terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Uma Vida



Acordou. Lutando para abrir os olhos, o fez, olhando assim o mundo ao seu redor. Conheceu pessoas, falou, brincou, amou, fez cada arte naquela manhã!

Chegou meio-dia. Concentrou-se mais nos afazeres, pensando já no que viria em seu dia, olhando-o de uma maneira diferente. Fez decisões. Propôs a si mesma algumas mudanças, metas, caminhos e formas de alcançar seus objetivos. Começou assim a luta.

Naquela tarde, o sol por vezes sumia, e em outras voltava forte. Algumas horas chuviscava, as nuvens encobriam, mas nada a fazia desistir do que queria. A cada mudança repentina, ela mudava também, ou em algum método, uma atitude, um caminho, mas persistindo sempre nas mesmas metas, nos mesmos sonhos. Mas como em toda tarde, a noite sempre vem e quando a gente menos percebe, ela está lá.

Anoiteceu. Não dava para mudar mais nada. O que tinha feito já estava feito, tivesse sido bom ou ruim. Embora ela soubesse do pouco tempo que tinha tido naquela tarde para realizar seus sonhos, estava feliz por tê-lo usado da melhor maneira, por todas as pessoas que tivera conhecido, pelos sorrisos e palavras que deu e recebeu e que, em alguns momentos, mudaram seu dia. Alguns de seus sonhos ela conquistou, outros ficaram apenas na memória. Mesmo assim se sentia realizada. Preparou-se para dormir. Despediu-se da família, ajeitou sua cama e declarou-se pela última vez ao seu marido. Fez suas preces, pedindo apenas um lugar ao lado Dele. Se ela abriu os olhos para outro dia, em outra vida, ao lado de Deus, ninguém sabe. A única verdade é que viveu a sua única vida na terra como se fosse um único e último dia.


Bianca Nascimento

3 comentários:

Anônimo disse...

Sábia ela. É como diz aquele ditado cínico: "um dia ela acerta". Mas quando isso ocorrer ela saberá que aproveitou melhor suas horas do que a grande maioria da humanidade.
Beijo, VamB.

Mario

Karime disse...

Lindo, Bi! Adorei a analogia.
Beijos

Ana! disse...

Uma boa morte...