terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


Assédio Educacional









Politicamente corretamente falando no português claro, hoje temos certeza de uma coisa. Educação, neste país, existe. Só tem um probleminha matemático. Ela existe para ricos, muito ricos que tem acesso garantido a qualquer escola, curso e direito a assédio moral ao professor, ou para pobres, muito pobres que são beneficiados por programas sociais, voluntariado, e, se o pai deixar que saia do tráfico pra ser alguém na vida, pode até se dar bem e se tornar um cidadão ativo e de bem com a sociedade, desde que o professor “não embace”. Claro que, em ambos os casos, a criança vai passar porque existe uma LDB (Lei de Diretrizes e Bases) que garante ao aluno a não repetência desde que satisfeitos alguns requisitos básicos e além do mais, passar pro ano seguinte um problema, é sempre uma solução, não é mesmo?

O que eu queria saber é onde está a educação para a dita classe média, aquela que não tem direito a escola particular cara, nem a “Bolsa Coisa Nenhuma”. Este é, certamente, o caso da maioria da população que tem que pedir empréstimo no começo do ano e parcelar tudo em 10 x sem juros para conseguir pagar, se quiser ter um nível um pouco mais elevado de estudo para os seus filhos. É nela que eu me enquadro, tu te enquadras, ele se enquadra... que nós nos enquadramos e vós talvez vos enquadrais e eles somente se enquadram depois de implorar por uma bolsa de estudo de 20% pra amenizar a mensalidade.

Nas aulas de História do meu tempo, que nem faz tanto tempo, aprendi que a educação já era uma forma de dominação. A Igreja ensinava o que queria, fazia as pessoas temerem e as tornava cegas para tudo o que não estivesse debaixo das leis divinas. Daí veio o louco do bigodinho alemão que queimava livros em praça pública, o que mantinha a população burra e bem dominada. Olha, não quero dizer nada, mas andei lendo por aí que certos partidários um tempo atrás andaram fazendo a mesma coisa (vide fonte ao final do texto). Estupidamente, ainda querem manter a população o mais longe possível da sabedoria, da opinião, da livre escolha, da personalidade política. Se o povo não sabe o que quer, se contenta com qualquer coisa. Se sabe, dão um jeito de deixa-lo bem calado.

Estão repassando aos pais a responsabilidade de aumento no salário do professor? Estão comprando nossa preferência e se esquecendo de que o mais importante é formar nossos filhos? Pior, estão formando nossos filhos, com nossa conivência, para um mundo preparado e idealizado diferentemente do que acreditamos, porque é assim que o mundo funciona e é assim que ele vai ser alguém na vida? Questões para serem refletidas, mas nem se preocupem. Não vão cair na prova e não valem nota.



Angelica Carvalho



Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/871826-onibus-e-escola-pressionam-custo-de-vida-em-sao-paulo.shtml

http://flanelapaulistana.com/2010/03/partidarios-de-dilma-ferem-pm-e-queimam-livros-em-praca-publica/

Foto: Reprodução http://brasilnewsbrasil.blogspot.com/2009_11_13_archive.html

Um comentário:

Emilyn disse...

É triste a realidade do ensino no Brasil. Os alunos estão expostos a muitas informações e pouca formação. Pior que uma educação pública sem qualidade é pagar por um ensino deficitário. Grande parte das escolas particulares está mais preocupada em ver o nome de seus “clientes” nos editais das mais conceituadas faculdades a desenvolver o espírito crítico, a capacidade de reflexão, o pensamento hipotético dos seus alunos. Tenho a impressão que os jovens da nossa geração estão como anestesiados... compram todo o lixo a mídia vende, pensam pouco, articulam socialmente menos ainda...