sexta-feira, 28 de março de 2008

Pizza e videogame


Catarina fala e ao mesmo tempo pega sua bolsa, a chave do carro e a agenda que sempre ficam perto da porta.

— Tchau Bruno, a mãe tá indo pra agência. Se cuidem meninos, não destruam minha casa. Fiz um bolo ontem e tem refrigerante na geladeira. Quando voltar quero tudo em ordem, ok?
Já na garagem lembra que esqueceu um CD com a arte final das peças da campanha. Ela tinha levado o trabalho para finalizar em casa, durante o final de semana. Volta. Quando entra, ouve os meninos falando alto. Uma curiosidade inconsciente toma conta dela e faz com que entre e se locomova pela casa sem fazer nenhum barulho. Pega a conversa no meio:

— Gostosa pá caralhooooo. Que bunda tesuda.

— Cala boca seu merda, ou eu quebro teus dentes. E ainda dou um trago na tua mãe, finjo que sou teu velho e meto minha pica no cú dela.

Catarina, anda pé-ante-pé, tentando não fazer nenhum ruído, para perto da porta da cozinha e escuta atenta.

— Ah Brunão, na boa véio, minha mãe deve até ter a mesma idade que a tua, mas a minha é gorda e tem cara e corpo de mãe. Mas a tua não, cara, ah, ela é boazuda, melhor que muita guria da nossa sala. Fala sério...

— Pode até ter corpão, mas é minha mãe, porra, dá pra respeitar?! Mãe da gente é sagrada, brother... Cala essa boca!

O coração de Catarina bate forte, com medo que o filho adolescente a flagrasse ali, tendo uma atitude própria da idade dele, e não da sua. Ouvir atrás da porta não é uma atitude que espera-se de uma senhora de meia idade. Uma espécie de vaidade invade seu peito, sente o rosto e o corpo ferver, seguido de um desassossego, uma inquietação. Não suporta mais ficar ali. Sai quase que correndo em direção ao computador, pega o CD e volta ainda mais rápido para o carro.

No carro, com a porta fechada, sente-se segura. Começa a rir. Não pode acreditar que o amigo do filho, um menino de 17 anos, ache ela ‘boazuda’, como ele mesmo dissera.

Catarina é divorciada, tem 47 anos e dois filhos: Bruno de 17 e Guilherme de 25 - que já é casado. É diretora de arte em uma agência de publicidade e leva uma vida corrida, como qualquer mãe de classe média. Precisa se dividir entre a profissão e a criação do filho mais novo. O pai dos meninos casou com uma moça que, na época, tinha a metade da idade dela. Com o tempo se ausentou da vida deles. Embora esteja quase na casa dos cinqüenta, ela aparenta menos, tem a pele branco-neve que parece nunca ter visto sol, a textura de um pêssego maduro, como que hidratada sempre por algum creme caro. Os seios são pequenos, a cintura fina e as ancas largas.

O cabelo preto liso na altura dos ombros brilha feito propaganda de xampu. Usa roupas mais modernas que as mulheres da sua idade, talvez pela profissão, talvez pelo gosto. Tem um namorado, Augusto, mas ultimamente se vêem pouco e a relação está pra lá de morna.

Durante todo o dia pensou no menino, amigo do filho. Aquilo era loucura. Ele nunca se atreveria a nada, falou aquelas coisas mais para provocar Bruno do que por qualquer outro motivo. Mesmo assim, aquela situação toda encheu seu dia de graça, de divertimento, de distração.

Era julho, período de férias escolares. Ela bolou mil coisas para que as ‘crianças’ não saíssem de sua casa. A casa de Catarina virou o QG dos moleques e ela passou a adorar aquela movimentação. A cada dia um menino novo aparecia. A cada dia estavam mais à vontade em sua casa, e o seu menino sempre estava ali, todos os dias e algumas noites também. Era essa proximidade que ela queria.

Numa tarde chegou mais cedo do trabalho, tinha uns cinco meninos vidrados no jogo do computador. Ela gritou:

— Crianças, cheguei.

— Oi mãe. — Oi tia.

— Oi, meninos. Hoje meu dia foi maravilhoso, a minha campanha foi... Bom, nem sei por que estou contando isso pra vocês, vocês não estão nem um pouco interessados... Mas, enfim, o que importa é que estou super contente, pensei em pedir pizza para comemorar. O que acham? Bom, todos vocês estão aí, vidrados nesse jogo, vem cá você, menino, que não tem nenhum controle na mão, me ajuda a escolher os sabores e ligar para a pizzaria. Deixa eles aí, com esse joguinho bobo.

O menino levantou todo tímido. Ela o levou, carregando-o pela mão, até seu quarto. Sabia que ninguém, muito menos Bruno, tiraria os olhos daquela tela. Colocou-o sentadinho na cama, quase como se fosse um boneco, alguém sem vida própria. Pegou a lista telefônica, o telefone sem fio e colocou tudo no colo dele.

Catarina se abaixou e o segurou levemente pelos braços. Ao fazer isso, os seios dela ficaram à mostra, no imenso decote. — Procura aí uma pizzaria que vocês gostem e pede três pizzas. Escolhe os sabores também.

Ao sentir aquele toque, aquelas mãos macias, o menino estremeceu. Era uma mão forte e ao mesmo tempo suave. A pressão dos dedos dela, o calor da mão, a umidade. E o decote... Com os seios à mostra, ele conseguiu sentir o cheiro da pele, ver cada pêlo semitransparente, cada poro, sentiu vontade de entrar por eles e se perder dentro daquele corpo.

— Vou tomar um banho enquanto você faz o pedido. Falou isso e deu um leve beijo em sua testa. Os lábios quentes, tenros. Saiu em direção ao chuveiro. Deixando a porta entreaberta.

Ele não sabia o que fazer. Esqueceu da pizza, da lista e do telefone. A única coisa que sentiu foi seu pau endurecer. Abriu devagar a calça e começou a se masturbar, ali mesmo, sentado na cama dela, embriagado pelo cheiro de suas roupas, de seu sabonete e pela lembrança dos seios pulando do decote. Seus movimentos eram rápidos, desajeitados, sem ritmo. Gozou quase que instantaneamente. Como todo adolescente inexperiente. Ficou ali, com a mão grudenta de porra, sem saber se aproveitava a letargia do gozo, ou se buscava algo para se limpar. Esbaforido, olhou para os lados procurando algo. Precisava achar alguma coisa, rápido, para enxugar a mão, a barriga e a colcha da cama.

Ela se deliciou com cada minuto do banho, ao saber que aquele meninote a observava. Ela podia sentir seus olhos e aquela situação toda a enlouquecia.

Saiu apressado do quarto, fechando o zíper da calça. Carregou a lista e o telefone e voltou para perto dos amigos.

Catarina saiu do banho, vestiu algo confortável e desceu. O Menino estava lá, quase que catatônico, em um estado meio bestial. Ele se perguntava se aquilo era melhor ou pior que perder a virgindade.

— Já pediu as pizzas menino? Estou morta de fome e louca para devorar alguma coisa. Pede logo, vai. Não dá pra perder tempo, daqui a pouco a pizzaria fecha.

— Me dá aqui essa lista. Faz meia hora que você ta com ela e esse telefone na mão. Que cara é essa heim? Bebeu?

Bruno tira a lista da mão do amigo e vai até as páginas amarelas procurar pelas pizzarias.

— M, N, O, P... Pa... Peixarias, perfumarias, persianas, pisos, piz... Mas cadê as pizzarias? Mãe, alguém arrancou as páginas com os telefones das pizzarias da lista telefônica...


Mônica W. (Dando exemplo que os opostos se atraem)

4 comentários:

Luly Mello disse...

adoreeeeeeei o texto

Anônimo disse...

Eu também gostei muito mas já li esse texto num outro blog. Ele tinha o mesmo formato e chamava Meninas de Papel. Será que é plágio?

Anônimo disse...

rsrs
Anônimo, eu pensei q a gente tinha chamado uma Desaforada, mas pela recorrência dá pra concluir q c trata mesmo de uma menina de papel. rsrsrs

Charlie

Anônimo disse...

Mopi, eu como não havia lido, tbém adorei. Acho que vc leva muito jeito pra literatura erótica. Verdade mesmo. Mazé