segunda-feira, 24 de janeiro de 2011


Olá caros leitores!Na última reunião, em dezembro de 2010, fizemos algumas mudanças no blog: a primeira é em relação a sua temática. Agora, as Desaforadas vão escrever sobre tudo o que está em voga, desde uma notícia até uma nova pesquisa e não teremos mais uma semana de tema livre e outra de tema específico, como era feito. Mas tudo isso será feito sempre de forma criativa, se utilizando dos mais variados gêneros como a poesia, conto, crônica, comentário entre outros.Logo mais, teremos mais novidades. Não deixe de conferir!Boa leitura!



Desaforadas







Popular




Aberta a temporada
Corpos sarados, malhados, bronzeados
Azaração, pegação, curtição
Padrões e estereótipos convencionais
Massa magra, marquinha de biquíni, tonalidade alaranjada na pele
Cabelos longos lisos e tingidos, olhos marcados
Bíceps, tríceps, trapézio definidos
Silicone nos peitos, deles, delas, daqueles e daquelas
Coxas salientes, glúteos firmes, pircing no umbigo
Calor incessante, preguiça predominante, altas temperaturas, hormônios a flor da pele
Sedução, tesão, tensão
Escolher, eleger, elogiar, apreciar
Querer, poder, não ter
Garantir, pedir, repudiar
Manter, rever, buscar
Sexo, sexo, sexo,
Falta de inteclecto
Tanto músculo, tanta beleza, pouca vida, pouca nobreza
Ser, querer, ter
Sem viver, sem saber, sem aprender
Falta cultura, falta informação
Circo e pão

Produtos mercantis, mídia popular
Ninguém resiste a olhar
Bem vindo ao BBB.



Fernanda Bugai




Fonte: http://bbb.globo.com/noticias/noticia/2011/01/natalia-estou-tranquila-com-questao-da-indicacao.html


Foto: Blog Minissaias


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Erguer-se com esperteza, atacar com prudência


Vai dizer que você nunca pensou em como conseguir chegar ao tão idealizado “topo”. De qualquer forma alguma coisa o faz mover-se em direção a algo sonhado, esperado, formatado. Nem importa o que é o mais alto, pode ser uma carreira profissional, a compra de uma casa, o casamento dos sonhos, um vídeo-game de última geração. Mas você quer chegar lá, às vezes sem nem saber onde é “lá”.


Gurus do sucesso pessoal aproveitam-se dessa pequena lascívia humana e lançam a semente que dita os segredos para que o obstinado ser alcance o objetivo maior da sua vida... naquele momento. Sim, porque objetivos mudam, vez que fases mudam, experiências mudam, partes de um todo são dilaceradas em pequenos fragmentos de indecisões que fazem o destino tornar-se cada vez menos provável. Mas, há quem acredite que algumas dicas auxiliem na conquista dessas metas, mormente intangíveis, realmente alcançadas.


Eu não sou guru, não quero ser, mas creio que começar o ano com o pé direito ajuda em muito na definição dele. Do tipo, sente, pense o que deseja ter, ser para este ano e, meu... corra atrás. Nada cai do céu, mas se você jogar uma energia boa... ajuda pacas. Por isso, separei umas idéiaz, com “z” pra dar uma ênfase, e repasso com todos os meus votos de que você, pessoa que ainda não sabe por onde começar, possa mudar o sentido da tua vida. Lá vai:


1. Conheça a si mesmo e o que adora fazer. A menos que pense só nos outros e daí só nascendo de novo mesmo;


2. Não queira fazer tudo. Mudar o mundo é para mártires. Avalie o que se adapta mais ao que te interessa em particular;


3. Suas metas tem que ser compatíveis com seus sonhos e seus sonhos compatíveis com o que está disposto a abdicar por eles... pode crer;


4. Alivie sua fonte de tensão. Mas não nos amigos, na mulher, nas crianças ou no cachorro. Prefira um saco de boxe ou o trabalho mesmo;


5. Se aceite, aceite teus defeitos e exalte tuas qualidades, com humildade que é bom e todo mundo gosta;


6. Assuma que a primeira de todas as pessoas a ter pensamentos mesquinhos é você e, preferencialmente, corrija-se em alguns pontos negativos sobre isso;


7. Mime-se, descanse, relaxe. Pow, faz bem e com a cabeça fria qualquer um resolve muito melhor seus problemas, experiência própria. Ou seja, saiba “meter o pé, quando for necessário e prudente;


8. Mantenha um bom conceito sobre si mesmo. É melhor que ter um mau conceito e descobrir que os outros compartilham disso. Bah, que “looser”, daí né;


9. Pense na comunicação. Se você nunca resolveu problemas na infância está na hora de revelar o que realmente sente. Deixa de ser dominado;


10. Por fim, apesar de ter outras tantas idéias: Tome uma decisão. É melhor tomar uma decisão errada, do que evitar por medinho do futuro. Garantias de 100 por cento não existem, ok?


Enfim, pra começar 2011 na energia, recomendo: Se agilize, sem passar por cima de ninguém, tenha respeito pelas pessoas e respeite-se a si mesmo e seus limites. Mantenha-se calmo, o máximo possível, seja solidário e compre flores de vez em quando. Faz bem.


Feliz Ano Novo!!!

Angelica Carvalho

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010



Réveillon Diferente Todos os Dias




Quero um réveillon novo e diferente todos os dias...

Com um pingo de tristeza em nuvens de alegrias!

Em vez de roupa branca vestirei coloridas...

Porque as cores curarão minhas feridas!



Todos os dias, terei um Réveillon...

A cada segundo surgirá um ano bom!

Soltarei fogos de artifício a cada anoitecer...

Na hora da meditação profunda do meu ser!



Com as minhas lágrimas farei champanhas...

Para brindar ao que aprendi a cada dia!

Com meus braços escalarei montanhas...

Para encontrar a fé com harmonia!



Num oceano de dificuldades...

Pularei sete ondas no mar!

Nas espumas das caridades...

Poderei de tudo superar!



Quero um réveillon novo e diferente todos os dias...

Com um pingo de tristeza em nuvens de alegrias.





Luciana do Rocio Mallon


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Maioridade




Lembro-me das primeiras coisas que ganhei na infância, uma delas, um par de patins roxo e preto. Vivi minhas primeiras aventuras com eles. Depois, sonhei com as primeiras sandálias da Xuxa, aqueles tênis que brilham no escuro e por ai vai. Mas o que nós, mulheres, jamais vamos esquecer é do nosso primeiro par de sapatos. Não importa se foram botas ou sapatos finos. O que realmente importa é que eles foram também um dos sinais mais significativos para a nossa entrada na juventude, pois com eles fomos e ficamos mais poderosas, mais bonitas e mais adolescentes do que nunca. E assim, mais e mais pares vinham, todos com seus significados e histórias por onde pisaram.

Assim como meus sapatos, já sonhei com muitas coisas em minha vida que, de alguma forma, marcariam as mudanças que aconteciam nela. Sonhei com a carteira de motorista, pois ela é também um dos principais marcos para a entrada da maioridade. Sonhei com a faculdade, com as festas na casa dos colegas, sonhei com os meninos da faculdade, tudo isso marcando o início da minha autonomia e de que eu “já era grande” quando na verdade sempre estamos crescendo.
Sonhei com o primeiro namorado, com a primeira viagem, com o primeiro “Eu Te Amo”.Tudo isso como prova que eu também já estava “apta” para amar e ser amada, quando isso na verdade pode demorar anos e anos para acontecer de verdade.


Nesses vinte e um anos, vivi muitas coisas boas e ruins e muitas das quais sonhei, ainda não tive a oportunidade de viver. Ao mesmo tempo em que virei uma profissional, ao menos ganhei o primeiro molho de chaves para entrar em casa quando chegar tarde. Muitas coisas se passarão e sempre irei criar meus próprios símbolos que marcarão todas as fases e etapas conquistadas em minha vida.

Enquanto isso espero o molho de chaves e um par novos de sapato: as chaves que me permitiram abrir muitas portas na vida e os sapatos, dessa vez mais altos, para enxergar o mundo como um todo.




Bianca Nascimento

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Semana de Tema Livre


Desejos de Ano Novo



Amor
Bondade
Carinho
Determinação
Esperança
Fé
Gratidão
Honestidade
Inspiração
Justiça
Know how
Lealdade
Mansidão
Nobreza
Otimismo
Perdão
Querer bem
Riso
Solidariedade
Ternura
União
Virtude
Wonderland
Xodó
Ying Yang
Zelo


Fernanda Bugai com ajuda de Jennifer Manfrin

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O início de todas as coisas




O lugar estava entulhado de coisas. Pessoas se moviam de um lado para outro em um ritmo frenético, apressadas com os ponteiros do enorme relógio de quase dois metros de altura. As estantes estavam cheias e no chão, era impossível andar sem pisar em algo. Vozes ordenavam para outras vozes, que nada ouviam a não ser os seus próprios pensamentos, que em uníssono, gritavam:
- Corram porque o tempo está acabando!
Ninguém conseguia ajudar ninguém, tanto era o trabalho a se fazer. Se algo se perdia no assoalho, o certo deveria ser esquecê-lo e partir para outra ação, mas isso era impossível. Tudo deveria ser feito com minucioso cuidado. Nada poderia ser deixado para trás.
Era assim à décadas, milênios. Desde que a sociedade se entende por gente.
O galpão parecia um ninho de formigas elétricas, angustiadas e ansiosas. Nem um ponto sequer ficava imóvel. Se os cadarços desamarravam, que assim os deixassem. Se o nariz escorria, que escorresse em paz. Se a fome fazia arder o estômago, que agüentasse por mais alguns minutos. Não havia mais nada a se fazer, a não ser correr, e deixar tudo preparado.
Só havia tempo para desviar os olhos para os relógios, que naquele dia, lutava contra todos ali presentes. Estava rápido demais. Parecia haver algo de errado. Mas todo ano era assim. Só restava-lhes correr ainda mais.
O tempo era curto, cada vez mais curto.
Sem pedir licença, e sem nenhum constrangimento, o relógio bate meia-noite.
O silêncio reina. Todos voltam-se para ele, constatando se os seus olhos confirmavam a informação.
Sim, já era meia-noite.
O chefe aparece à porta, de braços cruzados. Tem pouquíssimo tempo para examinar se está tudo ok.
Sim, está. Sempre está.
Abrem-se as portas do enorme galpão. Lá fora, um céu aberto repleto de estrelas, e mais nada. Um vento forte invade o lugar. Sinal de dever cumprido. Os trabalhadores respiram aliviados.
Com uma palavra mágica, ainda desconhecida, Papai-Noel chama suas renas, e com alguns ajudantes e seu trenó, sai céu a fora. Feliz, pois o mundo que servia ainda não havia acabado.
Começava o Natal.


Letícia Mueller

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Acredite




- Ab, Ben, Ruach Acadsch... Pronto crianças. Agora podem dormir sossegadas. Nenhum monstro sairá debaixo da cama.
- Mamãe, tem certeza. Eu tô com medo.
- Calma Nina. Não precisa ter medo de nada.
- Como sabe, mamãe? Como sabe que o monstro não vai vir nos meus sonhos de novo esta noite?
- Porque as palavras que acabamos de recitar são mágicas, querida.
- Mágicas? Como assim? Elas podem me dar um jogo novo?
- Rss, hoje não Biel. Mas quem sabe um dia, se você as disser com muita fé.
- Nossa, mamãe. E como sabe disso?
- Eu sei porque sempre que eu estou com alguma coisa pra ser resolvida penso muito no que quero e termino dizendo essas palavras.
- Ah, mãe, eu não acredito nisso.
- Pois deveria acreditar, Biel. Sabe o que essas palavras significam?
- Não.
- Significam “eu criarei aquilo que falo”. Então seu significado se torna, de certa forma mágico e poderá realizar seu desejo mais profundo. Só que para isso, é preciso acreditar. Acreditar muito e sempre que necessário deve lembrar dessas palavras para que se tornem verdadeiras e reais.
- E como vamos saber que deu certo?
- Amanhã você vai me contar. Eu tenho certeza que não virão sonhos ruins pra você. Não nesta noite, mas você precisa dessa certeza. E para isso, deve fazer o que seu coração desejar.
- Então, vamos falar de novo, mamãe. Vamos?
- Claro, Nina. Vamos falar em nossa língua agora?
- Sim.
- Pai, Filho e Espírito Santo... Amém.

FELIZ NATAL !!!



Angélica Carvalho

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010


Simpatia para uma vida toda






Todos nós passamos por situações difíceis e complicadas em nossas vidas, e a forma como as enfrentamos varia muito de pessoa para pessoa. Há algum tempo, eu me deparei com uma pessoa que não acreditava mais na vida. Nada para ela tinha mais significância, simplesmente nem a mais bela flor tinha beleza para ela, pois a considerava somente uma planta bonita, que nasce, cresce mas morre assim como todos nós. Não acreditava sequer na sua própria beleza, tanto externa como interna. Já não emitia mais o som de sua doce voz com ninguém, já não conseguia caminhar de forma alinhada. Eu pensava no que fazer: pensei em convocar os espíritos a seu favor, fazer alguma simpatia, levá-la em algum templo, mas de alguma forma, sentia que nada a despertaria de volta ao mundo, se já nem os remédios e terapias faziam isso.
Certa vez, ela resolveu abrir seu lábios e entoar algumas palavras. Contou tudo o que sentia, e eu ouvia com tristeza por ouvir coisas tão tristes e sem saída, até então. Lembro-me que fui a única pessoa no mundo com quem ela fez questão de se abrir. E o que dizer nessa hora?Lembro-me até hoje das duas palavras mágicas: “Tenha fé”. E assim ela fez, faz e até hoje utiliza esse ritual, essa prece, esse mantra, essa terapia da fé em sua vida.



Bianca Nascimento

terça-feira, 21 de dezembro de 2010


Abracadrabra e a Cigana Brunette



No século dezoito, havia um lindo acampamento cigano que rodava o mundo inteiro. Neste clã havia uma cigana chamada Brunette, que tinha a pele morena escura e cabelos negros muito lisos. Um certo dia, esta caravana desembarcou numa vila do Brasil e fizeram seu desfile de apresentação pelas ruas do local. Então Paulo, o filho de Dinorah que era uma mulher com fama de benzedeira e que carregava a lenda de esconder uma cabra milagrosa em casa, colocou os olhos em Brunette e se apaixonou por ela.

Naquela mesma noite os ciganos armaram a tenda do circo e se apresentaram. Depois do espetáculo Paulo aproximou-se de sua amada cigana, fez uma declaração de amor e começaram a namorar às escondidas.

Alguns dias depois Brunette começou a sentir enjôos e o seu pai, o cigano Bruno, levou a garota para o Kaku, uma espécie de mago do clã, examina-la. Deste jeito descobriram que a jovem estava grávida de um homem não cigano e seu pai disse:

- Como castigo você será expulsa do acampamento e será vendida como escrava no mercado. Afinal, com a sua pele muito morena você poderá fazer o papel de mucama muito bem. Para isto colocaremos um turbante na sua cabeça com a finalidade esconder os seus cabelos lisos.

Assim este homem vestiu sua filha de escrava e foi vende-la ao grande mercado da região. Naquele dia, Paulo se dirigiu ao mesmo lugar para comprar especiarias e se espantou ao ver a sua amada a venda. Deste jeito ele aproximou-se e perguntou:

- O que está acontecendo, Brunette?

Como um raio, o pai da jovem interrompeu:

- Estou vendendo esta escrava e ela está proibida de dar um “piu” aqui neste local.

Paulo pensou em comprar a garota para casar com ela depois. Mas percebeu que não teria dinheiro suficiente para isto. Então ele foi até a sua casa, explicou a situação e pediu ajuda financeira a sua mãe, que comentou:

- Não tenho dinheiro suficiente para comprar esta suposta escrava. Porém posso trocar a jovem pelo meu bem mais precioso: a cabra Abacadabra!

Desta maneira o rapaz falou:

- Mas este animal mágico é o seu bem mais precioso!

- Acho melhor eu arranjar outra maneira de libertar a minha amada.

Mesmo assim a “curandeira” foi até o mercado e tentou fazer a troca:

- Meu senhor, gostaria de trocar esta escrava por esta linda cabra mágica?

O cigano olhou o animal de cima abaixo e disse:

- O bicho parece muito saudável e forte.

- Esta cabra dá muito leite?

- Qual é o nome dela?

A senhora respondeu:

- Ela oferece litros de leite por dia e este líquido é capaz de curar muitas doenças.

- O nome dela é Abracadabra. Se um dia o senhor estiver em apuros basta gritar o nome desta cabra e uma mágica acontecerá. Afinal, o nome dela é um talismã usado por muitos místicos, que significa: “não me firas”.

Desta maneira Bruno exclamou:

- Aceito a troca!

Então eles fizeram o escambo e Paulo marcou seu casamento com Brunette.

Naquele mesmo dia, os ciganos desmancharam suas tendas e partiram com suas carroças para a estrada. Porém no meio da viagem eles foram surpreendidos por bandidos que tentaram lhe tomar tudo. No meio da confusão, Bruno olhou para a cabra e exclamou:

- Abracadabra, salve a gente agora!

De repente este animal se multiplicou em mil e os vários bichos que saíram de dentro da cabra começaram a atacar os bandidos com seus chifres mortais. Assim Abracadabra salvou a caravana de ciganos.



Luciana do Rocio Mallon

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tema da Semana: Abracadabra


Sincrético










Valquíria era uma velha e sabia sacerdotisa, sempre cultuou a mãe natureza e tudo que ela pode nos oferecer. Apesar de velha e cansada ainda acreditava no homem, acreditava no bem humano e na possibilidade de um mundo justo e sereno, onde todos pudessem ser livres e felizes.
Valquíria mantinha acesa a chama da esperança, mesmo sabendo que era tão somente seu coração que a matinha, quando se deparava com o mundo real, além daquela redoma natural, onde homens matam uns aos outros e sacrificam os animais por vaidade, sabia Valquíria que essa vaidade também era secular, tal como sua crença e suas origens. A deusa mãe sempre foi respeitada, cultuada e amada, os solstícios marcavam grandes eras, um tempo de fé, de paz, de amor e de alegria, a cultura, a fé, a religião, o trabalho e o lazer nunca foram pré-estipulados, mas entrelaçados dando um, vida ao outro, mesmo assim a evolução humana não trilhou por este caminho, o ódio, a inveja, cobiça, vaidade, a intensidade do mal fizeram crescer, sempre e muito, de uma maneira extraordinária que atravessou séculos de construção da sabedoria, do amor e da união.
Foi necessário unificar, agora trabalho, religião e lazer tem seus horários exatos e determinados, tudo foi sincretizado, a Deusa Mãe por vezes deu lugar ao Deus ouro, ao Deus Poder ao deus dinheiro, os solstícios são luzes de lamparinas que se acendem em lojinhas mercantis por todos os cantos, as culturas, essas já não são tão evidentes, não se sabe se o povo tem ou não tradição de onde vem, quiçá para onde vai, sincretizou-se, mistificou-se, unificou-se, mercantilizou-se e surgiu o natal, de um lado a grandiosa e não sem honra tentativa de unir todos num povo só, uma só crença um só amor uma só adoração, por outro, no entanto que tomou suas proporções meteóricas a tentativa de demonstrar o poder, de compra, de mando, de auto-afirmação.
As crenças antigas foram deixadas de lado, dando lugar à fábulas urbanas e comerciais, o mundo se prepara e é dada a largada para a temporada do Natal, o solstício? Ah, o solstício ficou para a geografia, para a física ou para os místicos doidões, o importante é aquele senhor, velhinho, gordinho, vestido de vermelho que estimula a compulsão, São Nicolau? Bem, esse fica para a história, para a literatura ou qualquer outro fanático.
Vendo tudo isso, Valquíria preferiu manter-se na sua redoma, mantendo suas tradições, talvez únicas, dando seguimento ao seu povo e a sua história, acreditou no sincretismo, acreditou na unificação, acreditou na possibilidade de mudança do homem. Aceitou o menino na manjedoura, porque acreditou, que uma família, uma vaca, um burrico, algumas ovelhas, três magos e uma estrela, são a mais bela história de um nascimento que se pode ter, aceito e abençoado pela Deusa Mãe a fim de salvar a humanidade, a fim de fazer nascer a luz, a serenidade, a humildade, a paz, manter acesa a chama do amor, a esperança da vitória do bem e divino, e assim renascer a todo solstício, nos 25 de dezembro de cada ano, ao longo de todos os séculos como num gesto de abracadabra.



Fernanda Bugai

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Auto-controle Presenteável



Meiri odiava amigos secretos e parece que quanto mais fugia deles, mais eles surgiam.
Era amigo secreto na páscoa, no natal, no carnaval, nas férias de julho, no ano novo, no dia da árvore...ufa.
O pior é que ainda não aprendeu a negar sua participação na brincadeira. Uma vez até tentou, e conseguiu, ficou de fora do sorteio e não presenteou e nem recebeu nada de ninguém. Um alívio. Mas depois que todos revelaram quem pegou quem, ela foi tão excluída e debochada por não ter participado que decidiu que aquele era um fardo que teria de carregar para o resto da vida.
O que a incomodava no inevitável amigo secreto não era o fato de ter que dar presentes a quem não conhecia ou não gostava, e nem timidez ou a preguiça por ter de pensar em como revelar quem sorteou. Nisso ela até que se saía muito bem. Aliás, era uma das melhores e sempre extraía boas risadas dos colegas. E sobre pegar alguém que não gostasse, isso não se aplicava a ela, pois em toda sua vida, nunca deixou de simpatizar com alguém.
Também não a perturbava a escolha do presente. Ela tinha seus métodos e buscava conhecer ainda mais seu amigo para dar-lhe o objeto perfeito, fosse ele um livro, uma peça decorativa ou uma roupa. Examinava por dias e dias o seu sorteado até ter certeza de que o escolhido seria um dos ganhos mais inesquecíveis da vida do felizardo.
No âmago de Meiri, o que realmente a deixava aflita e acabava com a brincadeira que até aquele momento não lhe era tão angustiante, vinha depois da sua revelação.
Ela passava semanas pensando, estudando e analisando os desejos de seu amigo até ter absoluta convicção de que o que planejava dar faria um imenso sucesso.
Porém, ao olhar a expressão no rosto do seu amigo secreto após dar o que lhe foi delegado, Meiri murchava como uma criança que vira o sorvete cair no chão. Nunca um sorriso, um brilho nos olhos, um abraço ou um obrigado foram capazes de convencê-la de que o presente fora perfeito e muito adorado.
Ela simplesmente não conseguia enxergar alegria, admiração ou surpresa nos seus amigos presentados.
E isso doía-lhe tanto, que ela passava horas chorando amargurada, se sentindo culpada por ter dado algo inútil. E isso só acontecia nos amigos secretos.
Com o tempo aprendeu a lidar com a situação, e sempre que ia dar sua lembrança no momento da revelação, fechava os olhos, virava o rosto ou fixava o olhar em outra direção para não notar o semblante do seu amigo secreto. Mas até aquele momento, nunca deixou de escolher minuciosamente o que dar.
Uma certa vez, porém, cansada do desgaste emocional e psicológico que a brincadeira lhe causava, ela mudou sua tática e escolheu um presente aos léus. Nem mesmo viu quem havia pego, e foi na loja mais próxima escolher um presente “unisex”.
No momento da revelação, ela olhou rapidamente para o papel em suas mãos, descobriu quem era o seu amigo oculto, e suando frio, mas ainda sim curiosa por ver a sua reação, ela tomou coragem para ver rosto do colega Gilberto ao receber o embrulho vermelho de fitas douradas.
Gilberto abriu o pacote, e ao ver uma simples caixinha enfeitada com pérolas e inteira trabalhada em bronze, não conseguiu conter sua emoção e rapidamente, deu um abraço apertado e carinhoso em Meiri. A pequena caixa era idêntica a que a sua falecida mãe usava para guardar pequenas bijuterias, e que se perdera nas poeiras do esquecimento.
Ela, sem reação, retribuiu automaticamente ao abraço. Sem carinho, sem afeto, maquinalmente.
E, tirando o fardo do seu caminho, desistiu dos amigos secretos, limitando-se aos conhecidos, previsíveis e enfadonhos amigos conhecidos.



Letícia Mueller

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mulher Insatisfeita




Uma mulher insatisfeita...

Busca a alma perfeita...

Mas, ás vezes exige demais...

Até da inocente paz!



Quando está frio...

Sente arrepio...

E reza pedindo um lindo Sol...

Quando acelera no farol!



Quando faz um Sol bonito...

Seu coração fica aflito...

E reclama do calor...

Espalhando horror!



Quando faz uma tempestade...

Ela sente medo de verdade!

Quando vem a secura...

Ela chora de amargura!



Uma mulher insatisfeita...

A si mesma rejeita...

Por isto, nunca será a princesa eleita.



Luciana do Rocio Mallon

terça-feira, 14 de dezembro de 2010



5 Sentidos




Não digo isso por maldade nem nada, mas tenho que falar: o ser humano realmente não sabe viver!E quando digo viver, é no sentido sexual da coisa. Muita gente, homens e mulheres, acabam criando numa relação sexual uma espécie de perfeição a ser cumprida, com começo, meio e fim como os filmes hollywoodianos melosos e sem uma puta graça ou um pingo de realidade. Sim, tem gente que cria o “sexo” perfeito e pensa que atingi-lo é o correto e que isso o trará prazer, quando na verdade, esse final sexual feliz onde os dois têm orgasmos múltiplos e são felizes para sempre é tão entediante como o jogo do Brasil na Copa, onde todos esperam que vá ganhar e no final, diante de todas as expectativas, eles brocham. É assim com a gente também.


O relacionamento bom é aquele imprevisível ou mesmo que planejado nos mínimos detalhes, ainda assim surpreendente. O que acontece é que não devemos nos esquecer de algo que comumente não existe em muitas relações amorosas e por conseqüência sexuais: usar os nossos cinco sentidos. Se não fosse para usar o ouvido, a gente nem precisava ter, não ? Nós, mesmo que humanos, ainda assim somos animais e temos instintos sexuais. Assim como o galo empina seu peito e canta para a galinha, assim como os leões rugem mais alto, os pássaros dançam exibidos e os lobos cheiram de longe o prazer de suas fêmeas nós, animais, queremos ouvir, sentir, cheirar e degustar o prazer.


Às vezes os casais nem sabem, mas pequenos detalhes dos cinco sentidos fazem a diferença: uma respiração mais ofegante e discreta ou gritos de loucura, um olhar mais provocante desde o restaurante até chegar em casa, uma apalpada generosa ou uma acariciada gostosa naquele lugar sem seu parceiro menos esperar, um gosto mais doce ou mais forte como o licor nos lábios ou mesmo um cheiro gostoso no cangote fazem toda a diferença antes, durante e depois da relação ou do relacionamento em si. Todos eles fazem parte. Não adianta ser uma baita de uma mulher ou um homem cheiroso, mas que não tem a pegada. Ou sempre ter um gostinho de menta na boca, mas não saber dar aquela olhada. Ou pior, fixar tanto o olhar, mas não ter coragem de tocar no outro. Para sentir amor, tesão, paixão e emoção é preciso misturar de tudo um pouco, desinibir-se e acreditar que somos animais, cheios de instintos que precisam ser colocados de uma vez por todas à flor da pele!


Bianca Nascimento

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Semana de Tema Livre


Longa espera



O medo de Jéssica sempre foi a solidão, desde criança teve medo de ficar sozinha no quarto, em casa, dentro do carro. Jéssica sempre foi uma garota meiga e carismática, talvez esse medo de se sentir sozinha a fizesse gentil, afinal, pessoas se deixam conquistar pela gentileza.
Sempre buscou agradar aos pais, tios, avós e amigos, muito prestativa, ótimas notas, vários cursos, sempre solícita e solicitada. Ocorreu um tempo em que os amigos aprontaram todas, conheceram o suposto lado bom da vida, enquanto Jéssica estava lá, fazendo a maionese de domingo, assistindo um filminho com a mãe no sábado de noite, cursinhos pré-vestibular durante a semana e festinhas no feriado não eram sua melhor dobradinha, preferiu as Ongs, preferiu os projetos sociais.
Jéssica lutou pela vida, em suas infinitas facetas, lutou desde cedo e sempre, em projetos sociais, formou-se assistente social, teve sorte na vida, pode patrocinar causas próprias, pela vida animal, pela vida vegetal, pela vida humana, seja qual fosse, era a vida que brilhava aos olhos de Jéssica. Essa insegurança reprimida, esse medo da solidão a fizeram querer bem a vida acima de tudo, na sua opinião, uma pessoa que se mantém vida e não deixa a chama da esperança de apagar, é sempre uma boa companhia. Os anos foram passando, sua juventude foi se perdendo e Jéssica sempre muito querida e gentil por todos que tiveram oportunidade de passar por seu caminho, na luta pela vida Jéssica esqueceu da própria, não se casou, não teve filhos, chegou um momento que a luta pela vida dos pais perdeu por w.o, tem coisas que por mais que queiramos são inalcançáveis, a longevidade eterna é um exemplo.
Tudo bem, Jéssica sabia que nem seus pais, nem ninguém viveriam para sempre, um pedaço do seu coração se foi com eles, mas não se sentia tão sozinha, entre asilos, orfanatos, abrigos e recantos, Jéssica passava todo seu tempo e todos seus dias o amor, a fé e a caridade foram objetivo de sua vida, e quantas vidas Jéssica salvou, foram tantas crianças tiradas das ruas, foram tantas árvores mantidas em pé, tantos animais protegidos e cuidados, na sua velhice Jéssica já havia perdido as contas, de quantas pessoas passaram por sua vida, não se orgulhava, tão pouco ostentava seus méritos e realizações, apenas manteve ao longo de sua vida a sensação de missão cumprida, de espírito puro e tranqüilo. Jamais dormiu coma luz pagada, jamais passou uma noite sozinha, deixou esta vida no dia da comemoração da casa de abrigados que levara seu nome, em meio à festa e a gratidão de muitas pessoas, deixou ainda ensinamentos de humildade e compaixão, não em palavras, mas em atitudes, e é isso que devemos aprender hoje e levar para nossas vidas.
Bate o sino do recreio, a professora de literatura fecha seu livro de contos, o silencio é quebrado pela ávida espera do intervalo, quando no corredor os comentários dentre todos os alunos da oitava série era o exame de matemática no dia seguinte.




Fernanda Bugai