quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Vocábulos que não se ausentam do meu límbico


Para conseguir escrever para o tema da semana eu fiz uma puta pesquisa, e confesso que fiquei aliviada, ao descobrir algo tão histórico e poético na minha tão sutil forma de “agir/pensar”, às vezes em algumas situações, ou na maioria delas.


Os palavrões são tão antigos quanto a própria linguagem, quase todos os palavrões que falamos hoje em dia já eram usados pelos portugueses antes do Descobrimento do Brasil (putz não era bem palavrão, provavelmente alguma palavra que não compreenderam)! Então não foi culpa nossa! Nada concreto sobre, mas já dá para se ter uma vaga, bem vaga idéia de onde tudo começou, embora eu pensasse que pudesse ser coisa de “Argentino”... ops, nada contra!
Os palavrões evidenciam o desenvolvimento da linguagem, das sociedades e ainda ajudam a desvendar o cérebro. Tem ciência por trás disso.


Pesquisas recentes apontam que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões moram nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.


Quer uma coisa que atribua mais personalidade do que ser desbocada? E a pessoa ainda leva alguns adjetivos de tabela: quem não tem uma amigo que é admirado, por ser original, sincero só porque “fala o que vem na lata ou dá na telha” (não estou lembrando), fala tudo o que quiser, sem medir suas palavras, ou seja, aquele boca suja. Eu acho que entre os meus amigos, eu faço parte dessa classe (embora eu pense muito mais do que diga palavrões), não que seja admirada, mas algumas vezes já fui colocado num pedestal, não para adoração, tampouco para algum ritual a meu favor, mas para eu tentar conhecer/recuperar a parte culta da gramática, e falar como uma dama.


Algumas situações em que, se eu não falo, eu penso, e morro, morrroooooooooo de vontade de pronunciar um belo palavrão...
“Estou dirigindo tranqüilamente pela Rod.457, e um maluco atravessa com o carro na minha frente. Não o conheço, tampouco sua mãe, mas eu falo “Cadê a porra da sua seta, seu filho da putaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa”.

Outra coisa que me enerva (existe essa palavra) é que vida de universitário é foda, ainda mais quando a gente trabalha e mora longe da facul, e tem que pegar busão. Na minha “antiga” vida como tal era a maior correria para chegar a tempo de “pegar o bus”. Bem na hora que você está saindo do trabalho (tudo minuciosamente cronometrado), o irmão do cara do carro acima aparece para atrasar, daí tinha que sair feito louca para chegar a tempo no ponto, e a porra do ônibus passava alguns segundinhos antes, e eu perco. Ah, nessa hora, meu amigo, nada traduzia o meu sentimento como um “caralhoooooooooooooooooooooooooooooooooooooo, que nervo”!!!

No supermercado é outro exemplo, aquela puta fila e a lesada da caixa fica com o cérebro igual ao da Lú Oliveira (ontem), e demoraaaaaaaaaa para passar a compra. E, bem na hora que está terminando, o corno da frente lembra que esqueceu de comprar um item, putaaaaaaaaa-queeeeeee-paaaaaaarrrrriiiiiiuuuuuuuuuuuu!!! Não é putaaaa-que-o-pariu (que fica muito formal). Nada expressa melhor o que eu sinto naquele momento!




Daí você chega em casa e te perguntam: nossa, por que está com essa cara?
O que me resta responder senão um: “Por que eu estava naquela porra de supermercado e numa fila longa para caralhoooooooooooo. Não volto mais lá nem fudendo (isso nem deve ser palavrão, porque eu sempre volto)”. Cá entre nós, tem algo mais fácil do que isso para entender a cara que eu cheguei em casa, impossiiiiiiiivvvvvvvvveeeeeeelllllllllll!!!



Outra coisa é quando chega o final das provas, hora dos mestres nos passarem aquela nota que suamos até (o que eu não tenho coragem para falar)... de tanto estudar, e quando você pega sua prova, olha o nome para ter certeza que é a sua, e... ”Mas que merdaaa, estudei há dias para o kct dessa prova, e tiro essa porraaaaaaa de nota!!! E ainda quando vai falar com o professor para ver se tem como dar aquela ajudinha básica, está aquela mãe do filho, com uma nota 8,0 reclamando. Fala se não tenho razão, e devia mandar, mas não mando tá, só penso, mas pensooo mesmo num “Vai se fuderrrrrrrrrrrr, garota”!!!!!!!!!!!!



Veja bem como deveriam entender o palavrão como cultura, e apenas vê-lo como arte e expressão.Você está andando e tropeça em uma pedra e solta: “ow, pedra filha da puta”, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.
Descobri que o meu sistema límbico é burro. Burro e sincero. Justamente por não pensar. Quando essa parte animal do cérebro fala, ela consegue traduzir certas emoções com uma intensidade inigualável.
Eu uso muito bem essa minha parte do cérebro, mas eu sei quando tenho que pisar no freio e segurar a onda.
Nossa, o texto ficou grande pra caralhooooooooo!!!




Maria Jaqueline

3 comentários:

Anônimo disse...

Maria, muito legal saber da anatomia do nosso lado bagaceiro. Agora tenho uma desculpa fisiológica para quando soltar um palavrão na hora errada. hehehe ;-)
Beijo, sua boca suja de mão cheia.

Mario

*Lu* disse...

Hahahahaha adorei flor.
Concordo com o Mário, agora temos a desculpa fisiológica para soltar milhões de palavrões...Adoro a parte animal do meu cérebro hehehehe.
Ahhh obrigada por me lembrar e lembrar a todo mundo que tenho um cú de porra de cérebro que as vezes sai do ar hahahah.
Bjks

Cris disse...

hummmm....tô boba!
Não acredito que minha amiga está falando palavrão. Que coisa feiaaaa!!!! rsrsrsrs Minha amiga..
há um tempo atrás eu resolvi fazer contabilidade. Tive uma reunião do colegiado da escola e quando entro toda tranquila na sala,a professora me avisa que estava tendo prova surpresa. Como poderia usar calculadora ela nem tinha avisado. Faltavam 30 minutos pro término da aula e pasme "eu não tinha levado calculadora". Fiz a prova todinha na ponta do lápis (que por sinal era enorrrrrmmmmeeee!) e entreguei. Ela passou o resultado e vi q eu tinha acertado tudinho. Bem.. fiquei alegre demais e era só esperar a entrega da prova corrigida. Eis q chega a entrega. Ela chama por meu nome e lá vou eu pegar a prova. Quando peguei, te juro que foi instantâneo, sem nem sentir soltei um "puta-que-pariuuuu". A professora ficou horrorizada e eu mais ainda, pois tirei zeroooooooooooooooo. Sabe por que? Onde era crédito, na pressa, escrevi débito e vice-versa. Infelizmente tem horas que sai sem querer....rssss não tem jeito! Amei o post, amiga....parabéns!
Um beijinho carinhoso no seu coração..