quinta-feira, 30 de abril de 2009

TPPM


Diante de tantas definições da nossa mensal e incansavel indesejada companheira, o que me resta é ralatar o que isso é na minha vida...Quando estou "naqueles dias", sou acometida por quase todos os pecados capitais...


Quem me conhece e convive constantemente comigo, percebe a não tão sútil mudança no humor, e me perguntam:Voce está com TPm?Eu respiro fundo, conto até 10...penso em calar...mas os nervos cutucam, e geralmente eu solto aquela resposta que a pessoa pensa, "perdi a chance de ficar calado"...


O meu problema é que, além da tensão pré menstrual, eu tenho a tensão pós menstrual (claro que com menor intensidade)...ou seja, fico uns 07 dias antes...e mais uns 07 dias depois (sem contar os outros 07 dias durante, que por sí só já teria que sermos dispensadas do trabalho e tudo mais...tinha que ja ser lei na CLT desde 93...) resta-me poucos dias, se Deus permitir que nada me aborreça...que eu fique de otimo humor...


Quando estou de tpm (a pré) fico louca para comer doces (chocolates), mas quando estou comendo, fico com vontade de comer algo salgado...como tudo que eu vejo pela frente...E a sensibilidade, nossa...choro, me sinto o patinho feio (ninguém me ama, ninguém me quer).Penso que não amo mais, inclusive, eu já terminei várias vezes a mesma relação quando eu estava nesses dias.


E a fúria...essa prefiro nem comentar as tantas vezes que os objetos criaram vida, e voaram...A verdade é que, eu tenho pena, em especial dos homens (coitado de voce Mário) que tem que lidar com esse departamento sem nenhuma informação concreta, que embora a tpm seja um transtorno muito comum entre nós mulheres, é ainda um universo cheio de mistérios, ao meu ver, indecifráveis...Meu conselho é: "Mantenham à distancia, se isso não for possível, calem-se!!!"Uma mulher com TPM é fato...e para fatos não existe argumentos!!!


Embora o tema seja visto sob a otica do humor, existe mulheres que são impossibilitadas de viver seu dia-a-dia...são impossibilitadas de conviverem em harmonia, e serenidade...existe um tratamento muito sério, e com grandes resultados, de grande valia para aquelas que mantem-se embora involuntáriamente fora da sua razão...vale a pena procurar um profissional...

Beijos...


Maria Jaqueline

quarta-feira, 29 de abril de 2009

TPM no ginásio


Esta semana o tema do blog chamado Desaforadas é TPM . Ao ler esta sigla logo lembrei – me de uma aula que tive no ginásio . A professora entrou na sala e disse :
- Hoje o assunto é TPM , que significa tensão pré – menstrual .
- Meninas , o que vocês sentem quando estão na TPM ?
Michele ergueu a mão e falou :
- Primeiro eu sinto cólicas e tonturas , depois fico muito nervosa e brigo por qualquer coisinha .
Depois desta opinião , Marcelo comentou :
- Professora , a senhora deveria perguntar como os homens ficam na época da TPM de uma mulher !
- Quando eu era pequeno notava que num certo período do mês minha mãe ficava muito nervosa e toda a vez que esta crise passava eu percebia que havia uma espécie de papel diferente borrado de sangue dentro do lixo do banheiro .
- Numa época destas , fui experimentar um bolo que estava no forno . Mas , de repente , senti a vassoura da minha mãe em cima da minha cabeça . Assim ela ralhou :
- Não apronte , menino , principalmente hoje que as minhas regras estão para vir !
- Então eu pensava que o período de regras era um período de mais rigidez na minha família .
- Afinal , meu pai sempre falava :
- Este lar tem regras !
Após este garoto comentar tudo isto . Um outro aluno opinou :
- Eu nunca conheci a minha mãe , porém moro com a minha irmã e quando ela está na TPM passa de fada para bruxa .É por isto que acho que o significado real desta sigla tinha que ser :
- Teste de Paciência Para a Mulher .
- Ou , melhor :
- Tendência de Piração da Mulher .
Desta maneira a turma caiu na gargalhada . Como um raio , a minha mente voltou para os dias de hoje e procurei no Google curiosidades sobre a TPM , até que num site de notícias li a seguinte reportagem :
- Pesquisas de uma universidade americana confirmaram que a maioria das presidiárias , que cometeu assassinatos , executou os crimes no período da TPM .
Logo pensei :
- O problema é mais grave do que eu pensava !
Deste jeito meu cérebro viajou ao ano de 1997 no momento em que eu conversava com uma chinesa , dona de pastelaria no centro de Curitiba , sobre o assunto da menstruação :
- Pois é , dona Ling , às vezes sinto – me muito nervosa antes das minhas regras virem .
Ela observou :
- Na minha terra isto é fácil de resolver . Pois existe uma flor chamada prímula e o chá dela acalma qualquer moça na tensão pré menstrual . Este método é usado há milhares de anos e surgiu com a lenda da Deusa Coin , que é esta :
“ - Há milhares de anos atrás , entre a China e o Japão , existia uma dama com poderes sobrenaturais chamada Coin . Quando ela entrou na puberdade e estava para menstruar sentiu uma cólica muito forte , entrou em crise nervosa e chorou . Naquele mesmo instante , das suas lágrimas nasceu uma planta chamada prímula . De repente surgiu um rouxinol , que deu – lhe o seguinte conselho :
- Você está sentindo muita dor e tristeza porque daqui a algumas horas você virará uma moça . Por isto beba do chá desta planta que nasceu das suas divinas lágrimas porque este líquido tirará toda a tensão que a menstruação pode trazer . Não se esqueça : toda a vez que seu sangue descer tome o chá desta planta . “
Após escutar esta história , exclamei :
- Pena que não existe esta flor no Brasil !
Dona Ling comentou :
- Hoje em dia , existe sim !
- Em qualquer farmácia você encontra óleo de prímula para vender .
Seguindo os conselhos da anciã chinesa comprei o remédio desta planta e melhorei da tensão pré – menstrual . Descobri que as propriedades medicinais desta flor ainda não foram reconhecidas pela medicina tradicional . Porém o uso dela não traz nenhum efeito colateral . Por isto indiquei o óleo de prímula para as minhas amigas e isto deu ótimos resultados .


Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 28 de abril de 2009

Dando significado à TPM



Bom, falar deste assunto não é tão fácil assim, sabia? Principalmente quando se está com um pouco de TPM também!(rs, brincadeira). Mas hoje eu decidi dar voz às mulheres, tantas vezes incompreendidas pela TPM e naqueles dias, pela dor de um órgão que os homens não têm e JAMAIS irão entender. Talvez eu até possa tentar explicar aqui para eles. Homens: sabe como é nossa dor? Imaginem vocês levando uma bolada lá naquele lugar de meia em meia hora e ainda tendo que andar, trabalhar e estudar, mesmo com a dor latejante e um engraçadinho sempre soltando um: "tá estressado!?". É, acho que é por aí. Uma dor chata num lugar sensível que aumenta conforme a gente ouve os comentários, parece que eles ficam maiores e as pessoas ficam gigantes perto de nós. (ta, tem mulher que não sente nada disso, mas outras sentem pior). E explicar a TPM é o seguinte: imagine que você acorda, todo atrasado, com fome e não vai dar nem pra comer, ta se vestindo só falta os calçados e quando vê, bate com tudo a ponta do pé na quina maldita da cama e isso te tira toda paciência, vontade de xingar tudo e todos, você acha que não era pra ter acordado e ainda começa mal seu dia. Pois bem, com nós acontece isso, mas a gente já acorda o mau humor de uma batida que dura o dia todo (mesmo não tendo culpa).Bem, tem mulheres que na TPM já apresentam algumas dores, que são as cólicas, o que aumenta mais o furor e a ira contra tudo. Já outras não sentem dor, tensão, nem nada e até se assustam com as colegas que sentem isto e algumas até se sentem mais sensíveis, ninguém pode falar nada que já se fere (fica fera ferida). Por isso, lancei uma questão a algumas amigas:
O que a TPM significa para você: "Tô Pra Matar" ou "Tenham Pena de Mim"?
ou seja, vocês ficam furiosas e panteras ou ficam naquela fragilidade, querendo ser mimada e numa dengozisse?
Olha a resposta de três feras:

Priscila Bueno, administradora.

”Eu é "To Pra Matar", não fico impossível de conviver, mas fico muito mais irritada, com o pavio mais curto, até tento ficar mais na minha para evitar situações que me façam ser rude com alguém, mas nem sempre dá certo, rs”



Ana Claudia, estudante de Design e teatro

“To Pra Matar” mas também tenho momentos de “Tenham Pena de Mim”
Depende, tem dias q fico com raiva, chorona, sem paciência, me sentindo excluída, com fome, outras com enjôo. É uma salada mista. Uma vez já chorei por querer doce e não ter, ai pedi pra comprar e não compraram, bem quando estava deTPM”.



Mirella Cunha, estudante de Biologia.

“Então, na maioria do tempo em que estou estressada, mesmo sem TPM eu fico pra matar.
Eu não tenho todo mês TPM, mas quando tenho a maioria das vezes eu fico muito estressada, com vontade de dar um soco na cara de todo mundo, e ai de quem pisar no meu calo hehehe. Mais raramente eu fico manhosa, chorosa, querendo atenção.”



Giselle Silva, advogada (minha irmã)

“Bom você já sabe, né!? Eu fico “TO PRA MATAR” hahahahhaaha”


Sei sim, Giselle. E ela ainda desabafa em relação ao que diria para homens e para o mundo.

“Eu digo que eles têm que nos entender porque não é da gente, não é nossa vontade ficar assim. Na verdade gostaríamos de ser iguais a eles (não ter esse problema), mas o fator biológico não nos ajuda...são os hormônios!Então eles deveriam nos entender...até porque quando querem se redimir das besteiras que eles fazem (traição) eles colocam a culpa nos HORMÔNIOS, que os fazem fazer tais cagadas sem pensar!”



HAHAHA, Parabéns pelo desabafo. E é bem verdade, eles culpam hormônios e se justificam com os próprios na hora de redimir-se da traição, mas é claro, nem todos. Estes depoimentos foram apenar um pouquinho do que cada menina sente. E no fundo, a maioria das mulheres com quem falo fica meio “assassina” mesmo. E eu, quer saber como eu fico?

“TO PRA MATAR”!!!!!!!!!!! Fico querendo bater em qualquer um ou gritar toda hora. Reclamo que nem veia ranzinza. Mas o fato é que simplesmente, com TPM ou não, conseguimos ainda fazer um monte de coisas. Mas, de todos os conceitos, o melhor foi o do meu amigo Mário.

“TPM: Tesão Pelo Mário”

Posso com isso? rs


Beijos

Bianca Silva

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tema da semana: TPM

Tô Puta Mesmo!!!



*fico insuportável com todo mundo;
*choro por qualquer coisa;
*faço tempestade em copo d´água;
*falo td q penso na lata, sem dó nem piedade, exagerando mil vezes, e no momento mais impróprio possível;
*grito até com o jornalista da TV;
*brigo com a melhor amiga, com o namorado, com a família inteira, com Deus e o mundo...
Descrição da comunidade “Eu tenho TPM, então não enche pô”.

Quando soube qual seria o tema desta semana pensei que não teria o que falar, afinal, eu graças ao bom Deus, não sofro deste mau. Pensei, escrevi, e joguei fora. Não fazia a mínima idéia de o que escrever. Alguns dias depois recebi um telefonema confuso de uma amiga minha, ela ria, ficava brava, e chegou a chorar. Ficamos duas horas no telefone, no fim da conversa um pouco antes do tchau ela me pediu que esquecesse tudo o que ela disse por que na realidade ela estava de TPM.
Isso me fez pensar mais ainda, como alguém em plena e sã consciência pode falar tudo o que pensa, o que gosta e o que não gosta, e no final pede pra você esquecer? Por que esses hormônios têm tanto poder sobre as mulheres? Por que parecemos incontroláveis?Por que queremos comer o mundo e todos os chocolates que existem nele? A TPM pra mim é um mistério, ainda não consigo entende-la, e para mim é um prazer não a sentir. Agora e se no mês que vem eu me tornar uma mulher faminta, e por vezes carente?
O que espero, é que um dia uma mente brilhante se levante e diga:
-Eu sei como isso pode acabar.
Mas enquanto este dia na chega. A única coisa que podemos fazer é tentar nos controlar mesmo sem aceitar, a nossa tão velha companheira TPM.

Ingrid Moraes Alves

domingo, 26 de abril de 2009

Respiro de liberdade



O carcereiro, limpando os restos de desjejum na boca com as costas da mão, saiu à porta da prisão e observou, no galho baixo de um frondoso flamboyant, a presença de um casulo de lagarta, indicando que em seu interior, naquela manhã quente e abafada de verão, ocorria uma silenciosa movimentação para o despertar da vida. Mas, indiferente àquele cotidiano acontecimento, o que chamou sua atenção foi a chegada de mais um prisioneiro, algemado em suas mãos e pés, ladeado por dois soldados de olhar apático e cenho suado. Ao aproximar-se com seus trajes em retalhos e sua aparência de mendicância, ouviu do carcereiro.

- Infle seus pulmões com todo o ar que puder, prisioneiro, pois este é o último respiro de liberdade que terá em vida.

Sem retocar o olhar de neutralidade que lançava para o carcereiro, o prisioneiro respondeu:

- Desconheço seu conceito de liberdade. Ficarei confinado nesta prisão porque minhas palavras insuflarão o espírito libertário em uma infinidade de pessoas por muitas gerações. Já você, tem uma vida de falsa segurança, desprovido de objetivos existenciais e pago por um governo despótico e tirânico. Por certo, já nem se lembra dos simples prazeres da infância. Tem uma vida amorosa infeliz, e seus modos rudes nunca darão a você uma mulher que o beije na face com real devoção. Tem medo de ser carinhoso por considerar sinônimo de fragilidade ou por não querer parecer afeminado. É um sedentário que se imagina herói. Sua maior distração é comer e suas pernas já somam tantas dores reumáticas pela falta de uso que só se prestam a trajetos domésticos e a transportá-lo para esportes da mesa. Não tem amigos e seus colegas não o admiram, apenas cumprem suas ordens diárias, que na verdade nem são suas, já vieram prontas de alguém que o liderou antes, e que por sua vez também herdou a cartilha de outro infeliz. Você tem todo o ar do mundo para respirar, mas não sabe fazer da brisa da praia poesia. Pode olhar tudo ao redor, mas nunca verá uma maçã como objeto de arte, apenas como alimento para saciar um apetite desprovido de qualquer requinte ou sutileza, e sua maior maldição é não conseguir sublimar seu maior prazer, pois não sabe a diferença entre degustar e engolir. Não tem família, não é visitado, não visita, não abraça, nem é abraçado, não ama, nem é amado. E sua única fonte de satisfação pessoal é gabar-se para si mesmo de sua condição de guardião dos amaldiçoados, e de trepudiar em cima dos prisioneiros dando conta de que, ao contrário deles, possui o bem mais valioso de um homem: a liberdade. Agora sou eu que o desafio a respirar fundo, carcereiro, pois este ar entrará em seus pulmões um pouco mais amargo. Certamente contaminado por um naco de lucidez. Depois, o convido a olhar para trás e a contemplar a prisão que vigia. O exercício derradeiro é que indague a si mesmo quem, afinal, é mais prisioneiro.

Ditas as palavras, o prisioneiro prosseguiu em seu trajeto, adentrando na masmorra e deixando o carcereiro a sós com seus novos pensamentos. Voltou então a olhar para o galho no flamboyant frondoso. Desta vez, o casulo estava vazio.


Mario Lopes

sábado, 25 de abril de 2009

Sábado de dois posts e duas liberdades

Hoje, excepcionalmente, teremos dois textos publicados no blog. Houve, felizmente, um excesso de participações e os posts não poderiam ter suas entradas proteladas, visto que o assunto é muito pontual e não teria mais validade em outras ocasiões. Logo abaixo, os textos da Isis e da Luciana, boa leitura.


Liberdade, a palavra



Liberdade... Posso dizer categoricamente que esta é a minha palavra. Faz bater meu coração, faz minha mente trabalhar. Busco a liberdade incansavelmente todos os dias. Meu maior desejo é ser completamente livre como uma águia que voa plena, como o oceano que não tem fim.
A liberdade possui várias facetas, mas vou falar de uma específica: a liberdade e o trabalho.
Acho que a maioria das pessoas não busca a liberdade porque pensam que ela está associada a falta de responsabilidade. Falo de trabalho. Porque se deve cumprir o horário integral de trabalho dentro da empresa? Faltaria comprometimento se as pessoas pudessem ter seu horário livre? Deixariam de entregar relatórios? Ou esqueceriam de uma reunião? Para mim, ficar presa todas aquelas horas no dia me desmotiva e fico ansiosa para sair, isso me consome. Dar satisfação, prestar contas de tudo que quero fazer. Não poder ir até a banquinha no horário de expediente. Que coisa burra, meu Deus! Se pudesse fazer meus horários , provavelmente trabalharia até mais. Com eficacia, pois teria muito prazer em trabalhar e seria muito mais criativa.
É isso que eu busco hoje. A liberdade não existe sem a coragem. É necessário se ter coragem para ir contra os padrões sociais e quebrar formatos pré-estabelecidos. Libertar-se, buscar fazer o que se gosta custe o que custar e encarar de frente as consequências. Saber esperar, fazer temporariamente o que não gosta para atingir as metas pessoais. Hoje para mim o que é ruim é temporário. Arranjei coragem, reavaliei minha vida e decidi ser livre. Ser contra tudo e contra todos. Sou taxada de louca idealista, mas não me importo. Somente o tempo dirá se escolher ser livre do trabalho é certo. Eu acredito 100% que sim! É preciso ser forte para matar no peito e manter a posição sem se importar com que os outros pensam. Mas libertar-se da sociedade como organismo é outra história!

Beijos e bom final de semana!



Isis de Barczack


Aulas Absurdas Sobre Tiradentes



Nesta semana , no dia 21 de abril , o Brasil comemorou o dia de Tiradentes , Joaquim da Silva Xavier , que foi o mártir da Inconfidência Mineira . A data me fez lembrar de algumas aulas absurdas que tive sobre este herói , quando era mais nova .
No meu segundo grau , tinha um professor de História que avacalhava com os personagens famosos , chamando – os de homossexuais e inventando histórias improváveis . Na aula sobre Tiradentes ele disse isto :
- Sabiam que Tiradentes nunca foi dentista como reza a lenda , por aí ?!
- Os únicos dentes que Joaquim da Silva Xavier tirou foram os dentes de alho que ele vendia e isto foi o real motivo para o seu apelido .
- Quando Tiradentes tornou – se militar passou a se aproximar de grupos que criticavam a exploração do Brasil por Portugal .
- O coronel Joaquim Silvério dos Reis , amigo de caserna , era apaixonado por Tiradentes .
- Primeiro ele recebeu uma certa quantia em dinheiro de Portugal para dedurar os membros da sociedade revolucionária . Mas como ele era apaixonado por Tiradentes resolveu não entregar o colega na hora . Assim Reis tentou aproximar – se do alvo , porém o herói se esquivou . Por vingança , o coronel resolveu aceitar o dinheiro e entregou Joaquim da Silva Xavier .
- Tem mais um detalhe :
- Tiradentes não usava barba e nem cabelos compridos , pois era um militar e não podia manter sua aparência deste jeito , tão desleixada .
Desta forma pensei :
- Que professor preconceituoso !
- Eu acredito que Tiradentes tinha barba e cabelo comprido , sim !
- Também creio que ele era dentista !
- Que aula mais absurda !
Então naquele momento , voltei para a minha quarta – série , numa aula de História ministrada por uma freira , num colégio católico , onde a professora disse :
- Tiradentes , o Joaquim da Silva Xavier , morreu enforcado porque lutou pela independência do Brasil !
- Ele tinha este apelido porque era dentista e tirava os dentes das pessoas .
- Foi ele o primeiro a projetar o bondinho do Pão – de – açúcar , que fica no Rio de Janeiro .
- Tiradentes era parecido com Jesus : tinha barba , cabelos compridos e usava uma túnica branca .
- Joaquim da Silva Xavier fazia parte de um grupo que queria libertar Brasil de Portugal , pois os portugueses roubavam todo o nosso ouro e cobravam impostos absurdos . Porém , nesta turma , havia uma espécie de Judas Iscariotes chamado Joaquim Silvério dos Reis , que recebeu dinheiro da coroa portuguesa para delatar Tiradentes que foi preso . Dentro da cela , ele teve uma visão milagrosa , pediu para usar um escapulário e assumiu toda a culpa sozinho para evitar a morte dos membros da turma que lutava por liberdade .
- Então , no dia 21 de abril de 1792 , Tiradentes andou em via sacra pelas ruas do Rio de Janeiro , foi enforcado em praça pública e faleceu , na frente de todos , assim como Jesus .
Após lembrar – me da aula da freira , bateu o sinal para os alunos irem para casa . Na minha residência refleti :
- A aula do professor preconceituoso é absurda !
- Porém a aula da irmã não deixa de possuir os seus exageros .
- Só sei que Tiradentes foi uma pessoa que morreu pelos seus ideais e lutou pela liberdade com que tantos homens sonham .


Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Libertas quae sera tamen



Minha liberdade
Vem coberta de barroco e rococó,
Tem cheiro de terra molhada e pão de queijo,
Vem de trem azul, ouvindo clube da esquina
E os batuques do Tizumba,
Banhada de ouro,
Lendo Drummond e Ziraldo,
Minha liberdade veio com um Estado,
De espírito.
Na lembrança do sorriso dos amigos,
Com triângulo vermelho estampado no peito.
Minha liberdade tem
Simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância,
libertas quae será tamen!
Uai, como é bom esse trem de Minas Gerais.


Day Araújo Silva

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Para que sejamos livres, a liberdade será nossa própria substância!



Nos libertar daquilo que nos prende em nós, é tarefa muito difícil comparada a qualquer outra situação, a liberdade psicológica requer de nós muitas vezes muito mais do que estamos dispostos a pagar, a ceder a agir...Extinguir de nós certas coisas que nos mantem prisioneiros nem nos anular, é trabalho arduo, trabalho conjunto, que parte cabe a mim(vocë), parte cabe à aqueles que conosco estão...no entanto, para isso ser possível, teremos(todos) fazer uso de um(ao meu ver) dos primeiros princípios exigidos pela propria essencia de ser livre...
TRANSPARENCIA, SINCERIDADE, VERDADE...
E seguido disso...
MUITA FORÇA E VONTADE DE SER REALMENTE LIVRE...
Sem isso, o máximo que iremos conseguir é afastar de nós, pessoas que de fato podem nos ajudar...
Ninguém tem bola de cristal, e consegue ver o labirinto que nossas mentes nos mantém...ninguém tem bola de cristal para ver com segurança o que nos atinge....PRECISAMOS QUERER NOS LIBERTAR ..E se fizermos isso, um quarto das chaves estão nas nossas mãos...
SOMOS LIVRES PARA EXPOR O QUE NOS PRENDE...com mais isso metade das chaves já nos é dado, faltando pouco para chegar ao nosso melhor, e conseguirmos atingir o pico...astear nossa bandeira...
Aos 16 anos, eu me "reconhecí" como sendo homossexual, em uma cidade com 10.000 mil habitantes no interior do Paraná...eu tinha duas opções...ou eu esconderia isso, ou eu assumiria minha sexualidade e com isso tudo mais que certamente acarretaria...ainda que eu soubesse que turbilhões de situações negativas estariam por vir...eu escolhi assumir...eu decidi, aos 16 anos, que eu seria uma mulher livre para viver e ser feliz...
Confesso que não foi tarefa fácil..."carreguei cruz", "fui enforcada e queimada em praça pública"...eu acordava todos os dias, e a primeira coisa que eu lembrava é que era assim...
Mas não cedí... e mostrei que ainda que "diferente" do conceito de normalidade que nos é imposto(em especial a mim), eu tinha minha dignidade, minhas qualidades e defeitos...enfim...foi com aqueles princípios acima, que conquistei o meu direito de ser feliz...ou abdiquei do dever de ser infeliz...a verdade é que, sempre escolho ser livre, e me desprender do que me mata diariamente...das minhas amarras, em especial as psicológicas...EU SOU UMA MULHER LIVRE!!!

Seja o Mártir da sua independencia...

Que a liberdade seja nossa própria substancia...
Beijos ao vento...

Maria Jaqueline... hoje, mais livre do que nunca...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Minha liberdade!



Bom, li o post de segunda - feira de Camila e resolvi falar também sobre minha própria liberdade em relação a coisas que passei. Um desabafo na verdade e uma vitória, que acho que pela primeira vez torno público (pois até meus amigos eu evitava contar). Por diversos anos convivi com duas fobias, uma era de lugar com muita gente e fechado e outra que sempre “escondi”, mas hoje vou contar até porque acho que comecei a me livrar dela semana passada que é medo de vomitar (emetofobia). O pior foi às diversas situações que passei, uma quando fui pra praia lotada e quase desmaiava no meio da rua, até sala de cursinho às vezes me apavorava. E a emetofobia então? Pensem vocês que já fiquei dias sem comer somente com medo de passar mal, emagrecia um monte, até hoje não consigo muito comer na rua ou em restaurante. Fui a psicólogas que me ajudaram a lidar com as situações e como podia reagir diante delas, como viajar, ir em um show, um barzinho, etc. Mas bem, tudo isso tem explicação. Eu passei por uma experiência traumática quando pequena e meu cérebro gravou aquilo. Com passar do tempo, eu melhorei, consegui enfrentar mais lugares cheios, doutrinando meu cérebro as pequenas coisas. Somente minha emetofobia que ainda me prejudicava, porém, esses dias, eu peguei rota vírus e acabei passando mal do estômago depois de 8 anos sem passar mal (pensem, 8 anos sem vomitar). Já tive épocas de querer morrer, preferia morrer a vomitar (quando encontrei um fórum na internet que falava sobre emetofobia foi onde eu me encontrei, pois achava que era só eu no mundo e lá tive muitas afinidades e ajudas). É meio louco falar essas coisas, mas hoje em dias consigo viajar com menos medo, me divertir com menos preocupação, comer com um pouco mais de vontade. Da vontade que já tive de morrer por não conseguir viver bem para a vontade hoje de viver e encarar toda minha vida foi a libertação mais grandiosa que já pude receber, que hoje compartilho com vocês. E não só fisicamente, já me libertei de sentimentos e situações que jamais acharia que iria libertar de sentimentos destrutivos mesmo. Não quero aqui detalhar cada momento ruim porque todos nós sabemos que qualquer coisa que nos faz sofrer é ruim e eu tomaria muito espaço pra falar tudo. Hoje, é com enorme alegria que escrevo um texto contando uma libertação (que, se fosse há anos atrás, estaria escrevendo coisa muito pior), não sabendo se um dia poderia contar essa minha vitória. Poder doutrinar o próprio cérebro a se libertar, não é fácil, mas sim uma grande libertação e sei que a consegui com a ajuda de um ser: Deus. Eu sei que tem situações difíceis para se libertar que às vezes depende de muitas coisas, pois eu mesma já passei por isso, depender de um organismo, do próprio cérebro ou de pessoas, porém sempre tudo se ajeita aos poucos. Mas seja física ou sentimental, se liberte, doutrine seu cérebro e busque toda ajuda que precisar (divina e terrena), não hesite em buscar a Deus (ele dá forças quando não temos), pois quando você se liberta internamente, você se liberta pro mundo e ajuda outras pessoas a libertarem-se também. Estou muito feliz por hoje em dia estar melhor.

Beijos a todos


Bianca Silva

terça-feira, 21 de abril de 2009

Chegou a hora

A liberdade vista pela filosofia é a ausência de submissão, a independência do ser humano, a autonomia e a espontaneidade de um ser pensante.



Para Martin Luther King a liberdade é um motivo de luta, uma razão de viver, a liberdade era seu sonho, poder declarar que todos eram livres foi sua meta.

“... quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."
Martin Luther King




A liberdade para Karl Marx em suas palavras,

"Liberdade é, portanto, o direito de fazer tudo o que não prejudique os outros... É uma questão da liberdade do homem considerado como uma mónada, isolados e retirados em si mesmo."

"O direito de propriedade, é, portanto, o direito de desfrutar de uma da fortunas e eliminá-la como ele irá, sem respeito pelos outros homens e independente da sociedade ... Ela leva o homem a ver, em todos os outros homens, e não a realização, mas a limitação de sua própria liberdade ".
Karl Marx

A anos o homem vem tentando explicar o que é liberdade, como seria melhor se vivêssemos ela, a anos o homem vem tentando IMPOR sua vontade, mas esquecendo que cada um tem a sua. Você pode escolher que filosofia de liberdade seguir, você pode escolher quem você quer ser ou quem você quer parecer, você pode querer ser livre, não esquecendo de deixar os outros serem também. A liberdade é vista de maneiras diferentes e cada um de nós deveria respeitar sem necessariamente aceitar a forma alheia de viver.

A sua liberdade é respeitada quando a liberdade do outro também é, muitas pessoas morreram por seus ideais, ou por ideais que não aceitavam o seu, muitas pessoas lutaram para que a liberdade não morresse em nossos peitos, mas agora depois de tantos anos, onde mora o nosso ideal, será que o deixamos morrer? Será que esquecemos que cada um é da maneira que quer ser? Onde se encontra a nossa vontade de viver em mundo livre? Lembremos agora dos dias em que grandes homens morreram ou viveram intensamente para que nunca esqueçamos que somos livres e que quem escolhe nosso destino somos nós, lembremos que a liberdade não custa dinheiro e sim vida, a sua vida. Tudo que era pra ser dito, a muito já foi dito, essa é a era de viver nossos ideais, deixemos que a televisão ou o governo ou a falta de coragem nos tire a vontade de viver, de ser livre, de ter nossas famílias vivendo da maneira que queremos. Que as nossas influencias possam ser vistas através de peneiras e não como um modelo a se copiar. Que a liberdade tão desejada por uns e esquecida por outros, possa tomar conta de nós, fazendo com que o fim de nossas vidas seja recompensador e não um simples final feliz.




“... Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda...”
Cecília Meireles.


Ingrid Moraes Alves

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tema da semana: Liberdade Antes Que Tardia

Alforria íntima


Quando soube do tema para esta semana, em homenagem a Tiradentes e tendo como tema central a liberdade, parei por alguns instantes para pensar na minha própria história. Para quem não sabe, sou portadora de uma doença chamada Transtorno Afetivo Bipolar e com grande tendência a depressão. Isso de acordo com o último psiquiatra, porém, ainda não chegaram a um diagnóstico definitivo.

É extremamente difícil para uma pessoa depressiva, bipolar, ou com qualquer outro tipo de alteração psíquica ou psicológica conviver em sociedade e não ser discriminada por se ter tal problema. A ignorância e a intolerância das pessoas aumentam a sensação de impotência, inutilidade e a frustração.

Em partes, até compreendo tais atitudes, já que na maioria das vezes, as pessoas não são bem informadas. Desconhecem a gravidade da doença, o quanto nós lutamos diariamente, o quanto sofremos por causa dela e as dificuldades que encontramos durante o percurso do tratamento. As recaídas, o troca-troca de medicação, os efeitos colaterais...

A dor do abandono, a solidão, a tristeza chegam de uma forma tão intensa que literalmente, sentimos que estão nos rasgando por dentro. Nestes momentos chego à conclusão de que a única forma de acabar com essa desolação é deixar de viver. Eu mesma, muitas vezes, no auge do desespero, penso em dar um fim a minha patética vida.

Sinto-me enforcada pela tristeza, e mais ainda por não ter forças para sequer usar uma máscara que me permita conviver decentemente em um mundo cheio de pessoas individualistas e egocêntricas.

Eu ainda não estou curada, não consegui me libertar desta doença, destas algemas mentais que não me deixam ser uma pessoa plenamente feliz. Mas não vou ficar parada e deixar a depressão me dominar de novo. Não vou me entregar facilmente. Não me conformarei com a triste realidade que vivo. Não voltarei para o fundo do poço. Vou lutar. Sei que é uma luta árdua, sem trégua. Não sei quando chegará o fim desta guerra, mas jamais desistirei da minha felicidade e do sonho de ser LIVRE!


Camila Souza

domingo, 19 de abril de 2009

Pelo buraco da fechadura do banheiro feminino



OK que a curiosidade do sexo masculino sobre o que as mulheres fazem a dois no banheiro feminino é enorme. OK também que rola a maior dúvida sobre o que se comenta por tanto tempo lá dentro. OK ainda que ronda um enorme fetiche em se usar esse espaço como motel improvisado e proibido. Mas ao invés de ficar falando, o melhor mesmo é ver o que se passa lá dentro. Então, aqui vai uma seleçãozinha básica de vídeos feitos diretamente do centro de nossa celeuma.


Sobre o que conversam




O que revelam




Como usam o secador




Como é por dentro




Como é um banheiro fashion




Fazendo as pazes




Mario Lopes

sábado, 18 de abril de 2009

Banheiro feminino, curiosidade masculina.



Acho interessante o imaginário masculino a respeito do tema “banheiro feminino”.

Os homens juram que o banheiro feminino é um espaço para lazer. Já escutei diversas vezes “deve ter uma mesa de pingue-pongue lá dentro! Elas vão sempre em dupla!” . Exageros a parte, o fato é que é realmente um ambiente único. Fazemos maquiagem, arrumamos cabelo, as alças do sutiã e os homens não entendem a complexidade de fazer isso sozinha. O banheiro feminino também é o lugar onde fofocamos em particular, afinal, como fofocar a bola fora que o namorado deu na mesa?Impossível! Vejam a história de um amigo meu: “Ela e a namorada foram a uma festa e beberam muito vinho. A certa altura ela resolveu ir até o banheiro. 5 minutos, 10 minutos, 15 minutos e nada. Ele estava ficando muito preocupado e pediu a uma conhecida dela que fosse verificar o que havia acontecido com a namorada. “Se arrependimento matasse...” disse ele. A conhecida precisava apenas caminhar em linha reta até o banheiro, ela levantou, saiu de lado, foi até o meio da pista para daí acertar o rumo. Mais 5, 10, 15 minutos e nada! Ele ficou muito preocupado e resolveu averiguar pessoalmente. Chegou na porta do banheiro, pediu licença e quando entrou, surpresa! As duas estavam sentadas no chão, dando muita risada e sua namorada estava gesticulando com o sutiã na mão. O bendito sutiã estava encomodando. E as duas haviam virado amigas de infância!

O banheiro feminino é indispensável para a socialização das mulheres, é um mundo só delas!

Os homens nunca vão entender.

Homens, fiquem com seus banheiros sem graça.

Beijos e bom final de semana!



Isis de Barczack

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Assunto vasto



Eu sentada aqui no computador pensando o que escrever sobre banheiro feminino, já que se trata de um assunto vasto, estava meio em duvida no que focar, quando olho pro meu calendário e a foto do mês são duas amigas cantando no banheiro com escovas de dente nas mãos.
Realmente se tem uma coisa que não se pode negar é que amiga e banheiro tem tudo a ver né?
Os homens se irritam mas é inevitável, desde criança me lembro de tomar banho com minhas primas quando íamos pra roça do vô e ficávamos contando das brincadeiras do dia, os primos nunca fizeram isso, porque será?!
Sei lá, mais vou aproveitar pra focar nas minhas amigas
Que com certeza homens leitores, não vão ao banheiro comigo pra me chacoalhar!
São momentos importantes que demonstram o seu nível de amizade, eu particularmente por ter numero adensado de amigos não tenho muito esse costume, mais é bacana quando se tem uma amiga pra compartilhar o momento banheiro.
só pra sair da ‘pistinha de dança’ e ir até o banheiro reclamando que com certeza ele estará nojento e ensinando técnicas para pegar menos bactérias. Chegar no ‘dito cujo’ e não acreditar como se tem mulher porca nesse mundo e lamentar, ah! Como é bom lamentar no banheiro.
Só pra levantar da mesa ir até o banheiro sem trocar uma palavra só pra causar desconfiança para pessoas que estão lá. Deixar com aquela pulga atrás da orelha, o que será que elas estão falando?
Só pra contar um segredo, que poderia ser contado em outra ocasião sem nenhum problema.
Sempre quando me falam de banheiro feminino me lembro de uma história, estava em um encontro daqueles, em um restaurante fino em SP, quando fui ao ‘dito cujo’ e esperando, esperando, sozinha quando de repente sai a mulher mais linda do restaurante, já tinha reparado nela, de uma beleza realmente exorbitante, adivinhem? Ela saiu sem lavar as mãos, na hora senti uma vontade de falar pra ela: - Ow, lava a mão! Mais achei que ia ser descarado da minha parte, pensei em ligar pra uma amiga pra comentar, tipo telefone amiga de banheiro, fica a dica de uma invenção de sucesso!
Mais olha, não resisti cheguei na mesa e falei pro acompanhante: - meo! sabe aquela, a mais bonita? Não lava a mão! Não resisti.
Foi marcante, aquele mulherão saindo do banheiro sem lavar as mãos e toda cheia de pose!
Então esse post também é um apelo para mulheres, colaborarem com o ‘dito cujo’ seja ele onde for, mesmo bêbadas lembrem disso! E lavem suas mãos!

‘Não sei se deveria aqui, mais quero pedir fé pelo Nick, meu amigo, que se encontra em maus lençóis!’


Day Araújo

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Reflexões Sobre Banheiro Feminino



Esta semana o tema no blog Desaforadas , em que participo , é Banheiro Feminino . Então para escrever sobre o assunto digitei “ Banheiro Feminino “ no Google . Logo descobri que existe um site com este nome , onde as situações das mulheres são descritas com bom humor . Descobri que este portal fez tanto sucesso que os organizadores escreveram um livro intitulado : Banheiro Feminino .

De repente , lembrei – me de um conselho que a minha avó me dava quando era criança :

- Quando for usar um banheiro público , cubra as suas partes pudentas pois existem câmeras de pessoas mal – intencionadas lá .

Depois que este pensamento saiu da minha cabeça , olhei para o Google e vi um link com a seguinte notícia :

“ Câmara Abre Sindicância Para Homem Que Espionou Banheiro Feminino . “

Neste artigo uma funcionária da Câmara dos Deputados disse que estava usando o sanitário do local quando , como um raio , notou que um homem tentava fotografa – la . O suspeito é um funcionário da limpeza que já foi visto olhando mulheres que usavam o banheiro de senhoras .

Depois voltei para o Google e me deparei com a seguinte nota : “ Aluno Deixou Câmera no Banheiro Feminino da Escola e Colocou Vídeo no Youtube . “

Tive medo de abrir este vídeo , mas naquele instante , voltei até a minha sétima série e lembrei – me da seguinte aula :

“ A professora de Língua Portuguesa , entrou na sala e disse :

- Hoje o tema da Redação é : Eu Gostaria de Ser uma Mosquinha .

Assim um aluno exclamou :

- Professora , eu gostaria de ser uma mosquinha só para poder entrar no banheiro das meninas e descobrir o que elas falam por lá .

- Eu nem precisava ver a mulherada nua , pois só o fato de ouvir o que as garotas falam por lá já valeria a pena eu ser um inseto . “

Após me lembrar disto vi , num outro link , a seguinte notícia :

- “Concurso é Anulado Porque Gabarito Com Respostas Foi Achado No Banheiro Feminino . “

Depois de ler este artigo recordei – me de uma entrevista com uma psicóloga na TV , onde ela afirmou que as mulheres são os seres que mais colam nas provas e deixam seus rastros no banheiro de damas . Nunca me esqueci desta frase dela : “ Já fui psicóloga de escola e sempre depois das provas havia restos das colas nos banheiros das meninas . “

Num outro site achei a seguinte parte de uma notícia :

“ – A maioria dos suicídios , quando não acontece em casa , é cometido nos banheiros femininos . “

Desta forma lembrei – me que três moças já se mataram este ano , na cidade de Curitiba , em banheiros públicos .

Antes de escrever esta crônica conversei com uma zeladora de danceteria que comentou :

“ – Na balada já cuidei de banheiros masculinos e femininos . Mas a mulherada é quem gosta de levar os parceiros para transarem nos banheiros das damas . Porém , eu nunca deixei isto acontecer , é claro .

- Elas perdem de tudo no banheiro das mulheres , até a vergonha !

- Já achei até jóia caída ao lado da privada ...

- É lógico que eu colocava tudo na caixa de achados e perdidos . Afinal , sou honesta . “

Através deste texto pude concluir que o banheiro feminino é , realmente , um tipo de filial do inferno . Portanto , preciso tomar cuidado ao entrar em um .


Luciana do Rocio Mallon

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Cuidado Com Banheiros de Baladas



Há uma lenda que rola pela Internet dizendo que existem quadrilhas que seqüestram mulheres dentro dos banheiros das danceterias .

Segundo este boato , o esquema funciona assim : nos toaletes de algumas baladas existem espelhos com fundos falsos e passagens secretas .

Os bandidos observam a beleza da garota dançando na pista .Então quando ela entra sozinha no banheiro , o portal secreto atrás do espelho se abre e esta mulher é raptada . Assim a gangue leva a vítima para fora do país com o objetivo dela virar escrava branca em casas de prostituição no exterior .

Por coincidência , há alguns anos atrás uma danceteria na Rússia pegou fogo e a perícia achou passagens secretas dentro do banheiro feminino deste estabelecimento .

No Brasil , a cada ano surgem casos em que adolescentes falam aos pais que vão para as baladas e desaparecem misteriosamente dentro destas danceterias . Muitos familiares das vítimas pediram para analisarem as câmeras de segurança e as últimas cenas gravadas foram as cenas em que as garotas apareceram entrando nos banheiros destas baladas .

Portanto : repassem esta informação para todas as pessoas que vocês conhecem e tenham cuidado com banheiros de danceterias .



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 14 de abril de 2009

O dia que descobri que meu namorado...



“Sempre fui uma mulher que acreditava que todos os homens eram machistas.Sim, daqueles que não podem vestir rosa porque é gay e que acham que amizade com homem é só para falar de futebol e mulher, algo além disso, já é “bixisse”. Bem, demorei um pouco para encontrar um namorado pois eu sempre fui muito exigente e pensava o pior dos homens. Até que, em uma baladinha, fiquei com um carinha que me encantou com seu jeito de ser (mal eu sabia que esse jeito de ser tinha outro significado!). O Zé! Ah, o Zé, veio naquele dia para mudar minha visão sobre os homens (totalmente!). Ele era um “glentman”,carinhoso, atencioso e ainda conversava sobre TUDO comigo. Na verdade acho que gostei mas dele por isso do que por ele em si. E assim foi. Tudo muito lindo e colorido (é, até demais) pois ele era daqueles que usava até rosa, e eu adorava saber que os homens não eram todos machistas como eu pensava.Mas o Zé começou a agir estranho, me evitava e vivia afastado de mim. Eu achei aquilo muito estranho , claro. Sentia que ele queria falar algo e não conseguia. E então, certa vez, fomos numa baladinha com uns amigos. Papo vai, papo vem, eu e nossos amigos e o Zé ali, parado, intacto, sem dar um sorriso. Ele se levantou dizendo que ia ao banheiro. Depois de dois minutos, percebi que dois amigos dele também foram ao banheiro e ainda carregando suas carteiras e outro uma pochete (só não entendi para que levar uma pochete no banheiro). Minhas amigas continuaram ali, rindo e bebendo e eu fiquei intrigada com aquele bando de homem entroxado no banheiro. Estava bebendo e resolvi ir até o banheiro esfriar os pensamentos. Olhando-me no espelho, reparei no meu corpo e me dei conta que o banheiro masculino era exatamente do lado. E então, como numa cena de filme, tive uma idéia ridícula de por o copo na parede para ver se ouvia a voz do Zé. Idéia ridícula ou não, foi o que eu fiz.
- Ai, ela não entende! – ouvi Zé dizer indignado.
-Calma, relaxa, uma hora ela se toca!- disse um dos amigos
Relaxa?Calma?Me tocar?Como assim?- pensei
-Na verdade, ela foi um teste para eu ter certeza do que sou...mas e agora?Que que eu faço?Aiiii, tira essa mocréia de mim! – disse Zé.
-Mocréiaaaa?AAAAAAA, mas eu não acredito nisso!!!!!!!!!!!!
-Ai, me passa a escovinha pra ajeita meu cabelo? – disse o gay do Zé para um amigo.
-Peraí, GAY?- Meu mundo acabou ali. Respirei fundo e voltei para a mesa. Na mesma hora, o Zé veio até nós e sentou-se com nossos “amigos”. Então, eu levantei e chamei umas amigas para ir ao banheiro comigo (para contar a minha desgraça). Ele me olhou estranho e ainda soltou alto:
- Não sei por que vocês mulheres vão toda hora juntas no banheiro.
E eu naquela hora nem precisava comentar porque homens iam juntos ao banheiro, né? Calma, essa história é ficção e não aconteceu comigo não! Mas é uma dica para nós que achamos serem as únicas que se reúnem no banheiro pra contar segredos. Cuidado: homens juntos no banheiro também podem se rum perigo!hahaha

Beijossss


Bianca Silva

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Tema da semana: banheiro feminino

Além do xixizinho básico



Quem freqüenta sabe, o banheiro feminino é muito mais que um banheiro. Não importa de onde eles são, shoppings, consultórios, baladas, e até mesmo os de rodoviária.
Nossos banheiros sempre serão um mistério para aqueles que não possuem uma saia em sua placa de identificação. Eles não entendem porque demoramos, porque não vamos sozinhas, ou porque voltamos com aquela cara de felicidade. Então falemos abertamente sobre o assunto; É lá que tiramos um tempo para falar mal ou bem de homens,se eles falam de nossas bundas porque não podemos falar deles?? Arrumar o cabelo e a maquiagem, perguntar se o absorvente esta marcando, decidir se abandona ou não aquele encontro chato, afinal que te obriga a aguentar aquele mala que te chamou pra sair, dizer pra sua amiga que o cara que ela fica é um chato, e caso ela insista você tem que lembra-la que alem de chato ele tem mau hálito, decidir quem vai ficar com quem, ou quem não vai ficar com ninguém, falar mau das mulheres feias, e principalmente das bonitas, porque elas tem culpa de estar acompanhadas e você não, afinal se elas não existissem a concorrência seria menor. Não interrompendo a conversa nem na hora de fazer xixi, se é que vocês me entendem. Nossos banheiros podem não ser os mais limpos,mas nos esforçamos, podem não ser os mais tranqüilos, nós falamos, e muito, ele podem não ser o banheiro que gostaríamos que fosse, mas ele sempre estará lá, para nos deixar falar, nos dar um espelho amigo, um refugio na hora certa, ou simplesmente para ser o lugar onde fazemos xixi. O banheiro feminino não é algo que possa ser explicado em um texto, você precisa viver, estar lá dentro, ver com seus próprios olhos, ouvir e principalmente ouvir, com seus próprios ouvidos. Todos os mistérios que cercam o banheiro feminino, e todas as perguntas sobre o banheiro feminino que cercam as mulheres, em sua maioria são simples de explicar, mas qual seria a graça em deixar esse mistério acabar? Então que possamos sempre voltar com nossos sorrisos e nossos segredos, mantendo esse mistério que é o banheiro feminino.

Ingrid Moraes Alves

domingo, 12 de abril de 2009

A Hora H2O



Olhou para as rochas na beira da rodovia e se deu conta de que poderia ser muito mais simples do que havia planejado. Uma puxada abrupta de volante a 160 km/h e capotaria para a morte. Inicialmente, havia pensado em saltar de pára-quedas sem acioná-lo, seria o rompimento com sua maior fobia, uma última prova de coragem, como na cena final de "Vanila Sky", mas preferiu uma morte menos violenta. Não queria “estragar o enterro”, lembrando da frase final do marginal do filme “Tropa De Elite”, implorando para não ser alvejado no rosto, o que faria com que o velório necessitasse ser de caixão fechado.

Escolheu então um mergulho em Bombinhas. Iria sem companhia para ninguém ficar em sua cola, o grupo pularia na água e ele se afastaria, esperando então o ar chegar ao zero. Os motivos ele já nem repassava na memória, só sabia que não lembrava de qualquer razão que o fizesse continuar a querer existindo. Não que algo abominável tenha ocorrido em sua vida, ele passava por um misto de desilusão com apatia. A falta de oxigênio existencial já há muito o abatia, queria agora apenas fechar o suprimento de O2 para o corpo.

Chegou cedo no estaleiro, deixando seu carro em um estacionamento próximo: tirou a chave da ignição, saiu e acionou o alarme pela última vez em sua vida. Debruçou-se no parapeito do trapiche para apreciar o mar apaziguado e a bruma opaca que embaçava a fronteira do oceano com o céu lá fundo no horizonte. Logo foram chegando os membros da tripulação, caminhando pelo trapiche com seus uniformes vermelhos, óculos de sol e risos descontraídos. Alguns minutos depois, foram se aproximando os mergulhadores, com rosto escaldado do sono das baladas da véspera. Entraram aos poucos na embarcação e foram se espalhando pela proa e convés.

O mar semi-revolto e o vento sul causaram frustração, visto que haveria visibilidade debilitada ao fundo. A embarcação também balançava mais do que o normal, fazendo os instrutores distribuírem doses extras de Dramin ao grupo. Já se aproximavam do Ilha do Arvoredo, causando excitação em todos que estavam a bordo, cada qual passando a vestir suas roupas de borracha, snorkles e máscaras. Estava chegando a hora.
Ancorada a embarcação e todos devidamente municiados com seus cilindros e pés de pato, caíram um a um dentro d’água. Afundou lentamente deixando as borbulhas o afastarem aos poucos da superfície, como um último e efêmero rastro de sua existência. Oito metros abaixo e foi se afastando dos demais mergulhadores até perder todo contato visual, o que não foi difícil, já que a água estava turva e todos se concentraram mais próximos dos rochedos. Tinha autonomia para 20 minuto de ar, o que fez com que passasse a respirar mais rapidamente para esgotar a capacidade o quanto antes. Ficou apreciando um par de meros que valsavam lentamente a poucos metros de distância, permanecendo a procurar por outras espécies, embora essa distração mais o entediasse nesse momento, já que o principal motivo do mergulho era outro.

Tinha curiosidade em saber como seria morrer, mas quase não sustentava medo, só expectativa. Havia duas possibilidades que muito o interessavam: um amigo surfista que também mergulhava citou que, em um mergulho mal sucedido onde teve problemas com o respirador principal e também com o reserva, sentiu que a carência paulatina de oxigênio gerava delírios, causando um misterioso prazer que só foi interrompido quando outros colegas de mergulho perceberam que ele estava morrendo. Outra especulação sobre a morte, e desta vez não só referente a mergulhos, era a de que, na hora, no minuto m e no segundo s da transição entre a existência terrena e o lado de lá, você revê toda a sua vida. E isso em um único segundo. Lembrou de “Beleza Americana”, quando o personagem de Kevin Spacey afirmou que “não é um segundo, é um oceano de tempo”. Ele estava em um oceano, e lhe restava pouco tempo. Olhou para o marcador apontando para o vermelho e percebeu que o momento derradeiro estava chegando. Embora não quisesse rever sua vida inteira, algo que o deixava curioso era o fato de que comentaram ocorrer, neste flash-back imenso e ínfimo, um fato ainda mais inusitado: relembrar todos os detalhes de cada instante vivido.

O delírio e a revisão existencial se iniciaram ao mesmo tempo. Percebeu então que estava morrendo quando passou pela sua mente a sua mais remota recordação: uma cicatriz em forma de triângulo sobre a sobrancelha do médico que o pariu. Depois veio a mão áspera com o anel da vizinha que o machucava nos primeiros banhos. Chegou a recordar da marca da panela de pressão que colocou na cabeça para brincar de soldado com o irmão na cozinha. Outros detalhes vieram à memória, fazendo-o recordar o quanto sua vida não merecia continuidade: a vez em que deu vexame em um recital com a família errando o "Tema de Lara" ao piano; acertando acidentalmente a professora na guerra de cuspe no recreio da escola; errando gol feito em jogo no qual o goleiro bateu a cabeça na trave deixando a pequena área livre; entre outros opróbrios da infância. O turbilhão de recordações prosseguiu com a tatuagem mal sucedida feita de tinta de caneta Bic e que deixou uma pequena e perpétua mancha na omoplata direita, o atropelamento sofrido na esquina das marechais e que deixou seu maxilar estalando para sempre, o quase incêndio de seu apartamento quando o carpet pegou fogo com a agulha que tentou esterilizar embebida em álcool no fogão para desencravar uma unha, a venda de sua coleção de discos de vinil da qual se arrependeu perpetuamente, o baseado que teve de engolir para não ser pego em uma batida policial e que o fez ficar “viajando” por dois dias, a briga que teve com um salva-vidas que baixou em sua namorada e que atraiu os colegas bombeiros para uma surra coletiva, o número de pintas que contou nas costas de outra ex-namorada, as estrelas que contabilizou no céu da Ilha do Mel com uma amiga colorida, o telefone esquisito e indecorável daquela loira que tinha o sorriso mais contagiante que viu numa balada... voltou rapidamente à superfície antes que esquecesse de novo daquele número.




Mario Lopes

sábado, 11 de abril de 2009

Conto de Pré-Páscoa

Aproveitando que estamos na véspera da Páscoa, sairemos um pouco do tema da semana (embora, de certa forma, também se trate de uma "Hora H") para publicar um texto da Luciana Mallon sobre a data. Para abrir, uma foto-cartoon divertidade que não tem nada a ver com o post, mas sim com o tema. Boa Páscoa pra todo mundo.




No ano de 1992 , Álvaro era um adolescente tímido e estudioso de dezesseis anos de idade . Fisicamente ele era : branco , gordinho , tinha espinhas na cara e usava enormes óculos de grau . Além disto , ele nutria um amor platônico pela menina mais bonita do colégio , Patrícia , que vivia desprezando este pobre rapaz .
Um certo dia , perto da Páscoa , a sua mãe ficou muito doente e precisou de remédios caros . Por isto Álvaro resolveu arrumar um emprego , mas a única coisa que conseguiu foi um bico de distribuir panfletos , no seu bairro , em uma fantasia de coelho bem no domingo de Páscoa .
Quando chegou o grande dia o moço saiu fantasiado e avistou um parque diversões onde a entrada era muito cara . Mesmo assim , ele aproximou – se do local e o porteiro exclamou :
- Para o Coelhinho da Páscoa a entrada é de graça !
Então este rapaz se divertiu bastante . Até que saiu do local e resolveu distribuir os panfletos , seriamente , pelo bairro .
Pelo caminho ele avistou a danceteria Amnésia , onde a entrada era cara e só os ricos podiam freqüentar . Mas ele aproximou – se do estabelecimento e viu o cartaz em que estava escrito :
“ – Hoje Grande Baile à Fantasia
Quem Vier Fantasiado Não Precisará Pagar o Ingresso ! “
Álvaro não perdeu tempo , aproveitou que estava vestido de coelho e entrou dentro desta danceteria .
Assim ele começou a dançar e chamou a atenção de muitas mulheres .
Até que Patrícia chegou perto dele e disse :
- Sabe que uma das minhas fantasias é ficar com um homem vestido de Coelho da Páscoa ?
Desta forma o moço foi para a casa de sua amada . Os dois estavam conversando no quarto . Até que alguém arrombou a porta e não era nada menos do que Robson , o namorado de Patrícia , que exclamou :
- Mulher , você está me traindo com o coelho da Páscoa ?!
- Isto é ridículo !
- Será que a cenoura dele é melhor do que a minha ?!
Álvaro , assustado , pulou a janela e saiu correndo .
Ele passou em frente a sua rua , escutou tiros , olhou para trás , mas se surpreendeu . Pois não era Robson quem estava atirando e sim Marcos , o seu vizinho que tinha problemas mentais e enquanto este louco atirava , ele dizia :
- Estamos na época de casa aos coelhos !
- Nunca vi um coelho tão grande assim !
- Deste jeito ganharei o prêmio .
Álvaro , rapidamente , entrou em sua casa , sentiu uma forte dor de barriga e foi direto ao banheiro , sem tirar a sua fantasia . Então ele notou que as suas fezes estavam saindo com formatos de ovos de Páscoa .
Álvaro ficou preocupado , arrancou a fantasia de coelho do corpo e antes de dormir prometeu que nunca mais trabalharia como Coelho da Páscoa .



Luciana do Rocio Mallon

sexta-feira, 10 de abril de 2009

As horas H dos dias D

Uma breve coleção de momentos iconográficos da era contemporânea.

Beijo na Time Square, registro de Alfred Eisenstaedt, em 1945, que se tornou uma das imagens românticas mais arrebatadoras do universo da fotografia.




"Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade" em 1969, com a chegada do Homem à Lua




Em 1989, embalado pelos ventos do fim do comunismo em diversos países, um estudante desafia uma fileira de tanques na Praça da Paz Celestial em Pequim.




Um miliciano legalista flagrado no exato momento em que é executado, no ano de 1936, pelo genial fotógrafo Robert Capa.




Em 1934, um tronco, um monstro ou uma fraude emergiu das escuras águas do Lago Ness e se tornou lenda.




Que impulso de crueldade foi capaz de derramar napalm sobre crianças em 1972 num aldeia vietcong?




Um vietcong morre pelas mãos do chefe da polícia de Saigon, em 1968: barbárie sem medo de flagrante delito.




O dirigível Zeppelin explode em 1937, fragilidade e horror de forma imponente e na mesma imagem.




Em 1986, a humanidade olhava para o céu incrédula: milhões de dólares em investimentos não foram capazes de evitar a explosão da Challenger antes mesmo de sair da órbita terrestre.




Um disparo silencia o mundo: o presidente Kennedy é morto em visita ao Texas.




Um paparazzo causa o acidente e outro faz o último registro de Lady Di em 1997.




Em 1955, a inocente brisa que emana dos subsolos do metrô faz Marilyn Monroe protagonizar uma das imagens mais sexys da história.




A primeira marretada no Muro de Berlim em 1989 deveria ser tratada como ato solene, mas foi democrática bem ao estilo que a festa tanto merecia.




Em 1972, a face do terror se exibe para as câmeras protegida por uma máscara, pelo anonimato e pela truculência: uma equipe de atletas da delegação judaica nas Olilmpíadas de Monique é vítima de um sequestro que deixaria sequelas étnicas e sociais até nossos dias.




Às 8 horas, 46 minutos e 26 segundos do dia 11 de setembro de 2001, o boeing 767-223 da American Airlines colide com os andaras 94 e 98 de uma das torres do World Trade Center. Logo depois, é a vez da colisão de outro boeing com a torre gêmea, em vôo também tripulado por terroristas. O novo milênio mal começava e já ocorria a Hora mais H de nossos tempos.




Mario Lopes

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A hora e a vez da Guerra de Travesseiros



Dia 4 de abril de 2009 , eu estava passeando num site de notícias , quando , de repente , vi o título da seguinte notícia :

“ Jovens Fazem Guerra de Travesseiros No Centro de Curitiba “

Logo , pensei :

- Com tantas guerras no mundo , estes adolescentes resolvem fazer uma guerra de travesseiros no centro da cidade !

- E , justamente , no Dia do Beijo !

- Poxa , em vez de se beijarem , ficam fazendo bagunça e se agredindo !

- É nestas horas que sinto saudade daquele slogan dos anos sessenta :

- “ Não faça guerra , faça amor .”

Após ler sobre esta notícia , entrei num site de arte onde li os seguintes comentários de um crítico da área :

“- A guerra de travesseiros na Praça Santos Andrade foi uma verdadeira obra de arte , uma catarse em forma de Flash Mob . “

- Aquelas penas e espumas flutuando foram colírios para meus olhos . “

Assim pensei :

- Desde quando guerra de travesseiros , em público , é obra de arte ?

- Só se for a “pseudoarte “ da personagem Alicia da novela A Favorita .

Depois li um comentário de uma professora :

- A Guerra de Travesseiros em frente a UFPR foi maravilhosa .

- Pena que este evento acontece só uma vez por ano !

- Ano que vem incentivarei meus alunos a participarem deste evento !

Como um raio , refleti :

- É por causa de mestras como esta que o Brasil não vai para frente .

Afinal , na minha opinião , isto não se chama arte pois tem outro nome : vandalismo .

Depois de ler estes artigos , fui até a um site de relacionamentos , onde encontrei uma comunidade intitulada Odeio Guerra de Travesseiros . Nele uma avó desabafou :

“ – Minha neta pediu um travesseiro emprestado para uma festa . Eu pensei que ela participaria de um baile temático , como por exemplo : A Festa do Pijama . Por isto , emprestei meu melhor travesseiro , um de penas de gansos suíços . Quase tive um enfarto quando descobri que minha neta destruiu o objeto valioso numa briga de travesseiros no centro da cidade . “

Embaixo deste texto , uma mãe falou :

“ – Eu tinha uma espécie de travesseiro de estimação , há mais de dez anos . Eu sempre dormia com ele . A única coisa que me incomodava é que há oito anos eu sofria de insônia . Sábado pela manhã fui arrumar a cama e me dei conta que meu travesseiro tinha sumido . Algumas horas depois liguei a televisão para assistir ao noticiário . Quando , de repente , na tela vi a imagem do meu filho no meio de uma guerra de travesseiros no centro da cidade . Fiquei assustada quando percebi que meu menino estava usando meu objeto de estimação para tal balbúrdia . Ainda mais espantada fiquei , quando foquei meus olhos na cena , e percebi que de dentro do travesseiro saiu uma espécie de boneco semelhante a um diabinho .

- Será que tudo isto foi delírio meu ?!

- Só sei que quando meu rebento voltou para a casa , tive uma conversa séria com ele .Então , meu garoto comprou um travesseiro novo e nunca mais tive insônia . “

Desta maneira pensei comigo mesma :

- Este desabafo daria um excelente tema para uma Lenda Urbana : O Diabinho do Travesseiro Que Se Libertou Numa Guerra .

Depois desta viagem em meu pensamento , continuei lendo os comentários .

Em um outro tópico , um comerciante desabafou :

“ – Esta briga de travesseiros espantou muitos clientes da minha lanchonete . Algumas pessoas iam fazer lanches no meu estabelecimento , mas quando viram tamanha confusão , pensaram que se tratava de uma revolução estilo : Guerra do Pente e foram procurar outro restaurante .

- Será que estes jovens sabem que trouxeram prejuízo para mim ? “

Bem estes foram alguns desabafos que mães , avós e comerciantes fizeram na comunidade : Odeio Guerra de Travesseiros .

Espero que estes adolescentes tomem consciência de que existem coisas mais úteis para fazer do que brigas com travesseiros , no meio da rua , e não comentam mais este vandalismo ano que vem .



Luciana do Rocio Mallon

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Na Hora H , Use o Método Chico Xavier



Era o ano de 1981 , eu possuía sete anos de idade , estava na primeira série e tinha uma amiga chamada Cristiane . Um certo dia , iríamos ter prova . Então esta minha colega perguntou – me :
- Vamos ter prova ...
- E se na hora H , der um branco e eu não souber responder aquelas perguntas ?
Assim respondi :
- É só usar o método do Chico Xavier , aquele homem que escreve tudo o que os espíritos dizem !
Então minha colega indagou :
- Mas será que isto dá certo em provas ?
- Porque eu vi que ele recebe ajuda dos espíritos para escrever cartas !
Desta forma , expliquei :
- E são cartas para as famílias dos mortos ...
- Pense bem :
- Se a invocação de almas dá certo para cartas , também dará certo para testes escolares !
- Basta você fechar os olhos , se concentrar e deixar a caneta rolar no papel .
Algum tempo depois , chegou a hora da prova .
Notei que Cristiane , fechou os olhos , colocou a mão sobre a testa e entrou num certo tipo de transe . De repente , ela começou a escrever tão rápido que espantou a todos . Então a menina passou a falar uma língua estranha , seu corpo caiu no chão e ela teve um tipo de convulsão .
A professora , desesperada , ligou para os pais da garota que a levaram a um médico .
Quando a mestra olhou o teste da menina viu que ela não escreveu em português , e, sim em alguma língua do Oriente Médio semelhante ao sânscrito .
Moral da história : nunca devemos brincar com as forças ocultas .


Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 7 de abril de 2009

Hora H, seria Hora do Horror?



É , porque parece que tudo acontece nessa hora...mas tudo de RUIM. Nunca vi uma hora H ser boa....e é assim em todos os sentidos, já percebeu?
Quer exemplo?É fulano que diz que na hora H:
“Brocho”, “Fudeu (no sentido trágico da coisa)”, Enguiço”, “ Paro ”, “Tremeu (principalmente em foto), “Esqueci (principalmente em provas)”, “Desapareceu (principalmente quando se está louquinha para achar aquele brinco no meio da sua bagunça e está atrasada)”, “ Travou (bom, isso pode ser tanto quando você tem um trabalho no computador c quase terminado e quando vai salvar a p** trava ou também quando se tem que apresentar um trabalho pra muiiiiita gente e suas pernas ou a língua travam), “Deu branco (nossa, isso é o que mais acontece comigo)”...enfim, muita gente tem alguma coisa para contar que na hora H foi horrível com H maiúsculo.
Bom, horrível ou não,só tenho uma dica a dar para todos que sofrem com isso: vamos eliminar a hora H de nossas vidas. Vamos tentar chegar a nossos destinos, em nossos momentos que precisamos e encará-los como normais ou pelo menos tentar. Eu quero fazer da minha vida cada hora ser a hora H, e no sentido melhor que essa hora possa ser.E você?


Bianca Silva

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Tema da semana: Na hora H


Se liga!


Estava aqui me preparando para escrever o post dessa semana, quando resolvi “googlear” pesquisando o tema da semana: Na hora H, só pra ver o que ia aparecer.

Descobri algumas coisas que eu nem imaginava:
Existe uma música do Zezé de Camargo e Luciano com esse título.
Hora H, também é o nome de um jornal da baixada Fluminense.
É o nome de um grupo de pagode, que segundo o site deles, faz sucesso em todo Brasil. (???)
É uma marca de preservativos que tem um site muito legal, interativo e cheio de informações, vale a visita: http://www.horah.com.br
Existe um site que mostra as caras e bocas que as pessoas fazem na hora h, hilário: http://beautifulagony.com/public
Alguns outros links que apareceram na minha pesquisa, falavam da Hora H como o momento decisivo de uma entrevista de emprego, mas 99 % do conteúdo da pesquisa era ligado a sexo.

Também pesquisei entre amigos, nessa sexta-feira, estávamos eu mais três amigas colocando a conversa em dia e tomando umas e outras, quando perguntei: -Gurias, para vocês, o termo hora h, remete a quê? Todas responderam em uníssono: - Sexo! Então contestei: Mas ninguém lembrou de outra situação? Como uma situação profissional, por exemplo? Uma delas falou: - Nesse, caso seria o “Dia D” e exemplificou: - Hoje tenho uma entrevista, é o dia D pra resolver minha vida.
O Brasil é visto como um país sensual, de belas mulheres, mas eu acho extremante careta sua postura com relação a sexo, chega a ser hipócrita. Campanhas a favor do uso de camisinha, da prevenção da Aids, são pontuais na época do carnaval e sempre muito fracas, na minha opinião.
Quando se fala do tema da sexualidade na França, o país tem sempre uma postura diferente e irreverente quando comparada com o resto do mundo. Esta campanha, chocante, pretende chamar a atenção para o risco de contrair AIDS quando da prática do sexo desprotegido. Imagens fortes que, definitivamente, ficam na memória.




http://www.youtube.com/watch?v=ls5W6QkzUvg

Sucesso Desaforadas!

Besos,


Andréa Penteado

domingo, 5 de abril de 2009

Menos fashion que a morte



“Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber, afinal amar o próximo é tão demodê”.
Renato Russo

Você conhece algo mais brega do que o amor? Pode constatar: uns 95% de toda a música péssima que existe no mundo reza sobre amor. Os pagodes mais execráveis, os sertanejos mais bagaceiros, os axés mais laxantes, quase sempre batendo na mesma tecla cor-de-rosa. Seja como ode, seja como escárnio, ele é tema recorrente. As histórias mais inesquecíveis, as paixões mais açucaradas, os desejos mais inconfessáveis, e faça-se presente o amor. Promessas quebradas, sonhos vencidos, cotovelos latejantes e lá está ele: o cobiçado e temperamental amor. Dando e tirando quase na mesma medida. Pisando duro no calo sem perder o sorriso de santidade.

Por ser, literalmente, o tema mais apaixonante do universo, o amor é também o mais democrático. Que jogue a primeira pedra de gelo aquele que nunca tomou um pilequinho para afogar as mágoas de um romance frustrado. E isso é o mínimo: há quem sequestre a família, bata o carro e até mate em nome do amor. Incrível como as autoridades investem em programas anti-drogas mas nenhum parlamentar se manifesta em prol de tratamento profilático para dores de amor, mesmo com casos de homicídio/suicídio todos os dias infestando os noticiários (vide o episódio de Diadema no ano passado, em que um desequilibrado alvejou a namorada e a amiga depois de dias de cativeiro, entre tantos outros). O Globo Repórter certa vez revelou uma pesquisa apontando que quatro em cada cinco pessoas já sofreram dor de amor. Quantos desses não perderam emprego, se viciaram em barbitúricos ou cometeram toda sorte de besteira para aplacar a dor da alma? O fato é que, por conta de seu histórico comprometedor (e isso vem desde Adão e Eva), somado à vulgarização com que é tratado por “artistas”, pastores e autores de livros de auto-ajuda, o amor virou sinônimo de veneno kitsch. De algumas décadas para cá, sua depreciação foi mais violenta do que os índices da bolsa Nasdaq no crepúsculo da era Bush.

No final dos anos 60 e início dos 70, o amor entrou em seu momento áureo. Afirmavam os esotéricos que estávamos adentrando na Era de Aquário e que o amor nos salvaria. Beatles não se constrangiam nem um pouco em receitar “All You Need Is Love” e o lema da nova era passou a ser “Paz e Amor”. Não havia embaraço nas vestimentas excessivamente coloridas, nem em se usar flores no cabelo. Era a ascensão do amor livre. Mas a década seguinte, ainda embalada pela sepulcral notícia de que “o sonho acabou”, trouxe um ceticismo arrogante e impulsionado pelo deboche da onda punk. Surgiram os yuppies, ex-hippies arrependidos e endinheirados que apregoavam justamente o contrário da redenção pelo amor. O que valia era o poder e as relações interpessoais efêmeras.

Claro, a moda é cíclica, e, portanto, os anos 90 se iniciaram com uma tentativa de retomada do Power & Flower, trazendo bandas como Stones Roses cantando e se trajando na linha amor-com-amor-se-paga. Mas foi muito breve este revival. Não havia como represar a mágoa de décadas de guerra fria e a desesperança de um mundo agora ameaçado pelo aquecimento global. Ela se impregnou nas composições dos astros do grunge, movimento que operou a estética da depressão fashion como nenhum outro. Letras ácidas, roupas escuras e guitarras distorcias – no futuro poderão chamar os filhos de Seatle de grosseiros, mas dificilmente poderão apontá-los como bregas, porque compunham com uma couraça estética quase intransponível para o contágio do amor.

Junte-se a isso a força dada por outros movimentos artísticos, como o cinema tarantinesco, onde até os amores são bandidos e as cenas de truculência é que fazem o frisson junto ao público, e assim caímos da era de aquário diretamente e sem escalas para a era do ferro. O amor se tornou elemento pernicioso, quase persona non grata. Um recurso canhestro e perigoso. E isso até mesmo em uma galáxia muito, muito distante: a série “Star Wars” tinha em seus rivais, os Jedis e os Siths, um inimigo em comum, o amor. O motivo? No caso dos Jedis, o amor poderia trazer ciúmes e ódio; no caso dos Siths, poderia enfraquecer por inspirar a compaixão. E, no caso dos produtores da série, poderia fragilizar a seriedade da história, gerando também constrangimentos para a platéia mais apegada à luta de sabres de luz do que às flechadas rudimentares de cupido.

Mas deixando um pouco de lado o nível macro do assunto e esquecendo as influências das artes e da mídia, por que o amor carrega essa aura de ameaça à estética e à paz do cidadão comum? Simples, ele nos torna tolos, nos desarma, nos joga em ciladas depois percebidas como quase inexplicáveis de tão enganosas quanto cruéis. Mudamos, nos infantilizamos, somos, da noite para o dia, vistos no jardim de uma casa desconhecida roubando rosas; ou servindo café na cama quando nem costumamos tomar café-da-manhã; damos presentes por um impulso irrefreável e sem qualquer motivo específico; escrevemos milhões de e-mails e recados no celular; catapultamos a conta telefônica. “Ame e dê vexame”, já alertava um livro de Roberto Freire. Você fica vulnerável porque amor de verdade não tem máscaras ou armaduras. Mas a apologia ao gladiador contemporâneo (e nele também está incluso a mulher guerreira que cumpre dupla jornada) nos impede de admirar quem se expõe e se fragiliza diante do outro, por mais que esse outro seja alguém com quem se dividirá as maiores intimidades. Vivemos o amor com um pé atrás, o que, já em primeira instância, não é amor de verdade. Por conta disso, a moda tratou de adotar o luto como um elemento mais seguro para o público e para os artistas. Vestir preto, por dentro e por fora, imuniza o usuário dos reflexos da breguice. É refratário e mais elegante. Preto emagrece na silhueta e previne dos efeitos colaterais da alegria. A morte é mais fashion que o amor. Essa constatação encontra coerência em uma pesquisa que aponta terem as pessoas mais medo de falar em público do que de morrer. Ou seja, pagar mico, eu?! Nunca, prefiro morrer. Uma visão que contamina o campo das relações conjugais.

Até mesmo (ou principalmente) no encerramento de uma relação usamos o ódio ao invés do amor, e isso por um fator simples: é muito mais fácil se afastar de algo que execramos do que daquilo que ainda desejamos. Além do mais, aliviamos ou anestesiamos o sentimento de culpa. Daí torna-se prudente botar a conta da relação no outro, construir uma falha alheia, esculpir um factóide: “ah, foi o jeito dele”, “ah, foram as manias dela”, espalhando o motivo ao seu círculo de relacionamentos que, por sua vez, dará o devido reforço estimulante ao fim da relação. Esquece-se todo o amor vivido por conta de uma necessidade pontual de ruptura.

E aquele amor fraternal, esqueça. Se já é difícil amar alguém que nos dá prazer, imagine exercitar compaixão por quem não conhecemos ou, pior ainda, que nos causa algum mal. O Amor a Deus, então, este ficou dividido em dois flancos: os que não acreditam nEle (e que estranhamente o odeiam, por mais que não faça sentido rechaçar o que dizemos não existir) e os que são papa-hóstia/crentes/glória-glória-aleluia. Não há espaço na arte e nos debates cotidianos para quem acredita no amor divino sem afetação ou ceticismo. Você escolhe, ou um ou outro.

“Declare guerra a quem finge te amar”, do Frejat, e “I Love you but when you love me”, de Barney Sumner e Johnny Marr, atestam que o tal amor soberano e incondicional entrou em baixa faz tempo, sem sinais de desfibrilador na enfermaria. Compositores gays, como Cazuza e Renato Russo, conseguiram tocar no tema sem grandes constrangimentos e com imenso sucesso, muito provavelmente porque adquiriram coragem já pela própria condição sexual que os coloca em posição vulnerável. Dos heteros, Djavan, Zeca Baleiro e Nando Reis fazem a valiosa frente dos machos sem medo de se expor, mas são modelos cada vez mais escassos, visto que estamos na era em que ninguém quer ver seu coração sendo sparring de alguém. E se é para expor fragilidade, que sejamos emos porque é muito mais cômodo nos fazermos de vítimas de nossas emoções do que exercitar seus riscos.

Na semana que passou, tivemos duas coincidências interessantes quanto a este tema: Gabriel Garcia Marques, o genial autor de “Cem Anos De Solidão” e de “O Amor Nos Tempos Do Cólera”, anunciou que parará de escrever, gerando um pesar mundial por perdermos um dos raros minaretes intelectuais que não têm medo de cantar as maravilhas deste sentimento universal; e a MTV divulgou no Top Top, programa destinado a formar listas de mais-mais em diversas áreas da música pop, os dez discos mais importantes sobre fim de relacionamento. As verdadeiras vítimas da moda do desamor puderam saber quais artistas e álbuns tiveram mais significância na estética da deprê-conjugal. E aqui vão as faixas mais representativas de cada disco elencado (isso dentro de uma seleção pessoal, que não constou no programa da eme-tevê, como diria o Lobão). Leia as letras, veja os clips, ouça as músicas e bom Prozac pra você.


10º lugar) Kanye West se separou de sua noiva e gravou o álbum “808s & Heartbreak”, cuja faixa carro-chefe se intitula “Hearthless”, ou seja, “Sem Coração”. O estranho é que quem acabou o romance foi ele, então por que acusá-la de ser sem coração? Pelo que dá para entender da letra, quem disse “fim” foi ele, mas recebeu uma resposta que o magoou, e como.



Sem Coração

Na noite eu os ouço contarem
A mais fria das histórias
Em algum lugar dessa estrada ele perdeu sua alma
Pra uma mulher sem coração... sem coração
Como você pode ser tão sem coração...
Como você pode ser tão sem coração
Como você pode ser tão
Fria como o vento de inverno quando venta em você
Só se lembre que você falou comigo
Você devia ver o jeito que falou comigo
Tipo, depois de tudo o que passamos
Tipo, depois de tudo que fizemos
E eu sei algumas coisas suas que você não me contou
Sei que fiz algumas coisas mas aquele era o antigo eu, e agora você quer me devolver
Você quer deixar isso claro então anda por aí como se não me conhecesse
Você tem esses novos amigos
Bem eu tenho umas gatas
Mas no fim das contas ainda me sinto sozinho...
Na noite eu ouço eles contarem
A mais fria das histórias
Em algum lugar dessa estrada ele perdeu sua alma
Pra uma mulher sem coração... sem coração
Como você pode ser tão sem coração...
Como você pode ser tão sem coração
Como você pode ser tão "Dr. Evil"
Você está trazendo um lado de mim que eu não conheço
Eu decidi que não iríamos mais nos falar então porque estamos às três da manhã no telefone?
Porque ela tem que ser tão má comigo, eu não sei, ela é quente e fria
Não vou parar e ferrar minha música pois eu já sei como essas coisas são
Você corre e conta pra suas amigas que está me deixando
Eles dizem que não sabem o que você vê em mim
Espere uns dois meses então você verá
Que você nunca vai achar ninguém melhor que eu
Na noite eu ouço eles contarem
A mais fria das histórias
Em algum lugar dessa estrada ele perdeu sua alma
Pra uma mulher sem coração... sem coração
Como você pode ser tão sem coração...
Como você pode ser tão sem coração
Falando, falando, falando
Baby, vamos encerrar isso logo
Eles não sabem o que passamos juntos
Eles não sabem nada sobre mim e você
Então tenho algo novo pra ver
E você só vai continuar me odiando
E nós vamos ser inimigos
Eu sei que você não consegue acreditar
Eu podia deixar tudo errado
E você não pode consertar
Eu vou sair essa noite
Vou sair na noite...
Na noite eu ouço eles contarem
A mais fria das histórias
Em algum lugar dessa estrada ele perdeu sua alma
Pra uma mulher sem coração... sem coração
Como você pode ser tão sem coração...
Como você pode ser tão sem coração


9º lugar) Bruce Springsteen se separou de Juliete Philips e criou “Tunnel of Love”, considerado o 25º álbum mais importante de todos os tempos pela Revista Rolling Stone. Como diria Cazuza: “obrigado por me da inspiração pr’eu ganhar dinheiro”. “Brilliant Disguise” é a faixa lapidar deste momento penoso vivido pelo legítimo american hero.



Ótimo Disfarce

Eu te seguro em meus braços
Enquanto a banda toca
O que são aquelas palavras sussurradas, baby
Enquanto você se afastava
Te vi noite passada
Pelas esquinas da cidade
Quero ler sua mente
Para saber exatamente qual foi minha parte
Nessa novidade que descobri
Então me diga o que eu vejo
Quando olho em seus olhos
É você realmente,
Ou somente um ótimo disfarce?
Ouvi alguém chamar seu nome
Debaixo do nosso salgueiro
Vi alguma coisa escondida
Embaixo do seu travesseiro
Bem, eu me esforcei bastante
Mas não consigo entender
O que uma mulher como você
Está fazendo comigo
Então me diga quem eu vejo
Quando olho em seus olhos
É você realmente,
Ou somente um ótimo disfarce?
Agora, olhe pra mim
Enquanto eu me esforço pra fazer tudo certo
E quando tudo dá errado,
Quando as luzes se apagam
Eu sou só um andarilho solitário
E ando por esse mundo com riquezas
Quero saber se é em você que não confio
Porque estou bem certo de que não confio em mim mesmo
Agora você interpreta a mulher apaixonada
E eu, o homem fiel
Mas não olhe muito de perto
Para as minhas mãos
Nós ficamos de pé, lá no altar
A cigana disse que nosso futuro era certo
Mas então vêm os pequenos momentos
E talvez a cigana tenha mentido
Então, quando você me olha
É melhor olhar bem e duas vezes
Sou eu realmente, baby
Ou somente um ótimo disfarce?
Hoje à noite nossa cama está fria
Estou perdido na escuridão do nosso amor
Deus tenha piedade do homem
Que duvida do que Ele tem certeza


8º lugar) Beck se separou de sua companheira de sete anos e criou um álbum com ligação quase inexistente perante os anteriores: nada de ecletismo e experimentalismos. “Sea Change” é puro amor rasgado, amargo e ácido. E “Lost Cause” é uma belíssima faixa que merece destaque.



Causa Perdida

Corte pesaroso
Dos olhos ao osso
É duro deixar este calor solitário
Da licença das feridas injetadas
Em alguém novo
Um bebê, eu sou um bebê perdido
Eu sou um bebê perdido
Eu sou um deles
Em uma causa perdida
Diversas pessoas vêm e vão
Para saber seus segredos
Você sabe que esta cidade tem loucos
Nenhum bebê recebe cuidado
Eu sou um bebê perdido
Eu sou um bebê perdido de uma causa perdida
Cansado da luta
Cansado da luta
Lutando por uma causa perdida
Um lugar onde você nunca esteve antes
Ninguém ri de suas costas
E estão em sua porta
É o que você pensa do amor
Eu sou um bebê perdido
Eu sou um bebê perdido
Sou uma causa perdida
Cansado da luta
Cansado da luta
De combate por uma causa perdida


7º Lugar) A cantora Jane Birkin se separou de Serge Gainsbourg, que, para quem não conhece, foi um dos mais importantes compositores franceses do século passado, tendo criado canções que fizeram sucesso também na voz de sua outra esposa, a exuberante Brigite Bardot. O álbum “Baby Alone in Babylone” tem, na faixa título, um melancólico e tímido uivo de amor, quase uma canção de caixinha de música. Incrível, mas reza a lenda que o próprio Gainsbourg compôs as músicas (cheias de referências altamente pessoais) para sua ex exorcizar a própria amargura da separação.



Baby, sozinha na Babilônia

Baby, sozinha na Babilônia
Afogados nas ondas
Pontiac
Cadillac
Bentley em L. A.
Rolls Royce e Buick
Metal na noite
Baby, sozinha na Babilônia
Afogados nas ondas
Música
Elétrica
Rock 'n' roll está procurando um papel
Você pesquisa os estúdios
E vestígios de Monroe
O rhinestones e estresse
Deus e deusas
Los Angeles
Baby, sozinha na Babilônia
afogados nas ondas
Luz
Poeiras
Efêmero Estrelas
Você sonho de eternidade
Infelizmente você vai encontrar
Baby, sozinha na Babilônia
Afogados nas ondas
Suas lágrimas e encanto
Avenida da Sunset
Sunset Boulevard é o
Que serpenteia através do escuro
Baby, sozinha na Babilônia
Afogados nas ondas
Malibu
Petite estrela inconnue
Você viu que as estrelas
Polícia Federal


6º lugar) Marvin Gaye se divorciou de um casamento que durou 15 anos e gravou “Here, My Dear”, onde absolutamente todas as canções falam sobre o desenlace. Às vezes cínico, por outras sentimental, Gaye tem na faixa "When Did You Stop Loving Me, When Did I Stop Loving You” um resumo da ópera de tudo o que concluiu sobre suas desventuras conjugais. Na idade das debutantes, ele já sinalizava sua jornada vocacionada para a tragédia.



Quando Você parou de me amar, quando parei de amar você

Sabe, quando você diz seus votos de casamento,
Eles são supostamente para ser a sério.
Quero dizer...
Se você pensar sobre o que você realmente disse
O que é tudo, honra, amando e obedecendo até a morte fazer-nos parte e todo.
Mas isso não deveria ser assim, deve...
Devem, devem ser mentiras
Porque acaba por ser mentira.
Se não honrar o que você disse, você mente para Deus.
As palavras devem ser alteradas
Agora que me lembro, tentamos um milhão de vezes
Mais uma vez e outra vez e outra vez, e isso não é tudo
Eu dei o meu amor por você a cada vez
De repente, eu começo a perceber que não posso fazer isso
Belos pássaros voam longe
Tive que deixar você para a minha saúde no amor
O que fazer?
Faça você, vou deixar você, meu bem, para pagar para sempre
Portanto, se um novo amor aparecer
Não vou dizer aquelas palavras novamente
Em vez disso, vou dizer que vou tentar amar e proteger
Com todo o meu coração o tempo que me quiser para você, baby
Se eu amar de novo
Eu vou tentar uma nova forma desta vez
Lembranças das coisas que fizemos
Temos orgulho de algumas, outras se esconderam
Assim, quando duas pessoas têm de participar
Por vezes, tornam-se mais fortes
Você se lembra de todas as lutas que tivemos?
Você disse que você me amava com todo o seu coração
Se você nunca me amou, de todo o seu coração
Você nunca teve um milhão de razões
Eu realmente tentei, você sabe que eu tentei, oh baby
Embora tenhamos tentado, de todas essas promessas restou nada, mas algo ficou
Tentei mesmo, você sabe como eu tentei, nós realmente mentimos, não é querida?
E em cima do que você tem medo da vida, está o meu nome
Mas eu não posso compreender
Porque se você me ama
Como você poderia me transformar em nada?
Eu não te amo tanto e vou tentar tomar conta de você?
O melhor que eu podia, que era tão convidativo e seu amor era como o vinho
Dores de amor, milhas de lágrimas, depois duradouras para a minha vida
Corações quebrados duram anos e rompem com o azul de um dia ensolarado
Uma coisa posso prometer, querida: eu nunca vou voltar
Mas nós não estamos realmente amargos, baby
Eu prometo a você, todo o amor do mundo, o bom amor do mundo
Mas eu sei que você nunca vai ficar satisfeita apenas para me ter ao seu lado
Memórias assombram o tempo todo, eu nunca vou sair, você é minha
Deus julgou-me ao seu lado, você disse coisas ruins e você mentiu
Ainda me lembro de algumas das coisas boas, baby
De amor depois do escurecer e piqueniques nos parques
Esses são os dias que eu amo e que entram na minha vida
Eu prefiro lembrar, lembre-se da alegria que compartilhamos, baby
Eu prefiro lembrar de toda a diversão que tínhamos
Tudo o que eu realmente queria era amar você e tratá-la direito
Tudo o que fizemos foi espalhafato e luta
Ele não se importa, baby
Eu nunca pensei que iria ver o dia em que você colocou-me através de você
Colocou-me através
Você tenta o seu melhor, você disse que eu não te dei nenhum descanso
Quando você vai parar de me amar? Quando eu vou parar de te amar?


5º lugar) O vocalista do Blur, Damon Albarn, rompeu seu namoro de seis anos e deve ter sido muito, muito doloroso. Continuaram amigos mesmo após o rompimento, o que atesta um alto grau de maturidade, mas as sequelas ficaram. Tanto que renderam um álbum um tanto aquém da euforia típica do grupo: “13”, cuja faixa “No Distance Left To Run” é tão triste que é difícil não se penalizar pela situação do músico (ou de não se identificar com ele em alguns momentos da vida).



Sem distância para percorrer

Está tudo acabado
Você não precisa me dizer
Espero que você esteja com alguém que te transmita segurança ao dormir
Estando contigo à noite
Eu não vou me matar
Tentando ficar na sua vida
Eu não tenho mais distância para percorrer
Quando você me encontrar
Por favor, vire de costas e vá embora
Eu não quero te ver
Pois eu sei que dos sonhos que você guarda eu faço parte
E quando você se entristece
Pensando em mim aqui
Eu não tenho mais distância para percorrer
Está acabado
Eu sabia que terminaria desse jeito
Eu espero que você esteja com alguém que te faça sentir
Que a vida é essa noite
E se estabeleça, ficando na volta
Passando mais tempo contigo
Eu não tenho mais distância para percorrer
Eu estou voltando pra casa.


4º lugar) Nick Cave sempre foi a depressão em seu amálgama mais elegante, justo em calorosas terras australianas, e isso desde os tempos em que dividia o palco com seus Bad Seeds. Mas seu relacionamento com uma jornalista brasileira, o qual lhe rendeu um filho e um rompimento de rasgar o coração, inspiraram o cavernoso poeta pop na composição de um álbum que destila o amargor em sua essência: “The Boatman’s Call”. A faixa “Into My Arms” é incrivelmente tocante, devido a seu lirismo cáustico, embalando religiosidade e desesperança com um teor romântico cativante – praticamente uma canção de ninar, não fosse o tema ser motivo da insônia de qualquer um.



Em seus braços

Eu não acredito em um deus intervencionista
Mas eu sei, meu amor, que tu acreditas
E se eu também acreditasse, eu ajoelharia
E rogaria a ele
Que não tocasse num único fio de cabelo de tua cabeça
Que te deixasse do jeito que tu és
E se ele sentisse que precisa te guiar
Que ele te guie direto para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
E eu não acredito na existência de anjos
Mas ao te olhar, me pergunto se não é verdade
E se eu acreditasse, eu os convocaria a todos juntos
E pediria que te guardassem
Que cada um lhe acendesse uma vela
Para fazerem o teu caminho limpo e iluminado
E andarem, como Cristo, em graça e amor
E te guiarem para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Porém, no amor eu acredito
E eu sei que tu também acreditas
E eu acredito em algum tipo de caminho
Que nós podemos seguir andando, tu e eu
Então, mantenha tuas velas acesas
Que faça da jornada dela pura e brilhante
Que ela irá sempre retornar
Sempre e sempre mais
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços
Para os meus braços, oh, deus, para os meus braços


3º lugar) Bob Dylan se separou de Sarah, e Sarah deixou como resquício dos anos de amor uma verve que tornou o mais célebre compositor folk ainda mais admirado e idolatrado: “Blood On The Tracks” foi o fruto tão comemorado desta história de final triste. A faixa “Tangled Up In Blue” tem uma longa letra em que Dylan desfila os motivos do insucesso na relação. Quando alguém quiser filmar sua biografia, essa canção servirá quase que como um pré-roteiro.



Emaranhado Na Fossa

Bem cedo certa manhã enquanto o sol brilhava
Eu estava deitado na cama
Imaginando se ela mudou alguma coisa
Se seu cabelo ainda estava vermelho
A família dela, eles dizem que nossa vida juntos
Certamente seria difícil
Eles nunca gostaram
Do vestido cosido em casa da mamãe
O saldo bancário de papai não era grande o suficiente
E eu estava de pé no lado da estrada
A chuva caindo nos meus sapatos
Em direção da costa leste
Deus sabe que eu paguei o que devia
Emaranhado na fossa
Ela estava casada quando primeiro nos conhecemos
Prestes a ser divorciada
Eu lhe ajudei com seu problema, suponho
Mas usei excesso de força
Dirigimos aquele carro para o mais longe possível
O abandonamos no oeste
Nos separamos em uma noite escura e triste
Ambos concordando que era melhor
Ela virou-se e olhou para mim
Enquanto eu caminhava embora
Eu a ouvi falando por sobre meus ombros
“Nos veremos novamente algum dia pela avenida”
Emaranhado na fossa
Eu tinha um emprego nas matas do norte
Trabalhando como um cozinheiro por um tempo
Mas nunca gostei tanto assim
E um dia o machado caiu
Então eu acabei em Nova Orleans
Onde acabei sendo empregado
Trabalhando em uma barca pesqueira
Bem na margem de Delacroix
Mas todo esse tempo que eu estava só
O passado estava logo atrás
Eu vi um bocado de mulheres
Mas ela nunca fugiu da minha mente
E eu apenas cresci
Emaranhado na fossa
Ela estava trabalhando em um local de topless
E eu parei para uma cerveja
Eu apenas fiquei encarando o lado de seu rosto
No holofote tão claro
E mais tarde quando o público afinava
Eu estava pronto para fazer o mesmo
Ela estava ali de pé atrás da minha cadeira
Me disse: “Eu não conheço o seu nome?”
Eu murmurei algo em voz baixa
Ela estudava os contornos do meu rosto
Eu devo confessar
Que me senti um pouco desconfortável
Quando ela se abaixou
Para amarrar o cadarço do meu sapato
Emaranhado na fossa
Ela acendeu a boca do fogão
E me ofereceu um cachimbo
“Pensei que você nunca ia dizer ‘olá’”, ela disse
“Você me parece do tipo calado”.
Então ela abriu um livro de poemas
E entregou-o para mim
Escrito por um poeta italiano
No século XIII
E cada uma daquelas palavras soavam verdadeiras
E reluziam como carvão em brasa
Derramando a cada página
Como se fossem escritos
De dentro da minha alma de mim para você
Emaranhado na fossa
Eu vivi com eles em Montague Street
Num porão descendo as escadas
Havia música nos Cafés à noite
E revolução no ar
Então ele passou a negociar com escravos
E algo dentro dele morreu
Ela teve que vender tudo que possuía
E congelou por dentro
E quando finalmente o fundo caiu
E me tornei distante
A única coisa que sabia fazer
Era continuar a continuar feito um pássaro que fugiu
Emaranhado na fossa
Então agora vou voltar novamente
Eu tenho que encontrá-la de algum modo
Todas as pessoas que conhecíamos
Elas são uma ilusão para mim agora
Uns são matemáticos
Outras, esposa de carpinteiros
Não sei como tudo começou
Não sei o que fazem com suas vidas
Mas eu, continuei na estrada
Em direção de outra espelunca
A gente sempre sentiu as mesmas coisas
Apenas observamos de um ponto de vista diferente
Emaranhado na fossa


2º lugar) O Fleetwood Mac é certamente a banda mais encrenqueira do planeta, sendo que cada músico tem seu próprio advogado, e também seu próprio caso de amor e traição praticado com os próprios colegas de palco. Com separações múltiplas na banda e enlaces feitos entre eles mesmos, nasceu “Rumours”, que teve o hit “Dreams” estourando nas rádios e expurgando a dor da rejeição com melodia altamente palatável e letra sarcástica (sobre uma mulher que se sentia presa e que irá amargurar as inconveniências da própria liberdade). Pop magoado que rendeu a venda de milhões de cópias.



Sonhos

Agora vem você de novo
Você diz que quer sua liberdade
Bem, quem sou eu para negar
Só está certo o que você quer
Você joga do jeito que tem vontade
Mas ouça com atenção o som
Da sua solidão
Como o bater do coração... que te deixa louco
Na calmaria da lembrança do que você tinha
E do que perdeu...
E do que tinha...
E do que perdeu
Só há trovões quando chove
Jogadores só te amam quando estão atuando
Diga... mulher... eles virão e irão
Quando a chuva lava, você limpa... você saberá
Agora vou novamente
Eu tenho as visões de cristal
Eu guardo minhas visões pra mim mesma
Sou somente eu
Quem quer envolver-se em teus sonhos e...
Você tem algum sonho pra vender?
Sonhos de solidão...
Como o bater do coração... que te deixa louco...
Na calmaria da lembrança do que você tinha...
E do que perdeu...
E do que tinha...
E do que perdeu...
Só há trovões quando chove
Jogadores só amam você quando estão atuando
Diga... mulher... eles virão e irão
Quando a chuva lava você limpa... você saberá


1º lugar) Claro que, como primeiro lugar, este álbum não iria escapar de polêmica. O Afghán Whigs fala de separação com rancor em “Gentlemen”. É disco para você dar de presente quando sua carta de intenções for a mais depreciativa possível, e o recado já começa na faixa-título, que tem uma letra gato-e-rato de propósito difícil de definir, sabendo-se pela agressividade melódica que se trata, sim, de um manifesto claro de adeus.



Cavalheiro

Sua atenção, por favor
Agora desligue a luz
Sua infecção, por favor
Eu não tenho a noite toda
Entenda, você não entende?
Entenda, eu sou um homem
Eu fiquei muito tempo
Mas ela era a combinação perfeita
E empurramos isso para fora dessa vez
Começou a fazer alguém doente
Mas agora eu tenho tempo para você
Para você, você, você e eu também
Agora, venha pegar, venha pegar
Porque eu terminei
Entenda, você não entende?
Entenda, eu sou um homem
Eu esperei pela piada
Ela nunca chegou
E palavras que eu pensei que evitaria
Me deixaram dentro, estou frio
Todo bagunçado mas sem lugar para ir
Você tem indecisão, e indecisão é minha inimiga
Destranque a cabine, hei hei hei
Eu pego qualquer coisa que tiver
Agora estou nisso, agora estou nisso
E você acabou
Eu esperei pela piada
Ela nunca chegou
E palavras que eu achei que sufocaria
Eu dificilmente reconheci


E já que iniciamos o texto com Beatles, encerremos com uma frase lapidar de John Lennon: “no final das contas, todo o amor que você dá é exatamente proporcional a todo o amor que você recebe”.


Mario Lopes