domingo, 30 de março de 2008

Os iguais se repelem

Nada como a arte mais impactante do mundo para gritar informações que às vezes nos negamos a aceitar. Os opostos podem não se atrair de forma magnética e absoluta, porém se seduzem de maneira involuntária e, aparentemente, inexplicável. Mas só aparentemente. Da tela do cinema transbordam exemplos que já estão impregnados no inconsciente coletivo (vide a enquete “Qual o casal mais inviável do cinema?” da comunidade Centro Europeu Cinema Digital: http://www.orkut.com/CommPollResults.aspx?cmm=29124951&pct=1180236722&pid=442073868).
Em King Kong, a delicada personagem de Naomi Watts apaixona o gigantão truculento, acerebrado e peludo mais querido da sétima arte; em Geração Proteus, uma máquina sólida e fria copula com a suave e humana Julie Christie, em Terminal, uma aeromoça cosmopolita fica encantada com um homem cujo universo se restringe a um aeroporto. Os exemplos continuariam indefinidamente: Titanic, A Primeira Noite De Um Homem, Perdas E Danos, Meninos Não Choram, Ghost... daria para fazer um blog só de casais com características opostas.
Na música não é diferente. Sem querer ir muito longe, de Eduardo E Mônica a Romance Ideal, a velha história do amor improvável que acaba dando certo (ou enlouquecendo os amantes) é um clichê inevitável, recorrente e perpétuo. É o Côncavo E Convexo do Roberto Carlos. Poderíamos passear também por outras artes para testemunhar novos exemplos desta bizarra mecânica do desejo, mas fiquemos com o cinema, onde tudo é (por motivos óbvios) mais flagrante.
Seja para abrir ou para fechar diálogos de potenciais casais cinematográficos, a dificuldade é sempre externada de alguma forma, pois é ela que garante o desenrolar interessante da trama e nos faz torcer. Em Orgulho E Preconceito, a heroína afirma categoricamente: “você seria o último homem do mundo com quem eu me casaria”, para logo em seguida sentir-se magnetizada pela boca de seu interlocutor. Em Saída De Mestre, a primeira frase dita pela arrombadora de cofres ao ex-parceiro de seu pai criminoso é “eu já não disse que nunca mais queria ver seu rosto?”, sendo que os dois (obviamente) acabam o filme juntinhos como se aquela frase quisesse dizer justamente o contrário. A regra é repelir para conciliar.
Para complicar ainda mais a situação, os casais iguais parecem sempre fadados a uma relação fracassada. No clássico Era Uma Vez No Oeste, a meretriz de Claudia Cardinale se vê na sina de solitária ao perceber que o bandidão de olhos azuis vivido por Henry Fonda é muito similar a ela, bem como os demais bandoleiros presentes no filme. E o casal mais famoso do cinema, Scarlett Ohara e Rhett Butler de E O Vento Levou, também não leva sorte por, segundo o próprio personagem de Clark Gable, serem iguais demais.
Mesmo que não haja incompatibilidade pelas próprias peculiaridades dos personagens, as forças opositoras acabam vindo de fora. Alguém acredita que Romeu seria tão apaixonado por Julieta, e vice-versa, se não houvesse a objeção feroz das famílias Montecchio e Capuleto? Notoriamente, a famosa incompatibilidade de gênios vem somada a forças adversas do ambiente: não bastasse Julie Andrews ser totalmente avessa ao estilo absurdamente rígido de Christopher Plummer em A Noviça Rebelde, ela ainda tem de enfrentar uma rival ardilosa, sua condição de celibatária e a ascensão do nazismo em solo austríaco. Quanto mais desfavorável o contexto, mais oportunas se tornam as circunstâncias para o enlace do casal. Mais os opostos se atraem. Até no inocente Encantada tudo tem de chegar ao limite do inviável: envenenamento, bruxaria e um dragão gigante, só para levar ao clímax uma circunstância que por si só teria tudo para dar errado. Ou alguém apostaria no enlace de um cético advogado de Nova York com uma princesa de conto de fadas?
A resposta para o mistério da oposição atrativa, que nem cupido parece entender muito bem, não está na sessão de romances das locadoras, mas sim na de documentários. Mais precisamente nos referentes a ciências (?!). Na coleção Cosmos do falecido astrônomo americano Carl Sagan pode ser lançada uma luz esclarecedora sobre o tema. Aparentemente, a explicação não tem nada a ver com glamour ou romance. Einstein afirmou que a menor distância entre dois pontos não é uma reta. E, para complicar ainda mais, sentenciou enigmaticamente que uma reta, no espaço, é uma curva. As duas colocações se complementam. O universo é como um balão inflado, cuja parte de matéria se encontra na fina superfície de borracha. Sendo assim, se você atirar uma flecha no infinito, que sempre avance em linha reta no universo, ela irá descrever uma parábola e acertar... suas costas. Em outras palavras, se você avançar no cosmos para procurar a coisa mais distante que existe nele encontrará a si mesmo. E existe algo mais opositor e complementar a você do que você mesmo? O que procuramos no outro é também nosso avesso, nossas costas.
É zen. É yin yang. Mal e bem, sorte e azar, amor e ódio andam juntos. É como seu tórax e suas costas. Ao contrário do que muitos pensam, as oposições não são facções distantes: céu lá no firmamento, inferno lá debaixo da terra. Estão lado-a-lado. São as famosas duas faces da mesma moeda. Não esqueçamos que a baixíssima temperatura o gelo queima. E que o cúmulo da alegria é chorar de tanto rir.
Os extremos nos são atraentes porque os limites são nossa condicionante genética. A superação é nosso instinto mais primitivo. Desde as bactérias que consistiram nas primeiras formas de vida, fomos evoluindo continuamente. Essa evolução tem por prerrogativa atravessar as adversidades. Só se cresce através delas, só aumenta o músculo que eleva os halteres. Somos seres incompatíveis à vida: não fossem nossos artifícios tecnológicos, seríamos os mais vulneráveis animais da natureza. Aqueles de pele fina, que sucumbem a uma infinidade de viroses, que adoecem por água não filtrada e alimentos não lavados. Contudo, somos atraídos pela natureza, porque somos parte dela. É um casamento com o meio que nos cerca. Somos avessos às agruras do ambiente mas mesmo assim dependentes dele. Os opostos em convívio perpétuo. Só nos complementa aquilo que nos faz crescer, aquilo que nos exerce alguma força de oposição. E o casal compatível não é aquele em que o homem e a mulher vestem moletons da mesma cor, praticam os mesmos esportes e um completa a frase do outro. Estes terão o tédio por karma. Passarão a eternidade procurando novas drogas de aluguel num vídeo coagido, como diria o Rappa, preferencialmente com um home theatre de som bem poderoso para não precisarem conversar, já que entenderão dos mesmos assuntos e até saberão o que o outro está pensando.
Incrível como a leitura disso tudo é tão clara na natureza e na arte. No amor selvagem dos animais, a mutilação e até a morte de um dos cônjuges durante a cópula seriam uma ameaça à perpetuação das espécies, não fosse a lei da atratividade dos opostos. Via de regra, o macho aceita e se submete à sanha e ao apetite da fêmea por uma ordem natural do universo: astros menores (machos) são atraídos pelos maiores (fêmeas). Para copular é preciso mostrar-se preparado, só assim se é escolhido. A troca parece justa: uma vida por outras várias que irão nascer. E ao parir, momento de ápice de qualquer fêmea, também é necessário estar preparada para agonia, choro, vísceras e o delírio de gerar um novo ser. A dor e o prazer caminham em perturbadora harmonia.
Luís Fernando Veríssimo afirmou que o contrário do amor não é o ódio, mas sim a indiferença. E é por isso que Scarlett Ohara só percebe que ama Rhett Butler quando ele, ao ser indagado sobre o que ela fará da vida sem tê-lo a seu lado, lhe diz “sinceramente, não dou a mínima”. Porque enquanto se odiavam era sinal de que ali havia a possibilidade do amor: a faísca próxima ao elemento de combustão. E também é por isso que Martin Luther King repetia: “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”. Os opostos se atraem não porque se conflitam, mas porque se complementam. Já a indiferença é o nulo, o neutro. O nada. A eletricidade pode salvar um paciente em cirurgia ou matar uma criança por um curto circuito. Ela cura ou fere. O ponto neutro significa desativá-la. Há um lado ótimo em se perceber que ira e tolerância são quase irmãs: a esperança de paz para a humanidade, de um dia vermos judeus e palestinos, chineses e tibetanos, americanos e o resto do mundo abraçados e dividindo o mesmo planeta sem discórdia. A sabedoria dos samurais lhes permitia ver o oponente não como um indivíduo que devia ser extirpado, indigno de existir, mas como um agente necessário à sua própria evolução. Ao ponto de agradecerem seus desafetos.
Na condução deste raciocínio, pode se ter a impressão de que o bom casal é feito de rivais. Não se trata disso. Casais, bem como qualquer tipo de dupla (ou mesmo grupo), precisam se estimular mutuamente, necessitam alimentar centelhas de antagonismos que os façam evoluir, juntos e individualmente. Lennon e McCartney passaram a vida criando obras antológicas, mas também se degladiando. O time quase invencível de Bernardinho é formado por atletas no ápice da tensão, exaustão e competitividade, mas se denominam uma família. Só é imprescindível que o estímulo mútuo esteja acompanhado de respeito. E que a relação não seja de disputa ou cobrança: o que você precisa é de alguém inspirador. E só a diferença é inspiradora. Não existe nenhum grande pintor que tenha vivido apenas de auto-retratos.
Uma pesquisa americana mostrou que os casais que mais perduram no relacionamento são aqueles em que os dois brigam demais e aqueles em que ambos não brigam nada. Claro que não são sinônimo de casais felizes, mas, de certo modo, se atraem com suas diferenças ou se toleram em meio a elas. Os casais em que só um dos lados briga são aqueles em que há maior índice de divórcio. Óbvio: um dos dois lados é o neutro, é a indiferença. Ele apaga a relação. É o botão off.
O paradoxo dos opostos que se atraem (paradoxo, não contradição) fica evidente até mesmo nos filmes antigos. E isso não por causa das histórias e sim da técnica. O preto e branco é oposto e complementar. O preto, ausência de todas as cores, se casa perfeitamente com o branco, presença de todas as cores – ao contrário do que nossos olhos querem falsamente nos afirmar, pois acreditamos que a página em branco está esperando para ser preenchida, ledo engano. Luz e sombra, dia e noite. Opostos. Atraentes. A estética do código binário.
O problema é que toda vez que alguém ataca a teoria de que os opostos se atraem lança comparações estapafúrdias: logo imaginam um maestro casado com uma cantora sertaneja. Claro que daí se cai no ridículo. O correto seria imaginar o maestro casado com uma artista plástica: ele auditivo, ela visual; ele intérprete, ela autoral; ele erudito, ela sábia. São os opostos com um fio condutor. Evoluindo juntos, sem ser nos mesmos trilhos, porque senão seria egoísmo e não amor. Outro contra-argumento de baixo nível (de inteligência) é apontar para a garota meiga casada com o mau caráter que a espanca: ora, neste caso não é um problema de carência de similaridades, mas sim de ausência de coerência, de amor próprio, de dignidade, de auto-estima, de respeito, de tudo. É preciso que haja oposição sadia, oposição com convergência. Não fosse a necessidade do “algo em comum”, diríamos que Madre Thereza de Calcutá e Saddam Hussein formariam o par perfeito. É preciso uma mesma diretriz, um mesmo “corpo”, uma mesma moeda. E oposição não quer dizer radicalismo, não é oito ou 80, está mais para 15 ou 30, que tal? Caso contrário, faltará companheirismo, e não se sustenta uma relação feita totalmente de “você-lá-eu-cá”. É preciso estar junto, só não se deve “ser” junto. A oposição radical cai no absurdo daquela anedota do masoquista pedindo ao sádico: “me bate”, ao que o outro responde prazerosamente: “não”.
É importante notar que mesmo com a “ausência de tudo”, não há como negar que algo em comum a tal moça meiga encontrou em seu marido-algoz. E também aí se encontra um estímulo primitivo. A imagem clássica de nossos ancestrais das cavernas, quando em casal, não é a de um macho e uma fêmea de mãos dadas. Ele a arrasta para seu abrigo puxando-a pelos cabelos. O mesmo impulso que leva uma moça de fina estirpe dos dias de hoje a se imaginar nos braços do rude pedreiro que faz a reforma de seu jardim de inverno. A imensa maioria dos homens acredita que as mulheres caem em contradição ao desejarem um parceiro que seja, ao mesmo tempo, poeta e estivador do cais do porto. Não há nenhuma incoerência nisso, é que todos queremos também a oposição dentro de nossos próprio cônjuges. Somos ambiciosos e desejamos toda a palheta de cores, não nos contentamos apenas com o cinza ou o amarelo. Nós homens também queremos essa amplitude e dicotomia. Não foi Nelson Rodriguez quem afirmou que “todo homem quer uma mulher que seja uma dama na sociedade e uma puta na cama”?
Nós queremos a oposição porque equilíbrio não é apenas a imagem da balança estática, com os dois pesos em igualdade, é também a gangorra em seu sobe-desce, o pêndulo indo para lá e para cá, o desafio me tirando do ponto de conforto, da apatia.
A coisa mais em comum que dois cônjuges devem ter é a individualidade. E você sabe que ama verdadeiramente uma pessoa quando percebe que quer que ela seja exatamente como é, e não como você gostaria que ela fosse – simplesmente porque daí deixaria de ser a pessoa que você ama. O certo não é “eu te amo APESAR das nossas diferenças”, mas sim “eu te amo POR CAUSA das nossas diferenças”. Quem procura alguém que seja seu espelho, vai passar a vida correndo atrás do próprio rabo. Lançado flechas ao infinito. Um cupido de si mesmo, apunhalando-se pelas costas.
E só para fechar a questão: se os iguais se atraíssem mesmo, todos seríamos gays.
Se alguém pensa o oposto disso tudo, que se manifeste, porque o oposto me atrai.

Mario Lopes

23 comentários:

Verônica disse...

Parabéns Mario, uma bela erudição de 37 anos de praia.
abs.

Adriana Amaral (Lady A.) disse...

muito bom o texto. !!

Desaforadas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Valeu, Adri, bj. Verônica, obrigado pelo elogio desses seus 30 anos de praia.

Charlie

Rodolfo disse...

Marião,
Ufa...... depois de 2 horas, 15 minutos e 43 segundos de bons argumentos eu devo concordar que vc está ...... absolutamente correto e equivocado ao mesmo tempo.

Os argumentos são sólidos, tem física no meio o que dá celebridade, tem referências aos nossos contos de fadas nas histórias infantis e no cinema, tem experiência pessoal (e vc é um verdadeiro Don Juan de Castro - vc sabe disso, né?), tem muita matemática e argumentos que qualquer cientista não refutaria.

Mas Marião, mesmo tendo as suas razões considere a possibilidade das pessoas pensarem diamentralmente opostas a você. Vc não seria feliz assistindo com seu amor ao Faustão num domingo chuvoso (eu muito menos) mas tem gente que gosta cara. Vc acredita?

Tem gente que adora Big Brother pois isso lhes representa o supra sumo das relações humanas, aquelas que as pessoas que assistem e adoram, muitas vezes não tem vitalidade de vivenciar no seu dia a dia, e acha legal ver no outro...

Tem gente que gosta de viver sozinho (vc conhece, né?) pois não acredita ou é muito incrédulo na possibilidade de encontrar alguém que lhe complete na oposição ou na situação. E agora? Este ser saiu do esquadro?

Pode além de tudo isso o amor ser tão racionalmente explicado? Eu não acredito.

Ao mesmo tempo acredito que somos como seres humanos, uma revolução permanente. Dialéticos, imcompreensíveis, às vezes compreensíveis, previsíveis, inconsequentes, adolescentes (especialmente quando apaixonados), querendo sempre aquilo que não está exatamente ao nosso alcance: como eternos capuletos em busca de algo que poderá vir ou não. Uma espécie de busca do "Godot" da Felicidade.

Será que chegaremos lá?

Eu tô tentando.

Abs

Rodolfo

PS: Desculpe um texto tão pop. Mas a maestria dos seus argumentos me estimularam a responder com a simplicidade do meu jeito de pensar.

Pode espinafrar à vontade

Anônimo disse...

Rodolfo. Com respeito ao Faustão e ao Big Brother, aconselho os apreciadores destas distrações ocas a procurar um par oposto (e com urgência). É prova ainda mais cabal de que, realmente, a oposição é um exercício sadio para quem quer evoluir. E evolução felizmente é um processo (quase sempre) sem retrocesso. Duvido que algum admirador dos filmes do Peter Greenaway, por exemplo, passe a curtir Gugu só por insistência de sua amada, mas o contrário pode ocorrer (apesar da diferença abiçal de gostos). E também conheço gente altamente intelectual que uniu as escovas com cônjuges que não apreciam conteúdos refinados, e o enlace acabou dando certo. Repetindo o conteúdo do texto, o importante é respeito. E manutenção da individualidade. Senão, vira aquela frase machista que o Leoni perpetuou com uma dupla sertaneja (cujo nome, felizmente, não recordo): "e eu te recriei só pro meu prazer". Pior do que ter alguém que não goste dos filmes de Jos Stteling é alguém que diga que gosta só para me agradar.
Sobre estar correto e equivocado ao mesmo tempo, opa, como eu disse, o assunto é yin yang, é paradoxal (mas não contraditório). Newton da Costa, um dos maiores filósofos deste novo milênio (que mora em Floripa!) criou uma teoria que contesta o modelo cartesiano: segundo ele, dois raciocínios opostos podem, sim, convergir para o mesmo ponto. Ponto novamente para as benécies da oposição construtiva.
O texto que escrevi foi longo mesmo. Mas, acredite, tive de cortar muito assunto relevante sobre o tema, porque há muita coisa que corrobora com seu contexto. Nem citei a sabedoria milenar, mas ela vem ao favor de seu raciocínio. Shiva, por exmeplo, a divindade da destruição é também a da contrução, porque só é possível erigir após desmontar, e assim sucessivamente ad eternum. "Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma". Oposição e convergência se revezando e se retro-alimentando.
Esse álibi de não se poder analisar o ser humano por ser excessivamente complexo é compreensível, mas não o acho aceitável, porque é possível sim identificar um modus operandi.
Abração. E obrigado pelas provocações de alto nível, curti um monte espinafrear. :-)
Ah, e sobre sair do esquadro, ué, que mal há nisso? Eu saí e estou muito bem, obrigado. Volto quando encontrar a minha hipotesua.

Charlie

Rodolfo disse...

Charlie ou Mário Lopes,
Não sei a quem me refiro agora. Vou me referir aos dois para continuar na dualidade mesmo não sabendo que quem discorda de mim, é o Mário, o Charlie ou Ambos.

Chegamos a um discenso e um consenso de novo. O texto foi longo, mas necessário. Vc sabe, eu curti ler cada uma daquelas 3.857.329.452 palavras. Gosto de textos densos e vc sempre foi uma pessoa consequente, uma espécie de ourives da escrita, que pesa cada palavra que escreve. Não era uma crítica nesse ponto, apenas um comentário. É difícil encontrar exemplos como o seu e o admiro também por isso.
Sobre o Modus operandi, já posso dizer que não posso concordar com isso. Seria inspiração em Blade Ranner? (assim que se escreve)que apesar de fazer seres perfeitos, não conseguem lhe trazer os sentimentos?
O mundo seria muito mais simples se tivéssemos receita pronta. E não sei se nós (seres humanos) somos ou não capazes disso. Tudo parece tão simples na teoria e na prática a estatística aponta um número cada vez maior de separações (embora os casamentos também tenham aumentado nos últimos anos). O que será que está acontecendo? Não estamos seguindo a Bula ou ela está escrita em grego?

Sobre as questões mais particulares e de foro íntimo, não quis trazê-la a discussão, apenas comentá-la que temos casos mais próximos do que imaginamos.

Independente disso e aí me refiro ao Mário e não ao Charlie, você é meu exemplo de Don Juan de Castro. A versão brasileira.

Abraços fraternos e vamos ao Espinafre

Anônimo disse...

rsrs Essa de Don Juan de Castro é boa. Em Blade RUnner acontece o oposto, Rodolfo: são seres perfeitos COM SENTIMENTOS, e é justamente essa a "falha" do projeto da Tyrell Corporation, fabricante dos replicantes. O modus operandi não é algo rígido e absoluto. É como prever o que acontecerá com um cidadão que fuma dois maços de cigarro por dia. Fica simples, concorda? Mas nem tanto, porque todos sabemos de casos de gente que passou dos cem com um cigarro pendurado nos lábios. Ou seja, é um jogo de previsibilidade, de estatísticas, de probabilidades. Há sim iguais que se adequam muito bem, tenho exemplos disso na família. Tão iguais que o que um aceita como verdadeiro, o outro não contesta. É uma cumplicidade absoluta. Ao ponto de trocarem informações com os olhos, de saberem se o cutucão de cotovelo significa "olhe lá" ou "fica quieto". É bacana? Sim, no caso de você se aborrecer com contestações. Daí maravilha: passa a vida toda ao lado de alguém que vai te elogiar quando você disser que "Tropa de Elite" é uma apologia à violência do poder oficial, e que também vai te aplaudir se você disser o contrário. Eu prefiro essa provocação que você está me fazendo. Prefiro alguém que me ensine coisas novas e que eu tenha o que comentar, discutir e contestar no fim do dia. Quero assuntos que eu não domine, quero sair da minha linha de conforto. É uma opção pessoal. Mas o universo parece conspirar com um favorecimento de duetos que se atraem e se repelem, isso desde as trocas de elétrons que estudamos no cursinho até as forças gravitacionais que nos fazem orbitar em torno do sol. Hoje recebi o telefonema de uma amiga que está se divorciando. Fiquei chocado porque eu considerva ela e o esposo como o casal perfeito. O mesmo vale para outro casal de amigos que morava em Camboriú e se divorciou no final do ano passado. E tem outro casal que conhecemos que também foi perturbadora a separação. O que os três casais têm em comum é essa cumplicidade que eu considero artificial. Porque ninguém que tenha individualidade genuína estará sacrificando suas discordâncias em prol da harmonia conjugal. Porque castrar sua opinião legítima é prostituir-se em nome de uma consonância que não existe. E todos nós discordamos o tempo todo. Por exemplo, Rodolfo, tenho discordâncias monumentais da sua posição política, discordâncias radicalíssimas-íssimas-íssimas. E nem por isso somos inimigos, muitíssimo pelo contrário. O mesmo vale para outros amigos que considero quase como irmãos. Isso porque volto a bater na tecla do respeito. Essa igualdade infantil é nociva. Precisamos de gente que discorde da gente. Precisamos deixar de ser preguiçosos. Os casais que se acham muito iguais, naquele velho e imbecil clichê das almas gêmeas, vão cedo ou tarde descobrir que não são um mesmo corpo, uma mesma carne, uma mesma alma. Daí vem a desilusão e o divórcio. A oposição é peça-chave dos governos bem sucedidos. Nos EUA, tem os Democratas de um lado e os Republicanos de outro. Divergem, mas convergem, porque tem um objetivo maior em consenso. Já reparou que eu praticamente não tenho amigos roteiristas? Quero gente diferente de mim ao redor. De igual, já me basta eu.

Charlie

Catia disse...

Mário,
teu post de hoje está show de bola, um trem bala passando por muitos cenários do que é e não é uma atração.
Não pude deixar de ler teus siálogos com o Rodolfo, sempre muito pontual e astuto. Bem legal. Bem legal mesmo.
Vou dormir com uma reflexão: 'castrar sua opinião legítima é prostituir-se em nome de uma consonância que não existe'.
valeu.
beijo

Anônimo disse...

Catia, você sabe que, como seu admirador e fervoroso entusiasta do seu talento, fico bem feliz com suas palavras. Coincidentemente, o texto da Adri desta quarta também fala de Blade Runner, dá uma lida que você vai curtir. Continue partcipando do blog, mesmo que como leitora, porque a sua presença é sempre uma honra e um desafio para nós, porque aumenta nossa responsa escrever para leitoras do seu quilate.
Grande beijo.

Charlie

Cláudio Bettega disse...

belo post mário!!!! o meu amigo erudito pop!!! grande debate também. abraços.

Rodolfo disse...

De Castro, Don Juan

Puxa tá tão divertida essa discussão que me sinto estimulado a dar continuidade a ela.

Será que não fui claro em dizer que nesse caso discordo de você apenas sobre a possibilidade de acharmos um modus operandis para quase tudo nas relações e a sua crença de que somos seres totalmente previsíveis?
Não seríamos nós, com o perdão da possível prepotência, semideuses que nos saudamos (Namasté) e sendo dessa magnitude muitas vezes inexplicáveis, embora previsíveis às vezes?????? (Como a existência de Deus o é?)

Quando me referi ao possível fracasso do divórcio quero deixar claro que não considero isso exatamente um fracasso. Como adepto da teoria do copo meio cheio, e trazendo o meu caso pessoal, tive um casamento que teve sucesso durante exatos 13 anos. Fui feliz muitas vezes (a felicidade sempre é transitória, embora algumas pessoas achem que poderia ser permanente), fui infeliz também, mas sobretudo vivi intensamente esses anos todos que passaram.

Verdadeiramente não considero esse caso e o outro que conhecemos, casos de fracasso. Eles foram eternos, enquanto duraram (lá vai dizer você, o Rodolfo e os poetas -esses enganadores.....)

Certamente eu e esses casais (que não são mais casais) cometemos equívocos que poderiam ter dado outro rumo. Mas se tivéssemos não cometido esses equívocos isso não seria nenhuma garantia que o resultado final pudesse ser exatamente o mesmo. Não é verdade?

Mas numa coisa eu posso concordar com você, sem ter a certeza de que eu não deixasse de ser esse ser imperfeito que sou. Aproveitarei os aprendizados das minhas relações de " relativo" sucesso para tentar ajudar na estatística dos casais que podem ser felizes por bastante tempo..... (Não pela estatística, mas porque quero ser feliz mesmo, né?)

Por fim, como vc deve ter percebido, se tem uma coisa que tenho genuíno prazer é discutir, avaliar novos pontos de vista, discordar, concordar. Isso também é um sinal de que quero um mundo melhor para mim e para os que estão a minha volta. Isso inclui você, o meu grande amigo Mário Lopes.

É sempre um prazer discutir com você. E concordar também.

Abs

Rodolfo

PS: Sobre as minhas posições políticas como vc é membro da juventude udenista, PFL e DEM não tem muito o que a gente discutir, né? (Ninguém é perfeito, né?)

Anônimo disse...

Ei, CH, que bom ver você por aqui. Obrigado, forte abraço e volte logo a atuar para que eu possa ir lá aplaudir.

Charlie

Anônimo disse...

Então, Rodolfo, continuando... hehe
Não somos seres totalmente previsíveis e eu não disse isso, confere lá nos textos (se quiser, pode até copiar e colar um trecho em que você acredita que eu disse ou insinuei isso). Eu afirmei que somos, sim, seres passíveis de investigação e diagnóstico em nossas atitudes e motivações. Estão aí Freud, Jung e Reich que não me deixam mentir.
Concordo plenamente contigo que divórcio não é sinônimo de fracasso (embora o meu seja). Mas, antes de mais nada, é preciso definir o que é divórcio e o que é fracasso. Há muita gente divorciada antes mesmo de ter se casado e outros que permanecem divorciados mesmo com aliança no dedo. Ou seja, divórcio não é a separação física, mas sim a cisão de interesses, cumplicidade e fidelidade. Agora, vamos para a definição de fracasso: simples, fracasso é o não atingimento de uma meta. Quando a cisão (divórcio) resulta na interrupção do sonho de uma vida (fracasso) não há como dizer que houve êxito. E nos três casos de divórcio aos quais me referi (dois deles você não conhece) houve sim frustração, mutilação emocional (em um dos casos quase que física), quebra de um horizonte existencial inteiro, choro e ranger de dentes. Não tem como dizer que vão levar medalha de ouro para casa. Ah, fica aquele consolo dos momentos felizes, dos registros que virarão fotos desbotadas no álbum de (ex) família ou arquivos ocupando memória no winchester. Mas e no saldo final? Claro que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”, mas eu realmente dispenso esse tipo de “sucesso”. Quero é me prevenir e isso passa por analisar corretamente o cenário à minha frente e os personagens à minha volta (coisa de roteirista, eu sei). O “eterno enquanto dure”?! Sai pra lá, não quero viver nove casamentos e morrer de derrame cerebral. Quero que seja o momentâneo enquanto satisfatório, o agora enquanto saudável, o já enquanto relevante, o “nesse instante” quando o “logo mais” for realmente interessante. Quero é alguém para dividir uma garrafa de vinho numa noite de chuva, mas troco na boa por uma roda de violão com amigos se for me dar dor de cabeça (e não estou me referindo ao vinho).
Felicidade é o estado de espírito de uma vida. Alegria é o estado de espírito de um momento. Vivemos alegres, mas viver feliz é algo tão distante quanto aquela tal previsibilidade absoluta que você insiste que eu afirmo existir.
O resultado final certamente seria outro se eu não aceitasse o pedido de casamento (sim, fui pedido em casamento, pode rir). Não sei se melhor ou pior, mas e daí? Isso não tem relevância. O que seria de Maria se tivesse nascido João? O fato é que esses tropeços (no caso, quedas de ribanceira como as do Coiote judiado pelo Papa Léguas) servem para aprendermos algo – por favor, pelo menos isso, né?! E às vezes é bom morder a língua bem gostoso como estou fazendo agora, porque já tive idéia absolutamente oposta ao que estou dizendo: já levantei brinde com meus sogros enaltecendo que “os iguais se atraem”. Não tenho medo de admitir que estava extremamente equivocado, porque não tenho medo de evoluir. E novamente desmentirei o que escrevi no post se descobrir que me enganei. Daí irei para a Austrália resgatar minha ex-esposa.
Também adoro discutir, Rodolfo, ainda mais quando o nível de argumentação é alto, e você gosta de acuar. Ótimo.
E sobre nossas divergências, não tenho nada a ver com juventude udenista, PFL e DEM, porque eles não são tão contrários às suas paixões governistas quanto eu. 
Abraço.

Charlie

Em tempo: já que você citou o Vinícius, reza a lenda que certa feita o Tom perguntou a ele: “mas, poetinha, quantas vezes você irá se casar?”, ao que ele respondeu: “quantas forem necessárias”. Admiro, mas dispenso.

Anônimo disse...

O homem se casa porque está cansado, a mulher porque está curiosa. Ambos ficam decepcionados

Anônimo disse...

Complementando, anônimo, ambos têm em comum o fato de casarem pela perspectiva inevitável de um dia ficarem velhos. Aquele papo de "é, mas um dia você vai envelhecer e ficar sozinho, já pensou?". É por isso que o Viagra e as cirurgias plásticas aumentaram drasticamente o número de divórcios. O homem deixa de ficar "cansado". A mulher se dá ao direito de ter novas curiosidades. Enquanto as motivações forem egoístas, o dois sempre vai perder para o um.

Charlie

Cláudio Bettega disse...

mario, estou atuando também no http://www.claudiobettegaemcena.blogspot.com, que tem também link para o desaforadas, com carinho. abraços.

Rodolfo disse...

Marião,

Agradeço a maestria das argumentações. È muito bom pelear idéias com vc.

Leia a frase abaixo e me diga se ela sugere ou não uma certa previsibilidade do ser humano (se não me enganei na análise)

"Esse álibi de não se poder analisar o ser humano por ser excessivamente complexo é compreensível, mas não o acho aceitável, porque é possível sim identificar um modus operandi."

O que é identificar um modus operandis se não a tentativa de colocar numa caixa(ou fluxograma) o processo que está sendo analisado?

Antes de entrar nos outros temas quero dizer que depois de horas de discussão escrita, percebo que temos muito mais convergências, que divergências.Então não vamos pensar em desconstrução do raciocínio alheio. Tem aquela famosa frase que não lembro o autor que diz mais ou menos isso
" posso discutir e discordar de qualquer coisa que você diga, mas é fundamental que você tenha a liberdade de dizer o que quiser". Mas se vc reparar bem, nós estamos mais confluindo que divergindo.

Como eu, talvez o último romântico, poderia concordar com a frase do poetinha? Ela foi válida para aquele contexto explicado (não é justo trazê-la para toda a minha vida). Se eu pudesse escolher, se as decisões e escolhas fossem simples, tenha a certeza de que eu preferiria estar com o " amor da minha vida" desde o princípio.

Sobre os fracassos da separação talvez vc tenha razão (acredite, eu sou capaz de mudar de opinião também - "eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes")
embora essa questão da possível mudança de idéia sobre o passado que justificasse uma viagem para a Austrália me parecesse mais uma afirmação de liberdade plena e a consideração de um hipotético arrependimento do que uma possibilidade real de acontecer.
Me permita continuar: sei quem tem montes de gentes que não deveriam nem ter se casado, outras que deveriam se separar mas não o fazem e aquelas que se separam mais tarde do que talvez devessem (embora nunca seja tarde para tentar um nova saída para o que vc chama se alegria).

É difícil tomar uma decisão dessas, não é? Quantas implicações, quantos planos que serão jogados por água a baixo... mas ao mesmo tempo acredito que quando a pessoa se empodera e toma essa importante decisão é porque não se compartilham os mesmos valores de vida. E se isso acontece, haverá chance de retorno? Ou jogaremos os valores que temos para lá, por causa de um projeto idealizado em nossa cabeça e nosso coração? (isso é uma pergunta mesmo e não uma provocação, ok?)

Finalizo aqui, me espinafre a vontade e, se tiver disposição, terminamos a discussão no boteco....

Um abraço fraterno

Rodolfo

PS: Não entendi essa sugestão de que sou adepto das paixões governistas. Achei essa sugestão ofensiva.
O que eu tenho é um posicionamento político claramente assumido em prol dos menos favorecidos mas com respeito às minorias (nós), embora desatrelado dos partidos (não duvide, é verdade).

Verônica disse...

Mario sabes o quanto tenho apreendido contigo, mas para ser erudito e inteligente tem que ser “frio” assim? Talvez seja melhor viver na ignorância, mas viver bem, em um mundo mais colorido.
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Bom saber que acredita que quem muda de opinião/conceito está em evolução. rsrsrsr
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Sei que estão cansados desta "discussão", mas me deu um gostinho de quero mais...
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O Rodolfo me perece muito parecido contigo Mario, boa pessoa para se ter no círculo de amizade.

Anônimo disse...

Rodolfo, o boteco (com suco de laranja) tá aceito, senão isso aqui não vai acabar nunca. Apesar de não ter dado vontade de encerrar o assunto (mesmo porque ele não se encerra nunca). Abraço.

Charlie

Anônimo disse...

Verônica
O que você chama de frieza eu defino como tentativa de lucidez. Tentativa porque não é fácil o exercício, acho que só os plenamente iluminados o atingem. Já dizia Buda: "sou apenas alguém que está acordado". E, sinceramente, não acho que é frieza acreditar que relações monogâmicas satisfatórias são raríssimas, primeiramente porque os dados e as constatações práticas estão aí à nossa volta para comprovar, portanto não é especulação e sim verdade inconteste; por outro lado, isso torna ainda mais bela e mágica a jornada em busca de um amor real e "perpétuo": porque ele é raro, e as coisas mais bonitas da vida são as escassas, as inédias, as que beiram o impossível. Senão, teríamos uma Mona Lisa a cada esquina. É preciso se empenhar para conquistar o que se quer, mesmo que este objetivo dependa 50% da outra parte.
Mudar de opinião é evoluir, sim, mas mudar de opinião o tempo tempo é sinal de fragilidade informativa, de carência de uma base, de uma formação. O auto-diagnóstico é complexo. Exige uma auto-rebelião. Você precisa acabar sendo o ombudsman de si mesmo. E isso geralmente gera tanto conflito interior que as pessoas preferem abdicar disso e ligar a TV para desfrutar daquela tal vida colorida com abençoada ignorância que você citou. Não é para você se defender, sei o que quis dizer, mas quem atravessa uma ponte não pode se lamuriar por ela não ter desabado no meio do caminho. É como consciência vegetariana (e aí vai algo absolutamente pessoal): na hora em que você percebe que o que come é fruto de dor de um ser, não tem volta, terá de abdicar dos prazeres da carne. É como o religioso radical que se dá conta que foi ovelha lucrativa; o trabalhador fervoroso que se flagra massa de manobra; a esposa dedicada que se vê submissa e desgostosa. Uma vez obtida a lucidez (a tal "frieza") não tem volta. A não ser que você queira passar a vida mentindo para si mesmo. É como dizia o Oswaldo Montenegro: "que o meu medo não seja maior do que a minha vontade de ver o que realmente quero".
Não me cansei da discussão, pelo contrário. E o Rodalfo é um brodaço, fica bravo quando eu o critico por apoiar um cara que absolve Severino Araújo, chama Ugo Chavez de pacifista e Zé Dirceu de baluarte da idoneidade, mas, fora isso, ele também tenta manter a lucidez. :-)
Beijo.

Charlie

Verônica disse...

Mario querido, não distorça minhas palavras. Já conversamos muito sobre isso e sabes exatamente o que estou dizendo. Da tristeza eminente dos intelectuais. É isso que chamei de frieza.

Verônica

Anônimo disse...

Mas eu não sou intelectual e não estou distorcendo suas palavras, Verô. Sou é emocional demais. Só que também racionalizo demais. Prefiro chamar de simbiose isso que você define como frieza. Longe de mim morrer com um copo de cicuta na mão, ou de depressão frente ao oceano num crepúsculo de sol coberto por neblina. Sou pop até demais, não tenho a mínima vocação para tragédia ou frieza. Tem aquela canção interpretada pela Marina Lima em que desabafa: "se você não suporta mais tanta realidade, se tudo tanto faz, nada tem finalidade" - é mais ou menos isso: não dá para ficar no vale-tudo nem travestir o horizonte de colorido. E racionalizar é divertido. Quem faz isso, se emociona mais. Quem se maraviha mais? O orquidófilo ou o jardineiro? Ambos tem o mesmo grau de contato com o verde, só que apenas um deles conhece do processo real e íntimo da fecundação e crescimento da planta. Só um dos dois tem acesso a um show não flagrado pelos sentidos, mas sim pelo pensamento. Pense nisso. Beijo.

Charlie