segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Semana de Tema Livre

Caindo No Swing




A rua é mal iluminada e pouco movimentada.
O local é discreto, quase não se nota a porta de entrada, exceto por dois seguranças parados na frente do local. Não há placa que indique, tampouco luminoso que divulgue. Apesar de não ter estacionamento, há seguranças que cuidam dos carros estacionados em frente.
O porteiro indica a recepção aos recém chegados, logo após a primeira porta de entrada.
Na recepção, a dona da casa recebe os frequentadores com simpatia, naturalidade e atenção. Entrega a comanda da consumação e... camisinhas.
Mais uma porta de ferro pesada e chega-se à pista de dança.
O ambiente é o de uma balada normal. Logo à frente, uma pista quadriculada em preto e branco, onde um stripper dança sensualmente com uma das frequentadoras. Corpos colados, enroscados como duas serpentes, se tocam.
No lado esquerdo da pista, um bar e em seguida cinco camarotes com mesas e cadeiras. Em cada mesa um pilar. Em um deles, uma dançarina de corpo escultural e cabelos encaracolados faz pole dance, vestindo apenas uma micro calcinha e sandálias brancas amarradas nas pernas. Diverte um homem com cerca de 60 anos e duas mulheres, que a tocam e brincam com ela. Percebe-se que ela não é uma frequentadora normal e sim uma profissional.
No lado direito da pista, outra sequencia de mesas, dispostas da mesma forma. Alguns casais bebem e assistem ao show do stripper e da outra mulher.
A iluminação é baixa e é preciso estar muito próximo para conseguir enxergar o rosto da outra pessoa. O clima ainda continua como o de uma balada tradicional, onde as pessoas dançam e conversam umas com as outras espontaneamente.
O traje é alto esporte, mas a maioria das mulheres veste saia ou vestido.
Os swingers, adeptos da troca de casais, procuram neste tipo de balada mais do que uma simples diversão. Buscam quebrar a rotina e realizar fantasias.
O primeiro contato pode acontecer na própria casa, pela internet ou entre amigos adeptos da mesma “modalidade”.
Embora os adeptos da prática tratem o assunto com naturalidade e reforcem que é um estilo de vida que deve ser praticado com responsabilidade, seletividade e cumplicidade, o swing ainda é um tema tabu.
As noites de terças e sábados são destinadas aos casais, e as de quintas e sextas aos solteiros.
O público é diversificado, de diferentes faixas etárias e é fácil perceber quem é habitué e quem está indo pela primeira vez, já que costumam dar várias voltas pela casa e possuem uma expressão de surpresa e espanto no rosto.
O clima é de pura libido e um casal se beija em um canto da pista... Ela vestida somente com uma mini-saia, sem blusa, sentada na base do pilar de pole dance, de pernas abertas e ele encaixado por entre elas. Não se preocupam com o restante das pessoas que ali estão, porque lá vale tudo... ou quase tudo.
Aos poucos a pista esvazia.
Atrás, à direita, uma porta dá acesso a um corredor escuro que termina no lado esquerdo, com outra porta. O corredor leva a cabines, separadas por divisórias como um labirinto. Algumas cabines são privativas, com portas que podem ser trancadas ou não, permitindo que o casal curta a noite sozinho ou acompanhado. Possuem telas em madeira que dificultam a visão, ou janelas de vidro que permitem aos outros assistir o que se passa lá dentro. Todas têm buracos na altura da cintura e das mãos, por onde as pessoas podem tocar e ser tocadas.
Tudo é simples. As cabines com paredes pretas possuem somente cama com lençol branco (o ambiente é higienizado durante a noite por pessoas responsáveis pela limpeza) e lixo na parede.
Algumas cabines têm camas pequenas, outras camas de casal em tamanho normal, mas as coletivas têm camas enormes, onde cabem tranquilamente seis casais. Nelas, as pessoas ficam em pé ao redor da cama, assistindo ao que acontece, podendo interagir ou não.
O labirinto é tão escuro que é quase impossível ver o rosto das pessoas e identificar de quem são os gemidos e as vozes. Algumas pessoas utilizam o celular para que o mínimo de iluminação guie o que vem a seguir.
Não se encontra pessoas bêbadas ou drogadas e o assédio sexual, por incrível que pareça, é menor do que o assédio em barzinhos. Existe um código de conduta entre os frequentadores: as pessoas conversam entre si civilizadamente e podem negar qualquer tipo de toque, apenas fazendo um sinal de “pare” com a mão, que é prontamente respeitado por todos. Não há homossexualismo masculino, mas há o bi feminino.
Enquanto quatro casais transam entre si em uma das camas coletivas e as pessoas assistem ao “show” erótico, participando e tocando-se, um homem passa por ali e chama: “Ângela... tu ta aí, Ângela ? Alguém viu a Ângela?”
E a noite segue sem limites... em um lugar onde tudo é permitido, mas ninguém é obrigado a fazer o que não quer.




Karime Abrão

6 comentários:

Anônimo disse...

Ka, a Angela não respondeu ao chamado porque é uma mulher educada, você não acha? rsrs
Que tour, hein. Imagino que lá não tenha maçanetas também, senão eu só abriria as portas com lenço de papel, hahahahaha.
Beijo, Desaforada aventureira e intrépida. ;-)

Mario

Karime disse...

Como assim, aventureira e intrépida? Não sei do que tu tá falando...Estou num momento balayage. ;)
Bjooo

Camila disse...

Eeeee Ka!
Este texto ficou bão demais, sô! rs
Beijão!

Camila disse...

Pergunta que não quer calar: o que será que a Angela estava fazendo? hehehe ;-)

Karime disse...

Mila, obrigada pela revisão ;) O texto é nosso.
Quanto a Angela...bem, não mencionei a Ana. Fica pro próximo.
;)
Bjos

disse...

Olha... o estabelecimento poderia usar o texto como "chamariz"... se eu fosse tu, Ká, mandava pra eles... bj