sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Triplo SeXXX


Sim, as maiores putarias do mundo rolam em Hollywood... E eu, uma singela “donzela”, semi virgem, fui estudar Artes Dramáticas em Los Angeles aos 18 aninhos. Imaginem alguém que era parte do grupo de jovens da igreja, que escrevia peças de teatro sobre freiras, criada com amor e zelo em uma cidade do interior do Brasil, princesinha do papai...
Quando chegou na época de vestibular, mamãe me perguntou: “minha filha, você vai prestar vestibular para Medicina ou para Direito”? Eu, em crise, respondi: “nenhuma das opções anteriores. Mamãe, papai, quero ser atriz! Quero ir pra Globo, quero ser uma estrela de Hollywood”!
Eu já fazia teatro amador há cinco anos, e meu pai, um taurino pé no chão me disse: “Minha filha, se você realmente quer isso da sua vida, não tem problema, você pode estudar teatro, mas não no Brasil, porque aqui, nesse ‘meio’ só tem putas, drogas e viados”. Eu já falava inglês desde os quatro anos de idade, mamãe era “teacher”. Com 15 anos, eu já era “teacher” também, então, para onde ir senão para os meus queridos “States”? Já tinha ido quatro vezes, feito intercâmbio, estava totalmente inteirada no “american style”, mal sabia eu que, em Hollywood, tudo era muito diferente...
Fiz a audição e com muita honra fui convidada a ingressar na Academia Americana de Artes Dramáticas – Campus Hollywood (tem outro em New York). Muitos se formaram por lá: Grace Kelly, Danny DeVitto, Robert Redford...
Eu estava nas nuvens, porém, papai disse: “Minha filha, esse curso é muito caro, pagarei tudo à vista, e não restará um só centavo para a sua sobrevivência, então, você terá que arrumar alguém para dividir o apartamento, e também um emprego para pagar suas despesas”.
Seguindo os conselhos de papai, uma semana antes de começarem as aulas eu fui até a Academia e visualizei um “roommate board” aonde as outras criaturas miseráveis que iam ser meus colegas postavam anúncios procurando alguém para dividir o apartamento, a casa, o quarto e até a cama.
Imaginem que eu fui “abduzida “pelo anúncio da mais biscate pessoa, com o sonoro nome de “Mara Marini”, canadense, moça de família, já havia alugado um apartamento de um quarto e buscava alguém para “dividir a sala”. Sim, eu iria dormir na sala. Gostei porque como toda boa pessoa comodista, o tal apartamento ficava a apenas uma quadra de distância do Campus.
Em questão de uma semana, eu e Mara Marini já éramos, assim dizendo no bom inglês, “ best friends”...
Foi tudo maravilhoso, nos dávamos muito bem, Mara era ambiciosa, gostosa, bonita, oxigenada da cabeça aos pés, louca, dizia que usaria sua bu... para chegar aonde quisesse, mas não dava de primeira, apenas chupava. Mara era a rainha do boquete. E tinha a maior cara de vagabunda. Eu a amava (não num sentido gay, não gosto de loiras, hehe), mas gostava das histórias que ela me contava. Eu nunca tinha ouvido falar em ecstasy, mal e mal tinha cheirado cocaína uma única vez (e bem pouquinho) porque morria de medo de morrer. E como todo pobre mortal, tinha fumado uns baseadinhos com um namoradinho drogado. Em Hollywood, maconha era capim. Ninguém com algum tipo de glamour fuma maconha em Hollywood. Cocaína no mínimo. Heroína, Cristal e o queridinho Ecstasy...
Eu estava lá havia apenas três meses e não saia nunca, até porque pra sair tinha que ter 21 anos, então eu era a CDF, ficava em casa comendo e estudando enquanto a canadense fogosa, que também tinha 18 anos, saia todas as noites com a sua “fake id” muito mal falsificada por sinal.
Um dia, Mara chegou em casa às sete horas da manhã, contando que tinha ido numa festinha, e que havia tomado ecstasy, e que lá pelas tantas tinha feito um striptease pra toda a galera da festa.
Eu me horrizei com tal fato, mas quis saber mais. Ela me falou então de um tal de Vin Diesel, que era um ator que ela havia conhecido no Canadá durante uma filmagem, que tinham trocado telefones e que, desde que ela havia chegado em Hollywood, ele ligava pra ela e ela de vez em quando (quando ele ligava) ia na casa dele. Para “dar” pra ele.
Uau, entendi perfeitamente o uso da expressão “Buddy call”. Toda vez que ele ligava, ela ficava igual uma doida, se arrumava no bom “pretty woman style” , chamava um táxi e ia.
Certo dia, porém, ela me disse, “Honey, do you remember Vin”?
“Hum... ah, yes, Yes”... Eu disse.
“He wants to meet you”.
Ah, Deus Pai, o tal atorzinho comedor da Mara queria me conhecer? Por quê?
Daí, ela me explicou que haveria uma festinha na casa dele e que ele queria que ela levasse umas “pretty girls”, porque haveria uns amigos dele lá e...
A minha curiosidade de repente ficou do tamanho da minha coragem... Topei.
Coloquei a roupa mais sensual que tinha, mini saia, blusinha branca decotada, cabelos compridos soltos e perfumados, salto oito, morena, brasileira, cintura fina, quadril Carla Perez, linda.
Fomos eu, Mara e Davida (uma colega nossa do curso de teatro: negra exuberante, ex -chefe de torcida, abertura total, contorcionismo e fartos seios, eram suas dádivas). Lá estávamos nós, as três a caminho da orgia. Let's go!
Um táxi nos levou até o alto, “Hollywood Hills”, o bairro. Sabem as letrinhas de HOLLYWOOD, então, mais ou menos à esquerda era a mansão singela de Vin Diesel, que até então só era famoso pela “ponta” que havia feito no filme “O resgate do soldado Ryan”. Lembram do pobre soldadinho que morria chorando na chuva e pedia para entregarem uma carta ao seu pai? Era ele! Todo ogro, nariz imenso, braços mais ainda, malhado, voz rouca penetrante, cara de mau, simpático, transtornado, cheiroso...
Ele nos abriu a porta, com um “Hi”, que me deixou gelada.
Pensei: "Oh, Deus, aonde vim parar, e agora"? Adentrando a casa do astro, cujo vizinho não era ninguém mais ninguém menos que Ben Affleck (que infelizmente não estava na festinha), tento registrar em minha mente tudo o que vejo...
Velas, muitas velas de todos os tamanhos, iluminavam a grande sala branca com sofás pretos... Uma mesa de ferro com tampo de vidro, linda e chiquérrima, serviria mais tarde para o “Buffet”... (de drogas, é claro, porque em Hollywood as pessoas não comem comida, e sim..., e não fazem isto sóbrias).
Um mega som, com caixas de última geração, tocava uma música instrumental “motel style”, misturado com tecno.
Vin foi super querido comigo, me perguntou coisas do Brasil, Ronaldinho, futebol, carnaval ficou perguntando se eu sabia sambar, etc.
Estavam em três homens: Vin e dois amigos horríveis dele. E ainda uma garota, ruiva, cabelos longos e encaracolados, sardenta. Chantal, era seu nome.
Havia de tudo o que se quisesse, e o anfitrião disse para ficarmos à vontade, me recordo de apenas ter bebido champagne, fiquei longe das drugs. Na verdade fiquei com medo. Porque Mara já tinha me contado das outras festinhas e de como era “doloroso” para ela “dar” para ele. Imaginem!
O clima ia esquentando... E os amigos dele me cercavam... Quando olho em volta, as meninas tinham sumido! Eu fiquei em pânico e comecei e pensar como iria sair dali.
De repente, Davida surge só de lingerie na sala e me diz, que elas estão no banheiro, todas na banheira.
Na banheira? Hum...
“É, estamos nos depilando umas às outras na frente do Vin, ele está super excitado e disse que nunca foi tão bem servido: tem uma negra, uma loira, uma ruiva e agora ele quer a morena brasileira também... Toda depiladinha”.
Pensei que ia desmaiar quando ouvi aquilo, Davida estava completamente emboletada. Os amigos também. Mais pra lá do que pra cá, fizeram piadinha, dizendo que o show da depilação era exclusividade do anfitrião, mas que depois eles iam compartilhar “as belezas” na master bedroom suíte...
Depilação grupal? Ai, Deus, eu nunca tinha visto aquilo, fiquei imaginado a gillete passando de mão em mão, e alguém mais descuidado cortando outro alguém já emboletado demais pra sentir, e sangue tomando conta da jacuzzi... Ughhh! Não, obrigada. Resolvi que eu estava sobrando e que precisava deixar o grupo no 3 x 3.
Na velocidade de um raio, olhei para Davida, puxei-a para uma canto e disse: “querida, eu preciso ir, amanhã temos prova de dança e eu acabei de me lembrar que preciso costurar meu colã, e deixar todo o figurino pronto, além de ensaiar mais um pouco, pois estou com o joelho direito lesionado”.
Como toda boa chefe de torcida, Davida era uma profissional da arte da dança, e seu corpo escultural era um fiel instrumento dessa arte. Ela sorriu e disse: “ah, querida, se você não praticou o suficiente, vá pra casa e pratique, pratique 100 vezes, porque amanhã precisamos arrasar nesta dança”. E terminando de falar isso quase caiu em cima de mim e quase caímos em cima da vela-pedestal cor marfim que estava acesa atrás de mim...
Mais que depressa, pedi para ela explicar aos meninos minha situação e pedir o telefone emprestado para eu chamar um táxi.
Nesse momento, gemidos e sussurros eram emitidos no banheiro e na suíte. Os outros dois já estavam pelados e corriam em direção ao eco dos sons. Davida, com os olhos arregalados, passou a mão no telefone preto sem fio, que, graças a Deus, estava bem ali, na mesinha ao lado de um dos sofás e sabendo de cor o número do táxi (esclarecendo que, nos States, os telefones têm letras que correspondem aos números, sendo assim fica fácil lembrar mesmo estando em estado calamitoso...), discou 1-2-3 –o-t-a-x-i, e se despediu de mim. Eu me recordo de ir correndo em direção à pesada e possante porta da mansão, abrindo- a e batendo-a. E de ficar esperando cinco minutos por aquele santo taxista, naquela calçada de ladeira, em Hollywood Hills.
Cheguei em casa feliz por estar com todos os meus pêlos.
Papai, Hollywood é pior do que o Brasil... Mas valeu a tentativa...



Fabíola Flores é diretora de uma escola de inglês e Desaforada X

7 comentários:

Anônimo disse...

Fa, o mais incrível é que esta é apenas uma das suas muitas histórias. Precisamos sentar para escrever o roteiro do filme da sua vida (antes que Hollywood queira fazer uma queima de arquivo hahahahaha).
Beijo.

Mario

*Lu* disse...

Menina do céu, que decepção heim, tudo bem que ele é um gato (na minha opinião), mas daí a fazer esse tipo de "orgia" é pra acabar né...Na verdade ele nem é gato, mas, o que é a pegada dele no velozes e furiosos na oficina??? Affff....Mas "orgia" regada a drugs, no thak's darling heheheh.
Bjks e parabéns foi ótimo...Lu Oliveira

Anônimo disse...

heheheheh, pois é Lu, drugs e mais drugs... Não resisti a HOLLYWOOD... Depois de perder a identidade... me colocaram de volta num avião... demorei pra me recuperar de tanta loucura!!! Beijos Lu, me add no msn, divamae147@hotmail.com
Fabíola

Anônimo disse...

Pois é my dear friend Mario... São muitas histórias meeeeesmo... Uma delícia contar todas elas e rir muito... até das trágicas.. heheheh vamos para Cannes...hehehe, adoooro vc!! beijosssss

Fabi

Verônica Pacheco disse...

Fabi, a vida imita a arte ou a arte imita a vida? (...) Um mundo paralelo.
Bj
Verô

fabiola disse...

Pois é Vero, eu me pergunto isso tb quase todos os dias, porque tem coisas que acontecem na nossa vida que não parecem reais...Parecem ter sido tiradas de uma cena de cinema, de ópera...heheheh Mas essa históris foi cabulosa, aliás tudo o que eu vivi em HOLLYWOOD foi meio cabuloso... Só não matei ninguém por que o resto fiz tudo... heheheheheheeeheheh, ainda bem né... tá loco... uma desaforada desequilibrada... super beijo!!!!

Larissa disse...

carak, muito doida a história, mais bem interessante...
dava até um livro com as histórias da vida real (bem clichê né?!)
mesmo assim.
beeeijão, e o blog tá lindo!