quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Variações sobre o tema principal





Ser só e se bastar. Trabalhar, ler, correr, ir a feira, ao cinema, sair com amigos e levar a vida. Viva a vida! Viva como dá, quando dá. Pinte cores, vez ou outra, para dar-lhe mais sabor. Somos donos e responsáveis por cada metro cúbico de ar respirado neste planeta, portanto, mecha-se, vire-se e faça da sua vida uma bela história.
Por falar em história...
Somos muitos, onze, seis, ou um só, dependendo do momento e do ponto de vista. Inspiramos-nos fácil. Mas a cabeça tem que estar livre para voar e o corpo não pode estar fatigado. Com estas duas combinações a festa está armada. O pensamento passa pelos pêlos do Antônio Bandeiras e/ou pela epiderme dos momentos scaneados do último vulcão que passou por perto.
Leves toques apenas mostram que o jogo está começando. Uma posição mais adequada, breu total e apenas a cabeça fervendo. Ou luz e muito voyeurismo no ar. Tudo muito detalhado e brando. Pensado nos mínimos detalhes como se estivéssemos preparando uma ikebana. As flores, suas cores, seu cheiro, sua textura. Sua presença é o que importa.
Círculos entram na brincadeira. Movimentos crescentes, intensos e molhados passam a povoar o ambiente. Suor, suspiros, uma euforia rasga o tempo sem pedir licença. O tempo passa, passa. Segundos transformam-se em décadas. Tudo é muito apropriado e muito intenso. Passo por um mundo só meu, onde o protagonista é um sujeito oculto, quase uma despedida de solteiro.
Agonizo e só, chega o fim. Seco, frio e solitário.
Caso semana que vem e agora como farei para ter meus encontros? Longe ficarei deste mundo meu, só meu. Desta minha vaidade íntima, desta velha e boa masturbação.

Verônica Pacheco

Um comentário:

Nelson Guerra disse...

Que texto profundo Moça!
Gostei! A veia literária se dilatou?! rsrs
Felicidades!!!
Beijos!