer parte de um de seus contos.
Padre Mathias tinha sido caseiro enquanto estudava no seminário e envolveu-se com sua mãe em um amor único e intenso. Viveram noites de prazer e loucura, seus corpos pareciam um só, uma mistura de alegria e dor que não poderia ter fim mais trágico. Marta não sabia o que dizer. Apenas lembrava do que o velho da loja de chocolates havia lhe falado.

- Depois da morte de sua mãe, perdi o sentido da minha vida, Marta. Entreguei você à adoção. Eles não tinham família neste país e então eu assumi a Mansão, que era a mesma em que viveu a Família Mrunswick. Amaldiçoado lugar. Mandei demolir e construir esta Igreja. A estátua que viu em frente, eu mesmo esculpi. Aqui onde está agora, foi o último lugar em que estive com sua mãe antes dela morrer, o único espaço da Mansão intacto. Estou morrendo Marta, e precisava lhe contar a verdade.

- E por que agora? Por que neste momento? Perguntava deixando escorrer lágrimas pela primeira vez em sua vida.
- Nunca tive coragem de reviver meu passado, filha. Apaguei as lembranças covardemente e não a procurei por medo de não insistir em minha missão para com Deus. Já havia muito pecado em minha vida e sempre me senti culpado pela morte de sua mãe. Agora, Ele me chama e não poderia ir sem antes lhe pedir perdão.

Marta sentiu enfraquecer as mãos de seu pai, enquanto via seus olhos fechando lentamente. Sentiu o vento soprar, apagando as velas na cabeceira da cama. Não prosseguiu com sua viagem, nem tampouco voltou a escrever.


Angelica Carvalho

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Carnaval Que Virou Velório


Taí era uma jovem que adorava Carnaval, inclusive ela nasceu no mês de fevereiro e sua mãe colocou-lhe este nome para homenagear uma marchinha carnavalesca homônima. Na sua época de bebê, em vez de escutar canções de ninar sua mãe cantava músicas de Carnaval para embalar o seu sono. Taí freqüentava os bailes carnavalescos da cidade desde os três anos de idade junto com suas amiguinhas e parentes. Ao completar dezoito anos, ela conseguiu a permissão dos seus pais para ir às festas sozinha. Naquele mesmo ano, Taí convidou suas amigas para participarem do carnaval do clube mais requintado da cidade e elas aceitaram. Como algumas meninas moravam longe, Taí combinou de busca-las na porta de casa.O tempo passou e o tão esperado dia chegou. Então a moça chamou algumas colegas para vestirem as fantasias na sua casa. Cristina vestiu-se de Fada Azul, Soraia colocou uma roupa de cigana e Taí ficou linda numa vestimenta de Carmem Miranda com direito à fruteira na cabeça. Assim as três pegaram uma “Kombi” e foram em direção à residência de sua amiga Sabrina, que também pegaria uma carona para o baile. Ao chegarem no local as garotas desceram do veículo e bateram palmas. A colega saiu da casa toda vestida de preto acompanhada de outras damas com roupas da mesma cor. Desta forma Taí exclamou:

- Toda coberta de preto?! Até parece que morreu alguém aqui.

Sabrina explicou:

- Pois, é... A minha avó faleceu hoje pela manhã. Por favor, eu ficaria feliz se vocês participassem deste velório.

Desta maneira as jovens entraram no local vestidas com fantasias de Carnaval. Assim todos olharam com cara de reprovação para as garotas. Deste jeito a anfitriã comentou:

-Amigas, tenho roupas pretas no meu armário. Por isto é melhor vocês tirarem os trajes carnavalescos e vestirem os meus vestidos.Bem, foi exatamente isto o que aconteceu. As colegas cobriram-se de negro e foram rezar ao lado do caixão com as outras mulheres.

De repente uma “van” chegou e desceram deste veículo cinco jovens com roupas diferentes: vestidos brancos compridos, fitas verdes com a imagem de Nossa Senhora no pescoço e véus de renda que cobriam os rostos. Estas moças agruparam-se junto ao caixão e começaram a cantar músicas sacras.Taí ficou encantada e disse para Sabrina:

- Que meninas maravilhosas! Quem são elas?

A amiga respondeu:

- Elas fazem parte de um grupo religioso chamado Filhas de Maria.

Taí, curiosa, indagou novamente:

- Elas são freiras?

A colega explicou:

- Não. Porém é como se fossem porque elas não podem namorar, nem freqüentar festas, devem aprender um instrumento musical junto com canto e precisam arrumar a igreja todos os dias.

Após a apresentação das Filhas de Maria, Taí aproximou-se da líder e manifestou seu interesse. No dia seguinte, esta carnavalesca não quis mais saber de festa nenhuma, pois estava disposta a entrar no novo grupo religioso que havia descoberto e foi isto mesmo que ela fez. Depois de um ano esta moça percebeu que fazer parte daquela equipe espiritual não era o suficiente para a sua alma e decidiu ir para o convento.Quarenta anos se passaram, Taí faleceu dentro da casa de freiras por causa de pneumonia, numa terça de Carnaval e deixou o seu diário para a amiga Sabrina, que não quis ir ao velório da colega. Pois preferiu ir a um baile carnavalesco. Naquele mesmo dia uma mensageira do convento entregou o diário de Taí para Sabrina. Então a mulher pegou o caderno nas mãos, abriu uma página aleatoriamente e lá estava escrito:

“-Tem pessoas que fazem da vida um eterno Carnaval adiando responsabilidades e vivendo no mundo da fantasia. Outras fazem da vida um eterno retiro, escondendo-se dentro de si mesmas. Eu, por exemplo, vivi o melhor Carnaval dentro de um retiro. Pois, no convento, ajudei pessoas a realizarem suas fantasias através das minhas orações e sempre quando cantava sentia que confetes de luzes caíam sob o meu espírito.”

Após ler estas palavras Sabrina foi a festa de Carnaval. Quando o relógio soou meia-noite ela viu numa mesa Taí fantasiada de Carmem Miranda sentada com sua falecida mãe vestida de preto. Deste jeito quando a moça aproximou-se destas criaturas, elas evaporaram-se. Mas em cima daquela mesa ela achou o seguinte bilhete:

“ Que na sua vida exista o Carnaval das alegrias. Porém que, também, viva os retiros das reflexões.”



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Paris Dos Sonhos


Aninha vai se casar daqui a três meses, e ainda não decidiu com seu noivo aonde irão passara lua-de-mel, como o casamento será em pleno dezembro eles precisam se apressar para comprar as passagens, porque a poupança que fizeram durante o longo noivado não é lá tão gorda. Precisam pegar um bom pacote já que o sonho de Aninha é visitar a linda Paris, se bem que Conrado seu noivo queria mesmo a Espanha com todo o ritmo latino mas ele sabe que por enquanto é um sonho...
- De amanhã não passa amor. Você está me enrolando há meses já é melhor irmos logo, não podemos passar de amanhã! Quero muito fotografar nas luzes da Torre Eiffel!
- Está bem benzinho, vamos amanhã mesmo. Mas tem certeza de que não gostaria de passar pela Espanha mesmo? Imagina nós dois num ritmo caliente rsrsr.
- Deus me livre Conrado! Já estou cheia desse ritmo caliente aqui do Brasil, gente sem etiqueta, falando gritado onde nada se entende... Bom mesmo é o glamour, a sofisticação e a elegância francesa...
E assim fizeram, no dia seguinte foram até a agência de viagens procurar pelos pacotes. Aninha queria no mínimo uma semana em Paris.
- Se for para ficar três dias eu nem quero!
- Lamentamos senhora, mas a proposta que vocês nos fazem não cobre nem mesmo 03 dias na França, nessa época do ano Paris é muito procurada os pacotes estão escassos e os preços logicamente sobem. Para falar bem a verdade nem mesmo passagens econômicas estão disponíveis, temos apenas a primeira classe... Já a Espanha, os vôos também já estão cheios nessa época.
- Isso é um absurdo! Conrado veja bem o que você fez! Economizamos três anos para nada, agora não posso realizar o meu grande sonho de vida porque você é um inútil eu ir para paris na lua-de-mel!
- Calma benzinho, podemos economizar mais um tempo e quem sabe dentro de um ou dois anos viajamos, apertamos daqui, seguramos dali e quem sabe...
- Você é um traste Conrado e além de tudo pobre! Bem que minha mãe me disse que o primo Jonas era um melhor partido para mim, tudo bem que é 25 anos mais velho, mas pelo menos me levaria até Paris.
- Para mim já chega Aninha, já foram quase quatro anos ouvindo a mesma ladainha de paris, que eu sou pobre, que não presto. Por que é que você está comigo então? Quer saber, vai atrás do primo Jonas!
- Calma amor, Conrado, psiu Conrado! Volta aqui! Estou falando para você voltar agora!
De nada adiantou, Aninha atormentou tanto que Conrado foi mesmo embora e com ele também foram o sonho de Paris e o próprio casamento bem ali na porta da agência de viagens.
Enquanto isso dentro da agência:
- Amiga você viu quem acabou de sair daqui?
- Não, eu estava atendendo, quem?
- A Aninha, aquela metidinha lá do bairro sabe? Que a mãe coitada sustenta ela e mais dois irmãos vendendo salgados de porta em porta.
- Sei sim, e o que ela queria aqui?
- Viajar para Paris acredita? O pobre namorado, que sempre teve de pagar tudo para ela, dando um duro danado como garçom e além de fazer empréstimo para financiar o casamento dos sonhos que ela queria, passou aqui ontem e me disse que tinha menos que R$1.200,00 reais na poupança além de estar todo endividado. Minha parte eu fiz, só tentei ajudar...


Fernanda Bugai

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tema da semana: Carnaval ou Retiro Espiritual

A Máscara

O local escolhido para o baile de Carnaval daquele ano foi a mansão de um dos sócios da marina onde Luis ancorava sua lancha. A casa havia sido restaurada com o objetivo de virar um cassino e uma casa de shows, mas o projeto foi embargado pelos moradores locais. Numa tentativa de aproximar-se dos vizinhos, o sujeito resolveu promover, na terça-feira de carnaval, um grande baile de máscaras open bar e todos estavam convidados.
Luís agradeceu o convite ao vizinho, com um aperto de mão quando encontrou-o no domingo à tarde na marina: ele e Ana até já haviam providenciado as máscaras, porém, envolvidos com os preparativos do casamento, estavam com a adrenalina a mil, muito cansados e decidiram que ficariam sozinhos em casa, para descansar.
Na terça-feira de Carnaval Ana preparou um jantar para Luis, caprichou na apresentação dos pratos, na decoração do ambiente e na escolha do espumante, mas lá no fundo, bem intimamente, o sentimento estava mais para marcha fúnebre do para marchinha carnavalesca.
Nos últimos tempos Ana já não tinha mais certeza se queria casar-se; nem com Luis, nem com ninguém. A data do casamento estava se aproximando e esse sentimento que apertava o peito, aumentava a cada dia que passava e ela não sabia como lidar com a dúvida e a angústia. O jantar daquela noite era uma tentativa de alguma coisa que ela não sabia exatamente o que era, mas ela precisava tentar.
A discussão começou quando estavam decidindo o menu do casamento; foi aumentando e trazendo à tona sentimentos de raiva e mágoa originados na época em que passaram seis meses separados, quando Ana descobriu que Luis estava de casinho virtual com a colega de trabalho. Até aquela noite não lembravam mais que estes sentimentos existiam e agora um jogava na cara do outro as falhas, a negligência com a relação, as mentiras e a traição.
Em um segundo, com um grito de “Para mim, chega!”, Ana arrancou a aliança do dedo e atirou-a no chão. Surpreso e sem saber muito bem como reagir diante da agressividade da noiva, Luis passou a mão nas chaves do carro e saiu em direção a cidade. Precisava esfriar a cabeça para não fazer bobagem.
Ana achou que um banho a acalmaria e foi até o quarto para escolher uma roupa leve e confortável, quando viu no canto da cômoda do quarto, as duas máscaras escolhidas para a festa na casa do vizinho da marina.
Pegou sua máscara, encaixou-a no rosto e olhou-se no espelho: não sabia mais quem era e precisava descobrir. Num impulso, pegou a roupa escolhida para o baile no armário, trocou-se e saiu. A festa era próxima dali, as ruas do condomínio da marina eram bem iluminadas e ela poderia ir caminhando.
A mansão estava toda iluminada e colorida, a festa estava linda, todos os convidados usavam suas máscaras e dançavam alegres as marchinhas tradicionais de Carnaval. Garçons serviam bebida e canapés à vontade na beira da piscina e uma bateria de escola de samba animava o resto do evento.
Ana logo entrou no clima e misturou-se à multidão para beber e divertir-se com os amigos. Dançou até seu corpo cansar e pulou na piscina com o restante do pessoal para refrescar-se.
Quando saiu e dirigiu-se ao balcão para pegar uma toalha para secar-se, sentiu que alguém a pegava pela mão. Não podia identificá-lo, pois ele também estava usando máscara, mas deixou que ele a guiasse, sem importar-se aonde iriam.
Entraram de mãos dadas na casa, subiram as escadas que levavam para o segundo andar e o mascarado levou-a para o que parecia ser uma sala de estar, pois estava escura e não conseguiam enxergar um o rosto do outro. Ali, passaram algumas horas transando, envolvidos pelo clima, sem tirar as máscaras, deixando de lado a festa que continuava lá fora.
Ana decidiu voltar, vestiu-se e desceu para a festa. O relógio de parede marcava 3 horas da manhã e a animação com certeza iria até o amanhecer. Ana estava com vontade de ficar até o fim da festa e assistir ao amanhecer na beira do Guaíba, mas decidiu retornar para casa.
Chegando, viu que o carro de Luis já estava na garagem. Silenciosamente, entrou em casa, subiu ao quarto e despiu-se lentamente, para não acordar o noivo.
Olhou-se novamente no espelho, o mesmo espelho que antes refletira sua dúvida em estar tomando a decisão certa, tirou a máscara, colocando-a no mesmo lugar de onde a tirara e deitou-se ao lado de Luis. No criado mudo, ao lado de sua cama, estava sua aliança, colocada cuidadosamente por Luis quando chegou em casa.
Sorriu e adormeceu com a certeza de que amanhã seria outro dia.


Karime Abrão

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Continua Lindo


Chegou! Eis o momento das tão esperadas e deliciosas férias. Já podia imaginar a vista lá de cima da cidade mais linda que temos no país.

E foi rápido... frio na barriga, uma tontura.. ai, que medinho de avião... e logo chegamos ao Rio de Janeiro, que sim, continua lindo.

O ar do Rio me deixa leve, me sinto tão bem lá que pareço estar em casa. Astral, sol, movimento. Muito movimento. De cara nos jogamos num bloco de carnaval de rua que chamava “Imprensa que eu gamo”, de uns jornalistas. Engraçadinho né? E olha, “imprensa” mesmo, mulher sozinha lá é alvo fácil. Esses cariocas são mesmo muito espirituosos. Dançamos, bebemos, rimos e muito... primeira etapa da viagem concluída com sucesso.

Domingão é dia de jogo de bola... tivemos a sorte de assistir ao jogo mais tradicional no Maraca, Fla x Flu! Maneiríssimo, falando na língua dos naturais dessa cidade. Emocionante, vibrante e alucinante. A torcida, os caras no campo... e viva o rubro-negro. Mandou muito bem numa vitória por 5 x 3, e de virada, que é bem mais gostoso. Que fim de semana perfeito. Ainda tínhamos a semana toda pela frente e bastante histórias pra viver.

Ah, pra não dizer que não levei um susto, perto da bilheteria rolou um momento sinistro. Malandragem correndo e policial distribuindo cassetada na moçada. Não entendi o que aconteceu, mas uma carioca flamenguista que nos acompanhava explicou: “tá correeendo, é porrrque feix merrrrda”. Ok.

Começamos a semana, fizemos uns roteiros para que tivéssemos tempo e oportunidade de conhecer vários lugares e aproveitar bem os momentos. Nos misturamos ao dia-a-dia da cidade, mas não deixávamos de ser turistas, não tínhamos pressa, férias.

Artigos obrigatórios: água, sempre e toda hora, protetor solar, sempre e toda hora e paciência, não diferente dos outros itens, ilimitada. Acompanhante constante: suor.
Andando ou de ônibus, partimos para nossos passeios sempre com a câmera na mão pra não deixar de registrar as visões que tivemos daquele.... caos.

Sim, com todo respeito, aquele cidade é de loucos. Motorista de ônibus é sem noção alguma, motorista de carro, insano, de táxi, bem, nem preciso falar. Buzina? Caraca, é toda hora, todo momento, parou? Demorou? Diminuiu? Béééééééééééééééééééééééé, bé, bé bé!!! Cara, muito engraçado. É tudo muito rápido, agilizado, não tem tempo de pensar, tem que se mexer, vamos, mexendo, movendo!

Acho que sou mesmo ligada na tomada, por mais que achasse aquilo tudo um pouco fora dos padrões que estou acostumada, gostei da loucurinha. E as pessoas são mesmo diferentes. Povo lá tem força, tá sempre animado, alegre. Isso dá gosto.

Enfim, vamos voltar um pouco à rotina de turistas. O melhor passeio da viagem, e mais gringo, sim, foi o Cristo Redentor. Que bacana, puta vista. Vamos tirar muitas fotos. Não. Não vamos. Acabou a bateria da câmera. Puta que..... casseta. Deu pra tirar uminha só. Tá ali em cima. Ficou boa né? Fazer o que? Bola pra frente e a vista fica na memória. Cara, quanto gringo de braço aberto. Meu Deus. Bah, curtimos e saímos correndo de lá. Partimos pra mais um bondinho, passando por cima do Arcos da Lapa e descemos em Santa Teresa. Lugar simples, mas muito charmoso, restaurantes e lojinhas muito interessantes pra conhecer. O calor humano, sempre.

Chove gente lá, Rio de Janeiro, que em fevereiro, tem carnaval.... não sei onde cabe tanto, tem em tudo que é parte. Na rua, na praia, no bonde, nos pontos turísticos. Tem é muita gente no mundo, né?

Minha semana foi assim, pra dormir, pra acordar, calor. Suor, cerveja, água, vistas maravilhosas para todo o lado. Amigas queridas, momentos gostosos, companhia e bons passeios com meu amor. Só não digo que foi Lua de Mel porque não dava pra se encostar, calor!

Teve até o dia de carioca, em casa, no ar condicionado. Último dia de praia foi delícia. Batia um vento, o mar era calmo, tínhamos guarda-sol, cadeiras de praia e até garçom. Deu pra tirar uma soneca. Fechou com chave de ouro.... ah, e passamos pela Rocinha pra dizer que participamos de tudo. Assustador de grande. Mas é, é assim mesmo.

Na volta pra casa, mais frio na barriga, pra Curitiba não é de se admirar que tenham mais nuvens no céu, e pra mim, elas são sinônimo de turbulência. Meu querido, esse aí mesmo, junto com o Cristo, quase arrancou o encosto de braço da cadeira que estávamos. Virgem Santa, acho que a gente vê muita TV. Mas deu tudo certo. A viagem foi bacana, deliciosa, como nenhuma outra. Rio 40 Graus existe e será inesquecível.

Ver outras coisas, outras pessoas, sentir outro clima, viver diferentes dias. Tudo isso é de verdade muito bom, é natural que tenhamos saudade dessa realidade, mas é participando dessas diferenças tão gritantes que percebemos certas coisas, pensamos, valorizamos e consideramos o que em outra situação talvez deixássemos passar.

É bom estar em casa. Essa passagem rápida em outro cenário, tão vivo e intenso, com certeza me encheu de energia e me fez trazer comigo coisas boas pra minha vida.
É bom sair por aí, é bom poder voltar e o mais importante é ter a oportunidade de carregar conosco muito mais que apenas lembranças.



Liliana Darolt

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Esse Tal De Beijo Técnico


Tem como comer chocolate e não sentir prazer? Indagação paralela se passa na cabeça de qualquer telespectador na hora em que vê aquela atriz exuberante beijando aquele galã irresistível. Segundo os profissionais de dramaturgia, nesses momentos o ator e a atriz recorrem ao chamado "beijo técnico", que é um colar de bocas de mentirinha, só pra enganar a plateia - na verdade, eles não estão beijando, e sim encenando, fingindo. Em outras palavras, é uma união de lábios que só parece ser para valer, mas que na verdade é fria e com fins estritamente profissionais. Mas como se para praticamente todas as escolas de teatro (começando por Constantin Stanlislavski, considerado o maior de todos os mestres na área) afirma-se que o ator precisa saber sentir para passar verdade na interpretação? É possível beijar sem sentir? E ainda por cima convencer a audiência? Afinal, existe mesmo o tal "beijo técnico"? Para tirar a teima, a indagação sobre o beijo “meramente profissional” foi feita a uma atriz, Ana Paula Taques (foto), que já o provou em cena de peça dirigida por Silvia Monteiro: “A Vida Como Ela Era” (o grupo de teatro tinha o sugestivo nome de The Virgens Again). Antes que alguém pergunte, não, a peça não era baseada na obra de Nelson Rodrigues, embora parafraseie o título de uma série da Globo inspirada em contos do autor. Ana participou de diversas peças, comerciais e filmes, mas nos concentremos no espetáculo cujo momento de clímax era o tal “beijo técnico”. Confira o que a Ana tem a declarar sobre este grande mistério da humanidade.

Como era o beijo dado em cena?
Era um beijo de namorados, nada caliente. Um beijo roubado. Minha personagem esnobava e era assediada até que o beijo aconteceu.

E foi bom pra você?
Ahhhh... não fez a minha cabeça. Eu não me envolveria com aquele ator.

E se fosse um Brad Pitt?
Ahhhh... não sei. Daí eu ia querer atacar (risos).

Certo, então você admite que o beijo técnico não é tão técnico assim?
Então, vai depender de o quanto o ator faz a sua cabeça na vida real.

Ou seja, o beijo técnico se torna menos ou mais técnico dependendo do grau de atratividade de quem contracena?
É.

Se você tivesse um namorado ator, o deixaria praticar beijo “técnico” com uma Angelina Jolie da vida?
(pensando)
(ainda pensando)
Ah, ficaria possuída. Não. Ficaria mal. Ah, não, ficaria... ficaria com muito ciúme. Ficaria com muito ciúme.

E se você tivesse de fazer um beijo técnico com um Brad Pitt da vida e seu namorado dissesse para você não fazê-lo, o que você faria?
(pensando)
(ainda pensando)
(zzzzzzzzzzzz...)
Ah, se a gente estivesse bem... eu acho que eu respeitaria. Mas... se o trabalho fosse importante... e eu tivesse que sustentar a casa... com certeza, beijaria.

E amasso técnico existe?
Não.

E sexo técnico?
Ai, pergunta meio esquisita essa, não vou responder.

A partir desse momento, a entrevista entrou em um ponto de tabu e simplesmente travou. O assunto é realmente confuso. Em um dos episódios da série “Friends”, um dos personagens, Chandler, começa a namorar uma atriz e convida seu amigo Ross a irem ver uma peça na qual ela atua, o que se torna um programa constrangedor devido ao beijo “técnico” dado pela garota em outro ator. Há o caso real de uma atriz curitibana cujo marido nunca ia assistir a suas peças, mas respeitava a profissão da esposa, até o dia em que resolveu fazer uma surpresa comparecendo ao teatro e levando consigo um belo bouquet de flores para presenteá-la, mas ao ver sua querida passando por um “encochamento técnico” em cena, distribuiu buquetzadas na audiência e fez um escândalo que obrigou o espetáculo a ser interrompido. Bem como seu casamento. Outro caso real se passou durante as gravações do longa metragem “Corpos Celestes, na boate “Taboo”: um dos diretores (Fernando Severo, que co-dirigiu com Marcos Jorge) pediu a uma atriz para beijar um figurante que não era ator, o que não funcionou muito bem, já que a atriz ficou embaraçadíssima. O figurante não.

Enfim, falar em “beijo técnico” é mais ou menos como discutir sobre os atos ilícitos do Bill Clinton: “tecnicamente” ele não fez sexo (afinal, não houve penetração); “tecnicamente” ele não fumou maconha (afinal, não tragou o baurete); e “tecnicamente” a população acreditou. O mais irônico é que hoje ele é um dos que mais praticam em público o “beijo técnico”. E na própria esposa.


Mario Lopes

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Rápido Retrato Urbano Em Prosa


O destino parecia ter pregado uma peça em todos nós dentro desse ônibus. Estávamos enclausurados e sem nada para fazer, a maioria com apenas a companhia da própria mente. Nem mesmo podemos observar as pessoas que passam lá fora, em plena liberdade, pois os vidros das janelas que nos prendem estão embaçados, e a única visão possível é a de um jogo de luzes de diversas cores, sem forma e de difícil compreensão. Eu estou em pé no meio do ônibus, com ambas as mãos segurando o apoio, me equilibrando como uma surfista iniciante treinando na areia. Os bancos pretos, já com manchas brancas descascadas, apesar de estarem todos ocupados, estão visivelmente molhados, e derramam uma lágrima no piso a cada instante.
Talvez o motivo para ninguém gostar de situações como essa, é porque ficam sozinhos com seus pensamentos. Nesse ônibus, todos buscam um meio de não ter que aturar sua própria presença seja por meio do celular, MP3, jornal ou até mesmo com um grande pirulito, na mão de um homem já adulto, que parece não se importar que os outros o olhem e o chamem de louco apenas por tirar do escuro o seu lado que ainda não cresceu. A mulher sentada bem ao meu lado exala um delicioso perfume com um toque amadeirado e, combinando com a fragrância fresca, usa um conjunto floral esverdeado. Uma exceção no ônibus parece perdida em seus pensamentos, com um sorriso estampado no rosto e os olhos negros brilhando como a lua. O menino de cabelo espetado, sentado no último banco, possui um fone em cada ouvido e com os olhos fechados, balança a cabeça num ritmo frenético, como uma criança concordando ironicamente com as recomendações do pai.
A menina loira em pé na minha frente fala em tom alto e exagerado, tentando chamar a atenção de um rapaz sentado logo atrás dela. Os outros passageiros, utilizando diversas técnicas, fogem de si mesmos, e assim como ocorre nos sonhos, correm, correm, correm e não conseguem sair do lugar.





Letícia Mueller

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O Circo E A Pequena Maria


De todas as culturas, todas as cores, todas as alegrias e temores Maria não conhecia ainda o que a fizesse mais feliz que o circo. Feliz no sentido de esquecer todo o resto e estar somente ali. Vou contar e você pode comparar e ver, e se deixar levar pela diferença.

Maria foi a um circo quando era bem pequena. Mas não ligava não. Seu lugar preferido mesmo eram parques de diversão. Lugar comum a vários públicos, com espaço pra correr, brincar. Muita gente ia ao “parquinho”, como docemente chamava. E essa mistura era o primeiro sinal de que seu pai não a levaria lá de novo tão cedo. Era divertido pra ela, mas um estresse pra ele, ter que ficar se batendo entre a multidão, lutando por um espaço e não podendo tirar os olhos da filha. Além disso, se chovia, não tinha parquinho. E lá se ia o domingo tão esperado, tão idealizado, em uma pequena decepção, a primeira desilusão, a segunda, a décima. Afinal, chuva não acontece apenas uma vez na vida, vem sempre. Algumas vezes mais forte, outras, mais fraca. O bom é que sempre passa, ainda que demore.

Um pouco mais moça, outra opção era o cinema. Adorava ver filmes. Os que mais gostava eram os dos Trapalhões ou as comédias infames que sempre tinham os textos ruins, mas uma interpretação única dos atores palhaços. De “Os Três Patetas” até “Porky´s”, passando da infância à adolescência, o cinema trazia, também, desagrado aos seus sentidos; cheirava a mofo e a sala era escura demais pro seu gosto, tinha um pouco de medo do que não podia enxergar. Em geral, esse medo vem mesmo junto com os hormônios e com a obscura idéia de que você não sabe nada sobre o que vai querer fazer da sua vida. Ou se sabe, prefere manter o segredo e a incerteza.

O teatro apareceu já quando Maria era adulta. Como no circo, atores, palco e luzes. E o bom é que o teatro estava sempre ali. Só mudava a peça, o local era o mesmo. Maria podia escolher o que ia ver, então achou que seria então sua opção. De vez em quando, via as histórias clássicas com seus personagens bem caracterizados, cenários luxuosos e música vibrante. Drama, comédia, ou ópera, tanto fazia, desde que ela estivesse lá. Prestava atenção sempre na história, pouco se apegava a quem a contava ou interpretava. Exatamente como alguém que passa anos na mesma rotina de vida, se acostuma com ela e depois de um tempo nem sabe mais porque está vivendo aquilo.

Estava cansada, começou uma busca por algo diferente, até que descobriu que Stanislavski, o “pai” do realismo, a atraía mais. Sua técnica em que a base era o ator, somente o ator e nada mais que o ator despertou na pequena Maria o “ser” e deixou de lado finalmente o “estar”. Stanislavski chegou e Maria partiu. Percebeu que o teatro era feito de momentos que não eram os seus; e que sua vida até poderia ser uma peça, mas que no final o que seria realmente importante não seriam os cenários, as luzes ou a música que não representavam nada sozinhos. O ator, a atriz, esses sim eram importantes, eles determinavam todo o caminho.

Maria já tinha aprendido muito. Em seu tédio particular, e já cansada de tanto brincar - já se iam os 30 e poucos anos - passava um dia pela rua movimentada da grande cidade. Olhou para o alto e viu uma enorme lona colorida, com bandeirinhas em pontas de mastro e cordas que a esticavam firme no chão. Do lado de fora, alguns traillers e caminhões, um carrinho de pipoca e outro de algodão doce. Do lado direito uma placa que anunciava: “Espetáculos às 16h00, 18h00 e 20h30”. Não havia muitas pessoas por ali, olhou no relógio e notou que eram 17h00. Lembrou que em um dos seus passeios de menina, foi a um circo e um sorriso despontou. Resolveu entrar e ver o que o show apresentava.

Tecidos coloridos que vinham do alto do picadeiro até o chão desenrolavam-se trazendo artistas dançarinos. Luzes coloridas iluminavam o centro. Chegou a vez dos trapezistas, dos malabaristas, do mágico e dos palhaços. Ah, ela nunca lembrou tanto da infância como quando assistiu aos palhaços. Seu ar de deboche, sua cara pintada, roupa de cetim toda desgrenhada. Não viu o tempo passar e aplaudia mais e mais até olhar pro lado pra contar sua euforia a alguém. E percebeu-se praticamente sozinha. Olhou novamente pro centro do picadeiro e viu o palhaço afastar-se para trás das cortinas, não sem antes a agradecer com um sorriso triste. Jogou-lhe uma flor de plástico e saiu. Ao passar os olhos a sua volta, não sentiu solidão maior, ao perceber que não poderia compartilhar o que mais ninguém entendia, a não ser ela e aquele palhaço.

Poucas pessoas, do tempo de Maria, freqüentavam o circo. Algumas, por não ter mais interesse, outras por não ter oportunidade. Ainda, as que não tinham tempo, as que deixavam pra outro dia, as que tinham “coisa melhor” pra fazer. As que nem sequer conheciam ou imaginavam. A vida passará a essas pessoas como passou por muito tempo para Maria. “No teatro vai muita gente, no circo não vai ninguém”. Concluindo isso, Maria soube que estava no lugar certo e que já tinha encontrado, no mesmo lugar onde já havia estado quando bem pequena, o que buscava tão longe.

Maria viveu até os 92 anos. Levou consigo apenas sua flor de plástico.

Prestigie o Circo: http://www.circodossonhos.com/Circo_dos_Sonhos/Home.html





Angelica Carvalho

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A Dança Flamenca E A Coordenação Motora



Aos cinco anos tive meningite, o que me resultou em certas seqüelas, como: pequenos problemas de coordenação motora.
Os médicos aconselharam-me a fazer Dança Flamenca para melhorar a minha coordenação. Por isto, até o ano passado eu freqüentava as aulas de Flamenco do SESC, que tinham preços bons. O problema é que a professora não renovou o contrato e o SESC pensa em acabar com esta modalidade de atividade física.
Por favor, vamos mandar mensagens para que o SESC não acabe com as aulas de Dança Flamenca. Para isto enviem suas mensagens no link abaixo:

http://www.sescpr.com.br/e_contato.php


Luciana do Rocio

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Visões Celestes



Quem não queria poder ter visto o nascer do sol de cima de uma montanha
E o pôr sentado em cima de um prédio alto
Ver o primeiro sorriso de uma criança ao nascer
E o primeiro abrir de olhos para o mundo
Quem não gostaria de contemplar momentos perdidos que não registramos
A onda mais alta que nem vemos do oceano
Ver todos os animais nadando nas águas
Como se tivesse uma visão de uma água clara e límpida
Ver a primeira estrela surgindo no céu
Ou Deus fazendo um milagre no doente
Ver o nascer das flores e o crescimento todas as plantações
As almas indo para o céu, contemplando o paraíso
As lagartas virando borboletas
A gota caindo do orvalho
E tudo isso vi
Cada detalhe daquilo que nem podia
E então, lá das nuvens, deitei
E voltei a dormir.

Bianca Nascimento

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Semana de Tema Livre

Forno Verão Alegre


Dia 11 de fevereiro termina mais uma edição do Porto Verão Alegre
( http://www.portoveraoalegre.com.br/ ); evento que há 11 anos oferece aos gaúchos durante um mês, o que há de melhor em teatro adulto e infantil, música, artes plásticas e gráficas, cinema e outros espetáculos.
Neste ano, o evento iniciou-se em 12 de janeiro trazendo espetáculos divertidíssimos como “O guri de Uruguaiana” de Jair Kobe, “Se meu ponto G falasse”, dirigida por Julio Conte, “Homens de Perto”, “Primeiro as Damas” e o sensacional, “Manual Prático da Mulher Moderna” de Patsy Cecato. Mostras de vídeo, literatura e outros tantos eventos, também tornam a capital gaúcha uma alternativa cultural para quem não tira férias ou não vai à praia neste período.
Mas sem dúvida, o assunto da semana passada, foi os termômetros que registraram o recorde de 43ºC nas ruas do Rio Grande do Sul; e tudo indica que esta semana o assunto continuará o mesmo. Desde 1961 que não se tinha notícias de temperaturas tão elevadas aqui no Estado.
O calor foi tanto, que na web a notícia correu solta (inclusive no exterior) e a capital foi considerada a cidade mais quente do mundo, apelidada “carinhosamente” de Forno Alegre . A temperatura infernal do dia, seguida pelo tradicional temporal de final de tarde, provocou falta de água e energia elétrica, estragos na agricultura, alagamentos e prejuízos aos comerciantes de produtos alimentícios e sorvete.
Nas lojas de eletrodomésticos, as vendas de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado estouraram. Os profissionais que instalam os aparelhos, não têm mais horários disponíveis e quando os têm, cobram até R$400,00 a instalação.
Para a semana que vem, a previsão do tempo é de chuva e a entrada de uma frente fria para acalmar os ânimos da gauchada no Carnaval. Assim como no inverno o clima fica “quentinho” quando a temperatura chega aos 15ºC, frente fria no verão aqui no Rio Grande, é quando os termômetros marcam “somente” 28ºC.
É calor de derreter cusco...


Karime Abrão

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Em Meio



Em meio a homens-carros, fumaças inebriantes e relógios acelerados, estava eu, tão insignificante quanto todos os outros que passavam por aquelas ruas do centro, cada um no seu ritmo, com seus pensamentos e problemas, indo provavelmente, para lugar nenhum. Os pés, em sapatos, chinelos, sandálias e descalços, passavam feito uma manada pelas calçadas gastas e centenárias, devastando paralelepípedos e meio-fios. Cada um tinha o seu horário, mas o conjunto de todos, aquele povo que se movia em ondas aleatórias sem direito a pausas, não tinha direito a nada. Alguns andavam de cabeça baixa, outros, ouvindo música, pareciam distraídos e alheios ao mundo, mas eu tenho certeza, que até o coitado do mendigo, que já não tem nada a perder, teme o perigo iminente e sempre a espreita. Existe sempre um inimigo “natural” esperando por você na próxima esquina, seja você um advogado, um gari, um bandido ou um policial. Um teme o outro, o outro teme aquele um, e todo mundo teme a todo mundo, sem parar.
Avisto o lugar onde estacionei meu carro há 8 horas, no início do expediente. Hoje tive sorte em achar uma vaga, apesar de que no fim, acabada sendo tudo igual. As ruas mudam, mas as pessoas e o fim de tudo isso, serão sempre os mesmos.
Sinal fechado. Eu estou na frente, olhando para a luz vermelha que inconscientemente salva a vida daquelas pessoas otimistas que atravessam as ruas despreocupadas. Psicopatas não acreditam em sinais. Muita gente já deve ter morrido assim.
O sinal demora. Olho para frente para ver se tenho como escapar. Há um rapaz na calçada tentando olhar para dentro do meu carro. Talvez esteja pensando em roubar minha bolsa, ou quem sabe esteja só olhando para mim. Não há como saber, estou sozinha nesse carro e na vida, não confio em ninguém. Porém, um surto de coragem me faz erguer um pouco o rosto e olhar para seus olhos, rapidamente.
Que belíssimos olhos. Tão grandes e profundos. Eu poderia ficar horas olhando para eles, decifrando seus enigmas, adivinhando seus pensamentos. Os olhos e o rosto, ao mesmo tempo masculinos e harmônicos, calam o mundo ao redor e parecem fazer ecoar uma eternidade nunca vista e inexplicável. E ele me olha, misterioso, sem me deixar entender o que se passa em seus olhos de anjo. Não entendo, mal tive tempo de observá-lo e já fui tomada por esse poder furtivo. Ele me tirava de meu mundo, sem nem ao menos piscar ou mexer os lábios. Eu fui enfeitiçada.
O sinal abre. Ouço sons estridentes e longos distantes, como se eu estivesse do outro lado de um túnel. Percebo que não passam de buzinas atrás de mim, dos impacientes homens-carro e... o homem ao meu lado está fazendo sinais, pedindo para eu estacionar ao lado.
Não consigo entender. O rapaz é realmente bonito, mas ele não pode estar pensando que eu pararia para falar com ele. Que audácia, ele continua a me fazer sinais para eu parar na próxima vaga. As buzinas atrás de mim não me deixam pensar.
Não posso parar o carro, a questão é essa. Não só pelo perigo, mas também por que isso tudo não durou mais que 5 segundos. Eu apenas olhei em seus olhos e achei-os bonitos, contagiantes, hipnotizantes. Talvez eu nem parasse nem por uma amiga, quanto mais para um homem desconhecido. Não há como saber quais suas verdadeiras intenções. As buzinas não se esgotam e nem ele pára de gesticular.
Vejo os outros carros desviando o meu e o engarrafamento que estou causando, enquanto o Homem está na calçada, tranqüilo, me olhando profundamente e quase implorando para eu parar o carro na próxima vaga.
Ele é realmente charmoso, mas não posso fazer isso. Engato a primeira e arranco, deixando buzinas e o homem para trás.
Que audácia, só porque eu o olhei por alguns segundos.
Eu nunca pensaria em parar para ele, em falar com ele, em olhar para ele. Um mero pedestre, esperando para atravessar a rua ... nunca.
No fim do mês, junto com uma multa especial e constrangedora, ela recebeu um pequenino bilhete, onde se lia, escrito em letra corrida:
É uma pena, eu nunca te pararia.
Todo o dia era assim, talvez desde que inventaram o semáforo.


Letícia Mueller

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Dar Ou Não Dar?


Tu está lá, linda, cheirosa, vestido novo, sapato mega fashion num salto 10, prontinha para sair com aquele gato maravilhoso, aquele mesmo que tu conheceu no barzinho no último final de semana e que estava morrendo de vontade de sair com ele. O cara te liga na semana, te convida para sair e tu liga histérica para marcar depilação, manicure, cabelereira, etc. Depois de tudo providenciado, já vestida e maquiada, liga para tua melhor amiga e pergunta: “Ai, guria... Vou te dizer como estou vestida e tu me diz se tá ‘too much’, ok ? Não sei se vai rolar algo mais e muito menos, não sei se dou. Dou ou não dou, hein ?”
A amiga, nestas horas normalmente não ajuda muito, porque como tu, ela também tem piti feminino: “Ai, mulher....no livro do Sex and the City diz que os homens perdem a tesão pelas mulheres que transam com eles no primeiro encontro, e que precisamos esperar até três saídas com eles para dar.”
Pronto, desaba o mundo. Desliga o telefone e começa tudo do zero: tira aquela lingerie vermelha m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a que custou R$150,00 e coloca uma calcinha super velha. Assim, não há perigo de querer dar. Pô, com a calcinha velha, vai rolar constrangimento em tirar a roupa e assim, ufa! tu não vai querer dar. Isso, ótima idéia!
Cinco minutos depois de toda esta movimentação de guerra, o celular toca e é a amiga de novo: “Ai, guriaaa.... tava pensando: capricha na lingerie, tu não pode perder a oportunidade de transar com este gato maravilhoso. E além do mais, homens detestam mulheres que fazem cú doce, que ficam se fazendo de ingênuas, quando na verdade, estão loucas para dar.”
Pronto, ferrou de novo. Tu fica ali, parada na frente do espelho, brincando de estátua e começa a enxergar as celulites, os quilinhos a mais, as estrias e se auto-flagelando psicologicamente: “dou ou não dou....dou ou não dou....?”
Sexo é isso. É bom, mas domina. Domina a mulher que existe dentro de ti, fragiliza, eleva, mas escraviza. Tu fica ali, estática, escrava da tua auto-estima, pensando que é livre e auto-suficiente, mas tudo isso é ilusão quando se trata de sexo, porque na real, o que tu mais quer é agradar o pretendente e ser desejada.
Se não transar com o cara, tu é uma enjoada, está fazendo cú doce. Se transar e no dia seguinte ele não te ligar, vai correndo no banheiro pegar o kit colherinha, para cortar os pulsos bem devagarinho, afinal de contas TU DEU PRÁ ELE! E o pior: ele pode não ter gostado.
Ah, como é difícil ser uma mulher moderna! Ou tu resolve que não vai abrir as pernas por nada no mundo e ele não liga justamente porque tu fez o maior cú doce, ou tu decide ceder à tentação e transar como o gato no primeiro e encontro, arriscando ele não te ligar mais da mesma forma.
Sabemos que não podemos nos oferecer como docinhos em bandejas, mas também sabemos que o melhor da vida é aproveitá-la da melhor forma: fazendo o que temos vontade.
Como achar a medida certa entre uma coisa e outra ?
Não sei, amiga... se soubesse, o conteúdo deste post seria outro.


Karime Abrão

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mapa Astral


Fiz meu mapa estral esta semana. Motivo? 2010 está passando e vai que por encanto alguém aclara os meus caminhos. Resultado: não tem resposta pronta. Tudo que eu quiser pode acontecer. Como? Autoconhecimento. Sei, mas o caminho, me dê a trinha! Trabalho, vá atrás, descubra-se, amadureça, se empenhe.
Novidade? Nenhuma. Fala sério que eu não sabia! Quem disse que tudo vinha pronto. Pois é, aí que alguém tem que dar o chacoalhão e lembrar, de vez em quando, que a vida me pertence. Que preguiça... nada cai do céu. Eu não sou um ser abençoado pelos deuses, que mereço o mais alto dos pódios. Igual a todos, diferente de todos.
Maldita, ou bendita, imaturidade! Maldito ego! Por falar em imaturidade, como ela cansa! Eu não vim com manual?
Saí de lá com a certeza de que já sabia, com a esperança de que consiga, um dia, entender como penso e porque penso assim. Enquanto a maturidade não chega (se é que vai chegar), o caminho é o maior desafio. E pensar como ele é bom e eu esqueço disso. Não vem pronto. Cada dia um questionamento, uma queda, um recomeço. Você está certo, amigo: enquanto busco, cresço, aprendo, vivo. Obrigada! Até 2011.


Helô B. Horjez

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Oi, Tá Falando Comigo?



Bom dia. Estou dando bom dia e já está muito bom, eu acho. Porque eu acabei de retornar de férias e manja quando você não tem nada na sua cabeça porque provavelmente esqueceu seus neurônios lá naquela ilha no meio do Atlântico, naquela baladinha perfeita, com aquele gatinho perfeito e dentro daqueles dez copos perfeitos de ... o que era mesmo que eu tava tomando? Whatever... me dou ao direito de fazer um doce sabe, porque tenho preguiças baianas ainda. Dia Mundial do Doce pra mim. O que importa é que eu tô mesmo sem o menor saco de contar como foi minha viagem... Tá, eu conto, vai.

Saí daqui, peguei um avião, fui pra lá. De lá peguei outro avião e fui mais além e até a metade desta história todo mundo, com certeza, saberá onde é lá. Fui com pessoas conhecidas e conheci gente nova também. Desembarquei e de cara já fui me enturmando com a galera local. Eles, os locais, todos pretos, de sol ou de raça mesmo e eu... bem, eu, daquele jeitinho sulista de ser. Uma cerveja e um acarajé apimentado pacas marcaram a chegada. E sinceramente, acho que estão marcando até este momento, bah, comidinha quente.

Fomos pro hotel, até que era bonitinho. De frente pro mar, com uma piscina bacana, do lado de um restaurante legal, palmeiras ao vento, carros parando pra você passar... A noite a gente sempre tomava uma cervejinha, imersos naquela água quentinha... É, até que era bonitinho o hotel.

Nem tudo são flores e a realidade local começou a entranhar quando resolvemos conhecer a cidade andando de “highway to hell” que, pelo apelido carinhoso que colocamos, já dá pra imaginar o nível do transporte público local. A informalidade de alguns cidadãos foi algo marcante, do tipo motorista de ônibus de regata e chinelo de dedo. Nunca vi tanta gente, em sua maioria sem educação infelizmente. Nunca vi tanta água do mar (essa era bonita), nunca vi tanto artesanato (tinha tanto que até vendiam), nunca vi como as pessoas amam fazer turismo e como os vendedores ambulantes amam essas pessoas. Praias paradisíacas, centro histórico interessante e enjoo básico de tanto andar de barco, visitando as ilhas que tem por lá. Poderia ter sido uma viagem chata, mas estar entre pessoas queridas valeu a pena. É, até que a paisagem ajudou sim. Tá, tô fazendo um doce, foi bonita a viagem vai.

Mas, voltando ao retorno - ótimo isso, voltar ao retorno - meu Deus, como é difícil retomar as atividades né? Você tenta se concentrar, olha pra tela do teu computador e só o que consegue enxergar são aquelas bolhinhas, daquele espumante, naquele barco, com aquele sol... enfim, você não consegue mesmo pensar. Até ensaia um interesse pelas correspondências da sua caixa de e-mails, mas quando olha pro lado nota que seu chefe nem está ali pois saiu de férias e daí sim, foi pro espaço sua dedicação.

O próximo passo é ficar uma semana repetindo a cada ser que encontra a mesma história sobre tudo o que viveu ou tentou viver na viagem. E então você está na metade da narrativa e tem que voltar pro começo porque chega aquele amigo que não pegou desde o início. Adiante, certamente vai ter aquele que vai perguntar por que você não trouxe uma lembrancinha. Ou pior, o que vai ficar se perguntando por que você trouxe, afinal nem o conhece direito.

Daí vem a sessão de fotos. Nossa, se juntar todas as fotos que a turma tirou vão dar somente umas cinco mil e lá vai cacetada e você provavelmente vai perder uma tarde do teu dia com umas vinte pessoas em volta de você gritando e comentando como você conseguiu ficar tão bronzeado. Isso é básico, né. Nesse meio tempo, você sempre tentando se concentrar pra tentar recomeçar. Sempre, afinal, teu profissionalismo marca tua personalidade e você precisa, muito, muito, recomeçar. Força de vontade e fé, meu amigo, muita fé. Especialmente se teu trabalho exigir conhecimento técnico e capacidade de raciocínio rápido... lembrei daquele vendedor de rede agora. Por que eu não comprei aquela rede de dez reais... que burra. Onde estávamos mesmo? Ah sim, na parte em que seu chefe não está.

Bem, valeu a experiência e agora você está de volta. 30% de volta, meu amigo. Destes, 10% voltaram viciados no sotaque do local visitado e isso é outra coisa que precisa de concentração. Lá onde eu tava, tudo, absolutamente tudo, terminava com “da porra”. O sol da porra, o motorista da porra, o hotel da porra, o show da porra, a porra, da porra da porra, da porra. Tudo uma porra. O jeito lento de falar então, lembra uma preguiça tentando mudar de um galho para outro. Não só a fala, tudo lento, tudo devagar, chega a dar vontade de sair gritando, mas você pensa que está de férias, sem horário pra nada e se recusa a se incomodar. Entra no clima local. Daí vai até um bar e pede uma bebida e um salgado. Você está quase sorrindo novamente quando pede a conta pra moça do caixa que demonstra seus conhecimentos matemáticos. Você traumaticamente descobre que conta só na calculadora, mesmo que seja um mais um e setenta que dá dois e setenta que somados a cinquenta centavos dão dois e trinta e que deduzidos de dois e cinquenta restarão dez centavos. (este é um caso real, por mais absolutamente fantástico que pareça). E viva a diversidade.

Os outros 20% ainda insistem em se concentrar. Como no trabalho você não consegue, experimente escrever, é só uma dica. Se tô fazendo doce pra trabalhar? Tô não, meu rei... J

Angelica Carvalho

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Talco Mágico


Dulce Cristal era uma jovem química que fabricava cosméticos caseiros no laboratório do quintal da residência que pertenceu a sua falecida avó. Ela fazia combinações de essências, xampus e talcos, mas seu sonho era descobrir um cosmético que deixasse as pessoas mais sensíveis.
Numa noite a moça estava admirando o céu e de repente viu uma estrela cadente. Deste jeito ela fez um pedido:
- Minha estrela cadente, ajude-me a encontrar uma fórmula mágica!
No dia seguinte, Dulce resolveu limpar o porão daquela casa. Lá ela achou objetos muito antigos e dentre eles havia um diário, que pertenceu à sua avó. A garota pegou o caderno, entrou em seu quarto, abriu uma página e viu a seguinte fórmula: talco mágico= talco comum+ açúcar cristal+ folha vermelha em forma de coração. A moça não entendeu nada, porém naquele instante ela resolveu passear entre o jardim e o quintal para aliviar a cabeça. Durante o passeio Dulce Cristal avistou uma planta estranha, com folhas em forma de coração. Assim a dama lembrou-se da estranha fórmula, pegou a planta e foi direto ao laboratório. Deste jeito, com muita química, ela misturou o talco comum com a folha em forma de coração juntos com o açúcar cristal. Então a perfumista pensou:
- Está na hora de experimentar este novo produto.
- Mas quem será a cobaia?
De repente veio a resposta:
- Já sei:
- Será Michel, meu primo insensível que não quer saber de nada.
Desta maneira ela embrulhou a experiência num pacote de presente e entregou ao rapaz. Depois de receber o presente, o garoto pegou o talco, o xampu e foi direto ao banheiro.
Após sair do toalete, o menino estava com um brilho nos olhos e foi jantar com a família. Ao sentar-se na mesa sua mãe, dona Isadora falou:
- Filho, hoje temos frango a passarinho!
- E este é o seu prato predileto.
Michel comentou:
- Não vou querer isto, pois desisti de comer gordura.
Então sua mãe disse:
- Se resolveu fazer regime temos salada de tomate.
O rapaz falou:
- Tomate é muito vermelho.
- Parece até o meu rosto quando fico com vergonha.
Desta maneira a tia Josefina ralhou:
- Pare de fazer cu doce menino e come logo!
Como o talco mágico não esboçou nenhuma reação alérgica em seu primo, Dulce Cristal fabricou vários destes, naquela mesma noite, e embalou em caixinhas com formato de coração. No dia seguinte entrou em seu laboratório Dona Rosemary, a mulher mais consumista da cidade, que perguntou:
- Tem algum produto novo para me vender?
A cientista respondeu:
- Sim, tenho o Talco do Amor e custa apenas dez reais.
A “madame” comprou o produto, foi para casa, tomou banho e passou o produto fabricado por Dulce Cristal. Depois andou até o shopping e penetrou em sua loja favorita, a Diversius Moda, e perguntou para a vendedora:
- Já chegou roupas da nova coleção?
A balconista respondeu:
- Sim!
- Temos esta blusa de alça única belíssima!
Rosemary comentou:
- Não gosto mais deste tipo de roupa. Pois me lembra as mulheres da Grécia antiga.
Então, a vendedora disse:
- Chegaram vestidos tubos de todas as cores.
A perua respondeu:
- De tanto usar vestido tubo, acabei entrando pelo cano.
Assim a balconista falou:
- Chegou bermuda estilo Maria-João.
Rosemary respondeu:
- Este nome Maria-João parece título de novela mexicana. Por isto nem experimentarei.
A cliente vasculhou a loja inteira e não levou nada. Após sua saída do estabelecimento, a vendedora comentou com a gerente:
- A dona Rosemary não levou nada e é a primeira vez na vida que isto acontece.
- Por que ela está fazendo tanto cu doce?
Com o passar do tempo Dulce Maria reparou que todos os seus fregueses, que compraram o Talco do Amor, ficaram enjoados e indecisos. Até que um dia Seu Epaminondas, o marido de Dona Rosemary chegou ao laboratório e disse:
- Dulce, estou com um problema íntimo e como você é química, talvez saiba o que está acontecendo.
A cientista respondeu:
- Pode falar sem constrangimentos.
O homem explicou:
- Ontem eu tive relações íntimas, com minha esposa, e ao degustar suas nádegas senti um gosto de açúcar. Como sou diabético quase passei mal.
A moça pensou alto:
- É o Talco do Amor!
- Desculpa, esqueça o que eu falei.
- Para o problema que o senhor está tendo, eu acabei de inventar o preservativo “diet”.
Epaminondas ficou furioso e ralhou:
- Para mim isto é conseqüência destes cosméticos de fundo de quintal que você fabrica!
Após esta bronca Dulce Cristal ficou com medo da ameaça do homem e resolveu tirar o produto do mercado. Depois desta decisão a moça ligou a televisão no telejornal, onde o apresentador falou:
- A cidade está em surto:
- Homens, que são freqüentadores assíduos de bordéis, apresentaram alta taxa de açúcar no sangue.
Então a perfumista refletiu:
- Com certeza, parei a fabricação do Talco do Amor no momento certo.



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Doce De Menina


Silvinha era uma moça muito bonitinha, a começar pelo apelido que lhe deram e ficou desde a época do ginásio. Essa época, então, foi o marco para Silvinha. Desde lá, já era aquela menina graciosa e inteligente, que chamava a atenção entre os colegas, meninos e meninas. Era ela quem sempre apagava o quadro, que respondia as perguntas que ninguém sabia, que corrigia a lição dos colegas quando a professora se ausentava. Silvinha, além de muito inteligente e prestativa, era sempre engajada com os eventos escolares. As meninas sempre sentiam uma inveja branca ou mais negra por Silvinha. Os meninos, a admiravam, não só pela comunicatividade da moça mas por sua pele límpida, olhos mel, cabelos sempre penteados e perfeitamente alinhados e sorriso grande e arrematador. Era a mocinha dos sonhos, a garota propaganda. Para eles, a “garota ideal”. Mas Silvinha não namorava nenhum, afinal, sua maturidade estava muito avançada para meninos de colégio. Além do mais, eles cheiram a salgadinho e a ambiente escolar, dizia Silvinha quando lhe indagavam. E assim cresceu, bela e graciosa. Entrou na faculdade, com certeza, aonde começou a cursar Veterinária, afinal, além de tudo, ela também amava os animais. E lá foi a mesma coisa: participava das festas, dos eventos, das palestras, reuniões e comissão de formatura, além de abaixo assinados e campanhas em pró dos animais. Era reconhecida em toda a faculdade e nos estágios que fazia. Futuro promissor com certeza quando saísse dali. Os seus colegas machos pareciam cães babando quando ela chegava e por onde passava. Mas Silvinha não queria ficar ou namorar com ninguém, afinal, os caras da faculdade são todos bobões e chatos, além do mais, não queria ver a cara de um possível namorado todo o dia, dizia quando lhe perguntavam. Silvinha conquistou sua profissão e conseguiu um trabalho aonde era bem requisitada e conceituada. Os homens do trabalho caiam em cima, afinal, linda e com o mesmo imutável sorriso arrematador, olhos mel, inteligente e ainda por cima reconhecida profissionalmente, era o sonho de consumo de qualquer cara que sabe o que querer de uma mulher. Alguns chegaram guardar sentimentos pela bonitinha, mas ela não estava nem aí. Trabalho é trabalho e amor é lá fora, afinal, os homens do trabalho são tudo uns safados que ficam olhando para as meninas mais novas enquanto sua mulheres estão em casa. Não valem o prato que comem, dizia Silvinha quando lhe cutucavam, sobre os homens que ela convivia. E assim, Silvinha passou adolescência e a juventude, sempre lindinha, engraçadinha e graciosinha, mas sozinha. O problema de Silvinha não era ser muito doce. O problema é que o cú dela era também.


Bianca Nascimento