quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Ragazzo per mangiare



Uma mulher comprando camisinha num sábado `a meia noite em uma farmácia numa cidade pequena...
Quem já passou por esta situação sabe como é embaraçosa... Mesmo nos dias modernos de hoje.
Conheci um italiano maravilhoso na balada, ele está a trabalho no Brasil e nunca havia ficado com uma brasileira (nem eu com um italiano...).
A balada acaba, trocamos telefones internacionais, eu o deixo no hotel e “ciao”. Durante a semana que se segue, recebo mil e uma mensagens da pessoa querendo me encontrar e sair pra tomar uma “caipirinha”.
Após dar uma de difícil, topo. Saímos uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito vezes!
Nada de sexo. Tomamos caipirinhas, vinhos, cervejas, fomos aos shoppings da cidade, paramos no acostamento e nos beijamos por meia hora, passeamos de mãos dadas, nos beijamos e nos agarramos no quarto do hotel, ele me disse em italiano e exemplificou com o corpo (de roupa!) tudo o que ele ainda ia fazer comigo, trocamos carícias indecentes no elevador, fizemos massagem um no outro com creminho de morango e champagne, assistimos o canal italiano da tv a cabo deitados na cama comendo m&ms... Bebemos todo o frigobar.
Faltavam cinco dias para ele partir e resolvi convidá –lo para passar o final de semana (último) na minha casa uma vez que estava sozinha em casa.
Tudo perfeito. Além de ser italiano, gostoso, gentil e romântico, ele ainda tinha curso de chef de cozinha... Não preciso dizer que ele fez o jantar, comprou o vinho que combinava com a comida, botou defeito em todos os utensílios da minha cozinha porque tudo era de plástico... E as panelas, ah, que vergonha das minhas panelas...
Mas tudo isso criou um clima ainda mais emocionante, no fundo da minha embriaguez eu, mera aprendiz, observava com desejo infinito aquele homem de avental, cozinhando e fumando ao mesmo tempo... Me ensinando tudo sobre gastronomia, facas, azeites...
Minha mente já ia além, imaginava a noite de amor que teríamos...
Jantamos e descaradamente saímos da mesa para o quarto sem maiores pudores... Chegando na cama, ele me dá boa noite e um beijinho... Eu apago a luz.
Quando as pernas se encontram debaixo do cobertor, o fogo sobe e nos enlaçamos de tal forma... Éramos a sobremesa um do outro... Naquele instante senti que poderia casar com ele...
Me agarrou com força, e olhando nos meus olhos disse: “Eu te quero minha, mas não tenho...” CAMISINHA!! AAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!
Não quis acreditar. Fiquei imóvel. E com o corpo ardente pensei como poderia resolver aquela situação... Primeiro perguntei a ele porque ele não tinha, a resposta, decentíssima foi: “Não queria que você achasse que eu só vim pensando nisso, não queria te desrespeitar...”
Oh meu Deus! Ainda existe um homem assim? Me apaixonei mais ainda...
Agora, tinha 3 opções: 1) ligar para o meu irmão que é meu vizinho e pedir camisinha; 2) ligar para a tele entrega; 3) vestir a roupa, pegar o carro e ir até a farmácia.
Achei melhor não envolver meu irmão nisso, afinal, o que ele iria ficar pensando. Depois, uma só camisinha não ia adiantar. E ele não ia me dar um pacote inteiro. Ligar para a tele entrega ia ser super vergonhoso, ainda mais que eles iam sempre saber meu telefone e endereço e toda vez que eu pedisse um remedinho para o meu filho iam dar risada da minha cara... (“Ah, leva lá na casa da louca da camisinha...”hahahahahahah).
A situação indicava que eu teria mesmo que me vestir e me despir de toda a timidez para chegar na farmácia e pedir por preservativos. Sim, nem tudo é perfeito, ele não quis ir comigo para comprar: “No parlo portuguese...”.
Caramba, eu nunca fiz isso na vida! Sempre teve algum amigo gay que comprou pra mim.
Região metropolitana, eu, figura conhecida na cidade, diretora de uma escola cheia de criancinhas... Chego à meia–noite na farmácia, quase de pijama, com um jaquetão por cima, descabelada, com a maior cara de louca e tarada. Depois de 40 minutos de preliminares calorosas e saborosas (com direito a chantilly e tudo...).
O segurança já me olha com cara de desconfiança. O farmaceuticuzinho vem todo sorridente perguntando se pode ajudar. Eu, quase que desistindo da missão, pergunto: “Onde está o cotonete?” A doce criatura, me indica a prateleira, e me entrega uma cestinha dizendo a trivial frase: “Pode ficar à vontade, senhora.” Ficar à vontade? Como alguém pode ficar à vontade numa situação dessas?
Ainda mais que os meus olhos não cruzavam com o diabo da camisinha! Aonde mesmo que colocam as camisinhas pra vender?
Num impulso, saí colocando várias coisas na “cestinha” e, quando pensava em desistir, com a farmácia inteira me olhando (pensava no corpo daquele homem, na minha cama e em todas as promessas depravadas que ele havia me feito e que finalmente ia por em prática) me veio à cabeça a indagação de quantas camisinhas seriam necessárias.
Bingo! Lá estavam elas, junto com as gilettes. Nunca mais esqueço o lugar. No auge da minha loucura agarrei cinco pacotes. Pronto, agora podia ir para o caixa e rezar para que uma mulher registrasse minhas compras.
Uma polaquinha simpática com as bochechas avermelhadas registra tudo com naturalidade, eu pago, ela sorri enquanto embala tudo e me pergunta: “A senhora está de carro?”
Hum? Na hora não entendi a perguntinha. Respondi que sim. Depois fiquei pensando que se eu respondesse que estava a pé, talvez ela embrulhasse os pacotinhos cinzas em duas ou três sacolas pra disfarçar.
A noite foi inesquecível, maravilhosa, interminável, fantasticamente deliciosa...
As camisinhas, é claro, ainda renderam no domingo e na segunda, quando com lágrimas nos olhos tivemos que nos despedir.
No chão do quarto restaram os cotonetes, o sabonete líquido, o desodorante, os chocolates, a bolacha recheada, as gilettes, os esmaltes, minhas outras compras... Que pouco importaram.
É isso aí amigas, sexo só com camisinha.
Nem que para isso, você tenha que pagar o maior mico na farmácia. À meia–noite...

Fabíola Flores é diretora de uma escola de inglês e Desaforada X

3 comentários:

Anônimo disse...

Tsc, tsc, que pouca vergonha, Fa, o que os seus alunos vão pensar?! hehe
Beijos.

Mario

fabiola disse...

ahauahauhaua... acho q a maioria deles já sacou que sou meio doida..rsrsrssrs, o que esperar de alguém que morou 2 anos em Hollywood rsrsrsrsrs, beijos meu querido amigo, e obrigada por esta experiência!!!

Anônimo disse...

Que a ela se sigam várias outras. Inclusive seus relatos hollywoodianos, porque estes com certeza vão render um bom Ibope. hehe
;-)
Beijos.

Mario