quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O que?



Se é chato ter uma vida saudável? Chato é ficar doente isso sim. Cof, cof... Bom, mas como tudo na vida depende do referencial, acredito que deve ter gente que prefira o sedentarismo a praticar um esporte. Ou a comer de tudo o que é gostoso, mas com quilos de conservantes, gordura trans, entre outros. A ficar doente e se auto-medicar sem ir a um médico especialista para ver de fato de onde vem a causa do que está sentindo e assim se enche de remédios desnecessariamente até causar outras doenças. Chato é ficar de ressaca, com dores de cabeça infernais e diarréia o dia todo. É ficar com a garganta doendo por ter fumado a noite inteira no dia anterior. Com dificuldade para falar e até engolir. Chato é ter que perder a festa daquele seu amigo de infância por que você não se agüenta em pé, pois não dormiu à noite, pois ficou trabalhando e não descansou. É passar a noite em claro com dor de dente, por que você não liga para a higiene deles. Saudável deve ser ter que gastar a cada estação mais grana com roupas, já que aquelas que você comprou ano passado já não entram em você há muito tempo.
Bom, cada um é que sabe o que é chato para sua vida. Cof, cof, agora me deixa ir deitar, pois somos seres humanos mesmo me cuidando bastante a gente mesmo assim fica doente pelas intempéries do tempo. Que dirá se eu não me cuidasse?



Verônica Pacheco

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Vida saudável é chata. Quer trocar?




Amy Winehouse com vida saudável










Amy Winehouse sem vida saudável















































Mario Lopes

terça-feira, 12 de agosto de 2008

VIDA SAUDÁVEL É CHATA??

Não é a vida saudável que é chata.
Chatos são aqueles que ficam fazendo apologia de que todos deviam levar a vida como eles e/ou que se acham melhores ou mais espertos que os outros, pois eles malham todo dia e têm uma dieta totalmente balanceada, podendo até se dar ao luxo de comer doce no fim de semana.
Chatos são aqueles que ficam obcecados pela dieta da proteína, dieta de Beverlly Hills, dieta dos pontos, dieta do angu ou 5 sequências de 10 para o supino, 530 abdominais, circuito quádruplo de aeróbica, etc.
Chatos são aqueles que têm necessidade de se vangloriar em cima de seu passado como campeões de triathlon ou acrobacias multifunionais e devem seu corpo perfeito a isso.
Chatos são aqueles que são freqüentadores assíduos do gerontologista e afirmam acintosamente ter 10 ou 15 anos a menos do que têm.
Chatos são aqueles boêmios que bebem toda noite e ficando destilando suas fantásticas filosofias ou achando que todos querem comer eles ou que todos estão fazendo um complô contra eles.
Chatos são aqueles que ficam beliscando uma coxinha de frango ou uma batatinha frita ou um big mac chicken ou uma balinha ou o que for a cada 5 minutos.
Chatos são aqueles que adoram falar que Fulano ou Sicrano ta gordo ou ta envelhecido ou tem o corpo deformado ou ta acabado, separado, desempregado com um prazer mordaz.
Chatos são aqueles que em vez de ficar mais tempo na cama com você num domingo, preferem não perder um dia sequer e levantam cedo pra correr no parque.
Chatos são aqueles que não tem prazer na vida que levam, seja ela saudável ou não.

Mazé Portugal

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Tema da Semana: Vida saudável é chata?

Uma pesquisa feita em São Paulo e Porto Alegre revelou que apenas 7% das pessoas realmente acreditam ter uma vida saudável.

Mesmo sabendo que certos hábitos, como comer mal, beber e fumar, além de estar acima do peso, aumentam a chance de doenças sérias, os entrevistados disseram que vivem assim em razão de não conseguir se livrar de velhos hábitos.

Vale a pena ler os post da semana passada tudo que é proibido é mais gostoso?

Um exemplo é que 1 em cada 10 pessoas que começam a praticar uma atividade física desiste em menos de seis meses de prática. Para quem deseja parar de fumar, a história se repete.

Aproximadamente 70% dos fumantes com intenção de parar, não conseguem.

Cientistas apostam em 5 simples atitudes eficientes para mudar os maus hábitos de vida em busca de melhorias para a saúde

:-) Não demore para tomar uma decisão
Ninguém vai tomar por você. Ninguém vai fazer sua matrícula na academia... vai tirar vc da cama para correr no parque... a decisão é sua e vc pode influenciar ou ser influenciado por seus amigos! a vida passa rápido então viva!

:-) Dê "crédito" aos ganhos
Comemore suas vitórias, faça seu marketing pessoal rs.

:-) Cometa pequenos deslizes sem culpa
Você pode comemorar rs com um docinho... rss

:-) Leve em consideração as suas emoções
Temos fases os altos e baixos e eles devem ser respeitados... somos seres humanos e não máquinas...

:-) Se conheça melhor
Se olhe no espelho, se valorize... coloque metas e cumpra-as... vá a luta ... a vida é sua!

Você pode ter uma vida saudável, sim sem que ela seja chata!

Basta se conhecer e fazer coisas que curta, sem obrigação e sim por prazer!!

Vamos lá viva muito bem a sua vida, pois infelizmente ou felizmente depende do seu ponto de vista ela é curta!


By Aletéia Ferreira (Ale).

domingo, 10 de agosto de 2008

O homem proibido do show business



Em 21 de janeiro de 1997, morreu Tom Parker, um dia após ter sofrido os devastadores efeitos de um AVC: do alto de seus 87 anos, o coronel partia reconhecido por ter sido o bem sucedido empresário do rei do rock. O que na época passou ao largo foi a declaração, dias antes de seu falecimento, de que a ascensão de Elvis Presley teve, nos bastidores, a participação de um (segundo Parker) visionário consultor de “frisson moral”. Nash Permut, que nunca sequer chegou a constar no quadro de funcionários da RCA Records, foi, garantiu Parker, o grande guru no lançamento de qualquer novo astro do selo. Não se sabe se a declaração, dita à boca pequena em roda de amigos, foi um rompante de sinceridade ou de peso de consciência do mega empresário. Alguns dizem ter sido uma última piada em vida, contada entre doses de Martini, e juram que o tal Permut não passava de um bon vivant que só circulava pelos corredores da gravadora à busca de inocentes artistas em início de carreira, deslumbradas com as vitrines do sucesso. Outros (a ala mais discreta e pouco dada a celeumas da Sony BMG, detentora de boa parte do acervo da RCA) declaram nunca ter sequer ouvido falar do suposto consultor de Parker.
A excêntrica história poderia passar por delírio de um octogenário com muito dinheiro no banco, pouco tempo de vida e um bocado de senso de humor em estoque. Poderia, não fosse uma simples porém bombástica entrevista, lançada sem alarde em um simples fanzine novaiorquino no final do ano passado. O Subway 57, nome que faz referência à estação de metrô na qual o periódico era distribuído quinzenalmente, cobria assuntos inocentes, como a vida noturna de Manhattan e a divulgação de contistas aspirantes a Paul Auster. Curiosamente, uma suposta figurinista de família do Espírito Santo (embora não haja qualquer menção ao Brasil na entrevista), radicada há sete anos em Nova York, foi quem teve a oportunidade de encontrar e entrevistar Nash Permut em pessoa, em um encontro que parece ter sido previamente planejado, no Zinc Bar. O local é um reduto de amantes do jazz que, reza a lenda, também é freqüentado por celebridades não tão discretas quanto Permut, como o cineasta Woody Allen. A autenticidade da entrevista é questionável, visto que a edição de número 73 do fanzine simplesmente sumiu de circulação e não há mais exemplares disponíveis para se confrontar os conteúdos. A tradução a seguir tem sido distribuída por e-mail, mas há especulações de que se pode fazer o download do áudio na íntegra pelo e-mule e outros programas de compartilhamento de arquivos. Os que ouviram a entrevista dizem que a gravação é péssima e cheia de sons do bar misturados às falas, mas que é divertido constatar que o rabugento entrevistado parece falar tudo dando risada (algo difícil de se perceber no texto quando lido). Há algumas considerações que abrem a entrevista, como a de que Permut aceitou falar sobre aquilo que chamou de “regras de jogo moral do show business” contanto que não tivesse de comentar sobre sua carreira como consultor de superstars, mesmo porque ele garantiu que nem tinha contato com os astros, apenas com seus empresários. Este pedido lançou uma nuvem de poeira sobre a carreira de Nash, pois especula-se que sua interferência e aconselhamento foram de Elvis Presley a Britney Spears. No decorrer da entrevista se pode constatar a presença de uma série de XXXXXXXXXXXX que não se sabe ao certo o que significam, tanto podem ser trechos censurados quanto intervalos na conversa. Outros mistérios rondam o texto. O próprio nome Alexandra Lauren (da entrevistadora) muitos acreditam ser pseudônimo de Aline Lobato, esta sim uma figurinista que trabalha também com make up no sitcom “Park Park” (ainda inédito no Brasil). Como Aline desmente ter sido autora da proeza (não se sabe se falando a verdade ou para não se comprometer) e como a comunidade brasileira não localizou nenhuma figurinista chamada Alexandra Lauren em Nova York, o mistério aumentou ainda mais. A comunidade artística tratou de desqualificar a entrevista, classificando-a de especulativa e sem qualquer crédito. Porém, como a referida edição do Subway 57 passou a ser procurada como relíquia, e muitas revistas ditas confiáveis passaram a publicar trechos da entrevista, foi inevitável a polêmica e a volta da discussão em cima da afirmativa do finado Tom Parker. Tentar ignorar a repercussão da entrevista não foi uma atitude bem sucedida, então a tática mudou para colocar em descrédito a autenticidade da matéria. Só que aí é que os cronistas e a crítica especializada entraram em defesa do entrevistado, afirmando que: ele pode nem ser real, mas o que diz é. Leia e tire suas próprias conclusões.

A. L.
Por que escolheu este lugar?

N. P.
Já começou?

A. L.
O que?

N. P.
A entrevista.

A. L.
Não, a pergunta não está valendo.

N. P.
Então desligue o gravador.

A. L.
OK, não precisa responder.

N. P.
Gosto da casa, só isso. Agora sim, pergunte para a entrevista.

A. I.
Quando tudo começou?

N. P.
Nós já havíamos combinado.

A. L.
Sim, eu sei, só quero o começo. A história do Elvis.

N. P.
Então, não deveria pedir para que eu repetisse. Sim, foi Elvis. Mas não desde o começo. Era tudo muito inocente. Não pedimos que fizesse nada que já não soubesse. No começo atropelamos tudo, até música gospel ele cantava.

A. L.
E...

N. P.
E é isso. Decepcionada?

A. L.
Não sei. Deveria?

N. P.
Se estava esperando que eu conte histórias fantásticas de idéias geniais, deveria sim.

A. L.
Mas e sua fama de guru?

N. P.
Nunca fui essa bobagem. Só dizia o que devia ser feito. E tudo era muito óbvio.

A. L.
Óbvio como?

N. P.
Vá perguntando que eu respondo com exemplos. Não me ocorre nada agora.

A. L.
Existe uma máquina de criar astros?

N. P.
Se existe eu não sei. Mas estou convencido de que com dinheiro se pode tudo.

A. L.
A história não aponta para isso?

N. P.
Interessante. Tem algo na manga?

A. L.
Jerry Lee Lewis afundou depois de casar com a prima adolescente.

N. P.
Mas isso não foi uma estratégia, não foi marketing, não foi polêmica, não foi nada. Se tivessem dinheiro para reverter a situação, casar com a prima viraria sensação na América.

A. L.
Antes de começarmos a entrevista você estava falando da indústria da proibição.

N. P.
Certo.

A. L.
Conte mais. Fale daquilo que falou antes.

N. P.
Eu não lembro o que tinha dito.

A. L.
Que a censura foi a turbina de projetos medíocres.

N. P.
Ah, sim, mas isso vem desde o Macartismo (política de perseguição implacável a possíveis comunistas implantada pelo Senador Joseph McCarthy). Muita coisa ruim se tornou “boa” simplesmente porque não podia ser vista, lida ou ouvida.

A. L.
Você disse que na RCA Records havia um departamento...

N. P.
Eu não falei em departamento.

A. L.
Usou um termo... Núcleo.

N. P.
Não havia nome para isso, era muito informal, até amador.

A. L.
Vamos chamar então de “Núcleo da polêmica”.

(Nash ri)

A. L.
Desculpe-me...

N. P.
Não é nada. É que demorou tanto tempo sem um nome e agora você criou um.

A. L.
Certo. Esse núcleo era encarregado de só criar celeuma?

N. P.
Eu combinei de não falar dos meus filhotes, você lembra.

A. L.
Não pedi isso.

N. P.
Bem, sem citar nomes, mas nós nos reuníamos e discutíamos o que fazer para vender mais discos. Era isso. E às vezes vinha a idéia de criar alguma polêmica. Acho que era a pré-história do marketing do escândalo.

A. L.
Mas você tinha um contrato só para fazer isso?

N. P.
Ei, eu menti. Os primórdios mesmo foram na Revolução Francesa.

A. L.
Por que a Revolução Francesa?

N. P.
Marquês de Sade.

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A. L.
Você ganhava bem?

N. P.
Eu tinha participação nas vendas. Mas era um percentual bem pequeno. Ainda tenho. Vivo dessa renda, sempre vivi.

A. L.
Mas e agora com os downloads?

N. P.
Menina, já percebeu que logo vou me juntar ao Tom?

(risos)

A. L.
Essa prática de criar fatos noticiosos era comum desde que você entrou no ramo?

N. P.
No começo, não. Mas depois passou a fazer parte do pacote. Com o tempo, cada artista passou a ser lançado já com um perfil a cumprir: “você vai ser mau, temos de fazer uma tatuagem aqui no pescoço, ei, você se dá bem com sua madrasta, ela aceita aparecer bêbada numa festa com você”?

A. L.
Por que ninguém tem acesso a esses documentos?

N. P.
Porque não há documentos. É engraçado porque estou falando coisas óbvias, não são?

A. L.
Até aqui são.

N. P.
Se quer algo inédito, desligue o gravador e peça outro whisky que vai ser melhor.

A. L.
Quais as jogadas?

N. P.
Desculpe-me.

A. L.
Eu digo, quais as idéias que vocês tiveram?

N. P.
Ah, eu sempre acompanhava os lançamentos sem me intrometer muito, só gerenciava. Mas via muitas idéias interessantes. Você sabe quais são os casos mais famosos: as máscaras do Kiss, por exemplo, é tudo muito óbvio como eu disse antes.

A. L.
Você acha então que os verdadeiros gênios da música pop estão por trás da música?

N. P.
Não sei. Mas que são bem pagos para isso, isso são.

A. L.
Qual o maior caso?

N. P.
Em que sentido?

A. L.
Se fosse para escolher um factóide, qual o maior?

N. P.
No sentido de embuste?

A. L.
Sim.

N. P.
Você não precisava vir até mim para comentar isso. É outra obviedade.

(silêncio)

N. P.
Madonna.

A. L.
Mais que Milli Vanilli?

N. P.
Muito mais. Ou você acha que usar outra voz é o único tipo de embuste?

A. L.
Mas ninguém foi tão longe.

N. P.
Você faz o que quiser com a sua voz em um estúdio. Não precisa comprar dos outros como eles fizeram.

A. L.
Mas por que Madonna?

N. P.
Porque conseguiu se fazer na base da polêmica como nenhum outro artista. Era para ser apenas uma cantora de músicas pop palatáveis mas indigeríveis. Só que virou ícone. E isso só porque escancarou sua intimidade. E conseguiu apoio da comunidade gay. Uma estratégica visionária. Ficou inatingível justamente por ter se tornado vulnerável. Enquanto os paparazzi caçavam celebridades com suas reflex, ela abria a porta do quarto e dizia entrem.

A. L.
Mas e ela não tem méritos?

N. P.
Lógico que tem, é uma obcecada pelo sucesso. Sempre foi.

A. L.
Nada além disso?

N. P.
Ela é a vitória da persistência sobre o talento.

A. L.
Explique.

N. P.
Eu digo que me dá preguiça explicar coisas tão óbvias assim. Você assistiu àqueles consertos do Al Gore pelo fim do efeito estufa?

A. L.
Sim.

N. P.
Viu o da Madonna?

A. L.
Não lembro.

N. P.
Ela dublava um solo de guitarra. Dá para acreditar?

A. L.
Tem certeza?

N. P.
Absoluta. Fazendo microfonia e poses de Jimi Hendrix. Eu realmente não consigo acreditar como alguém com um mínimo de sensatez pode pagar 500, 600 dólares para ouvir alguém fazer playback. No Japão dizem que chegam a pagar 1.200, não sei se é verdade.

A. L.
E no cinema?

N. P.
Madonna? Você está brincando?

A. L.
Mas por que então o Alan Parker a chamou?

N. P.
Porque ela insistiu muito. E porque ele sabia que atrairia os olhos da multidão para seu filme chato. A carreira cinematográfica da Madonna só não é pior que a do Sting e da Mariah Carey. Em Buenos Aires pichavam nas paredes que Evita era uma santa e Madonna uma puta. A questão estava toda errada, o problema não era terem escalado um cantora ou uma puta, era não terem escalado uma atriz. Dizem que ela agora quer atuar num remake de Casblanca, dá para acreditar?

A. L.
Você conhece o Malcolm McLaren (ex-empresário dos Sex Pistols)?

N. P.
Pessoalmente?

A. L.
Sim.

N. P.
Não. Mas nos falamos por telefone uma única vez, quando ele quis fazer um revival da banda lá pelo final dos anos 80. Por quê?

A. L.
Pensei que houvesse um clube?

N. P.
(ri alto) Não, nem há uma associação de consultores de polêmica no show business. As gravadoras nos chamam e dão participação nos lucros. Quer dizer, me chamavam porque agora estou aposentado.

A. L.
E por que você não se tornou celebridade como o Malcolm McLaren?

N. P.
Há uma regra neste jogo: quem presta esse tipo de consultoria tem de manter sigilo. E jamais pode se tornar maior que o artista.

A. L.
Então, por que Malcolm McLaren quebrou esse acordo?

N. P.
Não há acordo, é uma regra informal.

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A. L.
Você tem formação em psicologia, antropologia, sociologia, marketing...

N. P.
Em nada. Esse tipo de coisa não se ensina e não se aprende.

A. L.
É inato?

N. P.
(resmunga algo) Tem de ser auto-didata. É como um apostador de cavalos. Uma espécie de faro. Não sei explicar, nem quero.

A. L.
Algumas vezes a polêmica é real, não?

N. P.
Você está perguntando se há malucos de verdade no show business?

(risos)

A. L.
Mais ou menos isso.

N. P.
A maior parte é fabricada em laboratório, mas, sim, existem os legítimos.

A. L.
E como dá para identificar?

N. P.
Os verdadeiros geralmente não dão certo nesse ramo.

A. L.
Cite um exemplo.

N. P.
Vou falar de farsas antes. Aquele cara do Guns’n Roses...

A. L.
Axl.

N. P.
Axl. Bateu na vizinha. Eminem, bateu na vizinha.

A. L.
É mais do que coincidência?

N. P.
Eles são de décadas diferentes, mas têm muito em comum. Claro que não é assim “vá lá e bata na sua vizinha”, mas eles são muito bem orientados a tomar atitudes agressivas, têm carta branca para isso. Bons advogados e muito dinheiro para a fiança.

A. L.
Noel Gallagher?

N. P.
Também, mas é fora do meu território, por isso prefiro não comentar.

A. L.
Sex Pistols também não?

N. P.
Também.

A. L.
Mas esses não eram mais legítimos?

N. P.
Acho que neste caso o empresário era um espertalhão, mas o produto não veio de proveta.

A. L.
Por que acha isso?

N. P.
Em algumas raras vezes você tem de deixar o tempo passar para saber se o projeto é ou não uma conspiração de marketing. Quando os Pistols se separaram não conseguiram novos filões, porque não sabiam se comportar como produtos. Johnny (Rotten, o vocalista) virou John Lydon e criou o Public Image Limited, o cara se saiu bem; mas Sid (Viscious, baixista) matou a própria namorada, ninguém faz isso para vender mais discos.

A. L.
Desculpe a observação, mas você não se acha estranho discutindo música jovem com a sua idade?

N. P.
Eu poderia me aborrecer com a pergunta.

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A. L.
Por isso pedi desculpas antes.

N. P.
Tudo bem, estou brincando. Mas a sua pergunta faz tanto sentido quanto perguntar a um pediatra se ele não se sente idiota convivendo tanto com crianças.

A. L.
Tem mais algum exemplo de malucos que não são farsa?

N. P.
Essa pergunta é engraçada. Mas você localiza os falsos malucos pelo falso proibido.

A. L.
Prossiga.

N. P.
Todos gostam de se sentir um pouco contraventores, e a arte nos dá essa possibilidade com segurança. Então, os agenciadores criam uma atmosfera de censura em seus agenciados.

A. L.
Alguém que você possa citar?

N. P.
Vários, mas vou ficar em um paralelo que vai deixar mais claro. Doors e Stones. Quando os Rolling Stones tocaram na TV americana, pediram para que mudassem a letra de “vamos passar uma noite juntos” para “vamos passar um tempo juntos”. Mick Jagger disse OK. Pediram uma coisa parecida para o The Doors antes de irem ao ar, que a letra mudasse de “nós vamos ficar doidões” para “nós vamos ficar legais”. Jim Morrison não só não acatou isso como também mostrou o pinto para a câmera. Entendeu? Stones se faziam de proibidos. Doors eram proibidos de verdade, não deviam ser vistos, deviam afastar as crianças da sala quando aparecessem.

A. L.
E é bom ter gente assim na TV?

N. P.
É legítimo. Não seria problema um artista avisar que está só brincando, que aquela cara de mau e toda aquela pose são só alegoria. Mas faz parte da fantasia do público acreditar que são assim na realidade. Alguns poucos são de fato rebeldes incorrigíveis. Mas esses acabam se dando mal, se matam, são imprevisíveis, a indústria não os quer. Só fica confortável quando eles morrem.

A. L.
Como o casal Courtney Love e Kurt Cobain?

N. P.
Não são da minha jurisdição, mas acho que servem. Eu a acho uma boa atriz, sabia?

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A. L.
O que quer dizer com não serem de sua jurisdição?

N. P.
Que não tenho informações confidenciais para falar com procedência.

A. L.
É verdade que você também prestou serviços para o cinema?

N. P.
Não. Não. Quem disse isso?

A. L.
Estou só perguntando.

N. P.
Gosto muito de cinema. Mas nunca precisaram dos meus préstimos. Ali deve ter gente ainda mais gabaritada do que na indústria da música.

A. L.
Por que diz isso?

N. P.
Intuição masculina (risos). Vá na sessão de DVDs de qualquer loja de departamentos e procure por um filme do Godard: você quase sempre só vai achar o Je Vous Sallut, Marie. Por quê?

A. L.
Porque foi o mais polêmico.

N. P.
E olhe que ninguém mais queria saber do Godard. Eu acho até que a indústria do cinema tem algum acordo com o Vaticano.

A. L.
Sério?

N. P.
Não, estou brincando. Mas usar as proibições do Papa como trampolim para o sucesso é uma ótima idéia. A Madonna fez isso, o L7 fez isso, o Scorsese fez isso... quem mais...

A. L.
Você acha que Hollywood paga os censores?

N. P.
Hmmm... não temos censores. Em que sentido você está se referindo?

A. L.
De colocar uma faixa etária maior só para um filme ficar mais cobiçado por adolescentes.

N. P.
Talvez. Mas daí é assunto para você perguntar a um cineasta.

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A. L.
Por que você acha que as pessoas querem tanto os artistas que tem uma aura de proibição?

N. P.
Você mesma montou essa pergunta?

A. L.
Por quê? Ela não faz sentido?

N. P.
Não, eu gostei do jeito que montou a frase, só isso.

A. L.
Está sendo sarcástico.

N. P.
Não estou não.

A. L.
OK.

N. P.
Então... qual era a pergunta mesmo?

(risos)

A. L.
Por que as pessoas gostam de artistas proibidos?

N. P.
É meio infantil e a explicação parecerá tola. Para a pessoa se sentir mais radical. É isso. O cara tem uma vidinha comum ou é um jovem pouco aceito, mas daí chega com aquela música cheia de palavrões que baixou no I-pod. Então pode dizer “veja, eu tenho algo aqui que meus pais não gostariam que eu ouvisse”.

A. L.
Isso é uma regra?

N. P.
É recorrente. Toda geração tem isso. Seus avós gostavam do Elvis porque o rebolado dele revoltava seus bisavós. Seus pais gostavam da Madonna porque ela fazendo ménage à trois em um clip revoltava seus avós. Você provavelmente gosta de Marilyn Manson porque ele exibindo seu pinto amarrado a um elástico nos shows revolta seus pais.

A. L.
Detesto Marilyn Manson.

N. P.
Foi só um exemplo, querida. Mas você entendeu. Seus filhos vão gostar de alguma outra coisa que vai revoltar seu estômago. E assim por diante. É como uma maldição hereditária.

A. L.
E desde quando vem esse comportamento?

N. P.
Daí você terá de investigar com um antropólogo, mas vem de muito longe mesmo.

A. L.
Início do século XX?

N. P.
Muito, muito antes. Uma vez traduziram num hieroglifo do antigo Egito algo como “nossa geração está perdida, os filhos não obedecem mais aos pais, onde esse mundo vai parar?”. Parece que o ritual de crescimento exige que você goste de coisas que seus pais consideram proibidas.

A. L.
Mas e o que se ganha com isso?

N. P.
Você está fazendo perguntas que não sei responder. Eu era pago para vender mais discos.

A. L.
Só que fazia isso com motivação comportamental.

N. P.
Parece discurso isso.

A. L.
Não quer responder?

N. P.
Não sei responder, é diferente.

A. L.
O que você suspeita então?

N. P.
Particularmente acho que a humanidade deve estar adotando um modelo errado há séculos. Sempre os filhos vão crescendo, ficando mais críticos e então percebem esse modelo. Daí não querem repeti-lo. E por isso procuram o proibido, porque lá pode estar a solução. “Já que meus pais não querem que eu veja e eles não são mais felizes por não verem, é sinal de que deve ser bom”. Além disso, tem toda aquela merda de conversa de auto-afirmação que todo psicólogo aprendeu na cartilha do Freud.

A. L.
Então, você acha que compram música só para dizer “pai, mãe, eu te odeio”?

N. P.
Não sei se chega a esse grau.

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A. L.
Mas a música pop não é um cenário novo se formos considerar a história da humanidade?

N. P.
Sim, nesse sentido a arte e a tecnologia estão acelerando as coisas.

A. L.
Que coisas?

N. P.
Antes um jovem levava uma vida inteira para se rebelar contra seus pais, e quando isso acontecia era tarde demais, ele já tinha se tornado pai e daí só lhe restava perpetuar o modelo errado que recebeu. Agora, qualquer pré-adolescente pode baixar pela Internet um single da Aimee Mann que o faz entender melhor o mundo à sua volta e dá um refrão pegajoso exigindo que abra os olhos.

A. L.
Abrir os olhos em que sentido?

N. P.
Quando um adolescente veste uma camiseta com o Coolio fazendo careta é um ato de protesto doméstico. Um garoto vê seus pais brigando todo dia, sua mãe tomando remédios mais pesados que o baseado que fumou tossindo uma vez no colégio, seu pai num trabalho que não traz satisfação, e diz para si mesmo “eu não quero ser assim”. Daí ele olha para fora de casa e procura o modelo mais distinto possível de seus pais. É assim que funciona. Acho que é bem simples.

A. L.
Mas do jeito que você fala parece que só adolescentes consomem música.

N. P.
Claro que não!

A. L.
Sim, já faz um bom tempo que você só fala desse público.

N. P.
Não. A conversa se concentrou nos adolescentes, mas o mesmo raciocínio se aplica com adultos.

A. L.
Como?

N. P.
Ora, o cara tem um emprego medíocre, um biotipo nada ameaçador, uma rotina chata, então ele acaba escolhendo ídolos que lhe transferem alguma força. “Vejam, eu posso ser fraco, mas olhe como é pesado esse som que eu curto”.

A. L.
Você não está sendo cruel?

N. P.
Não. O modelo é que é cruel. E se perpetua por conta própria. Pais frustrados gerando filhos frustrados, e a música acaba se beneficiando. Sei que parece ser uma estranha regra de mercado. E é.

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A. L.
A sua visão de música pop acaba sendo bem diferente do comum.

N. P.
Sim.

A. L.
Como você definiria música pop?

N. P.
Um placebo social. Você pode se sentir alegre e até forte com ele.

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A. L.
Por que não se canaliza o marketing da polêmica para a filantropia?

N. P.
Não sei se você elabora demais as suas perguntas, mas às vezes não entendo.

A. L.
Eu quis perguntar por que ao invés de polêmica não se faz marketing pessoal ajudando pessoas, como fez o Sting.

N. P.
Ah, porque isso só funciona no curto prazo. É muito dispendioso. E não é algo curioso, não chama muito a atenção.

A. L.
Mas a imprensa toda foi em cima do Schumacher quando ele doou cem milhões (de dólares) para as vítimas da tsunami na Ásia.

N. P.
O piloto? Como eu disse, muito dispendioso. Dá para gravar pelo menos dez bons videoclips com esse dinheiro. E os clips continuam passando pra sempre na MTV, dá pra vender em DVD, enfim. Pergunte se alguém lembra da doação do Schumacher.

A. L.
Mas talvez ele não tenha feito isso por marketing pessoal.

N. P.
Maluco.

A. L.
Você acha que a música é uma droga?

N. P.
Sempre foi. Ouça Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band e você perceberá que deveria ser um disco confiscado pela FDA (Food and Drug Administration, entidade que efetiva o controle de alimentos e drogas nos Estados Unidos).

A. L.
Não acha que é um exagero?

N. P.
Não. Até oxigênio é droga: se você se privar dele, terá delírios.

A. L.
A indústria compartilha essa sua visão?

N. P.
Claro, do mesmo jeito que a de tabaco sabe que seu produto vicia.

A. L.
Isso é uma denúncia?

(risos)

N. P.
Se existe uma denúncia aqui é a de que as pessoas são ingênuas demais. As pessoas têm necessidade de acreditar na existência de heróis puros. E usam o produto desses heróis para se doparem e se travestirem de heróis também. É engraçado hoje se falar tanto no mundo virtual como uma realidade paralela. Isso já começou faz muito tempo. E sem os computadores.

A. L.
Com esse seu talento nunca foi convidado para ser assessor de políticos?

N. P.
Sim, fui, mas prefiro enganar alguém para que compre um disco do que privar a população toda de um sistema de saúde decente.

A. L.
Você até que fala pouco.

N. P.
Mesmo? Pensei que estava me estendendo demais.

A. L.
Pensei que você falava muito.

N. P.
Mas já tem material suficiente, espero?

A. L.
Sim, tenho.

N. P.
Ótimo.

A. L.
Uma última.

N. P.
Diga.

A. L.
Por que aceitou dar essa entrevista?

N. P.
Porque sei que ninguém vai acreditar que é verdadeira.



Mario Lopes

sábado, 9 de agosto de 2008

O proibido e o mais gostoso



Pensando sobre o tema da semana (Proibido é mais gostoso), lembrei de uma música que se chama "Seu Nome". No entanto, cada vez, que escuto, em meio ao trânsito, pra mim, cairia melhor como "Ode aos Amantes":

Quando essa boca disser o seu nome, venha voando
Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando
Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso
Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso do amor...
Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar
Ficar junto de você é como ouvir o som do mar
Se você não vem me amar é maré cheia, amor
Ter você é ver o sol deitado na areia
Quando quiser entrar e encontrar o trinco trancado
Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado
Não traga a tempestade depois que o sol se pôr
Nem venha com piedade porque piedade não é amor

Composição Vander Lee, ótima na voz da Luiza Possi
Pra mim, a letra retrata fielmente a odisséia dos amantes. O "objeto de desejo" é todo mistério, enquanto que ela , está disposta a tê-lo de "vez em quando", e colher apenas o que houver de bom nele, e ainda, depois da concretização da "sede do amor", ele que não venha com meias palavras ou com problemas, afinal, ela é muito bem resolvida...
Isso é mais do que um clichê, certo como 2009 está por vir, tantas e tantas mulheres acreditam que poderão ser felizes em um breve instante. E acreditam que desse "pequeno momento" poderá surgir um "grande amor". Ainda que a vontade seja escondida, velada pela moça moderna e independente, no fundo, todas nós queremos ser amadas, e não apenas por horas, e sim por toda a eternidade. Ou vai dizer que você nunca sonhou com um Amor pra chamar de seu? Não, não acho que o proibido é mais gostoso, ao contrário, acho que o proibido incomoda, tira do eixo, desassossega, cansa. Nada melhor que alguém sempre disponível, seja pra dormir de conchinha ou andar de mãos dadas pelo shopping, ou, estar juntos, só pela vontade de ficar perto, sem fazer nada. Ele nem precisa pagar as suas contas. O bacana é ter alguém para costurar o tapete do amor, que aos poucos vai ganhando forma, cores, brilho , maciez, utilidade. E esse sentimento tão maravilhoso não cai de pára quedas, ele chega de mansinho e quando nos damos conta ele está lá, gravado em pedra, duradouro. Diferente dos meio-encontros, onde tudo deve ser planejado. Sem falar na sensação de vertigem, compulsão, medo que nos assola. Posso ser até a "última romântica", mas prefiro a tranquilidade de um amor do que a dor de dividir. Egoísta? Demodê? Não! Apaixonada.

Ana Carolina é Desaforada X

sexta-feira, 8 de agosto de 2008


Pendura a roupa pra mim?!


— Angélicaaaa, deixei a roupa torcendo na máquina, vai lá fora e pendura no varal pra mãe, vai.
Jogada no sofá, a menina de 16 anos pulou de alegria. Nunca alguém ficou tão feliz com esse pedido.


— Tou indo manhêêê!


Ela vai até o quarto. Faz uma ligação misteriosa...


— Âlo. Oi.. Heim, pula o muro e me encontra na garagem.


Desliga o telefone. Tira o shorts. Coloca uma saia bem curtinha e corre em direção a porta. Passa pela cozinha esbaforida, mascando um chicletes sem gosto, esbarrando na travessa de pão. Quase a derruba, mas, consegue a segurar no ar.


— Tá Louca menina. Pressa de quê?


Ela abraça a mãe. Dá um beijo com força. — Nada não, mãe. Pode deixar que vou recolher toda a roupa, tá? Fica aí terminando a janta pro pai.


Passou pela porta que a levaria até a garagem e dobrou o cós da saia na tentativa de diminuí-la ainda mais. Logo viu a sombra do vizinho. O meninote de sardas na cara, pouca coisa mais alto que ela, talvez um pouco mais velho, mas com o mesmo ar de “maldade inocente” da menina, a esperava, encostado numa mureta.


— Demorou.


— Fui vestir uma saia.


Mal deu tempo de ela terminar a frase e ele a virou de costas, prenssou-a contra a parede escura da garagem e meteu a mão por entre as pernas da menina. Ela adorava aquilo. A mãe dela poderia entrar na garagem a qualquer momento. Era isso que a deixava com mais tesão. Resolveram se esconder um pouco mais atrás da máquina de lavar que ainda trabalhava, centrifugando a roupa, o que lhes dava a garantia de que não precisariam se preocupar muito com os grunhidos que fariam. Ela continuou de costas. Ele abriu o zíper e com uma rispidez típica de alguém de sua idade, penetrou-a sem a menor cerimônia. Ela gemeu junto com a máquina de lavar. Tudo foi muito forte e rápido, rápido, rápido... Cabelo molhado grudado na testa, bochecha vermelha, líquidos mornos escorrendo. A máquina parou de bater. Ele fechou o zíper. Beijou a boca dela. Um beijo molhado, quente. Virou as costas e pulou o muro. Ela ficou encostada na máquina mais alguns segundos, como se para recuperar o fôlego. Prendeu o cabelo novamente. Jogou o chicletes fora.


— E aí menina? A máquina parou. Vai começar a pendurar a roupa quando? A mãe gritou lá da cozinha.


— Tou indo mãe. A máquina só parou agora de funcionar... Vou começar a estender...



Mônica W.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para Maristela



Bom, que eu lembro começou assim: ela abriu a porta e riu muito, de se acabar mesmo. Eu fiquei me olhando no espelho que tinha logo ali na saída do elevador e não entendi nada. Foi aí que eu caí em si: a gente estava com camisas diferentes. É que eu não entendo nada de futebol, não entendo bosta nenhuma pra ser franco. Ela vivia falando “ai, o meu tricolor”, e eu pensei que só tinha um tricolor. Daí, comprei justo a camisa do time que ia jogar contra o dela. Cheguei na loja e pedi: “quero uma camisa do tricolor”. O corno do vendedor daí perguntou: “qual tricolor?”; e eu respondi: “o que vai ganhar no jogo de domingo agora”. Então ele vendeu essa camisa: a do time inimigo da Maristela. Eu bem que achei feia mesmo. Mas aí é que me deu uma coisa estranha: ela começou a brigar comigo e sabe que foi aí que eu passei a gostar dela? Verdade. Ela falou que a gente não ia poder ficar junto, que era proibido. Proibido por quê? Eu não entendi.
Bom, ela saiu e disse que no estádio a gente tinha que se separar, “espirra longe”, ela disse. Eu fiquei atentado. Só por que minha camisa não era igual à dela isso não era motivo, achei muito temperamental da parte dela. A Maristela estava toda faceira vestida do clube dela dos pés à cabeça, enrolada numa bandeira, com o rosto pintadinho nas bochechas, shortinho, corneta. Conjunto completo. E eu cada vez mais reparando que ela era completinha mesmo. A gente foi andando e o povo mexendo, buzinando, e eu me enciumando daquilo tudo, nem sei por que, eu nunca tinha arrastado asa pra Maristela, achava magra, sem graça, não sei. Ela andando requebrante na frente.
Chegamos e não é que ela cumpriu com a promessa: apontou pra uma entrada que era pra onde eu tinha que ir. Fui. Olhando pra trás. E ela já se misturou com os tricolores dela, sumindo da minha vista. Fui pras tais arquibancadas e juntei com uns que tinham camisa igual que eu. Quando o jogo começou, eu já tinha tirado do bolso o meu binóculo comprado numa banquinha da Rui Barbosa. Enquanto aquele povo torcia, eu só ali, procurando a Maristela. Até que achei a danada. No meio de uns grandalhões lá, pulando e saracoteando de braço pra cima. Fiquei tão feliz que nem reparei que o meu tricolor tinha marcado gol. Aquela gente toda ao meu redor começou a pular, me abraçando, gritando e derramando cerveja no meu calção, quase perdi meu binóculo. Quando coloquei na cara, fiquei muito fora de si: a Maristela estava toda variada, de cabeça baixa, tristinha por causa do gol. Daí comecei a torcer contra o meu tricolor. E não é que deu certo a minha figa?! Pronto, deu uma ida e duas voltas do time e lá estava o tricolor da Maristela empatando com um gol gostoso. Mas levei muito cascudo quando festejei. Mandaram eu sentar, xingaram, daí me aquietei. Fiquei vendo de longe a Maristela na maior alegria, só que abraçando os braçudos do lado dela, o que não me fez gosto.
Veio o intervalo e eu tentei ir no lado onde ela estava, mas um segurança chamado Raul, gordão de óculos escuros e walkman na cabeça, não me deixou passar. A torcida de lá também não me queria pelo jeito. Peguei uma pipoca e voltei. O jogo recomeçou e aquela gente cantava umas musiquinhas de xingamento. Que nem do lado da Maristela, ela xingava muito o time mas acho que isso era da diversão mesmo, cada um tem seu jeito, né. A única coisa boa de ficar lá na arquibancada era ver a Maristela dançandinho, parecia até que era pra mim. Quando menos notei, pimba, o tricolor dela marcou mais um, já pensou? Daí fiz a maior festa. Quer dizer, enquanto deu porque me tiraram de lá debaixo de soco e chute. O tal do Raul segurança me levou pra fora do estádio chamando de louco e tudo. Eu nem me importei, não gosto de futebol mesmo. Só que fiquei sem minha pipoca.
Quando acabou o jogo, aquele povo todo saindo, e pra eu achar a Maristela! Como ela estava muito festiva não foi tão difícil. Mas acredita que ela não aceitou quando eu fui cumprimentar? Abracei dando parabéns mas ela não quis nem saber, nem me apresentou pros amigos, só falava baixinho “vaza, vaza”. Parecia que estava proibida de falar comigo. Daí que bateu aquela coisa esquisita de novo, eu comecei a querer ainda mais a Maristela. Nisso é que aconteceu o mais engraçado: tinha a torcida de um outro time aqui da capital que me puxou dali, me chamando de louco do mesmo jeito que o tal do Raul segurança. E o mais esquisito: eles estavam torcendo contra o tricolor da Maristela. Não me pergunte por quê. Estavam em cinco e me convidaram pra beber umas na sede da torcida organizada. Eu aceitei pra não fazer desfeita. E também porque eram todos meio grandinhos, fiquei com medo, confesso.
Fomos todo mundo espremido dentro dum Chevette. Mas deu pra chegar lá. Um barracão todo sujo, com bandeiras do time deles e um bar na frente, lá é que pegaram um engradadinho de cerveja. Quente. Ficamos tudo sentados numa mesa que tinha o símbolo do clube no meio. Ah, tudo tinha símbolo do clube, até os copinhos das cervejas e uns desenhos no corpo. Eu não tinha muita conversa com eles, porque falavam do zagueirão não sei das quantas, do meio-campo sei lá quem. E eu só fazendo que sim com a cabeça pra não passar por desentendido. Eles tinham pouco gosto pelo tricolor da Maristela, xingavam o técnico, o goleiro, todo mundo. Parece que o time deles foi desclassificado pelo dela numas quintas de final. E eu ali, quietinho, só ouvindo os xingamentos. Mas daí me descobriram: um deles acho que percebeu que eu não era muito boleiro e me pediu pra cantar o hino do meu tricolor. Ih, foi aquela gaguejada, eu disse que estava rouco mas eles não engoliram. Como estava todo mundo me olhando de cara feia, eu resolvi confessar. Expliquei que comprei a camisa errada, que só fui no estádio pra acompanhar a Maristela, que não sabia nem o que era um impedimento e que volante pra mim era coisa de carro, que nunca gostei muito dessa coisa de futebol. Confessei até que passei a gostar da Maristela só porque a gente ficou proibido de ficar junto. Mas não é que eles foram gente fina da melhor qualidade comigo. Um deles foi no fundo do galpão e trouxe um embrulho de papelão meio retangular, disse que era uma caixa de bombom pra eu levar pra Maristela. Fiquei todo agradecido, só que eles me fizeram um monte de recomendações. Disseram que eu tinha de levar com cuidado, que não podia nem pegar ônibus porque senão chacoalhava. “E o que tem de mais?”, eu perguntei, e eles responderam que eram bombons muito finos, que qualquer coisinha quebrava a casca e vazava o licor. Eu estranhei porque a caixa era muito pesada pros bombons serem assim tão frageizinhos, né. Como entendo de chocolate tanto quanto entendo de futebol, aceitei os conselhos do amigo. “Não abra de jeito nenhum!”, disse um deles lá. Imagine se eu ia fazer isso! Queria é ver a Maristela desatando o nozinho e abrindo por conta, sorrindo bonito como ela sempre faz. Nem de carona no Chevette eu podia voltar, porque tem a tal da Lei Seca e também ia chacoalhar, eles disseram.
Vim a pé atravessando o centro, e olha que é longe. E carregando com cuidado a caixinha. Quando cheguei na Maristela já era de noite. Só que a mãe dela me atendeu. Disse que a Maristela estava comemorando com os amigos num bar do lado do estádio. Eu dei pra ela a caixa de bombons. Só que, quando eu já estava dando as costas pra velha, me deu nas idéias que ela poderia comer tudo. Voltei atrás e peguei a caixa, dizendo que eu mesmo ia entregar pessoalmente no bar. Saí caminhando pela rua imaginando a cena: eu, no meio daquela gente toda, fazendo aquela surpresa pra Maristela. Imagina a cara da Maristela na hora que abrisse o pacote. Imagina a cara dos amigos dela na hora. Hein, hein, hein.
Só que no meio do caminho uns dois desocupados perto do estádio ficaram me fazendo “psiu” e me seguindo. Eu vi que era assalto, mas não queria perder a caixa de jeito nenhum. Também não podia correr porque senão quebrava as casquinhas dos bombons. Então eles chegaram em mim rapidinho, um deles logo pedindo a caixa. Eu segurei contra o peito, não queria dar. Mas daí, o outro apontou pra caixinha e gritou “bomba! Bomba”, os dois saíram correndo e eu expliquei que não, que não eram bombas, que era bombons. Não adiantou. Não sei que mal ia fazer em ser bomba ao invés de bombom, mas fizeram aquele escândalo e logo saiu gente das casas pra ver o que era. E daí é que vocês chegaram do nada. Mas agora, depois de toda essa confusão de futebol, eu nem quero saber. Quero mais é que tudo se exploda. Então, só peço por gentileza pros senhores abaixarem as armas e me abrirem o cerco que eu quero sair. Aceita um bombom, seu guarda?



Mario Lopes

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A panela do coisa ruim



Hoje tem texto de Desaforada X. O texto criado foi para o tema da semana passado (Todos Amam E Eu Odeio), mas o alvo de cólera é tão inusitado que vale uma lida curiosa...

Odiar é fácil, é simples, é gostoso. Muitas vezes a gente já odeia sem conhecer, tipo aquela guria magra, linda e charmosa que apesar de não usar maquiagem, comer feito uma condenada e andar sempre de havaianas continua linda, magra e charmosa. É gostoso porque falar mal dos outros é muito bom, por mais que você realmente não tenha nada contra, ou simplesmente não faça idéia de quem seja. E é muito simples, pois odiar por odiar, é simplesmente comum.
Minha história seria bem mais divertida se eu contasse aqui um episódio bizarro do quanto eu odeio sexo com homens gostosos que beijam bem ou que odeio tirar férias e viajar com as amigas encher a cara e dar risada. O que eu odeio é tão banal e incomum, tão sem graça que se eu mentisse seria mais divertido, mas é uma coisa que eu odeio tanto com todas as minhas forcas e que jamais conheci alguém que não gostasse: arroz. Não entendo a graça de comer uns grãozinhos brancos com textura de plástico, a impressão é que vou me engasgar, o pior, não tem gosto.
Existem várias outras coisas que eu odeio e todos adoram, pelo menos todos que eu conheço defendem com unhas e dentes que o Romário é o máximo, só porque ele joga bola, é famoso, tem uma Ferrari e é amigo da Ana Maria Braga, eu já acho ele um chato com voz irritante e cara de fedido. E também odeio a Ana Maria Braga. Como eu disse, odiar é muito bom.

Thábata Gulin Guarinello é estudante de cinema, publicidade e propaganda e Desaforada X

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Um dia perfeito na vida de Mr. Maccafe
"Maccafe", 43 anos, divorciado, assessor de confiança do dono de um poderoso banco mundial, amigo pessoal de "Buxi", presidente de um país extremamente poderoso financeira e politicamente, tem vários prazeres secretos e proibidos no seu dia-a-dia.

Por volta das 10 da manhã, após um longo café, leitura de jornais e uma primeira rápida reunião, ele passa na frente da escola Saint Mary. Escola só pra meninas da classe alta. Lá, Kate o espera. Kate, quase 16 anos, acaba de dar a desculpa para a diretora que está com uma cólica horrenda , sem condições de ficar na escola e vai com um assessor de seu pai (o presidente Buxi) até um hospital.
Ao entrar no carro de Maccafe, ela logo debruça-se sobre o colo dele para (...), onde permanece até entrar no Motel Love Trees. Kate é loucamente apaixonada por Maccafe e após uma série de peripécias sexuais onde Maccafe a domina, ela tenta mais uma vez expor seu desejo de assumir a relação e casar com Maccafe. Ele logo a corta bruscamente e diz que isso é insano, que o pai vai deserdá-la e matá-lo, e que o gostoso da relação é exatamente isso. E, se ela se casar com o filho prometido de um outro poderoso amigo de Buxi, aí sim eles terão mais e mais momentos de amor e ela finalmente terá seu coração. Mal ela sabe que ao completar 20 e poucos anos, seu corpo perderá totalmente o encanto aos olhos de seu amante.

À tarde, após uma longa reunião a portas fechadas com seu chefe e o presidente, Maccafe liga pra uns conhecidos de origem e profissão duvidosa. Dá a seguinte ordem: - Vocês têm 3 dias pra organizar e executar um ataque de proporções alarmantes à nossa embaixada na Venezuela. Claro, deixando rastros e provas de possíveis homens do presidente "Xátiz" como autores. O jogo vai começar mais uma vez, vamos detonar com esses imbecis.

À noite, excitado com o início do jogo, resolve passar no subúrbio da cidade antes de ir pra casa. Entra num bar frequentado apenas por homens. Lá, ele flerta com um homem bigodudo, alto, forte que o agarra por trás e o leva direto pra um dos lavabos e o (....) .

Perto das 2 da madrugada, finalmente Maccafe chega a casa e refestela-se sozinho em sua poltrona, sorri ao lembrar-se de seu dia e começa a tirar “macacos” do nariz.

By Mazé Portugal
PS: Isto é uma obra de ficção, qquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tema da semana: Proibido é mais gostoso?

Muitas pessoas adoram "ficar" em lugares insólitos, beijar escondido, dar uns “amassos” , transar, fazer amor, dar uma rapidinha em lugares públicos, se envolver com homem ou mulher casada, acham que isso dá um temperinho especial, e vc o que acha?
Tudo que é proibido é mais gostoso?
Acho que desde criança convivemos com o Não!
Não pode isso, não faça isso, não brigue com seu irmão, não brinque com fogo rss

E escustamos, isso?
Até escutamos, mas seguimos os conselhos ou os nãos...

O proibido tem o poder da sedução, o poder do desafio, o poder de contrariar...
As vezes não nos machucamos, mas na maioria das vezes sabemos que é errado, mas precisamos fazer, testar, experimentar
Faz parte da evolução do ser humano...
Mais uma estórinha do casal Johny e Mary... sabiam que não podiam "brincar" dentro do carro, dentro de um parque a noite... mas o fogo esquentou e começou a chover... e precisaram apagar o fogo e foram para fora do carro, no capô com muita chuva, muito calor, fogo.... e quem apagou o fogo... a polícia, sim que chegou com a luz alta e o casal voou para dentro do carro... tentaram se vestir, mas a polícia foi mais rápida... rsss
Levaram uma bela bronca dos políciais que foram bem legais e liberaram o casal.
Tiveram muita sorte!
O proibido é bem gostoso rsss mas também tem suas consequências!!!


by Aletéia Ferreira (ALE)

domingo, 3 de agosto de 2008

Grrrrrrrrrrr!!!!!!



Entre no orkut e digite, no campo de pesquisa, a palavra “odeio”: você verá que há uma infinidade de comunidades com títulos afins, tendo alvos de ira que vão de segundas-feiras e filas a gente fedida e baratas. E todas com milhares ou milhões de integrantes: a “Eu odeio gente que se acha”, por exemplo, caminha para os dois milhões de rancorosos. Faça a mesma pesquisa no Google e você terá a perturbadora constatação de que há mais de quatro milhões e quatrocentos mil sites dedicados a fazer gente espumar pela boca. Tem até um voltado ao ódio a vizinhos (verifique se os seus não o acessam).
Todos amam odiar. Vão ao cinema para odiar, ligam a TV para odiar, se reúnem e comungam opiniões para odiar, odeiam o espelho, odeiam o Bush porque ele odeia o mundo árabe, odeiam quem não odeia aqueles que odeiam a paz mundial, odeiam não conseguir odiar mais. Não bastasse brotar naturalmente, o ódio é ainda ateado como combustível para inflamar ações sociais por razões meramente pessoais ou pérfidas. Instiga-se o ódio pelos motivos mais nobres: pelos amigos, pela família, pela pátria... por Deus. José Roberto Torero, um dos maiores roteiristas do cinema brasileiro, em seu livro “Xadrez, Truco E Outras Guerras” (da série Plenos Pecados, projeto que reuniu grandes nomes da nossa literatura contemporânea), apresenta um capelão que dá sermão aos combatentes antes da guerra com uma apologia motivacional em nome da ira: o religioso, insuflando a raiva sem culpa no batalhão, explica que o ódio é o único pecado capital elogiado por Deus, citando inclusive passagens do Livro Sagrado em que Ele consente com o sentimento de cólera contra o semelhante. Em outras palavras, para criar um escudo moral em torno do ódio, é possível manipular até o “amem-se uns aos outros” transformando-o em “olho por olho, dente por dente”. Isso mostra que, apesar de ser o mais grotesco deformador de caráter, o ódio é um hábil mestre dos disfarces. Geralmente, o direito de defesa é o mais dissimulado álibi da crueldade. Todos temos nossas torres gêmeas, nossa Faixa de Gaza, nossa Pearl Harbor.
A banalização do ódio também progride em escala geométrica ano a ano. Nossos games já não são mais tão sangrentos, nossos vilões já não são tão maldosos. A jornalista Barbara Gancia, em entrevista para a Band News FM, declarou que o Coringa vivido pelo finado Heath Ledger faz o encarnado por Jack Nicholson parecer o Ronald McDonald. Então, com quem se parece o Coringa do antigo seriado da TV? A resposta é simples: conosco. Nosso ódio é pífio e arcaico como anedota antiga, não vale uma piscadela do Batsinal. Sim, porque o Ronald McDonald apenas se faz de inofensivo, já que consome milhões de cabeças de gado para produzir um sem número de obesos. Somente um pícaro sádico natural de Gothan City seria capaz de planejar colossal sandice. E nós, o que somos? Nossas piadas são inofensivas, nossos cintos só têm a utilidade de não deixar cair a calça, nem sabemos odiar direito. Pelo menos o vilão da TV tinha um caso com a Mulher Gato. Nessa trinca de Coringas somos carta fora do baralho.
O cinema é generoso em oferecer modelos de comportamento cuja virilidade é cunhada no ódio. O boxeador/justiceiro/empresário/engraxate está sendo derrotado quando alguma atitude arrogante ou maldosa do antagonista inflama seu ódio, que emerge como o espinafre do Popeye para fazê-lo vencer o oponente de forma humilhante. Tudo com baldes de vingança cheios até a boca: o adversário cai numa máquina de moer carne, é confinado numa prisão de doentes mentais, tem seus membros amputados por uma matilha de cães raivosos, entre outras variantes febris pelo excesso de testosterona. Que sirva de lição a todo aquele que não for bonzinho como o herói. O próprio Quentin Tarantino, o maior esteta contemporâneo da crueldade, afirmou em uma luxuosa coletiva em Cannes: “amo a violência, chego a achar que Thomas Edson inventou o cinema só para filmá-la”. Cometeu dupla violência simultaneamente: uma contra o bom senso e outra contra a história do próprio cinema. Nessa profusão de ídolos truculentos, não há quem não seja afetado, pois o comportamento arrogante de quem odeia é contagioso pelo vasto, imediato e flagrante poder de fogo que ostenta. Tanto pior para os adolescentes, que na busca por se auto-afirmar tatuam o corpo, pipocam o rosto com piercings e se obrigam a comprar CDs com o diabo fazendo pose na capa. De forma destrambelhada, tentam mostrar que odeiam com estilo. O ódio se torna código de respeito, primo-irmão do medo, que é o passaporte para a aceitação. E até para a liderança.
Essa compulsão coletiva em favor do ódio se deve a vários motivos: é uma manifestação interior que parece nos distinguir e nos unir ao mesmo tempo, o que explica a ascensão dos skin heads; nos dá sensação de força, afinal poucas ondas são tão destrutivas quanto o ódio (vide Iroshima e confirme com Nagasaki); é algo natural, vindo dos nossos ancestrais que rivalizavam nas copas das árvores e nos lembrando de nossas origens em cada gota de sangue que ferve; não requer prática nem tampouco habilidade (é mais fácil cultivar uma planta ou pisá-la?); e ainda por cima é uma catarse, pois a ira ao menos dá vazão ao inconformismo, é um tipo de resposta ao meio que nos faz parecer resistentes, não coniventes e até aliviados de nossas culpas pela inatividade e de nossas frustrações pelo sentimento de impotência. Odiar é como uma opção libertária, uma entrega, um “eu me rendo” para os próprios instintos. E é uma escolha que encontra lógica na própria cadeia predatória, na luta do mais forte, na evolução darwinista. O impiedoso sobrevive porque não sucumbe à compaixão, afinal ela o fragilizaria e atenuaria seu grau de letalidade. O ódio parece nos fortalecer. Ledo engano. O ódio mata a mão que o alimenta, dá câncer no corpo e na alma. Envenena lentamente e devora seu progenitor. Ódio se alimenta de mais ódio, e só é possível dar lenha a esse ciclo vicioso com dor e angústia. Sem sofrimento, o ódio fenece. Além disso, ele nunca será uma alternativa racional, porque qualquer animal sabe dar vazão a seu lado ferino, mas só um ser humano é capaz de amar incondicionalmente.
Incrível notar que muitas vezes até movimentos sociais bem intencionados são acometidos pela tentação do ódio para se expressar. Em uma ocasião, Rosângela Gnipper, presidente da SOS Bicho, ONG criada para proteger animais de toda espécie e que já sofreu ameaças de circos e empresas de locação de cães, se manifestou contra o movimento “Rodeio” (com um xis no “R”) por considerar inoportuno qualquer tipo de conduta que instigue intolerância nas pessoas. E isso mesmo com rodeios, um dos “esportes” mais abjetos que a crueldade humana teve a pachorra de travestir de entretenimento. Ódio não se combate com ódio. “O contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença”, já apregoava Luís Fernando Veríssimo.
Obedeçamos as sábias palavras de nosso mais irreverente e querido intelectual dos pampas e deixemos de lado este assunto que causa náusea só de ser evocado em texto. Então, não para desviar do tema e sim para exorcizá-lo, aqui vai o top five daqueles que são, possivelmente, os mais belos videoclips já criados sobre o amor. Felizmente há muitos clips que abraçam o tema, mas o critério aqui foi “only love”, com nada que emane ira por parte dos protagonistas. Não são videoclips, são bálsamos para olhos, ouvidos e alma.


All Is Full Of Love – Björk



Mais fantástico do que os efeitos especiais, só mesmo a mensagem. Repare que os robôs não têm sexo. Ah, é óbvio, robôs não têm genitália. Que bom que você se deu conta, sinal de que será ainda mais fácil de entender o recado. Perceba também que somos iguais aos personagens do clip: creatures of love, como diria David Byrne do Talking Heads; bonecos de carne, como se intitulava um extinto grupo vocal curitibano; monkeys going to heaven, como cantava Black Francis do Pixies; tears in the rain como afirmava o andróide vivido por Hutger Hauer em “Blade Runner”. Sim, andróide.


Coffee And TV – Blur



Também conhecido como “o clip da ‘leitinha’” (assista e entenderá). A letra é uma ode ao ócio, mas a idéia do audiovisual vai para um viés extremamente inusitado. Enquanto uma família se lamuria por um ente desaparecido, alguém insuspeito resolve tomar providências. Um recado subliminar contra a fraternidade sedentária. E é tudo muito divertido, despretensioso. Não tirou o trono do clip “Crazy” (do Aerosmith) como o mais querido da audiência da MTV, mas bem que merecia. E o final é de aplaudir em pé, pedindo benção. Dizem que Bento XVI está estudando uma canonização...


All The Same – Sick Puppies



Um clip-documentário contando a história real de Juan Mann e sua campanha "Free Hugs". Ele saía pelas ruas de Sidney oferecendo abraços gratuitos, anunciados por um cartaz feito à mão. As autoridades o proibiram de prosseguir com este movimento, considerado um tanto “excêntrico”. Só que toda a população se envolveu arrecadando assinaturas em defesa de Mann. Confira você mesmo o resultado. Ao invés de desintegrar a manifestação, a intolerância acabou por disseminá-la pelo mundo. Não estranhe se ver no centro da cidade alguém oferecendo abraços. Pelo contrário, abrace.


Standing Outside The Fire – Garth Brooks



Tema dificílimo o trabalhado aqui. A música fala de superação, sendo assim, um criativo que quisesse se promover com a produção de um material de luxo e riqueza estética certamente optaria por narrar a história de um super atleta, de um alpinista ou mesmo de um grande pop star, quem sabe o próprio Garth Brooks, que passou de publicitário a ídolo da música. Porém, o caminho narrativo escolhido foi justamente o oposto. Uma pessoa comum (ou melhor, especial) participando de um desafio destinado aos mais fortes e bem preparados. Para quem gosta de heróis de verdade.


Lyric – Zwan



Billy Corgan, em seu projeto pós-Pumpkins, tem a coragem de empunhar um violão, juntar seus amigos e sair pelas ruas conduzindo uma multidão que ergue cartazes com dizeres como “Love”, “Faith”, “Smile”, “Hapiness”, “Hope”, entre outros termos demodê, como nos melhores tempos do Power & Flower. Sem nenhum pudor ou embaraço pelo ceticismo de um mundo refém e amante da violência, ele une a energia mais poderosa do universo (a música) com a força mais maravilhosa do cosmos (o amor) para dizer “sim, eu acredito” na cara dura. E que o sigam os bons.



Mario Lopes

sábado, 2 de agosto de 2008

O QUE EU GOSTO E VOCÊ ODEIA...
Ao contrário da maioria dos mortais eu prefiro piscina do que praia. Não gosto muito daquela areia grudando, da água salgada e nem de ficar horas torrando no sol sem fazer nada


Sou super espaçosa mas na hora de dormir tem que ser bem agarradinho. Não importa se está quente ou frio, tem que ser assim.
Troco qualquer balada para ficar deitada em casa sem fazer nada!






É por tudo isso que eu sou eu e você é você!
Josiany Vieira

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Todos amam e eu odeio...


O que nessa vida não é questão de gosto? A grande graça da vida está justamente ai, em cada um curtir certas coisas e odiar outras... Já pensou se fosse todo mundo igual? Lembrei da musiquinha da Rita Lee, “De Pés no Chão”...Pra quem quiser: assista e reflita!!!


“Sim eu sou um deles
E gosto muito, muito de sê-lo
Porque faço coleção de lacinhos cor-de-rosa
E também de sapatão...
Mas o que eu quero mesmo
É por os meus pés no chão
É só questão de gosto
Lacinhos cor-de-rosa
Ficam bem num sapatão...
uh yeahhhh
Eu nasci descalça
Pra que tanta pergunta?!”


http://www.youtube.com/watch?v=eWIdcXCXkOM


Mônica