
AS PULADAS DE CERCA
DA MINHA VIDA...
Traição é um assunto muito complicado pra mim. Já passei por tantas situações de pular a tal cerca e de namorados que pularam que, com o passar do tempo, fui elaborando diferentes teorias. Vou tentar aqui colocar um pouco de cada dessas fases, mas, sem chegar a conclusão nenhuma. E convido você, caro(a) leitor(a), a me ajudar a concluir essa tese com a sua opinião. O que acha?
Sempre fui namoradeira (risos). Comecei cedo, com uns 14 anos. Nessa época namorei um menino da escola, super ciumento. Eu era uma santa, só tinha olhos pra ele, que tocava na noite e comia todas as menininhas. Enquanto isso, eu dormia em casa, já que meu pai raramente me deixava sair por causa da idade. No final do namoro, quando eu tinha 16 anos, descobri que ele me traiu com um monte de meninotas, e pior: uma mais feia e burra que a outra. Lembro de uma japonesa feia, bem gordinha, com a cara cheia de espinha. Eu, modéstia à parte, era linda. Essa foi a minha primeira experiência com as “cercas” da vida. Nessa época, achava que as pessoas só traiam por que não gostavam do parceiro (ilusão romântica de uma adolescente).
A segunda experiência foi lá pelos 16 e poucos anos. Uma paixão avassaladora tomou conta de mim. O nome dele era Eduardo. Como a música... Eduardo e Mônica... Mas, ele namorava fazia alguns anos. Fui a outra, pela primeira vez na minha vida. Ele dizia que gostava de mim, mas, não terminava com ela porque eu era livre demais e ele sabia que eu nunca seria só dele. Um meninote super machista que queria exclusividade quando não fazia o mesmo por mim. Pode? Conclusão, quando ele largou dela pra ficar comigo, me apaixonei por outro.
Meu terceiro relacionamento talvez tenha sido o que mais me fez aprender e amadurecer. Era louca por ele, começamos a namorar quando tinha acabado de fazer 18 anos, e ficamos juntos por sete anos. Fomos noivos e chegamos a comprar um apartamento juntos. No começo ele me traiu com uma ex-namorada e talvez tenha sido a pior traição da minha vida, algo que me machucou tanto que até hoje lembro com riqueza de detalhes. Afinal, foi na minha frente (aff!). Mas foi aí que aprendi a perdoar. Depois de uns quatro anos de namoro, percebi que mesmo amando podia sentir atração por outros caras. Isso foi um balde de água fria na minha cabeça. Algo que não soube lidar. Resumindo, traí o meu noivo. Com um cara do escritório, por pura curiosidade, pra ver como era e por vaidade também, claro. Pior foi manter a história com essa pessoa por alguns meses, não porque gostava dele, mas porque gostava das coisas que ele me escrevia por e-mail (sim, sou louca, tenho total consciência disso). Sei que não conseguia me perdoar por causa disso, o que levou meu namoro a esfriar de tal forma... que fui obrigada a acabar com o noivado. Saí dessa relação com o pensamento de que somos seres bígamos por natureza e que não podemos querer ter somente uma pessoa, que relações monogâmicas são uma imposição sócio-cultural, coisa que incutem em nossas mentes e que é pura hipocrisia nossa achar que somos capazes de manter um “casamento” aos moldes da igreja.
Em seguida me envolvi com um menino bem mais novo que eu. Com esse pensamento, de que éramos seres livres e que cada um tinha a sua vida, que não queria exclusividade. Mas, ele era um menino lindo e acabei presenciando outros relacionamentos que ele tinha, o que me deixou super confusa sobre minhas idéias libertárias. Apesar de querer aquilo, comecei a achar utopia conseguir ser tão livre assim, e tão desapegada das pessoas.
Sei que depois que terminei esse namoro (de sete anos) não queria namorar com ninguém, tinha um medo terrível de me envolver demais. Não queria essa exclusividade, essa coisa da pós-modernidade, sabe? Que é tudo superficial demais, que manter algo duradouro é difícil demais e requer muito esforço. Não estava preparada pra tais “envolvimentos”.
Enfim, tenho três livros que ajudaram a formar meus pensamentos no decorrer das minhas experiências amorosas, o primeiro: “Ame e dê Vexame”, um clássico do Roberto Freire que fala sobre como amar em uma sociedade capitalista, que engrandece o consumo, fazendo com que o autoritarismo da sociedade nos aprisione de tal forma que não nos permitamos viver o amor na forma mais livre e em sua totalidade. O segundo livro (por ordem de leitura) foi “O demônio e a senhorita Prym” (sim, gente, eu já li Paulo Coelho, risos). Mesmo não gostando dos outros livros do autor e da forma pedante com que ele trata alguns assuntos, gostei muito do enredo desse livro. A história, em resumo, fala sobre a cobiça, o medo e a ganância através da história de um estrangeiro que chega a uma pequena cidade que vive sem violência há muito tempo. Segundo uma moradora, o tal estrangeiro é o demônio. Enfim, demônio ou não, ele faz uma proposta à senhorita Prym (outra moradora): oferece barras de ouro à pequena comunidade se algum morador cometer um assassinato. O estrangeiro quer, com isso, conhecer a resposta para sua eterna pergunta: o homem é, na sua essência, bom ou mau? Sei que a mensagem final do livro é que tudo é uma questão de escolha e de controle. Por último, e talvez o mais perfeito de todos, em minha opinião, é “O Amor Líquido”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. O livro fala sobre a fragilidade dos laços humanos. “É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas. A área de estudo principal de Bauman é a sociologia, o campo do pensamento que vai ser o ponto de partida e o foco fundamental do retrato sobre a urgência de viver um relacionamento plenamente satisfatório dos cidadãos pós-modernos. Digamos que as dificuldades vividas por um casal refletem o estilo que uma comunidade mais ampla estabelece como padrão aceitável de relacionamento entre seus vizinhos, entre os que habitam um espaço comum. Bauman é realista. Sabe que “nenhuma união de corpos pode, por mais que se tente, escapar à moldura social e cortar todas as conexões com outras facetas da existência social”. Portanto, partindo do seu campo específico de estudo, ele faz uma radiografia das agruras sofridas pelos homens e mulheres que têm que estabelecer suas parcerias.”
Esses três livros me fizeram refletir sobre muitas coisas, e, de certa, forma me “influenciaram” em distintas fases da vida. Hoje, estou namorando (há nove meses - pela primeira vez, desde o fim do namoro de sete anos) acreditando que fiz uma escolha (como o livro da Senhorita Prym), por que amo alguém e, sendo assim, tenho que ter controle para manter aquilo que escolhi. Acho que, com o tempo, talvez apareçam algumas “tentações”, mas tanto eu quando ele teremos que ter controle e não deixar que a vaidade e a luxúria nos levem a cometer uma traição, já que geralmente elas são tão efêmeras e sem significado. Meu pensamento de hoje tem muito a ver com a teoria de Baumam, sou realista a ponto de saber que não consigo escapar à moldura social, e que não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas. Acho que o que é possível é manter uma relação de amor, respeito e lealdade. Sei que manter tudo isso tem um preço, que hora é bom e hora é ruim. Mas, que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Não é mesmo?
Esse é o meu pensamento hoje sobre traição. Não sei se isso é imutável, acredito que não. Que outras experiências, mescladas a leituras, me farão mudar de idéia, só sei que todo esse papo de amor e relacionamento é bastante complexo. E que isso é uma delícia: me permitir mudar de idéia e de ponto de vista.
Agora é a sua vez, de dar sua opinião, através dos comentários. Que tal um debate, sobre esse tema tão polêmico? Adoraria ouví-los.
Traição é um assunto muito complicado pra mim. Já passei por tantas situações de pular a tal cerca e de namorados que pularam que, com o passar do tempo, fui elaborando diferentes teorias. Vou tentar aqui colocar um pouco de cada dessas fases, mas, sem chegar a conclusão nenhuma. E convido você, caro(a) leitor(a), a me ajudar a concluir essa tese com a sua opinião. O que acha?
Sempre fui namoradeira (risos). Comecei cedo, com uns 14 anos. Nessa época namorei um menino da escola, super ciumento. Eu era uma santa, só tinha olhos pra ele, que tocava na noite e comia todas as menininhas. Enquanto isso, eu dormia em casa, já que meu pai raramente me deixava sair por causa da idade. No final do namoro, quando eu tinha 16 anos, descobri que ele me traiu com um monte de meninotas, e pior: uma mais feia e burra que a outra. Lembro de uma japonesa feia, bem gordinha, com a cara cheia de espinha. Eu, modéstia à parte, era linda. Essa foi a minha primeira experiência com as “cercas” da vida. Nessa época, achava que as pessoas só traiam por que não gostavam do parceiro (ilusão romântica de uma adolescente).
A segunda experiência foi lá pelos 16 e poucos anos. Uma paixão avassaladora tomou conta de mim. O nome dele era Eduardo. Como a música... Eduardo e Mônica... Mas, ele namorava fazia alguns anos. Fui a outra, pela primeira vez na minha vida. Ele dizia que gostava de mim, mas, não terminava com ela porque eu era livre demais e ele sabia que eu nunca seria só dele. Um meninote super machista que queria exclusividade quando não fazia o mesmo por mim. Pode? Conclusão, quando ele largou dela pra ficar comigo, me apaixonei por outro.
Meu terceiro relacionamento talvez tenha sido o que mais me fez aprender e amadurecer. Era louca por ele, começamos a namorar quando tinha acabado de fazer 18 anos, e ficamos juntos por sete anos. Fomos noivos e chegamos a comprar um apartamento juntos. No começo ele me traiu com uma ex-namorada e talvez tenha sido a pior traição da minha vida, algo que me machucou tanto que até hoje lembro com riqueza de detalhes. Afinal, foi na minha frente (aff!). Mas foi aí que aprendi a perdoar. Depois de uns quatro anos de namoro, percebi que mesmo amando podia sentir atração por outros caras. Isso foi um balde de água fria na minha cabeça. Algo que não soube lidar. Resumindo, traí o meu noivo. Com um cara do escritório, por pura curiosidade, pra ver como era e por vaidade também, claro. Pior foi manter a história com essa pessoa por alguns meses, não porque gostava dele, mas porque gostava das coisas que ele me escrevia por e-mail (sim, sou louca, tenho total consciência disso). Sei que não conseguia me perdoar por causa disso, o que levou meu namoro a esfriar de tal forma... que fui obrigada a acabar com o noivado. Saí dessa relação com o pensamento de que somos seres bígamos por natureza e que não podemos querer ter somente uma pessoa, que relações monogâmicas são uma imposição sócio-cultural, coisa que incutem em nossas mentes e que é pura hipocrisia nossa achar que somos capazes de manter um “casamento” aos moldes da igreja.
Em seguida me envolvi com um menino bem mais novo que eu. Com esse pensamento, de que éramos seres livres e que cada um tinha a sua vida, que não queria exclusividade. Mas, ele era um menino lindo e acabei presenciando outros relacionamentos que ele tinha, o que me deixou super confusa sobre minhas idéias libertárias. Apesar de querer aquilo, comecei a achar utopia conseguir ser tão livre assim, e tão desapegada das pessoas.
Sei que depois que terminei esse namoro (de sete anos) não queria namorar com ninguém, tinha um medo terrível de me envolver demais. Não queria essa exclusividade, essa coisa da pós-modernidade, sabe? Que é tudo superficial demais, que manter algo duradouro é difícil demais e requer muito esforço. Não estava preparada pra tais “envolvimentos”.
Enfim, tenho três livros que ajudaram a formar meus pensamentos no decorrer das minhas experiências amorosas, o primeiro: “Ame e dê Vexame”, um clássico do Roberto Freire que fala sobre como amar em uma sociedade capitalista, que engrandece o consumo, fazendo com que o autoritarismo da sociedade nos aprisione de tal forma que não nos permitamos viver o amor na forma mais livre e em sua totalidade. O segundo livro (por ordem de leitura) foi “O demônio e a senhorita Prym” (sim, gente, eu já li Paulo Coelho, risos). Mesmo não gostando dos outros livros do autor e da forma pedante com que ele trata alguns assuntos, gostei muito do enredo desse livro. A história, em resumo, fala sobre a cobiça, o medo e a ganância através da história de um estrangeiro que chega a uma pequena cidade que vive sem violência há muito tempo. Segundo uma moradora, o tal estrangeiro é o demônio. Enfim, demônio ou não, ele faz uma proposta à senhorita Prym (outra moradora): oferece barras de ouro à pequena comunidade se algum morador cometer um assassinato. O estrangeiro quer, com isso, conhecer a resposta para sua eterna pergunta: o homem é, na sua essência, bom ou mau? Sei que a mensagem final do livro é que tudo é uma questão de escolha e de controle. Por último, e talvez o mais perfeito de todos, em minha opinião, é “O Amor Líquido”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. O livro fala sobre a fragilidade dos laços humanos. “É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas. A área de estudo principal de Bauman é a sociologia, o campo do pensamento que vai ser o ponto de partida e o foco fundamental do retrato sobre a urgência de viver um relacionamento plenamente satisfatório dos cidadãos pós-modernos. Digamos que as dificuldades vividas por um casal refletem o estilo que uma comunidade mais ampla estabelece como padrão aceitável de relacionamento entre seus vizinhos, entre os que habitam um espaço comum. Bauman é realista. Sabe que “nenhuma união de corpos pode, por mais que se tente, escapar à moldura social e cortar todas as conexões com outras facetas da existência social”. Portanto, partindo do seu campo específico de estudo, ele faz uma radiografia das agruras sofridas pelos homens e mulheres que têm que estabelecer suas parcerias.”
Esses três livros me fizeram refletir sobre muitas coisas, e, de certa, forma me “influenciaram” em distintas fases da vida. Hoje, estou namorando (há nove meses - pela primeira vez, desde o fim do namoro de sete anos) acreditando que fiz uma escolha (como o livro da Senhorita Prym), por que amo alguém e, sendo assim, tenho que ter controle para manter aquilo que escolhi. Acho que, com o tempo, talvez apareçam algumas “tentações”, mas tanto eu quando ele teremos que ter controle e não deixar que a vaidade e a luxúria nos levem a cometer uma traição, já que geralmente elas são tão efêmeras e sem significado. Meu pensamento de hoje tem muito a ver com a teoria de Baumam, sou realista a ponto de saber que não consigo escapar à moldura social, e que não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas. Acho que o que é possível é manter uma relação de amor, respeito e lealdade. Sei que manter tudo isso tem um preço, que hora é bom e hora é ruim. Mas, que tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Não é mesmo?
Esse é o meu pensamento hoje sobre traição. Não sei se isso é imutável, acredito que não. Que outras experiências, mescladas a leituras, me farão mudar de idéia, só sei que todo esse papo de amor e relacionamento é bastante complexo. E que isso é uma delícia: me permitir mudar de idéia e de ponto de vista.
Agora é a sua vez, de dar sua opinião, através dos comentários. Que tal um debate, sobre esse tema tão polêmico? Adoraria ouví-los.
Mônica Wojciechowski