quinta-feira, 26 de junho de 2008

Viagem para dentro



Pragmática, objetiva, ansiosa, imediatista e racional. Esta é a desaforada que vos fala. Como toda boa atleta, não tenho ginga e sim ritmo. Movimentos matematicamente calculados. Por isso, acredito que a vida me educou sem muita sensibilidade. E hoje sinto falta disso. Cresci apenas dentro do esporte e fiquei assim, seca. Nunca deixei espaço para a arte entrar em mim. E agora, graças às Desaforadas, estou me soltando, me deixando viver. Falo e escrevo palavrões. Falo, faço e escrevo putarias. Afinal existem muito mais coisas a se fazer além de pagar contas. O “viver” é palavra nova no meu dicionário. Há pouco tempo, havia apenas o “sobreviver”.
Fui muito caxias na minha graduação e por isso deixei de fazer amigos. Acreditava na existência do príncipe encantado, por isso deixei muitas boas “comidinhas” passarem batido. Quando adolescente, queria trabalhar em um local que usasse minha cabeça e deixei de aprender a lidar com o público e de ganhar grana em empregos braçais que me surgiram.
Na vida há época para tudo. Pra brincar, jogar truco e sinuca com os colegas de facul. Pra transar enlouquecidamente. Pra trabalhar ralando de baixo. E isso eu só enxergo hoje. Pena! Mas como ainda não inventaram a máquina do tempo, não vou ficar aqui me lamentando com vocês as desventuras que não tenho mais como reverter. Penso que pra frente é que se anda e é nisso que eu devo me ater.
Quando viajo para dentro de mim, tento imaginar o que faço hoje e que daqui a alguns anos poderei me arrepender. E sinto que o importante é fazer, é viver. Por isso, hoje tento rir mais, gozar e sentir o outro como um ser humano na sua essência. Tento usar mais meu tempo com as pessoas queridas que amo, com a natureza, com o deixa disso. Dou-me o direito de, em um dia qualquer, não pensar em nada. E para as responsabilidades que podem ser postergadas, digo: - Passa amanhã.
É difícil! Você não acredita como isso me violenta vez ou outra. É complicado rasgar em mim algo que está inerente. Que me pertence. Algo que hoje eu ignoro, rejeito, descarto, mas que mesmo assim ainda faz parte de mim.
A observação constante das atitudes, dos gestos, das palavras, dos olhares, dos conceitos pode homeopaticamente ser revista e mudada, fazendo com que, em uma nova viagem que futuramente poderei fazer pra dentro, certamente diferente da de hoje, poderei ter orgulho dos momentos que compartilho com os que me cercam.

Verônica Pacheco

15 comentários:

Anônimo disse...

Hi Verônica,

Interessante como o tema Viagens remete em particular à nossa existência para algumas desaforadas ... Será que estão (estamos?) todos em época de revisar o que passou e fazendo as contas dos anos e de nossas memórias para saber se tudo o que passou foi de fato melhor ou pior do que estamos vivendo hoje, agora, nesse instante às 5 e 12 da manhã?

Sabe, costumam dizer que sou um dos cineastas mais produtivos da atualidade. Faço 1 filme por ano há mais de 30 anos. Se vc me perguntar qual foi minha melhor obra, terei as minhas preferidas, claro, mas procuro não revê-las mais pois a energia, o desejo de acerto, a intenção do melhor já foi todo canalizado naquele momento em que a obra foi feita. Fechada o última cópia, não há mais nada a fazer... A obra já não me pertence mais.

Meu melhor momento? O Agora. Vc sempre pensou assim Woody? Não. E olha que minha infância e adolescência não foram nada ruins, a despeito de todas as restrições que uma educação judaica me impõs. Minha fase adulta foi ótima também... Adorei não ter estado naquela cerimônia do Oscar em que fui premiado...rsrs... O reconhecimento é ótimo, mas tento fugir do Mainstream. Isso não vai facilitar em nada as coisas e talvez ajudasse a criar em mim um personagem maior do que já sou ou do que as pessoas acham que sou.

Viva intensamente. Acredite nas pessoas, ainda que vc possa se machucar com isso (vc saberá em quem pode e em quem não pode confiar. Algumas vezes vai se enganar também. Parte do jogo....). Acredite nas relações humanas e sobretudo nas paixões: pelo seu cachorro, pelos seus amigos, pelo seus filhos (se vc os tiver), pelo seu amor de verdade.

Acredite! Acredite! Acredite!
Não como a repetição incessante da mulher que conseguia amar ou mal amar três homens ao mesmo tempo, no fundo ela tinha prazer(muito), mas certamente não tinha paixão e amor em sua vida (in my opinion of course, Darling).

Kisses

W.Allen

Anônimo disse...

Nessa viagem, você não leva bagagem: ele é criada no caminho. Beijo, Verô.

Charlie

Emerson Bortolotto disse...

É isso aí gata... viver o hoje, sem deixar de pensar no amanhã!!!
E vamo que vamo..

Mônica disse...

isso aí, flor. viagens internas... são as melhores.

beijos.

Anônimo disse...

Veri, vc é virginiana? rs
Só vou te ensinar um segredinho, diga pra si mesma e pro mundo, repita, grite com todo ar: FODA-SE!!!
Vc vai se sentir bem melhor. Beijo Mazé

Verônica disse...

Rodolfo vou levar em conta que vc tava dormindo. Não bagunce mais minha cabeça do que ela já é bagunçada, ok? Mas obrigada pelas considerações tão cedo.
*
Mario, assim não vale. Vc sempre acha as palavras certas em qualquer situação. De onde vem isso?
*
É Emerson as duas coisas são de extrema importância. Ainda mais pra vc que é chefe de família. Obrigada pela presença constante as quintas.
*
Eu diria doidas Mô, mas muito produtivas. Vc não sabe o quanto escrever este post me fez bem. E o quanto pude aprender com ele.
*
Aquariana Mazé. Pq? O que tenho de virginiana?
Já aprendi a falar FODA-SE. É muito bom mesmo. Não faz muito tempo que me ensinaram, foi com um tio (grana) e com um ex (vida), mas volta e meia tranca na garganta. Quando é muito necessário eu grito sim e "tôpoco" me fodendo para o que vão pensar.
Valeu pelo carinho!
Sintam-se todos beijados...
Verô

Shimada disse...

Ola Verônica...acredito que a nossa viagem interior, deve ser vista como uma retrospectiva, e isso eh colocar na balança nosssos atos, sentimentos e pensamentos, avaliar aquilo que eh bom e ruim...aquilo que eh bom, manter dentro de nós e o que eh ruim...ver qual a melhor forma de transformar tudo aquilo que eh ou foi ruim em nossas vidas e transformar em coisas boas. Por isso:

"Não espere ficar sozinho para reconhecer o valor de um amigo;
Não espere que o outro tome iniciativa se você foi o culpado;
Não espere a separação para buscar reconciliação;
Não espere a queda para lembrar-se do conselho;
Não espere a mágoa para pedir perdão;
Não espere a dor para acreditar em oração;
Não espere elogios para acreditar em si mesmo;
Não espere ter tempo para servir;
Não espere um sorriso para ser gentil;
Não espere ser amado para amar;
Não espere o “Eu Também” para dizer o “Eu Te Amo”;

Bom acho que eh isso...
bjinhos...

Verônica disse...

Sonnem já, para não desperdiçar o tempo. Para evoluir em todos os sentidos.
Sobre suas dicas, tem coisa ai que é tranqüilo: Itens 2, 3, 4, 5, 6, 8, 9, 10 xiiiiii, o 11 nem se fala. Amo muito tudo e todos “facin”. Agora o item 1 e o 7 pega colega.
Muito boa reflexão! Vc pescou direitinho a idéia.
Beijo grande!
Verô

Digão Duarte disse...

Hey Ve!!!
Agora já sabe... Aproveite a vida pois nunca é tarde. Eu mesmo só comecei a aproveitar algumas coisas até então subaproveitadas da minha vida nos últimos anos...
Beijo

Verônica disse...

Nossa que responsa ter um editor de cultura me prestigiando! Hehe, bem legal, o amigão, digo Digão!
É eu exagerei um pouco na dor, pois é um veículo e tinha que passar uma mensagem, mas concordo que agora, mas madura consigo apreciar mais a vida.
;) Vamos combinar uma ronda de cultura na veia?
kisses
Verô

Paula Diniz Vicentini disse...

Verôooooo..nossa nem te conheço ao vivo e já te gosto ... Muito bom...
Acho sim que estamos todos em busca de algo mais, algo que faça mais sentido, algo Maior, que não seja apenas "passar " ....
Contrária a você, eu sou só sentimentos ..dos pés a cabeça, sou emoção...Mas, a boa notícia é essa. Pela primeira vez na história temos a chance, eu , você e quem quiser, de definir o que tem real valor pra nós... Aplausos ao assunto...
Paula Diniz vicentini

Verônica disse...

Paulinha querida estou muito feliz com esta nova amizade virtual por hora! Legal saber que as pessoas conseguem me conhecer, me interpretar e me entender pelo que escrevo.
Sempre guria. Só Vou sossegar depois de mortinha, antes estarei em evolução constante.
Acho que por sermos opostos podemos aprender uma com a outra em busca do equilíbrio. Não deve ter sido por acaso que houve nosso encontro.
Bjocas
Verôoooooooo

Anônimo disse...

Nessa viagem, você não leva bagagem: ele é criada no caminho. Beijo, Verô.

Charlie

* * *

Discordo deste comentário. Depende do ponto de vista do indivíduo. Há pessoas que carregam uma bagagem hiper-leve, enquanto outras carregam uma tão pesada ao ponto de não conseguir aguentar tanto peso nas costas.
Parabéns, Verônica!
Beijos,
Cá.

Anônimo disse...

Verdade! E para mim, o FODA-SE é uma excelente terapia. rs ;-)
Cá.

henriquen disse...

Quero os meus 10% da idéia..
lol
Oi querida! Lembra que eu te falei sobre algo como esse na terça no Johvem II???

Pois é...
Você sabe quem estou falando.
;)hahahhahahahahahhahah
Meus parabéns: Eu não teria escrito melhor que você.

Henrique de Oliveira Noale.

Lembra que eu disse que tenho uns 4 blogs mais um profile no flicker?

Pois é...
Os meus blogs são:
http://pinativo.blogspot.com
http://anese.wordpress.com
http://fanthist.wordress.com

E depois eu te passo os links do flicker. E tem um blog que não foi lançado. O mais atualizado é o do meio.
Ah! Mais uma coisa, para lo equipo del esto blogo: Muy bien, Vosotros están de parabiens! E façam meu recado chegar a Verônica! XD