sábado, 21 de novembro de 2009

Music is very porreta


Que Xuxa, que nada. Angélica, Mara Maravilha ou Eliana... tampouco. Balão Mágico, Trem da Alegria?... aff, nem lembro direito deles.
Nunca fui chegada nas músicas, programas e artistas que marcaram a vida de tantas pessoas da minha geração. Em matéria de música, relembro de algo que marcou a minha transição infância/adolescência.
Era 1995. Tinha 10 anos. No meu Walkman (afinal de contas, na época não existia MP3 player) o repertório que predominava era o de uma banda que, na época, era a sensação do momento.
Com destaque nos principais programas de TV, os Mamonas Assassinas conquistaram todo tipo de público. Em apenas seis meses, venderam mais de 2,5 milhões de CDs. Considerado o maior sucesso da música pop do país, até hoje não houve quem conseguisse igualar ou superar este recorde de vendagem.
Quem não se lembra do hit “Pelados em Santos”? Estava na boca de todo mundo.
“Mina, seus cabelo é da hora / Seu corpo é um violão / Meu docinho de coco / Tá me deixando louco / Minha Brasília amarela / Tá de portas abertas / Pra mode a gente se amar / Pelados em Santos.”

Ou então, o Vira Vira com aquela letra indecente. Dançava batendo os pés.
“Roda, roda e vira, solta a roda e vem / Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém / Roda, roda e vira, solta a roda e vem / Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda / E ainda não comi ninguém!”

E o sotaque português, então...


Gostava do jeito extravagante e das letras escrachadas; como também da alegria, criatividade (tem que ser muito criativo mesmo para mesclar tão bem o inglês com os termos regionais do Brasil) e presença no palco. Tudo era motivo de piada. OK, sempre aparecia um ou outro criticando; que achava o estilo brega, as letras toscas, repleta de palavrões, etc. Ainda assim, curtia essa contrariação aos “repertórios certinhos” da música brasileira. Acho que sempre fui meio “do contra”, em tudo.
E o Sabão Cra Crá? Putz, como eu era inocente quando cantava essa música!
“Sabão crá-crá, sabão crá-crá / Não deixa os cabelos do saco enrolar / Sabão cré-cré, sabão cré-cré / Não deixa os cabelos do saco de pé / Sabão cri-cri, sabão cri-cri / Não deixa os cabelos do saco cair / Sabão cró-cró, sabão cró-cró / Não deixa os cabelos do saco dar nó / Sabão cru-cru, sabão cru-cru / Não deixa os cabelos do sacoooooooooo / Enrolar com os do cú!”


A linha tênue entre inocência e malícia foi provavelmente o que fez do público infantil os maiores fãs do grupo. Infelizmente, uma trajetória que prometia foi interrompida de forma tão violenta e dolorosa. Lembro até hoje do dia em que soube da morte deles. Era um dia levemente frio e cinzento. Mal havia chegado na escola e o comentário era geral: “Você tá sabendo? Os Mamonas Assassinas morreram!”, “O avião onde eles estavam caiu no não sei onde, no meio do mato”, “Parece que o avião bateu numa montanha e nenhum deles sobreviveu”. A princípio, achei que pudesse ser mais uma notícia falsa (e mal apurada) lançada na imprensa.
Cheguei em casa correndo e liguei a TV. Não demorou muito para surgir na tela o plantão da Globo (com aquela música horrenda), confirmando o que achei que pudesse ser apenas uma brincadeira de mau gosto. “O avião dos Mamonas Assassinas cai na Serra da Cantareira.” Em seguida, as imagens dos destroços...
Chorei. Chorei muito. Só me lembro de ter chorado assim quando o Renato Russo se foi.


Hoje, 13 anos depois, os Mamonas ainda estão na memória de muita gente. Sua história já rendeu livros e até um documentário. Até hoje ouço as suas músicas. Para mim eles nunca morreram, pois sua arte (sim, por que não?) ficará para sempre viva na minha mente...

Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel. Saudades!

Camila Souza

6 comentários:

Karime disse...

Nossa, eu já tinha vinte e tantos anos quando eles morreram. Não fazia meu estilo o som deles, mas adorava a irreverência do grupo. Achei a morte deles estúpida e injustiça. Tanta gente que podia estar naquele avião... não precisava ser eles.
K

Felipe disse...

Adorei o post....muito bem escrito,
eu era fã e sabia ( e ainda sei muitas) todas as musicas deles.....

realmente foi muito triste....mas eles deixam a menssagem de que para se viver nao precisa fazer tudo oque se esperam de voce.....

belo post...
parabens camila.

Felipe disse...

Adorei o post....muito bem escrito,
eu era fã e sabia ( e ainda sei muitas) todas as musicas deles.....

realmente foi muito triste....mas eles deixam a menssagem de que para se viver nao precisa fazer tudo oque se esperam de voce.....

belo post...
parabens camila.

Anônimo disse...

Eu sinto falta deles tbem... cmprei até o cd pros meus filhos saberemquem eram os caras alegres do Mamonas... era uma música sem pé nem cabeça mas divertia né... eu já era meio véinha,mas curtia um pouco tbem rsrsrrs

beijooo

angelica

Camila disse...

Ka: Também acho que a morte deles foi injusta. Podiam estar naquele avião pelo menos meia dúzia dos políticos que agora estão no Congresso Nacional rindo da estupidez e ignorância do povo brasileiro.

Fe: Você por aqui? rs
Obrigada pelo carinho, e apareça mais vezes p/ler meus posts, tá? ;-)

Angélica: Sem dúvida, mais importante do q a música era a postura q eles tinham diante da vida. De encará-la c/alegria apesar de todas as adversidades (quem conhece a história deles sabe do que estou falando).
Não tenho mais o CD, mas nada que impeça de ter as músicas em MP3. rs

PS: Ô Mário, os Mamonas são tão ruins que não permitiram que você deixasse nem um comentariozinho? hehe ;-)

Beijos!

Anônimo disse...

Mila, meu comentário foi o post de domingo. ;-)
Beijo.

Mario