quarta-feira, 16 de junho de 2010

Meus Dias



Os meus dias foram quase todos passados entre lençóis

Os lençóis sempre amassados

O amasso geralmente prolongado

Um prolongamento interminável

Vivendo a antítese de um término previsto

Pois as coisas boas são assim, acabam.

As ruins também, mas levam mais tempo.

A representação mais verossímil do que pode ser a minha vida amorosa, é o meu quarto.

Quase sempre tropeço nas coisas que eu mesma deixei cair pelo chão

Minhas gavetas transbordam inutilidades que não tenho coragem de me desfazer

Meus lençóis já ficaram sujos por todo tipo de líquido

E bato cinzas em um coração de porcelana.

É tudo tão desorganizado, e ainda que eu tente colocar alguma ordem, é inútil.

Haverá sempre coisas desconexas, largadas ao chão, objetos descartáveis, sujeira e cinzas por toda parte.

Serei sempre viciada nos prazeres mais secretos, que as vezes revelo

Nas frases inacabadas, acrescentando sempre meu próprio final

Nos amores que me deixam calos nos olhos

Nos sorrisos presos nas pontas dos dedos

E nos pensamentos, que quando calados, exalam pecado.





Jéssica Ferreira

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