domingo, 6 de dezembro de 2009

Hoje é dia de estreia em dose dupla no blog. Fernanda e Ana são Desaforadas VIP - para quem não sabe o significado da sigla, ela quer dizer Vim do Interior do Paraná. Ambas nasceram em Guarapuava e vieram morar na capital paranaense para estudar. Fernanda voltou para a cidade natal, Ana ainda mora em Curitiba. Fernanda estuda Direito, Ana estuda cinema e é licenciada em Letras (Literatura) e bacharel em Comunicação Social (Jornalismo). Uma se definide como espírita kardecista, a outra como neopagã viajante espacial. Uma é prática e direta, a outra é sensível e observadora. Uma estreando com um texto de opinião, a outra debutando com um conto infantil no ambiente e adulto na abordagem. E o mais curioso: um complementando o outro sem que as duas combinassem previamente. Aliás, mesmo tendo nascido e crescido na mesma cidade, Fernanda e Ana não se conhecem. Ou melhor, não se conheciam até a publicação deste post. Fernanda, esta é a Ana; Ana esta é a Fernanda. E o prazer é dos leitores. Sejam bem-vindas.


Do Início Ao Fim


A pergunta principal está no ponto, até que ponto um jogo de sedução passa à uma rotina de agressão? Afinal, ninguém é santo de dizer que entre quatro paredes não ocorreu pelo menos uma única vez uma ou outra “palmada”. Porém, existem limites e se eles existem são para ser respeitados, pelo menos é esta a lógica da coisa.
É o jogo da conquista, o homem que vê aquela mulher interessante, se aproxima, papo vai, papo vem, trocam telefones. Ela se faz de pura e ingênua, afinal está matando cachorro a gritos, então vale tudo! Ele é muito cortês, um verdadeiro gentleman, o papo flui, a magia está no ar. Na mesma noite, uma mensagem de agradecimento no celular, prontamente retribuída. Nos dias seguintes ligações e outros encontros marcados. Encontros vão, encontros vêm, o sexo já se torna rotineiro, os sentimentos vão surgindo, e, como diz a canção, “quando a gente gama tudo são flores, amores e blábláblá”. O tempo passa e a intimidade aumenta, compromissos são assumidos, ela tira o pé da lama, ele tem uma companhia, e, como de praxe, as flores os amores e o blábláblá persistem, só que um tanto quanto mais sutis.
E o tempo vai passando, meses, a rotina começa a fazer visita, inclusive na cama. O recurso é inovar, eles se amam, ou pelo menos é disso que tentam se convencer. Um filme aqui, outro brinquedo ali, jogos e fetiches acolá, eles se pertencem.
Pronto, eles se pertencem, eis que chega o perigo numa visita duradoura, a posse, a manipulação, nem tudo mais agrada, o timbre que era lindo agora dói aos ouvidos, a mão suave como rosas agora esfolia, são poucas as carícias, os afagos, vão direto ao assunto, não precisam mais de “frescuras”, afinal estão juntos há tanto tempo. Mas eles se pertencem, e a rotina persiste, o perigo ronda.
Agora ela reclama de tudo, ele acomodou-se, ela se sente desejada lá fora, ele cisca noutros galinheiros. Aonde está aquela moça de família? Aonde anda aquele gentleman? Na realidade eles nunca existiram, a decadência foi recíproca, a sede por cada vez mais, a constante insatisfação, a busca pelo prazer, a rotina, o comodismo, não se sabe ao certo, mas eles decaíram! Ele bate, ela rebate, ele vai, ela vai também, ela desdenha, ele manda ver, e cumpre-se o círculo viciosa.
Uma hora a casa cai, e a partir disso vemos todos os dias enésimas noticias de casais que se espancam, garotas de programa sendo agredidas, donas de casa com olhos roxos, mas também se vêem os casos dos donos de casa, dos namorados passivos, de maridos obedientes e tudo mais que também acabam vítimas das companheiras, sim porque essa história de que mulher é sexo frágil, ah, essa história está ficando no passando, bem ou mal não se sabe... mas é fato! Basta prestarmos atenção no noticiário, verificar casos que a mídia traz acerca dos maridos fragilizados que buscam seus amparos na famosa Lei Maria da Penha.
Todavia a questão principal é saber identificar a partir de que momento as atitudes de sedução tornam-se agressivas, aquele que sofre tal agressão muitas vezes demora a se dar conta do que ocorre, e, quando toma consciência da situação, prefere por vezes abafar o caso por receio ou vergonha. E a situação se agrava cada vez mais, acaba o encanto, acaba a sedução, o amor e, de repente, o jogo sedutor não mais existe, muito menos a surra de amor, e sim, aqueles tapas que são para doer, doem e machucam corpo e alma.


Fernanda Bugai

4 comentários:

Anônimo disse...

A cronologia, via de regra, é essa mesma, Fer. E nem sempre a parte pior são as violências no corpo, pois, como dizia meu pai: "a dor moral dói muito mais que a dor física".
Beijo e parabéns pela estreia, Fer. :-)

Mario

Fer Bugai disse...

Obrigada Mário! Espero que os leitores também gostem!!!

Eis um grande sábio seu pai :)afinal, dores físicas passam bastam os medicamentos quando for preciso, já a dor moram acaba ficando na memória rsrs.
Beijos

Fer

Karime disse...

Oi, Fê! É lamentável concordar contigo, visto que infelizmente, os relacionamentos andam cada vez mais instáveis. Essa tal liberdade permite que a gente descarte com facilidade tudo e quem não nos agrada de alguma forma. O ruim é que a gente acaba por não se dar ao trabalho de tentar. O que ainda me faz acreditar que existe alguma possibilidade de gostar de amar e ser amado é ver amigas minhas casadas e muito felizes (embora eu não faça questão de casar). E sim, a agressão emocional é a pior de todas, porque deixa marcas prá sempre. O lance é passar por cima disso, seguir o baile e pensar que não podemos responsabilizar as pessoas que virão a seguir, por erros cometidos por outras que já passaram por nossas vidas. Beijos

Fer Bugai disse...

Olá Karime!! É, infelizmente uma verddae, um circulo vicioso. Mas concordo com vc, existem exceções, existem pessoas que por vezes nos fazem acreditar neste encanto, e acreditar não está tudo generalizado nem tudo perdido. Isso mesmo, vamos continuar o baile, que outras oportunidades vem debutar :)

Beijão
Fer