quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Jeito moleque


Não isso não é só nome de grupo de pagode

É o que recheia a carcaça de mulher forte, madura e cheia de atitude.
Quando está no alto de seus saltos, o que ela queria mesmo é estar com os pés descalços pulando amarelinha. Chegar ao céu é bom demais, e relembrar quantas vezes chegou lá é uma brincadeira mental maravilhosa.

Cada vez que se recorda de como era bom os tempo de moleca, bate aquela vontade de jogar tudo pro alto e voltar a jogar bola na rua de casa, com os meninos da vila. Era muito gostoso, interditar o trânsito da rua pacata em que as partidas aconteciam. O futebol não era unanimidade. Brincar de queimada era muito divertido, mesmo indo pra casa roxa de tanta bolada que levava.

Na época do “Vou de taxi”, daquela loira angelical que era o hit dos anos 90, a brincadeira preferida era parar o recreio da escola e fazer coreografias. Um show a parte. HAHAHAHAHAHA, como é bom lembrar dos micos e, principalmente, ver como o tempo passa. Ainda bem que era tudo brincadeira.

Não sei se o seu jeito moleque era consequência de achar as coisas de mulherzinha muito chatinhas e cheias de regras de conduta: cuide da casinha, faça comidinha, cuide dos filhinhos... Ou se, na verdade, era uma pretensão para ficar mais perto dos meninos. Os bonecos do Rambo a fascinavam. Quantas vezes apanhou do seu irmão por raptar o helicóptero camuflado.

Acho que, por uma determinada época, esse estilo másculo fez parte de suas brincadeiras. Como era gostoso brincar de exército na fazenda. Munido de cordas, salgadinho e balas, ela e o irmão saíam desbravar o “campo de batalha”. Nada muito feminino, e quantas vezes ele a deixou perdida nesse campo só para sacanear. Afinal essa menina precisava saber que essa brincadeira era coisa de macho.

O quanto foi bom não ter tido acesso ao mundo digital na sua infância. O calor do empurra-empurra com os colegas, a adrenalina de estar na rua ou a sensação de perdida no campo, isso nenhum jogo de computador ou vídeo game poderiam ter lhe dado. Como foi bom ter sido criança nos anos 80 e 90...

Recordar é viver. Lembrar que a vida é feita de momentos e que esses momentos não podem perder a ternura da inocência de quando se era criança é fantástico. Conseguir dominar a rotina e se sentir no céu é fabuloso. Não importa a idade, não importa se a adrenalina chega quando você pára e se recorda dos bons e divertidos momentos vividos. O que importa é se dar a liberdade de descer do salto, tirar a carcaça e libertar aquele moleque que está escondido aí dentro.


Heloísa Garrett

2 comentários:

Anônimo disse...

Legal é ser moleca sem perder a feminilidade. Como você. :-)
Beijo, Helô.

Mario

Camila disse...

Com certeza. Eu mesma sou moleca por natureza. rs
Muito legal o post.
Beijos.