quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Oi, Tá Falando Comigo?



Bom dia. Estou dando bom dia e já está muito bom, eu acho. Porque eu acabei de retornar de férias e manja quando você não tem nada na sua cabeça porque provavelmente esqueceu seus neurônios lá naquela ilha no meio do Atlântico, naquela baladinha perfeita, com aquele gatinho perfeito e dentro daqueles dez copos perfeitos de ... o que era mesmo que eu tava tomando? Whatever... me dou ao direito de fazer um doce sabe, porque tenho preguiças baianas ainda. Dia Mundial do Doce pra mim. O que importa é que eu tô mesmo sem o menor saco de contar como foi minha viagem... Tá, eu conto, vai.

Saí daqui, peguei um avião, fui pra lá. De lá peguei outro avião e fui mais além e até a metade desta história todo mundo, com certeza, saberá onde é lá. Fui com pessoas conhecidas e conheci gente nova também. Desembarquei e de cara já fui me enturmando com a galera local. Eles, os locais, todos pretos, de sol ou de raça mesmo e eu... bem, eu, daquele jeitinho sulista de ser. Uma cerveja e um acarajé apimentado pacas marcaram a chegada. E sinceramente, acho que estão marcando até este momento, bah, comidinha quente.

Fomos pro hotel, até que era bonitinho. De frente pro mar, com uma piscina bacana, do lado de um restaurante legal, palmeiras ao vento, carros parando pra você passar... A noite a gente sempre tomava uma cervejinha, imersos naquela água quentinha... É, até que era bonitinho o hotel.

Nem tudo são flores e a realidade local começou a entranhar quando resolvemos conhecer a cidade andando de “highway to hell” que, pelo apelido carinhoso que colocamos, já dá pra imaginar o nível do transporte público local. A informalidade de alguns cidadãos foi algo marcante, do tipo motorista de ônibus de regata e chinelo de dedo. Nunca vi tanta gente, em sua maioria sem educação infelizmente. Nunca vi tanta água do mar (essa era bonita), nunca vi tanto artesanato (tinha tanto que até vendiam), nunca vi como as pessoas amam fazer turismo e como os vendedores ambulantes amam essas pessoas. Praias paradisíacas, centro histórico interessante e enjoo básico de tanto andar de barco, visitando as ilhas que tem por lá. Poderia ter sido uma viagem chata, mas estar entre pessoas queridas valeu a pena. É, até que a paisagem ajudou sim. Tá, tô fazendo um doce, foi bonita a viagem vai.

Mas, voltando ao retorno - ótimo isso, voltar ao retorno - meu Deus, como é difícil retomar as atividades né? Você tenta se concentrar, olha pra tela do teu computador e só o que consegue enxergar são aquelas bolhinhas, daquele espumante, naquele barco, com aquele sol... enfim, você não consegue mesmo pensar. Até ensaia um interesse pelas correspondências da sua caixa de e-mails, mas quando olha pro lado nota que seu chefe nem está ali pois saiu de férias e daí sim, foi pro espaço sua dedicação.

O próximo passo é ficar uma semana repetindo a cada ser que encontra a mesma história sobre tudo o que viveu ou tentou viver na viagem. E então você está na metade da narrativa e tem que voltar pro começo porque chega aquele amigo que não pegou desde o início. Adiante, certamente vai ter aquele que vai perguntar por que você não trouxe uma lembrancinha. Ou pior, o que vai ficar se perguntando por que você trouxe, afinal nem o conhece direito.

Daí vem a sessão de fotos. Nossa, se juntar todas as fotos que a turma tirou vão dar somente umas cinco mil e lá vai cacetada e você provavelmente vai perder uma tarde do teu dia com umas vinte pessoas em volta de você gritando e comentando como você conseguiu ficar tão bronzeado. Isso é básico, né. Nesse meio tempo, você sempre tentando se concentrar pra tentar recomeçar. Sempre, afinal, teu profissionalismo marca tua personalidade e você precisa, muito, muito, recomeçar. Força de vontade e fé, meu amigo, muita fé. Especialmente se teu trabalho exigir conhecimento técnico e capacidade de raciocínio rápido... lembrei daquele vendedor de rede agora. Por que eu não comprei aquela rede de dez reais... que burra. Onde estávamos mesmo? Ah sim, na parte em que seu chefe não está.

Bem, valeu a experiência e agora você está de volta. 30% de volta, meu amigo. Destes, 10% voltaram viciados no sotaque do local visitado e isso é outra coisa que precisa de concentração. Lá onde eu tava, tudo, absolutamente tudo, terminava com “da porra”. O sol da porra, o motorista da porra, o hotel da porra, o show da porra, a porra, da porra da porra, da porra. Tudo uma porra. O jeito lento de falar então, lembra uma preguiça tentando mudar de um galho para outro. Não só a fala, tudo lento, tudo devagar, chega a dar vontade de sair gritando, mas você pensa que está de férias, sem horário pra nada e se recusa a se incomodar. Entra no clima local. Daí vai até um bar e pede uma bebida e um salgado. Você está quase sorrindo novamente quando pede a conta pra moça do caixa que demonstra seus conhecimentos matemáticos. Você traumaticamente descobre que conta só na calculadora, mesmo que seja um mais um e setenta que dá dois e setenta que somados a cinquenta centavos dão dois e trinta e que deduzidos de dois e cinquenta restarão dez centavos. (este é um caso real, por mais absolutamente fantástico que pareça). E viva a diversidade.

Os outros 20% ainda insistem em se concentrar. Como no trabalho você não consegue, experimente escrever, é só uma dica. Se tô fazendo doce pra trabalhar? Tô não, meu rei... J

Angelica Carvalho

5 comentários:

Leticia disse...

shuashsuahuahua,ADOREI!
Muito massa, parabéns.

Beijos,
Leticia

Rozangela disse...

Ange, demais seu post sobre a viagem... ai que saudade, que vontade de passar por tudo isso de novo. Parabéns amiga!! Tá show de bola seu texto!!

Anônimo disse...

Ange... adorei o seu relato da viagem... que bom que vc já se acostumou a relatar a viagem varias vezes... assim quando eu voltar das ferias vou querer saber os detalhes sórdidos... enormes beijos.. saudades... Kate

Anônimo disse...

Até que ficou light né? kkkkkkk

Karime disse...

Guriaaa! Tu vai fazer um relato desaforado destes também sobre tua viagem ao Sul ? Olha lá, hein ??
Adorei, como sempre!
beijokas!