domingo, 26 de outubro de 2008

Água, boca e acetato



As telas do cinema já estamparam diversas cenas em que amantes saciam suas sedes (de líquidos e de carne) com bebidas diversas. Nos filmes, elas se consagraram em imagens clássicas de lascívia desmedida, juntando água na boca da audiência. Mas e na realidade, quais das bebidas realmente passariam num test-drive como aditivos para um beijo? Pois foi com esta preocupação, e pelo bem da ciência, que realizamos um laboratório com algumas das combinações mais emblemáticas de bocas e líquidos já ostentadas pela sétima arte. Não foram colocados na lista os semi-líquidos, como mel e manteiga (clássico ingrediente do filme “O Último Tango Em Paris”) porque ficarão reservados para uma próxima ocasião. As experiências exibidas a seguir contaram com a colaboração de uma convidada especial, que fez seus comentários após cada degustação. Ela está assinando com o pseudônimo de Fernanda Rossi e, embora sua identidade seja mantida em sigilo, o que se pode revelar a seu respeito é que ela é modelo e trabalha com artes cênicas, tendo, portanto, experiência tanto com o chamado “beijo cênico” quanto com o real (desejado, sem técnica que apenas aparente ser verdadeiro), o que tornou sua avaliação menos influenciada pelo estado emocional e mais fiel à química proporcionada por cada bebida. E, claro, numa pesquisa que envolve o cinema como tema, nada mais adequado do que ter uma atriz como colaboradora. Algumas condicionantes que devem ser mencionadas:

* A pesquisa não teve como foco principal identificar as mais adequadas marcas e variedades de bebidas, visto que há uma infinidade de especificidades (só em vinhos, são milhares de combinações entre procedências, safras, castas, etc), mas sim o que seu gênero de produto e suas características gustativas colaboram ou dificultam no ato de beijar.

* Buscou-se o uso de três produtos para cada situação: um de preço considerado mais oneroso, outro médio e um terceiro mais modesto, para facilitar o acesso e experimentação de quem mais tiver interesse em reproduzir as experiências. Eles surgirão designados a seguir, respectivamente, com a numeração 1, 2 e 3. A diferença de valores, porém, não passou de 25% em média, para não criar uma grande disparidade entre um produto e outro.

* As variações técnicas do beijo (tempo, intensidade, uso da língua, etc) e o estado emocional dos integrantes da experiência foram desconsiderados. Não por serem irrelevantes, mas sim pelo fato de se buscar atenção mais focada nas bebidas em si e no resultado quando misturadas a fluidos naturais e mucosas.

* Apesar de os apreciadores do vinho serem rígidos quanto à temperatura da bebida quando servida, este pré-requisito de degustação foi aqui negligenciado. Isso porque vinhos e champanhes servidos em temperatura próxima à ambiente são pouco refrescantes e deixam um gosto residual muito marcante na boca. Como o prazer principal pretendido não era propriamente o gustativo, todas as bebidas foram retiradas do refrigerador com poucos minutos de antedecedência ao início do laboratório, pois, apesar de o frio poder afetar na sensibilidade das papilas gustativas, a sensação de tênue amortecimento no interior da boca oferece uma possibilidade interessante de estímulos entre o gelado do líquido e o calor natural do corpo. Até porque, convenhamos, ninguém nessas horas vai ficar reparando nos taninos, no remate, no equilíbrio e em outros itens típicos de um check-list de enólogo.

* No intervalo de cada degustação foi servido um gole de água com um pequeno pedaço de biscoito água e sal, a fim de neutralizar os sabores e partir para a próxima bebida. Esta metodologia segue o procedimento adotado pela Brahma em seus testes gustativos de pesquisas qualitativas. Fernanda Rossi também atende aos pré-requisitos de uma degustadora padrão: não fuma, bebe apenas socialmente e possui olfato aguçadíssimo.

* A experiência foi feita com uso de copinhos descartáveis de 50 ml cada, o que é quantidade mais que suficiente para cada degustação. Isso evitou que se necessitasse disponibilizar na mesa de uma grande quantidade de copos (já que um recipiente não poderia ser utilizado mais de uma vez devido à mistura de sabores) ou que se tivesse de lavar um mesmo copo o tempo todo. Também ajudou a evitar interferências de eventuais aromas ou texturas de diferentes copos.

Este é o dossiê “Água, Boca e Acetato”. Acompanhe os testes com avaliações bebida a bebida, concluindo com uma análise final. Você vai se surpreender.


Champanhe



Na gulosérrima cena da geladeira no filme “9 ½ Semanas De Amor”, Mickey Rourke ensopa Kim Bassinger com diversas bebidas, dando-lhe na boca uma taça de champanhe, que a personagem aprecia de olhos fechados, para depois os dois saciarem suas sedes um na boca do outro. Na vida real, há relatos míticos sobre o uso desta festiva bebida, sendo que o mais inusitado ocorreu há cerca de quatro décadas, com a atriz Natalie Wood, famosa por sua interpretação no filme “Juventude Transviada”: reza a lenda hollywoodiana que a moça quis tomar um banho de imersão enchendo sua banheira com champanhe. O resultado foi a estrela ter de ser levada às pressas para um hospital, com a vagina em chamas. Mas e se for ingerido por vias normais (pela boca), o champanhe pode inflamar um beijo (no bom sentido)? A experiência não foi realizada com o legítimo champanhe, visto que o próprio só é produzido em uma região específica, e homônima, ao norte da França, mas sim com um frisante, um prosecco e um espumante.

Bebida 1: Lambrusco Bianco Donelli Italiano
Opinião da degustadora:
“Ah, foi bom. Champanhe sempre acrescenta um sabor diferente ao beijo, principalmente pela textura. Esta, especificamente, teria sido melhor se fosse menos doce. O fato de ser uma bebida importada não interferiu em nada”.

Bebida 2: Prosecco Doce Branco Alliança
Opinião da degustadora:
“Tinha gás mas eu não consegui sentir direito. Essa bebida ajudou a aumentar a intensidade do beijo. Você fica mais solta. Só que achei o gosto um pouquinho enjoativo. Prefiro sabores mais cítricos. Na verdade, não sou uma apreciadora de proseccos, o que pode ter influenciado negativamente na minha avaliação”.

Bebida 3: Espumante Michelon Tinto Piagentini
Opinião da degustadora:
“Achei horrível. Sei lá. Não agregou nada no beijo, pelo contrário, deixou o beijo enjoativo, nem parecia que (a bebida) estava gelada. Achei doce demais, e não tinha gás. Não dá para sentir o gosto da outra língua”.

Dica: O simples ato de abrir uma garrafa de champanhe já lembra celebração. O estouro, o líquido borbulhando assanhado para sair da garrafa, e tudo mais que a bebida estimula no inconsciente coletivo, geram espontaneamente um clima de excitamento. Beijo com champanhe é uma festa na boca. Então, escolha uma marca de mediana a nobre e divirta-se. Só permanece o alerta para cuidados com peripécias sexuais envolvendo a bebida (vide o caso da Natalie Wood).


Whisky



“Despedida em Las Vegas” é um filme tão corrosivo que mesmo o charme encantador de Elisabeth Sue passa batido, tamanho o grau deprê das circunstâncias que envolvem a trama. Mas há espaço sim para uma cena do tipo caliente: nossa heroína, na beira de uma piscina, já farta de tentar convencer seu namorado/amigo Nicolas Cage a fazer amor, resolve tomar uma atitude drástica: despeja o conteúdo de uma garrafa de whisky sobre seu corpo para fazer o amado alcoólatra sorver a bebida com a boca por sobre sua pele. O truque até que dá certo, e o ator foi tão convincente em sua sede que ganhou um prêmio da Academia pelo papel. Mas e na vida real, um beijo com whisky pode mesmo render um Oscar? A pesquisa buscou variação com outros destilados de teor alcoólico similar ao do whisky, a fim de ampliar um pouco mais o leque de possibilidades. Além do que, só um perfeito bebum iria conseguir distinguir as diferenças entre um Chivas Regal e um Ballantines, por exemplo. Acompanhe os resultados.

Bebida 1: Johnny Walker Black Label
Opinião da degustadora:
“Não gosto de whisky, então não curti a experiência. Não chegou a embrulhar o estômago porque foi uma dose pequena. Para ser franca, não gostei mesmo. A sensação nem foi tão quente e não amorteceu a língua como outras bebidas fortes fazem. O impacto sensorial foi pequeno, não chegou a ser relaxante”.

Bebida 2: Gin Rock’s Seco
Opinião da degustadora:
“Foi quente. (ri sem parar) Provoca um pouco de tosse depois. Acho que tem um gostinho de aniz. É uma sensação mais forte, apesar de o álcool ser agressivo é bom. O aroma da bebida é agradável, não sei, parece que tem algo de cítrico. Mas o cuidado é que ela tem de ser provada com parcimônia, só para dar ‘um toque’”.

Bebida 3: Rum Carta Cristal Montilla
Opinião da degustadora:
“Se não tiver de engolir, é bom. Você sente um ardidinho. O gostoso é deixar o sabor na boca e ter o contato forte no beijo, daí é legal. Torna mais picante o beijo. Claro que isso não aconteceria com outras bebidas alcoólicas, como a cerveja”.

Dica: Como estas bebidas são muito fortes, cuidado, pois pode rolar babação (foi o que aconteceu na experiência com o rum, molhando roupas e, por pouco, não encharcando o sofá). É difícil, em especial para as mulheres, engolir bebidas de teor alcoólico tão elevado durante o beijo. A impressão é que a combinação é mais indicada para casais acostumados com destilados de alta graduação.


Leite



Em “Lua De Fel”, Emmanuelle Seigner enlouquece a vida de Peter Coyote e de Hugh Grant com um sex appeal avassalador neste que deve ser um dos filmes mais febris de Roman Polanski. As variações sexuais vão desde fantasias de fornicação na fazenda (com o Coyote em pele de porquinho) até situações escatológicas. Mas uma cena arrasadora é a de um café-da-manhã em que Emmanuelle despeja leite puro em si mesma para que seu amante aspirante a escritor venha mamar sobre ela, que se insinua, dança sobre seu corpo e conclui a performance abaixando-se para um sexo oral que culmina com os pães sugestivamente pulando para fora da torradeira. É o Coyote passando de porco a bezerro. Mas leite e beijo combinam mesmo? Fizemos aqui uma variação com leite comum, leite de soja e iogurte, mesmo porque, admitamos, a consistência da bebida, no filme, está mais para este tipo de alimento. A opção pelo leite também residiu no fato de a bebida ser usada na já citada cena da geladeira em "9 ½ Semanas De Amor". Então, confira os resultados.

Bebida 1: Leite Semi-Desnatado Frimesa
Opinião da degustadora:
“Não, acho que não rolou. Leite em si não combina com beijo, porque amarra a boca. Não acrescenta nada ao beijo, fica indiferente. Ah, e a questão de relacionar leite com maternidade me parece algo mais para o homem, e não para a mulher”.

Bebida 2: Leite de Soja Purity
Opinião da degustadora:
“Eu amo leite de soja, então sou suspeita. Mas achei que não combinou muito com o objetivo do beijo, porque eu fiquei mais prestando atenção no sabor do leite do que na língua e lábios me beijando”.

Bebida 3: Iogurte Batavo Naturis Morango
Opinião da degustadora:
“A acidez foi boa e ajudou na sensibilidade, mas o que não ajudou muito foi a textura pastosa. A consistência do iogurte não colabora, acaba não sendo muito agradável, melhor mesmo é algo líquido, apesar de o gosto ser bom. O ácido me parece bom para o beijo, o doce nem tanto”.

Dica: Leite lembra maternidade (em especial para os homens, segundo a degustadora) e, talvez por isso, quando misturada ao calor da boca acabe dando uma sensação boa e familiar, chega até a gerar um certo aconchego, quase um flash-back, só que com a libido à flor da pele (afinal somos adultos, oras). Mas dá para fazer variações que driblem o leite puro, como, por exemplo, misturando com achocolatados, já que o alimento é considerado aliado na saciedade da mesma química cerebral responsável pelos prazeres do sexo. Há outras possibilidades, como os envelopinhos de Tang feitos especialmente para se misturar no leite, e com sabores de frutas diversas. Só não vá exagerar, preparando uma vitamina com frutas, porque a consistência vai acabar dificultando o beijo. Outra variação interessante é o leite condensado, só que é mais apropriado para outras modalidades que não propriamente o beijo. Enfim, as variantes estão aí, é só ficar de olho nas prateleiras dos supermercados. E em alguém com disposição para experimentar.


Vinho



Já virou clichê: dividir um gole de vinho entre duas bocas é tão comum nas novelas quanto no cinema, podendo até servir de metáfora para sangue humano, como no caso de “Drácula de Bram Stocker”, ou de combustível para orgias, como no megacensurado “Calígula”. Talvez nenhuma outra bebida aflore tanto os sentidos, por isso mesmo ela pede para ser vista, cheirada e degustada com apreciação quase religiosa (aliás, por vezes religiosa mesmo). Todos os pontos da boca são sensibilizados, gerando estímulos que podem tanto remeter a um campo de flores silvestres quanto ao vapor quente e úmido que emana do chão encharcado por uma chuva de verão. Na verdade, o vinho já é considerado por si só a mais sensual das bebidas, pois tem personalidade, sabor insinuante e algumas variedades podem realmente provocar a libido. “Wine is like people” já dizia o personagem de Kevin Kline ao de Meg Ryan no açucarado “Surpresas Do Coração” (“French Kiss”, no original). Porém, uma coisa é degustar o vinho do modo tradicional, outra é sorver a bebida junto à boca de um certo alguém. Funciona ou é preciso ser enólogo para saber apreciar? Como dizia o premiadíssimo sommelier Andrew Jefford: "você pode obter o máximo dos vinhos mantendo-se aberto a experiências incomuns". Se um artista na arte da degustação afirma isso, quem somos nós para duvidar? Sendo assim, realizamos esta experiência incomum com três varietais que não estão entre os sofisticados exemplares que chegam a custar mais de R$ 400,00 a garrafa (ou mais de R$ 2.000,00, no caso das predileções de gente do povo como o José Dirceu), portanto os indicados são plenamente acessíveis a quem deseja brincar de sommelier e estrela de filme sensual simultaneamente.

Bebida 1: Château Lacave Cabernet Franc
Opinião da degustadora:
“Não é um vinho muito forte, não me afetou. O gosto nem é suave, só que ele deixa de ter aquela pegada mais agressiva, entende. É um vinho em que se sente muito mais o gosto da uva do que do álcool. Fica um beijo mais excitante, mas acho que a diferença do vinho, da safra, etc, não interfere muito, a não ser que a bebida seja muito ‘simples’ (citou o Vinho do Avô como exemplo de bebida "simples", não do avô dela, que fique claro: para que não conhece, Vinho do Avô é uma marca popular da Vinícola Campo Largo)”.

Bebida 2: Maison de Ville Cabernet Merlot
Opinião da degustadora:
“O sabor não é tão forte, e na hora deixei de beijar para começar a morder, apesar de que isso não teve nada a ver com o gosto, foi mais por medo de a bebida vazar da boca. O legal desse vinho é que ele deixa você mais solto, só não sei se no primeiro gole. Para dar eficácia maior, tem de tomar mais”.

Bebida 3: Salton Classic Cabernet Sauvignon
Opinião da degustadora:
“Achei o vinho saboroso. A acidez foi estimulante, o álcool aquece, dá uma reação, uma certa energia no gosto, e é instantânea. Na verdade, dei um golão muito grande e quase me engasguei. Mesmo assim foi bom”.

Dica: ao final dessa sessão, foi definido que o Château Lacave Cabernet Franc foi mesmo o vinho de melhor performance para o beijo. Mas talvez tenha ocorrido aqui um erro na pesquisa. O equívoco residiu em se buscar vinhos de linhas varietais: tintos secos que são verdadeiramente apreciados por enólogos e enófilos. Provavelmente um tinto suave cairia melhor pelo sabor adocicado, mesmo sendo a adição de açúcar uma heresia para os amantes do vinho.


Água



Sim, a boa e velha H2O também pode ser usada durante a troca de sabores de uma boca com outra. No filme “Grandes Expectativas” há uma cena relâmpago que é tão sutil ao ponto de soar ingênua e, ao mesmo tempo, tão picante que beira o pornográfico: Gwineth Paltrow, em um bebedouro público, surge com sua boca junto à do surpreso Ethan Hawke, num momento em que o pobre e apaixonado rapaz queria apenas matar a sede. Aliás, água é o ambiente propício para romances cenograficamente estimulantes. Leonardo Di Caprio, por exemplo, tem no currículo duas cenas soberbas em meio líquido: no magnífico mar de “A Praia” e na piscina de “Romeu + Julieta”, ele vive espetaculares e torrenciais beijos encharcados de desejo. Mas e você, acha que abrir a torneira pode ser uma experiência excitante? Claro que só água pura seria uma experiência muito inodora, incolor e insípida, portanto, em nosso laboratório, foram inclusas uma água flavorizada e uma marca de água de coco em embalagem longa vida.

Bebida 1: Água sabor Maçã e Limão H2O!
Opinião da degustadora:
“Certamente melhor que água de coco e pior que água normal. Deu para sentir o gás, é bom, faz bolhinhas na boca. Senti o sabor da maçã, mas acho que às vezes, digamos assim, o gosto não é algo tão bom quanto as diferenças que a água comum dá nas trocas de temperatura dentro da boca”.

Bebida 2: Água de coco Trop Coco
Opinião da degustadora:
“O gosto não teve tantas nuances (achou que água pura teve mais, ela foi provada antes). Fixei mais minha atenção no gosto e não é tão neutro quanto a água mineral. Não gostei porque achei muito doce, o beijo ficou enjoativo”.

Bebida 3: Água Mineral Ouro Fino
Opinião da degustadora:
“Não sei descrever. Diferencia do normal porque você não sente nenhum gosto da boca da outra pessoa. É geladinha. É contrastante, com um pulo da sensação quente para a gelada, isso é que foi marcante. Surpreendeu”.

Dica: talvez o fato de nosso corpo ser composto em sua maioria por água gere uma afinidade natural nossa com a bebida. E isso se reflete em reações corporais, haja vista a lubrificação íntima e a famigerada água na boca. No final das contas, o uso de água para aditivar um beijo é também um tipo de lubrificação. E quanto ao gosto, também há uma infinidade de possibilidades interessantes: só de águas flavorizadas se pode encontrar com sabores de limão, tangerina, guaraná e o de maçã utilizado na experiência. É matar duas sedes de uma vez só.


Saldo final: pasmem, a bebida que mais surpreendeu foi... a água. A mais modesta e democrática acabou se destacando. Fernanda não tinha expectativas, achava que iria ser sem graça, mas “uau, sem comentários”, resumiu. Das bebidas alcoólicas, a preferida foi o gin: “eu não gosto de beber puro, mas no beijo ficou perfeito”, afirmou. Aliás, ela considerou que as bebidas mais fortes são as que deixam o beijo mais “picante”, sem negligenciar o valor dos vinhos e champanhes, lógico. Já o leite ficou como o aditivo mais tanto-fez-tanto-faz da rodada. O termo "enjoativo" se repetiu quando as degustações partiram para bebidas mais doces, portanto cuidado com o equívoco de achar que um licor de chocolate vai fazer sucesso no beijo, aqui não vale criar uma regra do "é gostoso de beber, então é gostoso de beijar". O ponto divertido é que isso leva a uma certa necessidade de se experimentar mais e mais bebidas até achar as que mais agradam. Um processo que, aliás, pode ser infinito. Oba!

Para encerrar, e em homenagem à bebida campeã, aqui vai uma verdadeira relíquia. Rita Lee compôs aquela que é, incontestavelmente, a canção de MPB mais água-na-boca de todos os tempos: “Mania De Você”. Agora, imagine um clip com este clássico fazendo fundo para um casal que invade uma piscina e obedece rigidamente a letra, “tirando a ro-oooupa-aa”. Pois foi isso o que a Ellus Jeans fez nos anos 70, criando a maior celeuma entre as famílias de norte a sul do país e deixando o governo militar com os cabelos brancos arrepiados por baixo dos quepes. Provavelmente o mais sensual e ousado comercial já exibido na TV brasileira. São 45 segundos que valem mais que muito longa metragem por aí.




A pesquisa se encerra aqui, mas deixe nos comentários as suas próprias constatações, caso tenha também praticado beijos molhados como os que foram citados. Se não o fez, pratique e comente, pois é altamente recomendável. É claro que, apesar de ser tratada com certo grau de cientificismo, esta é uma experiência muito pessoal, daí o motivo de você dever tirar à prova as constatações passadas aqui.

Últimas colocações:

* A ordem da degustação foi a seguinte: água, leite, vinho, whisky e champanhe - claro, para brindar o fechamento em grande estilo, até porque é muito legal chegar ao clímax estourando as garrafas. Poc!

* Em cada linha de bebida degustada, foi-se da mais modesta para a mais sofisticada.

* Se for repetir a experiência, procure usar guardanapos e até babadores nos primeiros goles, porque uma eventual estranheza inicial pode render algumas risadas. E, consequentes, babadas.

* Essa experiência não é nenhum estímulo ao consumo de álcool, pois a quantidade de bebida ingerida é mínima, o estritamente essencial para aquecer ou gelar a boca e amortecer a consciência. Mesmo porque o álcool em excesso acaba cortando a excitação.

* O ponto complicado da experiência é que, se for executada com uma diversidade de bebidas como a relatada aqui, resultará em uma despesa considerável e em um certo desperdício, visto que acaba se abrindo cada garrafa para um consumo extremamente modesto. O problema se agrava no caso dos vinhos e champanhes, pois, ao contrário dos destilados e águas, são perecíveis. Já os leites podem ser consumidos nos dias seguintes, sem maiores problemas. Portanto, se for também optar por uma grande variedade de bebidas, planeje algo para consumi-las logo em seguida: uma festa, um megaponche ou alguma outra solução. Consumir tudo a dois e de uma só vez será uma experiência com efeitos colaterais evidentes.

* Claro que todo esse ritual ficará muito mais agradável se você preparar o ambiente de forma adequada. Aromas, músicas insinuantes e uma venda nos olhos podem transformar os prazeres do paladar e da pele muito mais aguçados.

* Sugestão: a pesquisa aqui seguiu uma ordem de degustação em que reuniu os produtos em grupos, mas o mais recomendável é intercalar tipos diferentes de bebidas, por exemplo, uma quente seguida de uma fria, uma doce seguida de uma seca, e assim por diante, pois esse padrão imprevisível oferece mais surpresas e sensações. E as bebidas não precisam ser apenas apreciadas entre lábios e línguas, fazer o lóbulo da orelha ficar imerso numa boca preenchida com chá morno é um tipo de experiência muito excitante. A partir daí, você já pode deduzir outras possibilidades...

* É até dispensável dizer, mas lá vai: respeite a lei seca e a vida, se fizer uma experiência similar, não dirija. Ou dê um prazinho a dois até o álcool baixar, aliás idéias é que não faltarão para passar o tempo. Afinal, você não vai ficar só nos beijos, vai?


Agora, é aguardar, porque no dia 23 de novembro será a vez do dossiê “Sexo, Comida e Acetato”, ou seja, um relatório sobre o quanto o cardápio cinematográfico aditiva ou não uma relação. Hmmmmmm...




Mario Lopes

8 comentários:

Camilinha disse...

Esta "experiência" parece boa demais para ser verdade. rs ;-)

Anônimo disse...

hehehehe E foi.
Beijo, baby, e aproveite para praticar também.

Mario

Verônica Pacheco disse...

Sugestão:
Para prolongar o divertimento, evitar o desperdiço e para apurar melhor o teste, sugiro alugar o filme recomendado (pano de fundo) e testar a iguaria recomendada por ele. Assim o teste pode ser feito muitas vezes (até secar a “garrafa”), antes, durante e depois. E assim sucessivamente cada filme sua iguaria. Depois de todos os sabores e filmes degustados, beijados e assistidos poderemos comparar ambos para ver qual foi o melhor.
Bj
Verô

Anônimo disse...

Mário, Mário...rs
Tava com o bar cheio, hein?!rs
Eu sugiro fazer a experiência com várias mulheres pra chegar a uma conclusão mais acertada. Afinal cada uma tem seu gosto...rs E se chegar a à conclusão que o gin realmente é mais eficiente, não precisa gastar com tantas bebidas...E boas noitadas semi-alcoolicas pra ti!!
Beijo
Mazé

Anônimo disse...

hahahahaha Sugestão anotada, Mazé. Como eu disse, o resultado é muito pessoal, daí a proposta de que todo mundo não aceite o veredicto como definitivo, fazendo por conta uma nova pesquisa. O chato é agora ter na geladeira essas champanhes e vinhos todos sem eu saber como dar cabo. Você tem aí uma receita de ponche multi-alcoólico pra me passar?
Beijos sabor gin.

Mario

Anônimo disse...

Ah, Mazé, ia me esquecendo: a única forma de saber que o gin seria a melhor opção é provando todas as bebidas, concorda? Ou seja, não tem como não gastar. Mas tudo bem, o estoque fica disponível para um eventual tira-teima. ;-)
Beijos.

Mario

Anônimo disse...

Só faltou fazer esta experiência com cachaça. rs

Anônimo disse...

Pois olha, concordo. E tem umas sofisticadas, aromatizada, curtidas em tonéis de carvalho... está anotada a sugestão. Mas se você fizer, depois conte aqui.

Mario