domingo, 17 de janeiro de 2010

Justiça?...


Acredito que todas as pessoas já tenham ouvido falar nesses casos de acidentes no trânsito, crimes de trânsitos, da Lei seca e tal... Pois bem, nesta quinta-feira, na cidade de Guarapuava-PR ocorreu o julgamento de Diego, um menino de 22 anos que, no ano de 2008, dirigindo em alta velocidade pela cidade e alcoolizado gerou um acidente de trânsito que culminou na morte de seu melhor amigo e de mais uma moça que dirigia uma moto.
Diego foi preso em flagrante, não foi para o hospital muito menos para UTI, não é de família rica, muito menos poderosa e influente, talvez por isso, ou por ironia do destino, ou até mesmo seu karma, não sei, mas foram várias as tentativas frustradas da família para que ele respondesse ao processo em liberdade e nada, e se passou um ano e nove meses de gastos com advogados e tudo mais, até que em 30 de dezembro passado ele conseguiu liberdade provisória até o julgamento de quinta-feira ( 14/01/2010).
Um caso muito parecido ocorreu em 4 de maio do ano passado, quando o ex-deputado Carli Filho também dirigindo embriagado ocasionou um acidente de transito na cidade de Curitiba que também culminou na morte de dois jovens. Diferentemente de Diego, o ex-deputado não foi preso e aguarda seu julgamento na mais plena liberdade, como mostrou a Rede Globo de comunicação há alguns meses. Talvez seja sorte, ironia do destino ou karma, não sei, mas é essa a realidade.
Além deste caso, muitos outros casos ocorrem diariamente no Brasil, não são divulgados, é claro, porque as pessoas envolvidas são famosas ou influentes. O próprio caso de Diego teve grande repercussão por se tratar de cidade pequena do interior e pela póstuma valia do mesmo. Mas o fato ocorre sempre, diariamente, e as situações idênticas são tratadas de formas diferentes, alguns por influência, sorte, destino ou karma, não sei. Continuam nas ruas, muitas vezes aptos ao replay, já outros mofam em presídios públicos alimentando a falsa esperança de um dia voltar a ver o sol nascer redondo. Ocorre que, não importa se é fulano ou beltrano, se é amigo ou estranho, pessoas morrem e vidas não podem estar sujeitas à delinquência alheia, não importa se a vítima é rica ou pobre, se o culpado é rico ou pobre, o que importa são vidas roubadas, temos de lembrar qual é nosso bem maior.
Segundo a especulação da mídia, o caso de Diego, por se tratar de pessoas da mesma cidade do ex-deputado e coisas do gênero, pode ser utilizado como analogia ao julgamento de Carli Filho e de tantos outros que ainda virão. A coincidência é que Diego conseguiu um dos melhores advogados da cidade como patrono de sua causa e, como assistente deste, o ex-procurador do município, e mais coincidentemente ainda primo do ex-deputado. Nessas horas lembro-me do que minha mãe sempre me disse: “Deus escreve certo por linhas tortas”, eu acredito muito em destino e vejam como é... Foi necessária a desgraça de uns para que alguém lembrasse que havia um garoto preso há um ano e nove meses já sem expectativas, e de repetente tudo se clareia na vida de Diego e possivelmente da sua família claro.
O julgamento durou cerca de nove horas. As coincidências entre o Caso Diego e o Caso Carli Filho foram trazidas à tona pelos próprios advogados durante o julgamento e pelo promotor. A defesa pediu a desqualificação dos crimes de dolosos para culposos com culpa consciente, a acusação manteve o pedido de crime doloso afirmando haver provas mais que suficientes. O pedido da defesa não foi aceito pelo Júri. Diego foi condenado a 16,4 anos de reclusão e saiu da Sala do Júri direto para a Penitenciaria da cidade. Justiça feita. Na cidadezinha o alvoroço formou-se, há quem diga que é muito tempo, quem ache muito pouco, torcida contra e a favor.
Agora, leitores, peguem suas fichas e façam suas apostas, haverá mais casos parecidos por serem julgados e vejamos se a justiça, influência, sorte, destino ou karma, o que falará mais alto...


Fernanda Bugai

3 comentários:

Anônimo disse...

Fer, felizmente existem pessoas na área do direito com boa fé vontade de mudar as coisas. Eu tenho como ídolo o juíz Fausto de Sanctis, responsável por condenações heróicas de gente que ficou bilionária a custa de faucatruas, lobbies e crime orgnizado. Você também é a pessoa certa na área certa. Beijo e parabéns por este post/reportagem.

Mario

Karime disse...

Oi, Fê! Aqui onde eu moro, há um mês, um cara desceu a BR em alta velocidade, bateu em um Uno e as três meninas que estavam dentro do carro morreram carbonizadas. O pai do cara pagou uma testemunha prá depor a favor dele. Na hora do depoimento, a maluca da testemunha (neste caso, teve um segundo de sanidade mental), disse que tinha mentido e que tinha sido paga.
Ela, o pai do cara e o cara estão respondendo processo.
Complicado.
Beijos

Fer Bugai disse...

Que bom e obrigada Mario!!
Nossa Ka... realmente né, ocorre todos os dias em todos os lugares, e ainda bem que no caso da sua cidade essa "testemunha" teve a mente iluminada ^^

Beijos
Fer