quarta-feira, 19 de março de 2008

Homem para casar? tô fora!

o nerd/geek do filme namorada de aluguel é bem "casável"

Confesso que o tema dessa semana não faz muito a minha cabeça e que não sou a pessoa "correta" para falar do assunto. Nunca fiz o tipo "moçoila casadora" rs na acepção original do termo. Sempre me preocupei muito mais em viver a minha própria vida (curtir, sair, obter conhecimento, viajar, etc) do que encontrar o tal do "príncipe encantado" que é mais um daqueles engodos que o imaginário coletivo nos prega. Para começar que acho esse termo "homem para casar" tão pejorativo quanto o "mulher para casar", pois parte do pressuposto que dividimos as pessoas em categorias que são por demais complexas para serem reduzidas em rótulos como produtos.

Primeiro que apesar de sempre ter adorado estar "in love", nunca fiz planos sobre casamento. Cerimônia religiosa? Aff nem pensar. Sou anti-religiosa por natureza e nunca me imaginei dentro de um vestido branco com cara de chantilly professando uma fé que não tenho. Casar no civil? Só se for por algum motivo "obrigatório", do tipo levar o marido junto quando for pedir uma bolsa de pesquisa para outro país. Eu sinceramente nunca liguei a mínima para aliança, papéis e todo esse lero lero que nós enquanto sociedade achamos super normais. O que não quer dizer que não acredite no amor. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Porque amor não prescinde de todo esse entorno burocrático, amor simplesmente acontece e ai é que a convivência acaba tornando-se necessária.

Mas de volta ao tal do "homem para casar", não há fórmulas passíveis de serem aplicadas e quem diz que há, só o faz para vender livro de auto-ajuda para mulheres desesperadas. Eu suspeito dos "homens para casar" ou melhor dos homens que aparentam estar desesperados para casar e que possuem um discurso pronto todo bonitinho. E olhem nessa minha vida cheia de idas e vindas , já conheci dois que faziam essa linha: pinta de bom moço, papinho para agradar a sogra, posando de super responsáveis, entre outros atributos "socialmente louváveis". No fundo eram uns malas sem alça, controladores, machistas, chatos, egoístas. Sinceramente? Foram duas das pessoas mais tediosas e sem graça que já conheci.

Felizmente o mundo é feito dessas diferenças e uma lista de predicados idealizados jamais substituirá o "real". Encontrei meu "homem para casar" (argh para esse termo rs) entre as batidas quebradas do drum n´bass, ambos sem grana, sem nada a perder, sem pretensões. Só queríamos nos divertir enquanto a festa não acabasse e vejam só faz quase cinco anos... ou seja, depois de tanto relutar (nessa época, nem namorar eu queria pois estava envolvida com minha tese de doutorado) me vejo em uma relação doméstica e estável que inclui não abdicar das vidas individuais - relacionamento sufocante ninguém merece! os amigos são os únicos que ficam ao findar de uma relação - tampouco das coisas que gostamos de fazer juntos. Além disso, tem que aturar os meus surtos ao ficar ouvindo a mesma música mil vezes, meus momentos workaholics, tem que ser pragmático e não ser chegado em senso comum. Ah e tem que gostar de tecnologia e de cultura pop. Assim, justifico meu título do post, afirmando que o imaginário do "homem para casar" nunca me atraiu. Homem é para experimentar e amar. E, como diz aquele clichezão do Vinicius de Moraes: "que seja eterno enquanto dure".

Lady A.

9 comentários:

Desaforadas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Desaforadas disse...

Muito legal seu ponto de vista subversivo, Adri. Mas dizer que "homem para casar tô fora" tendo marido é o mesmo que dizer "drogas tô fora" morando com traficante, né? rsrs ;-)

Charlie

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

mais ou menos charlie pq eu expliquei o meu conceito de "homem pra casar", o problema é a birra q tenho com o termo msm e com as expectativas das mulheres em cima dele. :)

Anônimo disse...

lady A,

adorei teu textoooooooooooooo!!!! muito bom...

beijos,

mônica.

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

valeu Mônica! bjo

Rodolfo disse...

Oi Adriana,
Não nos conhecemos mas isso não importa nesse momento.
Acho que np intuito de mostrar uma certa independência, você acabou confundindo um pouco as coisas. De certa forma, você mesma, como diria Charlie, já escolheu seu homem para casar. Ou está arrependida da sua escolha? Não quero criar problemas na relação mas às vezes queremos ser o que não somos e desejamos imaginar coisas que nunca de fato faremos.
O fato de vc não ter amor pelas convenções (papéis passados, alianças, festas formais) não te faz uma pessoa mais "muderna", antenada e independente.
Eu diria que a não ser nos casos mais resistentes, quase todos nós somos dependentes sim. Queremos amar e ser amados. Intensamente, da cabeça aos pés. Não há nada mais importante que isso.
Isso pode nos tornar " convencionais"? Sim pode mas quem se importa? Para que viemos a esse mundo afinal que não seja para sermos felizes?

Desculpe a franqueza, mas no tema de hoje vc me pareceu fazer jogo de cena.
Com respeito

Rodolfo

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

Rodolfo, acho que vc não me conhece o suficiente para julgar, ainda mais a partir de um mero recorte (como é o caso do texto que eu acho que vc não leu com atenção, desculpe a sinceridade). 1) Eu falei no amor (que é algo no qual acredito) e que a questão das conveções não tem nada a ver com isso 2) não estou arrependida de nada, as escolhas cada qual faz, só não gosto de ver o desespero de certas mulheres atrás de um ideal que não corresponde à realidade, até pq todos temos defeitos, além do mais, encontrei sim meu homem para casar, mas só digo que ele não está dentro dos estereótipos apontados pelas outras meninas no geral 3) eu respeito quem quer viver cercado dessas convenções, como disse é uma opção, mas para mim não serve, sempre fui assim e não é nenhum joguinho como vc disse, quem convive comigo sabe muito bem disso e aceita quem eu sou pois tb é assim 4) sobre independência, é ÓBVIO que tdo mundo tem um certo grau de dependência do outro, isso é demasiadamente humano, o que eu não acho legal são pessoas "acorrentadas" nisso. Era isso e espero que agora vc tenha compreendido meu ponto de vista. abs

Rodolfo disse...

Lady A,
Obrigado pela sua resposta.

Minha intenção aqui foi apenas fazer um contraponto. Espero que vc não tenha ficado ofendida com isso, pois não foi minha intenção nem é de minha índole.

1) De fato não te conheço o suficiente (disse isso na 1a frase de meu comentário inclusive) e por isso fui fazendo apenas observações sem qualquer compromisso baseadas única e exclusivamente no seu " recorte".

2) Pessoalmente eu também sou contra as convenções, mas apenas achei que esse não parecia ser o ponto crucial do tema da semana: a escolha do homem ideal. Taí o Shrek para mostrar que o principe encantado de hoje pode ser feio e simpático. rsrsrsrsrsrs Mas o texto é seu e você faz o que quiser com ele, ok?

3) Sobre as suas escolhas pessoais, espero que vc tenha entendido que em nenhum momento tentei questioná-las. Não tenho essa pretensão nem com amigos e pessoas mais próximas, não faria sentido algum fazê-las com você.

4) Quanto ao seu ponto de vista ele sempre foi para mim claro. O fato de eu concordar ou não com ele não tem muita importância. Como diriam os filósofos do futebol: "Cada um é cada um".

5) Sobre ser ou não independente isso também é uma questão muito particular. Às vezes o que para vc é sinal de dependência para outras pessoas pode querer dizer afeto, amor, paixão, entrega. Para outros ainda pode querer dizer submissão.

Cada um tem sua régua e meça da maneira que achar melhor e que se sinta mais feliz.

É minha opinião com a qual vc tem todo o direito de discordar.

Abs

Rodolfo

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

Rodolfo,
Seu contraponto é válido, claro. Apenas achei o "jogo de cena" bastante pesado, mas sem grilos, não me ofendi.

Eu apenas dicordo quando tu dizes que o tema da semana não tinha a ver com convenções. Tem sim, tanto que elas apareceram em todos os textos praticamente, não só no meu.

O que me incomoda profundamente é ver mulheres bonitas, inteligentes, etc etc muitas vezes caindo em armadilhas do tipo "homem ideal" ou mesmo o contrário homens atrás de "mulher ideal". Esse desespero por achar X ou Y ideal acaba obscurecendo o que há de concreto e gera angústia e ansiedade. Meu problema mesmo é as pessoas tomarem uma ficção por realidade, pois muitas passam a vida se lamentando por isso (conheço vários casos). Quanto a todo o resto, com certeza, são particularidades de cada um/uma e que sejamos felizes com as diferenças.